Vírus Zika – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 09 Mar 2016 15:36:48 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Vírus Zika – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Deu Zika, posso amamentar? https://spsp.org.br/deu-zika-posso-amamentar/ Wed, 09 Mar 2016 15:36:48 +0000 https://comunidadespsp.wordpress.com/?p=1104 A bola da vez é o Zika vírus e não sem razão. Já que: 1) Ele é transmitido pelo Aedes aegypti, que é o mesmo mosquito que transmite a dengue e a chikungunya. 2) Já são contabilizados quase 6 mil casos de microcefalia desde 2015, que estão em avaliação para saber se são ou não provenientes do Zika vírus. Desses, até 27 de fevereiro de 2016, 1.046 casos já foram descartados e 641 foram confirmados. 3) Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) já apontam um risco de uma grande epidemia mundial e foco muito marcante no Brasil (com previsão de 1,5 milhões de casos). A prevenção continua sendo a melhor conduta. Mas essa é uma situação nova no mundo e estamos conhecendo, a cada dia, novas facetas do vírus. Assim, a cada nova informação as autoridades de saúde responsáveis elaboram uma nova ação. E muitas dessas informações são veiculadas mundialmente. Afinal, não é só o Brasil que está vivendo essa situação. Nos Estados Unidos, O CDC (Centers for Disease Control and Prevention) está constantemente produzindo material a respeito dos dados mais recentes do Zika vírus. Foi criado um microsite com informações sobre a doença, sua transmissão, prevenção, sintomas, tratamentos e dados importantes para profissionais de saúde e gestantes. Orientações a respeito do momento adequado para engravidar, viagens para locais com alta prevalência do Zika vírus e transmissão sexual da doença estão constantemente atualizadas no site do CDC. E nessa semana, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) também abriu um espaço com informações e atualizações sobre o Zika vírus. Então, esclarecemos alguns principais tópicos: ZIKA VÍRUS E AMAMENTAÇÃO Em 25 de fevereiro a OMS emitiu uma recomendação a respeito de aleitamento materno em pacientes com Zika vírus. Todas as orientações apontam para a importância do apoio alimentar por profissionais de saúde e consultores de aleitamento experimentados e, se for solicitado, para o início e a manutenção do aleitamento materno: a) tanto em mães com infecção por Zika vírus suspeita, provável ou confirmada, durante a gestação ou após o parto; b) assim como em mães e famílias de crianças nascidas com malformações congênitas (por exemplo, microcefalia). Os estudos mostram que, apesar de o vírus ser encontrado no leite materno, não há relato atual documentado de transmissão do Zika vírus através do leite materno. DIAGNÓSTICO DE MICROCEFALIA Pela alta incidência atual de quadros de suspeita de microcefalia, um dado fundamental que se faz necessário é a medida padronizada do perímetro cefálico (PC – circunferência da cabeça do bebê). Em 1º de março, o Ministério da Saúde informou que vai modificar, a partir do dia 3 de março, o protocolo de notificação da microcefalia, seguindo novos critérios adotados pela OMS. A medida anterior do PC, que era menor do que 32 cm independente do sexo, passa agora para menor que 31,5 cm em meninas e menor que 31,9 cm em meninos. Mas, para a confirmação do diagnóstico, são necessários exames que mostrem se o cérebro está comprometido. ZIKA VÍRUS NÃO É SÓ MICROCEFALIA A Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) publicou em 2 de março de 2016 uma orientação referente ao atendimento de pacientes pediátricos portadores de microcefalia e de bebês com suspeita de infecção congênita por Zika vírus. O oftalmologista deverá avaliar e, se possível, documentar os achados e encaminhar os casos com alterações (lesões oculares, maculares ou periféricas) para controle epidemiológico (na Secretaria de Saúde Ocular de sua cidade) e os pacientes com lesões maculares ou com perda de capacidade visual por alterações neurológicas aos centros de reabilitação visual. Nesses casos, o exame de fundo de olho deverá ser repetido a cada 3 meses no primeiro ano de vida e a cada 6 meses após o primeiro ano. Também devem ser examinados os bebês cujas mães tenham suspeita de contaminação pelo Zika vírus durante a gestação (rash cutâneo, febre, artralgia). Os bebês com microcefalia sem lesões oculares deverão ser acompanhados a cada 6 meses, com realização do exame de fundo de olho, por um ano. SÍNDROME DE GUILLAIN-BARRÉ Esse é um quadro neurológico em que o sistema imunológico do corpo começa a combater um microrganismo (vírus ou bactéria, por exemplo) e acaba atacando as suas próprias células nervosas, provocando diferentes graus de manifestação, apresentando desde leve fraqueza muscular em alguns pacientes até o quadro raro de paralisia total dos quatro membros. Muitas patologias são relacionadas a esse quadro e, segundo a OMS, há fortes indícios de que o número desses casos esteja aumentando em locais onde o vírus Zika está presente. Inicialmente podem ocorrer alterações na sensibilidade e formigamento que podem evoluir para um quadro de fraqueza (paralisia flácida ascendente), começando pelas pernas e subindo. Na maioria dos casos, a síndrome aparece de três a quatro semanas após uma infecção com sintomas gastrintestinais (diarreia) ou respiratórios (resfriados). Estudos mostram que perto de 50% dos pacientes se recuperam totalmente até seis meses depois do aparecimento do quadro. Aproximadamente 30% podem apresentar sequelas leves (menor sensibilidade nos membros ou pequenas dificuldades motoras). Quase 20% dos pacientes costumam evoluir de forma um pouco mais grave (maiores dificuldades motoras e fraqueza nas pernas). Cerca de 5% pode apresentar paralisia dos músculos respiratórios e morte. Não há como prevenir a Síndrome de Guillain-Barré. Aos primeiros sinais de suspeita do quadro, os pacientes devem buscar orientação e avaliação médica. ELIMINAR O MOSQUITO Apesar de investimentos na produção da vacina contra o Zika vírus e contra a dengue, e dos cuidados precoces e amplos para o diagnóstico e tratamento dos casos de microcefalia e problemas visuais, todos os esforços devem ser feitos para se evitar a proliferação do Aedes aegypti. Com relação à dengue, em 2015, tivemos a maior epidemia de todos os tempos e esses números só aumentam. Em Ribeirão Preto já são quase 6 mil casos suspeitos, taxa superior ao ano de 2015, que registrou 5 mil casos de dengue. Eliminar o mosquito é a única forma de conter essa grave epidemia, o Zika, que se apresenta agora para o mundo. Sites confiáveis e recomendados:...]]>

dreamstime_xs_30506391A bola da vez é o Zika vírus e não sem razão. Já que:

1) Ele é transmitido pelo Aedes aegypti, que é o mesmo mosquito que transmite a dengue e a chikungunya.
2) Já são contabilizados quase 6 mil casos de microcefalia desde 2015, que estão em avaliação para saber se são ou não provenientes do Zika vírus. Desses, até 27 de fevereiro de 2016, 1.046 casos já foram descartados e 641 foram confirmados.
3) Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) já apontam um risco de uma grande epidemia mundial e foco muito marcante no Brasil (com previsão de 1,5 milhões de casos).

A prevenção continua sendo a melhor conduta. Mas essa é uma situação nova no mundo e estamos conhecendo, a cada dia, novas facetas do vírus. Assim, a cada nova informação as autoridades de saúde responsáveis elaboram uma nova ação. E muitas dessas informações são veiculadas mundialmente. Afinal, não é só o Brasil que está vivendo essa situação.

Nos Estados Unidos, O CDC (Centers for Disease Control and Prevention) está constantemente produzindo material a respeito dos dados mais recentes do Zika vírus. Foi criado um microsite com informações sobre a doença, sua transmissão, prevenção, sintomas, tratamentos e dados importantes para profissionais de saúde e gestantes.

Orientações a respeito do momento adequado para engravidar, viagens para locais com alta prevalência do Zika vírus e transmissão sexual da doença estão constantemente atualizadas no site do CDC. E nessa semana, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) também abriu um espaço com informações e atualizações sobre o Zika vírus.

