Tabagismo – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 06 May 2025 17:41:42 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Tabagismo – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Efeitos na saúde das crianças causados pela poluição https://spsp.org.br/efeitos-na-saude-das-criancas-causados-pela-poluicao/ Wed, 21 Aug 2024 13:18:42 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47647 De acordo com relatórios recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 25% das mortes de crianças menores de cinco anos, cerca de 1,7 milhões de crianças, são causadas]]>

De acordo com relatórios recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 25% das mortes de crianças menores de cinco anos, cerca de 1,7 milhões de crianças, são causadas pela poluição ambiental, que inclui a poluição do ar em ambientes fechados e ao ar livre, o fumo passivo, a água contaminada, a falta de saneamento e a higiene inadequada. Crianças são particularmente vulneráveis à poluição atmosférica, desde o útero até à idade adulta, sofrem mais significativamente o impacto da poluição, em comparação com os adultos. Há razões fisiológicas para isso:

  • As crianças ingerem mais água e alimentos e respiram maior quantidade de ar por unidade de peso corporal que um adulto. Isto pode permitir que agentes químicos presentes na água, como metais (chumbo) ou compostos orgânicos lipossolúveis absorvidos pela mãe e veiculados ligados à gordura no leite materno, sejam detectados em fluidos biológicos do lactente amamentado ao seio; pode, ainda, expor mais a criança a poluentes presentes no ar do ambiente doméstico e do ambiente externo.
  • Características próprias do desenvolvimento dos lactentes, que respiram mais próximo do solo (engatinham, ficam mais sentados, baixa estatura), aumentando o risco de exposição a material particulado e alguns gases (como monóxido de carbono e radônio) que se acumulam nesta zona ambiental.
  • As crianças tendem a levar a mão à boca com mais facilidade, por isso podem contaminar-se mais por essa via.
  • A via aérea infantil tem menor calibre e maior resposta irritativa, o que faz com que a obstrução e a inflamação sejam mais relevantes quando em contato com a poluição. Esse detalhe explica a elevada incidência de casos de asma, no mundo todo, em crianças.
  • Convém salientar a importância da qualidade do ar intradomiciliar que pode ser afetado por fumaça de cigarro, lareiras, fogões a lenha, fogões a gás mal instalados, poeira doméstica, além dos poluentes externos que invadem esse espaço. Têm importância, também, compostos voláteis oriundos de várias fontes (tintas, colas, perfumes, propelentes de sprays e produtos de limpeza). Cronicamente, essa exposição repercute em menor crescimento pulmonar com comprometimento de sua função e aumento da suscetibilidade a doenças.
  • A umidade no ambiente domiciliar facilita a proliferação de fungo, ácaros e bactérias. Colchões, tapetes, móveis costumam ser os principais reservatórios desses agentes.
  • O tabagismo passivo é responsável por muitos problemas causados à criança. As crianças cujas mães são fumantes têm cerca de 70% mais problemas respiratórios e maior número de hospitalizações ao longo do primeiro ano de vida. O tabagismo intraútero aumenta a mortalidade infantil em até 80%. A fumaça liberada pelos cigarros, charutos ou cachimbos é composta por mais de 3800 substâncias diferentes e os níveis de matéria particulada chegam a ser 3 vezes maiores em casas com tabagistas.

Em adultos, podem afetar a função pulmonar, desencadear asma, provocar exacerbações da DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), aumentar o risco de eventos cardiovasculares graves, como o infarto do miocárdio e acidentes vasculares encefálicos e o desenvolvimento de doença coronariana, além de câncer de pulmão.

Nós podemos fazer uma grande diferença para ajudar o meio ambiente. Seguem dez escolhas simples para um planeta mais saudável:

  • Reduza o que joga fora, reutilize e recicle;
  • Faça trabalho voluntário;
  • Eduque-se e ensine os outros da importância e o valor dos nossos recursos naturais;
  • Economize água;
  • Faça escolhas sustentáveis;
  • Compre com sabedoria – menos plástico e use sacolas reutilizáveis;
  • Use lâmpadas de longa duração e desligue a luz quando sair da sala;
  • Plante uma árvore;
  • Não envie produtos químicos para os cursos de água, escolha produtos químicos não tóxicos;
  • Ande mais de bicicleta e de transporte público, dirija menos.

As políticas de qualidade do ar devem proteger a saúde das crianças e adolescentes, tendo explicitamente em conta as diferenças na sua biologia e vias de exposição.

Crianças e adolescentes não podem proteger-se da poluição atmosférica, nem votar ou influenciar políticas relevantes; só os adultos podem e devem fazer isso por eles, e é urgente.

