Risco – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 24 Mar 2026 14:22:47 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Risco – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Discriminação: muitos ainda ficam de fora https://spsp.org.br/discriminacao-muitos-ainda-ficam-de-fora/ Sun, 01 Mar 2026 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=55233 Segundo o dicionário, a palavra “discriminar” significa perceber diferenças ou distinguir. Podemos encontrar também outra definição, que diz que “discriminar é colocar à]]>

Segundo o dicionário, a palavra “discriminar” significa perceber diferenças ou distinguir. Podemos encontrar também outra definição, que diz que “discriminar é colocar à parte por algum critério”. Infelizmente, quando pensamos em diversos aspectos da sociedade, ainda é amplamente presente a segunda definição, que exclui e priva crianças e adultos de direitos básicos.

O Dia Mundial de Zero Discriminação é celebrado no dia 1º de março em todo o mundo, a fim de promover igualdade, inclusão e respeito aos direitos de todos, sem distinção de raça, gênero, idade ou características físicas e cognitivas. Quando a discriminação atinge a infância, colocamos em risco o futuro de toda uma geração, pois comprometemos o direito a aprender, a brincar, à saúde e, consequentemente, ao desenvolvimento em pleno potencial.

Estudos demonstram que a discriminação está associada a desfechos negativos na saúde infantil. Experiências de racismo, por exemplo,  levam a maior risco de depressão, ansiedade, baixa autoestima, além de problemas comportamentais e pior estado geral de saúde em crianças e adolescentes.

Outras evidências recentes também relacionam a discriminação a alterações em biomarcadores inflamatórios, maior índice de massa corporal (IMC), obesidade, aumento da pressão arterial e maiores níveis de cortisol, indicando ativação de vias biológicas relacionadas ao estresse.

Sabemos também que o momento e a duração da exposição à discriminação durante a infância e a adolescência são fatores que contribuem em níveis distintos para mudança da arquitetura cerebral. O chamado estresse tóxico, causado pela discriminação sistemática e contínua, está associado a maior tendência a comportamentos de risco e abuso de substâncias. Estudos demonstram efeitos negativos sobre a saúde mental, uma vez que a discriminação aumenta o risco de ansiedade e depressão, que, por sua vez, estão associadas a pior saúde global.

Quanto maior a vulnerabilidade da criança ou do adolescente, as diferentes camadas de discriminação se sobrepõem, aumentando o risco de exclusão e impacto negativo em saúde.

Um estudo publicado na revista Pediatrics em 2025 mostrou que em adultos, a discriminação em saúde leva a perda de confiança, evitação de cuidados e mudança no comportamento de busca por assistência. Dados pediátricos eram escassos, até que em 2025 uma grande análise, usando um banco de dados com mais de 14 milhões de crianças, observou que 1 em cada 10 crianças com necessidades específicas sofre discriminação na saúde. Esse cenário está associado a uma chance duas vezes maior de abandono de cuidados e 45% maior de ida ao pronto-socorro por agravamento de questões que não foram direcionadas. Daqueles que sofrem discriminação constante nos serviços de saúde, 87% referiram impacto funcional significativo nas atividades diárias. Uma em cada cinco crianças com deficiência tem seu cuidado negado ou abandona o seguimento em saúde por mais de 12 meses e praticamente metade das crianças discriminadas eram adolescentes. Com frequência, é quem mais precisa do cuidado coletivo que fica à margem.

São inúmeras as evidências de que quanto maior o investimento na infância, buscando equiparar desigualdades e garantir direitos em saúde, educação e na construção de ambientes livres de violência, menores serão os gastos necessários para frear as consequências dos impactos negativos que a falta desses recursos traz.

Não são apenas as barreiras estruturais, como as dificuldades de acesso físico, as restrições de atendimento ou tratamento e a falta de profissionais preparados, que discriminam determinadas populações. A repercussão do ciclo negativo de cuidado acaba por trazer evitação ativa de cuidados, por parte das crianças e famílias envolvidas, que perdem a confiança no sistema, têm medo de novas experiências ruins que os exponham novamente à discriminação.

No Dia Mundial de Zero Discriminação, que possamos entender que um mundo em que não cabe um, não caberá nenhum de nós eventualmente.

 

Saiba mais:

  1. Ames et al. Disability-based discrimination and forgone health care in children with special health care needs. Pediatrics 2025;156(1).
  2. Trent et al. The impact of racism on child and adolescent health. Pediatrics 2019;144(2):e20191765.
  3. Priest et al. Racism and health and wellbeing among children and youth – An updated systematic review and meta-analysis.
    Soc Sci Med 2024 Nov:361:117324.

