Telas – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 07 Jul 2026 18:14:29 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Telas – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Enxergar bem é fundamental para crescer, aprender e descobrir o mundo https://spsp.org.br/enxergar-bem-e-fundamental-para-crescer-aprender-e-descobrir-o-mundo/ Fri, 10 Jul 2026 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57771 Você já parou para pensar em quantas descobertas uma criança faz todos os dias através dos olhos? Desde o início da vida, é observando os pais, brincando, lendo, desenhando e explorando o ambiente ao seu redor que a criança aprende e se desenvolve. Por isso, no Dia Mundial da Saúde Ocular, celebrado em 10 de julho, vale lembrar que cuidar da visão é cuidar da saúde, do aprendizado e da qualidade de vida. A visão desempenha um papel fundamental no desenvolvimento infantil. Grande parte das informações que as crianças recebem sobre o mundo chega por meio dos olhos. Quando existe algum problema visual não identificado, podem surgir dificuldades que afetam o desempenho escolar, a participação em atividades esportivas, a socialização e até a autoestima. E existe um detalhe que muitos pais desconhecem: a criança nem sempre percebe que está enxergando mal. Como ela nunca enxergou de outra forma, costuma acreditar que aquilo que vê é normal. Por isso, alguns problemas visuais podem passar despercebidos durante muito tempo. Alguns sinais merecem atenção, como aproximar-se muito dos livros e telas, apertar os olhos para enxergar, queixar-se de dores de cabeça frequentes, apresentar dificuldade escolar ou demonstrar desinteresse por atividades que exigem atenção visual. Entre os problemas mais comuns na infância estão a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo, que geralmente podem ser corrigidos com o uso de óculos. Também merecem atenção condições como o estrabismo, quando os olhos não estão alinhados, e a ambliopia, conhecida como “olho preguiçoso”, uma das principais causas de redução visual evitável na infância. Além dessas alterações mais frequentes, existem doenças oculares mais raras, mas que exigem diagnóstico precoce, como catarata congênita, glaucoma congênito e algumas doenças da retina. Nesses casos, identificar o problema nos primeiros meses ou anos de vida pode fazer toda a diferença para o desenvolvimento visual da criança. Outro desafio crescente é o aumento da miopia entre crianças e adolescentes. Especialistas do mundo todo observam um crescimento expressivo do número de jovens míopes nas últimas décadas. Entre os fatores associados estão o aumento do tempo em frente às telas e a diminuição das atividades ao ar livre. A boa notícia é que algumas atitudes simples ajudam a proteger a saúde visual: •Incentivar brincadeiras e atividades ao ar livre, se possível, diariamente; •Fazer pausas regulares durante o uso de celulares, tablets e computadores; •Manter uma distância adequada das telas e dos materiais de leitura; •Observar sinais que possam indicar dificuldade para enxergar;  •Realizar consultas oftalmológicas periódicas. Também é importante lembrar que os cuidados com os olhos começam logo após o nascimento. A avaliação oftalmológica infantil permite identificar precocemente alterações que muitas vezes não apresentam sintomas evidentes, aumentando as chances de tratamento e preservação da visão. A infância passa rápido. Cada fase traz novas descobertas, aprendizados e experiências. Garantir que uma criança enxergue bem é oferecer a ela melhores oportunidades para aprender, brincar, desenvolver sua autonomia e alcançar todo o seu potencial. Neste Dia Mundial da Saúde Ocular, o convite é simples: reserve um momento para olhar com atenção para a saúde visual dos seus filhos. Muitas vezes, uma consulta de rotina pode fazer uma grande diferença no presente e no futuro de uma criança. Relator:Marcelo Alexandre A. CavalcantePresidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP]]>

Você já parou para pensar em quantas descobertas uma criança faz todos os dias através dos olhos?

Desde o início da vida, é observando os pais, brincando, lendo, desenhando e explorando o ambiente ao seu redor que a criança aprende e se desenvolve. Por isso, no Dia Mundial da Saúde Ocular, celebrado em 10 de julho, vale lembrar que cuidar da visão é cuidar da saúde, do aprendizado e da qualidade de vida.

A visão desempenha um papel fundamental no desenvolvimento infantil. Grande parte das informações que as crianças recebem sobre o mundo chega por meio dos olhos. Quando existe algum problema visual não identificado, podem surgir dificuldades que afetam o desempenho escolar, a participação em atividades esportivas, a socialização e até a autoestima.

E existe um detalhe que muitos pais desconhecem: a criança nem sempre percebe que está enxergando mal. Como ela nunca enxergou de outra forma, costuma acreditar que aquilo que vê é normal. Por isso, alguns problemas visuais podem passar despercebidos durante muito tempo.

Alguns sinais merecem atenção, como aproximar-se muito dos livros e telas, apertar os olhos para enxergar, queixar-se de dores de cabeça frequentes, apresentar dificuldade escolar ou demonstrar desinteresse por atividades que exigem atenção visual.

Entre os problemas mais comuns na infância estão a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo, que geralmente podem ser corrigidos com o uso de óculos. Também merecem atenção condições como o estrabismo, quando os olhos não estão alinhados, e a ambliopia, conhecida como “olho preguiçoso”, uma das principais causas de redução visual evitável na infância.

Além dessas alterações mais frequentes, existem doenças oculares mais raras, mas que exigem diagnóstico precoce, como catarata congênita, glaucoma congênito e algumas doenças da retina. Nesses casos, identificar o problema nos primeiros meses ou anos de vida pode fazer toda a diferença para o desenvolvimento visual da criança.

Outro desafio crescente é o aumento da miopia entre crianças e adolescentes. Especialistas do mundo todo observam um crescimento expressivo do número de jovens míopes nas últimas décadas. Entre os fatores associados estão o aumento do tempo em frente às telas e a diminuição das atividades ao ar livre.

