TDAH – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Thu, 06 Apr 2017 21:12:31 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png TDAH – SPSP https://spsp.org.br 32 32 TDAH: há uma epidemia por aí? https://spsp.org.br/tdah-ha-uma-epidemia-por-ai/ Thu, 06 Apr 2017 21:12:31 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=1579 O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade é um dos distúrbios mais diagnosticados em crianças hoje. Entenda essa história e suas polêmicas. Por Dr. Eduardo Goldenstein De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o TDAH é um transtorno neurobiológico de causa genética e que é passível de ser tratado com o uso de medicamentos. Entretanto, alguns estudiosos do assunto negam a existência do distúrbio, alegando que até o presente momento não se conseguiu determinar a área do cérebro comprometida pelo problema nem os genes diretamente envolvidos com o seu surgimento. Creem esses estudiosos que crianças e adolescentes saudáveis que apresentam dificuldades no processo de escolarização estão sendo rotuladas indevidamente como portadoras de supostas doenças neurológicas, sobretudo o TDAH, numa clara medicalização dos processos de aprendizagem e desenvolvimento. Dentro do conceito da OMS, há de se pensar no TDAH em crianças impulsivas, exageradamente ativas e que apresentem déficit de concentração, além de serem incapazes de planejar e organizar tarefas e atividades rotineiras. As crianças hiperativas na faixa de 3 e 4 anos seriam como o “rabo de lagartixa”: em contínuo movimento, incapazes de permanecer quietas por um só instante. Elas pulam, saltam, correm, se machucam e, quando sentadas, balançam as pernas ou batucam com os dedos na mesa. Também são desorganizadas, não terminam o que começaram, são loquazes, barulhentas, falam rápido e em voz alta e seus pais vivem ralhando com elas. Já as impulsivas ou com déficit de inibição (entre 5 e 7 anos) agem e falam de supetão, ofendem e agridem as pessoas ao seu redor — se arrependendo em seguida —, cometem erros frequentes nas lições, já que não leem todo o enunciado dos exercícios, e se machucam com facilidade por serem descuidadas e ignorarem perigos como atravessar a rua sem olhar os carros. O tratamento preconizado quando existe o diagnóstico de TDAH envolve uma abordagem múltipla, englobando tanto intervenções psicossociais como farmacológicas. A medicação recomendada costuma ser o metilfenidato, que só deve ser prescrito por médicos experientes. Ora, falamos de um remédio de difícil controle na dosagem e com muitas contraindicações e efeitos colaterais. As intervenções psicossociais devem envolver não só as crianças, mas também as famílias, as escolas e o entorno. Como método psicoterápico, a maioria dos estudiosos recomenda a terapia cognitiva comportamental, acompanhada de intervenções no âmbito familiar e escolar. ___ Texto produzido pelo Dr. Eduardo Goldenstein para o site SAÚDE. Link original: http://saude.abril.com.br/blog/experts-na-infancia/tdah-ha-uma-epidemia-por-ai/ Dr. Eduardo Goldenstein é pediatra, doutor em Psicologia Clínica e membro do Departamento de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP). Publicado em 6/04/2017. photo credit: Thaipham | Pixabay.com Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade é um dos distúrbios mais diagnosticados em crianças hoje. Entenda essa história e suas polêmicas.
Por Dr. Eduardo Goldenstein

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o TDAH é um transtorno neurobiológico de causa genética e que é passível de ser tratado com o uso de medicamentos. Entretanto, alguns estudiosos do assunto negam a existência do distúrbio, alegando que até o presente momento não se conseguiu determinar a área do cérebro comprometida pelo problema nem os genes diretamente envolvidos com o seu surgimento. Creem esses estudiosos que crianças e adolescentes saudáveis que apresentam dificuldades no processo de escolarização estão sendo rotuladas indevidamente como portadoras de supostas doenças neurológicas, sobretudo o TDAH, numa clara medicalização dos processos de aprendizagem e desenvolvimento.

Dentro do conceito da OMS, há de se pensar no TDAH em crianças impulsivas, exageradamente ativas e que apresentem déficit de concentração, além de serem incapazes de planejar e organizar tarefas e atividades rotineiras.

