Sustentável – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 31 Jul 2026 18:43:16 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Sustentável – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Amamentação para um começo de vida sustentável: fortaleça o que funciona https://spsp.org.br/amamentacao-para-um-comeco-de-vida-sustentavel-fortaleca-o-que-funciona/ Sat, 01 Aug 2026 11:00:00 +0000 https://spsp.org.br/?p=58009 Chegamos a mais um mês de agosto, período em que celebramos o Agosto Dourado, campanha dedicada à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, reconhecido como o padrão-ouro da alimentação infantil. Todos os anos, a WABA apresenta um tema e um símbolo que orientam as ações da Semana Mundial de Aleitamento Materno, estimulando governos, profissionais de saúde, empresas e a sociedade a ampliar o conhecimento sobre a importância da amamentação. Em 2026, o tema da campanha mundial da World Alliance for Breastfeeding Action (WABA) é “Amamentação para um Começo de Vida Sustentável: Fortaleça o que Funciona”, reforçando que investir na amamentação é investir na saúde das crianças, na segurança alimentar, na sustentabilidade ambiental e na redução das desigualdades sociais. Segundo a WABA, o logotipo da campanha (acima) foi cuidadosamente concebido para representar esses princípios. A tríade forma um coração, simbolizando o compromisso global com o aleitamento materno como fundamento para a nutrição ideal, a segurança alimentar e a redução da pobreza. A folha verde representa um começo de vida sustentável, refletindo o papel essencial da amamentação na construção de um futuro mais saudável para as crianças e para o planeta. A campanha está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 das Nações Unidas, especialmente ao ODS 1 – Erradicação da Pobreza, uma vez que o aleitamento materno se constitui em estratégia de baixo custo, altamente efetiva e capaz de promover melhores condições de saúde, nutrição e desenvolvimento humano desde o nascimento até a idade adulta. Atualmente, há evidências consistentes de que o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida, seguido da introdução oportuna e adequada da alimentação complementar com manutenção da amamentação até dois anos ou mais, exerce papel fundamental no crescimento, no desenvolvimento e, especialmente, no neurodesenvolvimento infantil. Nas últimas décadas, inúmeros estudos têm investigado a influência do leite humano sobre o desenvolvimento cerebral. Entre os temas mais estudados estão as possíveis associações entre o aleitamento materno e a ocorrência de transtornos do neurodesenvolvimento. De modo geral, as pesquisas demonstram que crianças amamentadas, particularmente aquelas que receberam aleitamento materno exclusivo por maior tempo, apresentam melhores indicadores de desenvolvimento cognitivo e neurológico. Entretanto, as evidências atuais ainda não permitem estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre a amamentação e a prevenção do Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Espectro Autista (TEA), uma vez que diversos fatores genéticos, ambientais e sociais também influenciam o neurodesenvolvimento. Ainda assim, os resultados reforçam a necessidade de ampliar as pesquisas sobre os componentes bioativos do leite humano e seus possíveis efeitos na maturação cerebral. No Brasil, temos importantes políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno que precisam ser preservadas e fortalecidas. Destacam-se a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, considerada a maior e mais complexa do mundo, com mais de 238 Bancos de Leite Humano e aproximadamente 261 Postos de Coleta, além da Iniciativa Hospital Amigo da Criança, que conta com 334 hospitais credenciados até o momento, desempenhando papel fundamental na implementação de boas práticas de atenção ao nascimento e ao aleitamento materno. Além da manutenção dessas estratégias, é indispensável monitorar e avaliar continuamente os indicadores de aleitamento materno no país. O acompanhamento sistemático dos resultados permite identificar avanços, reconhecer desafios, direcionar investimentos e fortalecer programas e políticas públicas que comprovadamente produzem benefícios para a saúde materno-infantil. Neste Agosto Dourado, o convite é para que todos — profissionais de saúde, gestores, pesquisadores, empregadores e famílias — unam esforços para garantir que cada criança tenha a oportunidade de receber o melhor começo de vida possível por meio da amamentação. Relatora: Rosangela Gomes dos SantosPresidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da SPSP]]>


Chegamos a mais um mês de agosto, período em que celebramos o Agosto Dourado, campanha dedicada à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, reconhecido como o padrão-ouro da alimentação infantil.

Todos os anos, a WABA apresenta um tema e um símbolo que orientam as ações da Semana Mundial de Aleitamento Materno, estimulando governos, profissionais de saúde, empresas e a sociedade a ampliar o conhecimento sobre a importância da amamentação.

Em 2026, o tema da campanha mundial da World Alliance for Breastfeeding Action (WABA) é “Amamentação para um Começo de Vida Sustentável: Fortaleça o que Funciona”, reforçando que investir na amamentação é investir na saúde das crianças, na segurança alimentar, na sustentabilidade ambiental e na redução das desigualdades sociais.