A boa notícia é que algumas atitudes simples ajudam a proteger a saúde visual:

•Incentivar brincadeiras e atividades ao ar livre, se possível, diariamente;

•Fazer pausas regulares durante o uso de celulares, tablets e computadores;

•Manter uma distância adequada das telas e dos materiais de leitura;

•Observar sinais que possam indicar dificuldade para enxergar;

 •Realizar consultas oftalmológicas periódicas.

Também é importante lembrar que os cuidados com os olhos começam logo após o nascimento. A avaliação oftalmológica infantil permite identificar precocemente alterações que muitas vezes não apresentam sintomas evidentes, aumentando as chances de tratamento e preservação da visão.

A infância passa rápido. Cada fase traz novas descobertas, aprendizados e experiências. Garantir que uma criança enxergue bem é oferecer a ela melhores oportunidades para aprender, brincar, desenvolver sua autonomia e alcançar todo o seu potencial.

Neste Dia Mundial da Saúde Ocular, o convite é simples: reserve um momento para olhar com atenção para a saúde visual dos seus filhos. Muitas vezes, uma consulta de rotina pode fazer uma grande diferença no presente e no futuro de uma criança.

Relator:
Marcelo Alexandre A. Cavalcante
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP

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O que a sua família precisa saber para proteger o futuro das crianças https://spsp.org.br/o-que-a-sua-familia-precisa-saber-para-proteger-o-futuro-das-criancas/ Tue, 07 Apr 2026 12:49:33 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=55773 No dia 7 de abril, celebramos o Dia Mundial da Saúde. Para nós, pediatras da Sociedade de Pediatria de São Paulo, essa data é um convite para olhar além das consultas de rotina. É o momento]]>

No dia 7 de abril, celebramos o Dia Mundial da Saúde. Para nós, pediatras da Sociedade de Pediatria de São Paulo, essa data é um convite para olhar além das consultas de rotina. É o momento de lembrarmos que a saúde de uma criança não é apenas a ausência de febre ou tosse, mas um estado de equilíbrio que envolve o corpo, a mente e o ambiente em que ela vive.

Cuidar da saúde infantil em 2026 traz novos desafios. O mundo mudou, e as necessidades dos nossos filhos também. A seguir, destacamos os pilares fundamentais que toda família deve observar para garantir um desenvolvimento saudável e feliz.

  1. A vacinação: o escudo invisível

Não há ferramenta de saúde pública mais eficaz do que a vacina. Ela é a prova de amor mais concreta que podemos oferecer. Manter a caderneta de vacinação em dia protege não apenas o seu filho, mas toda a comunidade, impedindo que doenças que considerávamos “vencidas” retornem. Em caso de dúvidas sobre novas vacinas ou reforços, o seu pediatra é a fonte mais segura de informação.

  1. O equilíbrio no mundo digital

Vivemos em uma era hiperconectada. Se por um lado a tecnologia ajuda no aprendizado, o excesso de telas pode prejudicar o sono, o desenvolvimento da fala e a socialização.

  • Dica prática: Estabeleça “zonas livres de telas” (como a mesa de jantar e o quarto antes de dormir) e priorize o brincar ao ar livre. O contato com a natureza é um “santo remédio” para a saúde mental e física.
  1. Alimentação e movimento

A base da saúde do adulto é construída na infância. Estimular o consumo de alimentos naturais – frutas, legumes e verduras – e evitar os ultraprocessados (aqueles cheios de corantes e conservantes) é um investimento a longo prazo. Além disso, o corpo da criança foi feito para se mexer. O sedentarismo infantil é um risco real para a obesidade e doenças cardiovasculares precoces.

  1. Saúde mental e afeto

Criança saudável é criança que se sente segura. O estresse tóxico, causado por ambientes instáveis ou violência, pode deixar marcas profundas no desenvolvimento cerebral. O diálogo, o acolhimento das emoções e o tempo de qualidade em família são tão importantes quanto as vitaminas. Esteja atento a mudanças bruscas de comportamento, isolamento ou queda no rendimento escolar; a saúde emocional merece a mesma atenção que a física.

  1. Prevenção de acidentes e violência

A maior parte dos acidentes domésticos pode ser evitada com medidas simples de segurança. Além disso, a proteção contra qualquer forma de violência – física, sexual, psicológica ou digital – é um direito inalienável da criança. Como sociedade, precisamos estar vigilantes. Se algo parece errado no comportamento do seu filho ou no ambiente ao redor dele, não hesite em buscar orientação profissional.

  1. A ética no cuidado

Como pais e cuidadores, vocês são os principais defensores dos direitos dos seus filhos. Na relação com o médico, exijam sempre clareza, respeito e humanidade. A bioética na pediatria nada mais é do que garantir que cada decisão médica seja tomada pensando no melhor interesse da criança, respeitando sua dignidade em todas as etapas da vida.

Conclusão: um olhar atento hoje, um adulto saudável amanhã

Neste Dia Mundial da Saúde, nosso desejo é que cada família veja o pediatra como um parceiro de jornada. Mais do que tratar doenças, nosso objetivo comum é cultivar a saúde. Que possamos, juntos, construir um ambiente onde cada criança tenha a oportunidade de crescer com alegria, segurança e plenitude.

Pediatria: A arte de cuidar do futuro.

