Vírus – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 24 Mar 2026 14:20:57 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Vírus – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Vacinação é fundamental para a erradicação da poliomielite https://spsp.org.br/vacinacao-e-fundamental-para-a-erradicacao-da-poliomielite/ Fri, 24 Oct 2025 11:33:23 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53777 A poliomielite é uma doença altamente infecciosa, causada por um poliovírus que afeta principalmente as crianças menores de cinco anos, sendo transmitida por via fecal-oral.]]>

A poliomielite é uma doença altamente infecciosa, causada por um poliovírus que afeta principalmente as crianças menores de cinco anos, sendo transmitida por via fecal-oral. O quadro clínico varia em gravidade, desde formas inaparentes ou com sintomas leves, como febre, mal-estar, cefaleia, sintomas gastrointestinais, até paralisia flácida e atrofia permanente, geralmente unilateral, em membros inferiores. Um em cada 200 infectados desenvolve uma paralisia irreversível e, dentre estes, 5%-10% morrem quando há o comprometimento da musculatura respiratória. Não há tratamento, mas há prevenção.

A vacina pólio oral (VOP) mudou o cenário mundial da poliomielite. A VOP é uma vacina produzida com o poliovírus enfraquecido que estimula a imunidade contra a poliomielite. A Iniciativa Global de Erradicação da Pólio criada em 1988 teve muito sucesso com a redução dos casos. Porém, dois países, Paquistão e Afeganistão, ainda apresentam casos. Até que a transmissão do poliovírus seja interrompida nesses países, todos os países permanecem em risco de importação de pólio.

O último caso de poliomielite registrado no Brasil foi em 1989, na cidade de Souza, na Paraíba, e o Brasil, com os demais países da América, obteve o certificado de área livre do poliovírus selvagem em seu território desde 1994, conferido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

A partir de então, o Brasil assumiu um compromisso com a Organização Mundial da Saúde (OMS) de não permitir a reintrodução da doença no país. Para isto, precisamos manter altas coberturas vacinais, ou seja, que a população menor de cinco anos seja vacinada.

Com a vacinação, dos três tipos de poliovírus, o sorotipo 2 (P2) e o sorotipo 3 (P3) desapareceram em 1999 e 2012, respectivamente. O sorotipo 1 (P1) é o que tem causado os casos de poliomielite nos últimos anos em países endêmicos (Afeganistão e Paquistão). Além desses tipos selvagens, a poliomielite pode ser causada por um poliovírus derivado da vacina pólio oral (VDPV), quando o vírus vacinal excretado no ambiente, apesar de enfraquecido, readquire a capacidade de causar a doença, levando a surtos em locais onde há baixa cobertura vacinal.

Devido a isto, para manter o país livre da poliomielite, conforme a orientação da OMS, progressivamente a VOP foi retirada do calendário da criança e, desde novembro de 2024, as crianças recebem apenas a vacina pólio inativada (VIP) aos 2, 4 e 6 meses, com uma dose de reforço aos 15 meses. A VIP não causa poliomielite porque não é uma vacina viva. Então, no Brasil, a vacina pólio oral não é mais administrada. No entanto, o Zé Gotinha não se aposentou; ele é um símbolo das Campanhas Nacionais de Vacinação.

Há um esforço mundial para a erradicação da poliomielite, ou seja, para que o poliovírus não seja mais detectado, não circule mais e não ocorram mais casos da doença. O trabalho constante das equipes de saúde para garantir a vacinação mesmo em locais de difícil acesso, como locais acometidos por catástrofes naturais, enchentes, terremotos, ou guerras, é louvável. Em nosso meio, tem sido observada, desde 2016, uma queda progressiva na cobertura vacinal para poliomielite, assim como para outras vacinas, o que se agravou durante a pandemia da Covid-19. As campanhas de multivacinação para atualização vacinal são importantes para melhorar estes números.

É importante mantermos altas coberturas vacinais, porque se houver casos de pólio provenientes de outros países (casos importados), pode haver disseminação do vírus entre as crianças não vacinadas e surgirem casos após 36 anos sem registro de poliomielite em nosso país.

Então, neste Dia Mundial de Combate à Poliomielite, devemos lembrar da vacinação como medida fundamental para a prevenção de casos de pólio, uma doença que pode ser grave e deixar sequelas permanentes, e que está caminhando para a erradicação.

 

Saiba mais:

  1. World Health Organization Weekly epidemiological record. Polio vaccines: WHO position paper – June 2022; 97: 277-300.
  2. World Health Organization. Highlights of new wild poliovirus and cVDPV positives reported globally this week. Disponível em: application/pdf 44_Polio_Global_update_02Nov2022_.pdf — 1433 KB.
  3. Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac” – Divisão de Imunização. Documento Técnico: Campanha Nacional de Vacinação Contra a Poliomielite e Multivacinação para Atualização da Caderneta de Vacinação da Criança e do Adolescente. 03/08/2022. Estado de São Paulo. Disponível em: https://www.cosemssp.org.br/wp-content/uploads/2022/08/Documento-Tecnico-Campanha-Polio-e-Multi_03-08-2022.pdf. Acesso em 05/12/2022.

