O Dia Nacional da Vacinação, comemorado em 17 de outubro, é um convite à reflexão e ao engajamento de toda a sociedade brasileira sobre a importância de proteger quem mais amamos.
Essa data simbólica foi instituída pelo Ministério da Saúde com o propósito de Conscientização e Mobilização Nacional.
As vacinas são reconhecidas mundialmente como uma das intervenções em saúde pública mais eficazes e estratégicas da história. Elas salvaram e salvam milhões de vidas todos os anos em todo o mundo, atuando diretamente na prevenção, no controle e até mesmo na erradicação de doenças. No entanto, o cenário atual de imunização no país exige atenção, diálogo e a união de esforços entre pais, educadores, familiares, cuidadores e profissionais de saúde.
No Brasil, o acesso universal aos imunizantes é garantido pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), que possui mais de 50 anos de história e é uma referência global. Por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), o PNI disponibiliza gratuitamente dezenas de vacinas essenciais, cobrindo todas as faixas etárias, desde o nascimento até a terceira idade. Paralelamente, o serviço privado atua de forma complementar para ampliar ainda mais essa proteção.
Apesar dessa estrutura consolidada, o Brasil e o mundo têm enfrentado uma queda nas coberturas vacinais nos últimos anos. Esse cenário traz de volta ameaças e o risco de reintrodução de enfermidades preveníveis pela imunização:
- Sarampo: Após perder o certificado de eliminação em 2019, o Brasil alcançou a recertificação como país livre do sarampo em 2024. Contudo, o vírus continua circulando globalmente, o que mantém o alerta aceso para a necessidade de altas coberturas vacinais.
- Poliomielite: A baixa cobertura contra a paralisia infantil coloca o país em patamar de “alto risco” para a reintrodução do poliovírus, tornando urgente a vacinação de todas as crianças.
- Coqueluche: O aumento no registro de casos evidencia a importância de manter a vacinação em dia tanto nas crianças quanto nas gestantes e adultos.
- Febre amarela: Manter altas taxas de vacinação é fundamental para evitar a reurbanização da doença.
A boa notícia é que a cultura da vacinação continua profundamente enraizada na população brasileira. Pesquisas apontam que mais de 80% dos pais e cuidadores são amplamente favoráveis à vacinação completa de seus filhos, enxergando o ato vacinal como uma extensão do afeto e do cuidado diário. Além disso, a grande maioria apoia ações de vacinação no ambiente escolar.
Os professores e educadores também desempenham um papel decisivo. As escolas entendem que turmas imunizadas reduzem surtos e afastamentos, funcionando como polos de promoção da saúde. Os educadores frequentemente auxiliam na conferência da caderneta de vacinação e na orientação das famílias, além de manterem as próprias vacinas atualizadas.
Apesar do apoio majoritário, médicos e especialistas alertam para o fenômeno da hesitação vacinal, impulsionada por determinantes explicados pelo modelo dos “5 Cs”:
- Confiança: A proliferação de fake news e notícias falsas sobre supostos efeitos colaterais ou formulações duvidosas gera dúvidas infundadas nas famílias.
- Complacência: O próprio sucesso passado das vacinas fez com que doenças graves sumissem do cotidiano. Criou-se uma “geração sem memória de doença”, na qual os pais não viram as sequelas do sarampo ou da poliomielite e tendem a subestimar os riscos.
- Conveniência: A rotina corrida e dificuldades de acesso, como distância ou horários de postos de saúde incompatíveis com a jornada de trabalho, muitas vezes geram atrasos não intencionais na vacinação.
- Comunicação e Contexto: A forma como a informação em saúde é transmitida e o ambiente cultural demandam mensagens claras, transparentes e empáticas para engajar toda a comunidade. Profissionais da saúde devem sempre se atualizar sobre o calendário vacinal e eventos adversos para passarem segurança à população.
A recuperação e manutenção de elevadas coberturas vacinais, tão esperadas acima de 95%, exige um esforço conjunto:
- Consultar o pediatra e profissionais de saúde: Eles são os principais responsáveis da informação confiável. Dúvidas sobre reações ou componentes devem ser conversadas abertamente nas consultas.
- Verificar sempre a caderneta: Torne um hábito conferir a carteira de vacinação das crianças e de toda a família em todas as oportunidades. Conheça o calendário vacinal do PNI, e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
- Apoiar a vacinação escolar: A integração entre saúde e educação facilita o acesso e aproxima a imunização da rotina das crianças, adolescentes e funcionários
- Buscar fontes confiáveis: Evite compartilhar conteúdos não seguros vindos de redes sociais. Consulte canais oficiais da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e do Ministério da Saúde.
Neste 17 de outubro, reafirmamos que vacinar é proteger o presente e garantir o futuro de nossas crianças. Procure a unidade de saúde mais próxima, mantenha a caderneta atualizada e faça parte dessa corrente pela vida saudável.
Relatores:
Silvia Regina Marques
Renato Kfouri
Departamento Científico de Imunizações da SPSP