 

Relator

Mario Roberto Hirschheimer
2º Secretário da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP)
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Ler é um ato silencioso que transforma o mundo https://spsp.org.br/ler-e-um-ato-silencioso-que-transforma-o-mundo/ Wed, 07 Jan 2026 11:30:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=54717 Ler é um ato silencioso que transforma o mundo. A cada página virada, o leitor amplia horizontes, constrói pensamento crítico. A leitura é uma ferramenta poderosa de desenvolvimento huma]]>

Ler é um ato silencioso que transforma o mundo. A cada página virada, o leitor amplia horizontes, constrói pensamento crítico. A leitura é uma ferramenta poderosa de desenvolvimento humano, essencial desde a infância, influenciando a linguagem, a cognição, a criatividade e a formação cidadã.

Vivemos um tempo em que as imagens se impõem antes das palavras. As telas piscam, deslizam e capturam o olhar, enquanto a leitura – lenta, silenciosa e reflexiva – corre o risco de ser deixada de lado. Há, nesse cenário, um motivo legítimo de preocupação. A leitura exige pausa, atenção e profundidade. Ela ensina a sustentar o pensamento, a interpretar sentidos ocultos, a lidar com a complexidade e com o contraditório. Quando é substituída por conteúdos fragmentados, rápidos e predominantemente visuais, perde-se não apenas o hábito de ler, mas a capacidade de pensar com calma, de argumentar e de compreender o mundo em sua totalidade.

O excesso de estímulos visuais pode anestesiar a curiosidade, reduzir a tolerância ao silêncio e enfraquecer o vínculo com a linguagem escrita – base da educação, da ciência e da cidadania. Uma sociedade que lê menos corre o risco de questionar menos, de refletir menos e de aceitar mais facilmente respostas prontas.

As telas podem informar, mas é a leitura que forma.

Feliz Dia do Leitor.

 

Relatora:

Tania Zamataro
Membro do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Uso responsável de telas e tecnologia https://spsp.org.br/uso-responsavel-de-telas-e-tecnologia/ Fri, 22 Aug 2025 19:07:19 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52847 O uso de tecnologias por crianças e adolescentes cresce de forma rápida e descontrolada. É fascinante esse mundo imediato que oferece milhares de possibilidades na busca de inform]]>

O uso de tecnologias por crianças e adolescentes cresce de forma rápida e descontrolada.

É fascinante esse mundo imediato que oferece milhares de possibilidades na busca de informações, comunicação, conexão com o mundo e diversão.

Bem-vindo a esse universo, conhecido como ambiente digital: o “on-line”, das interações virtuais, que teima em superar o “off-line”, das interações reais.

Sim, as crianças e adolescentes têm o direito de “passear” pelo ambiente digital. Mas, na qualidade de pais, adultos responsáveis e como sociedade, temos o dever de promover e garantir o acesso saudável e seguro, com proximidade, supervisão e muito diálogo.

 Como agir?

Deve-se considerar todos os contextos que englobam a navegação, exposição e vulnerabilidade de crianças e adolescentes.

  • Para os que acessam e/ou assistem – o conteúdo é apropriado para idade e maturidade?

– Os conteúdos assistidos e os aplicativos “baixados” são de conhecimento e entendimento dos responsáveis? Reconhecem todos os ícones?

 

 



– Estão cientes de que aplicativos e redes sociais apresentam classificação indicativa que precisa ser respeitada? (WhatsApp, Instagram, TikTok e X – antigo Twitter)

  • Como é a interação com dispositivo – utiliza sozinho, com amigos e/ou com adulto?
  • Local em que acessa – em casa: no quarto/na sala e/ou em ambiente não controlado?
  • Qual a finalidade do uso – aprendizado, distração, regulação emocional?
  • Em quais momentos do dia a rede é acessada – durante as refeições, em eventos familiares, antes de dormir ou sem nenhum controle de tempo?

 Como controlar o acesso aos dispositivos móveis?

Recomenda-se que crianças menores de 12 anos não possuam smartphone próprio. Um assunto um tanto polêmico, mas é necessária a abordagem entre as famílias. Reforçando que cada família tem um papel importante, como modelo, na convivência on-line.

Os acordos sobre tempo de telas precisam ser claros e o adulto precisa participar ativamente do que foi definido como momentos “on-line” e momentos “off-line”.

Assim, ficam estipulados o tempo diário de navegação, o local de uso das telas, as verificações periódicas dos conteúdos navegados e das atividades recentes nos dispositivos.

Nos momentos “on-line”, o uso criativo e compartilhado de conteúdos, jogos e séries aproxima diferentes gerações e os olhares se complementam. Uma oportunidade para contribuir com a construção de futuros adultos: atentos, críticos e responsáveis. Capazes de reconhecer suas habilidades emocionais e exercerem o direito à cidadania.

 Exposição nas redes sociais – um alerta

Um tema recorrente e atual reacende a discussão sobre a exposição de crianças e adolescentes nas mídias sociais. Na maioria das vezes, despretensiosa e inocente. Pais e/ou filhos postam sobre o dia a dia, passeios e viagens; entram em trends (dancinhas para se divertirem). Esses vídeos e imagens são entregues, pelos algoritmos das plataformas, indiscriminadamente, e podem ser deturpados por quem consome.

A Inteligência Artificial colabora com essa nova realidade. A partir dela, geram-se conteúdos impróprios através da distorção de imagens reais. O que se torna atraente para quem só tem um objetivo: monetização e lucro, alimentando uma rede de crimes contra crianças e adolescentes.

 A importância da mediação familiar

É importante promover o diálogo e reflexão com as crianças e adolescentes sobre os riscos e benefícios do uso das telas. Esse comportamento previne riscos, estimula o autoconhecimento e fortalece as relações.

O uso responsável de telas vai muito além do mero limite de tempo: extrapola na preocupação em direcionar escolhas através de um “menu digital” atento na classificação indicativa de cada aplicativo e plataforma; amplia-se para o conhecimento sobre as camadas de segurança na internet, que são educação, diálogo aberto, supervisão parental e a utilização de ferramentas adequadas (filtros parentais e dos próprios serviços e apps que restringem os conteúdos contraindicados para a faixa etária).