Segundo a WABA, o logotipo da campanha (acima) foi cuidadosamente concebido para representar esses princípios. A tríade forma um coração, simbolizando o compromisso global com o aleitamento materno como fundamento para a nutrição ideal, a segurança alimentar e a redução da pobreza. A folha verde representa um começo de vida sustentável, refletindo o papel essencial da amamentação na construção de um futuro mais saudável para as crianças e para o planeta.

A campanha está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 das Nações Unidas, especialmente ao ODS 1 – Erradicação da Pobreza, uma vez que o aleitamento materno se constitui em estratégia de baixo custo, altamente efetiva e capaz de promover melhores condições de saúde, nutrição e desenvolvimento humano desde o nascimento até a idade adulta.

Atualmente, há evidências consistentes de que o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida, seguido da introdução oportuna e adequada da alimentação complementar com manutenção da amamentação até dois anos ou mais, exerce papel fundamental no crescimento, no desenvolvimento e, especialmente, no neurodesenvolvimento infantil.

Nas últimas décadas, inúmeros estudos têm investigado a influência do leite humano sobre o desenvolvimento cerebral. Entre os temas mais estudados estão as possíveis associações entre o aleitamento materno e a ocorrência de transtornos do neurodesenvolvimento.

De modo geral, as pesquisas demonstram que crianças amamentadas, particularmente aquelas que receberam aleitamento materno exclusivo por maior tempo, apresentam melhores indicadores de desenvolvimento cognitivo e neurológico. Entretanto, as evidências atuais ainda não permitem estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre a amamentação e a prevenção do Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Espectro Autista (TEA), uma vez que diversos fatores genéticos, ambientais e sociais também influenciam o neurodesenvolvimento. Ainda assim, os resultados reforçam a necessidade de ampliar as pesquisas sobre os componentes bioativos do leite humano e seus possíveis efeitos na maturação cerebral.

No Brasil, temos importantes políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno que precisam ser preservadas e fortalecidas. Destacam-se a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, considerada a maior e mais complexa do mundo, com mais de 238 Bancos de Leite Humano e aproximadamente 261 Postos de Coleta, além da Iniciativa Hospital Amigo da Criança, que conta com 334 hospitais credenciados até o momento, desempenhando papel fundamental na implementação de boas práticas de atenção ao nascimento e ao aleitamento materno.

Além da manutenção dessas estratégias, é indispensável monitorar e avaliar continuamente os indicadores de aleitamento materno no país. O acompanhamento sistemático dos resultados permite identificar avanços, reconhecer desafios, direcionar investimentos e fortalecer programas e políticas públicas que comprovadamente produzem benefícios para a saúde materno-infantil.

Neste Agosto Dourado, o convite é para que todos — profissionais de saúde, gestores, pesquisadores, empregadores e famílias — unam esforços para garantir que cada criança tenha a oportunidade de receber o melhor começo de vida possível por meio da amamentação.

Relatora:

Rosangela Gomes dos Santos
Presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da SPSP

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Plásticos: uma nova pandemia? https://spsp.org.br/plasticos-uma-nova-pandemia/ Thu, 06 Jul 2023 13:42:33 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=38498 As práticas atuais de produção, uso e descarte de plásticos causam grandes danos à saúde humana e ao meio ambiente global e não são sustentáveis. Esses danos surgem em todas as fases]]>

As práticas atuais de produção, uso e descarte de plásticos causam grandes danos à saúde humana e ao meio ambiente global e não são sustentáveis. Esses danos surgem em todas as fases do ciclo de vida do plástico.

Incluem impactos na saúde humana, como toxicidade neurológica, no desenvolvimento, desregulação endócrina e carcinogênese (processo em que as células neoplásicas proliferam e dão origem a um tumor). No oceano, os estragos dos plásticos vão muito além daqueles que são visíveis e bem reconhecidos do lixo das praias, destacando-se giros oceânicos (correntes marinhas rotativas, particularmente as que estão relacionadas com os grandes movimentos do vento) contaminados e danos físicos às espécies marinhas, que incluem deteriorações extensas aos ecossistemas marinhos.

Desde a década de 1970, a taxa de produção de plástico cresceu mais rapidamente do que a de qualquer outro material. Mais de 400 milhões de toneladas de plástico são produzidas a cada ano em todo o mundo e metade desse plástico é projetada para ser usada apenas uma vez. Da produção total, menos de 10% é reciclado.

Estima-se que 19 a 23 milhões de toneladas acabem anualmente em lagos, rios e mares. Se as tendências históricas de crescimento continuarem, a produção global de plástico primário deverá atingir 1.100 milhões de toneladas até 2050. Estima-se que o processo de degradação do plástico pode levar até 450 anos. Neste tempo, ele espalha-se pelo meio ambiente, podendo ser inalado ou ingerido pelos seres humanos. As consequências disto para a saúde humana ainda não foram totalmente esclarecidas.

