supervisão – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 17 Jun 2026 19:35:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png supervisão – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Fogos, fogueiras e futebol: aproveite as festas com atenção à segurança das crianças https://spsp.org.br/fogos-fogueiras-e-futebol-aproveite-as-festas-com-atencao-a-seguranca-das-criancas/ Wed, 17 Jun 2026 19:35:49 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57479 ]]>

Junho é um mês especial para as famílias brasileiras. As festas juninas trazem música, dança e comidas típicas, enquanto a Copa do Mundo reúne pais e filhos em frente à televisão.

O clima frio, os fogos de artifício, alguns alimentos típicos, a fumaça das fogueiras e a maior circulação de vírus respiratórios podem aumentar os riscos para os pequenos.

É tempo de celebrar, mas também de cuidar.

Os perigos dos fogos de artifício e das fogueiras

Entre as principais causas de acidentes infantis nesta época do ano estão os fogos de artifício e as fogueiras. Queimaduras por esses agentes podem ser graves, causando dor intensa, cicatrizes permanentes e, em casos mais sérios, necessidade de hospitalização, cirurgia e até morte. Fogos de artifício também podem provocar lesões oculares e nos ouvidos.

Crianças são especialmente vulneráveis porque têm a pele mais fina e reagem de forma mais intensa ao calor.

 E durante os jogos da Copa?

As reuniões para assistir aos jogos também pedem atenção. Evite que crianças e adolescentes consumam bebidas alcoólicas ou excesso de alimentos ultraprocessados. Respeite o horário de sono, especialmente dos menores. Aglomerações também pedem cuidado com higiene das mãos e ventilação dos ambientes. O barulho de comemorações, fogos e buzinas pode assustar bebês, crianças pequenas ou portadores de deficiência, sendo que protetores auriculares podem ser necessários. Além disso, a exposição a barulhos excessivos, pode prejudicar a audição.

As crianças devem ser mantidas sempre por perto em locais movimentados, e providencie uma identificação com o nome, telefone e endereço dos responsáveis, caso se percam.

Orientações para os pais:

  • Fogos de artifício. Nunca devem ser manuseados por crianças, independentemente do tamanho ou tipo. Mesmo os chamados “fogos de mão”, como “estrelinhas”, atingem temperaturas altíssimas e são responsáveis por muitos acidentes.
  • Mantenha distância segura das fogueiras. Crianças pequenas devem ser observadas de perto o tempo todo quando há fogo por perto. Roupas típicas com tecidos leves e sintéticos podem pegar fogo com facilidade, então prefira fantasias de algodão.
  • Balões. Não solte balões. Além de ser crime ambiental no Brasil, podem provocar incêndios e acidentes graves.
  • Supervisão. As crianças devem ficar sob supervisão constante de um adulto responsável e assistir aos fogos apenas de longe.
  • Em caso de queimadura. Resfrie a área imediatamente com água corrente fria por pelo menos 10 minutos. Não use pasta de dente, manteiga, clara de ovo ou qualquer outro produto caseiro. Procure atendimento médico.
  • Atenção redobrada às comidas típicas. Alimentos redondos ou duros, como amendoins inteiros, pipoca ou mesmo salsicha, oferecem risco de engasgo para crianças pequenas. Corte os alimentos em pedaços menores e não deixe a criança dançar ou brincar enquanto está comendo.

 

Junho pode e deve ser um mês de muita alegria para toda a família. Com informação e atenção, é possível celebrar com segurança.

 

Relatora:
Sarah Saul
Presidente do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP

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Queimaduras: prevenir é a melhor forma de proteção https://spsp.org.br/queimaduras-prevenir-e-a-melhor-forma-de-protecao/ Sat, 06 Jun 2026 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57302 ]]>

O Dia Nacional de Luta Contra Queimaduras foi instituído do Brasil pela Lei nº 12.026/2009, com a finalidade de divulgar as medidas preventivas necessárias à redução da incidência destes eventos.

O principal objetivo é conscientizar a população em geral sobre a prevenção de queimaduras e das sequelas físicas e emocionais graves que podem deixar. Grande parte desses acidentes ocorre dentro de casa e poderia ser evitada com medidas simples de cuidado e atenção. Embora muitas pessoas associem queimaduras apenas ao fogo, elas também podem acontecer por líquidos quentes, vapor, eletricidade, produtos químicos e até pela exposição excessiva ao sol.

Nos meses de junho e julho os riscos aumentam por causa das festas juninas. Fogueiras, fogos de artifício, balões e brincadeiras perigosas tornam-se causas frequentes de acidentes, especialmente entre crianças. O manuseio inadequado de álcool líquido é um dos fatores mais associados a queimaduras graves e explosões domésticas. Crianças nunca devem manusear fogos de artifício sem supervisão. O ideal é manter distância segura das fogueiras.

Dentro de casa, panelas devem ficar com os cabos virados para dentro do fogão e líquidos quentes precisam permanecer fora do alcance das crianças. No caso do banho, é importante testar a temperatura da água antes. Pequenos descuidos podem causar acidentes sérios em poucos segundos.

As queimaduras são classificadas em primeiro, segundo e terceiro graus. As de primeiro grau são superficiais, que causam vermelhidão na pele; as de segundo grau causam bolhas e são as mais doloridas; as de terceiro grau queimam a pele, a epiderme, a derme e outros tecidos mais profundos, sendo as mais perigosas.

Quando ocorre uma queimadura, a primeira medida é resfriar a região atingida com água corrente em temperatura ambiente por cerca de 10 a 20 minutos. Não se deve aplicar pasta de dente, manteiga, café, pomadas caseiras ou qualquer outro produto sobre a queimadura, pois isso pode piorar a lesão e aumentar o risco de infecção. Também não é recomendado estourar bolhas.

