Sangue – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 22 May 2026 12:28:55 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Sangue – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Lúpus – importância da informação, diagnóstico precoce e cuidado contínuo https://spsp.org.br/lupus-importancia-da-informacao-diagnostico-precoce-e-cuidado-continuo/ Sun, 10 May 2026 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=56906 ]]>

No dia 10 de maio, celebramos o Dia Mundial do Lúpus, uma data dedicada a ampliar a conscientização sobre essa doença autoimune crônica, que pode afetar pessoas de todas as idades – inclusive crianças e adolescentes.

O lúpus eritematoso sistêmico juvenil ocorre quando o sistema imunológico, responsável por defender o organismo contra infecções, passa a atacar os próprios tecidos saudáveis. Esse processo pode atingir diferentes órgãos, como pele, articulações, rins, sangue e sistema nervoso.

Embora seja mais comum em adultos, cerca de 15% a 20% dos casos começam na infância e adolescência. Nessa faixa etária, a doença pode se manifestar de forma mais intensa e, muitas vezes, mais abrupta.

Os sinais e sintomas podem variar bastante e, por vezes, se confundem com outras doenças, o que pode dificultar o reconhecimento precoce. Entre os principais sinais de alerta estão febre sem causa aparente, cansaço excessivo, dores e inchaço nas articulações, manchas na pele – especialmente no rosto, em formato de “asa de borboleta” –, queda de cabelo, aftas na boca, inchaço nas pernas ou ao redor dos olhos e alterações no exame de urina, como presença de sangue ou proteína. Na infância, a doença pode apresentar maior comprometimento de órgãos como os rins (nefrite lúpica), o sangue e o sistema nervoso, e se instala de forma mais aguda que nos adultos.

O diagnóstico é realizado a partir da combinação de avaliação clínica e exames laboratoriais. Não existe um único exame que confirme a doença, mas testes como o fator antinuclear (FAN), além de exames de sangue e urina, ajudam na investigação. Por isso, a avaliação por um reumatologista pediátrico é fundamental.

Apesar de não ter cura, o lúpus tem tratamento e o acompanhamento adequado permite controlar a doença e melhorar a qualidade de vida do paciente. O tratamento é individualizado e depende dos sintomas apresentados, podendo incluir medicamentos para controlar a inflamação e modular o sistema imunológico, além de medidas importantes, como proteção solar, alimentação equilibrada e acompanhamento regular. Outro ponto essencial é o suporte emocional e o envolvimento da família, já que o diagnóstico pode impactar a rotina escolar, social e o bem-estar da criança ou adolescente.

A conscientização sobre o lúpus é fundamental para reduzir atrasos no diagnóstico e evitar complicações. Reconhecer os sinais precoces e buscar atendimento médico especializado faz toda a diferença no prognóstico. Neste Dia Mundial do Lúpus, reforçamos a importância da informação, do diagnóstico precoce e do cuidado contínuo, para que crianças e adolescentes com lúpus possam ter uma vida ativa, saudável e com qualidade.

 

Relatora:
Annelyse de Araújo Pereira
Secretária do Departamento Científico de Reumatologia da SPSP

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Doação de sangue: um compromisso social e humanitário https://spsp.org.br/doacao-de-sangue-um-compromisso-social-e-humanitario/ Tue, 25 Nov 2025 12:23:44 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=54310 No dia 25 de novembro celebramos o Dia Nacional do Doador de Sangue, uma data que vai além da homenagem – é um convite à reflexão e à ação. Mais do que um ato de generosidade]]>

No dia 25 de novembro celebramos o Dia Nacional do Doador de Sangue, uma data que vai além da homenagem – é um convite à reflexão e à ação.

Mais do que um ato de generosidade, voluntário e altruísta, a doação é um compromisso social e humanitário imprescindível para garantir o cuidado de milhares de pacientes com diversas condições de saúde.

