Zica vírus – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 08 Jul 2016 15:42:48 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Zica vírus – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Dúvidas sobre o Zika Vírus https://spsp.org.br/duvidas-sobre-o-zika-virus/ Fri, 08 Jul 2016 15:42:48 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=1186 O Dr. Renato de Ávila Kfouri, membro do Depto. Científico de Infectologia da SPSP e Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações-SBim, e a Dra. Rosana Richtmann, Membro da Comissão Técnica para Revisão dos Calendários Vacinais e Consensos da SBim, elaboraram uma cartilha e em vídeo tirando as dúvidas sobre o Zika Vírus e sua recente propagação em território brasileiro. Este material pode ser acessado gratuitamente pelos links abaixo:   Faça o download da cartilha tirando as dúvidas sobre o Zika Vírus   Assista o vídeo sobre o Zika Vírus produzido pelo Dr. Renato Kfouri e pala Dra. Rosana Richtmann]]>

O Dr. Renato de Ávila Kfouri, membro do Depto. Científico de Infectologia da SPSP e Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações-SBim, e a Dra. Rosana Richtmann, Membro da Comissão Técnica para Revisão dos Calendários Vacinais e Consensos da SBim, elaboraram uma cartilha e em vídeo tirando as dúvidas sobre o Zika Vírus e sua recente propagação em território brasileiro.

Este material pode ser acessado gratuitamente pelos links abaixo:

 

Faça o download da cartilha tirando as dúvidas sobre o Zika Vírus

 

Assista o vídeo sobre o Zika Vírus produzido pelo Dr. Renato Kfouri e pala Dra. Rosana Richtmann

https://www.youtube.com/watch?v=GcDfDWjrY80

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Desinformações sobre a infecção pelo vírus Zika https://spsp.org.br/desinformacoes-sobre-a-infeccao-pelo-virus-zika/ Mon, 07 Mar 2016 13:16:22 +0000 https://comunidadespsp.wordpress.com/?p=1096 Tendo em vista o grande número de informações sobre o vírus Zica divulgadas erradamente por blogs, sites e formadores de opinião, a Sociedade de Pediatria de São Pauo solicitou ao Departamento Científico de Infectologia um parecer sobre os principais pontos críticos. Veja abaixo e compartilhe! Há várias causas de microcefalia, mas muitas evidências apontam o vírus Zika como o responsável pelo aumento de casos no Brasil. Dra. Silvia Marques, presidente do Departamento Científico de Infectologia da SPSP Como se não bastasse o momento tão difícil, com a detecção de um novo vírus circulando em nosso país – o vírus Zika – no qual todos os esforços se voltam para o estudo científico da doença, pessoas se aproveitam para veicular notícias descabidas para confundir a população. Microcefalia e as vacinas na gestação Primeiramente, recebemos a notícia de que o aumento de casos de microcefalia observado no Nordeste do Brasil, e depois em outros Estados, estaria relacionado com as vacinas aplicadas na gestação. As vacinas aplicadas na gestação, como a influenza e a tríplice acelular tipo adulto, (contra difteria, tétano e coqueluche) têm vasta bibliografia e informações sobre as aplicações, mostrando a sua importância e segurança. Os principais órgãos de saúde, como a Organização Mundial de Saúde (OMS), recomendam essas vacinas na gestação. Tanto a OMS quanto um extenso estudo realizado em 2014 – um levantamento do Global Advisory Committee on Vaccine Safety (GACVS) – mostraram que não há evidências de que vacinas administradas durante a gravidez causariam qualquer problema congênito nos bebês. Não há, portanto, registro na literatura médica nacional e internacional sobre a associação do uso de vacinas com a microcefalia. Todas as vacinas ofertadas no Brasil, pelo Programa Nacional de Imunização (PNI), são seguras. Microcefalia e o inseticida piriproxifeno Outra informação que circulou recentemente foi que o inseticida piriproxifeno seria a verdadeira causa da microcefalia. Uma equipe de cientistas da OMS recentemente revisou os dados toxicológicos do piriproxifeno, um dos 12 larvicidas que a OMS recomenda para reduzir a população de mosquitos, e não foram encontradas evidências de que o larvicida afete o desenvolvimento de fetos. Microcefalia e os mosquitos geneticamente modificados Por fim, a notícia de que mosquitos geneticamente modificados (genes dos machos modificados) estariam causando microcefalia. Mais uma informação errônea sobre essa prática, que tem como objetivo controlar as populações de mosquitos. Há várias causas de microcefalia, mas muitas evidências apontam o vírus Zika como o responsável pelo aumento de casos no Brasil. O vírus foi isolado do líquido amniótico de dois fetos diagnosticados com microcefalia antes do nascimento, e o material genético do vírus Zika foi identificado em vários órgãos, inclusive cérebro, de uma terceira criança, que morreu logo após o nascimento. Informação responsável Orientamos que a população acesse sites idôneos e responsáveis para obter informações sérias e adequadas sobre a infecção pelo vírus Zika. Sites sugeridos: www.portalsaude.gov.br www.paho.org www.cdc.gov www.who.int/eportuguese/countries/bra/pt/ www.spsp.org.br ___ Relatora: Dra Silvia R. Marques Presidente do Departamento Científico de Infectologia da SPSP Publicado em 7/03/2016. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

Tendo em vista o grande número de informações sobre o vírus Zica divulgadas erradamente por blogs, sites e formadores de opinião, a Sociedade de Pediatria de São Pauo solicitou ao Departamento Científico de Infectologia um parecer sobre os principais pontos críticos. Veja abaixo e compartilhe!

ZicaSero

Há várias causas de microcefalia, mas muitas evidências apontam o vírus Zika como o responsável pelo aumento de casos no Brasil.
Dra. Silvia Marques, presidente do Departamento Científico de Infectologia da SPSP

Como se não bastasse o momento tão difícil, com a detecção de um novo vírus circulando em nosso país – o vírus Zika – no qual todos os esforços se voltam para o estudo científico da doença, pessoas se aproveitam para veicular notícias descabidas para confundir a população.

Microcefalia e as vacinas na gestação
Primeiramente, recebemos a notícia de que o aumento de casos de microcefalia observado no Nordeste do Brasil, e depois em outros Estados, estaria relacionado com as vacinas aplicadas na gestação. As vacinas aplicadas na gestação, como a influenza e a tríplice acelular tipo adulto, (contra difteria, tétano e coqueluche) têm vasta bibliografia e informações sobre as aplicações, mostrando a sua importância e segurança. Os principais órgãos de saúde, como a Organização Mundial de Saúde (OMS), recomendam essas vacinas na gestação.

Tanto a OMS quanto um extenso estudo realizado em 2014 – um levantamento do Global Advisory Committee on Vaccine Safety (GACVS) – mostraram que não há evidências de que vacinas administradas durante a gravidez causariam qualquer problema congênito nos bebês. Não há, portanto, registro na literatura médica nacional e internacional sobre a associação do uso de vacinas com a microcefalia. Todas as vacinas ofertadas no Brasil, pelo Programa Nacional de Imunização (PNI), são seguras.

Microcefalia e o inseticida piriproxifeno
Outra informação que circulou recentemente foi que o inseticida piriproxifeno seria a verdadeira causa da microcefalia. Uma equipe de cientistas da OMS recentemente revisou os dados toxicológicos do piriproxifeno, um dos 12 larvicidas que a OMS recomenda para reduzir a população de mosquitos, e não foram encontradas evidências de que o larvicida afete o desenvolvimento de fetos.

Microcefalia e os mosquitos geneticamente modificados
Por fim, a notícia de que mosquitos geneticamente modificados (genes dos machos modificados) estariam causando microcefalia. Mais uma informação errônea sobre essa prática, que tem como objetivo controlar as populações de mosquitos.

Há várias causas de microcefalia, mas muitas evidências apontam o vírus Zika como o responsável pelo aumento de casos no Brasil. O vírus foi isolado do líquido amniótico de dois fetos diagnosticados com microcefalia antes do nascimento, e o material genético do vírus Zika foi identificado em vários órgãos, inclusive cérebro, de uma terceira criança, que morreu logo após o nascimento.

Informação responsável
Orientamos que a população acesse sites idôneos e responsáveis para obter informações sérias e adequadas sobre a infecção pelo vírus Zika.

Sites sugeridos:
www.portalsaude.gov.br
www.paho.org
www.cdc.gov
www.who.int/eportuguese/countries/bra/pt/
www.spsp.org.br

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Relatora:
Dra Silvia R. Marques
Presidente do Departamento Científico de Infectologia da SPSP

Publicado em 7/03/2016.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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Aedes aegypti, zika vírus, dengue e chikungunya: não acreditem em milagres! É hora de informação e ação! https://spsp.org.br/aedes-aegypti-zika-virus-dengue-e-chikungunya-nao-acreditem-em-milagres-e-hora-de-informacao-e-acao/ Mon, 14 Dec 2015 13:56:08 +0000 https://comunidadespsp.wordpress.com/?p=1050 Não é de agora que se conhecem as dificuldades de controlar o mosquito Aedes aepypti e os riscos que corremos caso esse controle não seja atingido. Segundo dados do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde (2015), houve uma altíssima incidência de dengue, uma doença provocada por vírus transmitido pelo Aedes aepypti, e que mata. Entre 4 de janeiro e 14 de novembro no Brasil, houve o recorde, desde 1990, com 1.534.932 casos prováveis da doença e 811 mortes por dengue confirmadas (79% a mais do que o mesmo período de 2.014), sendo esse, também, o recorde de óbitos. Mesmo isso não foi o suficiente para alertar a população, a sociedade e o governo a respeito de uma atitude mais firme contra a doença e o mosquito transmissor. A febre de chikungunya, transmitida pelo mesmo mosquito teve, até novembro de 2015, mais de 8.900 casos em investigação e mais de 6.700 casos já confirmados. Ainda assim, a movimentação não foi suficiente para estancar o crescimento das estatísticas da doença e a proliferação do mosquito. Agora estamos diante de uma nova e real ameaça – o zika vírus. Até o momento, mais de 1.700 casos suspeitos de microcefalia foram identificados em torno de 400 municípios brasileiros. Esses casos podem estar relacionados à picada do Aedes aegypti durante a gestação. Assim como nas outras doenças virais transmitidas pelo mesmo mosquito (dengue, febre chikungunya), acredita-se que cerca de 80% das pessoas contaminadas pelo zika vírus não apresentam qualquer sintoma, o que não quer dizer que as consequências da infecção (microcefalia nos bebês dessas gestantes, por exemplo) não ocorram. O que é microcefalia Assim, antes de qualquer atitude e antes de sairmos espalhando o terror e informações irresponsáveis, mais uma vez, o fundamental é a INFORMAÇÃO. E só através da INFORMAÇÂO poderemos ter uma AÇÃO eficaz e consciente. Não acreditem em milagres É fundamental que toda e qualquer atitude ou medida em relação ao panorama atual de dengue, zika vírus e febre chikungunya e ao do Aedes aegypti tenha comprovação e embasamento científicos reconhecidos por instituições idôneas (como Ministério da Saúde, Associações Médicas, FIOCRUZ, OMS etc.). Sempre que receber alguma informação, antes de espalhar as notícias pelas redes sociais, cheque suas fontes. Algumas informações veiculadas na mídia requerem atenção por serem inverdades ou não terem comprovação científica. Leia abaixo alguns exemplos das principais dúvidas e mitos sobre este assunto: 1) Crianças menores de 7 anos e idosos têm mais sintomas neurológicos decorrentes do vírus zika, como os da síndrome de Guillain-Barré (doença autoimune onde o sistema imunológico da pessoa ataca o sistema nervoso, causando neurite e fraqueza muscular)? A FIOCRUZ informa que ainda não há dados estatísticos que permitem tal afirmação para qualquer faixa etária. A síndrome de Guillain-Barré pode ter várias causas e sua relação com o zica vírus ainda não está esclarecida. 2) Há envolvimento de outras espécies de mosquitos, além do Aedes aegypti, na transmissão da doença no Brasil? A FIOCRUZ também informa que, quanto ao vetor, até o momento, não existem estudos científicos que apontem para o envolvimento de outras espécies de mosquitos além do Aedes aegypti na transmissão da doença no Brasil. O Aedes albopictus, também existente no Brasil, apesar de não haver nenhum registro de exemplares adultos infectados com o vírus da dengue, chikungunya ou zica vírus no País, é alvo de estudos que monitoram o crescimento de sua população e investigam seus aspectos em comparação aos do Aedes aegypti. 3) A homeopatia pode ser utilizada como uma forma de prevenção e de tratamento das doenças dengue, zika vírus e febre chikungunya? Não existe qualquer estudo conclusivo que comprove a ação da homeopatia em pacientes com qualquer uma dessas doenças, especialmente em febre do chikungunya e zika vírus, que são doenças muito recentes em nosso meio. As fórmulas homeopáticas não curam e nem previnem a dengue. Quanto aos “complexos homeopáticos contra dengue”, há muitas fórmulas diferentes prescritas para essa finalidade. A homeopatia se caracteriza pela individualização do paciente e não da doença. 4) A homeopatia ajuda a repelir o mosquito? Não existe qualquer estudo que comprove essa ação da homeopatia. Aliás, o tratamento homeopático não é realizado com essa intenção. O tratamento homeopático se baseia nos sintomas do paciente e não se propõe a afastar insetos, vírus ou bactérias. Portanto não deve ser usado na esperança de que, ao ser picado por um Aedes aegypti transmissor do vírus, a pessoa não adoeça. 5) O uso de inseticidas naturais à base de citronela, andiroba e álcool, cravo da índia e óleo de amêndoas oferecem proteção contra a picada do mosquito? A ANVISA não reconhece nenhum desses produtos e não existe nenhum estudo que comprove a eficácia e a proteção prometidas (veja o texto Evitando Picadas de Insetos que aborda as questões relativas a roupas adequadas, repelentes e inseticidas). 6) Comer inhame, alho ou ingerir complexo B previne a dengue? Essas informações foram divulgadas por muito tempo e com grande utilização, mas sem eficácia comprovada. No site Invivo, da FIOCRUZ, há uma recomendação a respeito: “O que atrai a fêmea do mosquito para o corpo humano é o cheiro. Por isso, qualquer produto que ingerimos, quando eliminado do organismo, confunde a fêmea, já que modifica nosso cheiro. Mas cuidado! Essas substâncias precisam ser consumidas em grandes quantidades para que a eliminação chegue a confundir o mosquito. Inhame em grande quantidade não faz tão bem ao organismo, complexo B em excesso causa toxidez e o alho, bom… o alho traz aquele mau hálito.”. 7) Pode-se usar repelentes em crianças abaixo de 6 meses de idade? De acordo com documento recente da Sociedade Brasileira de Pediatria (veja aqui) sobre o uso de repelentes de insetos em crianças, “abaixo de 6 meses – não há estudos nessa faixa etária sobre segurança dos repelentes e extrapola-se o uso dos recomendados para bebês acima de 6 meses em caso de exposição inevitável e com orientação médica.” Esse mesmo documento indica os repelentes que estão disponíveis no Brasil, regularizados pela ANVISA, inclusive com seus nomes comerciais....]]>

mosquito-213805_640Não é de agora que se conhecem as dificuldades de controlar o mosquito Aedes aepypti e os riscos que corremos caso esse controle não seja atingido.

Segundo dados do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde (2015), houve uma altíssima incidência de dengue, uma doença provocada por vírus transmitido pelo Aedes aepypti, e que mata. Entre 4 de janeiro e 14 de novembro no Brasil, houve o recorde, desde 1990, com 1.534.932 casos prováveis da doença e 811 mortes por dengue confirmadas (79% a mais do que o mesmo período de 2.014), sendo esse, também, o recorde de óbitos. Mesmo isso não foi o suficiente para alertar a população, a sociedade e o governo a respeito de uma atitude mais firme contra a doença e o mosquito transmissor.

A febre de chikungunya, transmitida pelo mesmo mosquito teve, até novembro de 2015, mais de 8.900 casos em investigação e mais de 6.700 casos já confirmados. Ainda assim, a movimentação não foi suficiente para estancar o crescimento das estatísticas da doença e a proliferação do mosquito.

Agora estamos diante de uma nova e real ameaça – o zika vírus. Até o momento, mais de 1.700 casos suspeitos de microcefalia foram identificados em torno de 400 municípios brasileiros. Esses casos podem estar relacionados à picada do Aedes aegypti durante a gestação. Assim como nas outras doenças virais transmitidas pelo mesmo mosquito (dengue, febre chikungunya), acredita-se que cerca de 80% das pessoas contaminadas pelo zika vírus não apresentam qualquer sintoma, o que não quer dizer que as consequências da infecção (microcefalia nos bebês dessas gestantes, por exemplo) não ocorram.

O que é microcefalia

Assim, antes de qualquer atitude e antes de sairmos espalhando o terror e informações irresponsáveis, mais uma vez, o fundamental é a INFORMAÇÃO. E só através da INFORMAÇÂO poderemos ter uma AÇÃO eficaz e consciente.

Não acreditem em milagres
É fundamental que toda e qualquer atitude ou medida em relação ao panorama atual de dengue, zika vírus e febre chikungunya e ao do Aedes aegypti tenha comprovação e embasamento científicos reconhecidos por instituições idôneas (como Ministério da Saúde, Associações Médicas, FIOCRUZ, OMS etc.). Sempre que receber alguma informação, antes de espalhar as notícias pelas redes sociais, cheque suas fontes. Algumas informações veiculadas na mídia requerem atenção por serem inverdades ou não terem comprovação científica.

Leia abaixo alguns exemplos das principais dúvidas e mitos sobre este assunto:

1) Crianças menores de 7 anos e idosos têm mais sintomas neurológicos decorrentes do vírus zika, como os da síndrome de Guillain-Barré (doença autoimune onde o sistema imunológico da pessoa ataca o sistema nervoso, causando neurite e fraqueza muscular)?
A FIOCRUZ informa que ainda não há dados estatísticos que permitem tal afirmação para qualquer faixa etária. A síndrome de Guillain-Barré pode ter várias causas e sua relação com o zica vírus ainda não está esclarecida.

2) Há envolvimento de outras espécies de mosquitos, além do Aedes aegypti, na transmissão da doença no Brasil?
A FIOCRUZ também informa que, quanto ao vetor, até o momento, não existem estudos científicos que apontem para o envolvimento de outras espécies de mosquitos além do Aedes aegypti na transmissão da doença no Brasil. O Aedes albopictus, também existente no Brasil, apesar de não haver nenhum registro de exemplares adultos infectados com o vírus da dengue, chikungunya ou zica vírus no País, é alvo de estudos que monitoram o crescimento de sua população e investigam seus aspectos em comparação aos do Aedes aegypti.

3) A homeopatia pode ser utilizada como uma forma de prevenção e de tratamento das doenças dengue, zika vírus e febre chikungunya?
Não existe qualquer estudo conclusivo que comprove a ação da homeopatia em pacientes com qualquer uma dessas doenças, especialmente em febre do chikungunya e zika vírus, que são doenças muito recentes em nosso meio. As fórmulas homeopáticas não curam e nem previnem a dengue. Quanto aos “complexos homeopáticos contra dengue”, há muitas fórmulas diferentes prescritas para essa finalidade. A homeopatia se caracteriza pela individualização do paciente e não da doença.

4) A homeopatia ajuda a repelir o mosquito?
Não existe qualquer estudo que comprove essa ação da homeopatia. Aliás, o tratamento homeopático não é realizado com essa intenção. O tratamento homeopático se baseia nos sintomas do paciente e não se propõe a afastar insetos, vírus ou bactérias. Portanto não deve ser usado na esperança de que, ao ser picado por um Aedes aegypti transmissor do vírus, a pessoa não adoeça.

5) O uso de inseticidas naturais à base de citronela, andiroba e álcool, cravo da índia e óleo de amêndoas oferecem proteção contra a picada do mosquito?
A ANVISA não reconhece nenhum desses produtos e não existe nenhum estudo que comprove a eficácia e a proteção prometidas (veja o texto Evitando Picadas de Insetos que aborda as questões relativas a roupas adequadas, repelentes e inseticidas).

6) Comer inhame, alho ou ingerir complexo B previne a dengue?
Essas informações foram divulgadas por muito tempo e com grande utilização, mas sem eficácia comprovada. No site Invivo, da FIOCRUZ, há uma recomendação a respeito: “O que atrai a fêmea do mosquito para o corpo humano é o cheiro. Por isso, qualquer produto que ingerimos, quando eliminado do organismo, confunde a fêmea, já que modifica nosso cheiro. Mas cuidado! Essas substâncias precisam ser consumidas em grandes quantidades para que a eliminação chegue a confundir o mosquito. Inhame em grande quantidade não faz tão bem ao organismo, complexo B em excesso causa toxidez e o alho, bom… o alho traz aquele mau hálito.”.

7) Pode-se usar repelentes em crianças abaixo de 6 meses de idade?
De acordo com documento recente da Sociedade Brasileira de Pediatria (veja aqui) sobre o uso de repelentes de insetos em crianças, “abaixo de 6 meses – não há estudos nessa faixa etária sobre segurança dos repelentes e extrapola-se o uso dos recomendados para bebês acima de 6 meses em caso de exposição inevitável e com orientação médica.” Esse mesmo documento indica os repelentes que estão disponíveis no Brasil, regularizados pela ANVISA, inclusive com seus nomes comerciais. A Sociedade Brasileira de Pediatria (em outro informe) e a Sociedade de Pediatria de São Paulo (Evitando Picadas de Insetos) orientam quanto aos cuidados que podem e os que não devem ser tomados na prevenção às picadas de insetos.

8) Gestantes podem usar repelentes?
A ANVISA e o Ministério da Saúde não apresentam restrições ao uso de repelentes em gestantes. Ao contrário, a aplicação desses produtos, bem como outras medidas no combate ao mosquito, é recomendada e orientada em vários informes das instituições, atestando sua segurança nessa faixa de risco da população.

9) A partir da vacina contra dengue – que deve ser lançada no Brasil em 2016 – não haverá necessidade do combate ao Aedes aegypti?
A vacina, que ainda está aguardando o registro da ANVISA (já aprovada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), e já foi liberada no México (primeiro país a utilizar a vacina), apresenta níveis parciais de proteção contra os 4 tipos de vírus causadores de dengue, mas, de forma alguma, os cuidados adequados de combate à proliferação do mosquito devem ser abandonados. No blog do Ministério da Saúde há um alerta importantíssimo: “As larvas do mosquito não se desenvolvem apenas em água limpa – os ovos do mosquito também podem se desenvolver em água suja e parada. Para combater a dengue, o importante é acabar com qualquer reservatório de água parada, seja limpa ou suja”.

10) Usando o repelente estamos protegidos contra o Aedes aegypti?
Esse é outro mito perigoso. O blog do Ministério da Saúde diz: “Os repelentes não têm um efeito eficaz no controle do mosquito. O certo é evitar acumular água parada, fazer soluções à base de água sanitária. Colocar areia nos pratinhos dos vasos é o melhor meio para evitar o ciclo de reprodução do Aedes aegypti.”.

11) O zika vírus impede a amamentação?
Na Polinésia Francesa (onde houve surto de zika em 2013), médicos encontraram partículas do vírus no leite materno. Mas ainda não se sabe se existe transmissão para o bebê porque nem todo vírus encontrado no leite é transmitido. Essa questão remete ao mesmo tipo de situação de mães portadoras de hepatite C, em que os investigadores concluíram que o aleitamento materno não apresenta risco para transmissão do vírus. É orientação do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) do Estado de São Paulo não suspender o aleitamento materno quando a mãe é portadora do vírus da hepatite C sem infecção associada com HIV, com orientação sobre o possível risco de transmissão se houver fissura nos mamilos com presença de sangue. Segundo dados do CVE, a transmissão raramente ocorre de mãe para filho. Ainda de acordo com esse documento, “até agora, não há relatos de crianças infectadas pelo zika vírus através da amamentação. Pelos benefícios do aleitamento, mães devem ser encorajadas a amamentar mesmo em áreas onde o zika vírus for encontrado”.

12) A vacinação contra a rubéola é responsável pelos quadros de microcefalia encontrados?
Essa é uma informação recente, divulgada de forma irresponsável através das redes sociais. A Síndrome da rubéola congênita, quando afeta a gestante, pode trazer malformações, entre elas a microcefalia (retardo no crescimento intrauterino – 43%, anormalidades viscerais – 50 a 75%, microcefalia – 39%, manifestações cutâneas -20 a 50% e microftalmia – 20%). No dia 2 de dezembro, o Brasil recebeu um certificado da Organização Mundial de Saúde, considerando a rubéola e a síndrome da rubéola congênita, oficialmente, eliminadas no país (últimos casos de transmissão no país em 2008 e 2009,). O calendário nacional de vacinação prevê que a vacina da rubéola deve ser aplicada aos 12 e 15 meses, (dentro da tríplice viral – sarampo, caxumba e rubéola). Ela é uma vacina produzida com vírus vivos e atenuados, que não são capazes de provocar as três doenças. É possível tomar essa vacina em outros momentos da vida, mas nunca durante a gestação. A vacina contra a rubéola é especialmente indicada para mulheres em idade fértil – entre 15 e 29 anos – para evitar pegar a doença durante a gravidez. As mulheres grávidas que não foram vacinadas antes da gestação devem receber a vacina somente após o parto.

Veja outros textos relacionados:
Conheça as diferenças e semelhanças entre Dengue, Febre do Chikungunya e Zika Vírus
http://www.blog.saude.gov.br/images/arquivos_blog_saude/12347687_1125921527426462_4822467543375404809_n.png

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Relator:
Dr. Yechiel Moises Chencinski
Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários

Publicado em 14/12/2015.
photo credit: nuzree | pixabay.com

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O que é microcefalia? https://spsp.org.br/o-que-e-microcefalia/ Thu, 03 Dec 2015 10:49:43 +0000 https://comunidadespsp.wordpress.com/?p=1041 O presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) explica a doença que se tornou uma epidemia no Nordeste. A microcefalia é um agravo neurológico no qual a cabeça é menor do que o normal para a idade cronológica da criança ou idade gestacional do feto e geralmente ocorre como consequência do menor crescimento do cérebro. É uma das causas de deficiência neurológica, cegueira, convulsões, oligofrenia (retardo do desenvolvimento mental) e surdez, entre muitas outras. A criança pode nascer com o crânio de tamanho normal mas, após o nascimento, o cérebro não cresce como deveria e o crânio vai ficando pequeno para o tamanho e a idade da criança. Isso pode ser constatado pelo pediatra nas consultas de Puericultura. Quando detectada durante a gestação, ou logo após o nascimento, ela é classificada como congênita, podendo estar relacionada a síndromes genéticas, doenças da placenta, exposição do feto a doenças sofridas pela gestante (como diabetes mal controlado, hipotireoidismo e infecções, das quais as mais conhecidas são citomegalovírus, rubéola e toxoplasmose) ou substâncias à qual ela foi exposta (como álcool em qualquer quantidade e irradiações). As manifestações clínicas são bastante variáveis, dependendo do que causou a microcefalia e do período da gestação no qual o feto foi exposto. Ela pode se apresentar isoladamente ou associada a outras malformações, mas sempre prejudica o desenvolvimento da criança, ou seja, da sua capacidade de adquirir habilidades necessárias para a vida cotidiana. A microcefalia não tem cura e todas as ações de tratamento objetivam minimizar suas consequências. O número de casos de microcefalia em recém-nascidos já ultrapassou 700, em oito estados do Nordeste (Pernambuco, Paraíba, Sergipe, Rio Grande do Norte, Piauí, Alagoas, Ceará, e Bahia) e Goiás. Foi confirmada, no último sábado, dia 28, a relação entre o zica vírus e os casos de microcefalia. O Instituto Evandro Chagas identificou a presença do zica vírus em amostras de sangue e tecidos de um bebê, nascido no Ceará. Na nota o ministério reforçou a mobilização para conter o mosquito transmissor, o Aedes aegypti. ___ Relator: Dr. Mário Roberto Hirshheimer Presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo. Publicado em 3/12/2015. photo credit: Divulgação Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>
Microcefalia

À esquerda, criança com a cabeça com tamanho normal, à direita, criança com microcefalia

O presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) explica a doença que se tornou uma epidemia no Nordeste.

A microcefalia é um agravo neurológico no qual a cabeça é menor do que o normal para a idade cronológica da criança ou idade gestacional do feto e geralmente ocorre como consequência do menor crescimento do cérebro. É uma das causas de deficiência neurológica, cegueira, convulsões, oligofrenia (retardo do desenvolvimento mental) e surdez, entre muitas outras. A criança pode nascer com o crânio de tamanho normal mas, após o nascimento, o cérebro não cresce como deveria e o crânio vai ficando pequeno para o tamanho e a idade da criança. Isso pode ser constatado pelo pediatra nas consultas de Puericultura.

Quando detectada durante a gestação, ou logo após o nascimento, ela é classificada como congênita, podendo estar relacionada a síndromes genéticas, doenças da placenta, exposição do feto a doenças sofridas pela gestante (como diabetes mal controlado, hipotireoidismo e infecções, das quais as mais conhecidas são citomegalovírus, rubéola e toxoplasmose) ou substâncias à qual ela foi exposta (como álcool em qualquer quantidade e irradiações). As manifestações clínicas são bastante variáveis, dependendo do que causou a microcefalia e do período da gestação no qual o feto foi exposto.

Ela pode se apresentar isoladamente ou associada a outras malformações, mas sempre prejudica o desenvolvimento da criança, ou seja, da sua capacidade de adquirir habilidades necessárias para a vida cotidiana. A microcefalia não tem cura e todas as ações de tratamento objetivam minimizar suas consequências.

O número de casos de microcefalia em recém-nascidos já ultrapassou 700, em oito estados do Nordeste (Pernambuco, Paraíba, Sergipe, Rio Grande do Norte, Piauí, Alagoas, Ceará, e Bahia) e Goiás. Foi confirmada, no último sábado, dia 28, a relação entre o zica vírus e os casos de microcefalia. O Instituto Evandro Chagas identificou a presença do zica vírus em amostras de sangue e tecidos de um bebê, nascido no Ceará. Na nota o ministério reforçou a mobilização para conter o mosquito transmissor, o Aedes aegypti.

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Relator:
Dr. Mário Roberto Hirshheimer

Presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Publicado em 3/12/2015.
photo credit: Divulgação

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