Em casos leves, a área pode ser protegida com um pano limpo ou gaze e ser observada e acompanhada.

Já queimaduras extensas, profundas, com presença de fumaça inalada, choque elétrico ou atingindo rosto, mãos, pés e regiões íntimas exigem atendimento médico imediato. Caso não seja possível levar o paciente ao hospital, o SAMU deve ser acionado imediatamente através do número 192.

Prevenir é proteger: informação, supervisão de crianças e atitudes responsáveis podem salvar vidas e evitar acidentes que deixam marcas permanentes.

 

Saiba mais:

https://www.sbqueimaduras.org.br/junho-laranja

https://sobest.com.br/6-de-junho-dia-nacional-da-luta-contra-queimaduras/

https://hsvp.com.br/post/1022/dia-nacional-de-luta-contra-queimaduras-e-lembrado-no-dia-06

 

Relatora:

Luciana Oliveira S. A. Cardoso

Membro do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP

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Crianças desaparecidas: histórias interrompidas e famílias na espera https://spsp.org.br/criancas-desaparecidas-historias-interrompidas-e-familias-na-espera/ Mon, 25 May 2026 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57157 ]]>

O Dia Internacional de Crianças Desaparecidas, em 25 de maio, deve ser lembrado constantemente: desaparecimento de crianças não pode ser invisível. Estima-se que mais de 1 milhão de crianças e adolescentes desapareçam anualmente no mundo e cerca de 10% jamais serão encontrados, embora a subnotificação e a ausência de sistemas integrados de registro dificultem a precisão desses dados.

No Brasil, o problema também é expressivo: cerca de 20 a 25 mil ocorrências anuais envolvem crianças e adolescentes, o que corresponde a aproximadamente um terço dos desaparecimentos no país.

Os principais fatores relacionados aos desaparecimentos são: o sequestro parental, as fugas de casa, o tráfico de pessoas e os conflitos, sendo a maioria dos casos por disputas familiares ou fugas de casa.

Dentre os fatores de risco estão vulnerabilidade social, violência doméstica, negligência, uso de substâncias na família, histórico de evasão escolar e exposição a ambientes digitais sem supervisão. Nas crianças menores predominam episódios de perda/desorientação ou falhas na supervisão; nos adolescentes, as “fugas” podem estar associadas a conflitos familiares ou situações de violência.

As crianças desaparecidas podem ser categorizadas em sete situações:
– as que fogem e que estão em situação de risco (nacionais ou internacionais);

– as que são sequestradas por familiar(es) – por um dos pais ou familiar sem o consentimento de todos os seus responsáveis legais;

– as sequestradas por parente para o exterior (por um de seus pais ou responsáveis legais, contra a vontade do outro pai ou responsável legal);

– crianças que se perdem, que se ferem ou que desaparecem por razões desconhecidas ou indeterminadas;

– menores que são abandonados – sem um adulto legalmente responsável por elas;

– as que são sequestradas por terceiros (sequestro não familiar) – por indivíduos que não os pais ou responsáveis legais e

– menores migrantes desacompanhados desaparecidos – de um país sem livre circulação de pessoas, que foram separadas de ambos os pais e não têm os cuidados de um adulto responsável.

Uma parcela significativa é localizada, especialmente quando a notificação é imediata – o que reforça a importância da resposta rápida.

No Brasil, não é necessário aguardar 24 horas para registrar ocorrência; a comunicação precoce às autoridades aumenta significativamente as chances de localização. Deve-se fornecer informações atualizadas (descrição física, roupas, locais frequentados, contatos) e mobilizar redes formais e comunitárias. Sistemas de alerta, integração entre bancos de dados e capacitação das equipes são estratégias reconhecidas para otimizar a busca.

A prevenção, por sua vez, depende de ações contínuas e coordenadas. No âmbito familiar, inclui supervisão adequada, fortalecimento de vínculos, educação para segurança (inclusive digital), orientação sobre riscos e estímulo ao diálogo. Nas escolas e serviços de saúde, é fundamental identificar precocemente sinais de vulnerabilidade e violência, com encaminhamento oportuno. Em nível estrutural, políticas públicas devem priorizar proteção social, combate à violência, rastreabilidade de casos, interoperabilidade de sistemas e campanhas de conscientização.

Propostas não faltam: um projeto de lei do senador Flávio Arns (PSB-PR) sugere medidas para aperfeiçoar as buscas por pessoas desaparecidas, entre elas, a criação de delegacias especializadas (PL 5952/2025). Outro projeto é o da criação do “Alerta Pri” (criado para lembrar a história de Priscila Belfort, irmã do lutador Vitor Belfort), para que empresas de telefonia enviem alertas imediatos para celulares da região sobre o desaparecimento de criança, adolescente, idoso ou pessoa com deficiência (PL 3543/2025).

Mais do que uma data, este dia é um chamado à responsabilidade coletiva: prevenir, proteger e agir. Que nunca nos falte vigilância, empatia e compromisso para garantir que toda criança tenha seu direito fundamental à segurança e ao cuidado preservado.

 

Relatora:

Renata D Waksman
Vice-Presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Presidente do Núcleo de Estudos da Violência contra a Criança e o Adolescente da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Dia do “Desarmamento Infantil” https://spsp.org.br/dia-do-desarmamento-infantil/ Wed, 15 Apr 2026 16:22:25 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=56339 ]]>

Desde 2001, no dia 15 de abril é comemorado o Dia do Desarmamento Infantil, data criada com o objetivo principal de debater as consequências que o uso de armas por crianças (incluindo as de brinquedo e as virtuais) pode causar em relação ao aumento da violência.

As armas de fogo são a principal causa de morte entre crianças e adolescentes nos EUA e em vários países do mundo. A maioria dos ferimentos, em crianças, está relacionada ao armazenamento inadequado das mesmas em casa.

Muito se fala a respeito de segurança com arma de fogo. O que se tem bem estabelecido é que a forma mais segura de proteger uma criança/adolescente de lesões é não ter armas em casa.

  • Crianças pequenas são curiosas, exploram e diante de uma arma não têm capacidade de entender o perigo.
  • Adolescentes, por outro lado, vivem fases de impulsividade, conflitos emocionais e busca por identidade. Nesse contexto, o acesso a uma arma pode transformar um momento passageiro em uma tragédia irreversível.

Se houver arma em casa, ela deverá estar armazenada adequadamente –

em cofre com chave ou segredo (que a criança/adolescente desconheçam) e estar descarregada (a munição deverá ser guardada separadamente).

Portanto, nem crianças nem adolescentes devem ter acesso a armas de fogo. Devem ser ensinados a não mexer caso encontrem uma arma, sair da área e avisar um adulto.

Mas e quanto à premissa de que crianças e adolescentes que brincam com armas de brinquedo ou virtuais podem se tornar adultos violentos?

Não há estudos consistentes mostrando que crianças que brincam com armas de brinquedo (revólveres, espingardas, espadas etc.) serão adultos mais violentos ou terão comportamento criminoso na vida adulta. Elas aprendem educando o imaginário, ao representar papéis como herói, polícia, vilão. Exploram conceitos de certo e errado, de justiça, poder e proteção. Brincar dessa forma pode ajudar a controlar impulsos agressivos e a aprender a autorregulação em um ambiente controlado.

A expressão de agressividade depende de uma série de fatores ambientais durante o desenvolvimento do indivíduo. Essa é a base da psicologia do desenvolvimento: o comportamento agressivo não nasce de um único fator, mas sim da interação entre a criança e o ambiente em que ela cresce. O modelo dos adultos com quem ela convive (pais, cuidadores, responsáveis), seu ambiente emocional (seguro x instável), a exposição à violência real (doméstica, comunitária), suas relações sociais (acolhimento x rejeição), cultura e valores familiares, essa interação de fatores, ensinam a criança como expressar emoções (inclusive raiva). Portanto, não é a arma de brinquedo que ensina violência – é o contexto que molda o significado da brincadeira.

Contudo, a segurança física é indispensável. Responsáveis devem garantir que os brinquedos sejam adequados à faixa etária e não se assemelhem excessivamente a armas reais. Equipamentos que disparam projéteis não devem ser utilizados em crianças de qualquer idade – e exigem dispositivos de proteção e supervisão, pois podem causar ferimentos graves.

O Dia do “Desarmamento Infantil” deve focar na prevenção de acidentes com armas de fogo, através da premissa bem estabelecida de que crianças não têm maturidade para lidar com armas reais

A prevenção deve estar em: reduzir acesso a armas reais, ensinar diferença entre fantasia e realidade e supervisão ativa.

 

Saiba mais:

. Smith S, Ferguson CJ, Beaver KM. Learning to blast a way into crime, or just good clean fun? Examining aggressive play with toy weapons and its relation with crime. Crim Behav Ment Health. 2018;28:313–323. https://doi.org/10.1002/cbm.2070

. Ferguson CJ. Does media violence predict societal violence? It depends on what you look at and when. Journal of Communication, November 2014. https://doi.org/10.1111/jcom.12129

. AAP – Pediatric patient education. A parent’s guide to toy safety. Apr 03 2025 Disponível em: https://www.pediatrust.com/safety/a-parents-guide-to-toy-safety

 

Relatora:

Tania Zamataro
Membro do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

 

 

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Uso responsável de telas e tecnologia https://spsp.org.br/uso-responsavel-de-telas-e-tecnologia/ Fri, 22 Aug 2025 19:07:19 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52847 O uso de tecnologias por crianças e adolescentes cresce de forma rápida e descontrolada. É fascinante esse mundo imediato que oferece milhares de possibilidades na busca de inform]]>

O uso de tecnologias por crianças e adolescentes cresce de forma rápida e descontrolada.

É fascinante esse mundo imediato que oferece milhares de possibilidades na busca de informações, comunicação, conexão com o mundo e diversão.

Bem-vindo a esse universo, conhecido como ambiente digital: o “on-line”, das interações virtuais, que teima em superar o “off-line”, das interações reais.

Sim, as crianças e adolescentes têm o direito de “passear” pelo ambiente digital. Mas, na qualidade de pais, adultos responsáveis e como sociedade, temos o dever de promover e garantir o acesso saudável e seguro, com proximidade, supervisão e muito diálogo.

 Como agir?

Deve-se considerar todos os contextos que englobam a navegação, exposição e vulnerabilidade de crianças e adolescentes.

  • Para os que acessam e/ou assistem – o conteúdo é apropriado para idade e maturidade?

– Os conteúdos assistidos e os aplicativos “baixados” são de conhecimento e entendimento dos responsáveis? Reconhecem todos os ícones?

 

 



– Estão cientes de que aplicativos e redes sociais apresentam classificação indicativa que precisa ser respeitada? (WhatsApp, Instagram, TikTok e X – antigo Twitter)

  • Como é a interação com dispositivo – utiliza sozinho, com amigos e/ou com adulto?
  • Local em que acessa – em casa: no quarto/na sala e/ou em ambiente não controlado?
  • Qual a finalidade do uso – aprendizado, distração, regulação emocional?
  • Em quais momentos do dia a rede é acessada – durante as refeições, em eventos familiares, antes de dormir ou sem nenhum controle de tempo?

 Como controlar o acesso aos dispositivos móveis?

Recomenda-se que crianças menores de 12 anos não possuam smartphone próprio. Um assunto um tanto polêmico, mas é necessária a abordagem entre as famílias. Reforçando que cada família tem um papel importante, como modelo, na convivência on-line.

