Junho Púrpura
Distúrbios de aprendizagem: conhecer, perceber, enfrentar
A campanha
“Junho Púrpura – Distúrbios de aprendizagem: conhecer, perceber, enfrentar”, promovida pela Sociedade de Pediatria de São Paulo e organizada pelo Núcleo de Estudos de Desenvolvimento e Aprendizagem da SPSP, tem por objetivo auxiliar os pediatras a identificar os distúrbios de aprendizagem nas crianças e adolescentes, bem como levar informações pertinentes sobre o tema aos pais e responsáveis, escolas, professores e demais profissionais que atuam com a faixa etária pediátrica.
Segundo Mariana Facchini Granato, presidente do Núcleo de Estudos de Desenvolvimento e Aprendizagem da SPSP e coordenadora da campanha, é cada vez mais frequente nos consultórios pediátricos os pais trazerem queixa de dificuldades relacionadas ao desempenho escolar de seus filhos. No entanto, quando se trata de dificuldade escolar, ela diz que é fundamental que se faça uma distinção entre os conceitos de dificuldade de aprendizado e de transtorno de aprendizado.
O transtorno de aprendizado se refere a uma condição de natureza neurobiológica relacionada a uma inabilidade específica, como leitura (dislexia) ou escrita (disgrafia). Já a dificuldade de aprendizado abrange um grupo heterogêneo de fatores que podem afetar a capacidade de aprender, independentemente das condições neurológicas.
“O primeiro ponto importante é definir se a criança ou adolescente realmente apresenta uma dificuldade de aprendizado ou se existe uma cobrança desproporcional por parte dos pais acerca do seu desempenho”, questiona Mariana.
Para a médica, se de fato for observada uma dificuldade de aprendizado, o pediatra deve levar em conta, na investigação do quadro, vários fatores, como escolares, socioambientais, emocionais e orgânicos. Claudio Barsanti, coordenador das Campanhas da SPSP, afirma que é preciso estar muito atento para situações nas quais a criança ou o adolescente apresentam sinais, como alterações de percepção, escuta e visão, para que todos os envolvidos — famílias, cuidadores, educadores e profissionais de saúde — possam se unir e evitar complicações subsequentes.
Na opinião do pediatra, é necessária maior conscientização dos familiares, profissionais da educação e da saúde a respeito dos distúrbios de aprendizagem. O diagnóstico precoce é fundamental: quanto mais cedo forem feitos o encaminhamento adequado e as intervenções necessárias, melhores serão os resultados do tratamento. Uma ação multidisciplinar e multiprofissional é crucial para evitar um déficit ainda maior no aprendizado.
Mariana cita como exemplos de diagnósticos que podem se manifestar com dificuldade de aprendizado o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Embora o diagnóstico de TEA dificilmente seja feito apenas com base em dificuldade escolar, indivíduos no espectro podem apresentar dificuldades acadêmicas. Transtornos de humor, como ansiedade e depressão, também podem se manifestar com queda do rendimento acadêmico.
Por fim, um aspecto importante a ser avaliado é o sono, tanto em qualidade quanto em quantidade, muitas vezes relacionado ao uso excessivo de telas. Cabe ao pediatra avaliar possíveis comprometimentos para que, junto aos pais e à escola, seja possível traçar o melhor caminho de apoio para a criança ou o adolescente.
Organização da campanha
Núcleo de Estudos de Desenvolvimento e Aprendizagem da SPSP
Assista ao vídeo da campanha
Documentos da campanha
Consulte abaixo os materiais e documentos relacionados ao Junho Púrpura.