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Países e territórios com transmissão ativa do vírus Zika. Fonte: CDC.

Então, esclarecemos alguns principais tópicos:

ZIKA VÍRUS E AMAMENTAÇÃO
Em 25 de fevereiro a OMS emitiu uma recomendação a respeito de aleitamento materno em pacientes com Zika vírus. Todas as orientações apontam para a importância do apoio alimentar por profissionais de saúde e consultores de aleitamento experimentados e, se for solicitado, para o início e a manutenção do aleitamento materno:
a) tanto em mães com infecção por Zika vírus suspeita, provável ou confirmada, durante a gestação ou após o parto;
b) assim como em mães e famílias de crianças nascidas com malformações congênitas (por exemplo, microcefalia).

Os estudos mostram que, apesar de o vírus ser encontrado no leite materno, não há relato atual documentado de transmissão do Zika vírus através do leite materno.

DIAGNÓSTICO DE MICROCEFALIA
Pela alta incidência atual de quadros de suspeita de microcefalia, um dado fundamental que se faz necessário é a medida padronizada do perímetro cefálico (PC – circunferência da cabeça do bebê). Em 1º de março, o Ministério da Saúde informou que vai modificar, a partir do dia 3 de março, o protocolo de notificação da microcefalia, seguindo novos critérios adotados pela OMS. A medida anterior do PC, que era menor do que 32 cm independente do sexo, passa agora para menor que 31,5 cm em meninas e menor que 31,9 cm em meninos. Mas, para a confirmação do diagnóstico, são necessários exames que mostrem se o cérebro está comprometido.

ZIKA VÍRUS NÃO É SÓ MICROCEFALIA
A Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) publicou em 2 de março de 2016 uma orientação referente ao atendimento de pacientes pediátricos portadores de microcefalia e de bebês com suspeita de infecção congênita por Zika vírus. O oftalmologista deverá avaliar e, se possível, documentar os achados e encaminhar os casos com alterações (lesões oculares, maculares ou periféricas) para controle epidemiológico (na Secretaria de Saúde Ocular de sua cidade) e os pacientes com lesões maculares ou com perda de capacidade visual por alterações neurológicas aos centros de reabilitação visual. Nesses casos, o exame de fundo de olho deverá ser repetido a cada 3 meses no primeiro ano de vida e a cada 6 meses após o primeiro ano. Também devem ser examinados os bebês cujas mães tenham suspeita de contaminação pelo Zika vírus durante a gestação (rash cutâneo, febre, artralgia). Os bebês com microcefalia sem lesões oculares deverão ser acompanhados a cada 6 meses, com realização do exame de fundo de olho, por um ano.

SÍNDROME DE GUILLAIN-BARRÉ
Esse é um quadro neurológico em que o sistema imunológico do corpo começa a combater um microrganismo (vírus ou bactéria, por exemplo) e acaba atacando as suas próprias células nervosas, provocando diferentes graus de manifestação, apresentando desde leve fraqueza muscular em alguns pacientes até o quadro raro de paralisia total dos quatro membros. Muitas patologias são relacionadas a esse quadro e, segundo a OMS, há fortes indícios de que o número desses casos esteja aumentando em locais onde o vírus Zika está presente.

Inicialmente podem ocorrer alterações na sensibilidade e formigamento que podem evoluir para um quadro de fraqueza (paralisia flácida ascendente), começando pelas pernas e subindo. Na maioria dos casos, a síndrome aparece de três a quatro semanas após uma infecção com sintomas gastrintestinais (diarreia) ou respiratórios (resfriados).

Estudos mostram que perto de 50% dos pacientes se recuperam totalmente até seis meses depois do aparecimento do quadro. Aproximadamente 30% podem apresentar sequelas leves (menor sensibilidade nos membros ou pequenas dificuldades motoras). Quase 20% dos pacientes costumam evoluir de forma um pouco mais grave (maiores dificuldades motoras e fraqueza nas pernas). Cerca de 5% pode apresentar paralisia dos músculos respiratórios e morte.

Não há como prevenir a Síndrome de Guillain-Barré. Aos primeiros sinais de suspeita do quadro, os pacientes devem buscar orientação e avaliação médica.