Reflexão

É urgente que monitoremos os usos dos dispositivos móveis e que verifiquemos com frequência o uso de todas as plataformas consumidas por nossas crianças e adolescentes. Como proteção e não punição. O estabelecimento de regras claras, limites e conversas sistemáticas são ações que garantirão o direito a uma navegação segura no ambiente digital saudável. Fiquemos atentos com quem e onde estão sendo compartilhados vídeos e imagens pessoais. E se essa exposição exagerada se faz, de fato, necessária.

Eles merecem todo esse cuidado.

Relatora:
Betina Lahterman
Presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Saúde visual de crianças e adolescentes: cuidados essenciais para um desenvolvimento saudável https://spsp.org.br/saude-visual-de-criancas-e-adolescentes-cuidados-essenciais-para-um-desenvolvimento-saudavel/ Thu, 10 Jul 2025 16:12:57 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52206 O Dia da Saúde Ocular é celebrado todos os anos no dia 10 de julho. A visão é um dos sentidos mais importantes para]]>

O Dia da Saúde Ocular é celebrado todos os anos no dia 10 de julho. A visão é um dos sentidos mais importantes para o desenvolvimento humano. Desde o nascimento, até o final da adolescência, os olhos passam por diversas etapas de amadurecimento, sendo essenciais para o aprendizado, a socialização, a autonomia e a qualidade de vida. Garantir que crianças e adolescentes tenham uma boa saúde visual vai muito além de prevenir doenças: trata-se de proporcionar oportunidades para que eles cresçam com segurança, confiança e bem-estar.

Desde os primeiros dias de vida, é fundamental que os pais e cuidadores estejam atentos à saúde ocular dos pequenos. O primeiro exame oftalmológico, o teste do reflexo vermelho – popularmente conhecido como teste do olhinho – deve ser realizado ainda na maternidade. Ele é simples, rápido e pode detectar alterações graves, como catarata congênita, glaucoma e até tumores oculares.

É recomendável que entre seis meses e um ano de idade a criança passe por uma avaliação completa com um oftalmologista infantil. Mesmo que nenhum sintoma esteja presente, os exames devem ser realizados anualmente ou conforme a orientação médica, pois diversas doenças oculares se desenvolvem de forma silenciosa e só se manifestam quando já estão avançadas.

Crianças pequenas nem sempre conseguem comunicar que não estão enxergando bem. Cabe aos pais e responsáveis observar alguns sinais, como o hábito de aproximar objetos do rosto, tropeçar com frequência, coçar ou esfregar os olhos constantemente, lacrimejamento sem motivo aparente, sensibilidade à luz, olhos vermelhos, queixa de dores de cabeça frequentes, rendimento escolar abaixo do esperado ou desinteresse por atividades que exigem atenção visual. O desvio de um ou ambos os olhos, conhecido como estrabismo, também é um sinal de alerta. Em qualquer um desses casos, a avaliação oftalmológica deve ser realizada o mais rápido possível.

Um dos grandes desafios da saúde ocular infantil nos dias atuais é o uso excessivo de telas. O contato precoce e prolongado com celulares, tablets e computadores tem sido associado a um aumento significativo de casos de miopia. Além disso, o tempo prolongado focando em curta distância causa fadiga ocular, olhos secos e dores de cabeça, além de miopia. Por isso, é fundamental limitar o uso de telas de acordo com a idade da criança. Até os dois anos, o ideal é evitar totalmente a exposição. Entre dois e cinco anos, o tempo deve ser restrito a, no máximo, uma hora por dia, sempre com supervisão e conteúdo apropriado. A partir dos seis anos, até os dez anos, o uso pode ser mais flexível, de até duas horas por dia, com supervisão, mas deve incluir pausas frequentes — uma boa regra é a do 20-20-20: a cada 20 minutos de uso de tela, olhar por 20 segundos para algo a 6 metros de distância (que correspondem a 20 pés).

Para além das telas, atividades ao ar livre devem ser estimuladas e é uma das estratégias mais eficazes na prevenção da miopia e no fortalecimento da visão. Pesquisas apontam que o contato diário com a luz natural estimula substâncias nos olhos que ajudam a evitar o crescimento exagerado do globo ocular, que é a principal causa do aumento da miopia. Por isso, brincadeiras ao ar livre, como correr, andar de bicicleta, explorar a natureza ou simplesmente brincar no quintal são altamente recomendadas. De uma a duas horas por dia de exposição à luz solar natural, em horários adequados, já faz uma diferença significativa.

A alimentação também desempenha um papel importante na saúde visual. Uma dieta rica em vitaminas A, C e E, além de ômega-3, luteína, zeaxantina e zinco, favorece o bom funcionamento da retina e protege contra diversas doenças. Alimentos como cenoura, abóbora, espinafre, brócolis, manga, peixes, ovos e sementes devem fazer parte da alimentação das crianças. Além disso, manter a hidratação adequada é fundamental, especialmente em ambientes com ar condicionado ou para crianças que fazem uso frequente de dispositivos eletrônicos, já que estes contribuem para a síndrome do olho seco.

A prevenção de acidentes também deve ser levada em consideração. Brinquedos com pontas, objetos cortantes, produtos químicos e materiais escolares podem causar lesões graves nos olhos. É importante orientar as crianças sobre os riscos e garantir um ambiente seguro para brincadeiras. Em atividades esportivas ou em laboratórios escolares, o uso de óculos de proteção é indispensável.