Na pediatria, as indicações de transfusão são múltiplas e variam conforme a idade e o diagnóstico. O ato transfusional é frequentemente realizado em recém-nascidos prematuros extremos, portadores de cardiopatias ou outras malformações congênitas que necessitam de tratamento cirúrgico e internação prolongada. Além disso, há elevada demanda entre crianças internadas em unidade de terapia intensiva, em serviços de urgência, portadores de doença renal crônica dialítica, transplantados, pacientes com hemoglobinopatias (como anemia falciforme, talassemias) ou outras anemias hemolíticas congênitas, como esferocitose, aplasias e doenças oncológicas.

É essencial destacar que a demanda por transfusões na população pediátrica tende a aumentar, dada a crescente prevalência de crianças com doenças crônicas complexas e à maior sobrevida desses pacientes nas últimas décadas. Além disso, a medicina altamente especializada – como os transplantes e as terapias celulares – só é possível quando há uma retaguarda segura e constante de hemocomponentes e hemoderivados.

A segurança transfusional é garantida por meio de protocolos rigorosos de triagem clínica e testagem laboratorial dos hemocomponentes, que visam minimizar riscos e garantir a integridade de doadores e receptores.

Apesar disso, apenas uma pequena parcela da população brasileira doa sangue regularmente. Estimativas indicam que cerca de 1,8% dos brasileiros são doadores habituais, percentual inferior ao recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que sugere uma taxa ideal entre 3% e 5% da população.

Além da baixa aderência, a prática da doação está sujeita às variações sazonais associadas ao clima, férias e feriados prolongados, o que pode levar à criticidade dos estoques e colocar em risco os atendimentos.

Os doadores de sangue devem ter boas condições de saúde e idade entre 16 e 69 anos. A primeira doação deve ser realizada antes dos 60 anos, e os doadores com 16 e 17 anos precisam de autorização do responsável legal. O peso mínimo é de 50 kg, e o limite anual de doações é de quatro para homens e três para mulheres. Outros fatores, como comorbidades, uso de medicamentos e procedimentos recentes são avaliados individualmente durante a triagem clínica para definir a aptidão.

A cada doação de uma unidade de sangue total, é possível produzir até quatro componentes diferentes (concentrado de hemácias, plaquetas, plasma fresco congelado e crioprecipitado). Há ainda a coleta por aférese, um procedimento automatizado que permite selecionar o tipo de componente sanguíneo a ser coletado.

Por fim, que a data de 25 de novembro não seja apenas motivo de celebração, mas também de promoção da consciência e do compromisso social necessários para assegurar a integralidade do cuidado a milhares de pacientes!

Cada doação é uma ponte entre desconhecidos – um gesto de amor sem rosto, mas de valor incalculável para os que dela necessitam!

 

Relatora:

Bruna Paccola Blanco
Membro do Departamento Científico de Hematologia e Hemoterapia da SPSP
Grupo GSH, São Paulo/SP
Instituto da Criança – Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), São Paulo/SP
Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC) – São Paulo/SP

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Mobilização Nacional para Doação de Medula Óssea https://spsp.org.br/mobilizacao-nacional-para-doacao-de-medula-ossea/ Tue, 17 Dec 2024 15:22:55 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=49614 A Semana de Mobilização Nacional para Doação de Medula Óssea, celebrada anualmente entre 14 e 21 de dezembro, é um momento dedicado a conscientizar a população sobre]]>

A Semana de Mobilização Nacional para Doação de Medula Óssea, celebrada anualmente entre 14 e 21 de dezembro, é um momento dedicado a conscientizar a população sobre a importância desse ato de solidariedade. A semana comemorativa foi instituída pela Lei nº 11.930/2009 e orienta que, nesse período, sejam desenvolvidas atividades de esclarecimento e incentivo à doação de medula óssea e à captação de doadores.

Para muitas pessoas com doenças onco-hematológicas, como leucemias, linfomas e anemias severas, o transplante de medula óssea pode ser a sua única chance de cura. E você pode ser a pessoa que fará a diferença na vida desse paciente.

No Brasil, o transplante de medula óssea (TMO) tem desempenhado um papel fundamental no tratamento de diversas doenças hematológicas, oncológicas e genéticas. Desde 2000, o número de transplantes realizados anualmente no Brasil tem aumentado significativamente.

Em 2021, foram realizados mais de 2.500 transplantes, um aumento em relação às décadas anteriores, graças à expansão da rede de atendimento e à conscientização sobre a doação.

O Brasil possui o terceiro maior banco de doadores voluntários de medula óssea do mundo, o REDOME (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea), com mais de 5 milhões de doadores cadastrados, aumentando as chances de encontrar doadores compatíveis para pacientes que não têm doador compatível na família. A chance de encontrar um doador compatível no REDOME varia. Para pacientes de etnia miscigenada, como a maioria dos brasileiros, essa probabilidade pode ser menor devido à maior complexidade genética da população.

Fonte: Dados – REDOME – Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea – Site Oficial

 

O Brasil também participa de redes internacionais de doação, permitindo a busca de doadores no exterior quando são encontradas pessoas compatíveis no país. Cerca de 25% dos transplantes alogênicos (de doadores não aparentados) realizados no Brasil envolvem doadores estrangeiros.

Existem mais de 70 centros especializados em transplantes de medula óssea no Brasil, concentrados principalmente nas regiões Sudeste e Sul, mas com expansão gradual para outras áreas do país.

 

O que é o Transplante de Medula Óssea?

A medula óssea é o tecido esponjoso encontrado dentro dos ossos, responsável pela produção das células do sangue: glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Em algumas doenças, essa função é prejudicada, e o transplante de medula óssea se torna uma forma importante de tratamento.

O transplante de medula óssea é um tratamento que substitui uma medula óssea doente ou debilitada por células-tronco saudáveis, capazes de produzir novos componentes do sangue. Ele envolve dois lados importantes: o doador e o receptor.

A doação de medula óssea pode ser realizada de duas formas principais:

1 – Por punção direta na pelve (sob anestesia). O doador é levado a um hospital e recebe anestesia geral ou raquidiana. Uma agulha especial retira aproximadamente de 500 a 700 ml de medula óssea do osso da pelve (quadril). Os doadores retornam às suas atividades habituais cerca de uma a duas semanas após a doação. O tempo mínimo de internação hospitalar é de 24 horas. O procedimento dura cerca de 90 minutos e, no mesmo dia ou no dia seguinte, o doador pode voltar para casa.

A medula óssea retirada se regenera em algumas semanas, e o doador pode sentir leve dor no local, mas nada grave.

2 – Por aférese, uma doação automatizada, diretamente do sangue periférico. O doador recebe uma medicação que estimula a produção de células-tronco hematopoiéticas, que são coletadas posteriormente por uma máquina semelhante à de doação de plaquetas. Esse método não envolve cirurgia e dura cerca de três a quatro horas.

Importante enfatizar que ambos os métodos são seguros e realizados sempre com todo cuidado sob supervisão de equipe médica especializada.

Essas células, após serem coletadas do doador, são preservadas em uma bolsa de criopreservação, congeladas e transportadas em condições especiais até o dia e hospital em que ocorrerá o transplante.

Quanto ao paciente, o TMO é um processo mais complexo, que ocorre em várias etapas:

  • Preparação (Condicionamento): antes de receber as novas células, o receptor passa por quimioterapia (e, às vezes, radioterapia) para destruir a medula óssea doente e criar espaço para as novas células-tronco. Esse processo também reduz o risco de rejeição.
  • Transplante: após o condicionamento, as células-tronco do doador são infundidas no receptor por meio de uma transfusão simples, semelhante a uma doação de sangue. As células infundidas migram para a medula óssea do receptor e começam a produzir novas células do sangue.
  • Recuperação: o processo de “pegar” as novas células na medula óssea leva cerca de 15 a 30 dias. Durante esse período, o receptor fica sob observação rigorosa em um ambiente protegido, já que seu sistema imunológico está muito fraco. Os médicos monitoram para prevenir e tratar possíveis complicações, como infecções ou rejeição (chamada doença do enxerto contra o hospedeiro).

Quais são as doenças que podem ser tratadas com o transplante de medula óssea?

As principais doenças que podem ser tratadas com o transplante de medula óssea incluem:

Doenças hematológicas malignas:

  1. Leucemias:
  • Leucemia mieloide aguda (LMA).
  • Leucemia linfoblástica aguda (LLA).
  • Leucemia mieloide crônica (LMC) em fases avançadas.
  1. Linfomas:
  • Linfoma de Hodgkin.
  • Linfoma não Hodgkin.
  1. Síndromes mielodisplásicas (SMDs).
  2. Síndromes mieloproliferativas (SMPs).
  3. Doenças hematológicas não malignas
  4. Anemia aplástica severa: doença em que a medula óssea para de produzir células do sangue.
  5. Anemias hereditárias:
  • Anemia falciforme.
  • Talassemias maiores.

Doenças imunológicas e metabólicas

  1. Imunodeficiências primárias:
  • Síndrome de Wiskott-Aldrich.
  • Imunodeficiência combinada severa (SCID).
  1. Erros inatos do metabolismo:
  • Doença de Hurler (mucopolissacaridose tipo I).
  • Doença de adrenoleucodistrofia.

Essas condições, muitas vezes graves e sem outras opções terapêuticas efetivas, encontram no transplante de medula óssea uma chance de cura ou controle significativo. O sucesso do transplante depende da compatibilidade entre doador e receptor, reforçando a importância de aumentar o número de doadores cadastrados.

Quem pode ser doador de medula óssea?

Os requisitos para se cadastrar como doador são:

✔ Ter entre 18 e 35 anos (para cadastro inicial, embora a doação possa ser feita até os 60 anos).

✔ Estar em boas condições de saúde.

✔ Não apresentar doenças infecciosas transmissíveis, câncer ou doenças autoimunes.

✔ Ter peso corporal acima de 50 kg.

Quem não pode ser doador?

Existem alguns impeditivos permanentes e temporários para a doação:

❌ Pessoas com histórico de câncer ou doenças hematológicas graves.

❌ Indivíduos com doenças infecciosas transmissíveis, como HIV e hepatites.

❌ Pacientes com doenças autoimunes ou condições clínicas que comprometam a saúde do doador ou do receptor.

❌ Pessoas que usam medicamentos imunossupressores ou apresentam condições crônicas descontroladas, como diabetes ou hipertensão severa.

É importante conversar com os profissionais de saúde nos hemocentros para esclarecer dúvidas específicas.

Como e onde se cadastrar como doador?

O cadastro pode ser feito em hemocentros e instituições especializadas em todo o Brasil. O procedimento é simples:

  • Procure um hemocentro ou unidade habilitada. O cadastro é feito em hemocentros e unidades de coleta vinculadas ao REDOME, presentes em todo o Brasil. É possível consultar os locais no site do Ministério da Saúde ou em páginas de hemocentros estaduais.
  • Preencha o formulário de identificação com seus dados pessoais e informações de saúde.
  • É coletada uma pequena amostra de sangue ou saliva para testes de compatibilidade, análise do HLA (antígenos leucocitários humanos), que identifica sua “impressão genética”. Essa informação será registrada no REDOME.

Caso você seja compatível com algum paciente, será convocado para exames adicionais e receberá todas as orientações sobre o processo de doação.

O que são o REDOME e o REREME?

  • REDOME (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea): é o banco de dados brasileiro que reúne informações de pessoas cadastradas como potenciais doadores de medula óssea. Esse registro facilita a busca de doadores compatíveis para pacientes que precisam de transplante, especialmente aqueles sem doador na família. O REDOME é o terceiro maior registro de doadores de medula óssea do mundo.
  • REREME (Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea): é o banco de dados que contém as informações dos pacientes que necessitam de transplante de medula óssea. Ele cruza os dados genéticos dos receptores com os potenciais doadores cadastrados no REDOME para identificar compatibilidades.

