vulnerabilidade – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Mon, 25 Oct 2021 17:59:10 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png vulnerabilidade – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Semana Nacional de Prevenção de Gravidez na Adolescência: Informações para os pais e responsáveis https://spsp.org.br/semana-nacional-de-prevencao-de-gravidez-na-adolescencia-informacoes-para-os-pais-e-responsaveis/ Fri, 05 Feb 2021 16:49:31 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3593 De 1 a 8 de fevereiro, acontece no Brasil a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, instituída pela Lei nº 13.798/2019, para conscientização, prevenção e redução dos números de casos no Brasil.

Alguns fatos são claros (ou deveriam ser!) quando analisamos a questão da gravidez na adolescência:

O que contribui para que ocorra com tanta frequência?

Entre os principais fatores relacionados a esta incidência tão alta, temos: renda familiar insuficiente e baixa, educação deficiente ou abandono dos estudos, oportunidades limitadas para ingresso no mercado de trabalho, perpetuação do ciclo da pobreza, falta de informações sobre saúde, direitos sexuais e reprodutivos e aumento da violência sexual.

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E quanto aos pais, cuidadores e responsáveis por estes adolescentes, o que podem fazer para orientá-los e ajudá-los a prevenir a gravidez?

Seguem algumas dicas, adaptadas de: Nelson, P.T. (Ed) (2012). 10 Tips for Parents in Families Matter! A Series for Parents of School-Aged Youth. Newark, DE: Cooperative Extension, University of Delaware.

1- Conversem com seus filhos desde cedo, de forma honesta, aberta e numa linguagem clara e sucinta. Não esperem que perguntem espontaneamente, iniciem a conversa. Escutem com atenção o que eles têm a dizer, se entenderam o que foi falado e o que gostariam mais de saber. Importante destacar as diferenças entre amor e sexo, como funcionam os relacionamentos e todas as partes do corpo. É importante que saibam os valores e crenças de vocês e que estão à disposição para conversar sobre tudo que estão pensando ou quais são suas preocupações.

2- Supervisionem e monitorem as atividades de seus filhos. Saibam onde estão o tempo todo ou se estão sendo supervisionados por adultos atentos e responsáveis. É melhor serem acusados de intrometidos e enxeridos, do que de pais que não se importam!

3- Conheçam e convivam com os amigos de seus filhos e suas famílias. Tenham sempre em mente a enorme influência que seus pares podem exercer. Estimulem seus filhos a convidar amigos para vir em casa e conversem com eles regularmente. Conversem com os pais dos amigos sobre as regras e expectativas com relação aos filhos.

4- Saibam o que seus filhos estão assistindo, lendo e ouvindo. Sejam “alfabetizados em mídia”. Como é impossível controlar totalmente o que veem e ouvem, ensinem a pensar de forma crítica, conversem sobre o que estão aprendendo com o que assistem e as músicas que ouvem. É aconselhável não terem TV e os celulares serem desligados e deixados fora do quarto nos momentos de descanso.

5- Ajudem seus filhos adolescentes a terem opções para o futuro que sejam muito mais atraentes do que a gravidez precoce e a paternidade. Façam com que percebam que tornar-se pai ou mãe pode atrapalhar seus planos e sonhos. Estejam ao lado deles para definir metas reais e significativas para o futuro. Conversem sobre o que precisam fazer para alcançar seus objetivos e ajudem-nos a alcançá-los.

6- Enfatizem o quanto vocês valorizam a educação. Definam expectativas para o desempenho escolar de seus filhos, acompanhem a vida escolar deles e intervenham logo se não vão bem na escola – o fracasso e abandono escolar são importantes fatores de risco para a paternidade adolescente.

7- Sejam claros sobre seus próprios valores e atitudes sexuais. Será muito mais fácil conversar com os filhos pensando em algumas questões, como: sua opinião sobre adolescentes em idade escolar sexualmente ativos e tornando-se pais; o que pensam de namoro precoce; sobre adolescentes que namoram pessoas mais velhas ou mais jovens do que eles (mais do que 2 anos); quem deve definir os limites no relacionamento e como isso deve ser feito; o que acham de adolescentes que usam anticoncepcionais; apoiam ou não serem sexualmente ativos na adolescência; o que pensam sobre a abstinência sexual nesta fase. E imaginem se as respostas de vocês a estas questões vão afetar o que vai ser dito a seus filhos.

8- Esforcem-se para que o relacionamento entre vocês seja de confiança e respeito mútuos, caloroso e afetuoso, mas firme na disciplina e rico na comunicação. Escutem com atenção o que seus filhos dizem e atente-se ao que eles fazem, reforçando sempre que devem se sentir bem com isso. Não comparem uma criança com outra, deixem ela saber que é única. Tentem fazer pelo menos uma refeição em família todos os dias. Usem o tempo juntos para conversar e não para discutir ou ficar nas mídias sociais.