As crianças hiperativas na faixa de 3 e 4 anos seriam como o “rabo de lagartixa”: em contínuo movimento, incapazes de permanecer quietas por um só instante. Elas pulam, saltam, correm, se machucam e, quando sentadas, balançam as pernas ou batucam com os dedos na mesa. Também são desorganizadas, não terminam o que começaram, são loquazes, barulhentas, falam rápido e em voz alta e seus pais vivem ralhando com elas.

Já as impulsivas ou com déficit de inibição (entre 5 e 7 anos) agem e falam de supetão, ofendem e agridem as pessoas ao seu redor — se arrependendo em seguida —, cometem erros frequentes nas lições, já que não leem todo o enunciado dos exercícios, e se machucam com facilidade por serem descuidadas e ignorarem perigos como atravessar a rua sem olhar os carros.

O tratamento preconizado quando existe o diagnóstico de TDAH envolve uma abordagem múltipla, englobando tanto intervenções psicossociais como farmacológicas. A medicação recomendada costuma ser o metilfenidato, que só deve ser prescrito por médicos experientes.

Ora, falamos de um remédio de difícil controle na dosagem e com muitas contraindicações e efeitos colaterais. As intervenções psicossociais devem envolver não só as crianças, mas também as famílias, as escolas e o entorno. Como método psicoterápico, a maioria dos estudiosos recomenda a terapia cognitiva comportamental, acompanhada de intervenções no âmbito familiar e escolar.

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Texto produzido pelo Dr. Eduardo Goldenstein para o site SAÚDE.
Link original: http://saude.abril.com.br/blog/experts-na-infancia/tdah-ha-uma-epidemia-por-ai/

Dr. Eduardo Goldenstein é pediatra, doutor em Psicologia Clínica e membro do Departamento de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP).

Publicado em 6/04/2017.
photo credit: Thaipham | Pixabay.com

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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Déficit de atenção na infância e o uso abusivo de medicação https://spsp.org.br/deficit-de-atencao-na-infancia-e-o-uso-abusivo-de-medicacao-2/ Tue, 22 Apr 2014 06:00:26 +0000 http://comunidadespsp.wordpress.com/?p=589 Um mundo interativo, conectado 24 horas por dia, e crianças com acesso a um mundo de informações. Este é o cenário no qual, cada vez mais, as crianças têm dificuldade em sentar em uma sala e assistir à uma aula. Seja pela rotina geralmente extensa, seja pela falta de controle de pais e professores, o diagnóstico de hiperatividade e déficit de atenção é cada vez mais comum. O transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) realmente existe e pode acometer não apenas crianças, mas também adolescentes e adultos, com sintomas como agitação, dificuldade de atenção e impulsividade excessivas. Mas como diferenciar o transtorno da agitação normal da idade e ambiente em que a criança vive? “Na prática diária, percebemos que há muita desinformação acerca do TDAH, facilitando suspeitas e até mesmo diagnósticos equivocados, que incidem sobre crianças que são apenas desatentas”, relata o Dr. Fausto Flor Carvalho, presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP). Pais e professores de olho O papel da escola na identificação do problema é bastante questionado e requer cuidados. Antes de concluir que se trata de TDAH e encaminhar o aluno a psicólogo ou neurologista, a escola pode chamar os pais e conversar sobre a possibilidade de se tratar de um transtorno de aprendizado ou ajustar determinados comportamentos que podem ocorrer no desenvolvimento da criança. Mas o diagnóstico e, se necessário, o encaminhamento a um especialista, só devem ser realizados pelo pediatra, explica o Dr. Marun David Cury, membro da Diretoria de Defesa Profissional da SPSP. “É da abrangência do pediatra confirmar ou não uma possível dificuldade de aprendizagem, déficit ou outro distúrbio, e isso será feito a partir da análise de todo o histórico do pequeno paciente, desde o pré-natal.” Em muitos casos, revela o especialista, pode de tratar apenas de um problema de visão ou de audição, que dificultam a compreensão e acompanhamento adequado da aula. Por isso, explica o Dr. Saul Cypel, presidente do Departamento Científico de Neurologia da SPSP, é importante que se avalie a criança como um todo, inclusive como têm sido estabelecidas as suas relações sociais, principalmente dentro do ambiente familiar. “Muitas das alterações de comportamento têm origem na inadequação de relacionamento dos pais com os filhos, por exemplo, a falta de incentivo em lidar com regras e limites, ou o excesso de cuidados familiares ou outras pessoas que participem da casa, que não favorece a força de agir por conta própria, não promovendo a sua autonomia”, explica. Tratamento A aliança entre os pais, a escola e o pediatra é o primeiro passo para ajudar uma criança com problemas de comportamento ou dificuldade de aprendizado. Há casos em que a psicoterapia, ou terapia familiar, podem ser indicadas. O medicamento poderá entrar em cena complementando as opções anteriores. Nestes casos específicos, há medicamentos úteis, mas que devem ser usados criteriosamente, e sob rigorosa prescrição médica. “Há trabalhos em que o uso indiscriminado ou abusivo de medicação na infância pode resultar em adolescentes mais suscetíveis a quadros depressivos”, acrescenta dr. Fausto. O especialista lembra, ainda, que todo medicamento tem contraindicações e efeitos colaterais. Mesmo quando indicados, podem trazer reações indesejadas, que devem ser monitoradas pelo pediatra ou, se for o caso, por um neurologista ou psiquiatra. ___ Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP. Publicado em 22/04/2014. photo credit: Djem82 | Dreamstime.com Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