ELIMINAR O MOSQUITO
Apesar de investimentos na produção da vacina contra o Zika vírus e contra a dengue, e dos cuidados precoces e amplos para o diagnóstico e tratamento dos casos de microcefalia e problemas visuais, todos os esforços devem ser feitos para se evitar a proliferação do Aedes aegypti. Com relação à dengue, em 2015, tivemos a maior epidemia de todos os tempos e esses números só aumentam. Em Ribeirão Preto já são quase 6 mil casos suspeitos, taxa superior ao ano de 2015, que registrou 5 mil casos de dengue. Eliminar o mosquito é a única forma de conter essa grave epidemia, o Zika, que se apresenta agora para o mundo.

Sites confiáveis e recomendados:
http://combateaedes.saude.gov.br/
http://www.sbp.com.br/zika-virus-informacoes-atualizadas/
http://www.cbo.net.br/novo/publicacoes/Recomendacoes_SBOP_zika_virus.pdf

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Relator:
Dr. Moises Chencinski

Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSP

Publicado em 9/03/2016.
photo credit: Oksix | Dreamstime.com

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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Desinformações sobre a infecção pelo vírus Zika https://spsp.org.br/desinformacoes-sobre-a-infeccao-pelo-virus-zika/ Mon, 07 Mar 2016 13:16:22 +0000 https://comunidadespsp.wordpress.com/?p=1096 Tendo em vista o grande número de informações sobre o vírus Zica divulgadas erradamente por blogs, sites e formadores de opinião, a Sociedade de Pediatria de São Pauo solicitou ao Departamento Científico de Infectologia um parecer sobre os principais pontos críticos. Veja abaixo e compartilhe! Há várias causas de microcefalia, mas muitas evidências apontam o vírus Zika como o responsável pelo aumento de casos no Brasil. Dra. Silvia Marques, presidente do Departamento Científico de Infectologia da SPSP Como se não bastasse o momento tão difícil, com a detecção de um novo vírus circulando em nosso país – o vírus Zika – no qual todos os esforços se voltam para o estudo científico da doença, pessoas se aproveitam para veicular notícias descabidas para confundir a população. Microcefalia e as vacinas na gestação Primeiramente, recebemos a notícia de que o aumento de casos de microcefalia observado no Nordeste do Brasil, e depois em outros Estados, estaria relacionado com as vacinas aplicadas na gestação. As vacinas aplicadas na gestação, como a influenza e a tríplice acelular tipo adulto, (contra difteria, tétano e coqueluche) têm vasta bibliografia e informações sobre as aplicações, mostrando a sua importância e segurança. Os principais órgãos de saúde, como a Organização Mundial de Saúde (OMS), recomendam essas vacinas na gestação. Tanto a OMS quanto um extenso estudo realizado em 2014 – um levantamento do Global Advisory Committee on Vaccine Safety (GACVS) – mostraram que não há evidências de que vacinas administradas durante a gravidez causariam qualquer problema congênito nos bebês. Não há, portanto, registro na literatura médica nacional e internacional sobre a associação do uso de vacinas com a microcefalia. Todas as vacinas ofertadas no Brasil, pelo Programa Nacional de Imunização (PNI), são seguras. Microcefalia e o inseticida piriproxifeno Outra informação que circulou recentemente foi que o inseticida piriproxifeno seria a verdadeira causa da microcefalia. Uma equipe de cientistas da OMS recentemente revisou os dados toxicológicos do piriproxifeno, um dos 12 larvicidas que a OMS recomenda para reduzir a população de mosquitos, e não foram encontradas evidências de que o larvicida afete o desenvolvimento de fetos. Microcefalia e os mosquitos geneticamente modificados Por fim, a notícia de que mosquitos geneticamente modificados (genes dos machos modificados) estariam causando microcefalia. Mais uma informação errônea sobre essa prática, que tem como objetivo controlar as populações de mosquitos. Há várias causas de microcefalia, mas muitas evidências apontam o vírus Zika como o responsável pelo aumento de casos no Brasil. O vírus foi isolado do líquido amniótico de dois fetos diagnosticados com microcefalia antes do nascimento, e o material genético do vírus Zika foi identificado em vários órgãos, inclusive cérebro, de uma terceira criança, que morreu logo após o nascimento. Informação responsável Orientamos que a população acesse sites idôneos e responsáveis para obter informações sérias e adequadas sobre a infecção pelo vírus Zika. Sites sugeridos: www.portalsaude.gov.br www.paho.org www.cdc.gov www.who.int/eportuguese/countries/bra/pt/ www.spsp.org.br ___ Relatora: Dra Silvia R. Marques Presidente do Departamento Científico de Infectologia da SPSP Publicado em 7/03/2016. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