9- Estejam preparados para responder, de forma clara e franca, a perguntas do tipo: Como vou saber que estou apaixonado? Quando estarei pronto para o sexo? O sexo vai me aproximar do meu namorado(a)? Fazer sexo vai me tornar mais popular? Como posso dizer que não quero fazer sexo, sem ferir os sentimentos ou perder a pessoa? Como reagir quando for pressionado para fazer sexo? Devo usar qual método de contracepção? Qual é o mais seguro e que funciona melhor? Posso engravidar na primeira vez?

E quais seriam as respostas mais adequadas?

Não temos como saber, uma vez que cada família e todos os seus membros podem ter diferentes valores, crenças, ideais, noções de respeito, empatia, honestidade e autonomia e usam, em menor ou maior grau, as lições e experiências de vida como aprendizado, tentando manter relações saudáveis e convivência em harmonia.

As respostas mais “pé no chão” poderiam ser:

“Acho os riscos de AIDS, outras doenças sexualmente transmissíveis e de gravidez muito grandes. Vocês precisam ter maturidade e saber se proteger sempre que fizerem sexo, até que se sintam prontos e preparados para ter um filho”.

“Pense à frente como você poderá lidar com diferentes situações – tem um plano? Estará preparado? Vai usar medidas de proteção e anticoncepção? Se sua ideia for dizer não, terá força suficiente para mantê-la? Como vai lidar e negociar com tudo isso?”

“Fazer sexo não é o preço que você deve pagar por um relacionamento íntimo. É natural e normal ter desejos sexuais e pensar em sexo. Não é normal engravidar sem estarem preparados e prontos para isso; ter um bebê não transforma um menino em homem ou uma menina em mulher”.

E lançamos duas afirmações de peso, para que reflitam sobre elas:

– Falar com os filhos sobre sexo não vai incentivá-los a se tornarem sexualmente ativos;
– Crianças de todas as idades desejam um relacionamento próximo com seus pais e anseiam por sua ajuda, aprovação e apoio.

Relatores:
Renata D Waksman
Moises Chencinski
Coordenadores do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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Semana Nacional de Prevenção de Gravidez na Adolescência https://spsp.org.br/semana-nacional-de-prevencao-de-gravidez-na-adolescencia/ Wed, 03 Feb 2021 18:16:27 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3588 A gravidez na adolescência continua sendo grande responsável pela mortalidade materna e infantil, com complicações relacionadas à gestação e ao parto como a principal causa de morte de meninas de 15 a 19 anos em todo o mundo.

Ao se analisar as taxas de gravidez, no Brasil é de 68,4 por 1000 adolescentes, acima da média global (46 por 1000) e da América Latina (65,5 por 1000), segundo publicação na revista The Lancet.

Em países onde o aborto é proibido ou altamente restrito, muitas adolescentes, para quem a gravidez não foi planejada, acabam recorrendo a procedimentos inseguros, colocando sua saúde e sua vida em risco (cerca de 3,9 milhões de abortos inseguros/ano em adolescentes de 15 a 19 anos nos países em desenvolvimento).

andrew lozovyi | depositphotos.com

De 1 a 8 de fevereiro acontece no Brasil a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, instituída pela Lei nº 13.798/2019, para conscientização, prevenção e redução destes números.

Segundo dados do SIDRA (Sistema IBGE de Recuperação Automática), em 2019, 2.812.030 nascidos vivos foram registrados no Brasil, entre os quais 13% deste total (1 em cada 7,5 partos) são filhos de mães com idades entre 15 e 19 anos e 0,60% (16.707) nascimentos registrados de mães menores de 15 anos.

Entre as principais consequências dessas taxas, vale ressaltar os efeitos sociais e econômicos negativos para as meninas, para suas famílias e suas comunidades no que diz respeito à alta incidência de interrupção da vida escolar, rejeição por parte das famílias e colegas, vivência social não esperada, maior vulnerabilidade, bem como maior probabilidade de sofrer violência, ainda mais em famílias de baixa renda.

Adolescentes grávidas também enfrentam riscos e complicações à saúde devido a seus corpos imaturos. Além disso, bebês nascidos de mães mais jovens também correm maior risco.

Clinicamente, é observado aumento do número de partos prematuros, bebês de baixo peso e de mortes perinatais (50% a mais quando comparadas com as mães entre 20 a 29 anos). Além disso, ocorre redução das taxas de aleitamento materno.

A dificuldade de acesso ao sistema de saúde, associada às consequências sociais e de dinâmicas familiares dessa situação, produz um panorama desafiador e assustador para todos os profissionais da área da saúde e para as políticas públicas que buscam atuar sobre essas estatísticas.

Não há como negar que a informação ainda não atinge adequadamente os adolescentes e temas como sexualidade e contracepção não são abordados de forma eficaz na prevenção da gravidez.

Assim, educação sexual nas escolas e uma assistência ginecológica das adolescentes mais ampla e acessível, antes da iniciação da vida sexual ativa, são ferramentas fundamentais para se conscientizar essa população.

Meios de comunicação amplamente utilizados por adolescentes, como mídias sociais e tecnologia, podem divulgar campanhas de prevenção, que irão chegar à maioria da população jovem.

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Relatores: 
Moises Chencinski
Renata D. Waksman
Coordenadores do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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