Vegano – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 17 Mar 2021 17:54:58 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Vegano – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Restrições alimentares e seus riscos: anemias https://spsp.org.br/restricoes-alimentares-e-seus-riscos-anemias/ Wed, 28 Aug 2019 14:23:01 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2920 A anemia é muito frequente em crianças e adolescentes e tem como causa principal os déficits nutricionais. Atualmente, as dietas vegetarianas e veganas, assim como outras alternativas, têm se tornado mais habituais, especialmente na população mais jovem. Estima-se que 3% da população nos Estados Unidos seja vegetariana (sendo 8% dos adolescentes) e 1,5%, veganos. Vamos entender o que significa:Vegetarianos: não ingerem carnes em geral. Semi-vegetarianos: ingerem carne ocasionalmente (vermelha ou branca).Pescetarianismo ou piscitarianismo: peixes e mariscos estão incluídos na dieta. Enquanto os vegetarianos-pescetarianos consomem leite e ovos, os veganos-pescetarianos excluem esses alimentos da dieta.Ovolactovegetarianos: ovos, leite e produtos lácteos incluídos; sem nenhuma carne.Lactovegetarianos: leite e produtos lácteos incluídos na dieta, sem ovos ou carne.Macrobiótica: consomem grãos integrais, vegetais, legumes, algas marinhas e frutas cultivadas localmente. Nesse caso, carne branca ou peixe de carne branca são aceitos até duas vezes na semana.Veganos: sem nenhum produto de origem animal. Além da preocupação com a dieta, é uma ideologia que procura excluir, na medida do possível e praticável, todas as formas de “exploração e crueldade” para com os animais, tanto para consumo alimentar (ovos, leite e derivados, mel etc.) quanto de produtos de vestimenta, adorno, entre outros. As dietas restritivas podem satisfazer as necessidades nutricionais de crescimento e desenvolvimento, porém precisam ser planejadas com atenção Efeitos gerais na saúde Quanto mais restritiva for a dieta, maior o risco de inadequação alimentar. Os maiores riscos para a ingestão inadequada de nutrientes de uma dieta vegetariana ocorrem durante períodos de crescimento. As dietas vegetarianas estão associadas a menor incidência de obesidade, doença coronariana, hipertensão e diabetes tipo 2. Estudos sugerem que a dieta lactovegetariana tem menores riscos para a saúde do que a vegana, porém não existem dados conclusivos sobre os benefícios e ameaças para crianças e adolescentes. Há dificuldade em analisar os dados, pois se misturam com estilos de vida, maior atividade física e redução de tabagismo e alcoolismo. Atenção à deficiência de ferro e vitamina B12 As crianças que apresentam taxas de crescimento rápidas aumentam as necessidades de ferro, desenvolvendo problemas de falta desse mineral com ou sem anemia, com prevalência variável. As consequências da deficiência de ferro incluem desde comprometimento do desenvolvimento cognitivo e motor, da capacidade de concentração, problemas comportamentais, cansaço, até alterações cardíacas em situações extremas. As preocupações sobre o consumo do ferro para crianças vegetarianas são baseadas nas diferenças entre ferro heme (carne) e ferro não heme (vegetais).  Isso porque o ferro não heme possui absorção comprometida por outros componentes da dieta (chás, fibras, leites). A vitamina B12 (cobalamina) é encontrada apenas em alimentos de origem animal (carne, peixe, ovos e laticínios). Suas reservas são armazenadas principalmente no fígado e a sua deficiência acontece lentamente, o que justifica as manifestações clínicas pouco características iniciais. A deficiência de vitamina B12 se desenvolve em quatro a seis meses em bebês ou um a dois anos em adolescentes e adultos. Os veganos têm risco maior de deficiência de vitamina B12. A prescrição de medicamentos para a suplementação de ferro e vitamina B12 pode ser necessária nas dietas mais restritas. As dietas vegetarianas podem satisfazer as necessidades nutricionais de crescimento e desenvolvimento, porém precisam ser planejadas com atenção aos seguintes possíveis nutrientes limitantes: calorias (fonte de energia), proteínas, ferro, zinco, cálcio, vitamina D, vitamina B12 (cianocobalamina), ômega-3 de cadeia longa ácidos e fibra dietética. O risco de anemia é mais alto que nas dietas tradicionais. ___Relatora:Dra. Celia Martins CampanaroDepartamento Científico de Hematologia e Hemoterapia da SPSP. Publicado em 28/08/2019]]>

A anemia é muito frequente em crianças e adolescentes e tem como causa principal os déficits nutricionais. Atualmente, as dietas vegetarianas e veganas, assim como outras alternativas, têm se tornado mais habituais, especialmente na população mais jovem. Estima-se que 3% da população nos Estados Unidos seja vegetariana (sendo 8% dos adolescentes) e 1,5%, veganos.

