Vacinas – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 10 Jun 2026 15:46:05 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Vacinas – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Celebrar conquistas, combater a desinformação e proteger o futuro https://spsp.org.br/celebrar-conquistas-combater-a-desinformacao-e-proteger-o-futuro/ Tue, 09 Jun 2026 15:30:44 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57328 Relatores Tim MüllerPediatra Alergista e ImunologistaMembro do Departamento Científico de Imunizações da SPSPPresidente do Departamento Científico de Alergia e Imunologia da SPSP Renato KfouriPediatra InfectologistaMembro da Câmara Técnica Assessora do Programa Nacional de ImunizaçõesPresidente do Departamento Científico de Imunizações da SPSP]]>

O Dia da Imunização, celebrado em 9 de junho, nos convida a recordar uma das maiores conquistas da Medicina e da Saúde Pública: as vacinas. Mas essa data também traz um alerta importante. Muitas doenças que hoje parecem distantes deixaram de fazer parte do cotidiano de muitas famílias porque gerações inteiras foram vacinadas. Quando o número de vacinados cai, essas doenças podem retornar.

A história da vacinação começou há mais de dois séculos, com a vacina contra a varíola. Edward Jenner desenvolveu essa vacina no final do século XVIII. A partir daí, a ciência iniciou uma revolução silenciosa. O objetivo era prevenir doenças antes que causassem sofrimento, sequelas e mortes.

No Brasil, a vacinação contra a varíola foi uma das primeiras grandes experiências de imunização em massa. Com o passar do tempo, o país criou instituições fundamentais para a produção e distribuição de vacinas, como a Fiocruz/Bio-Manguinhos e o Instituto Butantan. Essas instituições ainda desempenham um papel essencial na saúde pública brasileira.

Um dos maiores marcos dessa trajetória foi a criação do Programa Nacional de Imunizações (PNI) em 1973. Desde então, o Brasil construiu um dos maiores programas públicos de vacinação do mundo, oferecendo vacinas gratuitamente pelo SUS para crianças, adolescentes, gestantes, adultos, idosos e grupos com necessidades especiais. Esse é um patrimônio da população brasileira: um programa que garante que vacinas gratuitas, seguras e eficazes cheguem a milhões de pessoas em todas as regiões do país.

O calendário de vacinação vem mudando muito ao longo das décadas. Antes, havia poucas vacinas disponíveis; agora, temos proteção contra várias doenças graves. Além do calendário do PNI, que define as vacinas oferecidas gratuitamente na rede pública, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) oferecem informações para médicos e famílias, incluindo recomendações complementares com base em idade, condições de saúde, riscos individuais e disponibilidade de vacinas na rede privada.

É muito comum que algumas famílias tenham dúvidas diante de tanta informação. O calendário vacinal atual inclui mais vacinas do que no passado, mas isso não sobrecarrega o sistema imunológico. Pelo contrário, todos os dias, desde o nascimento, as crianças entram em contato com milhares de micro-organismos e partículas do ambiente. As vacinas apresentam apenas pequenas partes dos agentes infecciosos ou versões enfraquecidas ou inativadas deles, suficientes para ensinar o corpo a se defender. Estudos mostram que receber mais de uma vacina ao mesmo tempo é seguro e não causa problemas ou “enfraquece” a imunidade.

Um exemplo recente de avanço é a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), recomendada para gestantes. O VSR é uma das principais causas de bronquiolite e internação em bebês pequenos. Ao vacinar a gestante, transferimos anticorpos para o bebê durante a gestação, oferecendo proteção nos primeiros meses de vida, quando ele é mais vulnerável. Essa conquista mostra que a vacinação continua evoluindo para responder a problemas reais na pediatria.

Quando falamos de vacinas, devemos lembrar de doenças que muitos pais e mães jovens quase não conhecem mais. A poliomielite, por exemplo, podia causar paralisia permanente. O tétano pode surgir a partir de ferimentos e continua sendo uma doença grave. A difteria, hoje rara, pode comprometer a respiração e causar complicações severas. Essas doenças não desapareceram porque ficaram “fracas” ou porque simplesmente deixaram de existir; elas foram controladas porque a vacinação funcionou.

As vacinas também são essenciais no combate a epidemias e pandemias. Elas reduzem casos graves, internações e mortes, além de proteger os serviços de saúde contra sobrecarga. A experiência recente com a Covid-19 lembrou ao mundo que a ciência, a vigilância em saúde e a vacinação são ferramentas indispensáveis para responder a emergências sanitárias.

Outro ponto importante é entender que a vacinação não é apenas uma decisão individual. Quando uma pessoa se vacina, ela também contribui para proteger quem está ao seu redor: bebês que ainda não têm idade para receber algumas vacinas, pessoas com imunidade baixa, idosos e pacientes com doenças crônicas. Por isso, manter altas taxas de vacinação é um compromisso coletivo. O Ministério da Saúde considera a vacinação uma das estratégias mais eficazes para preservar a saúde da população e reduzir a disseminação de doenças infecciosas na comunidade.

Ao mesmo tempo, vivemos uma época em que informações falsas circulam rapidamente. Fake news sobre vacinas podem parecer convincentes, especialmente quando exploram o medo dos pais. Muitas vezes distorcem dados, ignoram evidências ou atribuem às vacinas problemas que não têm relação com elas. A hesitação vacinal deve ser recebida com escuta, orientação clara e informação confiável. Em caso de dúvida, a família deve conversar com o pediatra e buscar fontes reconhecidas, como sociedades científicas, o Ministério da Saúde e serviços de vacinação.

No Brasil, poucas imagens representam tão bem essa história quanto o Zé Gotinha. Criado em 1986, ele se tornou símbolo da vacinação infantil, ajudando a conectar as campanhas às crianças e suas famílias. Em 2026, o Zé Gotinha completará 40 anos, lembrando que uma comunicação clara, afetiva e confiável também faz parte da Saúde Pública.

Neste Dia da Imunização, a principal mensagem é simples: “Vacinas salvam vidas!” Vacinar é proteger. Proteger a criança, a família, a comunidade e as futuras gerações. Aproveitem a data para conferir a caderneta de vacinação de toda a família e atualizar as doses pendentes – de crianças, adolescentes, gestantes, adultos e idosos. Em caso de dúvida, procurem um médico da sua confiança.

As vacinas são vítimas do seu próprio sucesso: quando funcionam bem, tornam as doenças invisíveis. Mas é por isso que precisamos continuar vacinando. Celebrar a imunização é reconhecer o passado, combater a desinformação, cuidar do presente e proteger o futuro.

Relatores

Tim Müller
Pediatra Alergista e Imunologista
Membro do Departamento Científico de Imunizações da SPSP
Presidente do Departamento Científico de Alergia e Imunologia da SPSP

Renato Kfouri
Pediatra Infectologista
Membro da Câmara Técnica Assessora do Programa Nacional de Imunizações
Presidente do Departamento Científico de Imunizações da SPSP

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Prevenção com vacinas e reconhecimento precoce salvam vidas https://spsp.org.br/prevencao-com-vacinas-e-reconhecimento-precoce-salvam-vidas/ Fri, 24 Apr 2026 11:39:53 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=56533 No Dia Mundial de Combate à Meningite, celebrado em 24 de abril, a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) reforça a urgência de conscientizar famílias sobre]]>

No Dia Mundial de Combate à Meningite, celebrado em 24 de abril, a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) reforça a urgência de conscientizar famílias sobre essa doença grave. A meningite é uma inflamação das meninges, as membranas que protegem o cérebro e a medula espinhal, causada principalmente por bactérias, vírus ou fungos. No Brasil, os dados do Informe Meningites – 2ª edição (novembro/2025) do Ministério da Saúde revelam um cenário alarmante no primeiro semestre de 2025: 6.169 casos confirmados, com 781 óbitos e letalidade de 12,7%. Desses, as meningites bacterianas somaram 2.643 casos e 537 mortes (letalidade de 20,3%), destacando a necessidade de ação imediata.

Entre as meningites bacterianas, a doença meningocócica foi responsável por 486 casos e 96 óbitos (letalidade 19,8%). Os sorogrupos mais frequentes foram B (146 casos) e C (90 casos), afetando especialmente crianças menores de 5 anos – incidência de 12,29/100 mil em < 1 ano e 2,05/100 mil em 1-4 anos. A meningite pneumocócica registrou 714 casos e 202 óbitos (letalidade 28,3%), enquanto a por Haemophilus influenzae teve 78 casos e 13 óbitos (16,7%). Esses números mostram que apesar das quedas históricas de casos graças às vacinas, a doença persiste, com maior impacto entre as crianças.

A boa notícia é a prevenção eficaz pelas vacinas. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda, em seu Calendário Nacional de Vacinação, a vacinação ampliada para a doença meningocócica com as vacinas MenACWY e MenB, contra doenças pneumocócicas (incluindo as meningites) com as vacinas VPC20 ou VPC15, e para Haemophilus influenzae tipo b (Hib) com as vacinas combinadas pentavalente ou hexavalente na primeira infância. Essas vacinas reduziram drasticamente a incidência das meningites desde 2010, como evidenciado na série histórica do informe, salvando milhares de vidas e prevenindo sequelas como surdez, amputações e déficits neurológicos.

Para famílias, reconhecer os sinais precocemente é crucial. Procurar atendimento imediato se a criança apresentar febre alta persistente, rigidez de nuca, fotofobia (desconforto intenso com a luz), irritabilidade extrema, vômitos em jato, manchas roxas na pele (petéquias/púrpura) e/ou convulsões. Em bebês, observar fontanela (conhecida como moleira) abaulada, choro inconsolável ou letargia (criança fica mole, sonolenta). A detecção em até 24 horas pode reduzir a letalidade de 20% para níveis muito menores, conforme indicadores de vigilância do informe (97,6% dos casos investigados em 48 h).

O que fazer? Levar a criança ao pronto-socorro mais próximo ou ligar para o SAMU (192). Não esperar: a meningite progride rapidamente. Antibióticos intravenosos e suporte intensivo são essenciais. A ação da vigilância epidemiológica para realizar a quimioprofilaxia para contatos domiciliares previne surtos e é por isso que a notificação dessa doença é compulsória e imediata.

Globalmente, a iniciativa Defeating Meningitis by 2030 (Derrotando as Meningites até 2030), da Organização Mundial da Saúde e parceiros, visa eliminar meningites epidêmicas, reduzir casos em 50% e óbitos em 70% até 2030. No Brasil, ações incluem fortalecimento da vigilância (38,7% foram confirmados laboratorialmente em 2025), ampliação de coberturas vacinais e educação comunitária. A SPSP apoia essas metas, promovendo imunizações em dia e conscientização para uma sociedade livre de meningites.

Famílias: verificar a Carteira de Vacinação no posto de saúde ou no app Conecte SUS ou em um serviço de imunização privado. Estejam com as vacinas em dia e ensinem os sinais da doença aos avós e cuidadores das crianças. Juntos, podemos combater sequelas e óbitos – em 2025, crianças abaixo de um ano tiveram uma letalidade de 14,6%, mas as vacinas podem zerar isso!

A SPSP parabeniza todos os profissionais de saúde pela vigilância e assistência aprimoradas e convoca: previna, reconheça, atue. Uma infância saudável começa com a vacinação em dia.

 

Relatora:
Melissa Palmieri
Secretária do Departamento Científico de Imunizações da SPSP

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O desafio das coberturas vacinais e o fenômeno da hesitação https://spsp.org.br/o-desafio-das-coberturas-vacinais-e-o-fenomeno-da-hesitacao/ Mon, 09 Jun 2025 10:30:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51618 Introdução O Dia Nacional da Imunização é celebrado em 9 de junho, tendo por objetivo conscientizar a população sobre a importância da vacinação para a prevenção de doen]]>

Introdução

O Dia Nacional da Imunização é celebrado em 9 de junho, tendo por objetivo conscientizar a população sobre a importância da vacinação para a prevenção de doenças e a proteção da saúde individual e coletiva. A queda nas taxas de coberturas vacinais (CV) na infância traz enormes preocupações para todos os países, com risco de retorno de doenças já controladas e eliminadas, como o sarampo, a difteria e até a poliomielite.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que dados oficiais apontaram que 23 milhões de crianças não receberam as vacinas básicas por meio dos serviços de vacinação de rotina em 2020, representando 3,7 milhões a mais do que em 2019-20. Outro aspecto a ser considerado é a heterogeneidade das CV nos mais de 5.500 municípios do Brasil. Bolsões de baixas coberturas não favorecem o controle das doenças. A homogeneidade de coberturas para os anos de 2015 a 2018 foi baixa em todo o período, com tendência decrescente para cada vacina. Somam-se a esses fatores os desafios de uma vacinação oportuna, ou seja, que as vacinas sejam aplicadas nas idades preconizadas sem atrasos e sem interrupções do esquema vacinal.1

 

Possíveis causas para a queda das coberturas vacinais

A redução nas taxas de vacinação tem sido atribuída a diversos fatores, que em um país continental como o Brasil deve ser compreendida em suas diferentes regiões e particularidades; entretanto, destacam-se como as principais razões: perda de percepção de risco para doenças que já não fazem mais parte de nossa rotina, desabastecimento frequente de algumas vacinas, horários de funcionamento dos postos de saúde que não atendem mais às necessidades de famílias que trabalham, a própria complexidade do calendário vacinal, com grande número de visitas necessárias para seu adequado cumprimento, entre outros. Além do surgimento de grupos antivacinas, que disseminam notícias falsas sobre a segurança e a efetividade dos imunizantes.2

Principais causas das baixas coberturas vacinais no Brasil:

  • Crenças em práticas alternativas de saúde e em falsas contraindicações.
  • Controle eficiente das doenças imunopreveníveis, que promove uma falsa sensação de segurança e desestimula a procura pela vacinação.
  • Medo dos eventos adversos.
  • Oportunidades perdidas de vacinação.
  • Problemas relacionados ao abastecimento de algumas vacinas.
  • Percepção equivocada de parte da população de que as doenças desapareceram.
  • Desconhecimento sobre quais vacinas fazem parte do calendário de vacinação.
  • Receio de que o número elevado de vacinas “sobrecarregue” o sistema imunológico.
  • Falta de tempo dos pais para levar as crianças aos postos de vacinação.
  • Notícias disseminadas pelas redes sociais e outros meios de comunicação capazes de promover a perda da credibilidade nas vacinas e mesmo notícias falsas sobre vacinação (fake news).

 

Coberturas vacinais na pandemia da Covid-19

As taxas de CV, que já vinham em queda, tiveram forte impacto negativo com a pandemia da Covid-19. As atenções e a sobrecarga do sistema de saúde voltadas à pandemia, e também o receio da população em frequentar serviços de vacinação, foram determinantes para que a procura pela vacinação fosse deixada em segundo plano.3 A análise dos dados evidenciou, em 2020, um decréscimo nos índices de CV para todas as vacinas do calendário infantil na vigência da pandemia, comparado ao ano imediatamente anterior, embora as CV para a vacina pentavalente tenham sido incrementadas em função do desabastecimento da vacina no ano anterior.

As coberturas vacinais (CV) no Brasil para as vacinas do calendário da criança vêm se elevando nos últimos anos, com recuperação para quase todas elas. Em nosso país, o Programa Nacional de Imunizações (PNI), em seus quase 50 anos de existência, tornou-se modelo, com constantes incorporações de novas vacinas, grande capilaridade, dinamismo, gratuidade e grande credibilidade e confiança conquistadas desde sua criação.4,5

O PNI foi criado em 1973, abrindo uma nova etapa na história das políticas de Saúde Pública no campo da prevenção, ano em que foi declarada a erradicação da varíola nas Américas, por ocasião da 22ª Reunião do Conselho Diretor da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS).7

O envolvimento das três esferas da gestão, no planejamento, capacitação, infraestrutura e logística foi capaz de permitir que na linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS) chegassem vacinas de qualidade, o que gerou credibilidade por parte população.4,5

O PNI, com suas mais de 38 mil salas de vacinas, distribuídas por todo o país, foi responsável pela erradicação da varíola, contribuiu para a eliminação da poliomielite, a interrupção da transmissão do sarampo e da rubéola, a eliminação do tétano materno-neonatal, a redução da incidência de difteria, coqueluche, meningite causada por H. influenzae tipo b, tétano, tuberculose em menores de 15 anos de idade, além da redução significativa nas taxas de mortalidade infantil no Brasil.8

O esquema vacinal da criança inclui hoje, no PNI, 13 vacinas contra 19 diferentes doenças, segundo o calendário proposto pelo Ministério da Saúde (Tabela 1).7

 

Tabela 1. Vacinas disponibilizadas pelo PNI para crianças nos dois primeiros anos de vida, Brasil 2022

Hesitação vacinal

A hesitação vacinal refere-se à demora em aceitar ou à recusa das vacinas, apesar da disponibilidade nos serviços de vacinação. É um fenômeno complexo e específico em seu contexto, variando ao longo do tempo, lugar e vacinas. Com a pandemia da Covid-19, veio a infodemia, definida como uma epidemia de informações precisas ou imprecisas, que se disseminam de forma rápida e abrangente, como uma doença digitalmente transmissível. À medida que fatos, rumores e medos se misturam e se dispersam, torna-se difícil para as pessoas encontrarem fontes e orientações confiáveis quando precisam.

Os riscos da desinformação para os programas de vacinação nunca foram tão elevados, assim como o risco de reemergência de doenças imunopreveníveis. A atitude dos médicos e de outros profissionais de saúde em relação à vacinação influencia seus pacientes e afeta a decisão da população em se vacinar. A recomendação médica foi e continua sendo importante fator de adesão da população à vacinação.

 

Conclusões

A recuperação de elevadas e homogêneas CV é crucial para a manutenção do controle e eliminação de diversas doenças imunopreveníveis. As conquistas obtidas pelos extensos programas de vacinação são marcos fundamentais da saúde pública. A pandemia da Covid-19 agravou a situação da queda nas taxas de vacinação e todos os esforços para a sua recuperação devem ser realizados.

São urgentes no país as ações para aumentar a imunização infantil e sustentá-la em um patamar elevado, sendo fundamental a participação de todos os profissionais da saúde em avaliar, na sua prática diária, a situação vacinal de todo indivíduo, estimulando e fomentando o conhecimento sobre vacinas, aumentando a adesão de todos aos programas de vacinação. O combate à desinformação é ferramenta crucial na recuperação da confiança da população nas vacinas.

 

Saiba mais:

  1. Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Pandemia de covid-19 leva a grande retrocesso na vacinação infantil, mostram novos dados da OMS e UNICEF. Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/comunicados-de-imprensa/pandemia-de-covid-19-alimenta-o-maior-retrocesso-continuo-nas-vacinacoes-em-tres-decadas. Acesso em setembro 2022.
  2. Domingues CMAS, Maranhão AGK, Teixeira AM, Fantinato FFS, Domingues RAS. 46º ano do Programa Nacional de Imunizações: uma história repleta de conquistas e desafios a serem superados. Cad Saúde Pública. 2020;36(2):e00222919.
  3. Teixeira AMS et al. Desafios das coberturas vacinais de rotina em tempos de pandemia: como enfrentar? In: Kfouri RA, Guido L. Controvérsias em Imunizações, 2021.
  4. Conselho Nacional de Secretária de Saúde. A queda na Imunização no Brasil. Rev Consensus/Saúde em Foco. 2017;25. Disponível em: https//conass.org.br. Acesso em: setembro 2022.
  5. Ministério da Saúde. Programa Nacional de Imunizações. 2003. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/ bvs/publicacoes/programa_nacional_imunizacoes. Acesso em: setembro 2022.
  6. Sato APS. Pandemia e coberturas vacinais: desafios para o retorno às escolas. Rev Saúde Pública. 2020;54:115.
  7. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Programa Nacional de Imunizações (PNI): 40 anos. 2013. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/ bvs/publicacoes/programa_nacional_imunizacoes_pni40.pdf.
  8. Braz RM, Teixeira AMS, Domingues CMAS. O Programa Nacional de Imunizações e a cobertura vacinal: histórico e desafios atuais. In: Barbieri CLA, Martins LC, Pamplona YAP. Imunização e cobertura vacinal: passado, presente e futuro. Santos, Editora Universitária Leopoldianum, 2021.
  9. Ministério da Saúde. Calendário Nacional de Vacinação. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/calendario-de-vacinacao. Acesso em setembro 2022.

 

Relator:
Renato de Ávila Kfouri
Pediatra Infectologista
Presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Vice-Presidente do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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23º CONGRESSO BRASILEIRO DE INFECTOLOGIA PEDIÁTRICA E 18º SIMPÓSIO BRASILEIRO DE VACINAS – 2025 https://spsp.org.br/23o-congresso-brasileiro-de-infectologia-pediatrica-e-18o-simposio-brasileiro-de-vacinas/ Wed, 30 Apr 2025 11:17:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48876 Realizado: 30 de abril a 3 de maio de 2025 Local: Novotel São Paulo Center Norte – Avenida Zaki Narchi, 500 – São Paulo – SP Promoção e Realização:  Sociedade Brasileira de Pediatria e Sociedade de Pediatria de São Paulo Mais Informações: https://www.sbp.com.br/especiais/eventos/23-congresso-brasileiro-de-infectologia-pediatrica/]]>

Realizado: 30 de abril a 3 de maio de 2025

Local: Novotel São Paulo Center Norte – Avenida Zaki Narchi, 500 – São Paulo – SP

Promoção e Realização:  Sociedade Brasileira de Pediatria e Sociedade de Pediatria de São Paulo

Mais Informações: https://www.sbp.com.br/especiais/eventos/23-congresso-brasileiro-de-infectologia-pediatrica/

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Desafios no combate às Doenças Tropicais Negligenciadas https://spsp.org.br/desafios-no-combate-as-doencas-tropicais-negligenciadas/ Thu, 30 Jan 2025 18:17:05 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=49997 O Dia Internacional das Doenças Tropicais Negligenciadas é comemorado em 30 de janeiro de cada ano. Essa data foi escolhida para chamar a atenção para essas doenças, que afetam]]>

O Dia Internacional das Doenças Tropicais Negligenciadas é comemorado em 30 de janeiro de cada ano. Essa data foi escolhida para chamar a atenção para essas doenças, que afetam mais de 1,7 bilhão de pessoas em todo o mundo, principalmente em áreas pobres e marginalizadas. Essas doenças atingem desproporcionalmente populações vulneráveis e são consideradas “negligenciadas” porque recebem menos atenção e recursos para pesquisa, prevenção e tratamento, em comparação com outras doenças globais. As Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs) são um grupo diversificado de condições que incluem doenças como a malária, a dengue, a leishmaniose, a esquistossomose, a raiva humana transmitida por cães, entre outras.

 Entre as principais estão:

  1. Doença de Chagas – Causada pelo parasita Trypanosoma cruzi. Transmitida pelo inseto chamado barbeiro, transfusão de sangue, transplante de órgãos ou de mãe para filho durante a gravidez. Pode levar a problemas cardíacos e digestórios (na fase crônica).
  2. Dengue – Talvez a mais frequente neste momento. Causada pelo vírus da dengue e transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.
  3. Leishmaniose – Transmitida por picada do mosquito-palha. Manifesta-se na forma cutânea (feridas na pele) e na visceral, que afeta órgãos internos, conhecida como calazar.
  4. Esquistossomose -Transmitida por contato com água doce contaminada. Principais sintomas são febre, dor abdominal, diarreia e, em casos crônicos, danos ao fígado e baço.
  5. Hanseníase (Lepra) – Causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Transmitida por contato prolongado com pessoas infectadas. Os sintomas são lesões na pele, danos aos nervos e perda de sensibilidade. Ainda é uma realidade em nosso meio.
  6. Geo-helmintíases (Verminoses) – Causadas por vermes intestinais (ex.: Ascaris lumbricoides, Ancylostoma duodenale). A transmissão ocorre por ingestão de ovos ou larvas em solo ou água contaminados.

Os principais desafios no combate às Doenças Tropicais Negligenciadas são:

  1. Falta de investimento: Poucos recursos são destinados à pesquisa e desenvolvimento de tratamentos.
  2. Acesso limitado aos serviços de saúde: populações afetadas muitas vezes vivem em áreas remotas.
  3. Condições socioeconômicas: pobreza, falta de saneamento e educação dificultam a prevenção.
  4. Estigma social: algumas DTNs, como a hanseníase, são associadas a preconceitos. As principais estratégias de controle são:
  5. Medicamentos e Vacinas: distribuição de medicamentos em massa e desenvolvimento de vacinas, que pode ser muito lento, devido ao baixo interesse econômico nestas doenças.
  6. Melhoria do saneamento: principalmente por meio do acesso à água potável e esgoto tratado.
  7. Educação em saúde: importante a conscientização sobre prevenção e tratamento.
  8. Controle de vetores: uso de inseticidas, mosquiteiros e eliminação de criadouros.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras organizações internacionais estão trabalhando para combater essas doenças e melhorar a saúde das populações afetadas. Uma das estratégias é promover a prevenção e o controle das DTNs através da melhoria do acesso à água potável, ao saneamento e à higiene, além de promover a educação e a conscientização sobre essas doenças.

Relator:
Eitan Berezin
Presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Feliz ano da vacinação (porque não é um só dia de vacinação)! https://spsp.org.br/feliz-ano-da-vacinacao-porque-nao-e-um-so-dia-de-vacinacao/ Thu, 17 Oct 2024 17:29:21 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48525 Feliz Dia Nacional da Vacinação! Mas o dia da vacinação não é só em 17/10, mas cada dia do ano todo! Tinha época em que nós brasileiros podíamos encher a boca quando falávamos isso]]>

Feliz Dia Nacional da Vacinação! Mas o dia da vacinação não é só em 17/10, mas cada dia do ano todo!

Tinha época em que nós brasileiros podíamos encher a boca quando falávamos isso!

E o que aconteceu? Será que esquecemos das antigas epidemias, como a gripe espanhola? Os mais jovens já perguntaram para seus pais ou avós como era quando tínhamos um número absurdo de internações por sarampo? Ou catapora? Alguém se lembra das grandes epidemias de meningite? Ou febre amarela? Ou as crianças que nasciam com diversas malformações por rubéola congênita?

Talvez tenhamos nos desacostumado com tais infecções (graças a Deus!), mas não lembramos mais por uma razão maior do que todas, maior do que todos os médicos que atendiam essas doenças: as vacinas!

Sim. As vacinas foram essenciais para reduzir diversas doenças que levaram tantas pessoas do nosso convívio.

Hoje é um dia em que devemos celebrar esse avanço.

Para quem não sabe, as vacinas induzem os nossos organismos a produzirem uma resposta imunológica contra todas essas doenças. Essa resposta pode ser maior ou menor, dependendo do agente infeccioso, da resposta imune de cada indivíduo e da eficácia vacinal.

Todas as vacinas passam por diversos estudos (os tais estudos pivotais), para determinar eventuais riscos que possam promover, e a resposta imune que determinam no indivíduo. Elas só serão aprovadas após esses estudos, que são muito bem conduzidos. E esses estudos são analisados por vários especialistas para que a aprovação ocorra, além das agências de cada país onde elas serão incorporadas nos programas de vacinação. São passos cada vez mais rigorosos e cada vez mais bem avaliados. É lógico que a proteção determinada por cada vacina nunca será de 100%. Entretanto, elas permitirão uma redução drástica do impacto da doença na sociedade. E aqui vem uma primeira máxima da vacinação: “as vacinas são um bem acima de tudo para a sociedade! Não só para um indivíduo!”

Há indivíduos que, por diversos fatores, podem não responder a uma vacina (por exemplo, indivíduos com câncer), e por isso nessa hora recomendamos as vacinas também para aquelas pessoas que têm contato mais próximo com essas pessoas, como uma forma de cercá-las da proteção vacinal para essas doenças.

Por falar em câncer, temos vacinas que protegem contra alguns dos cânceres mais frequentes entre nós, como o câncer de colo uterino. E, infelizmente, vemos tantos adolescentes que não fazem a vacina, e terão um risco aumentado dessas diversas neoplasias no futuro por causa disso.

Hoje vivemos um momento de recusa vacinal… Difícil entender por quê. Meus colegas e eu temos vivenciado diversas crianças internadas, por exemplo, devido à covid-19. A quase totalidade delas sem a vacina. Vemos como a cobertura vacinal dessas crianças está ruim.

Então hoje, nesse dia especial (!!!), vamos nos lembrar quanto importante é a vacinação para todos nós, crianças, adolescentes, adultos e idosos! Não deixemos de nos vacinar e vacinar aqueles que dependem de nós! Não queremos nos arrepender no futuro por não termos feito isso!

Feliz Dia Nacional da Vacinação!

 

Relator:
Marcelo Otsuka
Vice-Presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia da Vacina BCG: Importância e História https://spsp.org.br/dia-da-vacina-bcg-importancia-e-historia/ Tue, 02 Jul 2024 19:17:41 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=46867 O Dia da Vacina BCG (Bacillus Calmette-Guérin) é celebrado anualmente em 1º de julho, destacando sua relevância na prevenção das formas graves da tuberculose. Desenvolvida em 1921]]>

O Dia da Vacina BCG (Bacillus Calmette-Guérin) é celebrado anualmente em 1º de julho, destacando sua relevância na prevenção das formas graves da tuberculose. Desenvolvida em 1921 pelos cientistas Albert Calmette e Camille Guérin, a BCG é uma das vacinas mais antigas ainda em uso e é fundamental na luta contra a tuberculose, uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch. A tuberculose é transmitida por via respiratória e afeta principalmente os pulmões, mas pode acometer outros órgãos, resultando em formas graves.

A vacina BCG é administrada principalmente em recém-nascidos em países onde a tuberculose é endêmica. Ela é eficaz na proteção contra formas graves da doença, como a tuberculose miliar e a meningite tuberculosa em crianças, proporcionando cerca de 82% de proteção contra a tuberculose grave. Embora não ofereça proteção completa contra todas as formas da doença, a BCG desempenha um papel crucial na redução da mortalidade infantil e na prevenção de complicações severas. No Brasil, a BCG foi incluída no Calendário Básico de Vacinação em 1977 e é recomendada ao nascimento ou nos primeiros 30 dias de vida, sendo aplicada via intradérmica no braço direito.

Após a aplicação, é comum que o local da injeção apresente vermelhidão e uma pequena ferida, que pode demorar até três meses para cicatrizar. Cuidados pós-vacinação incluem lavar o local com água e sabão e evitar coçar a área. Cerca de 90% das pessoas desenvolvem uma reação no local da injeção, mas 10% não apresentam alterações. A cicatriz resultante não garante proteção e a revacinação não é recomendada pela Organização Mundial da Saúde desde 2018. Pacientes com imunodeficiências graves não devem receber a BCG, e a triagem neonatal é aconselhada em casos de histórico familiar de imunodeficiências.

Lembrar deste dia visa aumentar a conscientização sobre a importância da vacinação, promover a continuidade dos programas de imunização e incentivar pesquisas para o desenvolvimento de vacinas mais eficazes contra a tuberculose. Além disso, a data serve como um lembrete da necessidade de esforços contínuos para erradicar a tuberculose globalmente. No Brasil, onde ocorrem cerca de 70 mil novos casos de tuberculose e 4,5 mil mortes anuais, a vacina BCG continua sendo a única forma de proteção contra formas graves da doença em crianças.

Nosso principal objetivo é de oferecer às crianças a oportunidade de se protegerem contra uma doença extremamente grave, que pode deixar muitas sequelas e até levar à morte. 

 Vacinas salvam vidas!

 

Saiba mais:


  1. Organização Mundial da Saúde. BCG Vaccine: WHO Position Paper. Disponível em: [https://www.who.int/publications/i/item/WHO-wer9308-2018](https://www.who.int/publications/i/item/WHO-wer9308-2018). Acesso em: 30 de junho de 2024.
    2. Ministério da Saúde do Brasil. Calendário Nacional de Vacinação. Disponível em: [https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/calendario-nacional-de-vacinacao](https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/calendario-nacional-de-vacinacao). Acesso em: 30 de junho de 2024.
    3. Sociedade Brasileira de Pediatria. Recomendações sobre a Vacina BCG. Disponível em: [https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2018/02/BCG.pdf](https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2018/02/BCG.pdf). Acesso em: 30 de junho de 2024.
    4. Centers for Disease Control and Prevention. BCG Vaccine Information. Disponível em: [https://www.cdc.gov/tb/publications/factsheets/prevention/BCG.htm](https://www.cdc.gov/tb/publications/factsheets/prevention/BCG.htm). Acesso em: 30 de junho de 2024.