Esses dois registros trabalham de forma integrada para garantir que pacientes em todo o Brasil (e até de outros países) possam encontrar doadores compatíveis de maneira rápida e eficiente.

O impacto da sua escolha

A chance de encontrar um doador compatível fora da família é de apenas 1 em 100 mil. Ao se cadastrar como doador, você não está apenas salvando uma vida, mas também trazendo esperança para famílias que lutam diariamente contra doenças graves. Além disso, seu gesto ajuda a aumentar o número de doadores no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), ampliando as chances de encontrar compatibilidade para milhares de pacientes. Procure o hemocentro mais próximo, informe-se e cadastre-se como doador de medula óssea.

Cadastre-se no REDOME e ajude a salvar vidas!

Para mais informações sobre doação de medula óssea e como se cadastrar, visite o site do REDOME.

 

Saiba mais:

https://bvsms.saude.gov.br/

Home – REDOME – Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea – Site Oficial

 

Relatora:

Ana Claudia Carramaschi Villela Soares
Médica Hematologista Pediátrica
Vice-Presidente do Departamento de Hematologia e Hemoterapia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Mundial do Doador de Sangue https://spsp.org.br/dia-mundial-do-doador-de-sangue/ Fri, 14 Jun 2024 13:11:07 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=46681 ]]>

No dia 14 de junho comemoramos o Dia Mundial do Doador de Sangue e essa é uma data muito importante para celebrarmos e agradecermos a todos aqueles que dedicaram e ainda dedicam uma parte do seu tempo para fazer o bem ao próximo.

A doação de sangue é um ato de amor, voluntário e altruísta e que salva vidas. Na pediatria, são muitas as situações em que a criança pode vir a precisar de transfusão de sangue, principalmente com os avanços da medicina nas últimas décadas e as diversas possibilidades terapêuticas que foram surgindo, possibilitando novos horizontes e esperança para situações clínicas de extrema gravidade.

Recém-nascidos prematuros, portadores de cardiopatias ou outras malformações congênitas que necessitam de tratamento cirúrgico e tempo de internação prolongado, crianças em unidade de terapia intensiva, com doença renal crônica dialítica, transplantados, portadores de hemoglobinopatias (anemia falciforme, talassemias), doenças oncológicas, entre outras patologias, que só são possíveis de serem tratadas a longo prazo com retaguarda de um suporte adequado de transfusões.

Infelizmente, menos de 2% de toda população nacional é doadora de sangue e frequentemente os estoques passam por períodos de criticidade, que comprometem o atendimento dos pacientes como um todo (não apenas das crianças), sendo importante a divulgação frequente de campanhas para conscientizar a população da importância da doação, pois a despeito de toda tecnologia na medicina, ainda não se desenvolveu substituto sintético, equivalente ao sangue, sendo a aquisição do mesmo proveniente única e exclusivamente das doações.

A cada doação de 01 unidade de sangue total, pode-se produzir até 04 componentes diferentes do sangue e o procedimento é rápido e seguro. Existe ainda outra modalidade de doação que é através de um equipamento automatizado (aférese), em que é possível selecionar qual tipo de componente sanguíneo queremos coletar. Os componentes do sangue auxiliam principalmente no transporte de oxigênio e nos processos de coagulação, tratando ou prevenindo sangramentos.

Pessoas saudáveis entre 16 a 69 anos e com mais de 50 kg estão aptas a doar, sendo que a primeira doação deverá ser realizada antes dos 60 anos e os menores de 18 anos precisam de autorização do responsável legal.

Caso haja algum impeditivo clínico para doação, a pessoa pode ainda ajudar na captação de doadores e todos nós podemos convidar os familiares, amigos, colegas de trabalho, da academia, da faculdade, vizinhos e quem mais estiver por perto para ser doador e dar seguimento ao ciclo infinito de boas ações.