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Vamos entender o que significa:
Vegetarianos: não ingerem carnes em geral.
Semi-vegetarianos: ingerem carne ocasionalmente (vermelha ou branca).
Pescetarianismo ou piscitarianismo: peixes e mariscos estão incluídos na dieta. Enquanto os vegetarianos-pescetarianos consomem leite e ovos, os veganos-pescetarianos excluem esses alimentos da dieta.
Ovolactovegetarianos: ovos, leite e produtos lácteos incluídos; sem nenhuma carne.
Lactovegetarianos: leite e produtos lácteos incluídos na dieta, sem ovos ou carne.
Macrobiótica: consomem grãos integrais, vegetais, legumes, algas marinhas e frutas cultivadas localmente. Nesse caso, carne branca ou peixe de carne branca são aceitos até duas vezes na semana.
Veganos: sem nenhum produto de origem animal. Além da preocupação com a dieta, é uma ideologia que procura excluir, na medida do possível e praticável, todas as formas de “exploração e crueldade” para com os animais, tanto para consumo alimentar (ovos, leite e derivados, mel etc.) quanto de produtos de vestimenta, adorno, entre outros.


As dietas restritivas podem satisfazer as necessidades nutricionais de crescimento e desenvolvimento, porém precisam ser planejadas com atenção


Efeitos gerais na saúde

Quanto mais restritiva for a dieta, maior o risco de inadequação alimentar. Os maiores riscos para a ingestão inadequada de nutrientes de uma dieta vegetariana ocorrem durante períodos de crescimento.

As dietas vegetarianas estão associadas a menor incidência de obesidade, doença coronariana, hipertensão e diabetes tipo 2. Estudos sugerem que a dieta lactovegetariana tem menores riscos para a saúde do que a vegana, porém não existem dados conclusivos sobre os benefícios e ameaças para crianças e adolescentes. Há dificuldade em analisar os dados, pois se misturam com estilos de vida, maior atividade física e redução de tabagismo e alcoolismo.

Atenção à deficiência de ferro e vitamina B12

As crianças que apresentam taxas de crescimento rápidas aumentam as necessidades de ferro, desenvolvendo problemas de falta desse mineral com ou sem anemia, com prevalência variável.

As consequências da deficiência de ferro incluem desde comprometimento do desenvolvimento cognitivo e motor, da capacidade de concentração, problemas comportamentais, cansaço, até alterações cardíacas em situações extremas. As preocupações sobre o consumo do ferro para crianças vegetarianas são baseadas nas diferenças entre ferro heme (carne) e ferro não heme (vegetais).  Isso porque o ferro não heme possui absorção comprometida por outros componentes da dieta (chás, fibras, leites).

A vitamina B12 (cobalamina) é encontrada apenas em alimentos de origem animal (carne, peixe, ovos e laticínios). Suas reservas são armazenadas principalmente no fígado e a sua deficiência acontece lentamente, o que justifica as manifestações clínicas pouco características iniciais. A deficiência de vitamina B12 se desenvolve em quatro a seis meses em bebês ou um a dois anos em adolescentes e adultos. Os veganos têm risco maior de deficiência de vitamina B12.

A prescrição de medicamentos para a suplementação de ferro e vitamina B12 pode ser necessária nas dietas mais restritas.

As dietas vegetarianas podem satisfazer as necessidades nutricionais de crescimento e desenvolvimento, porém precisam ser planejadas com atenção aos seguintes possíveis nutrientes limitantes: calorias (fonte de energia), proteínas, ferro, zinco, cálcio, vitamina D, vitamina B12 (cianocobalamina), ômega-3 de cadeia longa ácidos e fibra dietética. O risco de anemia é mais alto que nas dietas tradicionais.