Outro ponto fundamental é evitar a automedicação. Colírios, pomadas e qualquer tipo de medicamento oftálmico devem ser utilizados apenas com prescrição médica. Substâncias aparentemente inofensivas podem causar alergias, intoxicações ou agravar o quadro clínico. Da mesma forma, o uso de óculos deve ser feito somente com a orientação de um oftalmologista. Óculos com grau inadequado ou armações mal ajustadas podem piorar a visão e causar desconforto.

Promover a saúde visual na infância é garantir que a criança tenha as melhores condições para aprender, brincar, explorar o mundo e se desenvolver com plenitude. Os pais e cuidadores têm papel fundamental nesse processo, seja oferecendo estímulos adequados, acompanhando o uso de tecnologias, incentivando hábitos saudáveis ou levando a criança ao oftalmologista de forma preventiva. A visão é uma janela para o mundo e merece toda a nossa atenção.

Relator:
Marcelo Alexandre A. C. Costa
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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O paradoxo das redes sociais x solidão https://spsp.org.br/o-paradoxo-das-redes-sociais-x-solidao/ Mon, 30 Jun 2025 16:38:02 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52035 Os novos meios digitais – como smartphones, tablets, notebooks, consoles de jogos eletrônicos, entre outros – ocupam um espaço cada vez maior na vida de crianças]]>

Os novos meios digitais – como smartphones, tablets, notebooks, consoles de jogos eletrônicos, entre outros – ocupam um espaço cada vez maior na vida de crianças e adolescentes. Paralelamente, pais e educadores têm observado uma crescente sobrecarga imposta por essas tecnologias, cujos impactos vão muito além do entretenimento.

Diversos estudos científicos e observações de especialistas apontam que o contato saudável com as novas mídias depende do respeito aos estágios do desenvolvimento biológico, psicológico e social dos jovens. Isso significa que a introdução e o uso das tecnologias devem acompanhar, de forma responsável, a maturidade de cada faixa etária.

É fundamental, portanto, oferecer orientações claras sobre os riscos associados às mídias digitais. Isso inclui cuidados com o comportamento nas redes, prevenção à dependência tecnológica, proteção da privacidade, conscientização sobre conteúdos inadequados e perigos on-line, além das implicações legais e dos impactos à saúde causados pela exposição excessiva às telas. É necessário também revisar medidas de proteção e estabelecer protocolos preventivos para lidar com possíveis ameaças de forma eficaz.

Devemos buscar um equilíbrio entre, de um lado, as necessidades e interesses dos jovens e, de outro, as restrições necessárias para protegê-los, incluindo o uso criterioso de softwares de segurança. Para isso, torna-se indispensável uma educação midiática preventiva, conduzida por pais e educadores, que considere o estágio de desenvolvimento da criança e reforce experiências no mundo real, promovendo o contato com a natureza, os vínculos afetivos e a socialização.

Mais do que nunca, precisamos cuidar dos pilares essenciais da saúde infantil: alimentação equilibrada, prática de atividades físicas, brincadeiras lúdicas, convívio social, sono de qualidade, hidratação, exposição ao sol, espiritualidade e contato com a natureza.

Reconhecemos os avanços positivos que a tecnologia proporcionou, especialmente durante a pandemia. No entanto, não podemos negligenciar nossa responsabilidade – como pais, educadores e profissionais de saúde – de proteger crianças e adolescentes dos danos associados ao uso excessivo e inadequado das telas.

Essa é uma responsabilidade compartilhada por todos: professores, pediatras e especialistas devem orientar famílias e comunidades para enfrentarmos juntos os desafios impostos pelas mídias digitais e redes sociais.

No dia 30 de junho, celebramos o Dia Mundial das Redes Sociais. Para que essa data possa, de fato, ser comemorada com sentido, precisamos garantir que nossas crianças e adolescentes não percam seus vínculos essenciais: com a realidade, com a família, com a sociedade e com a natureza. Afinal, sem esses laços, corremos o risco de formar uma geração órfã de experiências fundamentais ao seu pleno desenvolvimento – físico, emocional, social e espiritual.

Unamo-nos por essa causa. Que o ser humano não se transforme em objeto ou mercadoria, nem se isole a ponto de adoecer na solidão. É nosso dever coletivo preservar o que nos torna verdadeiramente humanos.

 

Relatora:
Silvia Guiguer Chaim
Vice-Presidente da Regional do Grande ABC da Sociedade de Pediatria de São Paulo 

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O brincar como essência da infância – e da vida https://spsp.org.br/o-brincar-como-essencia-da-infancia-e-da-vida/ Wed, 28 May 2025 11:10:59 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51541 “A infância é um chão sobre o qual caminharemos o resto de nossos dias” Lya Luft 28 de maio é o Dia Internacional do Brincar. Quando falamos sobre o desenvolvimento]]>

“A infância é um chão sobre o qual caminharemos o resto de nossos dias”

Lya Luft

 28 de maio é o Dia Internacional do Brincar. Quando falamos sobre o desenvolvimento saudável das crianças, uma palavra se impõe com força e leveza ao mesmo tempo: brincar. Mais do que um passatempo, o brincar é linguagem, é afeto, é descoberta. Ele está presente desde os primeiros dias de vida – no sorriso que provoca o balbucio do bebê, na exploração das mãos, no esconder e aparecer do rosto etc. Cresce com a criança, transforma-se com ela e a acompanha até a vida adulta, ainda que em novas formas e “roupagens”.

Do ponto de vista da psicologia do desenvolvimento, nomes como Jean Piaget, Lev Vygotsky e Donald Winnicott ajudaram a consolidar a ideia de que o brincar não é apenas reflexo do desenvolvimento, mas também um motor fundamental para que ele aconteça. Piaget via no jogo simbólico uma forma de construção do pensamento. Vygotsky destacava a importância do faz-de-conta como espaço de criação de sentido e mediação cultural. Já Winnicott nos presenteou com a noção de “espaço potencial”, um território de transição entre o mundo interno e o mundo real, acessado justamente por meio do brincar.