 

Relatora:
Alessandra Ramos
Membro do Departamento Científico de Imunizações da SPSP

 

 

 

]]>
Importância da prevenção e diagnóstico precoce das hepatites virais https://spsp.org.br/importancia-da-prevencao-e-diagnostico-precoce-das-hepatites-virais/ Mon, 28 Jul 2025 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52449 Hoje, dia 28 de julho, comemora-se o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais. Essa data tem por objetivo conscientizar as pessoas sobre]]>

Hoje, dia 28 de julho, comemora-se o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais. Essa data tem por objetivo conscientizar as pessoas sobre a importância da prevenção e diagnóstico precoce das hepatites virais para um tratamento adequado. Isso porque as hepatites são doenças que afetam o fígado e podem causar sérios danos à saúde e, infelizmente, ainda são um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo.

Hepatite é o nome que se dá à inflamação das células do fígado. Hepatite viral é a inflamação provocada pelas infecções por vírus (sendo os mais frequentes os vírus responsáveis pelas hepatites A, B, C, D e E. Mas também temos outros vírus, como citomegalovírus, vírus Epstein Barr, adenovírus, coronavírus).

Na maioria das vezes não há aparecimento de sintomas. Porém, quando eles estão presentes, podem se manifestar como náuseas ou vômitos, cansaço, mal-estar, febre, falta de apetite, urina escura e fezes mais claras, ou até mesmo brancas. Na presença de sintomas que sugiram hepatite, é importante procurar o médico. Algumas formas têm tratamento específico.

Em nosso país, as hepatites virais mais comuns são causadas pelos vírus AB e C.

As hepatites A e E podem ser prevenidas. Elas acontecem por via fecal-oral, ou seja, por meio de água ou alimento contaminados. Por isso, é importante a lavagem das mãos (especialmente antes de manipular alimentos e depois de ir ao banheiro), consumir apenas água tratada e higienizar corretamente os alimentos. Ambos os vírus provocam inflamação aguda, mas temporária, no fígado. O próprio organismo resolve a inflamação na maioria das vezes, porém alguns casos evoluem para insuficiência hepática ou falência do fígado. Uma forma de evitar a insuficiência hepática é tomar a vacina contra a hepatite A. Ela já está disponível no calendário básico de vacinação. As infecções causadas pelos vírus B e C frequentemente se tornam crônicas. Contudo, por nem sempre apresentarem sintomas, grande parte das pessoas desconhece ter a infecção. Isso faz com que a doença possa evoluir por muito tempo sem diagnóstico. O avanço da infecção compromete o fígado, sendo causa de fibrose avançada ou de cirrose, que podem levar ao desenvolvimento de câncer e necessidade de transplante do órgão.

A vacina contra o tipo B também faz parte do calendário de vacinação infantil e para os adultos também.

A vacinação continua sendo a principal forma de prevenção. A vacina contra a hepatite A é aplicada em dose única aos 15 meses de idade. Para pessoas acima de 1 ano com condições clínicas especiais, está disponível nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), em esquema de duas doses.

Já a vacina contra a hepatite B segue o esquema de quatro doses: uma ao nascer (vacina hepatite B isolada) e outras aos 2, 4 e 6 meses (vacina pentavalente). Para adultos não vacinados, são recomendadas três doses. Na dúvida, consulte seu pediatra ou a Unidade Básica de Saúde mais próxima de sua casa.

Você encontra essas e outras informações no site do Ministério da Saúde (https://www.gov.br/saude).

Vamos prevenir! Não esqueça da importância da higiene das mãos e dos alimentos e do consumo de água filtrada. Mantenha o calendário vacinal de seu filho em dia! E lembre-se: as consultas de rotina com o pediatra são fundamentais para o acompanhamento do desenvolvimento infantil e a prevenção de doenças. Não deixe de levar seu filho!

 

Relatora:

Adriana Maria Alves De Tommaso
Presidente do Departamento Científico de Hepatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

]]>
Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais https://spsp.org.br/dia-mundial-de-luta-contra-as-hepatites-virais-2/ Sun, 28 Jul 2024 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47269 A hepatite é uma doença caracterizada por inflamação no fígado e pode ser desencadeada por diversos fatores, como vírus, remédios, ervas, álcool, doenças autoimunes, doenças]]>

A hepatite é uma doença caracterizada por inflamação no fígado e pode ser desencadeada por diversos fatores, como vírus, remédios, ervas, álcool, doenças autoimunes, doenças metabólicas e genéticas. No Brasil, as hepatites virais mais comuns são causadas pelos vírus A, B e C. Existem ainda, com menor frequência, o vírus da hepatite D (mais comum na Região Norte) e o vírus da hepatite E. A infecção pode ser silenciosa ou apresentar sintomas como náuseas, dor abdominal, fadiga, febre, urina escura, pele e olhos amarelados. Em algumas destas infecções virais, a hepatite aguda pode evoluir para a cura sem intervenção ou tratamento, mas também pode se transformar em infecção crônica, evoluindo para cirrose ou câncer hepático.

