Em 1995 o então governador de São Paulo já queria tirar o cigarro de ambientes fechados. Fumar fazia parte da mudança da adolescência para a vida adulta, associado ao charme da época. A sanção da Lei Antifumo nº 9.294, em 15 de julho de 1996, marcou então uma mudança importante nesse cenário, estabelecendo restrições ao uso e à propaganda de produtos fumígenos, bebidas alcoólicas, medicamentos, terapias e defensivos agrícolas, visando proteger a saúde pública e regulamentar a publicidade desses produtos.
O Brasil se tornou o 2º país em número de ex-tabagistas e é o responsável mundial pela criação da Convenção-Quadro, regulador da OMS sobre o tabaco, apesar de o nosso Congresso ter sido o 100º de um país a assiná-la.
Éramos 34,8% de fumantes há 30 anos e chegamos a 9,3%, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Queríamos chegar a menos de 5%, mas de 2024 a 2025 subimos para 11,5% pela Pesquisa Vigitel, por telefone. Isto se deve a ações da indústria do tabaco e também ao aumento de uso de CE (cigarro eletrônico) pela juventude, apesar do ato de fumar passar a ser uma coisa cafona.
Mas entre os jovens virou moda o vape ou CE, sendo visto ainda como símbolo de charme, sucesso e modernidade, como o cigarro tradicional foi para nossos pais ou avós. E com a informação errônea e maliciosa da indústria de que “faz menos mal do que o cigarro tradicional”, impulsionou muitos adultos a fumá-lo ou vaporizá-lo.
Nunca se viu tantas notícias na mídia de quadros de pneumonia que não respondem a antibióticos, informando que a hipótese da morte tenha ocorrido por lesão pulmonar associada ao uso de cigarro eletrônico, conhecida como “EVALI” — sigla em inglês para e-cigarette or vaping use-associated lung injury.
O pulmão não foi feito para receber qualquer tipo de fumaça, quer do cigarro tradicional, quer do eletrônico, cachimbo, charutos, maconha ou mesmo fumaça de ônibus. E também não foi feito para receber gordura que existe nos malditos sabores e essências.
Os EUA são um dos 83 países que permitem a venda de cigarros eletrônicos. No país, foram estabelecidas regras – e impostos – para evitar publicidade considerada abusiva, o acesso de menores de idade aos produtos e aumentar a arrecadação…
A empresa de cigarros eletrônicos Juul Labs foi multada em US$ 438,5 milhões (R$ 2,2 bilhões na cotação atual) em 2022, pela comercialização de vapes para menores de 21 anos em 33 Estados norte-americanos –, mas o seu lucro parece ter sido dez vezes o valor da multa.
Precisamos de regras mais enérgicas no nosso Brasil. O poder público e as ONGs têm que abrir os olhos da população sobre os malefícios do CE, que são reais. Isto pode partir de baixo para cima, ou seja, da sua família inicialmente.
Conversem sobre o tema.
Abraço do Dr. Bartô.
Relator:
João Paulo Becker Lotufo
Vice-Presidente do Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas da SPSP