Precisamos responder com esforços concentrados e nos unir por meio de ações coletivas e coordenadas.

Saiba mais:

  1. OMS: 99% da população mundial respira ar “tóxico”. 4 de março de 2024. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2024/03/1828507
  2. World Health Organization. Children’s environmental health. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/children-environmental-health#tab=tab_
  3. No Brasil, doenças associadas à poluição do ar matam cerca de 465 crianças menores de cinco anos por dia. 08/07/2024. Disponível em: https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/no-brasil-doencas-associadas-a-poluicao-do-ar-matam-cerca-de-465-criancas-menores-de-cinco-anos-por-dia/
  4. Como as mudanças climáticas impactam a nossa saúde. Disponível em: https://doareassets.s3.sa-east-1.amazonaws.com/Como+as+mudan%C3%A7as+clim%C3%A1ticas+impactam+a+nossa+sa%C3%BAde.pdf
  5. Air pollution and children’s health. Disponível em: https://www.eea.europa.eu/publications/air-pollution-and-childrens-health
  6.  Ten simple choices for a healthier planet. https://oceanservice.noaa.gov/ocean/earthday.html

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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31 de maio – Dia Mundial sem Tabaco https://spsp.org.br/31-de-maio-dia-mundial-sem-tabaco-2/ Wed, 31 May 2023 18:04:37 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=37633 Os jovens, em idade cada vez mais precoce, encantam-se com o mundo mágico de novidades. Na adolescência, a busca pelo conhecimento, o aprendizado pela experimentação e o gosto pela]]>

Os jovens, em idade cada vez mais precoce, encantam-se com o mundo mágico de novidades. Na adolescência, a busca pelo conhecimento, o aprendizado pela experimentação e o gosto pela aventura são um terreno propício para a iniciação, além da influência genética, pelas facilidades socioambientais e familiares. Apesar de ser proibido no Brasil pela Anvisa desde 2009, adolescentes e jovens têm acesso fácil ao cigarro eletrônico por meio da comercialização na internet, no comércio informal ou adquirido no exterior. O líquido contido no cigarro eletrônico (também chamado Vapers, Pod) possui nicotina e outros produtos químicos, inclusive THC (componente psicoativo da maconha). Os adolescentes podem começar a usar o cigarro eletrônico por curiosidade ou atraídos pela ideia de que ele pode ajudar a deixar o tabagismo.

O risco de iniciação ao tabagismo é significativamente maior entre usuários de cigarro eletrônico. Pesquisadores do INCA avaliaram através de revisão sistemática e metanálise mostrando que o uso dos cigarros eletrônicos aumenta em quase três vezes e meia o risco de o indivíduo experimentar o cigarro convencional, e em mais de quatro o risco de passar a utilizar, posteriormente, cigarro convencional.

A OMS já listou mais de 100 razões para parar de fumar, dentre elas que “o cigarro é responsável por 25% das mortes por câncer e pelo risco aumentado de doenças cardiovasculares”.

Não menos importante é o tabagismo passivo: quando um cigarro é aceso, somente uma parte da fumaça é tragada pelo fumante, o restante é lançado ao ambiente pela ponta acesa. O perigo é ainda maior aos bebês fumantes passivos, pois o desenvolvimento incompleto do aparelho respiratório e a relação entre o volume de substâncias tóxicas inaladas e o peso da criança tornam a exposição ao cigarro ainda mais maléfica durante a infância. As crianças maiores expostas à fumaça têm maior frequência de resfriados, otites, bronquites, pneumonias e piora das crises de asma.

As gestantes expostas à fumaça correm o risco de ter bebês com malformações congênitas, baixo peso ao nascer ou ainda natimortos. Em relação aos bebês em fase de amamentação, estudos apresentados pela Sociedade Brasileira de Pediatria sugerem que eles podem ter menor capacidade intelectual, maior risco de morte súbita e grave acometimento respiratório e imunológico.

 O tabagismo é uma doença inscrita na Classificação Internacional de Doenças e merece nossa atenção, combate e cuidados redobrados, por suas danosas consequências. A potencialização das ações educativas, de comunicação, de atenção à saúde, junto com o apoio à adoção ou cumprimento de medidas legislativas e econômicas devem ser feitas para prevenir a iniciação do tabagismo, principalmente entre crianças, adolescentes e adultos jovens.

 

Saiba mais:

https://www.who.int/news-room/spotlight/more-than-100-reasons-to-quit-tobacco

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-brasil/eu-quero-parar-de-fumar/noticias/2021/criancas-que-convivem-com-fumantes-que-consequencias-podem-sofrer

 

Relatora:
Karina Pierantozzi Vergani
Pneumologista Pediátrica
Departamento Científico de Pneumologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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