Segundo o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, no período de 2000 a 2022 foram diagnosticados 750.651 casos de hepatites virais no Brasil. Destes, 22,5% foram referentes aos casos de hepatite A, 36,9% aos de hepatite B, 39,8% aos de hepatite C, 0,6% aos de hepatite D e 0,2% aos de hepatite E. A partir de 2015, a incidência de hepatite A no Brasil apresentou queda expressiva, coincidindo com a introdução da vacina contra este vírus ser disponibilizada no calendário vacinal, com redução de 75,0% quando comparados os anos de 2015 e 2022, passando de 1,6 para 0,4/100 mil habitantes, respectivamente. Quanto à hepatite B, houve uma discreta tendência de queda anual nas taxas até 2019; atingindo 4,3/100 mil habitantes em 2022. A partir de 2016, a taxa de detecção de hepatite C apresentou discreta queda e, em 2022, chegou a 6,6/100 mil habitantes. No período de 2000 a 2021 foram identificados, no Brasil, 85.486 óbitos por causas associadas às hepatites virais dos tipos A, B, C e D. Desses óbitos, 1,5% foram associados à hepatite viral A; 21,5% à hepatite B; 76,1% à hepatite C e 0,9% à hepatite D.

A hepatite A tem transmissão pela via fecal-oral, não evolui para infecção crônica, porém em raros casos pode desencadear hepatite fulminante, sendo eventualmente necessária indicação de transplante hepático, ou podendo ir para o óbito. A vacina da hepatite A está disponível no calendário básico de vacinação para crianças a partir de 15 meses, em dose única.

A hepatite B pode ser transmitida pelo sangue, fluidos corporais contaminados, e transmissão vertical (durante a gestação ou parto). Pode evoluir para a forma crônica. Existe vacina contra hepatite B no calendário vacinal básico, sendo administrada já ao nascimento.

A hepatite C, assim como a hepatite B, pode ser transmitida pelo sangue e fluidos corporais contaminados, mas raramente ocorre a transmissão vertical, entretanto o risco aumenta se a mãe for coinfectada pelo vírus HIV. Não existe vacina para este tipo de hepatite. O teste rápido para sua detecção está disponível nas unidades de saúde.

As hepatites virais, sobretudo as hepatites B e C, representam um desafio mundial comparável ao enfrentamento ao HIV, à tuberculose ou à malária. A população brasileira tem acesso, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), às tecnologias mais modernas e eficazes para a prevenção, o diagnóstico e o tratamento das hepatites B e C disponíveis no mundo, e de forma gratuita.

No dia 28 de julho é celebrado o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais. A data foi instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2010, para alertar sobre a importância da prevenção e do controle dessa doença. A prevenção pode ser obtida através da vacinação (hepatites A e B); pelo cuidado na manipulação de sangue e materiais contaminados; pelo não compartilhamento de objetos cortantes, seringa, agulhas, alicate de cutículas e através do sexo seguro. Ressalta-se também a importância da realização do pré-natal, para a prevenção da transmissão vertical das hepatites B e C.

Relatora:

Regina Sawamura
Professora Doutora da Divisão de Gastroenterologia e Hepatologia Pediátrica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP
Vice-Presidente do Departamento Científico de Hepatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

]]>
Dia Mundial de Luta Contra a Aids https://spsp.org.br/dia-mundial-de-luta-contra-a-aids-2/ Fri, 01 Dec 2023 14:41:59 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=40988 Dia 1º de dezembro é a data escolhida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para que internacionalmente possamos unir esforços no combate ao HIV/Aids, não apenas lembrando e comemorando]]>

Dia 1º de dezembro é a data escolhida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para que internacionalmente possamos unir esforços no combate ao HIV/Aids, não apenas lembrando e comemorando os avanços alcançados com o manejo da doença, mas também na luta contra o preconceito, o estigma e a discriminação das pessoas que vivem com HIV, melhorando dessa forma a compreensão da população sobre o vírus e suas repercussões, reconhecendo-o como um problema de saúde pública global.

