Todos os anos, em 25 de julho, o mundo celebra o Dia Mundial de Prevenção do Afogamento, uma data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para conscientizar sobre um problema que causa centenas de milhares de mortes todos os anos e que, na maioria das vezes, pode ser evitado.
O afogamento, ao contrário do que muitos imaginam, é um evento rápido e silencioso. A pessoa que está se afogando geralmente não grita, não pede socorro, pois gasta toda sua energia na luta por manter nariz/boca acima da superfície: ela submerge e prende a respiração, enquanto tenta subir novamente à superfície. Nesses movimentos, engole água e pode também já “respirar” um pouco do líquido. Se não houver socorro, a pessoa entra em exaustão, não conseguindo mais emergir. Mesmo fazendo esforço para não respirar embaixo da água, esse mecanismo falha e o indivíduo acaba respirando líquido. Com essa falta de oxigenação adequada, ela perde a consciência.
É assim que, em pleno século 21, em torno de 300 mil pessoas no mundo inteiro, principalmente crianças e jovens de 1 a 24 anos, perdem suas vidas ou mantêm sequelas físicas e emocionais que levarão para sempre.
O afogamento não acontece apenas em praias e piscinas. Ele pode ocorrer em rios, lagos, represas, caixas d’água, baldes, banheiras e até em poucos centímetros de água. Bebês e crianças pequenas são os mais vulneráveis.
A prevenção é a forma mais eficaz de evitar que isso ocorra e está baseada em múltiplas camadas de proteção:
- Instalar barreiras físicas que controlem o acesso à água (ex.: cercas em piscinas, poços, tanques).
Piscinas devem ser cercadas com grades de pelo menos 1,20 m de altura, sem que haja espaços para que se passe por entre elas, por baixo das mesmas ou que se escale para pulá-las, com um portão com autotravamento, evitando, assim, a entrada não autorizada. O mesmo deve ser feito para outros reservatórios de água que não possam ser esvaziados.
- Prover supervisão próxima e constante de crianças em ambientes aquáticos.
Crianças menores de cinco anos, ou maiores que não saibam nadar, devem permanecer sempre a um braço de distância de um adulto quando estiverem na água ou próximos dela.
- Ensinar habilidades de natação, flutuação e segurança na água para crianças.
A partir dos quatro anos de idade, a criança atinge um maior grau de maturidade cognitiva e capacidade de atenção (compreende e segue instruções com mais facilidade), melhor coordenação motora e equilíbrio corporal (mais força e controle postural) e autonomia (flutua, desloca-se e recupera a posição vertical com mais facilidade).
- Ensinar reanimação cardiopulmonar (RCP) a pais, cuidadores, professores.
A sobrevida no afogamento depende, em grande parte, da rapidez com que a oxigenação é restabelecida. Sendo assim, a melhor RCP é aquela iniciada imediatamente por quem presencia o acidente. Ensinar pais e cuidadores a reconhecer o afogamento, retirar a vítima da água com segurança e iniciar ventilações de resgate e RCP enquanto o serviço de emergência é acionado pode ser decisivo para salvar vidas.
- Fornecer equipamentos de segurança para atividades aquáticas, como coletes salva-vidas certificados.
O uso de coletes salva-vidas certificados é uma das medidas mais eficazes para prevenir mortes por afogamento, especialmente em crianças, durante atividades em embarcações, esportes aquáticos e em ambientes naturais, como rios, lagos e mar.
Nem todo dispositivo de flutuação oferece proteção adequada. Um colete salva-vidas certificado possui flutuabilidade testada conforme normas técnicas; mantém a flutuação mesmo após longo período na água; tem tamanho e capacidade compatíveis com o peso do usuário; utiliza fechos resistentes e seguros e é fabricado para evitar que a criança escorregue para fora durante o uso.
Neste 25 de julho, o convite é simples: compartilhe informações, converse com sua família e amigos e reveja os cuidados ao redor da água.
E lembre-se, antes de entrar na água:
- escolha locais com guarda-vidas;
- respeite as bandeiras de sinalização;
- evite nadar sozinho;
- nunca misture álcool com atividades aquáticas;
- não mergulhe em locais cuja profundidade você desconhece.
Saber agir também faz diferença.
Relatora:
Tania Zamataro
Membro do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP
