Tristeza – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 17 Mar 2021 18:19:47 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Tristeza – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Depressão, é possível prevenir? https://spsp.org.br/depressao-e-possivel-prevenir/ Thu, 28 May 2020 22:04:05 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3264 Crianças e adolescentes também podem e necessitam vivenciar o luto, sendo essencial o acolhimento dos sentimentos decorrentes. Falar sobre prevenção da depressão se configura uma tarefa desafiadora. A depressão nos impõe uma série de diferenciações e, além de não existir um único tipo, sua origem não é unívoca, passando por fatores de vulnerabilidade neurobiológica, situações familiares e existenciais. Manifesta-se de formas distintas, havendo a presença ou não de tristeza.A tristeza é um afeto como outro qualquer. Ela é fundamental em muitos casos quando ocorre uma perda para aquele que sofre. O luto nada mais é do que o processo que possibilita ao sujeito dar conta da perda, exige um tempo e, ao seu término, o permite investir na retomada de sua vida. A tristeza surge, pois a aceitação do desaparecimento de algo ou alguém importante não é feita sem dor.Não é privilégio dos adultos passarem por processos desse tipo, crianças e adolescentes também podem e necessitam vivenciar o luto, sendo essencial o acolhimento dos sentimentos decorrentes, tais como o fazemos com os de alegria ou qualquer outro. Aliás, a adolescência é por si só repleta de experiências desse tipo.Há risco em não legitimar e evitar a todo custo o encontro da criança e do adolescente com frustrações, faltas e perdas, que são inerentes ao caminhar da vida.Na verdade, entrar em contato com a tristeza pode ser um bom sinal de saúde mental e poderá refletir numa capacidade de não se deprimir frente à certas experiências penosas.A depressão poderá advir quando esse processamento das perdas, das dores e dos impactos fica dificultado ou impedido, ou seja, na impossibilidade de fazer o luto. Ela é uma condição emocional prolongada, com manifestações distintas e que afeta o sujeito de maneira contundente, podendo atingir alguns aspectos da personalidade.Já no início da vida, o bebê terá que lidar com o processamento de perdas e separações. Ele vai precisar se ligar à sua mãe para posteriormente se diferenciar, se separar dela ou de quem faz tal função. O primeiro luto ocorre aí e a partir da combinação entre “presenças”, traduzidas no cuidado afinado às suas necessidades, e depois “ausências” é que poderá se formar uma representação interna da mãe, como se sua mãe em suas funções continentes, cuidadoras e alertadoras pudesse estar de certa forma dentro dele. Essa capacidade se torna importante para que o bebê possa paulatinamente ser amparado de dentro para fora, tendo condições de aceitar gradativamente que sua mãe é uma outra pessoa, fazendo com que possa investir ele mesmo em outros interesses, impactando positivamente em sua capacidade de lidar com a vida de maneira geral, mas principalmente na elaboração dos lutos recorrentes que a vida o desafiará. Seria possível então a prevenção? Parte da prevenção possível seria poder cuidar da quantidade e da qualidade de oferta de apoio emocional e social para os pais na vinda de um filho. Sabemos que uma rede de suporte nessa época mostra-se fundamental, porque, amparados, podem estar mais livres nessa função e cuidar de melhor forma do desafio que implica um filho que nasce. No entanto, talvez isso tudo não possa garantir a prevenção, uma vez que a depressão é multifacetada, mas certamente lançará um olhar mais cuidadoso para a importância dos primeiros tempos de vida de um bebê e de sua família, reverberando positivamente na construção do processo de subjetivação da criança, que tem ligação direta com a forma como lidará ao longo da vida com os desafios que as perdas cotidianas impõem a todos. ___RelatoraDra. Cristiane da Silva Geraldo FolinoNúcleo de Estudos sobre Depressão em Crianças e Adolescentes – SPSP]]>

Crianças e adolescentes também podem e necessitam vivenciar o luto, sendo essencial o acolhimento dos sentimentos decorrentes.

Falar sobre prevenção da depressão se configura uma tarefa desafiadora. A depressão nos impõe uma série de diferenciações e, além de não existir um único tipo, sua origem não é unívoca, passando por fatores de vulnerabilidade neurobiológica, situações familiares e existenciais. Manifesta-se de formas distintas, havendo a presença ou não de tristeza.
A tristeza é um afeto como outro qualquer. Ela é fundamental em muitos casos quando ocorre uma perda para aquele que sofre.

