televisão – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 18 Dec 2024 17:33:56 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png televisão – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Tecnologias na Educação – Expectativas e frustrações https://spsp.org.br/tecnologias-na-educacao-expectativas-e-frustracoes/ Thu, 19 Dec 2024 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=49661 A vovó tirou do seu ‘fundo do baú’ histórias interessantes e que parecem, hoje, inacreditáveis. Vejam estas: -Thomas Edison, industrial americano e inventor da lâmpada elétrica]]>

A vovó tirou do seu ‘fundo do baú’ histórias interessantes e que parecem, hoje, inacreditáveis. Vejam estas:

-Thomas Edison, industrial americano e inventor da lâmpada elétrica, disse em 1913: “livros logo se tornarão obsoletos nas escolas (…) Nosso sistema escolar mudará completamente dentro de dez anos”. Parece até atual! O deslumbramento demonstrado por ele dizia respeito às várias potencialidades pedagógicas do cinema, opinião corroborada por muita gente naquela época, que até diziam: “o cinema está destinado a revolucionar nosso sistema educacional e, graças a ele, será possível ensinar todas as ramificações do conhecimento humano”.

-Em 1930, a tecnologia revolucionária foi o rádio e dizia-se sobre ele:  “o rádio está destinado a levar o mundo para a sala de aula, a fim de tornar universalmente disponíveis os serviços dos melhores professores”.

-Em 1960, foi a vez da televisão: “é possível multiplicar nossos melhores instrutores, isto é, selecionar um único professor excelente e oferecer a todos os estudantes os benefícios resultantes de uma instrução de qualidade superior (…) A TV transforma todas as salas de estar, de jantar, sótão, etc., numa sala potencial de aula”.

Percebe-se nesse recordatório, que muita expectativa sempre foi projetada em cada nova tecnologia que ia surgindo como esperança para solucionar os problemas educacionais nos países, pelo mundo afora. Hoje, continua se fazendo a mesma coisa: a televisão foi substituída pelas “tecnologias de informação e de comunicação para o ensino” – as famosas TIC.

Em 2011, um parlamentar alardeou que estas são “como uma resposta adaptada aos desafios da educação do século XXI: lutar contra o fracasso na escola, favorecer a igualdade de oportunidades, devolver aos alunos o prazer de ir à escola e aprender, revalorizar a profissão do magistério, que deve retomar seu lugar com esse papel de ‘diretor de cena’ (…). Pois não será sobre a educação de ontem que edificaremos os talentos de amanhã”.

As muitas expectativas trouxeram muitas frustações. Nem o cinema, nem o rádio ou a televisão resolveram os enormes problemas educacionais na grande maioria dos países. Nem mesmo hoje, a Informatização no ensino, trouxe o ganho tão esperado e propalado.

“A síntese do último relatório do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), solicitado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE, enfatiza: “professores são o mais importante recurso nas escolas de hoje…”. Essa afirmação foi feita após os especialistas constatarem que os países que mais investiram em tecnologias digitais foram os que viram a performance de seus alunos diminuir, mais severamente, em matemática, leitura e ciências.

Conclusão final:

“Um Professor qualificado continua sendo uma tecnologia de ensino resiliente e insuperável”.

 

Saiba mais:

  1. Edison T. In: Saettler P. The evolution of American educacional techonology. (S.I.): IAP, 1990.
  2. Darrow B. In: Cuban L. Teachers and the machines. New York: Teachers College Press, 1986.
  3. Wischener G et al. Some thoughts on television as na educacional tool. American Psychologist. 1955;10.
  4. Fourgous J. Oser la pédagogie numérique!. Le Monde, 2011. Disponível em: lemonde.fr. Acesso em: 27 jul. 2021.
  5. Spitzer M. M-learning? When it comes to learning, smartphones are a liability, not an asset. Trends in Neuroscience and Education. 2015;4.
  6. OECD. Effective teacher policies: insights from PISA. OECD, 2018. Disponível em: oecd.org. Acesso em: 27 jul.2021.
  7. OCDE. Connectés pour appendre? Les élèves et les nouvelles technologies (principaux résultats). OCDE, 2015. Disponível em: oecd.org. Acesso em: 27 jul. 2021.

 

Relator:

Fernando MF Oliveira

Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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O que a vovó diria se assistisse a série Round 6? https://spsp.org.br/o-que-a-vovo-diria-se-assistisse-a-serie-round-6/ Tue, 09 Nov 2021 15:18:40 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=30331 A humanidade levou muitos anos para se convencer que a “criança não é um adulto em miniatura”, entretanto, estamos vivendo um retorno, consciente ou não. Pequenos atos aceitos pelos adultos são expressões dessa regressão.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 09/11/2021


Episódio 8: O que a vovó diria se assistisse a série Round 6?

Provavelmente exclamaria: “Que horror!”

A humanidade levou muitos anos para se convencer que a “criança não é um adulto em miniatura”, entretanto, estamos vivendo um retorno, consciente ou não. Pequenos atos permitidos ou aceitos pelos adultos são expressões dessa regressão de entendimento. Vejam alguns exemplos:

  1. Permitir que uma criança assista a um filme, série, ou programa de TV não recomendado para a idade.
  2. Erotização precoce da criança através de maquiagem, vestuário.
  3. Cobrança de comportamentos e performances não adequados à maturidade psicoemocional ou física da criança.
  4. Delegar autonomia exagerada e expô-la a situações de vulnerabilidade.

Está na roda de discussão entre crianças e adolescentes a série Round 6, nas escolas e outros espaços. Essa produção sul-coreana é recomendada para maiores de 16 anos.