 

Relatora:
Anna Dominguez Bohn
Presidente do Núcleo de Estudos Sobre a Criança e o Adolescente com Deficiência da SPSP

 

 

 

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Um convite ao cuidado, ao diálogo e à prevenção https://spsp.org.br/um-convite-ao-cuidado-ao-dialogo-e-a-prevencao/ Fri, 20 Feb 2026 12:09:09 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=55136 O Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, celebrado em 20 de fevereiro, é mais do que uma data no calendário: é um alerta para famílias, escolas e toda a sociedade sobre]]>

O Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, celebrado em 20 de fevereiro, é mais do que uma data no calendário: é um alerta para famílias, escolas e toda a sociedade sobre um tema que começa cada vez mais cedo e pode impactar profundamente o desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Por que falar sobre isso desde cedo?

O uso de álcool e outras drogas na adolescência traz riscos severos e muitas vezes irreversíveis, pois ocorre em uma fase crítica de maturação cerebral. O cérebro humano continua em desenvolvimento até cerca dos 25 anos. Durante a infância e a adolescência, áreas fundamentais para tomada de decisões, controle dos impulsos, planejamento e avaliação de riscos ainda estão amadurecendo. O uso precoce de álcool e outras drogas pode interferir nesse processo e aumentar o risco de desenvolver problemas de memória e atenção, ansiedade e depressão, psicose – incluindo esquizofrenia, comportamentos de risco e dependência química na vida adulta (quanto mais cedo o início de uso de drogas, maior o risco de dependência, do desenvolvimento de transtornos mentais associados e de alterações de comportamento).

Álcool também é droga e das mais perigosas para adolescentes. Existe uma falsa ideia de que o álcool é “menos grave” por ser legalizado. Seu uso está associado a maior impulsividade, redução da capacidade de julgamento, exposição a acidentes, violências, relações sexuais desprotegidas e a maior chance de experimentar outras substâncias. Nenhuma quantidade é segura para adolescentes.

O maior fator de proteção ainda mora dentro de casa: o vínculo familiar é uma das mais poderosas medidas de segurança. O adolescente que se sente ouvido, que tem espaço para conversar sem medo, apresenta menor risco de uso de álcool e drogas. O exemplo fala ainda mais alto. Crianças aprendem muito mais pelo que observam do que pelo que escutam. Portanto, vale a reflexão: como o álcool aparece na rotina da família? Ele está associado à diversão obrigatória? Existe consumo exagerado em frente aos filhos? A família é um espaço de proteção, quando os pais se preocupam com as atitudes dos filhos e os desencorajam a atitudes consideradas de risco.

Prevenir o uso de drogas não significa criar uma redoma, mas formar jovens capazes de fazer escolhas seguras mesmo quando os pais não estão por perto. Muitos pais têm receio de abordar o assunto por medo de “dar ideias”. A ciência mostra exatamente o oposto: crianças e adolescentes que conversam abertamente com seus pais têm menor risco de uso precoce de álcool e drogas. A disponibilidade de informações, adquiridas por diálogos e observação acerca do consumo de drogas e suas complicações, e os laços afetivos entre pais e filhos são importantes para a redução das possibilidades do uso das drogas.

Para você que é adolescente e está lendo este texto:

Ser independente não é fazer tudo que os outros fazem: é ter coragem de dizer não e de fazer o que é melhor para você. Você tem uma vida inteira pela frente. Não arrisque!!!

No Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, transforme o silêncio em conversa, o medo em orientação e a informação em proteção.

De olho no vício!

 

Saiba mais:

  1. Alcohol e-cigarettes, cannabis: concerning trends in adolescent substance use, shows new WHO/Europe report. Disponível em: https://www.who.int/europe/news/item/25-04-2024-alcohol–e-cigarettes–cannabis–concerning-trends-in-adolescent-substance-use–shows-new-who-europe-report
  2. Monteiro MG. Alcohol and public health in the Americas: a case for action. Washington, D.C: PAHO, © 2007. Disponível em -https://www.who.int/docs/default-source/substance-use/alcohol-public-health-americas.pdf?sfvrsn=9227a4f_2
  3. WHO: Neurociencia del consumo y dependencia de sustancias psicoactivas. Washington, D.C: OPS© 2005. Disponível em: https://www.who.int/docs/default-source/substance-use/neuroscience-spanish.pdf

 

Relatora:

Tania Zamataro
Presidente do Núcleo de Estudos do Combate ao Uso de Drogas da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Colesterol alto na população pediátrica: orientações para prevenção e controle https://spsp.org.br/colesterol-alto-na-populacao-pediatrica-orientacoes-para-prevencao-e-controle/ Fri, 08 Aug 2025 13:36:28 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52666 O Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol foi instituído em 8 de agosto com o objetivo conscientizar a população sobre a importância]]>

O Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol foi instituído em 8 de agosto com o objetivo conscientizar a população sobre a importância de prevenir e controlar os níveis de colesterol no organismo, visando reduzir os riscos de doenças cardiovasculares.