 

Relatora:
Melissa Palmieri
Membro dos Departamentos Científicos de Imunizações e Infectologia da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Estamos definitivamente livres da paralisia infantil? https://spsp.org.br/estamos-definitivamente-livres-da-paralisia-infantil/ Tue, 24 Oct 2023 19:13:38 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=40369 Dia 24 de outubro é o Dia Mundial de Combate à Poliomielite. Já imaginou seu(sua) filho(a) com um quadro febril, sem causa aparente para a febre, que]]>

Dia 24 de outubro é o Dia Mundial de Combate à Poliomielite.

Já imaginou seu(sua) filho(a) com um quadro febril, sem causa aparente para a febre, que vai dormir e acorda com as pernas paralisadas? E pior, muitas vezes com um quadro irreversível, que vai acompanhá-lo(a) para o resto da vida?

Pois é… esse era o fantasma que rondava, há algumas décadas, o imaginário de muitos pais quando seus filhos adoeciam.

Estamos falando da poliomielite, ou paralisia infantil, doença que foi eliminada das Américas em 1994, e hoje quase erradicada do mundo – Paquistão e Afeganistão ainda registram casos da doença. O Brasil registrou o último caso em 1989, na Paraíba.

O fim da pólio entre nós se deu pelas altas taxas de vacinação da população. Uma eficaz vacina, barata, oral, associada a uma elevada proporção de vacinados no país, através das campanhas de vacinação, foram as principais razões para a eliminação do vírus.

O Brasil se notabilizou por ser o país da vacina! Nosso querido Zé Gotinha virou personagem icônico da nossa história. A família do Zé cresceu e hoje as vacinas são muitas e para todas as idades.

Infelizmente, e por razões diversas, vivenciamos hoje, acreditem, o risco de retorno da paralisa infantil entre nós!

A falsa percepção de que a doença nunca mais voltará, de que tudo está sob controle e o desconhecimento da gravidade da pólio são exemplos dos fatores que têm contribuído para uma menor adesão das famílias à vacinação, colocando-nos sob a ameaça de retorno desse terrível vírus.

É importante lembrar que enquanto o mundo não estiver livre da pólio, ninguém estará e necessitaremos manter nossas crianças vacinadas.

No mês da poliomielite e no ano que nosso Programa Nacional de Imunizações comemora 50 anos de idade, não podemos sofrer esse grande retrocesso nas conquistas alcançadas.

Se você nunca ouviu falar da doença, ou não conhece ninguém que teve poliomielite, é porque seus pais o(a) vacinaram e você cresceu numa geração livre da pólio.

Converse com seus avós: garanto que eles terão uma história triste para contar, de alguém que ficou paralisado, usando aparelhos, em cadeira de rodas e às vezes até perdeu a vida.

Vacinas são seguras, protegem e evitam sofrimento. Vacina é vida, vacinar é um ato de amor!

 

Relator:
Renato Kfouri
Vice-Presidente do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Meningites. Um problema só da infância? https://spsp.org.br/meningites-um-problema-so-da-infancia/ Mon, 24 Apr 2023 18:04:13 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=37123 Talvez nem todos saibam, mas são diversos os agentes que causam meningites. A começar pelos vírus, cuja grande maioria provoca meningite]]>

Talvez nem todos saibam, mas são diversos os agentes que causam meningites.

A começar pelos vírus, cuja grande maioria provoca meningite considerada “benigna”, pois geralmente não determinam complicações maiores ou deixam sequelas. No quadro agudo há febre, cefaleia e vômitos, sintomas mais frequentes, que incomodam e podem levar à desidratação e ocasionar internação.

Nem todos os vírus são tão “benignos” (se é que podemos dizer que as manifestações descritas acima são tranquilas); por exemplo, o herpes (sim… aquele mesmo que provoca as feridas na boca!). Em raros casos, como em imunodeprimidos e recém-nascidos, o herpes pode determinar um quadro grave, com crises convulsivas e até coma e óbito, com possibilidade real de sequelas gravíssimas no sistema nervoso. Requer tratamento imediato.

Mas na nossa realidade, a maior preocupação, sem dúvida, são as clássicas meningites bacterianas. As vacinas para esses agentes diminuíram bastante os quadros (felizmente!), mas quando a doença ocorre, leva a quadros gravíssimos, determinando não só morte em até 30% das crianças, como diversas sequelas, que vão de déficits auditivos a crises convulsivas, sequelas motoras e neurológicas e lesões de órgãos importantes, como rins e fígado.

As crianças são as mais acometidas, mas engana-se quem julga que são só elas. Os idosos que desenvolvem meningites têm mortalidade que beira 50% no Brasil, além, claro, de todas as sequelas já descritas aqui.

Um grupo que parece não ser muito comentado é o dos adolescentes e adultos jovens (não podemos esquecer deles!). Apesar de serem menos acometidos e terem menor gravidade, podem desenvolver todas essas sequelas e apresentam óbito entre 20% e 30% dos casos (ou seja, alarmante!).

