Vírus sincicial respiratório – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 06 Mar 2024 16:12:02 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Vírus sincicial respiratório – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Como evitar problemas respiratórios no prematuro após a alta https://spsp.org.br/como-evitar-problemas-respiratorios-no-prematuro-apos-a-alta/ Wed, 11 Sep 2019 18:12:57 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2923 Os recém-nascidos prematuros, em especial aqueles com menos de 34 semanas de gestação, apresentam maior risco de adquirir doenças respiratórias e precisarem de internação. Medidas de prevenção são capazes de reduzir a ocorrência e a gravidade das infecções respiratórias e devem ser seguidas por todos. Medidas de higiene pessoal e ambiental:• Lavar as mãos antes e após cuidar do bebê• Evitar contato do recém-nascido com pessoas doentes• Evitar lugares com aglomeração de pessoas• Não compartilhar itens de uso pessoal (talheres, pratos, copos)• Aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses de vida reduz substancialmente a ocorrência de doenças respiratórias• Evitar a exposição domiciliar à fumaça de cigarro, que resulta em maior ocorrência de infecções respiratórias, consultas médicas e internações Vacinas em dia Vacina contra influenza – deve ser aplicada a partir de seis meses de vida, no outono, antes do início da circulação do vírus. Vacinar a gestante, pois a transferência de anticorpos da mãe para o feto confere proteção aos bebês menores de seis meses de vida que ainda não podem receber a vacina. Vacina antipneumocócica conjugada – está indicada para todos os prematuros a partir de dois meses de idade, no esquema de três doses, com intervalo de dois meses entre elas e um posterior reforço aos 15 meses de idade. Vacina contra tuberculose (BCG) – a vacina intradérmica (BCG-ID) é indicada em recém-nascidos com peso superior a 2.000 gramas desde o nascimento. Prevenção da infecção pelo vírus sincicial respiratório (VSR) O VSR é o principal agente das infecções respiratórias agudas que acometem o trato respiratório inferior em crianças menores de um ano de idade. Apresenta uma sazonalidade definida, causando epidemias anuais nos meses do outono e inverno. A infecção em recém-nascidos prematuros apresenta maior risco de evolução grave com necessidade de internação hospitalar. Atualmente, a prevenção tem sido feita através da imunização passiva, pela administração de anticorpo monoclonal humanizado para uso intramuscular (Palivizumabe), aplicado mensalmente, durante o período do ano com alta circulação de VSR, que varia de acordo com a região geográfica no Brasil. O Sistema Único de Saúde disponibiliza as doses necessárias aos recém-nascidos com idade gestacional menor do que 29 semanas, durante o primeiro ano de vida, e nos portadores de displasia broncopulmonar até os dois anos.  Durante a sazonalidade, essas doses são aplicadas mesmo que os bebês ainda estejam internados. Já as demais vacinas devem seguir o calendário habitual, de acordo com a idade cronológica. Pais, cuidadores e profissionais de saúde que lidam com o prematuro devem ser vacinados contra influenza, coqueluche, varicela, sarampo e rubéola, a fim de diminuir o risco de transmissão das doenças para ele. ___Relatora:Dra. Bettina B. Duque FigueiraDepartamento Científico de Neonatologia da SPSP. Publicado em 11/09/2019]]>

Os recém-nascidos prematuros, em especial aqueles com menos de 34 semanas de gestação, apresentam maior risco de adquirir doenças respiratórias e precisarem de internação. Medidas de prevenção são capazes de reduzir a ocorrência e a gravidade das infecções respiratórias e devem ser seguidas por todos.

Iuliia Bondarenko | pixabay.com

Medidas de higiene pessoal e ambiental:
• Lavar as mãos antes e após cuidar do bebê
• Evitar contato do recém-nascido com pessoas doentes
• Evitar lugares com aglomeração de pessoas
• Não compartilhar itens de uso pessoal (talheres, pratos, copos)
• Aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses de vida reduz substancialmente a ocorrência de doenças respiratórias
• Evitar a exposição domiciliar à fumaça de cigarro, que resulta em maior ocorrência de infecções respiratórias, consultas médicas e internações

Vacinas em dia

Vacina contra influenza – deve ser aplicada a partir de seis meses de vida, no outono, antes do início da circulação do vírus. Vacinar a gestante, pois a transferência de anticorpos da mãe para o feto confere proteção aos bebês menores de seis meses de vida que ainda não podem receber a vacina.

Vacina antipneumocócica conjugada – está indicada para todos os prematuros a partir de dois meses de idade, no esquema de três doses, com intervalo de dois meses entre elas e um posterior reforço aos 15 meses de idade.

Vacina contra tuberculose (BCG) – a vacina intradérmica (BCG-ID) é indicada em recém-nascidos com peso superior a 2.000 gramas desde o nascimento.

Prevenção da infecção pelo vírus sincicial respiratório (VSR)

O VSR é o principal agente das infecções respiratórias agudas que acometem o trato respiratório inferior em crianças menores de um ano de idade. Apresenta uma sazonalidade definida, causando epidemias anuais nos meses do outono e inverno. A infecção em recém-nascidos prematuros apresenta maior risco de evolução grave com necessidade de internação hospitalar. Atualmente, a prevenção tem sido feita através da imunização passiva, pela administração de anticorpo monoclonal humanizado para uso intramuscular (Palivizumabe), aplicado mensalmente, durante o período do ano com alta circulação de VSR, que varia de acordo com a região geográfica no Brasil. O Sistema Único de Saúde disponibiliza as doses necessárias aos recém-nascidos com idade gestacional menor do que 29 semanas, durante o primeiro ano de vida, e nos portadores de displasia broncopulmonar até os dois anos.  Durante a sazonalidade, essas doses são aplicadas mesmo que os bebês ainda estejam internados. Já as demais vacinas devem seguir o calendário habitual, de acordo com a idade cronológica.

Pais, cuidadores e profissionais de saúde que lidam com o prematuro devem ser vacinados contra influenza, coqueluche, varicela, sarampo e rubéola, a fim de diminuir o risco de transmissão das doenças para ele.

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Relatora:
Dra. Bettina B. Duque Figueira
Departamento Científico de Neonatologia da SPSP.

Publicado em 11/09/2019



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Saiba tudo sobre a bronquiolite https://spsp.org.br/saiba-tudo-sobre-a-bronquiolite/ Fri, 28 Jun 2019 18:28:09 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2861 Médico explica causas, sintomas e tratamento dessa doença que atinge as crianças nos dois primeiros anos de vida Por Dr. Alfonso Eduardo Alvarez A bronquiolite é uma inflamação dos bronquíolos, que são a parte final dos brônquios. Eles ficam antes dos alvéolos, onde é feita a troca de oxigênio pelo gás carbônico. Quando nos referimos a essa doença, em geral falamos do tipo mais comum, que é a bronquiolite viral aguda, que acomete crianças nos dois primeiros anos de vida – inclusive, essa é a principal causa de internação de menores de 1 ano no mundo. Vamos saber mais sobre essa condição? O que leva à bronquiolite Ela é causada por vírus. O principal atende pelo nome de vírus sincicial respiratório, e é responsável por 40 a 80% dos casos. Vários outros tipos, porém, podem provocar a doença. Os sintomas Normalmente o quadro é precedido por sintomas de vias aéreas superiores, como nariz escorrendo. E pode (ou não) ocorrer febre. Na evolução do problema, a inflamação dos bronquíolos causa sua obstrução, o que dificulta a passagem do ar. Daí surgem tosse, dificuldade respiratória e chiado no peito. A doença pode ser desde muito leve, com secreção nasal e tosse discreta, até grave, com insuficiência respiratória e necessidade de internação. Para ter ideia, 5% das crianças com bronquiolite necessitam de internação e, dessas, 2% vão à óbito. Os fatores de risco para ter a forma grave da bronquiolite Uma evolução ruim do quadro é associada a questões como prematuridade, tabagismo passivo, baixa idade, ausência de aleitamento materno, doença pulmonar crônica, cardiopatia congênita e ser do sexo masculino. Cabe lembrar, no entanto, que a maior parte das crianças internadas por bronquiolite não apresenta nenhuma dessas condições. Recentemente, realizei uma pesquisa na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista, e nosso grupo de trabalho demonstrou que existem fatores genéticos que contribuem com a gravidade da bronquiolite. O estudo foi publicado na revista científica Gene. O diagnóstico Ele é baseado na história clínica e na avaliação física. Ou seja, não é necessário nenhum exame para confirmar a doença. A detecção do vírus é um exame útil, mas não fundamental. A radiografia de tórax e os testes de sangue não devem ser recomendados como rotina – são indicados apenas para casos de evolução grave. O tratamento A bronquiolite geralmente é auto-limitada e o tratamento depende da gravidade da doença. A maioria das crianças pode ser acompanhada em casa. Mas, caso a decisão do pediatra seja essa, é importante que ele tranquilize os pais e esclareça sobre os sinais de alerta que podem indicar a evolução da doença e, assim, a necessidade de uma reavaliação. Entre os sintomas que merecem atenção estão: dificuldade respiratória, aumento da frequência respiratória e utilização da musculatura acessória para respirar – que é evidenciada pela retração entre as costelas e da fúrcula, o espaço logo acima do esterno, o osso do peito. Além de um abatimento excessivo da criança e recusa em se alimentar e hidratar. A internação será necessária se ocorrer desconforto respiratório grave ou incapacidade para manter a hidratação adequada. Aqueles que apresentam os fatores de risco citados anteriormente, porém, podem precisar de internação em um estágio mais precoce da doença. Quando a internação ocorre, o principal aspecto do tratamento é o suporte com oxigênio, feito geralmente através de um cateter nasal – às vezes é preciso administrá-lo de forma mais invasiva. Além disso, deve ser mantida uma hidratação adequada, preferencialmente por via oral. Se a criança apresentar dificuldade na alimentação, opta-se pelo uso de sonda nasogástrica ou hidratação endovenosa. A aspiração cuidadosa das narinas e a higiene nasal com solução salina são atitudes benéficas. As diretrizes atuais não recomendam a fisioterapia respiratória na bronquiolite não complicada. Por ser uma doença viral, não há nenhuma necessidade de oferecer antibióticos à criança. Também está provado que não há nenhum benefício em administrar broncodilatores inalatórios, epinefrina inalatória ou corticoides, seja via inalatória, oral ou endovenosa. Texto produzido pelo Dr. Alfonso Eduardo Alvarez para o site SAÚDE. Link original: https://saude.abril.com.br/blog/experts-na-infancia/saiba-tudo-sobre-a-bronquiolite/ O Dr. Alfonso Eduardo Alvarez é pneumologista pediátrico, mestre e doutor em Saúde da Criança e do Adolescente e presidente do Departamento de Pneumologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo. Publicado em 28/06/2019]]>

Médico explica causas, sintomas e tratamento dessa doença que atinge as crianças nos dois primeiros anos de vida

Por Dr. Alfonso Eduardo Alvarez

A bronquiolite é uma inflamação dos bronquíolos, que são a parte final dos brônquios. Eles ficam antes dos alvéolos, onde é feita a troca de oxigênio pelo gás carbônico. Quando nos referimos a essa doença, em geral falamos do tipo mais comum, que é a bronquiolite viral aguda, que acomete crianças nos dois primeiros anos de vida – inclusive, essa é a principal causa de internação de menores de 1 ano no mundo. Vamos saber mais sobre essa condição?

bingngu93 | pixabay.com

O que leva à bronquiolite

Ela é causada por vírus. O principal atende pelo nome de vírus sincicial respiratório, e é responsável por 40 a 80% dos casos. Vários outros tipos, porém, podem provocar a doença.

