TEAF – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 09 Sep 2026 16:09:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png TEAF – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Uma data para reforçar cuidados que devem ser diários https://spsp.org.br/uma-data-para-reforcar-cuidados-que-devem-ser-diarios/ Wed, 09 Sep 2026 16:09:49 +0000 https://spsp.org.br/?p=58947 Mais uma vez, somos lembrados de que os Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) — entre os quais a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) representa o quadro mais grave e completo — podem ser totalmente prevenidos. Em nível global, o dia 9 de setembro é celebrado como o Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal. Os TEAF podem se manifestar em qualquer pessoa exposta ao álcool durante o desenvolvimento uterino. Quando uma gestante consome álcool etílico (etanol), a substância atravessa a placenta e atinge diretamente o embrião ou feto. Essa droga lícita, presente em bebidas alcoólicas e também em preparações culinárias que as utilizam, interfere na multiplicação, organização e maturação celular. Com isso, o álcool pode comprometer o desenvolvimento anatômico e funcional de diferentes órgãos, afetando principalmente o cérebro, cuja formação se inicia nas primeiras semanas de gestação e se estende até o período extrauterino. A exposição ao álcool na gestação pode causar sequelas permanentes. Além das malformações congênitas, a criança com TEAF pode apresentar atrasos em diversas áreas do neurodesenvolvimento, incluindo atenção, aprendizado, memória, comportamento, controle de impulsos e emoções, linguagem, habilidades sociais e autonomia para atividades cotidianas. Muitas dessas dificuldades só se manifestam com o crescimento e acabam sendo erroneamente atribuídas a preguiça, desobediência ou desinteresse. Frequentemente, essas crianças são rotuladas como “mal-educadas”, quando, na realidade, possuem um cérebro com funcionamento atípico e, portanto, elas necessitam de compreensão para ser devidamente apoiadas ao longo de sua trajetória, já que o transtorno não tem cura. Não existe quantidade de álcool segura para o desenvolvimento fetal, assim como não há período da gestação em que o consumo seja isento de riscos. Como cada organismo é único e reage de forma particular, torna-se impossível prever a gravidade das repercussões ou quais indivíduos serão afetados. Diante disso, a conduta ideal é a abstinência total de álcool durante toda a gravidez. Caso a gestante já tenha consumido alguma dose, a recomendação é interromper o uso imediatamente. Cessar o consumo reduz a exposição contínua do feto, atenuando significativamente a gravidade dos riscos. Nenhuma mulher deve ou precisa passar por esse processo sem apoio. Auxiliar a gestante a manter-se sóbria, oferecer opções de bebidas não alcoólicas de forma natural, reduzir as pressões sociais para o consumo e dialogar abertamente sobre o tema são atitudes preventivas que cabem aos parceiros, familiares, amigos, profissionais de saúde e a toda sociedade. Nesse cenário, os profissionais de saúde, especialmente os pediatras, exercem um papel essencial ao acolher e orientar a mulher com respeito, sensibilidade e sem julgamentos. Como grande parte das gestações não é planejada ou descoberta de imediato, debater o uso de álcool e a saúde reprodutiva com mulheres em idade fértil é um cuidado preventivo essencial para a saúde materna e infantil. Trata-se de uma medida indispensável para evitar danos que possam comprometer o indivíduo por toda a sua existência. O dia 9 de setembro transcende a conscientização temporária; é um convite para consolidar cuidados cotidianos: Relatora: Maria dos Anjos MesquitaVice-Presidente do Núcleo de Estudos dos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) da SPSP]]>

Mais uma vez, somos lembrados de que os Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) — entre os quais a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) representa o quadro mais grave e completo — podem ser totalmente prevenidos. Em nível global, o dia 9 de setembro é celebrado como o Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal.

Os TEAF podem se manifestar em qualquer pessoa exposta ao álcool durante o desenvolvimento uterino. Quando uma gestante consome álcool etílico (etanol), a substância atravessa a placenta e atinge diretamente o embrião ou feto. Essa droga lícita, presente em bebidas alcoólicas e também em preparações culinárias que as utilizam, interfere na multiplicação, organização e maturação celular. Com isso, o álcool pode comprometer o desenvolvimento anatômico e funcional de diferentes órgãos, afetando principalmente o cérebro, cuja formação se inicia nas primeiras semanas de gestação e se estende até o período extrauterino.

A exposição ao álcool na gestação pode causar sequelas permanentes. Além das malformações congênitas, a criança com TEAF pode apresentar atrasos em diversas áreas do neurodesenvolvimento, incluindo atenção, aprendizado, memória, comportamento, controle de impulsos e emoções, linguagem, habilidades sociais e autonomia para atividades cotidianas. Muitas dessas dificuldades só se manifestam com o crescimento e acabam sendo erroneamente atribuídas a preguiça, desobediência ou desinteresse. Frequentemente, essas crianças são rotuladas como “mal-educadas”, quando, na realidade, possuem um cérebro com funcionamento atípico e, portanto, elas necessitam de compreensão para ser devidamente apoiadas ao longo de sua trajetória, já que o transtorno não tem cura.

Não existe quantidade de álcool segura para o desenvolvimento fetal, assim como não há período da gestação em que o consumo seja isento de riscos. Como cada organismo é único e reage de forma particular, torna-se impossível prever a gravidade das repercussões ou quais indivíduos serão afetados. Diante disso, a conduta ideal é a abstinência total de álcool durante toda a gravidez. Caso a gestante já tenha consumido alguma dose, a recomendação é interromper o uso imediatamente. Cessar o consumo reduz a exposição contínua do feto, atenuando significativamente a gravidade dos riscos.

Nenhuma mulher deve ou precisa passar por esse processo sem apoio. Auxiliar a gestante a manter-se sóbria, oferecer opções de bebidas não alcoólicas de forma natural, reduzir as pressões sociais para o consumo e dialogar abertamente sobre o tema são atitudes preventivas que cabem aos parceiros, familiares, amigos, profissionais de saúde e a toda sociedade. Nesse cenário, os profissionais de saúde, especialmente os pediatras, exercem um papel essencial ao acolher e orientar a mulher com respeito, sensibilidade e sem julgamentos.

Como grande parte das gestações não é planejada ou descoberta de imediato, debater o uso de álcool e a saúde reprodutiva com mulheres em idade fértil é um cuidado preventivo essencial para a saúde materna e infantil. Trata-se de uma medida indispensável para evitar danos que possam comprometer o indivíduo por toda a sua existência.

O dia 9 de setembro transcende a conscientização temporária; é um convite para consolidar cuidados cotidianos:

  • Álcool e gestação não combinam.
  • Não existe quantidade nem momento seguro de consumo de álcool durante a gestação.
  • Informação não julga. Ela pode proteger vidas.
  • Prevenção começa antes da primeira dose. O cuidado é necessário por toda a vida.
  • Prevenir os TEAF, entre eles a SAF, é uma responsabilidade compartilhada.

Relatora:

Maria dos Anjos Mesquita
Vice-Presidente do Núcleo de Estudos dos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) da SPSP

]]>
Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal https://spsp.org.br/dia-mundial-de-prevencao-da-sindrome-alcoolica-fetal/ Mon, 09 Sep 2024 15:04:26 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47932 O primeiro Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) ocorreu em 9 de setembro de 1999, pelo empenho do casal canadense Bonnie Buxton e Brian Philcox, que]]>

O primeiro Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) ocorreu em 9 de setembro de 1999, pelo empenho do casal canadense Bonnie Buxton e Brian Philcox, que haviam adotado uma criança com essa síndrome.

A criação desse dia objetivou aumentar a conscientização de toda a população sobre os danos que o consumo de qualquer bebida que contenha álcool, pela mulher grávida, pode causar no feto durante o seu crescimento e desenvolvimento.

O nono dia do nono mês de cada ano foi escolhido de forma intencional, pelo referido casal, como um lembrete para as mulheres sobre a importância de não consumirem álcool durante os nove meses da gestação.

Desde a sua criação, em diversos países, nesse dia comemorativo realizam-se vários eventos que objetivam a educação de toda a população e a prevenção da SAF.

De todas as substâncias de abuso, como maconha, cocaína e heroína, o álcool é o que produz efeitos comportamentais mais graves no feto. Isso é preocupante, não só em nível mundial, como no Brasil, onde se estima que cerca de 15%-25% das gestantes consumam bebidas alcoólicas.

Todo o álcool consumido pela gestante passa para o feto pela placenta e, em uma hora, a quantidade dessa droga no sangue do feto é igual à da mãe. Como o feto não tem as enzimas necessárias para metabolizá-lo, o álcool fica muito tempo no corpo, até retornar ao organismo materno e ser eliminado.

O álcool pode causar alterações no funcionamento, divisão e no crescimento das células. Todas as células do feto podem sofrer os seus danos, mas os que mais sofrem são os neurônios.

A SAF representa o quadro mais grave e completo dos chamados Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF). Este espectro abrange todas as manifestações físicas (inclusive malformações de diversos órgãos), cognitivas, comportamentais e de desenvolvimento, de leves a severas, que os indivíduos podem apresentar se expostos ao álcool na vida intrauterina.

Os pacientes com SAF apresentam características faciais distintas, problemas de crescimento e graves disfunções neurocomportamentais, que, embora possam ter manifestações variáveis de acordo com a idade, não têm cura e os obrigará a conviver com elas por toda a vida.

Os indivíduos com TEAF, inclusive os com SAF, podem apresentar graves deficiências intelectuais, problemas de aprendizagem e de convívio. Podem ser agitados, hiperativos, irritar-se com facilidade, terem baixo limiar de frustração, voltarem-se para a criminalidade e terem grande propensão ao uso de álcool e de outras drogas.

A gravidade e o tipo das lesões causadas no embrião e no feto pelo álcool dependem da dose e da frequência do consumo desta droga lícita pela grávida, do estágio do desenvolvimento do concepto no momento da exposição, da genética materna e fetal, do estado nutricional e da qualidade de alimentação materna. Não depende do tipo de bebida alcoólica, pois todas elas contêm álcool.

Temos que lembrar que o álcool pode estar presente em outras apresentações além das bebidas alcoólicas. Ele pode estar presente nos sacolés alcoólicos, nos chás Kombucha e Jun, em algumas cervejas rotuladas como “sem álcool’, bombons e, como mais recentemente divulgado, em pães. Pode ser usado como solvente do narguilé e, neste caso, ser absorvido para o organismo pelos pulmões.

O diagnóstico da SAF, e de todas as variações do TEAF, não é fácil e exige a participação de profissionais de várias áreas da saúde para que seja feito.

Não existe nenhum tratamento específico para a SAF e TEAF, ou seja, não existe a cura. As terapias existentes apenas abrandam as suas manifestações e são voltadas para o que cada paciente apresenta. Estas devem ser precoces, com a finalidade de melhorar o desenvolvimento da criança e proporcionar uma vida mais saudável e independente no seu futuro.

Não se conhece se existe alguma dose segura de consumo de álcool pela gestante, incapaz de levar a algum dano ao feto. Porém, sabe-se que não só a SAF, como também qualquer sinal e sintoma dentro do TEAF, são totalmente evitáveis, se a grávida não consumir nenhuma quantidade de álcool ao longo de toda a gestação. Essa simples atitude prevenirá o desenvolvimento não só da SAF como também do TEAF, garantindo a possibilidade da criança ter uma vida mais saudável.

Assim, importantes órgãos nacionais e internacionais recomendam a abstinência de álcool a todas as mulheres grávidas, que desejam ou que tenham risco de engravidar.

Frente à gravidade do TEAF, não só as grávidas, como toda a população, precisam estar informadas sobre os perigos que o álcool consumido durante a gravidez pode causar ao feto. Alertar, educar, informar e orientar são os objetivos do Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal.

Relatora:

Maria dos Anjos Mesquita

Membro do Núcleo de Estudos dos Efeitos do Álcool na Gestante, no Feto e no Recém-Nascido (SAF) da Sociedade de Pediatria de São Paulo

]]>