Se seu filho adolescente já tomou um energético antes de uma prova, para aguentar um rolê ou até para render mais no futebol, saiba que você não está sozinho(a)… nem ele!
Bebidas energéticas, os “pré-treinos”, alguns medicamentos (como os usados no tratamento do TDAH, que, prescritos e acompanhados, são outra história; falaremos disso em breve) e, no extremo mais grave, drogas como a cocaína são psicoestimulantes e têm algo em comum: todos mexem com a dopamina, o neurotransmissor (mensageiro químico) ligado à sensação de prazer e recompensa.
Nosso cérebro libera dopamina sozinho quando fazemos coisas de que gostamos ou quando acontece algo bom: receber um elogio, comer a comida preferida, ganhar um jogo, assistir ao pôr do sol. Nesses casos, a dopamina vem de forma gradual, na quantidade e na velocidade adequadas, e o cérebro lida bem com isso.
As substâncias psicoestimulantes, por sua vez, aumentam a dopamina de forma artificial. E quanto mais rápido e intenso esse estímulo chega ao cérebro, maior o potencial de gerar dependência. É justamente por isso que a latinha de energético e a cocaína fazem parte da mesma conversa!
Estímulos intensos e repetidos, com dopamina em grande quantidade, alteram o cérebro em formação. E a adolescência é exatamente a fase em que esse cérebro está mais vulnerável.
Então, como proteger nossos filhos?
Com conhecimento e vigilância. Saber o que acontece na rotina dos nossos jovens não é invasão de privacidade! Já usou energético? O café preto virou hábito antes de estudar, treinar ou para “aguentar” a rotina? O que funciona bem com adolescentes são as conversas abertas e sem julgamento, fora dos momentos de tensão, quando podemos explicar os riscos de forma real e não moralista.
Jovens que entendem o “porquê” em casa tendem a tomar decisões melhores do que os que só ouvem proibições ou se informam com colegas e redes sociais.
Fique atento/a! O uso rotineiro de estimulantes sem orientação médica, como energéticos, pré-treinos e café em excesso, pode abrir caminho para substâncias mais graves.
E aí? Vamos falar mais sobre isso?
Este texto tem finalidade educativa e não substitui avaliação médica individualizada. Em caso de dúvidas sobre o desenvolvimento, o comportamento ou o uso de substâncias por crianças e adolescentes, procure um pediatra ou um psiquiatra da infância e adolescência.
Relatora:
Ilana Holender
Especialista em Psiquiatria da Infância e da Adolescência
Membro do Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas da SPSP