A maioria dos itens de plástico nunca desaparece totalmente, apenas se quebra em pedaços cada vez menores. Os microplásticos – pequenas partículas de plástico de até 5 mm de diâmetro – podem ser encontrados em alimentos, água e ar e agora são onipresentes em nosso ambiente natural. Eles estão se tornando parte do registro fóssil da Terra e um marcador do Antropoceno, nossa atual era geológica. Por este motivo, até deram seu nome a um novo habitat microbiano marinho, chamado “plastisfera”.

Estima-se que em 2015 os custos relacionados à saúde da produção de plástico ultrapassaram US$ 250 bilhões globalmente e que, somente nos EUA, os custos de saúde de doenças, incapacidades e mortes prematuras, causadas apenas por três produtos químicos plásticos – PBDE (éteres difenílicos polibromados), BPA (bisfenol A) e DEHP [di (2etilhexil) ftalato], ultrapassaram US$ 920 bilhões.

O custo das emissões de gases de efeito estufa (GEE) do plástico causa danos econômicos avaliados em US$ 341 bilhões anualmente.

A Assembleia Ambiental das Nações Unidas do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) adotou uma resolução histórica em março de 2022, sobre a poluição plástica e o ciclo de vida dos plásticos.

Alguns itens merecem destaque:

–  produtos químicos são parte integrante dos plásticos. Até agora, há mais de 13.000 substâncias, como certos monômeros, por exemplo: ftalatos e bisfenóis;

–  produtos químicos preocupantes podem ser liberados do plástico ao longo de todo o seu ciclo de vida, durante a extração de matérias-primas, produção de polímeros e fabricação de produtos plásticos, mas também na reciclagem de plásticos e circularidade de materiais (por exemplo, através da  contaminação de novos produtos feitos de plásticos reciclados);

– produtos químicos preocupantes foram encontrados em plásticos de vários produtos, como brinquedos e outros produtos infantis, embalagens, equipamentos elétricos e eletrônicos, veículos, têxteis sintéticos, móveis, materiais de construção, dispositivos médicos, de cuidados pessoais, produtos domésticos, agricultura, aquicultura e pesca;

Ampla pesquisa científica com dados sobre os potenciais impactos adversos de cerca de 7.000 substâncias mostrou que mais de 3.200 delas têm produtos químicos que são persistentes e móveis no ambiente, acumulam-se no corpo, podem imitar, bloquear ou alterar as ações dos hormônios, reduzir a fertilidade, danificar o sistema nervoso e câncer.

Mulheres e crianças são particularmente suscetíveis a esses produtos químicos tóxicos, sendo que a exposição pode afetar próximas gerações. Exposições durante o desenvolvimento fetal e em crianças podem causar transtornos relacionados ao neurodesenvolvimento/neurocomportamentais, prematuridade, doenças pulmonares e até câncer. Nos homens, pode ocorrer queda da fertilidade.

 

As principais medidas para prevenir a exposição aos plásticos são:

– Evitar o uso de produtos químicos preocupantes em plásticos;

– Ter acesso à informação e aumentar a conscientização sobre produtos químicos em plásticos ao longo da cadeia de produção;

– Aumentar a disponibilidade e acessibilidade de alternativas mais seguras e sustentáveis.

A poluição plástica e seus impactos prejudiciais à saúde, economia e meio ambiente não podem ser ignorados. Chamar atenção em relação à exposição das crianças diante desta “nova pandemia” exige uma ação global e urgente para lidar contra a poluição plástica, proteger a saúde humana, o meio ambiente e promover a transição para uma economia circular, livre de tóxicos e sustentável.

 

Saiba mais:

– UNEA Resolution 5/14 entitled “End plastic pollution: Towards an international legally binding instrument”. Chemicals in Plastics – A Technical Report.

Disponível em: https://wedocs.unep.org/bitstream/handle/20.500.11822/39812/OEWG_PP_1_INF_1_UNEA%20resolution.pdf

– UN environment programme. Our planet is choking on plastic. Disponível em: https://www.unep.org/interactives/beat-plastic-pollution/?lang=EN

– Kortenkamp et al. Combined exposures to bisphenols, polychlorinated dioxins, paracetamol, and phthalates as drivers of deteriorating semen quality. Environment International, 2022;165:107322. Disponível em:

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35691715/

– Christopher, J. Plastic pollution and potential solutions. 2018;101:207-260. Science Progress. London Vol. 101, Ed. 3, DOI:10.3184/003685018X15294876706211

 

Relatora:
Kristine Fahl Cahali
Mentora do Programa de Embaixadores Saúde Planetária – PESP
Departamento Científico de Alergia e Imunologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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