Vivemos em um mundo globalizado e em constante transformação. Os avanços da tecnologia nas últimas três décadas transformaram nossas vidas e a rotina familiar. Mudamos a forma de comprar, ler, contar histórias, falar com as pessoas e pagar contas. A vida ficou diferente e mais rápida.
Antes, o pai raramente ia ao pediatra, mas hoje ele vai com mais frequência. A mãe, que costumava ficar em casa cuidando dos filhos, agora trabalha e constrói uma carreira. As crianças, que tinham muitos irmãos e primos, hoje têm poucos ou nenhum.
Os animais de estimação, que ficavam nos quintais, agora até têm festas de aniversário. Precisamos aceitar essas mudanças, mas há uma que preocupa muito: o abandono virtual.
Com a internet e os celulares, temos o mundo na mão. Isso ajudou a pesquisar e a falar com pessoas que estão longe. Porém, as redes sociais usam truques para prender nossa atenção e liberar prazer rápido. Isso nos afasta das pessoas mais próximas.
Como o desenvolvimento do bebê depende do contato humano nos primeiros anos, a falta de atenção dos pais é um grande risco. Pais presos às telas estão, na prática, largando seus filhos, mesmo estando no mesmo cômodo.
Pior, muitos pais dão telas às crianças para acalmá-las, sem nenhuma proteção. Isso expõe os pequenos a perigos na internet, pois eles ainda não têm maturidade emocional. A personalidade deles ainda está em formação.
Por isso, vemos tragédias envolvendo crianças e adolescentes: automutilação, crueldade com animais e até suicídios. Esses jovens estão sozinhos no mundo digital, mesmo vivendo em lugares seguros, e estas desgraças muitas vezes acontecem no quarto ao lado dos pais.
Toda a sociedade precisa pensar nesse problema. Os pais devem questionar se não estão desamparando seus filhos, deixando-os à própria sorte, mesmo que estejam fisicamente perto. É uma situação urgente que depende de boas decisões dos adultos.
É importante saber que:
- A presença física não garante presença emocional.
- Redes sociais usam algoritmos para prender a atenção e afastar as pessoas reais.
- Dar telas para crianças sem controle as expõe a riscos graves na internet.
- A falta de interação humana nos primeiros anos prejudica o desenvolvimento infantil.
- Crianças sozinhas no mundo digital estão sofrendo com casos de automutilação e violência
Relator:
Fausto Flor Carvalho
Vice-Presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da SPSP
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP
