Sequelas – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 28 Apr 2026 19:18:04 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Sequelas – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Prevenção com vacinas e reconhecimento precoce salvam vidas https://spsp.org.br/prevencao-com-vacinas-e-reconhecimento-precoce-salvam-vidas/ Fri, 24 Apr 2026 11:39:53 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=56533 No Dia Mundial de Combate à Meningite, celebrado em 24 de abril, a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) reforça a urgência de conscientizar famílias sobre]]>

No Dia Mundial de Combate à Meningite, celebrado em 24 de abril, a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) reforça a urgência de conscientizar famílias sobre essa doença grave. A meningite é uma inflamação das meninges, as membranas que protegem o cérebro e a medula espinhal, causada principalmente por bactérias, vírus ou fungos. No Brasil, os dados do Informe Meningites – 2ª edição (novembro/2025) do Ministério da Saúde revelam um cenário alarmante no primeiro semestre de 2025: 6.169 casos confirmados, com 781 óbitos e letalidade de 12,7%. Desses, as meningites bacterianas somaram 2.643 casos e 537 mortes (letalidade de 20,3%), destacando a necessidade de ação imediata.

Entre as meningites bacterianas, a doença meningocócica foi responsável por 486 casos e 96 óbitos (letalidade 19,8%). Os sorogrupos mais frequentes foram B (146 casos) e C (90 casos), afetando especialmente crianças menores de 5 anos – incidência de 12,29/100 mil em < 1 ano e 2,05/100 mil em 1-4 anos. A meningite pneumocócica registrou 714 casos e 202 óbitos (letalidade 28,3%), enquanto a por Haemophilus influenzae teve 78 casos e 13 óbitos (16,7%). Esses números mostram que apesar das quedas históricas de casos graças às vacinas, a doença persiste, com maior impacto entre as crianças.

A boa notícia é a prevenção eficaz pelas vacinas. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda, em seu Calendário Nacional de Vacinação, a vacinação ampliada para a doença meningocócica com as vacinas MenACWY e MenB, contra doenças pneumocócicas (incluindo as meningites) com as vacinas VPC20 ou VPC15, e para Haemophilus influenzae tipo b (Hib) com as vacinas combinadas pentavalente ou hexavalente na primeira infância. Essas vacinas reduziram drasticamente a incidência das meningites desde 2010, como evidenciado na série histórica do informe, salvando milhares de vidas e prevenindo sequelas como surdez, amputações e déficits neurológicos.

Para famílias, reconhecer os sinais precocemente é crucial. Procurar atendimento imediato se a criança apresentar febre alta persistente, rigidez de nuca, fotofobia (desconforto intenso com a luz), irritabilidade extrema, vômitos em jato, manchas roxas na pele (petéquias/púrpura) e/ou convulsões. Em bebês, observar fontanela (conhecida como moleira) abaulada, choro inconsolável ou letargia (criança fica mole, sonolenta). A detecção em até 24 horas pode reduzir a letalidade de 20% para níveis muito menores, conforme indicadores de vigilância do informe (97,6% dos casos investigados em 48 h).

O que fazer? Levar a criança ao pronto-socorro mais próximo ou ligar para o SAMU (192). Não esperar: a meningite progride rapidamente. Antibióticos intravenosos e suporte intensivo são essenciais. A ação da vigilância epidemiológica para realizar a quimioprofilaxia para contatos domiciliares previne surtos e é por isso que a notificação dessa doença é compulsória e imediata.

Globalmente, a iniciativa Defeating Meningitis by 2030 (Derrotando as Meningites até 2030), da Organização Mundial da Saúde e parceiros, visa eliminar meningites epidêmicas, reduzir casos em 50% e óbitos em 70% até 2030. No Brasil, ações incluem fortalecimento da vigilância (38,7% foram confirmados laboratorialmente em 2025), ampliação de coberturas vacinais e educação comunitária. A SPSP apoia essas metas, promovendo imunizações em dia e conscientização para uma sociedade livre de meningites.