Em todos esses anos de história, e já se vão quatro décadas, a doença assumiu novo perfil, tornando-se uma doença crônica controlável, graças à melhoria significativa da terapia antirretroviral que, desde o fim da década de 1990, consegue controlar de forma muito eficaz o vírus HIV, além do manejo e monitoramento mais precisos, com melhores exames laboratoriais e do investimento em medidas de proteção a esses pacientes, com uso de tratamento precoce e universal a todas as pessoas que vivem com HIV (independentemente de terem ou não manifestações da doença), prevenção de infecções oportunistas, além de vacinação ampla para diversas doenças. Tanto adultos quanto crianças que vivem com HIV se beneficiaram muito dessas mudanças, tornando os tratamentos mais simples de serem seguidos.

O último levantamento da OMS/UNAIDS contabiliza 39 milhões de pessoas em todo o mundo vivendo com HIV no ano de 2022, com cerca de 35 mil novas infecções/ano em pessoas entre 15 e 24 anos. No Brasil, temos nas quatro décadas, 1.523.339 casos de HIV/Aids notificados, abrangendo todas as faixas etárias.

O relatório global divulgado este ano pela OMS/UNAIDS trouxe a proposta de eliminação da Aids como ameaça à saúde pública global até 2030, relatando que esse caminho ajudará o mundo a estar mais bem preparado para enfrentar futuras pandemias e a avançar no progresso em direção à conquista dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. O Brasil participa da proposta e tem se esforçado para que ela seja alcançada. Uma das grandes conquistas foi a certificação da eliminação da transmissão vertical do HIV, ou seja, aquela transmitida da mãe para o filho, através da gestação, parto ou aleitamento materno, em 28 municípios, ressaltando aqui que a eliminação não é a erradicação da situação, mas sim atingir patamares muito baixos de transmissão, próximos de zero, que permitem essa certificação.

Todos os investimentos em conscientização e prevenção, além dos avanços no manejo da doença, devem ser amplamente divulgados à população, com o objetivo de redução de novas infecções.

Evidências científicas recentes corroboram a afirmação de que pessoas vivendo com HIV em terapia antirretroviral e com carga viral indetectável há pelo menos seis meses não transmitem o vírus HIV por via sexual. Hoje utiliza-se o termo Indetectável = Intransmissível, consenso entre os cientistas que vem sendo amplamente utilizado mundialmente por instituições de referência sobre o HIV.

Outro grande avanço é a possibilidade de que mulheres vivendo com HIV em terapia antirretroviral regular e carga viral indetectável engravidem normalmente, sem risco de transmissão do vírus para seus filhos. Essa grande notícia tem possibilitado a realização de sonhos das mulheres que vivem com HIV, tranquilizando-as a constituir suas famílias com crianças sem o vírus.

Como última e importante mensagem gostaríamos de lembrar que é recomendada também a testagem regular de mulheres negativas para o HIV que estejam em aleitamento materno. Temos de recordar que essas também são sexualmente ativas e apresentam risco de infecção, assim como a população geral. Havendo infecção nessa fase, o aleitamento deve ser imediatamente suspenso e a criança submetida ao tratamento profilático.

Devemos divulgar e veicular de forma ampla o assunto HIV/Aids não apenas neste 1º de dezembro, mas sempre e em todas as oportunidades. Isso facilita tanto a reflexão sobre as medidas de proteção para novas infecções, quanto o acolhimento e menor discriminação de quem vive com HIV.

 

Saiba mais:

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/dezembro/ministerio-da-saude-certifica-municipios-por-eliminacao-da-transmissao-vertical-de-hiv-e-sifilis

 

Relatoras:
Daniela Vinhas Bertolini
Flavia Jacqueline Almeida
Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

]]>
Medidas de combate à dengue https://spsp.org.br/medidas-de-combate-a-dengue/ Fri, 24 Nov 2023 16:48:35 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=40842 A dengue é uma doença infecciosa febril aguda causada por um vírus pertencente à família Flaviviridae e é transmitida através da picada de mosquitos infectados, principalmente pelo Aedes]]>

A dengue é uma doença infecciosa febril aguda causada por um vírus pertencente à família Flaviviridae e é transmitida através da picada de mosquitos infectados, principalmente pelo Aedes aegypti. Este vetor encontra-se frequentemente em áreas tropicais e subtropicais, o que torna a dengue uma doença predominante nessas regiões. De acordo com os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que ocorram cerca de 390 milhões de infecções por dengue anualmente em todo o mundo, com aproximadamente 96 milhões resultando em doença com variados graus de gravidade.

A transmissão da dengue ocorre quando uma fêmea do mosquito Aedes aegypti, já infectada pelo vírus (existem quatro tipos de vírus da dengue), pica uma pessoa. Não há transmissão direta de pessoa para pessoa. Após um período de incubação que pode durar de quatro a dez dias, o indivíduo infectado passa a apresentar os primeiros sintomas. É importante salientar que o mosquito se torna capaz de transmitir o vírus durante toda sua vida após um período de oito a dez dias depois de ter se alimentado de sangue contendo o vírus.