Do olhar da educação, o brincar é campo de aprendizagem rica e espontânea. Crianças aprendem regras, limites, cooperação, criatividade e resiliência ao brincar – aspectos que nenhuma tela é capaz de transmitir com a mesma intensidade. Quando uma criança constrói com blocos, negocia papéis em uma brincadeira de faz-de-conta ou se equilibra em um tronco no parque, ela está desafiando a si mesma, desenvolvendo habilidades cognitivas, sociais e motoras. Aprendendo a viver em sociedade.

Num mundo cada vez mais digital, é urgente lembrar que brincar é também um antídoto. O excesso de telas tem se mostrado nocivo ao desenvolvimento infantil, afetando sono, atenção, linguagem e saúde emocional. Ao incentivar o brincar livre – dentro e fora de casa, com adultos ou com outras crianças – estamos não apenas resgatando a infância, mas oferecendo uma poderosa alternativa para reduzir o tempo de exposição às telas.

É papel de todos nós – pais, pediatras, educadores e profissionais da saúde – proteger esse tempo sagrado do brincar. Isso não exige brinquedos caros nem espaços sofisticados. Brincar pode ser inventar uma história com panos e almofadas, pular corda, criar uma cabana com cadeiras e lençóis ou simplesmente correr descalço no quintal. Mais do que o objeto, é o vínculo, o tempo disponível e o ambiente seguro que fazem do brincar uma experiência transformadora.

O brincar não se esgota na infância. Ele reaparece nas brincadeiras entre adolescentes, nos jogos de tabuleiro em família, no teatro, na música, nas expressões lúdicas da vida adulta. Manter viva essa dimensão do brincar é preservar o que há de mais humano em nós: a capacidade de criar, imaginar e se relacionar de forma genuína.

Em tempos de pressa, agendas cheias e estímulos digitais por todos os lados, brincar é também um ato de resistência, de permitir-se estar presente, de olhar nos olhos, de rir junto, de aprender com o outro.

E para a criança, isso não é um luxo. É uma necessidade.

 

Relator:

Fernando Lamano Ferreira
Presidente do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Combate ao sedentarismo: um alerta para a saúde de crianças e adolescentes https://spsp.org.br/combate-ao-sedentarismo-um-alerta-para-a-saude-de-criancas-e-adolescentes/ Mon, 10 Mar 2025 18:03:51 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50492 No dia 10 de março, o Brasil celebra o Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo, um momento importante para refletirmos ]]>

No dia 10 de março, o Brasil celebra o Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo, um momento importante para refletirmos sobre o impacto da falta de movimento na vida das crianças e adolescentes. Com o avanço da tecnologia e a rotina cada vez mais conectada, a infância ativa está sendo substituída por longos períodos diante das telas. Brincadeiras ao ar livre, que antes faziam parte do dia a dia, estão dando lugar a horas seguidas no celular, no videogame ou no computador. Mas o que parece inofensivo pode ter consequências sérias para a saúde.

O sedentarismo não se resume apenas à falta de exercício: ele é um dos principais fatores de risco para doenças crônicas, como obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão e problemas cardiovasculares. Além disso, a ausência de atividade física compromete a saúde mental, contribuindo para quadros de ansiedade, estresse e depressão. O impacto também é notado na escola, já que crianças que se movimentam pouco podem apresentar dificuldades de concentração, pior rendimento acadêmico e maior propensão à fadiga.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que crianças e adolescentes pratiquem pelo menos 60 minutos diários de atividade física moderada a intensa. No entanto, estudos apontam que grande parte deles não atinge essa meta. O aumento do tempo de tela, a falta de espaços seguros para brincar e até a rotina acelerada das famílias são alguns dos fatores que levam ao sedentarismo infantil. O problema é sério, mas há uma boa notícia: reverter esse quadro é mais fácil do que parece!

Estimular o movimento desde cedo traz benefícios para a vida toda. Crianças ativas fortalecem músculos e ossos, desenvolvem melhor a coordenação motora e crescem com hábitos mais saudáveis. Além disso, o exercício físico libera hormônios do bem-estar, como a endorfina e a serotonina, ajudando a combater o estresse e promovendo mais alegria e disposição. Outro ponto essencial é a socialização: esportes coletivos e brincadeiras ao ar livre ensinam valores como disciplina, cooperação e respeito, fundamentais para a formação emocional dos pequenos.

Mas como incentivar as crianças e adolescentes a se movimentarem mais? Pequenas mudanças na rotina podem fazer uma grande diferença. Atividades simples, como pular corda, brincar de pega-pega, andar de bicicleta e brincar de esconde-esconde são formas eficazes e naturais de combater o sedentarismo. Praticar esportes também é uma excelente alternativa, e há opções para todos os gostos, desde futebol, basquete e vôlei até natação e artes marciais. O importante é encontrar algo que a criança goste, para que o movimento se torne um hábito prazeroso e não uma obrigação.

O exemplo dos pais e responsáveis é fundamental. Crianças que veem seus familiares se exercitando têm maior tendência a seguir o mesmo caminho. Se a família caminha junta, passeia de bicicleta ou aproveita parques e praças nos momentos de lazer, as chances de a criança crescer ativa aumentam consideravelmente. Além disso, é essencial estabelecer limites para o tempo de tela. Definir horários para o uso de dispositivos eletrônicos e incentivar atividades físicas no tempo livre são atitudes que ajudam a equilibrar a rotina.

O Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo é um convite para refletirmos sobre os hábitos das novas gerações. Crianças precisam correr, brincar, gastar energia e explorar o mundo além das telas. Estimular a prática de atividades físicas não é apenas um conselho médico, mas uma necessidade real para garantir um futuro mais saudável e equilibrado. Pequenos gestos podem transformar a qualidade de vida dos jovens e prepará-los para a vida adulta com mais disposição e bem-estar. Afinal, o movimento não é só importante para o corpo – ele também faz bem para a mente e para o coração.

 

Relator:
Núcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes na Infância e Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo 

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Obesidade em crianças e adolescentes: orientação atualizada para prevenir e cuidar https://spsp.org.br/obesidade-em-criancas-e-adolescentes-orientacao-atualizada-para-prevenir-e-cuidar/ Wed, 05 Mar 2025 18:36:05 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50437 O Dia Mundial da Obesidade é celebrado em 4 de março, uma data que tem como objetivo aumentar a conscientização sobre os riscos]]>

O Dia Mundial da Obesidade é celebrado em 4 de março, uma data que tem como objetivo aumentar a conscientização sobre os riscos dessa condição e promover ações que ajudem a prevenir e combater a obesidade.

O excesso de peso afeta milhões de pessoas em todo o mundo e pode levar a uma série de problemas de saúde e pode se instalar já na infância.

A educação e a prevenção são fundamentais para garantir uma vida mais saudável para as futuras gerações.

Repercussões negativas da obesidade

A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, que pode prejudicar o funcionamento normal do organismo, podendo afetar a saúde de diversas formas. Entre os principais problemas que a obesidade pode causar, estão:

  • Doenças cardiovasculares: O excesso de peso aumenta o risco de hipertensão, colesterol elevado e mau funcionamento do coração;
  • Diabetes tipo 2: A obesidade é uma das principais causas do diabetes tipo 2, uma condição que afeta a forma como o corpo metaboliza o açúcar do sangue e pode levar a complicações graves;
  • Problemas nas articulações: O peso excessivo acarreta maior pressão sobre as articulações, o que pode resultar em dor, inflamação e, eventualmente, em problemas permanentes, como a osteoartrite do joelho;
  • Distúrbios respiratórios: A obesidade pode dificultar a respiração e aumentar o risco de apneia do sono e asma;
  • Impactos psicológicos: O excesso de peso pode comprometer a autoestima e a saúde mental de crianças e adolescentes, levando a quadros de estresse, depressão e ansiedade.

O papel dos pais e responsáveis na prevenção da obesidade em crianças e adolescentes

Embora a genética tenha um papel na predisposição ao ganho de peso, os hábitos alimentares inadequados e a ausência da prática de atividade física são fatores determinantes para o desenvolvimento da obesidade. Medidas de prevenção devem começar em casa, com a participação de pais e familiares.

Aqui estão sete dicas práticas para ajudar a prevenir a obesidade em crianças e adolescentes e, consequentemente, reduzir o risco da ocorrência de suas consequências negativas.

  1. Oferecer uma alimentação equilibrada

A alimentação saudável é fundamental para manter o peso adequado. Priorize alimentos naturais e frescos, como frutas, legumes, verduras e proteínas magras. Evite o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, como fast food, refrigerantes, doces e frituras. Incentive o consumo de água e evite bebidas açucaradas, como sucos processados.

  1. Estabelecer horários para as refeições

Ter horários regulares para as refeições ajuda a evitar o consumo excessivo de alimentos, pois contribui com o funcionamento normal do centro da fome e saciedade, ou seja, comer com calma e de forma consciente permite que o corpo perceba quando está satisfeito, evitando excessos.

  1. Incentivar a atividade física regular

De forma geral, recomenda-se que crianças e adolescentes tenham, pelo menos, 1 hora de atividade física todos os dias. Pode ser uma caminhada, andar de bicicleta, nadar, jogar futebol, ou até mesmo brincar ao ar livre, principalmente para crianças menores. O importante é que a atividade seja prazerosa, para que se torne parte da rotina diária.

  1. Reduzir o tempo de tela

A exposição excessiva a telas (televisão, computadores, tablets, celulares e videogames) tem sido um dos principais fatores que contribuem para o sedentarismo. Limite o tempo em frente às telas e incentive brincadeiras ativas, como correr, dançar ou praticar esportes. O cuidado é a conotação que se deve dar a esta prática; limitar e criar rotinas saudáveis não deve beirar a proibição.

  1. Estabelecer um exemplo positivo

Crianças e adolescentes tendem a imitar os comportamentos dos adultos da família. Portanto, se você adotar um estilo de vida saudável, com uma alimentação balanceada e atividade física regular, seu filho ou filha terá maior probabilidade de seguir o mesmo caminho.

  1. Promover o sono de qualidade

O sono tem grande influência no metabolismo e no controle do peso. Procure garantir que a criança/adolescente durma entre 8 e 10 horas por noite. Isso é essencial para o equilíbrio do corpo. A falta de sono pode desregular os hormônios que controlam o crescimento físico e o apetite, contribuindo para o aumento de peso.

  1. Evitar pressões excessivas

A preocupação excessiva com o peso pode gerar desde ansiedade até transtornos alimentares graves. Em vez de focar no peso, incentive comportamentos saudáveis e a prática de atividades físicas de forma positiva, sem criar pressão ou alcançar um padrão estético específico.

Conclusão

A obesidade é uma doença muito importante da sociedade atual, que pode trazer consequências graves para a saúde física e mental de crianças e adolescentes.

Apesar do aumento da sua prevalência entre crianças e adolescentes, ela pode ser evitada com ações simples, especialmente no ambiente familiar. Pais e responsáveis desempenham um papel fundamental nesse processo, ao oferecerem alimentos saudáveis, incentivarem a prática de atividades físicas e, acima de tudo, serem modelos de comportamentos positivos.

Devemos lembrar que a prevenção começa cedo, e pequenas mudanças no dia a dia podem fazer uma grande diferença na saúde e bem-estar das próximas gerações.