Famílias: verificar a Carteira de Vacinação no posto de saúde ou no app Conecte SUS ou em um serviço de imunização privado. Estejam com as vacinas em dia e ensinem os sinais da doença aos avós e cuidadores das crianças. Juntos, podemos combater sequelas e óbitos – em 2025, crianças abaixo de um ano tiveram uma letalidade de 14,6%, mas as vacinas podem zerar isso!

A SPSP parabeniza todos os profissionais de saúde pela vigilância e assistência aprimoradas e convoca: previna, reconheça, atue. Uma infância saudável começa com a vacinação em dia.

 

Relatora:
Melissa Palmieri
Secretária do Departamento Científico de Imunizações da SPSP

]]>
Semana Mundial das Imunodeficiências Primárias: o alerta que salva vidas https://spsp.org.br/semana-mundial-das-imunodeficiencias-primarias-o-alerta-que-salva-vidas/ Thu, 23 Apr 2026 17:45:11 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=56521 Aproveitando a Semana Mundial de Conscientização, que ocorre de 22 a 29 de abril, é fundamental discutir abertam]]>

Aproveitando a Semana Mundial de Conscientização, que ocorre de 22 a 29 de abril, é fundamental discutir abertamente os Erros Inatos da Imunidade (EII), historicamente conhecidos como Imunodeficiências Primárias (IDPs). A informação é a ferramenta mais poderosa para tirar milhares de brasileiros da invisibilidade e garantir o tratamento adequado.

O que são, afinal, as Imunodeficiências Primárias?

As IDPs são condições genéticas em que o indivíduo nasce com defeitos no sistema imunológico. Atualmente, existem mais de 500 tipos identificados. Enquanto alguns casos permitem uma vida quase normal até a fase adulta, outros se manifestam de forma gravíssima logo nos primeiros dias de vida, exigindo intervenção imediata para evitar sequelas permanentes.

Os sinais de alerta – quando a dúvida vira diagnóstico:

O grande desafio clínico é que essas doenças agem como “camaleões”, escondendo-se atrás de infecções que parecem comuns. No entanto, existe um limite entre a frequência esperada de doenças na infância e o que deve ser considerado preocupante. Pais e profissionais de saúde devem estar atentos aos sinais de alerta estabelecidos pela Fundação Jeffrey Modell:

  • Duas ou mais pneumonias no último ano;
  • Quatro ou mais novas otites (infecções de ouvido) em um ano;
  • Sinusites graves e refratárias ao tratamento;
  • Estomatites persistentes ou infecções por fungos na boca e na pele;
  • Uso de antibióticos por dois meses ou mais, sem resposta eficaz;
  • Interrupção no crescimento ou ganho de peso em bebês;
  • Abscessos de repetição na pele ou órgãos internos;
  • Necessidade de antibióticos venosos para tratar infecções que deveriam ser simples;
  • Histórico familiar de imunodeficiência;
  • Ocorrência de uma única infecção grave (como meningite, osteomielite ou sepse).

O tamanho do problema no Brasil:

As estatísticas revelam um cenário preocupante: estima-se que 170 mil brasileiros vivam com algum erro inato da imunidade, mas a vasta maioria — entre 70% e 90% — ainda não possui o diagnóstico correto. Sem saber da condição, esses pacientes enfrentam internações sucessivas e sofrem com sequelas irreversíveis nos pulmões ou ouvidos, quando um diagnóstico precoce poderia mudar drasticamente esse desfecho.

Idade não é barreira:

Diferente do que muitos acreditam, as IDPs não são restritas à idade pediátrica. Determinados defeitos genéticos tornam-se evidentes apenas na adolescência ou fase adulta. Portanto, adultos que apresentem infecções respiratórias graves de repetição também devem buscar investigação especializada com um imunologista.