Tendo em vista o grande número de informações sobre o vírus Zica divulgadas erradamente por blogs, sites e formadores de opinião, a Sociedade de Pediatria de São Pauo solicitou ao Departamento Científico de Infectologia um parecer sobre os principais pontos críticos. Veja abaixo e compartilhe!

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Há várias causas de microcefalia, mas muitas evidências apontam o vírus Zika como o responsável pelo aumento de casos no Brasil.
Dra. Silvia Marques, presidente do Departamento Científico de Infectologia da SPSP

Como se não bastasse o momento tão difícil, com a detecção de um novo vírus circulando em nosso país – o vírus Zika – no qual todos os esforços se voltam para o estudo científico da doença, pessoas se aproveitam para veicular notícias descabidas para confundir a população.

Microcefalia e as vacinas na gestação
Primeiramente, recebemos a notícia de que o aumento de casos de microcefalia observado no Nordeste do Brasil, e depois em outros Estados, estaria relacionado com as vacinas aplicadas na gestação. As vacinas aplicadas na gestação, como a influenza e a tríplice acelular tipo adulto, (contra difteria, tétano e coqueluche) têm vasta bibliografia e informações sobre as aplicações, mostrando a sua importância e segurança. Os principais órgãos de saúde, como a Organização Mundial de Saúde (OMS), recomendam essas vacinas na gestação.

Tanto a OMS quanto um extenso estudo realizado em 2014 – um levantamento do Global Advisory Committee on Vaccine Safety (GACVS) – mostraram que não há evidências de que vacinas administradas durante a gravidez causariam qualquer problema congênito nos bebês. Não há, portanto, registro na literatura médica nacional e internacional sobre a associação do uso de vacinas com a microcefalia. Todas as vacinas ofertadas no Brasil, pelo Programa Nacional de Imunização (PNI), são seguras.

Microcefalia e o inseticida piriproxifeno
Outra informação que circulou recentemente foi que o inseticida piriproxifeno seria a verdadeira causa da microcefalia. Uma equipe de cientistas da OMS recentemente revisou os dados toxicológicos do piriproxifeno, um dos 12 larvicidas que a OMS recomenda para reduzir a população de mosquitos, e não foram encontradas evidências de que o larvicida afete o desenvolvimento de fetos.

Microcefalia e os mosquitos geneticamente modificados
Por fim, a notícia de que mosquitos geneticamente modificados (genes dos machos modificados) estariam causando microcefalia. Mais uma informação errônea sobre essa prática, que tem como objetivo controlar as populações de mosquitos.

Há várias causas de microcefalia, mas muitas evidências apontam o vírus Zika como o responsável pelo aumento de casos no Brasil. O vírus foi isolado do líquido amniótico de dois fetos diagnosticados com microcefalia antes do nascimento, e o material genético do vírus Zika foi identificado em vários órgãos, inclusive cérebro, de uma terceira criança, que morreu logo após o nascimento.

Informação responsável
Orientamos que a população acesse sites idôneos e responsáveis para obter informações sérias e adequadas sobre a infecção pelo vírus Zika.

Sites sugeridos:
www.portalsaude.gov.br
www.paho.org
www.cdc.gov
www.who.int/eportuguese/countries/bra/pt/
www.spsp.org.br

___
Relatora:
Dra Silvia R. Marques
Presidente do Departamento Científico de Infectologia da SPSP

Publicado em 7/03/2016.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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