Linfomas são altamente curáveis na infância

Linfomas são altamente curáveis na infância

No dia 15 de setembro é celebrado o Dia Mundial da Conscientização dos Linfomas, uns dos principais tipos de câncer na infância e sobretudo na adolescência. São doenças altamente curáveis e este texto visa chamar a atenção dos adolescentes, familiares, médicos, pediatras ou clínicos sobre os sintomas mais comuns. Os linfomas são neoplasias malignas com origem no sistema linforreticular. Este sistema é o responsável pela resposta imune, vigilância e detecção de elementos estranhos ao organismo, e está presente nos locais onde há um primeiro contato com o que ingerimos ou respiramos, como o trato gastrointestinal e as vias aéreas superiores. Está bem representado também nos linfonodos ou gânglios, estruturas que filtram o que não é desejado no organismo e produzem células de defesa, principalmente linfócitos. Os linfomas surgem quando ocorre uma mutação nos linfócitos e estes começam a se proliferar sem controle e se disseminar em outros linfonodos.

Os linfonodos ou gânglios, também popularmente conhecidos como ínguas, são frequentemente palpáveis em crianças, nas regiões do pescoço, axilas e virilhas. Isto ocorre em geral em resposta a infecções de pele (couro cabeludo, mãos, pés), de boca, da faringe e do ouvido, comuns na infância. Podem ocorrer também como resposta inflamatória após a colocação de brincos e piercings em adolescentes. Os gânglios nestas situações crescem, podem ser dolorosos, apresentar vermelhidão e o paciente pode ter febre durante o processo. Uma vez encerrada a infecção ou a inflamação, os linfonodos tendem a regredir, porém podem não desaparecer.

Nos linfomas, os linfonodos começam a aumentar de tamanho, e não param de crescer, formando em algumas situações blocos ganglionares. Podem ser indolores, não são necessariamente endurecidos, e em geral, não são móveis. No linfoma de Hodgkin, o câncer mais comum no adolescente, o processo se inicia na região do pescoço e se dissemina por contiguidade para as demais cadeias linfáticas: fossas supraclaviculares (conhecidas como “saboneteiras”), axilas, mediastino (espaço no centro do tórax onde existem gânglios), cavidade abdominal (em linfonodos e/ou no baço, órgão do sistema linforreticular), e região inguinal ou virilhas. Quando os gânglios crescem sem parar, são maiores de 3 cm de diâmetro, são coalescentes formando blocos e estão em locais não usuais, como fossa supraclavicular. Deve ser sempre realizada biópsia para esclarecer a causa da doença. O aumento de gânglios em mediastino pode causar dor torácica e falta de ar, e o acometimento dos linfonodos abdominais ou do baço pode causar dor e inchaço na barriga. Outros sintomas podem estar presentes, tais como febre, em geral vespertina, sudorese noturna e perda de peso.

O pediatra ou clínico, frente a um paciente com estes sintomas, pode solicitar alguns exames simples e de rápida realização, tais como radiografia de tórax para avaliar o mediastino ou ultrassonografia de abdome; não deve atrasar o encaminhamento do paciente para um centro de oncologia pediátrica, visando ao diagnóstico mais preciso e início rápido de tratamento adequado. Nesses centros, exames de imagem mais acurados definem toda a extensão da doença e a biópsia de um gânglio acometido, define o tipo de câncer e suas características moleculares.

A abordagem dos linfomas envolve múltiplas modalidades terapêuticas, como quimioterapia com drogas administradas em doses convencionais ou em altas doses para eliminar as células tumorais, a radioterapia nos locais acometidos, terapia-alvo contra alterações moleculares específicas e imunoterapia.

O linfoma de Hodgkin é curável em cerca de 90% dos casos atualmente e os linfomas não Hodgkin, há variação de 70%-90%. A atenção aos sinais e sintomas por parte das famílias e médicos e o encaminhamento para centros especializados possibilitam essa história de sucesso na oncologia pediátrica.

Relatora:
Ethel F. Gorender
Presidente do Departamento Científico de Oncologia da SPSP