Diagnóstico e tratamento – existe luz no fim do túnel:

Embora as sequelas da doença sejam severas, o caminho para a identificação é viável e muitas vezes se inicia com exames de sangue acessíveis, como o hemograma e a dosagem de anticorpos (imunoglobulinas). Uma vez diagnosticado, o tratamento evoluiu significativamente:

  • Reposição de imunoglobulina: Fornecimento de anticorpos via infusão (venosa ou subcutânea) para quem não os produz;
  • Antibióticos profiláticos: Uso de doses baixas para prevenir a instalação de bactérias;
  • Transplante de Medula Óssea (TMO): Indicado para casos gravíssimos (como os “bebês da bolha”), podendo representar a cura definitiva ao reiniciar o sistema imunológico.

O poder do diagnóstico precoce:

O diagnóstico correto transforma a vida do paciente, evitando a evasão escolar, aposentadorias precoces por invalidez e o isolamento social. Com o acompanhamento adequado, a pessoa com IDP pode ter uma vida plena, frequentando a escola, trabalhando e praticando esportes.

Esta semana de conscientização visa dar voz a quem está cansado de sempre estar doente. Se você identificou esses sinais em si mesmo ou em alguém próximo, procure ajuda especializada.

Divulgar essa informação é um ato de solidariedade que salva vidas.

 

Relator:
Pérsio Roxo Junior
Secretário do Departamento Científico de Alergia e Imunologia da SPSP


  

]]>
A paralisia cerebral em crianças https://spsp.org.br/a-paralisia-cerebral-em-criancas/ Mon, 06 Oct 2025 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53442 ]]>

A paralisia cerebral (PC) é uma condição primariamente que ocorre afetando o sistema motor em crianças cujas características clínicas expressam-se por limitações funcionais. Observam-se alterações do tônus muscular (espasticidade ou hipotonia), paralisias de grau variado (hemiplegia, tetraplegia), alterações posturais, movimentos involuntários, ocorrendo a sua instalação nos primeiros cinco anos de idade, às vezes já evidente no primeiro ano de vida.

Considerada como entidade não progressiva, poderão verificar-se modificações com o desenvolvimento, com prejuízos funcionais, consequência da evolução das sequelas cerebrais relacionada a aquisições mais tardias. Com frequência pode acompanhar-se com atraso no desenvolvimento, com mudanças comportamentais, atraso no desenvolvimento da linguagem ou epilepsia.

É também conhecida como encefalopatia crônica infantil (ECI).

A prevalência da PC em crianças, considerando 1.000 nascimentos vivos. é de 1,5 a 3,0, sendo de maior ocorrência em famílias de condições socioeconômicas mais limitadas. A sua causa mais frequente deve-se a ocorrências no período perinatal, devido à anoxia neonatal ocorrida durante o parto, levando à lesão cerebral e determinando o quadro conhecido como encefalopatia hipóxico-isquêmica. Pode ocorrer por outras causas, com por exemplo: malformações cerebrais, infecções materno-fetais, prematuridade e complicações, meningites bacterianas.

As recuperações funcionais variam de acordo com as características dos tipos e intensidade das sequelas e das intervenções mais precoces no processo de habilitação: fisioterapia, terapia ocupacional, terapia fonoaudiológica, avaliação ortopédica (órteses, cirurgia, sapatos adequados). Estes recursos e aquisições tecnológicas mais recentes certamente irão colaborar nas melhorias funcionais para auxiliar a autonomia e independência individual.

São necessários cuidados nos comentários com os familiares sobre prognóstico a longo prazo, com relação a prejuízos ou limitações do neurodesenvolvimento. Funções como a cognição e o aprendizado poderão nos surpreender, chegando a habilidades que permitirão seu desempenho nas atividades da vida diária.

Faz-se importantes estes comentários no dia de hoje, quando se comemora mundialmente o Dia da Paralisia Cerebral, ficando a lembrança de como se manifesta clinicamente nas crianças e das possibilidades que existem com recursos atuais no seu tratamento de habilitação, trazendo conforto e possibilidade de aprendizados, e aos familiares levando afeto a seus filhos, podendo estabelecer esperanças e expectativas de possíveis aquisições.