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O luto nada mais é do que o processo que possibilita ao sujeito dar conta da perda, exige um tempo e, ao seu término, o permite investir na retomada de sua vida. A tristeza surge, pois a aceitação do desaparecimento de algo ou alguém importante não é feita sem dor.
Não é privilégio dos adultos passarem por processos desse tipo, crianças e adolescentes também podem e necessitam vivenciar o luto, sendo essencial o acolhimento dos sentimentos decorrentes, tais como o fazemos com os de alegria ou qualquer outro. Aliás, a adolescência é por si só repleta de experiências desse tipo.
Há risco em não legitimar e evitar a todo custo o encontro da criança e do adolescente com frustrações, faltas e perdas, que são inerentes ao caminhar da vida.
Na verdade, entrar em contato com a tristeza pode ser um bom sinal de saúde mental e poderá refletir numa capacidade de não se deprimir frente à certas experiências penosas.
A depressão poderá advir quando esse processamento das perdas, das dores e dos impactos fica dificultado ou impedido, ou seja, na impossibilidade de fazer o luto. Ela é uma condição emocional prolongada, com manifestações distintas e que afeta o sujeito de maneira contundente, podendo atingir alguns aspectos da personalidade.
Já no início da vida, o bebê terá que lidar com o processamento de perdas e separações. Ele vai precisar se ligar à sua mãe para posteriormente se diferenciar, se separar dela ou de quem faz tal função. O primeiro luto ocorre aí e a partir da combinação entre “presenças”, traduzidas no cuidado afinado às suas necessidades, e depois “ausências” é que poderá se formar uma representação interna da mãe, como se sua mãe em suas funções continentes, cuidadoras e alertadoras pudesse estar de certa forma dentro dele. Essa capacidade se torna importante para que o bebê possa paulatinamente ser amparado de dentro para fora, tendo condições de aceitar
gradativamente que sua mãe é uma outra pessoa, fazendo com que possa investir ele mesmo em outros interesses, impactando positivamente em sua capacidade de lidar com a vida de maneira geral, mas principalmente na elaboração dos lutos recorrentes que a vida o desafiará.

Seria possível então a prevenção?

Parte da prevenção possível seria poder cuidar da quantidade e da qualidade de oferta de apoio emocional e social para os pais na vinda de um filho. Sabemos que uma rede de suporte nessa época mostra-se fundamental, porque, amparados, podem estar mais livres nessa função e cuidar de melhor forma do desafio que implica um filho que nasce. No entanto, talvez isso tudo não possa garantir a prevenção, uma vez que a depressão é multifacetada, mas certamente lançará um olhar mais cuidadoso para a importância dos primeiros tempos de vida de um bebê e de sua família, reverberando positivamente na construção do processo de subjetivação da criança, que tem ligação direta com a forma como lidará ao longo da vida com os desafios que as perdas cotidianas impõem a todos.

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Relatora
Dra. Cristiane da Silva Geraldo Folino
Núcleo de Estudos sobre Depressão em Crianças e Adolescentes – SPSP



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Maio Amarelo – Depressão entre crianças e adolescentes: pare, observe, acolha https://spsp.org.br/maio-amarelo-depressao-entre-criancas-e-adolescentes-pare-observe-acolha-4/ Tue, 15 May 2018 18:30:50 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2071 A Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) lançou a Campanha Maio Amarelo, cujo lema é Depressão entre crianças e adolescentes: pare, observe, acolha. Em uma ação integrada entre Departamentos Científicos da SPSP, diretamente envolvidos com o tema, a campanha pretende atuar em vários níveis e instâncias que lidam com a criança e com o adolescente para que possa oferecer os meios necessários para a detecção, acolhimento, prevenção e tratamento da depressão e das situações de risco que esta determina. De acordo com Claudio Barsanti, presidente da SPSP, as consultas de rotina pelo pediatra levam a um contato maior com os pacientes e seus familiares. Essa maior proximidade permite – ou, ao menos, facilita – que o médico perceba alterações clínicas e comportamentais iniciais e, às vezes, ainda sutis de quadros depressivos. “O pediatra, normalmente como primeiro médico atendente, deve estar atento e indicar as primeiras condutas e encaminhamentos sequenciais, a fim de que se estabeleça, o mais rápido possível, a atenção necessária”, enfatiza. Dados preocupantes Os casos de depressão em crianças e adolescentes vêm aumentando gradativamente, um dado que vem preocupando os especialistas. A depressão é uma doença que deve ser levada a sério em qualquer idade, mas na adolescência é fundamental que seja bem tratada pelo exponencial risco de resultar em abuso de drogas ou suicídio, com efeitos devastadores para os familiares, amigos e outros envolvidos no cotidiano do adolescente. Segundo Vera Ferrari Rego Barros, presidente do Departamento Científico de Saúde Mental da SPSP, há algumas observações necessárias a serem feitas quanto ao diagnóstico de depressão, principalmente entre crianças e adolescentes. “Uma delas é que é fundamental diferenciar entre o que é um sentimento de tristeza e o que é um quadro de depressão, porque a proximidade dos sintomas pode confundir e prejudicar a identificação e a intervenção realmente necessária que se deve realizar com os jovens nessa condição”, diz Vera. Para Barsanti, é muito importante que o médico discuta e perceba, além dos sinais e sintomas, a ocorrência de situações de risco que possam estar se apresentando no dia a dia das crianças e dos adolescentes e que aumentam o risco de depressão e até de tentativas de suicídio. Situações como elevado estresse, agressões sofridas (físicas ou psicológicas, presenciais ou virtuais), grandes frustrações, mostram-se importantes fatores de risco e, em alguns casos, indutores de depressão. Para esse momento, a SPSP está planejando ações em escolas e buscando formas de dialogar com as crianças, adolescentes e suas famílias, além de atividades de atualização no tema para profissionais de saúde, que detêm os meios de realizar os diagnósticos e as intervenções necessárias para cada caso. “Quanto antes identificarmos os sintomas da depressão, mais rápido poderemos tomar as medidas e ações necessárias para evitar que as manifestações se agravem e coloquem o adolescente em situações de risco”, conclui Vera Ferrari Rego Barros. ___ Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP. Publicado em 15/05/2018. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

A Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) lançou a Campanha Maio Amarelo, cujo lema é Depressão entre crianças e adolescentes: pare, observe, acolha. Em uma ação integrada entre Departamentos Científicos da SPSP, diretamente envolvidos com o tema, a campanha pretende atuar em vários níveis e instâncias que lidam com a criança e com o adolescente para que possa oferecer os meios necessários para a detecção, acolhimento, prevenção e tratamento da depressão e das situações de risco que esta determina.

maio amarelo

De acordo com Claudio Barsanti, presidente da SPSP, as consultas de rotina pelo pediatra levam a um contato maior com os pacientes e seus familiares. Essa maior proximidade permite – ou, ao menos, facilita – que o médico perceba alterações clínicas e comportamentais iniciais e, às vezes, ainda sutis de quadros depressivos. “O pediatra, normalmente como primeiro médico atendente, deve estar atento e indicar as primeiras condutas e encaminhamentos sequenciais, a fim de que se estabeleça, o mais rápido possível, a atenção necessária”, enfatiza.

Dados preocupantes

Os casos de depressão em crianças e adolescentes vêm aumentando gradativamente, um dado que vem preocupando os especialistas. A depressão é uma doença que deve ser levada a sério em qualquer idade, mas na adolescência é fundamental que seja bem tratada pelo exponencial risco de resultar em abuso de drogas ou suicídio, com efeitos devastadores para os familiares, amigos e outros envolvidos no cotidiano do adolescente.

Segundo Vera Ferrari Rego Barros, presidente do Departamento Científico de Saúde Mental da SPSP, há algumas observações necessárias a serem feitas quanto ao diagnóstico de depressão, principalmente entre crianças e adolescentes. “Uma delas é que é fundamental diferenciar entre o que é um sentimento de tristeza e o que é um quadro de depressão, porque a proximidade dos sintomas pode confundir e prejudicar a identificação e a intervenção realmente necessária que se deve realizar com os jovens nessa condição”, diz Vera.

Para Barsanti, é muito importante que o médico discuta e perceba, além dos sinais e sintomas, a ocorrência de situações de risco que possam estar se apresentando no dia a dia das crianças e dos adolescentes e que aumentam o risco de depressão e até de tentativas de suicídio. Situações como elevado estresse, agressões sofridas (físicas ou psicológicas, presenciais ou virtuais), grandes frustrações, mostram-se importantes fatores de risco e, em alguns casos, indutores de depressão.

Para esse momento, a SPSP está planejando ações em escolas e buscando formas de dialogar com as crianças, adolescentes e suas famílias, além de atividades de atualização no tema para profissionais de saúde, que detêm os meios de realizar os diagnósticos e as intervenções necessárias para cada caso. “Quanto antes identificarmos os sintomas da depressão, mais rápido poderemos tomar as medidas e ações necessárias para evitar que as manifestações se agravem e coloquem o adolescente em situações de risco”, conclui Vera Ferrari Rego Barros.

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Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP.

Publicado em 15/05/2018.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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