Os acordos sobre tempo de telas precisam ser claros e o adulto precisa participar ativamente do que foi definido como momentos “on-line” e momentos “off-line”.

Assim, ficam estipulados o tempo diário de navegação, o local de uso das telas, as verificações periódicas dos conteúdos navegados e das atividades recentes nos dispositivos.

Nos momentos “on-line”, o uso criativo e compartilhado de conteúdos, jogos e séries aproxima diferentes gerações e os olhares se complementam. Uma oportunidade para contribuir com a construção de futuros adultos: atentos, críticos e responsáveis. Capazes de reconhecer suas habilidades emocionais e exercerem o direito à cidadania.

 Exposição nas redes sociais – um alerta

Um tema recorrente e atual reacende a discussão sobre a exposição de crianças e adolescentes nas mídias sociais. Na maioria das vezes, despretensiosa e inocente. Pais e/ou filhos postam sobre o dia a dia, passeios e viagens; entram em trends (dancinhas para se divertirem). Esses vídeos e imagens são entregues, pelos algoritmos das plataformas, indiscriminadamente, e podem ser deturpados por quem consome.

A Inteligência Artificial colabora com essa nova realidade. A partir dela, geram-se conteúdos impróprios através da distorção de imagens reais. O que se torna atraente para quem só tem um objetivo: monetização e lucro, alimentando uma rede de crimes contra crianças e adolescentes.

 A importância da mediação familiar

É importante promover o diálogo e reflexão com as crianças e adolescentes sobre os riscos e benefícios do uso das telas. Esse comportamento previne riscos, estimula o autoconhecimento e fortalece as relações.

O uso responsável de telas vai muito além do mero limite de tempo: extrapola na preocupação em direcionar escolhas através de um “menu digital” atento na classificação indicativa de cada aplicativo e plataforma; amplia-se para o conhecimento sobre as camadas de segurança na internet, que são educação, diálogo aberto, supervisão parental e a utilização de ferramentas adequadas (filtros parentais e dos próprios serviços e apps que restringem os conteúdos contraindicados para a faixa etária).

Reflexão

É urgente que monitoremos os usos dos dispositivos móveis e que verifiquemos com frequência o uso de todas as plataformas consumidas por nossas crianças e adolescentes. Como proteção e não punição. O estabelecimento de regras claras, limites e conversas sistemáticas são ações que garantirão o direito a uma navegação segura no ambiente digital saudável. Fiquemos atentos com quem e onde estão sendo compartilhados vídeos e imagens pessoais. E se essa exposição exagerada se faz, de fato, necessária.

Eles merecem todo esse cuidado.

Relatora:
Betina Lahterman
Presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Queimaduras – como preveni-las? https://spsp.org.br/queimaduras-como-preveni-las/ Wed, 18 Jun 2025 14:50:02 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51818 ]]>

As festas juninas estão chegando e, junto com elas, o risco de queimaduras aumenta com fogueiras, fogos de artifício e os balões.

As queimaduras em crianças são um problema de saúde de grande impacto em todo o mundo, pela mortalidade, consequências físicas e psicológicas à criança e à família. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o risco de morte por queimaduras na infância é alto, principalmente em menores de cinco anos. Dessa maneira, é muito importante cuidarmos dos nossos pequenos, a fim de prevenirmos os riscos de um acidente tão indesejado.

Em primeiro lugar, deve-se manter as crianças sempre sob supervisão de um adulto, escolhendo qual local a criança poderá frequentar. As festas juninas são geralmente improvisadas em escolas, igrejas, condomínios e quase na sua totalidade as instalações elétricas não seguem regras de segurança. Fique atento a fios no chão ou que passem em partes metálicas. Sempre manter distância segura de fogueiras e, se possível, não chegar a esses locais com as crianças (inalação de fumaça vinda das fogueiras, que podem ser um gatilho para alergias respiratórias). Deixe materiais inflamáveis longe do fogo e longe das crianças.

No caso de fogos de artifício, deve-se impedir a criança de manipulá-los e, além disso, manter uma distância segura da criança (não é infrequente a queimadura por pequenos estilhaços, que podem atingir partes expostas do corpo, inclusive os olhos). No caso de a criança brincar com estalinhos, nunca deve ser sem supervisão, eles não devem ser carregados pela criança e não devem ser jogados perto de outras pessoas ou próximos ao fogo ou material inflamável. Lave a mão da criança após o uso.

Durante muitos anos, soltar balão era uma prática comum nessa época do ano. E os incêndios causados por essa prática também. Hoje é considerado crime ambiental, passível de retenção. Não deixe crianças soltarem balões, nem se aproximarem de um balão que esteja descendo. Se vir alguém soltando balão, denuncie.

Por fim, deve-se tomar cuidado com o risco de acidentes com bebidas quentes – lembrem-se que os pequenos muitas vezes saem correndo, pulam, e neste cenário, o risco de um acidente com um líquido quente pode ocorrer, especialmente na face, tronco e mãos.

 Lembre-se que no caso de um acidente com queimadura, a primeira coisa a fazer é lavar a região com água abundante e pedir socorro, para que a criança seja levada a um serviço de emergência, a fim de receber tratamento de suporte adequado.

“Pula fogueira iaiá; pula fogueira…” NÃO PULEM FOGUEIRAS!!!