Esse fato permite que se faça algumas considerações:

  1. Nenhuma produção artística se torna famosa e bate recordes de bilheteria ou audiência “do nada”. Há mérito na produção.
  2. Podemos não concordar com a linguagem da mesma, entretanto, é uma crítica inteligente à sociedade moderna.
  3. O poder de comunicação das redes sociais é um fato.
  4. O limite para o seu uso pelas crianças é o grande problema.
  5. Esse limite, independentemente de qualquer regulação governamental, ou externa, tem que ser executado pelos pais.
  6. O diálogo intergeracional é fundamental para sedimentar valores em qualquer sociedade.

No tempo da vovó se cantava: “Atirei o pau no gato tô tô, mas o gato tô tô não morreu reu reu. Dona Chica cá, admirou-se se se, do berrô, do berrô que o gato deu. Miau!!!!!!”.

A violência sempre apresentou sua cara, ora disfarçada, ora evidente… ora querendo brincar, ora querendo matar. A cantiga da Dona Chica, hoje, se tornou “politicamente incorreta”, entretanto, “Round 6” não é assim considerado.  O que mudou? Talvez apenas o nosso limiar de sensibilidade. A sociedade que “coisifica” o ser humano é a que nos insensibiliza para a dor do outro… nos torna menos humanos. Esta é a grande lição de Round 6.

Relator:
Fernando M F Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: creatista | depositphotos.com

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ROUND 6 (Squid Game) – que série é esta? https://spsp.org.br/round-6-squid-game-que-serie-e-esta/ Mon, 25 Oct 2021 14:25:08 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=30180 A série sul-coreana Round 6 ocupa o primeiro lugar das séries mais assistidas e tem gerado muita controvérsia. Na trama, 456 pessoas com problemas financeiros são convidadas a participar de uma competição de jogos infantis. ]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 25/10/2021


A série sul-coreana Round 6, produzida pela Netflix, ocupa o primeiro lugar das séries mais assistidas no streaming e tem gerado muita controvérsia. Na trama, 456 pessoas com problemas financeiros são convidadas a participar de uma competição de jogos infantis cujo prêmio para o primeiro colocado será de 45,6 bilhões de wons (a moeda da Coreia do Sul), o que equivale a aproximadamente 40 milhões de dólares ou 208,8 milhões de reais. Quem erra é morto, o que eleva o valor do prêmio.

Os episódios da série estruturam-se em torno de 6 jogos infantis conhecidos na Coreia do Sul: batatinha frita 1,2,3; cabo de guerra; bolinhas de gude; destacar biscoito sem quebrar; jogo da lula e ponte de cristal. Quem ganha continua vivendo para enfrentar o próximo desafio. Cada etapa é cruel a seu jeito.

Os jogos remetem à infância, mas seu desfecho não tem nada a ver com o universo infantil. Quando o primeiro deles, “batatinha frita 1,2,3…” chega ao fim, metade dos jogadores estão mortos. Mesmo cientes disso, os sobreviventes aceitam seguir no jogo por dinheiro!

Outros aspectos importantes: as crianças nas escolas, nos seus nichos, comentam a série e disseminam a vontade de vê-la. Reproduzem o que assistem fazendo gestos de estar matando outras e deixam cartas para seus colegas e amigos, convidando-os para jogar, a exemplo do que acontece na série.

Quais são seus conteúdos? Natureza humana, desigualdade social, impulsos primitivos, bondade versus maldade, injustiça e opressão – com cenas muito fortes de humor irreal e sátiras pesadas, de difícil compreensão, principalmente para crianças.

O que contraindica a série para adolescentes e, principalmente, para crianças?

• causa reações muito diversas, como insegurança, pavor, agressividade, raiva, medo, ansiedade e o desejo da morte do outro;

• ensina que é cada um por si, que o trabalho em equipe (ou dupla) é prejudicial e que ninguém tem valor nem dignidade;

• estimula o “ganhar a qualquer custo”, sem ter respeito, empatia ou compaixão pelo outro. Os mais espertos e corrompidos serão os vencedores;

• mostra a vida moderna e a suas pressões como algo pior do que entrar num jogo mortal;

• classifica os personagens dentro de modelos clássicos, muitas vezes distorcidos: bonzinhos, maus, inseguros, quietinhos, heróis, covardes, medrosos, vilões;

• com o andar da série, todos se acostumam ao horror de tantas mortes. Torcidas pessoais aparecem: para que o favorito, mesmo tendo um passado sombrio, subjugue e vença os rivais; e passa a ser visto como um simples número ou como um cavalo que participa de uma corrida.

E, para ganhar, o personagem terá que viver com o peso na consciência e a culpa que cometeu ações terríveis para garantir o prêmio. Será que vai ser capaz de pagar um preço tão alto?

Por mais que Round 6 tenha classificação indicativa para maiores de 16 anos, o público infantil também tem acessado o conteúdo, com ou sem o conhecimento e autorização dos pais.

O que preocupa é a facilidade com que as crianças e adolescentes acessam esse material, apesar de que canais de streaming, como a Netflix, possuem a ferramenta de “restrição de visualização por classificação etária”.

Proibir a exibição pelos pais não é a melhor solução, pois sempre há uma maneira de burlar a regra. O ideal é que os pais vejam junto com seus filhos e aproveitem a oportunidade para discutir o tema. Não podemos subestimar a capacidade de compreensão das crianças, especialmente acima de 10 anos de idade.

Em outras palavras, não podemos fugir do assunto, mas discuti-lo. Voltamos à necessidade de que os pais ou responsáveis dialoguem com seus filhos, verifiquem os conteúdos que acessam na internet e sejam supervisores atentos de suas vidas.

Relatores:
Fernando M F Oliveira
Renata D Waksman
Tania MR Zamataro
Coordenadores do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: GaudiLab | depositphotos.com

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