Segurança – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 24 Jul 2026 19:23:12 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Segurança – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Um minuto de atenção pode salvar uma vida https://spsp.org.br/um-minuto-de-atencao-pode-salvar-uma-vida/ Sat, 25 Jul 2026 11:00:00 +0000 https://spsp.org.br/?p=57898 Todos os anos, em 25 de julho, o mundo celebra o Dia Mundial de Prevenção do Afogamento, uma data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para conscientizar sobre um problema que causa centenas de milhares de mortes todos os anos e que, na maioria das vezes, pode ser evitado. O afogamento, ao contrário do que muitos imaginam, é um evento rápido e silencioso. A pessoa que está se afogando geralmente não grita, não pede socorro, pois gasta toda sua energia na luta por manter nariz/boca acima da superfície: ela submerge e prende a respiração, enquanto tenta subir novamente à superfície. Nesses movimentos, engole água e pode também já “respirar” um pouco do líquido. Se não houver socorro, a pessoa entra em exaustão, não conseguindo mais emergir. Mesmo fazendo esforço para não respirar embaixo da água, esse mecanismo falha e o indivíduo acaba respirando líquido. Com essa falta de oxigenação adequada, ela perde a consciência. É assim que, em pleno século 21, em torno de 300 mil pessoas no mundo inteiro, principalmente crianças e jovens de 1 a 24 anos, perdem suas vidas ou mantêm sequelas físicas e emocionais que levarão para sempre. O afogamento não acontece apenas em praias e piscinas. Ele pode ocorrer em rios, lagos, represas, caixas d’água, baldes, banheiras e até em poucos centímetros de água. Bebês e crianças pequenas são os mais vulneráveis.  A prevenção é a forma mais eficaz de evitar que isso ocorra e está baseada em múltiplas camadas de proteção: Piscinas devem ser cercadas com grades de pelo menos 1,20 m de altura, sem que haja espaços para que se passe por entre elas, por baixo das mesmas ou que se escale para pulá-las, com um portão com autotravamento, evitando, assim, a entrada não autorizada. O mesmo deve ser feito para outros reservatórios de água que não possam ser esvaziados. Crianças menores de cinco anos, ou maiores que não saibam nadar, devem permanecer sempre a um braço de distância de um adulto quando estiverem na água ou próximos dela. A partir dos quatro anos de idade, a criança atinge um maior grau de maturidade cognitiva e capacidade de atenção (compreende e segue instruções com mais facilidade), melhor coordenação motora e equilíbrio corporal (mais força e controle postural) e autonomia (flutua, desloca-se e recupera a posição vertical com mais facilidade). A sobrevida no afogamento depende, em grande parte, da rapidez com que a oxigenação é restabelecida. Sendo assim, a melhor RCP é aquela iniciada imediatamente por quem presencia o acidente. Ensinar pais e cuidadores a reconhecer o afogamento, retirar a vítima da água com segurança e iniciar ventilações de resgate e RCP enquanto o serviço de emergência é acionado pode ser decisivo para salvar vidas. O uso de coletes salva-vidas certificados é uma das medidas mais eficazes para prevenir mortes por afogamento, especialmente em crianças, durante atividades em embarcações, esportes aquáticos e em ambientes naturais, como rios, lagos e mar. Nem todo dispositivo de flutuação oferece proteção adequada. Um colete salva-vidas certificado possui flutuabilidade testada conforme normas técnicas; mantém a flutuação mesmo após longo período na água; tem tamanho e capacidade compatíveis com o peso do usuário; utiliza fechos resistentes e seguros e é fabricado para evitar que a criança escorregue para fora durante o uso. Neste 25 de julho, o convite é simples: compartilhe informações, converse com sua família e amigos e reveja os cuidados ao redor da água. E lembre-se, antes de entrar na água: Saber agir também faz diferença. Relatora: Tania ZamataroMembro do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSPCoordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP]]>

Todos os anos, em 25 de julho, o mundo celebra o Dia Mundial de Prevenção do Afogamento, uma data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para conscientizar sobre um problema que causa centenas de milhares de mortes todos os anos e que, na maioria das vezes, pode ser evitado.

O afogamento, ao contrário do que muitos imaginam, é um evento rápido e silencioso. A pessoa que está se afogando geralmente não grita, não pede socorro, pois gasta toda sua energia na luta por manter nariz/boca acima da superfície: ela submerge e prende a respiração, enquanto tenta subir novamente à superfície. Nesses movimentos, engole água e pode também já “respirar” um pouco do líquido. Se não houver socorro, a pessoa entra em exaustão, não conseguindo mais emergir. Mesmo fazendo esforço para não respirar embaixo da água, esse mecanismo falha e o indivíduo acaba respirando líquido. Com essa falta de oxigenação adequada, ela perde a consciência.

É assim que, em pleno século 21, em torno de 300 mil pessoas no mundo inteiro, principalmente crianças e jovens de 1 a 24 anos, perdem suas vidas ou mantêm sequelas físicas e emocionais que levarão para sempre.

O afogamento não acontece apenas em praias e piscinas. Ele pode ocorrer em rios, lagos, represas, caixas d’água, baldes, banheiras e até em poucos centímetros de água. Bebês e crianças pequenas são os mais vulneráveis.

 A prevenção é a forma mais eficaz de evitar que isso ocorra e está baseada em múltiplas camadas de proteção:

  • Instalar barreiras físicas que controlem o acesso à água (ex.: cercas em piscinas, poços, tanques).

Piscinas devem ser cercadas com grades de pelo menos 1,20 m de altura, sem que haja espaços para que se passe por entre elas, por baixo das mesmas ou que se escale para pulá-las, com um portão com autotravamento, evitando, assim, a entrada não autorizada. O mesmo deve ser feito para outros reservatórios de água que não possam ser esvaziados.

  • Prover supervisão próxima e constante de crianças em ambientes aquáticos.

Crianças menores de cinco anos, ou maiores que não saibam nadar, devem permanecer sempre a um braço de distância de um adulto quando estiverem na água ou próximos dela.

  • Ensinar habilidades de natação, flutuação e segurança na água para crianças.

A partir dos quatro anos de idade, a criança atinge um maior grau de maturidade cognitiva e capacidade de atenção (compreende e segue instruções com mais facilidade), melhor coordenação motora e equilíbrio corporal (mais força e controle postural) e autonomia (flutua, desloca-se e recupera a posição vertical com mais facilidade).

  • Ensinar reanimação cardiopulmonar (RCP) a pais, cuidadores, professores.

A sobrevida no afogamento depende, em grande parte, da rapidez com que a oxigenação é restabelecida. Sendo assim, a melhor RCP é aquela iniciada imediatamente por quem presencia o acidente. Ensinar pais e cuidadores a reconhecer o afogamento, retirar a vítima da água com segurança e iniciar ventilações de resgate e RCP enquanto o serviço de emergência é acionado pode ser decisivo para salvar vidas.

  • Fornecer equipamentos de segurança para atividades aquáticas, como coletes salva-vidas certificados.

O uso de coletes salva-vidas certificados é uma das medidas mais eficazes para prevenir mortes por afogamento, especialmente em crianças, durante atividades em embarcações, esportes aquáticos e em ambientes naturais, como rios, lagos e mar.

Nem todo dispositivo de flutuação oferece proteção adequada. Um colete salva-vidas certificado possui flutuabilidade testada conforme normas técnicas; mantém a flutuação mesmo após longo período na água; tem tamanho e capacidade compatíveis com o peso do usuário; utiliza fechos resistentes e seguros e é fabricado para evitar que a criança escorregue para fora durante o uso.

Neste 25 de julho, o convite é simples: compartilhe informações, converse com sua família e amigos e reveja os cuidados ao redor da água.

E lembre-se, antes de entrar na água:

  • escolha locais com guarda-vidas;
  • respeite as bandeiras de sinalização;
  • evite nadar sozinho;
  • nunca misture álcool com atividades aquáticas;
  • não mergulhe em locais cuja profundidade você desconhece.

Saber agir também faz diferença.

Relatora:

Tania Zamataro
Membro do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Fogos, fogueiras e futebol: aproveite as festas com atenção à segurança das crianças https://spsp.org.br/fogos-fogueiras-e-futebol-aproveite-as-festas-com-atencao-a-seguranca-das-criancas/ Wed, 17 Jun 2026 19:35:49 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57479 ]]>

Junho é um mês especial para as famílias brasileiras. As festas juninas trazem música, dança e comidas típicas, enquanto a Copa do Mundo reúne pais e filhos em frente à televisão.

O clima frio, os fogos de artifício, alguns alimentos típicos, a fumaça das fogueiras e a maior circulação de vírus respiratórios podem aumentar os riscos para os pequenos.

É tempo de celebrar, mas também de cuidar.

Os perigos dos fogos de artifício e das fogueiras

Entre as principais causas de acidentes infantis nesta época do ano estão os fogos de artifício e as fogueiras. Queimaduras por esses agentes podem ser graves, causando dor intensa, cicatrizes permanentes e, em casos mais sérios, necessidade de hospitalização, cirurgia e até morte. Fogos de artifício também podem provocar lesões oculares e nos ouvidos.

Crianças são especialmente vulneráveis porque têm a pele mais fina e reagem de forma mais intensa ao calor.

 E durante os jogos da Copa?

As reuniões para assistir aos jogos também pedem atenção. Evite que crianças e adolescentes consumam bebidas alcoólicas ou excesso de alimentos ultraprocessados. Respeite o horário de sono, especialmente dos menores. Aglomerações também pedem cuidado com higiene das mãos e ventilação dos ambientes. O barulho de comemorações, fogos e buzinas pode assustar bebês, crianças pequenas ou portadores de deficiência, sendo que protetores auriculares podem ser necessários. Além disso, a exposição a barulhos excessivos, pode prejudicar a audição.

As crianças devem ser mantidas sempre por perto em locais movimentados, e providencie uma identificação com o nome, telefone e endereço dos responsáveis, caso se percam.

Orientações para os pais:

  • Fogos de artifício. Nunca devem ser manuseados por crianças, independentemente do tamanho ou tipo. Mesmo os chamados “fogos de mão”, como “estrelinhas”, atingem temperaturas altíssimas e são responsáveis por muitos acidentes.
  • Mantenha distância segura das fogueiras. Crianças pequenas devem ser observadas de perto o tempo todo quando há fogo por perto. Roupas típicas com tecidos leves e sintéticos podem pegar fogo com facilidade, então prefira fantasias de algodão.
  • Balões. Não solte balões. Além de ser crime ambiental no Brasil, podem provocar incêndios e acidentes graves.
  • Supervisão. As crianças devem ficar sob supervisão constante de um adulto responsável e assistir aos fogos apenas de longe.
  • Em caso de queimadura. Resfrie a área imediatamente com água corrente fria por pelo menos 10 minutos. Não use pasta de dente, manteiga, clara de ovo ou qualquer outro produto caseiro. Procure atendimento médico.
  • Atenção redobrada às comidas típicas. Alimentos redondos ou duros, como amendoins inteiros, pipoca ou mesmo salsicha, oferecem risco de engasgo para crianças pequenas. Corte os alimentos em pedaços menores e não deixe a criança dançar ou brincar enquanto está comendo.

 

Junho pode e deve ser um mês de muita alegria para toda a família. Com informação e atenção, é possível celebrar com segurança.

 

Relatora:
Sarah Saul
Presidente do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP

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Pelo direito de toda criança chegar em segurança https://spsp.org.br/pelo-direito-de-toda-crianca-chegar-em-seguranca/ Tue, 21 Apr 2026 11:11:25 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=56484 O Dia Nacional da Paz no Trânsito, celebrado em 21 de abril, nos convida a uma reflexão urgente e necessária: nossas crianças e adolescentes estão seguros quando saem de casa? O trânsito é]]>

O Dia Nacional da Paz no Trânsito, celebrado em 21 de abril, nos convida a uma reflexão urgente e necessária: nossas crianças e adolescentes estão seguros quando saem de casa?

O trânsito é uma das principais causas de morbimortalidade infantojuvenil no Brasil: crianças atropeladas ao irem à escola, adolescentes vítimas de colisões em ciclofaixas, jovens passageiros em veículos sem equipamentos de segurança adequados, sendo que cada estatística esconde um nome, uma história, uma família.

Celebrar este dia é também assumir compromissos: defender políticas públicas de mobilidade segura, promover dispositivos de retenção infantis (cadeirinha) como hábitos inegociáveis, e educar famílias sobre os riscos reais do dia a dia nas ruas. Como pediatras e defensores da saúde integral de nossas crianças, reafirmamos: proteger a criança no trânsito é proteger o seu direito ao futuro.

Quando uma criança morre no trânsito há quase sempre uma sequência de falhas: de fiscalização, de infraestrutura, de comportamento e de proteção. Em geral, é um contexto evitável e não “obra do acaso”.

A seguir, algumas dicas de como prevenir lesões no trânsito:

A criança como ciclista

– Coloque corretamente o capacete, bem ajustado e sem folgas. Uso de joelheira e cotoveleira também é indicado;

– Crianças pequenas devem pedalar sempre com a supervisão de um adulto;

– Escolha locais seguros, priorizando ciclovias, parques e áreas fechadas;

– A bicicleta deve estar do tamanho certo para a criança, a fim de que consiga apoiar os pés no chão;

– Ensine sempre regras básicas de trânsito e lembre-se de que pais que seguem as regras incentivam o comportamento seguro;

– Use roupas claras ou faixas refletivas e evite pedalar em dias chuvosos ou em terrenos escorregadios.

A criança como pedestre

– Ensine a criança a atravessar a rua corretamente, olhando para os dois lados, atravessando apenas na faixa de pedestre, após conferir que os carros realmente pararam. Ensine os significados básicos de placas e semáforos;

– Ensine a criança a não brincar ou correr perto da rua, pois elas se distraem facilmente. Não usar o celular enquanto atravessa a rua;

– Crianças pequenas devem dar a mão a um adulto ao atravessar, e serem sempre supervisionadas;

– Muito cuidado com veículos estacionados, sempre procurar um ponto onde motoristas consigam ver a criança. Atenção deve ser dada também à entrada e saída de veículos. Pare e olhe antes de passar por esses pontos.

A criança como ocupante de veículo

– Utilize sempre os dispositivos de segurança adequados para a idade (bebê-conforto, cadeirinha e booster). A instalação deve ser correta, seguindo o manual;

– Crianças de até 13 anos devem viajar sempre no banco traseiro;

– Nunca deixe a criança sozinha no carro, pois há risco de exposição a calor extremo, asfixia e movimentação do veículo;

– Seja sempre o exemplo ao dirigir, respeite os limites de velocidade, use o cinto de segurança e não use o celular;

– Mantenha o carro com a manutenção em dia e com a trava infantil ativada;

– Os objetos, como brinquedos e mochilas, dentro do carro devem estar bem fixados, para evitar que em caso de freada, virem “projéteis”.

Neste Dia Nacional da Paz no Trânsito, reafirmamos o compromisso com a defesa da vida das crianças e adolescentes dentro e fora dos consultórios.

 

Relatora:
Sarah Saul
Presidente do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP

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Evolução nos cuidados e tratamentos da hemofilia https://spsp.org.br/evolucao-nos-cuidados-e-tratamentos-da-hemofilia/ Fri, 17 Apr 2026 18:53:37 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=56476 ]]>

Aproveitamos o Dia Internacional da Hemofilia, que acontece no dia 17 de abril, para falar um pouco sobre essa doença, como identificá-la e dar algumas dicas aos pais e cuidadores de crianças e adolescentes.

A hemofilia é uma doença genética que afeta a capacidade do sangue de coagular corretamente. Isso acontece porque a pessoa nasce com falta ou deficiência de algumas proteínas, chamadas “fatores de coagulação”, que são essenciais para estancar sangramentos. Quando há falta do fator VIII, chamamos de hemofilia A, e do fator IX, de hemofilia B. Por causa dessa deficiência de fator, pequenos machucados podem sangrar por mais tempo que o normal e podem ocorrer sangramentos internos e espontâneos, especialmente nas articulações e músculos, mesmo sem trauma evidente.

Para quem convive com a hemofilia, alguns cuidados no dia a dia ajudam a prevenir complicações e dar mais segurança ao paciente. É importante manter acompanhamento regular com um serviço especializado e seguir corretamente o tratamento prescrito.

Em casa, vale adaptar o ambiente para reduzir riscos de quedas e traumas, principalmente para crianças pequenas, como a colocação de tapetes antiderrapantes e criar proteção em cantos, além de incentivar o uso de equipamentos de proteção em atividades físicas, como capacete, joelheira e cotoveleira, entre outros.

Pais e cuidadores devem estar sempre atentos a sinais de sangramento. Deve-se seguir o plano previamente combinado com seu hematologista e procurar atendimento precoce em casos de inchaço, dor ou limitação de movimento nas articulações. Em casos de traumas mais graves ou na cabeça, sempre é necessário ser avaliado por um médico.

É fundamental informar a escola e outros responsáveis sobre a condição da criança e como agir em caso de sangramento, tendo um plano de ação para emergências e acesso rápido ao fator de coagulação.

Deve-se evitar medicamentos que aumentam o risco de sangramento, como anti-inflamatórios (por exemplo, o ibuprofeno) e antiagregantes (como o AAS), e manter as vacinas em dia (realizar preferencialmente por via subcutânea em centro de referência).

Ao longo dos últimos 100 anos, o tratamento da hemofilia evoluiu de forma extraordinária, transformando uma condição frequentemente fatal na infância em uma doença crônica com boa qualidade de vida.

No Brasil, desde o início e até hoje, todos os cuidados e tratamentos necessários são fornecidos pelo SUS. No início do século XX, as opções eram limitadas a transfusões de sangue total ou plasma, com eficácia restrita e muitas complicações. A partir da década de 1960, a introdução dos concentrados de fator de coagulação revolucionou o manejo, permitindo tratamento mais direcionado, embora tenha sido marcada, nas décadas seguintes, por complicações graves, como a transmissão de vírus (principalmente HIV e hepatites) através dos hemoderivados. Com o avanço das técnicas de purificação e o desenvolvimento de fatores recombinantes nas décadas de 1980 e 1990, a segurança aumentou significativamente.

Atualmente, seu tratamento é feito principalmente com a reposição do fator de coagulação que falta, aplicado na veia, seja para tratar sangramentos ou para preveni-los de forma regular – a profilaxia regular tornou-se padrão de cuidado, prevenindo sangramentos e sequelas articulares.

Mais recentemente, no início de 2026, uma nova medicação foi incorporada para uso em crianças abaixo de seis anos com hemofilia A grave: o emicizumabe, que é um medicamento aplicado de forma subcutânea, com menor frequência e que ajuda a “substituir” a função do fator VIII. Ele tem se mostrado muito eficaz na prevenção de sangramentos, inclusive em pacientes com formas mais complexas da doença, tornando o tratamento mais prático e melhorando a qualidade de vida dessas crianças.

Ainda há espaço para avanços no tratamento, principalmente para os pacientes com hemofilia B. A área continua evoluindo rapidamente, com perspectivas promissoras de novos tratamentos, como as terapias de reequilíbrio da coagulação e a terapia gênica, que podem transformar ainda mais o tratamento no futuro.

Relatora:

Julia L. Sion
Hematologista Pediátrica do Hospital Infantil Sabará e do Hemocentro do Hospital das Clínicas da FMUSP-SP
Membro do Departamento Científico de Hematologia e Hemoterapia da SPSP

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Segurança em relação a dietas com baixo teor de carboidratos para controlar o diabetes em crianças https://spsp.org.br/seguranca-em-relacao-a-dietas-com-baixo-teor-de-carboidratos-para-controlar-o-diabetes-em-criancas/ Mon, 03 Nov 2025 12:28:08 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=54029 Uma das grandes preocupações de pais de crianças com diabetes tipo 1 (DM1) é buscar um equilíbrio dos níveis de glicose diariamente]]>

Uma das grandes preocupações de pais de crianças com diabetes tipo 1 (DM1) é buscar um equilíbrio dos níveis de glicose diariamente e a longo prazo, com o objetivo de evitar as complicações agudas e crônicas da doença. Ao mesmo tempo, há o sentimento de reduzir o sofrimento dos filhos por conta das famosas “picadas” – seja para monitorizar os níveis de glicose, seja para a aplicação da insulina. A dieta desempenha papel importante no tratamento do DM1; abordaremos, neste espaço, alguns aspectos relativos à utilização dos carboidratos.

O carboidrato é um macronutriente que compõe a nossa pirâmide alimentar, sendo a base dela – ou seja, a maioria da nossa caloria consumida por dia é por conta dos carboidratos (pelo menos 50% a 55% das calorias diárias). Ao mesmo tempo, o carboidrato é a principal fonte que aumenta de forma imediata os níveis de glicose após seu consumo nos pacientes DM1. Por conta deste impacto, pelo receio de aumentos exorbitantes das glicemias após as refeições e, ao mesmo tempo, tentando buscar uma forma para aplicação de uma menor quantidade de insulinas bolus, algumas famílias buscam utilizar uma dieta com uma menor quantidade de carboidratos para as crianças DM1 – as famosas dietas low-carb (LC), very low-carb (VLC) e dieta cetogênica (DC).

Pensando-se na proposta e resultado dela, realmente pode haver um impacto positivo, tanto na redução dos níveis de glicose com estas dietas. No entanto, qual a segurança na realização delas em crianças DM1?

Pois atenção: toda criança, independentemente se apresenta doenças ou não, necessita de forma obrigatória dos carboidratos. Devemos lembrar que eles são a fonte imediata de energia para nossas células do corpo, e a redução drástica do seu consumo pode afetar o desenvolvimento e o rendimento da criança, podendo causar, por exemplo, apatia, sonolência, queda do rendimento escolar, entre outros comportamentos. Ao mesmo tempo, o carboidrato tem efeito direto na proliferação celular e, por isso, gera uma consequência direta no crescimento do indivíduo. Ou seja, uma redução além do normal no consumo de carboidratos em crianças pode afetar o crescimento e desenvolvimento delas a curto e longo prazo.

Outra questão que deve ser considerada: pelo fato de o carboidrato ser uma fonte imediata de energia, a redução do consumo nem sempre é tolerada na população pediátrica, gerando sintomas como fraqueza, tonturas, vômitos, entre outros.

Mais um aspecto a ser discutido: com a redução do consumo de carboidratos, a tendência é que a dieta seja reforçada por um maior nível de proteínas e gorduras. Estes, apesar de em menor proporção, possuem conversão e podem impactar também em aumento dos níveis de glicose após horas do seu consumo; além disso, o consumo aumentado de proteínas e gorduras pode gerar impactos nos níveis de colesterol, aumentar risco de obesidade, gerar impactos na saúde hepática e renal, etc.

As dietas VLC e DC, pela redução considerável do consumo de carboidratos, podem gerar um aumento da quebra do tecido adiposo corporal para fornecimento de glicose para fornecimento de energia – entretanto, este mecanismo pode causar a redução do pH sanguíneo (acidose) e aumentar a formação de corpos cetônicos – e a junção destes dois mecanismos pode levar a uma cetoacidose diabética mesmo com níveis normais de glicose, chamada cetoacidose diabética euglicêmica, que é uma emergência médica e deve ser tratada imediatamente.

Em resumo: crianças com DM1 devem ter uma dieta individualizada, com aporte calórico adequado e consumo correto de carboidratos, proteínas e gorduras. A redução do consumo de carboidratos na dieta não possui, a princípio, estudos que demonstrem segurança para o seu uso de forma indiscriminada. A alimentação do paciente DM1 deve ser acompanhada de forma rigorosa por um nutricionista, de tal forma que haja ajustes adequados para otimizar o crescimento, desenvolvimento e níveis adequados de glicose nas crianças DM1.

 

Relator:

Thiago Santos Hirose
Endocrinologista Pediátrico
Membro do Departamento Científico de Endocrinologia da SPSP
Diretor da Regional de Ribeirão Preto da SPSP

 

 

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Prevenção de acidentes com veículos em condomínios residenciais – o que vale observar https://spsp.org.br/prevencao-de-acidentes-com-veiculos-em-condominios-residenciais-o-que-vale-observar/ Thu, 16 Oct 2025 14:00:27 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53644 Em geral, quando os pais escolhem um condomínio residencial para morar, o que mais vêm à mente é a possibilidade de se ter espaços abertos para]]>

Em geral, quando os pais escolhem um condomínio residencial para morar, o que mais vêm à mente é a possibilidade de se ter espaços abertos para as crianças brincarem com segurança. Muitos estudos hoje nos mostram que brincar em ambientes abertos, em contato com a natureza, tem efeitos muito positivos no desenvolvimento neuropsicomotor das crianças. 

Dessa maneira, é muito importante pensarmos na prevenção de acidentes e na promoção de uma vida segura dentro destes espaços – adequação da velocidade ao tamanho das vias, segurança e sinalização adequadas nos locais de parquinhos e quadras, entre outras medidas.

O excesso de velocidade não coloca em risco apenas as nossas crianças, mas também os idosos, indivíduos com mobilidade reduzida ou com déficits auditivos (os veículos atuais são cada vez mais silenciosos, especialmente os elétricos e, cada vez mais, crianças e adolescentes andam com fones ou dispositivos do tipo “airpods”, o que atrapalha na identificação de sons externos). Cuidar destes fatores protege a todos nós, além de proteger, também, animais selvagens e de estimação.

O Código de Trânsito Brasileiro – CTB (Lei 9.503/1997) define que as normas de circulação se aplicam em vias terrestres abertas à circulação pública. Entretanto, os condomínios têm autonomia para criar e aplicar regras internas de trânsito em seus regimentos ou convenções (ex.: limite de velocidade, proibição de buzinas, locais de estacionamento). Essas regras têm força legal, porque estão amparadas pelo Código Civil (art. 1.333 e seguintes), o que garante ao condomínio o direito de estabelecer normas para a segurança e boa convivência.

Cada regra de circulação e sinalização foi criada para proteger motoristas, passageiros, pedestres e ciclistas. Respeitá-las não é apenas uma obrigação legal, mas um ato de responsabilidade social e de cuidado com a vida.

O uso do celular durante a condução é uma das principais causas de acidentes de trânsito no mundo. Ele compromete a atenção do motorista em três dimensões (visual, motora e cognitiva), reduzindo, entre outras coisas, a capacidade de reação do motorista em situações de emergência.