As manifestações clínicas da dengue variam desde formas assintomáticas e leves até condições graves, que podem ser fatais. Os sintomas típicos incluem febre alta, dor de cabeça severa, dor “atrás dos olhos”, dores musculares e articulares, mal-estar, vômitos, manchas vermelhas na pele e sangramentos leves. Nos casos mais graves, pode ocorrer a dengue hemorrágica, que é caracterizada por sangramento e queda de pressão arterial, levando a um estado de choque, que pode ser fatal se não for tratado prontamente. Portanto, sempre que suspeitar de dengue, é importante procurar um serviço de saúde e iniciar a hidratação precocemente, para reverter quadros que podem evoluir de forma grave.

A prevenção da dengue foca principalmente no controle e na eliminação do mosquito transmissor. Ações como evitar o acúmulo de água parada em recipientes que podem servir de criadouros para as larvas do mosquito, uso de repelentes, telas em janelas e portas, e o uso de roupas que minimizem a exposição corporal durante o período de maior atividade do mosquito, que é durante o dia, são medidas eficazes. Além disso, campanhas de saúde pública que promovem a conscientização e educação da população são fundamentais para o controle da dengue.

Adicionalmente, o desenvolvimento de vacinas contra a dengue representa uma esperança para reduzir a carga da doença. Em 2015, uma primeira vacina foi lançada no mercado privado, com o nome Dengvaxia®, cuja recomendação é apenas para indivíduos que já foram infectados pelo vírus previamente, de 6 a 45 anos, em um esquema de vacinação de três doses.

Neste ano, uma nova vacina foi aprovada no país e está disponível somente nos serviços privados de imunizações, com o nome de Qdenga® e apresenta características superiores com relação à vacina anterior. A nova vacina é indicada para crianças a partir de 4 anos até adultos de 60 anos, em um esquema vacinal de duas doses (0 e 3 meses).

Projetada para proteger contra os quatro tipos do vírus da dengue, possui eficácia em indivíduos que nunca foram expostos ao vírus da dengue, bem como naqueles que já tiveram a doença anteriormente.

Os ensaios clínicos da Qdenga mostraram que a vacina tem um perfil de segurança favorável e é eficaz na prevenção de casos de dengue sintomáticos e hospitalizações decorrentes da doença. A eficácia e a segurança da vacina foram avaliadas em um extenso programa de ensaios clínicos de Fase 3, chamado TIDES (Tetravalent Immunization against Dengue Efficacy Study), envolvendo mais de 20.000 crianças e adolescentes em áreas endêmicas na América Latina e Ásia.

Por ser uma vacina de vírus vivo atenuado, há poucas contraindicações. Como exemplo, grávidas e pessoas imunossuprimidas não podem receber a vacina. Por isso é sempre importante questionar o seu médico se a vacina pode ser administrada em sua criança e/ou você.

Por fim, a integração entre vigilância ambiental, epidemiológica e suas medidas preventivas, bem como a educação em saúde permanecem como as estratégias mais eficientes para o combate à dengue.

 

Relatora:
Melissa Palmieri
Departamentos Científicos de Imunizações e de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

]]>
Dia Mundial da Pneumonia https://spsp.org.br/dia-mundial-da-pneumonia/ Tue, 14 Nov 2023 19:58:18 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=40684 O Dia Mundial da Pneumonia, instituído em 12 de novembro, objetiva alertar sobre a gravidade e ressaltar a prevenção das pneumonias adquiridas na comunidade. A pneumonia adquirida na comunid]]>

O Dia Mundial da Pneumonia, instituído em 12 de novembro, objetiva alertar sobre a gravidade e ressaltar a prevenção das pneumonias adquiridas na comunidade.

A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é uma infecção nos pulmões contraída fora do ambiente hospitalar que, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), é responsável por cerca de 20% da mortalidade mundial em crianças abaixo de cinco anos de idade.

São cerca de 2 milhões de óbitos anuais nessa faixa etária e 70% deles ocorrem em países subdesenvolvidos. A incidência nesses países é, em média, de 0,3 episódios/criança/ano, sendo que, no Brasil, ocorrem cerca de 4 milhões de casos anuais em crianças.

Algumas condições aumentam o risco de pneumonia em crianças, tais como mãe fumante durante a gestação, nascimento prematuro, doenças pulmonares, cardíacas, neurológicas e exposição precoce das crianças saudáveis, pelo seu sistema imunológico imaturo a berçários ou creches, aglomerados, poluição ambiental e fumaça de cigarro.

A prevenção adequada pode reduzir os riscos através do aleitamento materno, higiene das mãos antes do contato, esterilização dos materiais de uso da criança, imunização e a não exposição das crianças muito pequenas a ambientes de risco.

Os vírus são os principais causadores de infecções das vias aéreas superiores e quando acometem as vias aéreas inferiores causam bronquiolite, sibilância recorrente (chiado no peito) ou pneumonia, predominando em crianças nos cinco primeiros anos de vida. Tosse seca, respiração acelerada (cansaço), chiado no peito e febre abaixo de 38,5o C sugerem pneumonia viral.