Há um outro problema nessa história… Todos os estudos demonstram que os adolescentes e adultos jovens têm um papel fundamental no ciclo das meningites bacterianas. Principalmente dos meningococos, eles são os principais reservatórios, isto é, a bactéria coloniza suas nasofaringes, de onde existe a transmissão para todos os outros grupos – crianças, demais adultos e idosos. A implantação da vacinação no adolescente como estratégia de controle da disseminação das meningites demonstrou bons resultados na redução da doença meningocócica nos demais grupos etários.

A vacinação contra algumas bactérias, a citar o Streptococcus pneumoniae (pneumococo), o Haemophilus influenzae b e o meningococo C nas crianças, que faz parte do Programa Nacional de Imunizações (PNI), recomendada pelas Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), pôde reduzir drasticamente as meningites por esses agentes. Mas ainda há necessidade de intensificar a vacinação do adolescente, hoje com baixíssimas taxas de cobertura.

Atualmente faz parte do calendário vacinal do adolescente (pelo PNI, pela SBP e SBIm) a administração da vacina meningocócica ACWY (que protege para esses quatro sorogrupos do meningococo), tanto pelo SUS como em clínicas privadas. Também há a recomendação pela SBP e SBIm para vacinação contra o meningococo B (somente nas clínicas privadas).

A vacinação deve começar nas crianças pequenas e o mais brevemente possível, por serem o grupo com maior taxa de infecção e alta morbimortalidade.  Entretanto, jamais devemos negligenciar a vacinação do adolescente, o que infelizmente tem ocorrido nos tempos atuais.

 

Relator:
Marcelo Otsuka
Vice-Presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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12 de novembro: Dia Mundial da Pneumonia https://spsp.org.br/12-de-novembro-dia-mundial-da-pneumonia/ Fri, 11 Nov 2022 12:31:32 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=35424 As pneumonias são processos infecciosos, mais comumente causadas por bactérias e vírus, porém existem outros agentes menos comuns. Os pulmões podem ser afetados de diferentes formas.]]>

As pneumonias são processos infecciosos, mais comumente causadas por bactérias e vírus, porém existem outros agentes menos comuns. Os pulmões podem ser afetados de diferentes formas. A depender do tipo e localização da infecção, pode se tratar de uma pneumonia ou broncopneumonia ou pneumonia intersticial.

Os sintomas da pneumonia dependem muito da faixa etária; entretanto, de modo geral, estes incluem febre, tosse, dificuldade para respirar e mal-estar. Os casos podem evoluir para gravidade e é preciso lembrar que a doença ainda é uma das principais causas de mortalidade infantil, sobretudo em locais e situações de pobreza e desnutrição.

A pneumonia em crianças pequenas ou na presença de situações de risco, como desnutrição, por exemplo, tem mortalidade mais elevada. Nas crianças pequenas e bebês, a doença costuma ser mais grave que nos escolares ou adolescentes. A criança pequena evolui muito mais rapidamente que a grande ou que o adulto saudável para insuficiência respiratória, por isso ela tende a ser mais grave nesta faixa etária. É importante ressaltar que existem pacientes de maior risco de gravidade, como por exemplo os imunossuprimidos ou imunodeficientes.

Para evitar que crianças adquiram pneumonia, é essencial manter as vacinas em dia, estimular o aleitamento materno – até pelo menos seis meses de vida do bebê -, evitar moradias com aglomeração, forno à lenha nos domicílios e exposição passiva ao tabagismo. Além disso, manter uma alimentação balanceada, evitando erros alimentares, bem como uma adequada higiene do sono.

Em relação ao tratamento da pneumonia em crianças, sempre que possível, é preciso diferenciar o quadro, pois se for uma pneumonia bacteriana, será necessária a utilização de antibióticos; porém, em se tratando de um quadro viral, o uso de antibiótico é desnecessário e fortemente desaconselhado.

Ainda a respeito do tratamento, é fundamental ressaltar que não se deve medicar a criança sem orientação médica, pois é muito frequente o uso inadvertido de xaropes equivocados, muitas vezes à base de corticoides, que podem, inclusive, agravar sobremaneira o quadro da pneumonia, além de outras possíveis complicações. Existe uma minoria de circunstâncias em que o corticoide pode ser indicado nas pneumonias na infância, contudo, trata-se de exceções.

Geralmente não há consequências a longo prazo para crianças que têm quadros de pneumonia, principalmente se forem mais leves. Entretanto, infelizmente, nos casos de pneumonias mais graves existe a possibilidade de o paciente evoluir com alguma complicação, necessitando de tratamento mais prolongado e, por vezes, hospitalização. Mesmo diante de casos mais complexos, a evolução poderá ser mais lenta e gradual, mas o pulmão possui uma excelente capacidade de se recuperar.

A vacinação infantil é fundamental para evitar quadros de pneumonia nas crianças. Ela tem efeito direto na proteção. A vacina contra a bactéria pneumococo reduz drasticamente os casos de pneumonia na infância.

Sabemos também que a pneumonia é uma das complicações mais graves da gripe (infecção pelo vírus influenza), portanto a vacinação anual contra a gripe também é uma importante forma de evitar a doença. Além disso, vacinas como a de coqueluche, sarampo, catapora também são muito importantes, uma vez que a pneumonia é uma complicação comum em todas essas infecções.

Dessa forma, é essencial que as crianças estejam com suas vacinações em dia, indicadas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), e não deixem de receber as coberturas extras conforme estabelecidas pelo governo (como por exemplo a vacina contra o vírus SARS-CoV-2).

 

Relatora:
Marina Buarque de Almeida
Presidente do Departamento Científico de Pneumologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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