 

Saiba mais:

Flaherty MR, Sheridan R. Fire pit-related burn injuries in children and adolescents. J Burn Care Res. 2019 Oct 16;40(6):943-946. doi: 10.1093/jbcr/irz127

Trotter Z, Foster K, Khetarpal S, Sinha M. Age-based characteristics of pediatric burn injuries from outdoor recreational fires. J Burn Care Res. 2020 Nov 30;41(6):1198-1201. doi: 10.1093/jbcr/iraa064. PMID: 32364606.

https://www.sbp.com.br/especiais/pediatria-para-familias-new/seguranca-e-prevencao/queimaduras/

 

Relatora:
Ana Paula Bertozzi
Membro do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP

 

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Não precisamos voltar ao tempo das cavernas! https://spsp.org.br/nao-precisamos-voltar-ao-tempo-das-cavernas/ Wed, 29 May 2024 14:19:34 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=46281 Este texto me inspirou pela leitura de um livro, cujo título é provocador: A Fábrica de Cretinos Digitais: os perigos das telas para nossas crianças.* Desenvolvido por Michel Desmurget]]>

Este texto me inspirou pela leitura de um livro, cujo título é provocador: A Fábrica de Cretinos Digitais: os perigos das telas para nossas crianças.*

Desenvolvido por Michel Desmurget, neurocientista francês, suas opiniões estão embasadas em centenas de publicações científicas, repletas de dados estatísticos e meta-análises. Trabalho de fôlego. Suas teses contrariam muitos interesses e despertam um coro inflamado das vozes dos que discordam.

Sublinho dois pontos importantes nesse livro:

  1. Quanto mais aumenta o tempo de uso das telas (isso inclui tipicamente a televisão, os videogames, os telefones celulares, o tablet e o computador), mais as notas escolares caem!

Escreve o autor: “em seu conjunto, a literatura científica demonstra de forma límpida e convergente que o tempo passado diante de telas domésticas afeta negativamente o bom desempenho escolar. Independentemente de gênero, idade, classe de origem e/ou protocolos de análises, a duração do consumo é associada de forma desfavorável à performance estudantil. Dito de outro modo, quanto mais tempo as crianças, adolescentes e estudantes passam com seus brinquedos digitais, mais as notas despencam. (…) De fato, os resultados mostram com extrema clareza que o enquadramento estrito de utilizações digitais recreativas, em prol de práticas extraescolares consideradas positivas (deveres de casa, leitura, música, atividades físicas, etc.,) é uma característica distintiva quase unânime das famílias cujos filhos apresentam um elevado grau de performance escolar”.

Você pode aquilatar a importância do tempo gasto diante das telas visualizando a tabela abaixo, que analisa o tempo médio de exposição às telas por dia:

 

Idade Tempo médio por dia Total em
1 ano
Equivalência
< 2
anos
50 minutos, ou 8% do tempo de vigília; ou 15% do tempo livre da criança > 600
horas
Tempo aproximado de 1 ano letivo em escola infantil na Califórnia
2-8
anos
2h45 >>1.000
horas
Aproximadamente equivalente ao tempo de 6-7 anos letivos completos; ou, 460 dias de vida desperta (1 ano e 3 meses); Ou, tempo de estudo necessário para se tornar um hábil violinista
9-12
anos
4h45 >1.700
horas
Tempo aproximado de 2 anos letivos, ou 1 ano de trabalho de um assalariado em tempo integral
13-18 anos 7h22
45% do tempo normal de vigília, ou 30% do dia
2.680 horas
(112 dias)
3 anos letivos

 

  1. Esse mesmo “ladrão de tempo” – as telas, além de afetar o rendimento escolar, pode provocar: transtornos no sono, aumentar o sedentarismo, expor a criança e o adolescente a conteúdos “perigosos” (sexo, violência, tabagismo, álcool, etc.), afetar a memória, a cognição e o controle emocional.

Aldous Huxley previra, há mais de 80 anos: “a ditadura perfeita,(…) uma prisão sem muros da qual os prisioneiros não sonhariam escapar; um sistema de escravidão em que, graças ao consumo e ao entretenimento, os escravos amariam a própria servidão”.

 

O smartphone, dentre as telas, é uma daquelas prisões sem muros, talvez a mais “eficiente”.

O autor Michel Desmurget, fazendo um comentário ácido sobre o tema, diz: “Essa plataforma de distração em massa concentra a integralidade (ou quase) das funções digitais recreativas. Ela permite acessar todos os tipos de conteúdos audiovisuais, jogar videogames, surfar na Internet, trocar fotos, imagens e mensagens, conectar-se às redes sociais, etc.; e permite tudo isso sem a menor restrição de tempo ou lugar. O smartphone nos segue o tempo todo, sem fraquejar nem nos dar trégua. Quanto mais os aplicativos se tornam “inteligentes”, mais eles substituem nossa reflexão e mais nos ajudam a nos tornar idiotas. Eles já escolhem nossos restaurantes, selecionam as informações que nos são acessíveis, separam as publicidades que nos são enviadas, determinam os trajetos que devemos seguir, propõem respostas automáticas a algumas de nossas interrogações verbais às mensagens que nos são enviadas, “domesticam” nossos filhos desde o maternal, etc. Com um pouco mais de empenho, eles acabarão pensando no nosso lugar.”

As estatísticas servem para perceber tendências, avaliar riscos. Ajudam a fazer escolhas, a traçar caminhos. Elas não determinam, em nível do indivíduo, absolutamente nada. Por isso, para cada afirmação feita, você pode encontrar exemplos que são contrários; isso não invalida a preocupação com os dados obtidos, nem afirma que os resultados apontados não sejam significantes. Toda regra tem exceção. A exceção confirma a regra. Devemos interpretar as afirmações do livro citado, seguindo esse caminho.

Em resumo, o livro recomenda, para as famílias, regras básicas e desafiadoras que vão na “contramão do sistema”. Orientações referendadas, também, pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), com discretas variações quanto ao tempo restritivo de exposição às telas por faixas etárias.