As pneumonias também são causadas por bactérias e cursam com tosse úmida (som de catarro), febre mais elevada, dificuldade para respirar e sem chiado no peito. Crianças com idade acima de dois anos podem referir dor na região do tórax (peito) ou no abdome (barriga). O diagnóstico de pneumonia é feito pelo exame clínico da criança e frequentemente auxiliado pela radiografia de tórax e outros exames laboratoriais, a critério médico. A tomografia de tórax só deve ser solicitada em casos de pneumonias graves, a critério médico, evitando exposição da criança a maior dose de radiação.

Pneumonias acarretam queda do oxigênio no sangue e se essa queda atingir nível preocupante ou crítico é indicativo de internação. Pneumonias bacterianas são tratadas com antibióticos, já as virais não têm medicamentos específicos e recebem tratamento dirigido às manifestações. São vários os vírus que causam pneumonia e até o momento o único prevenível através da vacinação é o influenza, que deve ser feita anualmente; já para as causadas por bactérias, há disponibilidade de prevenir com vacinas incluídas no calendário vacinal, porém, não para todas as possíveis bactérias conhecidas e causadoras de pneumonia.

O diagnóstico e o tratamento precoces modificam a evolução, evitando sofrimento, mortalidade e doenças respiratórias crônicas.

Relatora:
Neiva Damaceno
Professora Assistente de Pneumologia Pediátrica do Departamento de Pediatria da Santa Casa de SP
Vice-Presidente do Departamento Científico de Pneumologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

]]>
Estamos definitivamente livres da paralisia infantil? https://spsp.org.br/estamos-definitivamente-livres-da-paralisia-infantil/ Tue, 24 Oct 2023 19:13:38 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=40369 Dia 24 de outubro é o Dia Mundial de Combate à Poliomielite. Já imaginou seu(sua) filho(a) com um quadro febril, sem causa aparente para a febre, que]]>

Dia 24 de outubro é o Dia Mundial de Combate à Poliomielite.

Já imaginou seu(sua) filho(a) com um quadro febril, sem causa aparente para a febre, que vai dormir e acorda com as pernas paralisadas? E pior, muitas vezes com um quadro irreversível, que vai acompanhá-lo(a) para o resto da vida?

Pois é… esse era o fantasma que rondava, há algumas décadas, o imaginário de muitos pais quando seus filhos adoeciam.

Estamos falando da poliomielite, ou paralisia infantil, doença que foi eliminada das Américas em 1994, e hoje quase erradicada do mundo – Paquistão e Afeganistão ainda registram casos da doença. O Brasil registrou o último caso em 1989, na Paraíba.

O fim da pólio entre nós se deu pelas altas taxas de vacinação da população. Uma eficaz vacina, barata, oral, associada a uma elevada proporção de vacinados no país, através das campanhas de vacinação, foram as principais razões para a eliminação do vírus.

O Brasil se notabilizou por ser o país da vacina! Nosso querido Zé Gotinha virou personagem icônico da nossa história. A família do Zé cresceu e hoje as vacinas são muitas e para todas as idades.

Infelizmente, e por razões diversas, vivenciamos hoje, acreditem, o risco de retorno da paralisa infantil entre nós!

A falsa percepção de que a doença nunca mais voltará, de que tudo está sob controle e o desconhecimento da gravidade da pólio são exemplos dos fatores que têm contribuído para uma menor adesão das famílias à vacinação, colocando-nos sob a ameaça de retorno desse terrível vírus.

É importante lembrar que enquanto o mundo não estiver livre da pólio, ninguém estará e necessitaremos manter nossas crianças vacinadas.

No mês da poliomielite e no ano que nosso Programa Nacional de Imunizações comemora 50 anos de idade, não podemos sofrer esse grande retrocesso nas conquistas alcançadas.

Se você nunca ouviu falar da doença, ou não conhece ninguém que teve poliomielite, é porque seus pais o(a) vacinaram e você cresceu numa geração livre da pólio.

Converse com seus avós: garanto que eles terão uma história triste para contar, de alguém que ficou paralisado, usando aparelhos, em cadeira de rodas e às vezes até perdeu a vida.

Vacinas são seguras, protegem e evitam sofrimento. Vacina é vida, vacinar é um ato de amor!

 

Relator:
Renato Kfouri
Vice-Presidente do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade de Pediatria de São Paulo

]]>
Diminuição da imunidade após amigdalectomia e adenoidectomia: mito ou realidade? https://spsp.org.br/diminuicao-da-imunidade-apos-amigdalectomia-e-adenoidectomia-mito-ou-realidade/ Fri, 06 Oct 2023 20:01:56 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=39694 Como as tonsilas palatinas (amígdalas) e tonsilas faríngeas (adenoide) desempenham um papel no sistema]]>

Como as tonsilas palatinas (amígdalas) e tonsilas faríngeas (adenoide) desempenham um papel no sistema imunológico, é compreensível que haja preocupações sobre a diminuição da imunidade após amigdalectomia.

A amigdalectomia é um procedimento cirúrgico que envolve a remoção das amígdalas, enquanto a adenoidectomia refere-se à remoção das adenoides, sendo uma das cirurgias em crianças mais realizadas no mundo. Popularmente, existe uma crença de que esses procedimentos podem levar a uma diminuição da imunidade da criança, com aumento das dores de garganta ou faringites no período após a cirurgia. Isso pode confundir alguns pais e pacientes. Vamos explorar se essa crença é mito ou realidade.

As amígdalas e adenoide são formações de tecido linfoide, semelhantes a linfonodos, localizadas na parte posterior da garganta e do nariz, que fazem parte do sistema imunológico e desempenham um papel na proteção do corpo contra infecções. Essas estruturas produzem anticorpos que combatem bactérias, fungos e vírus que entram no corpo pela boca, durante a alimentação, e pelo nariz, por inalação. Isto posto, principalmente na infância, a remoção das amígdalas e adenoides produz uma diminuição da produção de anticorpos num período curto, até outras estruturas do sistema de defesa assumirem essa função. Desta forma, em situações como pandemias ou endemias, essas cirurgias devem ser postergadas.

A adenoamigdalectomia é indicada numa série de afecções, que são bem definidas, sendo que as mais prevalentes são o crescimento importante das amígdalas e adenoide, que induz ao distúrbio respiratório do sono e apneia obstrutiva do sono (pausas respiratórias durante o sono), infecções bacterianas frequentes (amigdalites e adenoidites), abscesso periamigdaliano (coleções de pus na garganta), casos severos da Síndrome de Febre Periódica (picos febris sem outra causa aparente), aftas, faringites e aumento crônico dos gânglios linfáticos. A decisão pela cirurgia deve ser avaliada caso a caso e decidida de comum acordo com os responsáveis pela criança, o médico otorrino e o pediatra.

Ocorre diminuição da imunidade após a cirurgia de amigdalectomia?

Vários estudos relacionados a esse tema foram realizados e analisados e concluíram que não há evidências científicas que apoiem a crença de que a remoção das tonsilas palatinas leve a uma piora da imunidade de forma duradoura ou a longo prazo.

As amígdalas e adenoides são apenas uma parte do sistema imunológico e sua remoção não parece afetar a função geral da nossa imunidade. Esse sistema é uma rede complexa de células, tecidos e órgãos, que trabalham juntos para proteger o corpo de patógenos nocivos, como vírus e bactérias. Além das amígdalas e adenoides, existem muitos outros componentes que trabalham unidos para combater infecções, como gânglios linfáticos, glóbulos brancos, fígado e baço, que compensam o papel desempenhado pelas amígdalas e adenoides.

Então fique tranquilo, se existe indicação para a remoção das amígdalas e/ou da adenoide, o procedimento deve ser realizado. Na dúvida, não deixe de procurar seu pediatra, que, em conjunto com o otorrinolaringologista, fornecerão as respostas e orientações corretas sobre suas questões.

 

Relator:
Bruno de Almeida Antunes Rossini
Departamento Científico de Otorrinolaringologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

]]>
Meningites. Um problema só da infância? https://spsp.org.br/meningites-um-problema-so-da-infancia/ Mon, 24 Apr 2023 18:04:13 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=37123 Talvez nem todos saibam, mas são diversos os agentes que causam meningites. A começar pelos vírus, cuja grande maioria provoca meningite]]>

Talvez nem todos saibam, mas são diversos os agentes que causam meningites.

A começar pelos vírus, cuja grande maioria provoca meningite considerada “benigna”, pois geralmente não determinam complicações maiores ou deixam sequelas. No quadro agudo há febre, cefaleia e vômitos, sintomas mais frequentes, que incomodam e podem levar à desidratação e ocasionar internação.

Nem todos os vírus são tão “benignos” (se é que podemos dizer que as manifestações descritas acima são tranquilas); por exemplo, o herpes (sim… aquele mesmo que provoca as feridas na boca!). Em raros casos, como em imunodeprimidos e recém-nascidos, o herpes pode determinar um quadro grave, com crises convulsivas e até coma e óbito, com possibilidade real de sequelas gravíssimas no sistema nervoso. Requer tratamento imediato.

Mas na nossa realidade, a maior preocupação, sem dúvida, são as clássicas meningites bacterianas. As vacinas para esses agentes diminuíram bastante os quadros (felizmente!), mas quando a doença ocorre, leva a quadros gravíssimos, determinando não só morte em até 30% das crianças, como diversas sequelas, que vão de déficits auditivos a crises convulsivas, sequelas motoras e neurológicas e lesões de órgãos importantes, como rins e fígado.