Os sintomas

Normalmente o quadro é precedido por sintomas de vias aéreas superiores, como nariz escorrendo. E pode (ou não) ocorrer febre. Na evolução do problema, a inflamação dos bronquíolos causa sua obstrução, o que dificulta a passagem do ar. Daí surgem tosse, dificuldade respiratória e chiado no peito.

A doença pode ser desde muito leve, com secreção nasal e tosse discreta, até grave, com insuficiência respiratória e necessidade de internação. Para ter ideia, 5% das crianças com bronquiolite necessitam de internação e, dessas, 2% vão à óbito.

Os fatores de risco para ter a forma grave da bronquiolite

Uma evolução ruim do quadro é associada a questões como prematuridade, tabagismo passivo, baixa idade, ausência de aleitamento materno, doença pulmonar crônica, cardiopatia congênita e ser do sexo masculino. Cabe lembrar, no entanto, que a maior parte das crianças internadas por bronquiolite não apresenta nenhuma dessas condições.

Recentemente, realizei uma pesquisa na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista, e nosso grupo de trabalho demonstrou que existem fatores genéticos que contribuem com a gravidade da bronquiolite. O estudo foi publicado na revista científica Gene.

O diagnóstico

Ele é baseado na história clínica e na avaliação física. Ou seja, não é necessário nenhum exame para confirmar a doença. A detecção do vírus é um exame útil, mas não fundamental. A radiografia de tórax e os testes de sangue não devem ser recomendados como rotina – são indicados apenas para casos de evolução grave.

O tratamento

A bronquiolite geralmente é auto-limitada e o tratamento depende da gravidade da doença. A maioria das crianças pode ser acompanhada em casa. Mas, caso a decisão do pediatra seja essa, é importante que ele tranquilize os pais e esclareça sobre os sinais de alerta que podem indicar a evolução da doença e, assim, a necessidade de uma reavaliação.

Entre os sintomas que merecem atenção estão: dificuldade respiratória, aumento da frequência respiratória e utilização da musculatura acessória para respirar – que é evidenciada pela retração entre as costelas e da fúrcula, o espaço logo acima do esterno, o osso do peito. Além de um abatimento excessivo da criança e recusa em se alimentar e hidratar.

A internação será necessária se ocorrer desconforto respiratório grave ou incapacidade para manter a hidratação adequada. Aqueles que apresentam os fatores de risco citados anteriormente, porém, podem precisar de internação em um estágio mais precoce da doença.

Quando a internação ocorre, o principal aspecto do tratamento é o suporte com oxigênio, feito geralmente através de um cateter nasal – às vezes é preciso administrá-lo de forma mais invasiva. Além disso, deve ser mantida uma hidratação adequada, preferencialmente por via oral.

Se a criança apresentar dificuldade na alimentação, opta-se pelo uso de sonda nasogástrica ou hidratação endovenosa. A aspiração cuidadosa das narinas e a higiene nasal com solução salina são atitudes benéficas. As diretrizes atuais não recomendam a fisioterapia respiratória na bronquiolite não complicada.

Por ser uma doença viral, não há nenhuma necessidade de oferecer antibióticos à criança. Também está provado que não há nenhum benefício em administrar broncodilatores inalatórios, epinefrina inalatória ou corticoides, seja via inalatória, oral ou endovenosa.


Texto produzido pelo Dr. Alfonso Eduardo Alvarez para o site SAÚDE.
Link original: https://saude.abril.com.br/blog/experts-na-infancia/saiba-tudo-sobre-a-bronquiolite/

O Dr. Alfonso Eduardo Alvarez é pneumologista pediátrico, mestre e doutor em Saúde da Criança e do Adolescente e presidente do Departamento de Pneumologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Publicado em 28/06/2019



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