A SBP publicou em 2016 e atualizou em 2020 o Manual de Orientação “Saúde de Crianças e Adolescentes na Era Digital”, organizado pelo Departamento Científico de Adolescência. O mesmo recomenda que se deve:

  • Evitar a exposição de crianças menores de dois anos às telas, mesmo que passivamente;
  • Limitar o tempo de telas ao máximo de uma hora por dia, sempre com supervisão para crianças com idades entre dois e cinco anos;
  • Limitar o tempo de telas ao máximo de uma ou duas horas por dia, sempre com supervisão para crianças com idades entre seis e 10 anos;
  • Limitar o tempo de telas e jogos de videogames a duas ou três horas por dia, sempre com supervisão; nunca “virar a noite” jogando, para adolescentes com idades entre 11 e 18 anos;
  • Para todas as idades: nada de telas durante as refeições e desconectar uma a duas horas antes de dormir;
  • Oferecer como alternativas: atividades esportivas, exercícios ao ar livre ou em contato direto com a natureza, sempre com supervisão responsável;
  • Criar regras saudáveis para o uso de equipamentos e aplicativos digitais, além das regras de segurança, senhas e filtros apropriados para toda a família, incluindo momentos de desconexão e mais convivência familiar;
  • Encontros com desconhecidos on-line ou off-line devem ser evitados; saber com quem e onde seu filho está, e o que está jogando ou sobre conteúdos de risco transmitidos (mensagens, vídeos ou webcam), é responsabilidade legal dos pais/cuidadores;
  • Conteúdos ou vídeos com teor de violência, abusos, exploração sexual, nudez, pornografia ou produções inadequadas e danosas ao desenvolvimento cerebral e mental de crianças e adolescentes, postados por cyber criminosos devem ser denunciados e retirados pelas empresas de entretenimento ou publicidade responsáveis.

 

NÃO PRECISAMOS VOLTAR AO TEMPO DAS CAVERNAS!

 PRECISAMOS, APENAS, USAR DE MANEIRA INTELIGENTE AS EXTRAORDINÁRIAS FERRAMENTAS DIGITAIS DISPONÍVEIS HOJE.

 

Saiba mais:

* A Fábrica de Cretinos Digitais: os perigos das telas para nossas crianças. Michel Desmurget. São Paulo: Vestígio, 2023.

** Manual de Orientação – Departamento de Adolescência. Saúde de Crianças e Adolescentes na Era Digital. nº 1, Outubro de 2016. Disponível em:

https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2016/11/19166d-MOrient-Saude-Crian-e-Adolesc.pdf

Manual de Orientação. Grupo de Trabalho Saúde na Era Digital (2019-2021). #MENOS TELAS #MAIS SAÚDE. Dezembro de 2019. Disponível em:

https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/_22246c-ManOrient_-__MenosTelas__MaisSaude.pdf

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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A importância do esporte para o corpo e mente da criança e do adolescente https://spsp.org.br/a-importancia-do-esporte-para-o-corpo-e-mente-da-crianca-e-do-adolescente/ Mon, 19 Feb 2024 19:28:21 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=42717 No dia 19 de fevereiro comemoramos o Dia do Esportista no Brasil. Um dos principais benefícios que as atividades físicas proporcionam na fase da infância]]>

No dia 19 de fevereiro comemoramos o Dia do Esportista no Brasil. Um dos principais benefícios que as atividades físicas proporcionam na fase da infância e da adolescência, por meio dos esportes, é o estímulo ao desenvolvimento ósseo e neuromuscular. Estudos demonstraram que o simples ato de realizar caminhadas diárias programadas, por duas horas, aumenta a densidade mineral óssea de crianças em idade escolar submetidas ao exercício, quando comparadas a grupo controle. O esporte tem grande importância como forma de incentivo às atividades físicas das crianças e adolescentes, resultando na aprendizagem dos denominados “cinco gestos olímpicos”, por meio dos quais todas as modalidades esportivas serão realizadas. São eles: o correr, o saltar, o pedalar, o arremessar e o nadar.

Além do desenvolvimento físico, as atividades esportivas incrementam a interação social entre as crianças e adolescentes, e a autoestima, auxiliando na prevenção de doenças relacionadas à obesidade, cada vez mais prevalente nessas faixas etárias, além daquelas ligadas ao comportamento e à psique, independentemente da faixa socioeconômica da família.

Orientar a família quanto à introdução do esporte, assim como quanto à prevenção de lesões a ele relacionadas, seja na infância ou adolescência, faz parte da prática clínica. Em cada país existe uma preferência cultural por algumas modalidades, amplamente divulgadas na mídia, influenciando em grande parte essa escolha, como é, no Brasil, o futebol. Pode-se orientar os responsáveis a definir como o melhor esporte aquele que, sendo apresentado aos seus filhos, revele-se como o que eles mais gostaram e se identificaram.

Parece óbvio, mas muitas vezes surgem situações em que os pais insistem em manter as crianças e adolescentes em esportes que não lhes agradam, ou em que não apresentam um bom desempenho, criando uma experiência frustrante para eles, tendo como resultado o abandono e o desincentivo à atividade física em suas rotinas.

A razão para a estratégia da escolha pelo gosto da modalidade é a manutenção do indivíduo na atividade física pelo prazer que esta proporciona, assim como pelas boas lembranças dessa experiência na infância e na adolescência, influindo positivamente na continuidade dessa atividade, auxiliando a manter a saúde física e mental, com menor incidência de doenças. Torna-se, assim, uma questão de saúde pública.

Para as crianças menores, a orientação deve ser baseada em fazer diferentes tipos de esporte, não encorajando a competição e priorizando o desenvolvimento individual. Por essa razão, a prática esportiva deve ter caráter lúdico, apresentada nessa fase da vida como uma brincadeira, sem exigir performance.