As crianças são as mais acometidas, mas engana-se quem julga que são só elas. Os idosos que desenvolvem meningites têm mortalidade que beira 50% no Brasil, além, claro, de todas as sequelas já descritas aqui.

Um grupo que parece não ser muito comentado é o dos adolescentes e adultos jovens (não podemos esquecer deles!). Apesar de serem menos acometidos e terem menor gravidade, podem desenvolver todas essas sequelas e apresentam óbito entre 20% e 30% dos casos (ou seja, alarmante!).

Há um outro problema nessa história… Todos os estudos demonstram que os adolescentes e adultos jovens têm um papel fundamental no ciclo das meningites bacterianas. Principalmente dos meningococos, eles são os principais reservatórios, isto é, a bactéria coloniza suas nasofaringes, de onde existe a transmissão para todos os outros grupos – crianças, demais adultos e idosos. A implantação da vacinação no adolescente como estratégia de controle da disseminação das meningites demonstrou bons resultados na redução da doença meningocócica nos demais grupos etários.

A vacinação contra algumas bactérias, a citar o Streptococcus pneumoniae (pneumococo), o Haemophilus influenzae b e o meningococo C nas crianças, que faz parte do Programa Nacional de Imunizações (PNI), recomendada pelas Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), pôde reduzir drasticamente as meningites por esses agentes. Mas ainda há necessidade de intensificar a vacinação do adolescente, hoje com baixíssimas taxas de cobertura.

Atualmente faz parte do calendário vacinal do adolescente (pelo PNI, pela SBP e SBIm) a administração da vacina meningocócica ACWY (que protege para esses quatro sorogrupos do meningococo), tanto pelo SUS como em clínicas privadas. Também há a recomendação pela SBP e SBIm para vacinação contra o meningococo B (somente nas clínicas privadas).

A vacinação deve começar nas crianças pequenas e o mais brevemente possível, por serem o grupo com maior taxa de infecção e alta morbimortalidade.  Entretanto, jamais devemos negligenciar a vacinação do adolescente, o que infelizmente tem ocorrido nos tempos atuais.

 

Relator:
Marcelo Otsuka
Vice-Presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

]]>
1º de dezembro – Dia Mundial de Luta Contra a Aids https://spsp.org.br/1o-de-dezembro-dia-mundial-de-luta-contra-a-aids/ Thu, 01 Dec 2022 11:31:38 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=35733 Temos vivenciado momentos difíceis em relação à saúde, seja pela pandemia pelo coronavírus, seja pela enorme quantidade de outros vírus que “enlouqueceram” desde 2021, com mudanças]]>

Temos vivenciado momentos difíceis em relação à saúde, seja pela pandemia pelo coronavírus, seja pela enorme quantidade de outros vírus que “enlouqueceram” desde 2021, com mudanças na sazonalidade, provocando epidemias fora de época, como o Vírus Sincicial Respiratório (de atenção fundamental para as crianças, principalmente as menores) e o Influenza. Mas não podemos esquecer de um vírus em particular, que desde as décadas de 80 e 90 trouxe uma enormidade de problemas, inclusive gerando intolerância de gênero, que é o HIV.

Importante mencionarmos que, de situações de intolerância de gênero, hoje o principal grupo acometido pelo HIV são os heterossexuais, ou seja, a população dominante de gênero. E isto representa um risco para outra população, que sequer tem a prerrogativa do gênero para sua contaminação, que são os recém-nascidos.

Lógico que não devemos tirar nossos olhos das crianças e adolescentes que podem se contaminar por uso de drogas e relações sexuais (hoje o risco nas transfusões é mínimo, devido à triagem no sangue dos doadores), e cabe a todos nós a orientação e o cuidado com estes indivíduos que estão começando suas vidas e, certamente, ainda não têm o discernimento suficiente para entender os riscos de seus atos. Precisamos estar lado a lado com eles, não para reprimi-los, mas para que tenham um caminho com o mínimo de riscos possível.

Mas gostaríamos também de comentar dos recém-nascidos, o que significa falarmos das gestantes.

É essencial que tenhamos cuidados completos no pré-natal, com as consultas e os exames para investigação, não só do HIV, mas de diversas outras doenças, como sífilis e hepatites. O Brasil tem se esforçado para a erradicação do HIV (e sífilis) de transmissão da mãe para o recém-nascido e muitas cidades, inclusive, serão homenageadas no dia 1/12 por conseguirem esse feito!

Nascer com qualquer doença é algo que jamais iremos querer para nossas crianças, e o pré-natal correto é um grande passo que podemos, e devemos, fazer para permitir qualidade de vida para essas crianças no início de suas vidas!

Relator:
Marcelo Otsuka
Vice-Presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

]]>