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Relatora:
Dra. Celia Martins Campanaro
Departamento Científico de Hematologia e Hemoterapia da SPSP.

Publicado em 28/08/2019



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Vegetarianismo e veganismo: é possível para as crianças? https://spsp.org.br/vegetarianismo-e-veganismo-e-possivel-para-as-criancas/ Tue, 06 Mar 2018 18:20:14 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=1972 Em tempos em que as mídias sociais nos bombardeiam com propostas para a exclusão de alimentos ou nutrientes de nossa dieta e de nossos filhos, algumas verdades devem ser reconhecidas. Toda vez que retiramos um determinado grupo de alimentos da mesa, possivelmente perdemos a diversidade, qualidade e corremos riscos de deficiências nutricionais. Evidentemente que se há um problema clínico estabelecido, como uma alergia ou intolerância comprovada por diagnósticos corretos, a suspensão do alimento em questão será fator de correção do problema ou melhora clínica. No entanto, algumas questões aparecem quando a retirada de alimentos se dá por motivos filosóficos, religiosos ou por incorporação de conhecimentos de fontes duvidosas. Entre as principais correntes dessa vertente, estão os diferentes aspectos do vegetarianismo. Vegetarianismo e veganismo Primeiro, devemos lembrar que existem inúmeras formas de vegetarianismo, com a retirada apenas das carnes processadas ou de todas as carnes vermelhas, com a manutenção de lácteos e outras proteínas animais (ovo-lácteos), ou a retirada total dessas proteínas (vegetarianismos estritos). Já o veganismo também não aceita a utilização de produtos que tenham sido testados em animais ou com produção com práticas inaceitáveis para seus padrões. Existem trabalhos que mostram efeitos benéficos da retirada da carne e a adição de produtos vegetais no metabolismo cardiovascular, mas as deficiências nutricionais podem ser mais intensas quanto maior a retirada de fontes de cálcio e ferro. Um dos aspectos importantes das dietas de restrição (que paradoxalmente buscam o equilíbrio) seria o desequilíbrio de ingestão de alguns produtos essenciais. Vários trabalhos mostram que a restrição total de proteína animal e suplementos pode levar a alterações do crescimento e cognitivas. A dieta macrobiótica, de origem oriental, incorpora grãos e cereais em uma mistura visando o equilíbrio entre o yin e o yang com diferentes níveis de restrição, desde uma retirada parcial ou uso ponderado de alguns alimentos, até dietas com o uso apenas do arroz integral. Portanto, em fases iniciais, com a retirada de alimentos yin (sucos, café, chá, mel e açúcar) e yang (sal, carnes vermelhas) e os chamados intermediários (frutas, verduras, lácteos queijos e carnes brancas), que podem ser consumidos de acordo com a época do ano e em quantidades estabelecidas, podem ser padrões filosóficos e dietéticos relativamente seguros para serem seguidos. Mas, a partir da retirada total de fontes dietéticas, o risco de doenças aumenta de forma intensa, podendo levar a desnutrição e morte. Assim, novamente, uma dieta que busca o equilíbrio pode levar a uma total condição de risco nutricional. A importância do equilíbrio As dietas vegetarianas podem oferecer benefícios pela utilização de frutas, legumes, verduras, fibras e grãos integrais, reduzindo o aporte de gordura saturada. No entanto, a retirada total de alimentos proteicos animais praticamente impossibilita o equilíbrio de alguns minerais e vitaminas, como o ferro, zinco, cobre e vitaminas do complexo B, especialmente em crianças em crescimento e desenvolvimento. Quanto maior a restrição e quanto mais precoce e por maior tempo, maiores as repercussões para o crescimento, desenvolvimento e potencial deficiência nutricional. Se houver uma possibilidade de diálogo com os pais, o pediatra deve comentar cada um desses aspectos e orientar para que a restrição, se inevitável, seja deixada para um período posterior. Pediatras e nutricionistas especializados podem orientar uma dieta alternativa de substituição em casos de menor restrição, mas ficam obrigados a demonstrar os altos riscos da retirada total de grupos de alimentos, especialmente em crianças e adolescentes. A busca pela saúde permite uma ampla discussão de condutas e de seus custos e benefícios. Mas parte principalmente da análise de riscos para os pacientes. ___ Relator: Dr. Mauro Fisberg Departamento Científico de Nutrição da SPSP. Publicado em 6/03/2018. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

Em tempos em que as mídias sociais nos bombardeiam com propostas para a exclusão de alimentos ou nutrientes de nossa dieta e de nossos filhos, algumas verdades devem ser reconhecidas. Toda vez que retiramos um determinado grupo de alimentos da mesa, possivelmente perdemos a diversidade, qualidade e corremos riscos de deficiências nutricionais.

Evidentemente que se há um problema clínico estabelecido, como uma alergia ou intolerância comprovada por diagnósticos corretos, a suspensão do alimento em questão será fator de correção do problema ou melhora clínica. No entanto, algumas questões aparecem quando a retirada de alimentos se dá por motivos filosóficos, religiosos ou por incorporação de conhecimentos de fontes duvidosas. Entre as principais correntes dessa vertente, estão os diferentes aspectos do vegetarianismo.

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Vegetarianismo e veganismo

Primeiro, devemos lembrar que existem inúmeras formas de vegetarianismo, com a retirada apenas das carnes processadas ou de todas as carnes vermelhas, com a manutenção de lácteos e outras proteínas animais (ovo-lácteos), ou a retirada total dessas proteínas (vegetarianismos estritos). Já o veganismo também não aceita a utilização de produtos que tenham sido testados em animais ou com produção com práticas inaceitáveis para seus padrões.

Existem trabalhos que mostram efeitos benéficos da retirada da carne e a adição de produtos vegetais no metabolismo cardiovascular, mas as deficiências nutricionais podem ser mais intensas quanto maior a retirada de fontes de cálcio e ferro. Um dos aspectos importantes das dietas de restrição (que paradoxalmente buscam o equilíbrio) seria o desequilíbrio de ingestão de alguns produtos essenciais. Vários trabalhos mostram que a restrição total de proteína animal e suplementos pode levar a alterações do crescimento e cognitivas.

A dieta macrobiótica, de origem oriental, incorpora grãos e cereais em uma mistura visando o equilíbrio entre o yin e o yang com diferentes níveis de restrição, desde uma retirada parcial ou uso ponderado de alguns alimentos, até dietas com o uso apenas do arroz integral.

Portanto, em fases iniciais, com a retirada de alimentos yin (sucos, café, chá, mel e açúcar) e yang (sal, carnes vermelhas) e os chamados intermediários (frutas, verduras, lácteos queijos e carnes brancas), que podem ser consumidos de acordo com a época do ano e em quantidades estabelecidas, podem ser padrões filosóficos e dietéticos relativamente seguros para serem seguidos. Mas, a partir da retirada total de fontes dietéticas, o risco de doenças aumenta de forma intensa, podendo levar a desnutrição e morte. Assim, novamente, uma dieta que busca o equilíbrio pode levar a uma total condição de risco nutricional.

A importância do equilíbrio

As dietas vegetarianas podem oferecer benefícios pela utilização de frutas, legumes, verduras, fibras e grãos integrais, reduzindo o aporte de gordura saturada. No entanto, a retirada total de alimentos proteicos animais praticamente impossibilita o equilíbrio de alguns minerais e vitaminas, como o ferro, zinco, cobre e vitaminas do complexo B, especialmente em crianças em crescimento e desenvolvimento. Quanto maior a restrição e quanto mais precoce e por maior tempo, maiores as repercussões para o crescimento, desenvolvimento e potencial deficiência nutricional.

Se houver uma possibilidade de diálogo com os pais, o pediatra deve comentar cada um desses aspectos e orientar para que a restrição, se inevitável, seja deixada para um período posterior. Pediatras e nutricionistas especializados podem orientar uma dieta alternativa de substituição em casos de menor restrição, mas ficam obrigados a demonstrar os altos riscos da retirada total de grupos de alimentos, especialmente em crianças e adolescentes.

A busca pela saúde permite uma ampla discussão de condutas e de seus custos e benefícios. Mas parte principalmente da análise de riscos para os pacientes.

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Relator:
Dr. Mauro Fisberg

Departamento Científico de Nutrição da SPSP.

Publicado em 6/03/2018.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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