 

Relatora:

Paula Gracielle Guedes Granja
Presidente do Departamento Científico de Hematologia e Hemoterapia da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Responsável pelo Serviço de Hemoterapia do Hospital do GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e Criança com Câncer)
Hematologista Pediátrica do Hospital Sepaco
Hemoterapeuta e Hematologista Pediátrica do Hospital Municipal Vila Santa Catarina

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8 de maio – Dia Nacional das Hemoglobinopatias https://spsp.org.br/8-de-maio-dia-nacional-das-hemoglobinopatias/ Wed, 08 May 2024 10:19:37 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=45493 As hemoglobinopatias são distúrbios hereditários que acometem a hemoglobina (proteína encontrada dentro dos glóbulos vermelhos do sangue, responsável por transportar]]>

08 hemoglobinopatias são distúrbios hereditários que acometem a hemoglobina (proteína encontrada dentro dos glóbulos vermelhos do sangue, responsável por transportar o oxigênio para as demais células do corpo). Atingem de 5%-7% da população em todo o mundo, sendo assim um problema de saúde pública. Dentre as hemoglobinopatias, as mais conhecidas são a anemia falciforme e a talassemia.

No Brasil, estima-se que nasça 1 criança portadora de doença falciforme para cada 1.000 nascidos vivos (cerca de 3.500 novos casos ao ano). A hemoglobina S é uma hemoglobina anormal que surge em decorrência de uma mutação que “troca” de posição dois componentes da estrutura da hemoglobina. Ela pode estar associada a outras hemoglobinas anormais, a outra hemoglobina S e quando associada à hemoglobina normal, dá ao indivíduo a condição de portador do “traço” da anemia falciforme. Essa condição não cursa com sintomas clínicos, porém ela é importante, pois dois portadores do “traço” da hemoglobina S podem ter filhos com a doença. Em relação aos sintomas clínicos, eles são bem variados, podendo ir desde formas leves até quadros de grave comprometimento da qualidade de vida e com necessidade de transfusões de sangue recorrentes.

As crises de dor óssea, a síndrome torácica aguda, o priapismo (ereção dolorosa), o sequestro esplênico (quando o baço “rouba” da circulação uma grande quantidade de sangue, aprisionando dentro dele) e o acidente vascular cerebral (AVC) apresentam altos índices de morbimortalidade e exigem acompanhamento especializado e contínuo, para prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado.

O diagnóstico da doença falciforme é realizado através do Programa de Triagem Neonatal (teste do pezinho), com o reconhecimento das hemoglobinas anormais. Já de forma precoce, a família deve receber orientações sobre o diagnóstico, os sinais de alerta nos primeiros meses de vida (principalmente em relação à febre), encaminhamento para vacinação adequada e início da profilaxia com antibiótico oral (penicilina). A eletroforese de hemoglobina também identifica a presença de hemoglobinas anormais e é importante para avaliação dos pais, identificando quais os riscos de terem outros filhos portadores da doença. Hoje o único tratamento curativo da doença falciforme é o transplante de medula óssea.

Já as talassemias são um grupo diversificado de doenças hereditárias, caracterizadas pelo desequilíbrio na produção quantitativa das cadeias que formam a hemoglobina. Podem ser do tipo alfatalassemia e betatalassemia.

Os sintomas variam desde o “portador silencioso”, que apresenta alteração laboratorial mínima, sem anemia e sem sintomas, até quadros graves, dependentes de transfusão desde o primeiro ano de vida ou que cursam com óbito intraútero ou no período neonatal. As formas mais graves cursam também com complicações relacionadas à sobrecarga de ferro, devido às inúmeras transfusões ao longo da vida.

O diagnóstico da alfatalassemia pode ser feito pela presença de hemoglobina de Bart no teste do pezinho, hipocromia e microcitose acentuadas no hemograma e estudo molecular. Já a betatalassemia pode ser diagnosticada através da eletroforese de hemoglobina, que cursa com aumento da hemoglobina A2. No hemograma também é possível encontrar microcitose e hipocromia. Muitas vezes os casos mais leves são confundidos com anemia por falta de ferro, devido às alterações semelhantes encontradas no hemograma das duas patologias.

