Soluções – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Thu, 05 Dec 2024 16:22:20 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Soluções – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Para que acessibilidade? https://spsp.org.br/para-que-acessibilidade/ Thu, 05 Dec 2024 16:22:15 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=49348 Relator:Núcleo de Estudos sobre a Criança e o Adolescente com Deficiência da Sociedade de Pediatria de São Paulo]]>

No dia 5 de dezembro comemora-se o Dia Nacional da Acessibilidade. E qual a relação da acessibilidade com o cuidado? Para que acessibilidade?

Acessar é um verbo que pressupõe movimento e exige um impulso sensorial. No dicionário, “acesso” pode se referir à entrada, ao ingresso ou à possibilidade de chegar a algum lugar. Em um sentido mais abstrato, também pode indicar formas de comunicação. Independentemente da definição, acessar implica uma interação entre o indivíduo e o ambiente. Mas o que acontece quando o ambiente não está preparado para a forma como alguém pode interagir com ele? Será que todos experimentamos o mundo da mesma maneira? Temos todos o mesmo tipo de acesso?

A resposta, infelizmente, é não. E é aqui que a acessibilidade se torna crucial. Acessibilidade é um direito humano fundamental, como consagrado na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU. Ela garante o direito à livre circulação, à saúde, ao lazer, ao trabalho, ao estudo e à participação plena na sociedade. No entanto, para que esses direitos sejam de fato universais, precisamos de ambientes que considerem a diversidade humana e ofereçam diferentes possibilidades de interação.

Embora a acessibilidade seja frequentemente associada às pessoas com deficiência – que representam mais de um bilhão de indivíduos em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde – ela beneficia uma gama muito mais ampla de pessoas: crianças, idosos, gestantes, pessoas com mobilidade reduzida temporária, indivíduos com características físicas ou sensoriais específicas, e até mesmo aqueles que enfrentam barreiras linguísticas ou culturais também necessitam de ambientes e serviços acessíveis. Afinal, todos têm suas particularidades e podem, em algum momento da vida, precisar de soluções que facilitem sua interação com o mundo.

A ausência de acessibilidade priva não apenas as pessoas com deficiência, mas qualquer indivíduo que não se enquadre no modelo-padrão para o qual os ambientes e serviços geralmente são projetados. Isso perpetua barreiras sociais e físicas, agravando desigualdades e alimentando formas de preconceito estrutural, como o capacitismo. Esse preconceito, embora inicialmente voltado à discriminação contra pessoas com deficiência, pode ser ampliado para qualquer situação em que a sociedade falha em reconhecer e atender às necessidades de diferentes grupos.

Não existe um manual único para tornar o mundo acessível, e isso é compreensível. A dificuldade de interação com o ambiente pode ser espacial, sensorial ou comunicacional, exigindo soluções variadas e em constante evolução. A acessibilidade, portanto, não é estática; ela deve acompanhar as mudanças tecnológicas, sociais e culturais. Desde a implementação de rampas e elevadores até o desenvolvimento de tecnologias digitais adaptadas, como leitores de tela e softwares inclusivos, cada avanço é um passo em direção à equidade.

Um ponto essencial é que a acessibilidade precisa ser pensada a partir das demandas reais de todos os grupos da sociedade, e não apenas do olhar de quem projeta os espaços. Esse protagonismo é fundamental para garantir que soluções sejam adequadas, funcionais e respeitosas. Além disso, é importante considerar que o processo de envelhecimento é inerente a todos nós. Com o tempo, nossa forma de interagir com o mundo muda, e espaços acessíveis se tornam indispensáveis para qualquer pessoa, em qualquer etapa da vida.

Os benefícios do desenho universal vão além da garantia de direitos fundamentais. Ele promove maior eficiência e inovação no design de espaços e produtos, ao criar soluções que atendem a um público mais amplo. Ambientes planejados de forma acessível são mais funcionais para todos, reduzindo barreiras não apenas para quem tem deficiência, mas também para pessoas temporariamente imobilizadas, gestantes, idosos ou famílias com crianças pequenas. Uma sociedade que adota o desenho universal, economiza recursos a longo prazo ao evitar reformas e adaptações futuras, e cria um padrão que se adapta às necessidades de uma população diversa e em constante mudança.

Além disso, a prática do desenho universal fortalece o “tecido social”, ao promover uma convivência mais integrada e empática. Quando espaços públicos e privados são projetados para incluir todas as pessoas, criam-se oportunidades para interações mais ricas e diversificadas. Isso contribui para uma sociedade mais coesa, que valoriza e celebra a pluralidade de vivências. Ambientes verdadeiramente acessíveis inspiram uma cultura de acolhimento, onde cada indivíduo se sente respeitado e pertencente.

Falar sobre acessibilidade, portanto, é falar sobre inclusão, direitos humanos e, acima de tudo, sobre todos nós. Um mundo acessível é um mundo que abraça a diversidade e reconhece que as diferenças nos tornam mais fortes como sociedade. Construí-lo é um desafio coletivo, mas também uma oportunidade única de criar ambientes mais justos e acolhedores, onde cada indivíduo tenha a liberdade de ser, viver e participar plenamente.