 

Relator:
Saul Cypel
Membro do Departamento de Científico de Neurologia e Neurocirurgia da SPSP

]]>
Meningites. Um problema só da infância? https://spsp.org.br/meningites-um-problema-so-da-infancia/ Mon, 24 Apr 2023 18:04:13 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=37123 Talvez nem todos saibam, mas são diversos os agentes que causam meningites. A começar pelos vírus, cuja grande maioria provoca meningite]]>

Talvez nem todos saibam, mas são diversos os agentes que causam meningites.

A começar pelos vírus, cuja grande maioria provoca meningite considerada “benigna”, pois geralmente não determinam complicações maiores ou deixam sequelas. No quadro agudo há febre, cefaleia e vômitos, sintomas mais frequentes, que incomodam e podem levar à desidratação e ocasionar internação.

Nem todos os vírus são tão “benignos” (se é que podemos dizer que as manifestações descritas acima são tranquilas); por exemplo, o herpes (sim… aquele mesmo que provoca as feridas na boca!). Em raros casos, como em imunodeprimidos e recém-nascidos, o herpes pode determinar um quadro grave, com crises convulsivas e até coma e óbito, com possibilidade real de sequelas gravíssimas no sistema nervoso. Requer tratamento imediato.

Mas na nossa realidade, a maior preocupação, sem dúvida, são as clássicas meningites bacterianas. As vacinas para esses agentes diminuíram bastante os quadros (felizmente!), mas quando a doença ocorre, leva a quadros gravíssimos, determinando não só morte em até 30% das crianças, como diversas sequelas, que vão de déficits auditivos a crises convulsivas, sequelas motoras e neurológicas e lesões de órgãos importantes, como rins e fígado.

As crianças são as mais acometidas, mas engana-se quem julga que são só elas. Os idosos que desenvolvem meningites têm mortalidade que beira 50% no Brasil, além, claro, de todas as sequelas já descritas aqui.

Um grupo que parece não ser muito comentado é o dos adolescentes e adultos jovens (não podemos esquecer deles!). Apesar de serem menos acometidos e terem menor gravidade, podem desenvolver todas essas sequelas e apresentam óbito entre 20% e 30% dos casos (ou seja, alarmante!).

Há um outro problema nessa história… Todos os estudos demonstram que os adolescentes e adultos jovens têm um papel fundamental no ciclo das meningites bacterianas. Principalmente dos meningococos, eles são os principais reservatórios, isto é, a bactéria coloniza suas nasofaringes, de onde existe a transmissão para todos os outros grupos – crianças, demais adultos e idosos. A implantação da vacinação no adolescente como estratégia de controle da disseminação das meningites demonstrou bons resultados na redução da doença meningocócica nos demais grupos etários.

A vacinação contra algumas bactérias, a citar o Streptococcus pneumoniae (pneumococo), o Haemophilus influenzae b e o meningococo C nas crianças, que faz parte do Programa Nacional de Imunizações (PNI), recomendada pelas Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), pôde reduzir drasticamente as meningites por esses agentes. Mas ainda há necessidade de intensificar a vacinação do adolescente, hoje com baixíssimas taxas de cobertura.

Atualmente faz parte do calendário vacinal do adolescente (pelo PNI, pela SBP e SBIm) a administração da vacina meningocócica ACWY (que protege para esses quatro sorogrupos do meningococo), tanto pelo SUS como em clínicas privadas. Também há a recomendação pela SBP e SBIm para vacinação contra o meningococo B (somente nas clínicas privadas).

A vacinação deve começar nas crianças pequenas e o mais brevemente possível, por serem o grupo com maior taxa de infecção e alta morbimortalidade.  Entretanto, jamais devemos negligenciar a vacinação do adolescente, o que infelizmente tem ocorrido nos tempos atuais.

 

Relator:
Marcelo Otsuka
Vice-Presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

]]>