Vítima – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 20 Oct 2023 18:20:19 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Vítima – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Por que falar de bullying? https://spsp.org.br/por-que-falar-de-bullying/ Fri, 20 Oct 2023 18:17:58 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=40290 Chegamos a mais um Dia Mundial de Combate ao Bullying, instituído em 20 de outubro. E por que precisamos de um dia para isto? Por que falar de bullying? Isso não existe desde sempre? Bullying é]]>

Chegamos a mais um Dia Mundial de Combate ao Bullying, instituído em 20 de outubro. E por que precisamos de um dia para isto? Por que falar de bullying? Isso não existe desde sempre?

Bullying é a situação em que uma pessoa promove o abuso de outra através da desigualdade de forças, de papéis, em que o agressor usa força física, ou constrangimento, para receber favores da vítima. Este tipo de situação é bastante frequente no âmbito escolar e não é novidade para ninguém. O bullying existe há muito tempo.

Nas últimas décadas, o assunto tem ganho mais atenção, por estar cada vez mais presente nas escolas e ruas, além de ter ganho uma nova proporção com o “extravasamento” do bullying pelas redes sociais, o chamado cyberbullying.

Esta nova vertente traz um agravamento das consequências para o agredido, pois este fica exposto não apenas nas situações internas da escola, como pode ser vítima de agressão por pessoas desconhecidas.

Traumas psicológicos, baixa autoestima, dificuldade de reconhecimento de sua própria identidade acabam afetando as vítimas, podendo contribuir para situações como autoagressão, depressão e tentativas de suicídio.

Devemos lembrar que o agressor também costuma ser vítima de violência, às vezes em casa ou em outros locais. Por isso é preciso atenção tanto ao agressor quanto à vítima.

A triste realidade é que muitos pais estão fora de casa, trabalhando e acabam desconectados com o que está acontecendo com seus filhos. Os pais precisam participar da vida escolar de seus filhos e frequentar as escolas. As equipes escolares devem estar atentas a sinais de violência e de desigualdade. Propor atividades em grupos, exaltando a importância do companheirismo e da participação pode ajudar a atenuar o problema. Ter canais abertos para denúncias e acolhimento de quem vivencia situações de bullying é essencial para minimizar a questão.

 

Relator:
Fausto Flor Carvalho
Presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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“A vítima está sempre alheia ao mal” https://spsp.org.br/a-vitima-esta-sempre-alheia-ao-mal/ Fri, 14 Apr 2023 13:56:51 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=37002 ]]>

Esta frase me veio à mente sob o impacto das más notícias recentes – a absurdidade da tragédia na creche de Blumenau mexe com o mais íntimo de cada um, deixando-nos indefesos, sem chão, estarrecidos. Crianças em uma creche, apenas sendo crianças. Brincando, dormindo, comendo, vivendo em plenitude o momento como crianças normais. Todas indefesas, alheias ao mal. Foram ceifadas da vida por um cutelo atroz.

Nietzsche nos adverte que “A crueldade é um dos prazeres mais antigos da humanidade”. O filósofo descarrega nessa frase seu niilismo, e o reforça nesta outra: “O homem é o animal mais cruel”. Retratou também esse dilema de outra forma: “Temos a arte para não morrer ou enlouquecer perante a verdade” – verdade, aqui, é sinônimo de “realidade dos fatos”.

Expressa assim, simbolicamente, na palavra arte, o outro lado da moeda – a mão que mata é também a mão que cria beleza. “A vida bate e estraçalha a alma e a arte nos lembra que você tem uma” – a frase de Stella Adler sintetiza esse pensamento.

Na palavra arte queremos expressar a esperança na transcendência que também permeia o caráter humano, capaz de gerar bondade, altruísmo, compaixão, que nos faz ficar indignados perante a perpetração do mal e nos impele a nos solidarizar com as famílias enlutadas.

Perplexidade e indignação.

A tragédia de Blumenau sinaliza, entretanto, que a sociedade não pode permanecer alheia ao mal. Há certos males que são previsíveis quanto à possibilidade da sua ocorrência – para estes podemos exercer a cautela antecipatória.

É tempo de reflexão para gerar ações preventivas, porque esse episódio, infelizmente, não foi único – foi uma repetição de outros anteriores.

O problema é complexo e de causas multifatoriais. Talvez as causas mais primevas estejam vinculadas ao modo como valorizamos a vida humana e como desenvolvemos as relações interpessoais. Onde falta o respeito ao outro, impera a desigualdade, prospera a violência.

Como pediatras sabemos que esse agressor pode ter sido – na infância ou adolescência – vítima de violência, seja em casa, seja por seus pares (bullying). Essas situações podem se estender para a vida adulta ao fincar raízes na psiquê do indivíduo. Modelam a mente e comportamentos.

E o que pode ser feito?

  • Não podemos ficar calados frente a suspeita de que alguma criança ou adolescente está sendo vítima de violência doméstica;
  • É importante que, através da Inteligência Artificial, se desenvolvam algoritmos que possam auxiliar a polícia a rastrear comportamentos “estranhos” nas mídias sociais;
  • É fundamental que as famílias sejam instrumentalizadas para que possam supervisionar e controlar o uso da internet pelos filhos (com quem conversam, quais os assuntos, em quais jogos e desafios estão interessados);
  • É necessário que se cuide da segurança mínima no ambiente escolar: acesso restrito, barreiras físicas – muros, catracas, câmeras de vigilância, policiamento preventivo (Ronda Escolar), detectores de metal (conforme a possibilidade local);
  • É crucial que os pais cuidem da guarda das armas que tenham em suas casas (o ideal seria nem as ter).

Não podemos ficar alheios ao mal!

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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