É nossa responsabilidade provocar reflexões sobre este tema e garantir que nos espaços onde circulamos, a acessibilidade esteja assegurada para todas as pessoas em suas diversidades de corpos, de comunicação e cognitivas.

Relator:
Núcleo de Estudos sobre a Criança e o Adolescente com Deficiência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Quando se fala em “segurança do paciente”, do que estamos falando? https://spsp.org.br/quando-se-fala-em-seguranca-do-paciente-do-que-estamos-falando/ Tue, 17 Sep 2024 14:46:15 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48029 O erro, no mundo todo, tem contribuído com percentual significativo para desfechos desfavoráveis e para a oneração dos custos na assistência médica. Essa constatação motivou]]>

O erro, no mundo todo, tem contribuído com percentual significativo para desfechos desfavoráveis e para a oneração dos custos na assistência médica. Essa constatação motivou o desencadear pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de ações para o seu enfrentamento, uma delas foi a instituição do Dia Mundial da Segurança do Paciente, que é celebrado em 17 de setembro.

Quando se fala em “Segurança do Paciente” estamos falando de “prevenir o que é prevenível” no exercício dessa atividade complexa (a arte de curar) e que não é “matemática”. Falhas podem ocorrer em todas as etapas do processo da assistência médica. Oito grandes ocorrências já foram identificadas e são objeto de ações, em nosso país, pelo Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP). Destacamos:

  • Identificação do paciente:

Erros podem levar, por exemplo, à aplicação de medicamento ou transfusão, ou realização de testes diagnósticos, ou algum procedimento, em paciente errado e/ou em local errado. Soluções simples e eficazes: pulseiras de identificação, etiquetas em prontuários e solicitações de exames e a confirmação indispensável dos dados pessoais junto ao paciente.

  • Higienização das mãos:

As mãos são a principal via de transmissão de germes durante a prestação de cuidados de saúde. Soluções: a higiene das mãos deve ser realizada, obrigatoriamente, antes e após o contato com o paciente; antes e após a realização de procedimentos; após contato com material biológico e com o mobiliário e equipamentos próximos ao paciente.

  • Cateteres e sondas:

A infusão de soluções em vias erradas, como aquelas que deveriam ser administradas em sondas enterais serem realizadas em cateteres intravenosos. Soluções: Verificação, obrigatória, das conexões antes da infusão.

  • Cirurgia segura:

Evitar a possibilidade de realizar o procedimento errado no local errado ou no paciente errado. Evitar também as surpresas pela falta ou falhas em equipamentos ou de suprimentos indispensáveis ao ato cirúrgico, passíveis de identificação preventiva. Soluções: Utilização de “listas de verificação” (check-lists), aplicadas em três momentos cruciais: antes da indução anestésica, antes da incisão na pele e antes de o paciente sair da sala de cirurgia, que permitem avaliar/rever todo o processo, desde o início até a conclusão.

  • Sangue e hemocomponentes:

Evitar a transfusão incompatível. Soluções: a transfusão só poderá ocorrer após a confirmação da identidade do paciente e sua compatibilidade com o produto (glóbulos vermelhos, plaquetas, fatores de coagulação, plasma fresco congelado).

  • Prevenção de queda:

Essa possibilidade é maior em menores de 5 anos e em maiores de 65 anos. Soluções: atenção especial para: agitação/confusão, déficit sensitivo, distúrbios neurológicos, uso de sedativos, visão reduzida, dificuldades de marcha, hiperatividade e riscos ambientais (iluminação inadequada, pisos escorregadios, superfícies irregulares).

  • Prevenção de lesão por pressão:

Lesões por pressão são lesões na pele, geralmente localizadas sobre uma proeminência óssea, resultantes de pressão isolada. Soluções: a avaliação periódica dos riscos que cada paciente apresenta para a ocorrência de úlceras por pressão e instalação de medidas protetivas específicas.

  • Comunicação efetiva:

O paciente recebe cuidados de diversos profissionais e em diferentes locais, o que torna imprescindível a comunicação eficaz entre os envolvidos no processo. Soluções: a passagem de plantão e o registro em prontuário são exemplos de ferramentas de comunicação efetiva, oral e escrita, onde é necessário transmitir as informações com clareza e fidedignidade.

Como eu desejaria ser tratado caso estivesse…

Preencha o pontilhado com a sua imaginação. Por exemplo: se estivesse internado; se estivesse na sala de espera de um Pronto-Socorro ou na recepção de um Laboratório de Análises Clínicas.

Tenho certeza de que a minha avó responderia da mesma forma que meu pai e da mesma maneira que eu ou você. Nós todos desejaríamos ser tratados com competência, profissionalismo, compreensão, amabilidade, respeito, não sermos deixados abandonados e mantidos em segurança.*

 

Para saber mais:

* Fernando MF Oliveira. O novo. Reflexões baseadas em evidências. São Paulo: Fonte Editorial. 2019.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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