Você sabia que criança também pode ter colesterol alto? Não pense que esse assunto merece atenção só entre os adultos; as crianças também estão no grupo de alerta desse problema.

Manter cronicamente o nível de colesterol alto no sangue é um fator de risco para as doenças cardiovasculares, tanto em crianças como em adultos. Quando a elevação ocorre precocemente na infância, há maior risco de termos adultos jovens doentes no futuro.

O colesterol é um tipo de gordura importante para o funcionamento do nosso corpo, pois participa da formação da parede das células de todo o organismo, além da formação de hormônios e vitaminas, como a vitamina D.

O colesterol presente em nosso sangue vem dos alimentos que ingerimos e também da produção do nosso corpo, principalmente no fígado e intestino.

O colesterol total avalia a quantidade total de colesterol no sangue, incluindo o LDL (colesterol ruim) e o HDL (colesterol bom). Valores elevados podem indicar risco cardiovascular.

O LDL é a fração “ruim” porque pode se depositar na parede dos vasos sanguíneos, formando placas e iniciando o processo de aterosclerose (inflamação dos vasos sanguíneos), que pode causar infarto ou AVC (derrame cerebral).

Já o HDL é o colesterol “bom”, pois tem capacidade de remover o colesterol da parede dos vasos (limpando-os) e transportá-lo de volta para o fígado, onde será eliminado.

Um outro tipo de gordura presente no sangue chama-se triglicerídeo. Os triglicerídeos são gorduras essenciais armazenadas nas células de gordura do corpo, que servem como reserva de energia. O corpo converte calorias não utilizadas imediatamente em triglicerídeos durante a digestão, e vai liberando essas calorias para fornecer energia para as células do corpo durante o dia. Níveis elevados de triglicerídeos podem aumentar o risco de doenças cardíacas.

As principais causas de colesterol alto na criança são: a alimentação rica em gorduras, o excesso de peso e o sedentarismo (rotina corrida, excesso de alimentos industrializados). Entretanto, algumas crianças e adolescentes terão colesterol alto mesmo seguindo uma dieta e vida saudável e apresentando peso adequado. Isso acontece nos casos de dislipidemia familiar, uma doença genética que vem da família.

O colesterol alto em crianças geralmente não causa sintomas visíveis no início, por isso ele é considerado uma condição silenciosa. Então, quando se preocupar? Quando devemos medir o colesterol de uma criança?

Devemos nos preocupar sempre que exista histórico familiar de colesterol alto, infarto ou AVC precoce (antes dos 55 anos em homens e 65 anos em mulheres) e na criança se houver obesidade ou sobrepeso, alimentação rica em gorduras saturadas e processadas e sedentarismo. Assim, devemos dosar o colesterol em:

*Crianças saudáveis: teste de triagem entre 9 e 11 anos (antes da puberdade) e depois entre 17 e 21 anos.

*Crianças com risco aumentado (obesidade, diabetes, hipertensão, histórico familiar): podem ser testadas a partir dos 2 anos de idade.

Na grande maioria das crianças podemos controlar o colesterol e prevenir seu aumento, com mudanças simples no estilo de vida e na alimentação. Poucas crianças serão medicadas, principalmente na hipercolesterolemia familiar, dependendo do nível de alteração do colesterol e triglicerídeos.

1) Alimentação:

– Alimentos Recomendados:

  • Ricos em fibras: aveia, frutas com casca (maçã, pera), legumes e verduras (espinafre, cenoura, brócolis), feijão, lentilha, grão-de-bico
  • Fontes de gorduras boas: azeite de oliva extravirgem (cru, em pequenas quantidades), abacate, oleaginosas (castanhas, nozes, amêndoas – pequenas porções)
  • Fontes de proteína magra: peixes (atum, sardinha, salmão – ricos em ômega-3), frango sem pele, ovos (com moderação, se recomendados pelo médico), leite desnatado ou semidesnatado, queijo branco

– Alimentos a EVITAR

Frituras, embutidos (salsicha, presunto, mortadela, nuggets), fast food, doces industrializados e biscoitos recheados, manteiga, creme de leite, leite integral em excesso, produtos com gordura trans ou óleo vegetal hidrogenado

2) Atividade física:

– Evitar: muito tempo de tela (TV, videogame, iPad, smartphones)

– Preferir: brincadeiras ao ar livre, corridas, esporte

3) Manutenção de peso saudável.

Resumindo, o aumento de colesterol e triglicerídeos também é um problema na faixa etária pediátrica, mas geralmente pode ser prevenido e controlado com uma alimentação balanceada e com a prática regular de atividade física.