Se dentro do condomínio ocorrer um acidente grave (como atropelamento de pessoa ou animal), podem existir responsabilizações cíveis e criminais com base no CTB e no Código Penal, mesmo sendo área privada. O motorista pode responder por imprudência, negligência ou imperícia. O condomínio também pode ser responsabilizado se ficar comprovado que não adota medidas mínimas de segurança (ex.: ausência de sinalização, falta de controle de velocidade).

Cada morador deve refletir: vale a pressa de alguns segundos diante da possibilidade de uma tragédia?

Todos, especialmente os moradores, devem pensar que quando entram no condomínio, estão entrando em um ambiente de paz – proteger a si próprio e aos outros é um direito e um dever. Uma vida nunca poderá ser substituída; a mudança de hábitos para uma vida saudável e protegida é possível sempre!

 

Relatora:

Ana Paula Antunes P. Bertozzi
Membro do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP

 

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Dia do Cabelo Maluco: diversão com segurança https://spsp.org.br/dia-do-cabelo-maluco-diversao-com-seguranca/ Sat, 11 Oct 2025 11:01:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53549 O Dia do Cabelo Maluco é uma oportunidade muito aguardada pelas crianças nas escolas, que permite que expressem sua imaginação com penteados coloridos, acessórios ]]>

O Dia do Cabelo Maluco é uma oportunidade muito aguardada pelas crianças nas escolas, que permite que expressem sua imaginação com penteados coloridos, acessórios e estilos divertidos. Entretanto, é fundamental reforçar que a diversão deve sempre vir acompanhada de cuidados para evitar riscos à saúde.

Seguem algumas dicas de segurança:

  • Utilizar apenas sprays, géis e tintas infantis ou cosméticos devidamente testados e aprovados pela Anvisa. Produtos improvisados, como tinta guache, cola ou purpurina industrial podem causar alergias, irritação no couro cabeludo e até intoxicações. Evitar ainda peróxidos e amônia.
  • Preferir opções laváveis e atóxicas, que possam ser removidas com água e xampu neutro.
  • Grampos, presilhas e tiaras devem ser de material leve, sem pontas metálicas expostas que possam arranhar ou machucar o couro cabeludo.
  • Evitar objetos rígidos ou pesados, que podem se soltar durante as brincadeiras e causar ferimentos.
  • Atenção especial às crianças pequenas: peças pequenas devem ser evitadas, pois podem representar risco de engasgo.
  • Aplicar sempre sprays em áreas ventiladas, para evitar que a criança respire partículas em excesso.
  • Proteger sempre os olhos, nariz e boca durante a aplicação.
  • Após a atividade, lavar bem os cabelos para evitar resíduos que possam causar coceira ou irritação.
  • As crianças devem ser sempre supervisionadas por um adulto durante a brincadeira.

             O Dia do Cabelo Maluco pode ser uma experiência muito divertida, desde que aliado a boas práticas de segurança.

 

Relatora:

Sarah Saul
Presidente do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP

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Vez ou outra, alguns modismos voltam… infelizmente! https://spsp.org.br/vez-ou-outra-alguns-modismos-voltam-infelizmente/ Thu, 04 Sep 2025 18:55:48 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53008 Há uns oito anos, mais ou menos, houve na Europa e nos EUA uma “febre do uso dos babies neck floats”, ou boias de pescoço, anéis de plástico infláveis usados ao redor do pescoço do]]>

Há uns oito anos, mais ou menos, houve na Europa e nos EUA uma “febre do uso dos babies neck floats”, ou boias de pescoço, anéis de plástico infláveis usados ao redor do pescoço do bebê, que permitiam que o mesmo flutuasse livremente na água. Algumas dessas boias eram comercializadas para bebês a partir de duas semanas de vida ou prematuros. Eram usadas durante o banho, na piscina ou como uma ferramenta de fisioterapia (intervenção de terapia aquática) para bebês com atrasos ou deficiências no desenvolvimento.

Esses produtos prometiam aumento do tônus muscular, maior flexibilidade e amplitude de movimento, aumento da capacidade pulmonar, melhor qualidade do sono e aumento da estimulação do cérebro e do sistema nervoso. Entretanto, a segurança e a eficácia das boias de pescoço para desenvolver força, promover o desenvolvimento motor ou como uma ferramenta de fisioterapia não foram estabelecidas. Além do mais, houve relatos de agravamento de lesões motoras, além de acidentes (que serão melhor explicados a seguir), o que fez com que o FDA (Food and Drug Administration) emitisse um alerta em 2022, contra o uso desses dispositivos em fisioterapia.

Mesmo para uso “recreacional”, os flutuadores de pescoço acabaram se mostrando perigosos, com risco de morte por afogamento e sufocamento, distensão e lesão no pescoço do bebê. Várias entidades médicas, incluindo a Sociedade Brasileira de Pediatria, manifestaram repúdio ao uso.

Como foi dito no início, infelizmente, alguns modismos retornam… e parece ser o caso dessas boias. Alguns vídeos de bebês flutuando com o dispositivo retornaram às mídias sociais. Por isso, o Departamento de Segurança da SPSP achou por bem retomar as explicações dos malefícios do uso:

Risco de afogamento

Mesmo em banheiras ou piscinas rasas, o bebê pode deslizar para dentro do dispositivo ou virar, ficando com o rosto submerso. Bebês tiveram a boca, o nariz ou a cabeça inteira escorregando pelas aberturas e caindo na água quando as boias não estavam infladas o suficiente, quando apresentavam vazamentos por ficarem escorregadias com sabão ou por razões desconhecidas. O adulto pode ter uma falsa sensação de segurança e diminuir a supervisão, aumentando o risco de acidentes.

Risco de lesões no pescoço e coluna cervical

O pescoço do bebê é frágil e o peso da cabeça é desproporcional nessa idade. A boia exerce pressão inadequada na região do pescoço, podendo causar torcicolos, microlesões ou agravar problemas neurológicos e ortopédicos em crianças com doenças preexistentes. O uso frequente pode levar a alterações no desenvolvimento da coluna do bebê.

Risco de asfixia e estrangulamento

 Se o dispositivo esvaziar, furar ou não estiver bem ajustado, pode comprimir vias aéreas, dificultar respiração ou machucar o bebê, além de propiciar o afogamento.

Problemas no desenvolvimento

O uso de neck floats restringe movimentos naturais e não contribui para aprendizado motor saudável.

Ausência de regulação e normas de segurança

Esses flutuadores são vendidos como “brinquedos” ou “dispositivos terapêuticos”, mas sem estudos clínicos ou testes de segurança confiáveis.

Enfim, mediante vários relatos de acidentes no mundo e algumas mortes, as sociedades médicas e órgãos de saúde, entre outros, desencorajam completamente o uso dos “babies neck floats”, reforçando que a forma segura de estimular bebês na água é através de contato próximo e direto com os pais/cuidadores, em atividades supervisionadas e sempre com atenção total.

Babies neck floats” (boias de pescoço) não protegem: aumentam o risco de afogamento e lesões – mantenha seu bebê sempre nos seus braços, nunca dentro delas. Tire essa ideia da cabeça (e do pescoço)!

 

Relatora:

Tania Zamataro
Membro do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Salvando vidas através da informação e mobilização coletiva https://spsp.org.br/salvando-vidas-atraves-da-informacao-e-mobilizacao-coletiva/ Fri, 25 Jul 2025 11:26:08 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52432 25 de julho é o Dia Mundial da Prevenção do Afogamento, instituído pela Assembleia Geral da ONU e OMS em 2021, não apenas uma data simbólica, mas sim uma oport]]>

25 de julho é o Dia Mundial da Prevenção do Afogamento, instituído pela Assembleia Geral da ONU e OMS em 2021, não apenas uma data simbólica, mas sim uma oportunidade para salvar vidas por meio da informação, da prevenção e da mobilização coletiva.

O afogamento continua sendo um grave problema de saúde pública mundial, matando principalmente crianças e jovens. Em contrapartida, é considerado uma das principais causas evitáveis de morte no mundo. Desde a publicação do “Global Report on Drowning” (2014, atualizado em 2021), a OMS recomenda intervenções preventivas eficazes, baseadas em evidência, sendo seis as principais:

  1. Instalar barreiras físicas que controlem o acesso à água (ex.: cercas em piscinas, poços, tanques).
  2. Prover supervisão próxima e constante de crianças em ambientes aquáticos.
  3. Ensinar habilidades de natação, flutuação e segurança na água para crianças em idade escolar.
  4. Ensinar reanimação cardiopulmonar (RCP) a cuidadores, professores e socorristas.
  5. Criar áreas seguras longe da água para crianças pequenas.
  6. Fornecer equipamentos de segurança para atividades aquáticas, como coletes salva-vidas certificados.

Além dessas medidas, também recomenda que haja elaboração de planos nacionais de prevenção ao afogamento, com cooperação intersetorial, sistemas de vigilância epidemiológica e campanhas de conscientização pública regulares nos países.

Atualmente, o Brasil não possui uma política pública nacional exclusiva e consolidada para a prevenção de afogamentos. Porém, ações isoladas integram programas de segurança, saúde e educação: algumas escolas incluem noções básicas de primeiros-socorros e prevenção de acidentes em projetos pedagógicos, mas isso não é obrigatório no currículo nacional; há propostas para integrar a prevenção de afogamento à Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Diante das falhas ou limitações das políticas públicas brasileiras fragmentadas para a prevenção de afogamentos, diversas entidades civis e organizações não governamentais assumem papel central.

A SOBRASA – Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático – é a principal organização civil brasileira dedicada exclusivamente à prevenção de afogamentos. Sua atuação é essencial ao promover educação, capacitação, estatísticas e campanhas nacionais voltadas à redução de mortes evitáveis por afogamento.

A Cruz Vermelha Brasileira atua na capacitação em primeiros socorros e RCP, incluindo manobras específicas em caso de afogamento; realiza projetos em escolas e comunidades sobre segurança aquática e resgate básico, trabalhando especialmente com populações vulneráveis em regiões ribeirinhas, áreas alagadas e periferias.

A Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) desempenha também um papel ativo e relevante na prevenção do afogamento infantil, em especial através das ações do seu Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente. Em julho de 2024, para o Dia Mundial da Prevenção do Afogamento (25 de julho), a SPSP divulgou a campanha “Não se Afogue”, com orientações baseadas em práticas simples e aplicáveis, como: instalação de barreiras físicas, supervisão próxima, uso de coletes salva-vidas certificados e treinamentos em RCP. Essa campanha é permanente e será veiculada até atingir o objetivo tão sonhado, de diminuir agressivamente as taxas de mortalidade e de sequelas que o afogamento traz para crianças e jovens brasileiros.