Nas competições, as medalhas devem ser distribuídas para todos os participantes, evitando eleger apenas os melhores. É muito comum a criança desistir de uma modalidade pelo seu baixo rendimento, principalmente em esportes coletivos. Esta má experiência psicológica muitas vezes é tão ou mais importante que uma lesão física, denominada “burnout” do atleta mirim. Frequentemente a frustração funciona como desestímulo a qualquer outra atividade física futura, mesmo na idade adulta.

Quanto à escolha do esporte, temos que levar em conta a idade. Entre 2-5 anos de idade, a habilidade motora é limitada, com as reações de equilíbrio ainda não definidas, dificuldade para atenção seletiva, sendo o aprendizado egocêntrico, por erros e acertos. Quanto à visão, a criança é inábil para acompanhar objetos em movimento e avaliar velocidades. Deve-se enfatizar as habilidades fundamentais, as instruções simples e o aspecto lúdico, com treinos em circuitos de atividades, sob supervisão adequada.

Na prática, as escolas de esportes são bem indicadas entre 4-6 anos de idade, por apresentarem muitas modalidades esportivas à criança, até que esta, no futuro, acabe se adaptando melhor a uma modalidade específica. A natação pode ser iniciada antes do primeiro ano de vida, para adaptar a criança ao meio líquido, mas sem a pretensão de que ela consiga, nessa fase, evitar o afogamento. Na média da população, a criança só terá capacidade neurológica e motora para nadar sem auxílio a partir dos 4 anos de vida, sempre com supervisão de adultos.

Entre 6-9 anos de idade ocorre a melhora do equilíbrio e das reações automáticas. Quanto ao aprendizado de regras, pode haver dificuldade de atenção, com o início do desenvolvimento da memória, ainda com limitação para decisões rápidas na prática esportiva. A visão melhora, com capacidade para acompanhar objetos móveis, mas com alguma dificuldade no direcionamento. Os esportes praticados com regras flexíveis são mais bem aceitos, o que permite sua prática no tempo livre das crianças, com poucas instruções e o mínimo de competição. Começam a ser indicadas as escolinhas de futebol, esportes de quadra, judô e natação.

Entre 10-12 anos, a habilidade motora melhora, com o aumento da capacidade de atenção seletiva e do uso da memória para estratégia em jogos, apesar de certa dificuldade de equilíbrio, relacionada ao crescimento rápido da puberdade. Com a visão no padrão adulto, pode-se enfatizar o desenvolvimento de habilidades, táticas e estratégias em grupos com maturação similar em praticamente todos os esportes coletivos de quadra, tênis, artes marciais e demais modalidades. Nessa fase, o esporte preferido é escolhido pelo adolescente, geralmente de acordo com seu gosto e sua performance.

O esporte faz bem à saúde, mas existe uma linha-limite. Estudos têm como premissa que atividades esportivas intensas acima de 16 horas por semana aumentam a incidência de lesões. De acordo com a orientação dada pela American Academy of Sports Medicine, os atletas em crescimento devem praticar uma modalidade esportiva (evitar fazer vários esportes), com frequência de 3 treinos semanais, acrescidos de um dia de competição, devendo haver intervalo de 1 dia entre os treinos para a recuperação física. Muitas crianças exageram no número de dias e de modalidades praticadas. A soma das atividades agendadas também pode ser no total de três vezes por semana, diminuindo assim a frequência das lesões por sobreúso, como as fraturas de estresse. A natação pode ser acrescida à parte deste cálculo, desde que não seja competitiva.

A educação alimentar da criança no contexto do esporte competitivo, ou do tratamento da obesidade por meio de modalidades esportivas, pode ser acompanhada por nutricionista, objetivando a prevenção de patologias futuras.

A força muscular na infância aumenta com a ativação das unidades motoras (motoneurônio e fibra muscular), as quais são recrutadas pelo organismo à medida que ocorre o estímulo para isso. Na adolescência, a força deve aumentar devido à atuação dos hormônios sexuais, sendo a principal época de hipertrofia muscular e óssea no sexo feminino.

Os exercícios para desenvolvimento da força devem ser realizados utilizando o próprio peso corporal. Seria ideal individualizar as crianças, principalmente as iniciantes, as portadoras de obesidade ou outras enfermidades, determinando sua capacidade aeróbica e necessidade de alongamentos musculares específicos.

Enfim, a prática esportiva auxilia no desenvolvimento físico, mental e social das crianças e adolescentes, melhorando a sua saúde, até mesmo na fase adulta.

 

Relator:
Nei Botter Montenegro
Vice-Presidente do Departamento Científico de Ortopedia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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O que a vovó diria se assistisse a série Round 6? https://spsp.org.br/o-que-a-vovo-diria-se-assistisse-a-serie-round-6/ Tue, 09 Nov 2021 15:18:40 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=30331 A humanidade levou muitos anos para se convencer que a “criança não é um adulto em miniatura”, entretanto, estamos vivendo um retorno, consciente ou não. Pequenos atos aceitos pelos adultos são expressões dessa regressão.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 09/11/2021


Episódio 8: O que a vovó diria se assistisse a série Round 6?

Provavelmente exclamaria: “Que horror!”

A humanidade levou muitos anos para se convencer que a “criança não é um adulto em miniatura”, entretanto, estamos vivendo um retorno, consciente ou não. Pequenos atos permitidos ou aceitos pelos adultos são expressões dessa regressão de entendimento. Vejam alguns exemplos:

  1. Permitir que uma criança assista a um filme, série, ou programa de TV não recomendado para a idade.
  2. Erotização precoce da criança através de maquiagem, vestuário.
  3. Cobrança de comportamentos e performances não adequados à maturidade psicoemocional ou física da criança.
  4. Delegar autonomia exagerada e expô-la a situações de vulnerabilidade.

Está na roda de discussão entre crianças e adolescentes a série Round 6, nas escolas e outros espaços. Essa produção sul-coreana é recomendada para maiores de 16 anos.

