De 12 a 18 de outubro ocorre a Semana Nacional de Prevenção da Violência na Primeira Infância. Este é um convite para olharmos com cuidado para aquilo que é mais precioso: nossos bebês e crianças pequenas, que dependem de nós para crescer com segurança, afeto e dignidade.
A primeira infância – período da vida da gestação aos 6 anos – é um tempo único. É quando o cérebro aprende a sentir, confiar, explorar e se relacionar. Cada gesto de carinho, cada palavra de acolhimento, cada abraço conta. E, da mesma forma, cada situação de violência, negligência ou medo deixa marcas profundas. O chamado estresse tóxico, causado por agressões físicas, psicológicas, sexuais, violência doméstica ou digital, pode acompanhar a criança por toda a vida, afetando sua saúde, seu comportamento e sua capacidade de aprender.
Nenhuma família deveria enfrentar isso sozinha. A Constituição e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) afirmam que proteger a infância é responsabilidade de todos nós — da comunidade, das escolas, dos serviços de saúde, do poder público e de cada pessoa que cruza o caminho de uma criança.
Como podemos cuidar melhor das nossas crianças
- Fortalecer redes de apoio: Famílias cansadas, sobrecarregadas ou vivendo situações difíceis precisam ser acolhidas. Pedir ajuda é um ato de amor. Quando uma família recebe suporte emocional, social ou psicológico, a violência perde espaço.
- Criar vínculos com afeto e limites saudáveis: Educar não é bater, humilhar ou assustar. Crianças aprendem muito mais quando são guiadas com firmeza, respeito e carinho. A parentalidade positiva ajuda a construir confiança e segurança — e protege a infância.
- Contar com o pediatra como aliado: O pediatra é alguém que caminha ao lado da família. Quando há qualquer suspeita de violência, o ECA determina que a comunicação ao Conselho Tutelar do local de moradia da criança é obrigatória. Além disso, a notificação ao SINAN garante que o caso seja acompanhado pelas políticas públicas de proteção. Se o Conselho Tutelar não puder ser acionado, o Ministério Público deve ser comunicado.
Quando denunciar é um ato de amor
Falar sobre violência dói. Denunciar assusta. Mas proteger uma criança é sempre mais importante do que qualquer medo. E você não precisa se identificar: existem canais seguros e anônimos que acolhem denúncias com sigilo absoluto.
- Ligue 180 – Para situações de violência contra mulheres.
- Disque 100 – Para violações de direitos humanos, incluindo violência contra crianças.
- Disque Denúncia – 181 – Para denúncias anônimas de crimes em geral.
- SaferNet Brasil – Para crimes de violência digital, como pornografia infantil.
Após a denúncia, é gerada uma senha para acompanhar o andamento do caso. Quando a criança é atendida em serviços de saúde, essa senha deve ser registrada no prontuário, garantindo cuidado contínuo.
Um gesto que transforma vidas
A violência contra crianças, muitas vezes, acontece em silêncio. Às vezes dentro de casa. Às vezes onde menos esperamos. Mas o silêncio não protege — ele aprisiona. Ver, acolher, pedir ajuda, denunciar: tudo isso salva vidas. Tudo isso ensina às crianças que elas importam, que são amadas, que o mundo pode ser um lugar seguro.
A SPSP está ao lado das famílias. Ao lado das crianças. Ao lado de quem escolhe proteger. Cuidar da infância é cuidar do futuro – e esse futuro começa agora, com cada gesto de amor que oferecemos.
Relator
Mario Roberto Hirschheimer
2º Secretário da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Membro do Núcleo de Estudos da Violência Contra a Criança e o Adolescente da SPSP
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP
