Não à degradação da qualidade ambiental

Não à degradação da qualidade ambiental

Em 14/8 celebramos o Dia Nacional de Combate à Poluição. Tal data foi criada em 1975 a fim de alertar a sociedade sobre os danos causados ao meio ambiente pela atividade humana, implementar leis e políticas públicas para proteção de ecossistemas e estimular práticas sustentáveis.

Essa necessidade de garantir desenvolvimento com preservação ambiental ganhou as agendas de entidades governamentais internacionais a partir da segunda metade do século XX. Em nosso país, vivíamos intensa aceleração da industrialização e da urbanização, com grande aumento do número de carros. O despejo de resíduos poluentes no ar, água e solo impulsionou a criação de programas regulatórios, tendo o ápice na promulgação da Constituição Federal em 1988, onde o Artigo 225 garante que um ambiente ecologicamente saudável é direito de todos.

Apesar de tantos esforços jurídicos e dos alertas de entidades científicas, vivemos hoje uma crise climática sem precedentes, causada pela poluição antropogênica (gerada diretamente pelas ações humanas). Ondas de calor extremo, incêndios florestais, tempestades e inundações têm sido frequentes nos noticiários, mas são apenas a parte mais visível de uma situação dramática. Para exemplificar, vamos nos reservar a expor alguns dados que afetam diretamente a vida e saúde infantil, afinal estamos em um blog feito por pediatras para aqueles que cuidam de nossas crianças.

  • Poluição do ar: É causada pela queima de combustíveis fósseis no transporte, pela indústria e pelas queimadas agrossilvipastoris. Segundo a OMS, mais de 99% da população mundial respira um ar considerado de qualidade inadequada, o que é responsável pela perda de 600.000 vidas ao ano. Provoca partos prematuros, crianças com baixo peso ao nascer, doenças respiratórias, endócrinas, reumatológicas, dermatológicas neurológicas e psiquiátricas.
  • Poluição da água: Causada pela presença de componentes químicos, elementos radioativos e organismos patógenos. Responsável pela morte anual de 4,6 milhões de crianças menores de cinco anos, devido a doenças diarreicas e infecções (OMS), além de comprometimento do desenvolvimento físico e cognitivo.
  • Poluição do solo: Causada pela presença de agrotóxicos, metais pesados e resíduos industriais, contaminando alimentos e levando a doenças neurológicas, hormonais e câncer.
  • Poluição sonora e luminosa: O ruído excessivo e a exposição exagerada à luz artificial, presentes principalmente em áreas urbanas, causam distúrbios do sono, estresse crônico, redução da capacidade cognitiva, obesidade e distúrbios endócrinos.

Diante desse cenário, podemos nos perguntar, o que fazer? Algumas atitudes individuais são importantes, como o descarte adequado do lixo doméstico, o consumo consciente, a busca por meios de transporte mais sustentáveis, frequentar ambientes com áreas verdes, garantir alimentação saudável às nossas crianças, etc. Mas tão importante quanto, é necessária a cobrança dos poderes públicos e dos gestores da garantia da fiscalização e aplicação das leis e programas relacionados à proteção do meio ambiente.

Relatora:

Regina Carnaúba
Membro do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP