WABA – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 31 Jul 2026 18:43:16 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png WABA – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Amamentação para um começo de vida sustentável: fortaleça o que funciona https://spsp.org.br/amamentacao-para-um-comeco-de-vida-sustentavel-fortaleca-o-que-funciona/ Sat, 01 Aug 2026 11:00:00 +0000 https://spsp.org.br/?p=58009 Chegamos a mais um mês de agosto, período em que celebramos o Agosto Dourado, campanha dedicada à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, reconhecido como o padrão-ouro da alimentação infantil. Todos os anos, a WABA apresenta um tema e um símbolo que orientam as ações da Semana Mundial de Aleitamento Materno, estimulando governos, profissionais de saúde, empresas e a sociedade a ampliar o conhecimento sobre a importância da amamentação. Em 2026, o tema da campanha mundial da World Alliance for Breastfeeding Action (WABA) é “Amamentação para um Começo de Vida Sustentável: Fortaleça o que Funciona”, reforçando que investir na amamentação é investir na saúde das crianças, na segurança alimentar, na sustentabilidade ambiental e na redução das desigualdades sociais. Segundo a WABA, o logotipo da campanha (acima) foi cuidadosamente concebido para representar esses princípios. A tríade forma um coração, simbolizando o compromisso global com o aleitamento materno como fundamento para a nutrição ideal, a segurança alimentar e a redução da pobreza. A folha verde representa um começo de vida sustentável, refletindo o papel essencial da amamentação na construção de um futuro mais saudável para as crianças e para o planeta. A campanha está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 das Nações Unidas, especialmente ao ODS 1 – Erradicação da Pobreza, uma vez que o aleitamento materno se constitui em estratégia de baixo custo, altamente efetiva e capaz de promover melhores condições de saúde, nutrição e desenvolvimento humano desde o nascimento até a idade adulta. Atualmente, há evidências consistentes de que o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida, seguido da introdução oportuna e adequada da alimentação complementar com manutenção da amamentação até dois anos ou mais, exerce papel fundamental no crescimento, no desenvolvimento e, especialmente, no neurodesenvolvimento infantil. Nas últimas décadas, inúmeros estudos têm investigado a influência do leite humano sobre o desenvolvimento cerebral. Entre os temas mais estudados estão as possíveis associações entre o aleitamento materno e a ocorrência de transtornos do neurodesenvolvimento. De modo geral, as pesquisas demonstram que crianças amamentadas, particularmente aquelas que receberam aleitamento materno exclusivo por maior tempo, apresentam melhores indicadores de desenvolvimento cognitivo e neurológico. Entretanto, as evidências atuais ainda não permitem estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre a amamentação e a prevenção do Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Espectro Autista (TEA), uma vez que diversos fatores genéticos, ambientais e sociais também influenciam o neurodesenvolvimento. Ainda assim, os resultados reforçam a necessidade de ampliar as pesquisas sobre os componentes bioativos do leite humano e seus possíveis efeitos na maturação cerebral. No Brasil, temos importantes políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno que precisam ser preservadas e fortalecidas. Destacam-se a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, considerada a maior e mais complexa do mundo, com mais de 238 Bancos de Leite Humano e aproximadamente 261 Postos de Coleta, além da Iniciativa Hospital Amigo da Criança, que conta com 334 hospitais credenciados até o momento, desempenhando papel fundamental na implementação de boas práticas de atenção ao nascimento e ao aleitamento materno. Além da manutenção dessas estratégias, é indispensável monitorar e avaliar continuamente os indicadores de aleitamento materno no país. O acompanhamento sistemático dos resultados permite identificar avanços, reconhecer desafios, direcionar investimentos e fortalecer programas e políticas públicas que comprovadamente produzem benefícios para a saúde materno-infantil. Neste Agosto Dourado, o convite é para que todos — profissionais de saúde, gestores, pesquisadores, empregadores e famílias — unam esforços para garantir que cada criança tenha a oportunidade de receber o melhor começo de vida possível por meio da amamentação. Relatora: Rosangela Gomes dos SantosPresidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da SPSP]]>


Chegamos a mais um mês de agosto, período em que celebramos o Agosto Dourado, campanha dedicada à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, reconhecido como o padrão-ouro da alimentação infantil.

Todos os anos, a WABA apresenta um tema e um símbolo que orientam as ações da Semana Mundial de Aleitamento Materno, estimulando governos, profissionais de saúde, empresas e a sociedade a ampliar o conhecimento sobre a importância da amamentação.

Em 2026, o tema da campanha mundial da World Alliance for Breastfeeding Action (WABA) é “Amamentação para um Começo de Vida Sustentável: Fortaleça o que Funciona”, reforçando que investir na amamentação é investir na saúde das crianças, na segurança alimentar, na sustentabilidade ambiental e na redução das desigualdades sociais.

Segundo a WABA, o logotipo da campanha (acima) foi cuidadosamente concebido para representar esses princípios. A tríade forma um coração, simbolizando o compromisso global com o aleitamento materno como fundamento para a nutrição ideal, a segurança alimentar e a redução da pobreza. A folha verde representa um começo de vida sustentável, refletindo o papel essencial da amamentação na construção de um futuro mais saudável para as crianças e para o planeta.

A campanha está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 das Nações Unidas, especialmente ao ODS 1 – Erradicação da Pobreza, uma vez que o aleitamento materno se constitui em estratégia de baixo custo, altamente efetiva e capaz de promover melhores condições de saúde, nutrição e desenvolvimento humano desde o nascimento até a idade adulta.

Atualmente, há evidências consistentes de que o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida, seguido da introdução oportuna e adequada da alimentação complementar com manutenção da amamentação até dois anos ou mais, exerce papel fundamental no crescimento, no desenvolvimento e, especialmente, no neurodesenvolvimento infantil.

Nas últimas décadas, inúmeros estudos têm investigado a influência do leite humano sobre o desenvolvimento cerebral. Entre os temas mais estudados estão as possíveis associações entre o aleitamento materno e a ocorrência de transtornos do neurodesenvolvimento.

De modo geral, as pesquisas demonstram que crianças amamentadas, particularmente aquelas que receberam aleitamento materno exclusivo por maior tempo, apresentam melhores indicadores de desenvolvimento cognitivo e neurológico. Entretanto, as evidências atuais ainda não permitem estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre a amamentação e a prevenção do Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Espectro Autista (TEA), uma vez que diversos fatores genéticos, ambientais e sociais também influenciam o neurodesenvolvimento. Ainda assim, os resultados reforçam a necessidade de ampliar as pesquisas sobre os componentes bioativos do leite humano e seus possíveis efeitos na maturação cerebral.

No Brasil, temos importantes políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno que precisam ser preservadas e fortalecidas. Destacam-se a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, considerada a maior e mais complexa do mundo, com mais de 238 Bancos de Leite Humano e aproximadamente 261 Postos de Coleta, além da Iniciativa Hospital Amigo da Criança, que conta com 334 hospitais credenciados até o momento, desempenhando papel fundamental na implementação de boas práticas de atenção ao nascimento e ao aleitamento materno.

Além da manutenção dessas estratégias, é indispensável monitorar e avaliar continuamente os indicadores de aleitamento materno no país. O acompanhamento sistemático dos resultados permite identificar avanços, reconhecer desafios, direcionar investimentos e fortalecer programas e políticas públicas que comprovadamente produzem benefícios para a saúde materno-infantil.

Neste Agosto Dourado, o convite é para que todos — profissionais de saúde, gestores, pesquisadores, empregadores e famílias — unam esforços para garantir que cada criança tenha a oportunidade de receber o melhor começo de vida possível por meio da amamentação.

Relatora:

Rosangela Gomes dos Santos
Presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da SPSP

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A 34ª Semana Mundial de Aleitamento Materno abre o 9º Agosto Dourado https://spsp.org.br/a-34a-semana-mundial-de-aleitamento-materno-abre-o-9o-agosto-dourado/ Fri, 01 Aug 2025 15:00:04 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52538 Chegamos à 34ª SMAM – Semana Mundial de Aleitamento Materno, que começou a ser celebrada em 1992. O Brasil não participou da]]>

Chegamos à 34ª SMAM – Semana Mundial de Aleitamento Materno, que começou a ser celebrada em 1992.  O Brasil não participou da primeira semana por não ter sido comunicado a tempo.

No Brasil, o mês de AGOSTO, que é DOURADO desde 2017, representa uma ampliação das oportunidades de programações que vão além da primeira semana (1 a 7 de agosto).

A cada ano, a WABA – World Alliance for Breastfeeding Action (Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno) – analisa a situação da amamentação no mundo e define um tema a ser abordado e desenvolvido.

Já foram temas da Semana Mundial a Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC – o primeiro, em 1992), a mulher trabalhadora, amamentação na primeira hora de vida, o Código Internacional de Marketing de Substitutos do Leite Materno. Alguns deles foram levantados e discutidos, mais de uma vez, como a ecologia e a sustentabilidade:

1997 – Amamentar é um ato ecológico.

2016 – Presente saudável. Futuro sustentável.

2020 – Apoie o aleitamento materno por um planeta saudável.

Agora, em 2025, impulsionados por questões climáticas e abordando redes de apoio sustentáveis, retomamos essas temáticas anteriores. O tema que será privilegiado no Brasil é:

“Priorize a amamentação. Crie Redes de Apoio Sustentáveis”.

O Action Folder (Plano de Ação) da WABA propõe, inicialmente, quatro ações fundamentais:

  • Informar as pessoas sobre seu papel na criação de ambientes sustentáveis e de apoio à amamentação;
  • Promover ações que criem sistemas de apoio à amamentação, contribuindo para um ambiente sustentável;
  • Consolidar o apoio contínuo à amamentação como um componente vital para criar um ambiente sustentável;
  • Interagir com indivíduos e organizações visando melhorar a colaboração e o apoio à amamentação.

Segundo o documento Action Folder:

Um sistema de apoio à amamentação sustentável é uma abordagem de toda a sociedade que garanta que cada mãe tenha o apoio, o ambiente e os recursos para amamentar com sucesso, desde o parto até os dois primeiros anos de vida da criança ou mais.”

A sustentabilidade é um conceito que vai além, mas inclui o tempo, a duração.

Nesse sentido, a proposta é que esse apoio à amamentação comece no pré-natal, prossiga na maternidade e após a alta, até dois anos ou mais (período recomendado pela Organização Mundial da Saúde – OMS) para o aleitamento materno, sendo exclusivo nos primeiros seis meses), através de orientação de uma equipe multiprofissional capacitada.

Através desse suporte contínuo, inclusivo, sem limites geográficos, sociais, econômicos, raciais, as mães que amamentam poderão superar desafios como a volta ao trabalho, o marketing antiético que bombardeia as famílias com desinformação e as “fake news”.

De acordo com o Action Folder: “Uma cadeia acolhedora e contínua de apoio à amamentação.”

E, como já demonstrado em outras SMAM, e reafirmado nesta, é fundamental que tenhamos como propostas de ações:

– Implementação de Políticas e Monitoramento;

– Sistema de Saúde Integrado;

– Ampliação do Apoio à Amamentação no Local de Trabalho;

– Promoção de Normas Sociais em Toda a Sociedade e em Todas as Gerações;

– Empoderamento das Comunidades para Garantir Acesso Local;

– Sustentabilidade Ambiental e Climática, Conectando a Amamentação à Saúde do Planeta.

Essas movimentações conjuntas, mesmo a longo prazo, visam criar possibilidades de continuidade para beneficiar os bebês (lactentes), as mães (lactantes), as famílias, a sociedade, protegendo o meio ambiente. Afinal, amamentar é um direito de mães e bebês.

Mas as chances de sucesso aumentam quando se associam legislação e políticas públicas e em locais de trabalho, um sistema de saúde preparado, recursos e grupos na comunidade.

É importante ressaltar que o aleitamento materno deve ser abordado como tema e com ações diárias, durante o ano todo. A Semana Mundial e o Agosto Dourado são apenas oportunidades de impulsionar e consolidar o aleitamento materno no Brasil.

 

Relator:
Moises Chencinski
Membro do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Amamentação:  Apoio em todas as situações https://spsp.org.br/amamentacao-apoio-em-todas-as-situacoes/ Thu, 01 Aug 2024 12:29:17 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47358 A Semana Mundial de Amamentação iniciou suas comemorações no ano de 1992, a partir da Declaração de Innocenti de 1990. Este documento reconhece o direito fundamental]]>

A Semana Mundial de Aleitamento Materno iniciou suas comemorações no ano de 1992, a partir da Declaração de Innocenti de 1990. Este documento reconhece o direito fundamental de mães amamentarem e bebês serem amamentados como fator importante para saúde e bem-estar de ambos.

Em 2024 a WABA (Word Alliance for Breastfeeding Action), que é uma rede global de indivíduos e organizações dedicadas à proteção, promoção e apoio à amamentação em todo o mundo, e a IBFAN Brasil (Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar – International Baby Food Action Network), que têm lutado por um mundo sem pressões comerciais, para que as mulheres possam tomar decisões informadas quanto à alimentação infantil de forma adequada. Estas organizações trazem como tema deste ano, no Agosto Dourado, o APOIO À AMAMENTAÇÃO EM TODAS AS SITUAÇÕES, reduzindo as desigualdades. 

Segundo estas instituições, a SMAM (Semana Mundial de Aleitamento Materno) está apoiada em 4 pilares que são:

Informar: sobre as desigualdades existentes no apoio à amamentação e sobre os seus indicadores.

Promover: ações para reduzir as desigualdades no apoio à amamentação com foco em grupos de apoio.  

Consolidar: a amamentação como um fator que contribui para diminuir as diferenças na sociedade.

Envolver: líderes como pessoas e organizações para colaborar e apoiar a amamentação.

Inúmeras são as situações em que as mães e os bebês precisam de apoio. 

Dentre as situações em que as lactantes devem ser apoiadas, temos:  as mulheres que trabalham de maneira formal e informal na volta ao trabalho; as mães de prematuros; nas crises climáticas (enchentes, tufões, terremotos etc.); nas diferenças de gênero e raça e várias outras situações cujo apoio é fundamental para que o aleitamento materno seja exclusivo até o sexto mês e complementado até dois anos ou mais, segundo a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O que podemos fazer? 

Para a mulher trabalhadora formal, devemos promover legislações que permitam que amamentem, exclusivamente, até o sexto mês, além de trabalhar com sindicalistas para informar aos trabalhadores sobre os seus direitos.  Para as trabalhadoras informais, é necessário fornecer locais para que elas possam amamentar e coletar o seu leite perto do local de trabalho, assim como receber ajuda financeira para que possam permanecer mais tempo em casa com seus filhos.

Para as mães de prematuros, o apoio nas maternidades, para evitar o desmame precoce, é de fundamental importância para que os bebês possam sair de alta em aleitamento materno exclusivo. Este apoio passa por orientações sobre a importância da amamentação, estimular que os bebês prematuros possam ir de forma precoce para o seio materno e estimulação à coleta frequente do leite materno para que a produção láctea da mãe não diminua.

Nas crises climáticas, os profissionais da saúde devem ficar atentos ao assédio das indústrias de fórmulas infantis nas doações e distribuições de forma indiscriminadas. Devemos ficar atentos ao Código Internacional de Comercialização de Substitutos do Leite Materno (NBCAL) que regulamenta a distribuição de fórmulas.

Nos casos de diferenças racial e social, que existam sistemas públicos que ofereçam grupos de apoio à mulher e às suas famílias com informações oportunas e precisas, bem como apoio prático e emocional para promover a amamentação ideal na iniciação e estimulação à manutenção do aleitamento materno.  

O aleitamento materno é um dos melhores investimentos em Saúde Global. Ao intervir para que possamos prolongar a amamentação, melhoraremos a saúde e sobrevivência de mães e crianças e teremos a melhoria do meio ambiente, que ficarão mais livres de resíduos e substâncias tóxicas.    

ESTE MATERIAL FOI ELABORADO A PARTIR DO SITE DA WABA E DA IBFAN BRASIL.

Saiba mais:

– WABA (Word Alliance for Breastfeeding Action). https://waba.org.my/

– IBFAN (Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar – International Baby Food Action Network). http://www.ibfan.org.br/site/

 

Relatora:
Rosângela Gomes dos Santos
Presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Você sabia que existe uma Semana Mundial de Aleitamento Materno? https://spsp.org.br/voce-sabia-que-existe-uma-semana-mundial-de-aleitamento-materno/ Tue, 01 Aug 2023 19:16:46 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=38874 Em 2023 celebramos a 32ª Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM), que acontece entre os dias 1º e 7 de agosto e tem como tema: “APOIE]]>

Em 2023 celebramos a 32ª Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM), que acontece entre os dias 1º e 7 de agosto e tem como tema: “APOIE A AMAMENTAÇÃO. FAÇA A DIFERENÇA PARA MÃES E PAIS QUE TRABALHAM”.

No Brasil, a lei federal nº 13.435/17 institui o mês de agosto como o Mês do Aleitamento Materno, criando assim o AGOSTO DOURADO (o leite materno é considerado o padrão ouro da alimentação infantil), desde 2017.

O ponto de partida para a criação da SMAM foi uma reunião (“Amamentação na década de 1990: uma Iniciativa Global“), realizada em Florença, na Itália, de 30 de julho a 1º de agosto de 1990, no Spedale degli Innocenti (Hospital dos Inocentes), com a presença de formuladores de políticas da OMS/UNICEF, copatrocinada pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (A.I.D.) e a Autoridade Internacional de Desenvolvimento da Suécia (SIDA), com uma proposta de ações até 1995.

O resultado desse encontro foi a Declaração de Innocenti, assinada por 40 representantes de 30 países, do UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), OMS, FAO (Organização para Alimentação e Agricultura), do Banco Mundial e outras instituições.

Em fevereiro de 1991 foi criada a WABA (World Alliance for Breastfeeding Action), em uma reunião de ONGs (IBFAN, La Leche League, ILCA, ABM, entre outras), com a ideia inicial de celebrar um dia (1º de agosto, pela data da assinatura da Declaração de Innocenti), para reforçar a importância do aleitamento materno e discutir formas de implementar a sua prática de forma ampla. Assim, o que começou com um dia (1º de agosto), passou a uma semana em 1992 e, no Brasil, desde 2017, tem um mês (agosto) dedicado à proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno.

A cada ano, a WABA estabelece um tema a ser trabalhado mundialmente, cria um slogan e uma proposta de ações para que cada país aplique dentro de sua cultura, suas características sociais e econômicas, mas sempre com a intenção de proteger, promover e apoiar a amamentação. Assim, a 1ª SMAM foi oficializada em 1992, com o tema: “Iniciativa Hospitais Amigos da Criança”.

Muito se fala sobre a Declaração de Innocenti, mas a imensa maioria dos profissionais de saúde materno-infantil desconhece o seu teor. Esse documento de 1990 traz, já na sua essência, grande parte das propostas que se discutem ano após ano, incluindo a de 2023 sobre as condições de trabalho para as mães, especialmente quando voltam de sua licença-maternidade.

Muitos foram os temas das Semanas Mundiais definidos pela WABA, desde a Iniciativa Hospital Amigo da Criança (1992 e 2010), passando pelos direitos da mulher no trabalho (1993, 2015 e agora em 2023), pelo Código Internacional de Substitutos do Leite Materno (1994 e 2006) e por questões a respeito da era da informação, rede de apoio, saúde materno-infantil, aleitamento materno na primeira hora de vida, exclusivo até o sexto mês e a introdução de novos alimentos.

E assim, ano a ano, se levanta uma nova frente de resistência e de luta, mas sem que se deixem de lado as temáticas anteriores. Vale ressaltar que o aleitamento materno aparece como coadjuvante e parceiro em outras datas representativas durante o ano, como no OUTUBRO ROSA, de prevenção ao câncer de mama, pela proteção conferida através do leite humano. O NOVEMBRO ROXO, mês dedicado à prematuridade, também reforça a importância do leite humano como melhor forma de nutrição para diminuir os quadros de doenças e oferecer maior chance de alta mais precoce para as díades mães-bebês. Em 19 de maio celebra-se o Dia Nacional e Mundial de Doação de Leite Humano, destacando a importância da nossa Rede de Bancos de Leite Humano, a maior do mundo, que inclusive exporta tecnologia para muitos países. “Um pequeno gesto pode alimentar um grande sonho: Doe leite materno”. Esse foi o tema oficial da campanha deste ano.

O Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo lançou um e-book: “30 anos de história da Semana Mundial de Aleitamento Materno”. Nesse documento, estão os temas de cada ano, com uma explicação sobre as ações propostas pela WABA e aplicadas no Brasil desde 1991, sobre o início da caminhada, até 2021, com a 30ª SMAM.

A amamentação é um processo único que:

  • fornece nutrição ideal para bebês e contribui para seu crescimento e desenvolvimento saudáveis;
  • reduz a incidência e gravidade de doenças infecciosas, diminuindo assim a morbimortalidade infantil;
  • contribui para a saúde da mulher, ao reduzir o risco de câncer de mama e ovário, ao aumentar o espaçamento entre as gestações;
  • fornece benefícios sociais e econômicos para a família e a nação;
  • proporciona à maioria das mulheres uma sensação de satisfação quando realizada com sucesso.

 

Pesquisas recentes descobriram que:

  • esses benefícios aumentam com o aumento da exclusividade da amamentação durante os primeiros seis meses de vida e, posteriormente, com o aumento da duração da amamentação com alimentos complementares;
  • as intervenções do programa podem resultar em mudanças positivas no comportamento da amamentação.

Como meta global para a saúde e nutrição materno-infantil ideais, todas as mulheres devem poder praticar a amamentação exclusiva e todos os bebês devem ser alimentados exclusivamente com leite materno desde o nascimento até os 4-6 meses de idade. Depois disso, as crianças devem continuar a ser amamentadas, até dois anos de idade ou mais, e receber alimentos complementares apropriados e adequados. Esse ideal de alimentação infantil deve ser alcançado criando um ambiente apropriado de conscientização e apoio para que as mulheres possam amamentar dessa maneira.”

Esses são alguns trechos da Declaração de Innocenti sobre a proteção, promoção e apoio à amamentação (vale a leitura na íntegra), que trazem informações interessantes sobre o aleitamento materno, o leite humano e as propostas para a compreensão dos desafios que as mães superam quando querem amamentar seus filhos.

E essa é uma responsabilidade de todos nós, governo e suas políticas públicas; empresas e licenças maternidade e paternidade, com salas de apoio à amamentação; da sociedade, sem preconceitos; das mídias e das redes sociais, com informação científica ética, atualizada e sem fake news; das escolas, desde o fundamental até as universidades, com educação continuada sobre o tema; dos profissionais de saúde materno-infantil, com estudos constantes, prática ética, sem conflitos de interesse; da família e redes de apoio, permitindo que a díade mãe-bebê se beneficie do padrão ouro da alimentação infantil.

Relator:
Moises Chencinski
Membro do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

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