??????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????Um mundo interativo, conectado 24 horas por dia, e crianças com acesso a um mundo de informações. Este é o cenário no qual, cada vez mais, as crianças têm dificuldade em sentar em uma sala e assistir à uma aula. Seja pela rotina geralmente extensa, seja pela falta de controle de pais e professores, o diagnóstico de hiperatividade e déficit de atenção é cada vez mais comum.

O transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) realmente existe e pode acometer não apenas crianças, mas também adolescentes e adultos, com sintomas como agitação, dificuldade de atenção e impulsividade excessivas. Mas como diferenciar o transtorno da agitação normal da idade e ambiente em que a criança vive?

“Na prática diária, percebemos que há muita desinformação acerca do TDAH, facilitando suspeitas e até mesmo diagnósticos equivocados, que incidem sobre crianças que são apenas desatentas”, relata o Dr. Fausto Flor Carvalho, presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP).

Pais e professores de olho
O papel da escola na identificação do problema é bastante questionado e requer cuidados. Antes de concluir que se trata de TDAH e encaminhar o aluno a psicólogo ou neurologista, a escola pode chamar os pais e conversar sobre a possibilidade de se tratar de um transtorno de aprendizado ou ajustar determinados comportamentos que podem ocorrer no desenvolvimento da criança. Mas o diagnóstico e, se necessário, o encaminhamento a um especialista, só devem ser realizados pelo pediatra, explica o Dr. Marun David Cury, membro da Diretoria de Defesa Profissional da SPSP. “É da abrangência do pediatra confirmar ou não uma possível dificuldade de aprendizagem, déficit ou outro distúrbio, e isso será feito a partir da análise de todo o histórico do pequeno paciente, desde o pré-natal.” Em muitos casos, revela o especialista, pode de tratar apenas de um problema de visão ou de audição, que dificultam a compreensão e acompanhamento adequado da aula.

Por isso, explica o Dr. Saul Cypel, presidente do Departamento Científico de Neurologia da SPSP, é importante que se avalie a criança como um todo, inclusive como têm sido estabelecidas as suas relações sociais, principalmente dentro do ambiente familiar. “Muitas das alterações de comportamento têm origem na inadequação de relacionamento dos pais com os filhos, por exemplo, a falta de incentivo em lidar com regras e limites, ou o excesso de cuidados familiares ou outras pessoas que participem da casa, que não favorece a força de agir por conta própria, não promovendo a sua autonomia”, explica.

Tratamento
A aliança entre os pais, a escola e o pediatra é o primeiro passo para ajudar uma criança com problemas de comportamento ou dificuldade de aprendizado. Há casos em que a psicoterapia, ou terapia familiar, podem ser indicadas. O medicamento poderá entrar em cena complementando as opções anteriores. Nestes casos específicos, há medicamentos úteis, mas que devem ser usados criteriosamente, e sob rigorosa prescrição médica. “Há trabalhos em que o uso indiscriminado ou abusivo de medicação na infância pode resultar em adolescentes mais suscetíveis a quadros depressivos”, acrescenta dr. Fausto.

O especialista lembra, ainda, que todo medicamento tem contraindicações e efeitos colaterais. Mesmo quando indicados, podem trazer reações indesejadas, que devem ser monitoradas pelo pediatra ou, se for o caso, por um neurologista ou psiquiatra.

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Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP.

Publicado em 22/04/2014.
photo credit: Djem82 | Dreamstime.com

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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