O transplante de medula óssea também é a única alternativa curativa para as formas graves de talassemia.

Saiba mais:

– Hematologia e Hemoterapia Pediátrica, um guia prático. Atheneu, 2022.

– Hematologia e Hemoterapia Pediátrica. Atheneu, 2014.

https://ciencia.ufs.br/conteudo/60046-aconselhamento-genetico-auxilia-pacientes-com-traco-falciforme-em-se

Relatora:

Paula Gracielle Guedes Granja
Presidente do Departamento Científico de Hematologia e Hemoterapia da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Responsável pelo Serviço de Hemoterapia do Hospital do GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e Criança com Câncer)
Hematologista Pediátrica do Hospital Sepaco
Hemoterapeuta e Hematologista Pediátrica do Hospital Municipal Vila Santa Catarina

 

 

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Diabetes na infância https://spsp.org.br/diabetes-na-infancia/ Tue, 27 Jun 2023 18:56:07 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=37986 27 de junho é o Dia Internacional do Diabético e a data de celebração nasceu com o objetivo de promover conscientização sobre a doença e suas formas de tratamento. O diabetes é]]>

27 de junho é o Dia Internacional do Diabético e a data de celebração nasceu com o objetivo de promover conscientização sobre a doença e suas formas de tratamento. O diabetes é uma das doenças crônicas mais importantes e se caracteriza pelo aumento dos níveis de açúcar no sangue. Estimam-se 1,2 milhão de crianças e adolescentes com diabetes no mundo. Os diagnósticos de diabetes tipo 2 (DM2) entre os adolescentes vêm aumentando, mas o diabetes tipo 1 (DM1) ainda é o mais comum na infância.

Mas qual a diferença entre eles? O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune em que o corpo produz anticorpos que atacam as células do pâncreas que produzem insulina. Quando restam poucas células produtoras de insulina, o açúcar começa a se acumular no sangue. A maioria dos casos ocorre na infância e adolescência em famílias que não têm nenhum caso de diabetes conhecido. Ainda não há cura para interromper ou reverter esse processo.

O diabetes tipo 2 é causado por resistência à ação da insulina, quando a insulina tem dificuldade de agir, resultando no acúmulo de açúcar no sangue. Existe uma propensão genética, mas hábitos de vida sedentários e o excesso de peso aumentam muito o risco de se desenvolver o DM2 em adolescentes e adultos jovens. Manter o peso adequado, uma alimentação saudável e praticar atividades físicas regulares reduz significativamente o risco de desenvolver esse tipo de diabetes.

 

Quais são os sintomas de diabetes?

  • Muita sede
  • Aumento da diurese
  • Muita fome
  • Perda de peso
  • Hálito cetônico (cheiro de maçã podre ou vinagre)

Se essas alterações persistirem por um tempo prolongado, outros sintomas podem aparecer, como dor na barriga, vômitos, muito cansaço, respiração muito rápida. Nesses casos, é importante buscar avaliação médica com urgência.

 

O diagnóstico de diabetes

A medida de glicose no sangue acima de 200 mg/dl é considerada elevada – procure avaliação médica.

Em casos de DM1 é possível medir os anticorpos no sangue, aqueles que prejudicam a produção de insulina pelo pâncreas.

No DM2 esses anticorpos não estão presentes, mas hiperglicemias associadas a obesidade e história familiar são suficientes para o diagnóstico.

 

Qual o tratamento?

Nos casos de DM1, o tratamento é a aplicação de insulina, desde o momento do diagnóstico. A insulina pode ser aplicada com seringas, canetas de insulina ou sistemas de infusão contínua (“bombas” de insulina). São utilizados dois tipos de insulina, uma lenta e outra insulina de ação rápida. Para manter os níveis de glicose dentro do alvo recomendado é necessário monitoramento dos valores de açúcar no sangue, que pode ser feito com medidas do açúcar no sangue ou com sensores do líquido intersticial.