Neste Dia Mundial da Obesidade, reflita sobre a importância de manter um estilo de vida saudável e ajudar os mais jovens a crescer e se desenvolver de forma equilibrada e feliz.

 

Relator:
Tulio Konstantyner
Vice-Presidente do Departamento Científico de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Efeito Mateus https://spsp.org.br/efeito-mateus/ Mon, 12 Aug 2024 18:56:40 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47514 ]]>

“Sai da frente da TV e vai ver o céu, menino”, conclamava a vovó, incomodada com o tempo que o netinho estava parado diante de uma tela.  Ah! A vovó não aceitava que o neto ficasse “sem gastar energia”, “sem interagir com a natureza”, “sem brincar com os amigos”. Desconfiava que tinha alguma coisa errada: “tem caroço nesse angu”.

Hoje, o caroço nesse angu tem o nome de ‘Efeito Mateus’.

O “Efeito Mateus” é um fenômeno observado em estatísticas e análises econômicas, que descreve como as diferenças e desequilíbrios tendem a se ampliar durante períodos de crescimento econômico ou recuperação após uma crise.

O termo deriva de uma passagem do Novo Testamento da Bíblia cristã, no Evangelho de Mateus, onde Jesus diz: “Pois a quem tem, mais será dado, e terá em abundância. Mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado”. Essa passagem é frequentemente interpretada como uma reflexão sobre a dinâmica das desigualdades sociais. Em períodos de crescimento econômico as desigualdades podem se agravar, perpetuando um ciclo sem fim e aumentando as disparidades sociais.

Michel Desmurget* aplica esse conceito ao analisar a importância dos efeitos negativos no desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças, em especial na idade entre 0 e 6 anos, causados pela exposição inadequada às telas. Nessa faixa etária ocorre um enorme crescimento do tecido neural, extraordinário na formação de sinapses, fundamentais para o processo de aprendizagem e memorização.

A analogia se estabelece ao afirmar que o comprometimento do crescimento e maturação desse sistema, nessa faixa etária, determina um patamar para aquisições futuras aquém do que poderia ter sido estabelecido. Portanto, quaisquer fatores que interfiram nesse desenvolvimento, sequestram oportunidades, são “ladrões de tempo oportuno e insubstituível”.

As telas são descritas como as “grandes vilãs” quanto ao uso desse bem primordial e essencial – o tempo. Elas competem, nas 24 horas do dia, com outras utilizações melhores e mais saudáveis para o desenvolvimento infantil.

 

Esse é o ponto.

 

É uma falácia bastante disseminada que uma criança que é estimulada ao uso precoce das diversas mídias terá uma performance melhor em sua vida futura, tanto acadêmica, quanto profissional. Podemos afirmar, sem risco de errar, que essa melhora, por exemplo com o treinamento continuado nos videogames, produz apenas melhores jogadores de videogames, sem repercutir em outras habilidades.

O que é essencial é a qualidade dos estímulos recebidos por uma criança. Nenhum programa de TV, como Vila Sésamo, Peppa Pig ou equivalente, será um estímulo melhor do que a criança brincar com jogos de encaixar, multicoloridos, contando com a interação de um adulto que as supervisione.

É a tese do livro de Michel Desmurget: “As crianças precisam que falemos com elas, leiamos histórias para elas, que ganhem e leiam livros. Elas precisam se “entediar”, “ter tempo para não fazer nada”, brincar, montar quebra-cabeças, construir casas com blocos, correr, pular, cantar. Elas necessitam desenhar, praticar atividades físicas, ouvir músicas, tocar instrumentos, etc. Todas essas atividades (e muitas outras semelhantes) constroem seu cérebro de forma mais segura e eficaz do que qualquer tela recreativa. Dito de outra maneira, a criança não se tornará um deficiente no mundo digital porque não foi exposta às telas durante os seis primeiros anos de sua vida. Ao contrário. O que ela desenvolverá longe das telas a ajudará a melhor utilizar o que o digital pode oferecer de positivo”.

Há os que subestimam, ou não acreditam nisso. Resgato, como alerta, uma frase veiculada pela Academia Americana de Pediatria: “Se não sabemos que algo é bom e há razões para acreditar que é mau, por que fazê-lo?” (**)

Listo para terminar, os principais problemas médicos, relacionados com a exposição inadequada às telas, que podem afetar a saúde das crianças e adolescentes:

  • Dependência digital e uso problemático das mídias interativas;
  • Problemas de saúde mental: irritabilidade, ansiedade e depressão;
  • Transtornos do déficit de atenção e hiperatividade;
  • Transtornos do sono;
  • Transtornos de alimentação: sobrepeso/obesidade e anorexia/bulimia;
  • Sedentarismo e falta da prática de exercícios;
  • Bullying & cyberbullying;
  • Transtornos da imagem corporal e da autoestima;
  • Riscos da sexualidade, nudez, sexting, abuso sexual, estupro virtual;
  • Comportamentos autolesivos, indução e riscos de suicídio;
  • Aumento da violência, abusos e fatalidades;
  • Problemas visuais, miopia e síndrome visual do computador;
  • Problemas auditivos e PAIR (perda auditiva induzida pelo ruído);
  • Transtornos posturais e musculoesqueléticos;
  • Uso de nicotina, vaping, bebidas alcoólicas, maconha, anabolizantes e outras drogas.

 

Saiba mais:

 

* A Fábrica de Cretinos Digitais: os perigos das telas para nossas crianças. Michel Desmurget. São Paulo: Vestígio, 2023.

** Falck RS et al. What is the association between behaviour and cognitive function? A systematic review. British Journal of Sports Medicine, 2017; 51.

 

Relator:

Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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