Falar sobre o afogamento infantil é o primeiro passo para evitá-lo.

Informe-se.

Saiba mais:

1) https://www.spsp.org.br/hoje-o-dia-mundial-da-prevencao-do-afogamento-2/

2) https://sobrasa.org/afogamento-boletim-epidemiologico-no-brasil-ano-2025-ano-base-de-dados-2023

3) https://cruzvermelha.org.br/pb/campanhas/primeiros-socorros/

 

Relatora:

Tania Zamataro
Membro do Departamento de Segurança da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Ambiente de sono seguro: cobertores vestíveis são mais seguros https://spsp.org.br/ambiente-de-sono-seguro-cobertores-vestiveis-sao-mais-seguros/ Fri, 16 May 2025 16:18:08 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51393 Garantir um ambiente de sono seguro para bebês é essencial para a segurança e bem-estar dos pequenos. Um dos principais cuidados está na escolha ]]>

Garantir um ambiente de sono seguro para bebês é essencial para a segurança e bem-estar dos pequenos. Um dos principais cuidados está na escolha do que o bebê vai usar durante o sono, especialmente em relação a cobertores e roupas de cama. Um dos itens mais recomendados é o cobertor vestível, também conhecido como “saco de dormir”, que pode ser uma alternativa mais segura aos cobertores tradicionais.

O que é um cobertor vestível?

O cobertor vestível é uma peça de roupa que o bebê usa durante o sono, funcionando como um cobertor, mas de forma mais segura. Ele cobre o bebê como um saco, permitindo liberdade para os movimentos das pernas, enquanto mantém o corpo aquecido sem o risco de sufocação, estrangulamento ou superaquecimento, algo que pode acontecer com cobertores comuns.

Em geral possuem um zíper ou uma série de botões de pressão, normalmente na frente, tornando extremamente fácil vestir. O design do cobertor vestível impede que ele se desloque durante a noite, garantindo que o bebê fique coberto sem o perigo de sufocamento. Os braços devem ser livres para o caso de o bebê rolar, poder voltar para a posição original. Os sacos de dormir podem ser usados desde recém-nascido até os dois anos de idade, sendo importante verificar o tamanho adequado para o bebê.

 

Por que os cobertores vestíveis são mais seguros?

  • Redução do risco de sufocamento: Cobertores e edredons soltos podem cobrir o rosto do bebê, aumentando o risco de sufocamento. Com os cobertores vestíveis, o bebê fica sempre coberto de forma segura, sem o risco de se enroscar.
  • Prevenção do superaquecimento: Bebês têm maior dificuldade em regular a temperatura do corpo. Cobertores pesados ou roupas de cama excessivas podem causar superaquecimento, o que está associado ao risco de Síndrome da Morte Súbita Infantil (SMSI).
  • Facilidade de uso: Ao contrário dos cobertores tradicionais, que podem se deslocar facilmente, o cobertor vestível mantém o bebê aquecido sem que os pais precisem se preocupar em ajustar durante a noite. Além disso, muitos modelos têm fechos que tornam fácil colocar e tirar o bebê de forma rápida, sem interrupções no sono.

Outras dicas para um ambiente de sono seguro

Além de optar por um cobertor vestível, existem outras práticas recomendadas para garantir um ambiente de sono seguro para o bebê:

  1. Crianças menores de 1 ano devem ser colocadas para dormir de “barriga para cima”: A posição de dormir é fundamental para reduzir o risco de SMSI. O bebê deve sempre ser colocado para dormir de “barriga para cima“ em qualquer sono.
  2. Usar um colchão firme: Evite colchões muito macios, que podem aumentar o risco de asfixia. O colchão deve ser firme e bem ajustado ao berço, plano e sem inclinação. O lençol deve ser preso ao colchão com elástico.
  3. Evitar objetos no berço: Não coloque travesseiros, protetores de berço, brinquedos ou cobertores soltos no berço. Estes itens podem representar um risco de sufocamento ou estrangulamento.
  4. Escolher berço certificado pelo “INMETRO”. Os berços certificados garantem que passaram por testes de segurança e qualidade.
  5. Manter a temperatura do ambiente confortável: O quarto do bebê deve ter uma temperatura amena. Evite agasalhar demais o bebê, já que o superaquecimento é um risco para a saúde dele.
  6. Compartilhar o quarto, mas não a mesma cama. É recomendado que o bebê compartilhe o quarto com os pais até pelo menos 6 meses, mas nunca a mesma cama. O compartilhamento de sofás e poltronas é muito perigoso, aumentando consideravelmente o risco de morte.
  7. O aleitamento materno tem efeito protetor contra a morte súbita. Quanto maior o tempo de amamentação, maior a proteção contra a morte súbita.
  8. Evitar tabagismo, consumo de álcool ou drogas ilícitas na gestação ou parto. Estes fatores estão relacionados a mortes de bebês durante o sono.

 

Ao seguir essas orientações, os pais podem garantir que o ambiente de sono do bebê seja o mais seguro possível, reduzindo os riscos e promovendo uma boa noite de descanso para o pequeno. Lembre-se, a segurança no sono do bebê é uma prioridade e deve ser levada a sério desde os primeiros dias de vida.

 

Relatora:

Sarah Saul
Vice-Presidente do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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