Esse fato permite que se faça algumas considerações:

  1. Nenhuma produção artística se torna famosa e bate recordes de bilheteria ou audiência “do nada”. Há mérito na produção.
  2. Podemos não concordar com a linguagem da mesma, entretanto, é uma crítica inteligente à sociedade moderna.
  3. O poder de comunicação das redes sociais é um fato.
  4. O limite para o seu uso pelas crianças é o grande problema.
  5. Esse limite, independentemente de qualquer regulação governamental, ou externa, tem que ser executado pelos pais.
  6. O diálogo intergeracional é fundamental para sedimentar valores em qualquer sociedade.

No tempo da vovó se cantava: “Atirei o pau no gato tô tô, mas o gato tô tô não morreu reu reu. Dona Chica cá, admirou-se se se, do berrô, do berrô que o gato deu. Miau!!!!!!”.

A violência sempre apresentou sua cara, ora disfarçada, ora evidente… ora querendo brincar, ora querendo matar. A cantiga da Dona Chica, hoje, se tornou “politicamente incorreta”, entretanto, “Round 6” não é assim considerado.  O que mudou? Talvez apenas o nosso limiar de sensibilidade. A sociedade que “coisifica” o ser humano é a que nos insensibiliza para a dor do outro… nos torna menos humanos. Esta é a grande lição de Round 6.

Relator:
Fernando M F Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: creatista | depositphotos.com

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ROUND 6 (Squid Game) – que série é esta? https://spsp.org.br/round-6-squid-game-que-serie-e-esta/ Mon, 25 Oct 2021 14:25:08 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=30180 A série sul-coreana Round 6 ocupa o primeiro lugar das séries mais assistidas e tem gerado muita controvérsia. Na trama, 456 pessoas com problemas financeiros são convidadas a participar de uma competição de jogos infantis. ]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 25/10/2021


A série sul-coreana Round 6, produzida pela Netflix, ocupa o primeiro lugar das séries mais assistidas no streaming e tem gerado muita controvérsia. Na trama, 456 pessoas com problemas financeiros são convidadas a participar de uma competição de jogos infantis cujo prêmio para o primeiro colocado será de 45,6 bilhões de wons (a moeda da Coreia do Sul), o que equivale a aproximadamente 40 milhões de dólares ou 208,8 milhões de reais. Quem erra é morto, o que eleva o valor do prêmio.

Os episódios da série estruturam-se em torno de 6 jogos infantis conhecidos na Coreia do Sul: batatinha frita 1,2,3; cabo de guerra; bolinhas de gude; destacar biscoito sem quebrar; jogo da lula e ponte de cristal. Quem ganha continua vivendo para enfrentar o próximo desafio. Cada etapa é cruel a seu jeito.

Os jogos remetem à infância, mas seu desfecho não tem nada a ver com o universo infantil. Quando o primeiro deles, “batatinha frita 1,2,3…” chega ao fim, metade dos jogadores estão mortos. Mesmo cientes disso, os sobreviventes aceitam seguir no jogo por dinheiro!

Outros aspectos importantes: as crianças nas escolas, nos seus nichos, comentam a série e disseminam a vontade de vê-la. Reproduzem o que assistem fazendo gestos de estar matando outras e deixam cartas para seus colegas e amigos, convidando-os para jogar, a exemplo do que acontece na série.

Quais são seus conteúdos? Natureza humana, desigualdade social, impulsos primitivos, bondade versus maldade, injustiça e opressão – com cenas muito fortes de humor irreal e sátiras pesadas, de difícil compreensão, principalmente para crianças.

O que contraindica a série para adolescentes e, principalmente, para crianças?

• causa reações muito diversas, como insegurança, pavor, agressividade, raiva, medo, ansiedade e o desejo da morte do outro;

• ensina que é cada um por si, que o trabalho em equipe (ou dupla) é prejudicial e que ninguém tem valor nem dignidade;

• estimula o “ganhar a qualquer custo”, sem ter respeito, empatia ou compaixão pelo outro. Os mais espertos e corrompidos serão os vencedores;

• mostra a vida moderna e a suas pressões como algo pior do que entrar num jogo mortal;

• classifica os personagens dentro de modelos clássicos, muitas vezes distorcidos: bonzinhos, maus, inseguros, quietinhos, heróis, covardes, medrosos, vilões;

• com o andar da série, todos se acostumam ao horror de tantas mortes. Torcidas pessoais aparecem: para que o favorito, mesmo tendo um passado sombrio, subjugue e vença os rivais; e passa a ser visto como um simples número ou como um cavalo que participa de uma corrida.

E, para ganhar, o personagem terá que viver com o peso na consciência e a culpa que cometeu ações terríveis para garantir o prêmio. Será que vai ser capaz de pagar um preço tão alto?

Por mais que Round 6 tenha classificação indicativa para maiores de 16 anos, o público infantil também tem acessado o conteúdo, com ou sem o conhecimento e autorização dos pais.

O que preocupa é a facilidade com que as crianças e adolescentes acessam esse material, apesar de que canais de streaming, como a Netflix, possuem a ferramenta de “restrição de visualização por classificação etária”.

Proibir a exibição pelos pais não é a melhor solução, pois sempre há uma maneira de burlar a regra. O ideal é que os pais vejam junto com seus filhos e aproveitem a oportunidade para discutir o tema. Não podemos subestimar a capacidade de compreensão das crianças, especialmente acima de 10 anos de idade.

Em outras palavras, não podemos fugir do assunto, mas discuti-lo. Voltamos à necessidade de que os pais ou responsáveis dialoguem com seus filhos, verifiquem os conteúdos que acessam na internet e sejam supervisores atentos de suas vidas.

Relatores:
Fernando M F Oliveira
Renata D Waksman
Tania MR Zamataro
Coordenadores do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: GaudiLab | depositphotos.com

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