Para o DM2 são fundamentais mudanças no estilo de vida (com uma alimentação saudável e exercícios físicos regulares). O uso de medicamentos via oral ou injetáveis também é indicado, sendo que a insulina também pode ser necessária, dependendo dos valores de glicemia e da capacidade de produção de insulina que cada pessoa tem no momento do diagnóstico.

É importante ter atenção para a ocorrência de hipoglicemias – açúcar baixo no sangue. Os sintomas podem variar muito e conforme a glicemia vai ficando mais baixa, sintomas mais importantes podem aparecer. É importante agir rapidamente para que esse quadro não piore. Os sintomas mais comuns de hipoglicemia nas crianças:

  • Tremores
  • Suor frio
  • Sonolência
  • Irritabilidade
  • Muita fome
  • Alterações na visão
  • Dor de cabeça
  • Desmaio
  • Convulsão

Em casos de sintomas, deve-se medir a glicose e oferecer açúcar de rápida absorção – água com açúcar, refrigerante ou suco não diet, mel, ou glicose em sachês. É importante ter fácil acesso a esses alimentos, pois a hipoglicemia pode evoluir rapidamente se não reconhecida e tratada adequadamente.

 

E as complicações crônicas?

O risco de evoluir com complicações está diretamente relacionado aos níveis de glicemia ao longo dos anos. Manter os níveis de glicose dentro do alvo (70 a 180 mg/dL) a maior parte do tempo reduz significativamente o risco de problemas de saúde no futuro.

A glicemia elevada por longos períodos faz com que o açúcar do sangue se ligue aos tecidos de órgãos e promova alterações que podem ser progressivas e irreversíveis. Essas são chamadas complicações microvasculares e macrovasculares.

  • Retinopatia diabética: alterações na visão
  • Nefropatia diabética: problemas renais
  • Neuropatia diabética: alterações na sensibilidade de mãos e pés

 

E como podemos ajudar a criança com diabetes?

  1. Procure um médico: em casos de emergência (mal-estar, palidez, dores abdominais, vômitos, falta de ar) busque atendimento imediatamente. Informe sobre sintomas de diabetes (emagrecimento, aumento da sede, aumento da diurese). O Pediatra pode iniciar o tratamento até a consulta com o Endocrinologista Pediátrico.
  2. Posto de saúde: Informe-se quais os serviços gratuitos para o tratamento do diabetes.
  3. Educação em diabetes: procure especialistas capacitados: enfermeiras, nutricionistas, educadores físicos, psicólogos. A Sociedade Brasileira de Diabetes (sbd.org.br) e a Associação de Diabetes Juvenil (www.adj.com.br) são bons pontos de partida para aprender sobre diabetes.
  4. Organize a rotina e os cuidados: uma rotina organizada deixa tudo mais fácil. Estabeleça horários para refeições, manter insumos necessários próximos de onde se realizam as refeições, tenha carboidratos de rápida absorção em fácil acesso. Com isso os cuidados do diabetes se adaptam à rotina da família.
  5. Converse com a escola: informe sobre o diagnóstico do diabetes e os cuidados necessários nos horários da escola. A equipe de saúde deve fornecer um Plano de Cuidados de Diabetes para a escola saber como proceder em diferentes situações. Você encontra essas informações no site http://diabeteseaescola.com.br e no aplicativo gratuito Diabetes e a Escola.
  6.  
  7. Mantenha a calma! Com o apoio da equipe de saúde, família e amigos, com certeza vocês conseguem vencer os desafios do diabetes para uma vida cheia de saúde e realizações.

           

Relatora:
Laura de Freitas Pires Cudizio
Médica Colaboradora do Ambulatório de Diabetes Pediátrico da Santa Casa de São Paulo
Membro do Departamento Científico de Endocrinologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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