 

Relatora:

Adriana Monteiro de Barros Pires
Membro do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Queimaduras – como preveni-las? https://spsp.org.br/queimaduras-como-preveni-las/ Wed, 18 Jun 2025 14:50:02 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51818 ]]>

As festas juninas estão chegando e, junto com elas, o risco de queimaduras aumenta com fogueiras, fogos de artifício e os balões.

As queimaduras em crianças são um problema de saúde de grande impacto em todo o mundo, pela mortalidade, consequências físicas e psicológicas à criança e à família. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o risco de morte por queimaduras na infância é alto, principalmente em menores de cinco anos. Dessa maneira, é muito importante cuidarmos dos nossos pequenos, a fim de prevenirmos os riscos de um acidente tão indesejado.

Em primeiro lugar, deve-se manter as crianças sempre sob supervisão de um adulto, escolhendo qual local a criança poderá frequentar. As festas juninas são geralmente improvisadas em escolas, igrejas, condomínios e quase na sua totalidade as instalações elétricas não seguem regras de segurança. Fique atento a fios no chão ou que passem em partes metálicas. Sempre manter distância segura de fogueiras e, se possível, não chegar a esses locais com as crianças (inalação de fumaça vinda das fogueiras, que podem ser um gatilho para alergias respiratórias). Deixe materiais inflamáveis longe do fogo e longe das crianças.

No caso de fogos de artifício, deve-se impedir a criança de manipulá-los e, além disso, manter uma distância segura da criança (não é infrequente a queimadura por pequenos estilhaços, que podem atingir partes expostas do corpo, inclusive os olhos). No caso de a criança brincar com estalinhos, nunca deve ser sem supervisão, eles não devem ser carregados pela criança e não devem ser jogados perto de outras pessoas ou próximos ao fogo ou material inflamável. Lave a mão da criança após o uso.

Durante muitos anos, soltar balão era uma prática comum nessa época do ano. E os incêndios causados por essa prática também. Hoje é considerado crime ambiental, passível de retenção. Não deixe crianças soltarem balões, nem se aproximarem de um balão que esteja descendo. Se vir alguém soltando balão, denuncie.

Por fim, deve-se tomar cuidado com o risco de acidentes com bebidas quentes – lembrem-se que os pequenos muitas vezes saem correndo, pulam, e neste cenário, o risco de um acidente com um líquido quente pode ocorrer, especialmente na face, tronco e mãos.

 Lembre-se que no caso de um acidente com queimadura, a primeira coisa a fazer é lavar a região com água abundante e pedir socorro, para que a criança seja levada a um serviço de emergência, a fim de receber tratamento de suporte adequado.

“Pula fogueira iaiá; pula fogueira…” NÃO PULEM FOGUEIRAS!!!

 

Saiba mais:

Flaherty MR, Sheridan R. Fire pit-related burn injuries in children and adolescents. J Burn Care Res. 2019 Oct 16;40(6):943-946. doi: 10.1093/jbcr/irz127

Trotter Z, Foster K, Khetarpal S, Sinha M. Age-based characteristics of pediatric burn injuries from outdoor recreational fires. J Burn Care Res. 2020 Nov 30;41(6):1198-1201. doi: 10.1093/jbcr/iraa064. PMID: 32364606.

https://www.sbp.com.br/especiais/pediatria-para-familias-new/seguranca-e-prevencao/queimaduras/

 

Relatora:
Ana Paula Bertozzi
Membro do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP

 

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Você já ouviu falar em “sepse”? https://spsp.org.br/voce-ja-ouviu-falar-em-sepse/ Fri, 13 Sep 2024 11:29:35 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47978 Relatora:Daniela Carla de SouzaPresidente do Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS)Membro do Departamento Científico de Terapia Intensiva da Sociedade de Pediatria de São Paulo]]>

Provavelmente, muitos pais e cuidadores nunca ouviram esse termo, apesar da sepse ser uma condição antiga e perigosa. É possível que você a conheça como “septicemia” ou “infecção generalizada”. Mas, afinal, o que é sepse?

A sepse é uma condição grave, uma emergência médica que precisa ser reconhecida e tratada rapidamente. Ela ocorre quando o corpo, na tentativa de combater uma infecção, reage de forma descontrolada, causando danos aos próprios órgãos, como o coração, pulmões, cérebro e rins, colocando a vida do paciente em risco. A sepse pode ser causada por infecções comuns da infância, desencadeadas por vírus, bactérias ou protozoários.

Você pode se perguntar: “Todo mundo pode ter sepse? Por que algumas pessoas desenvolvem sepse e outras não?” A evolução para sepse depende do tipo de patógeno (o agente causador da infecção), das condições de saúde do paciente e do ambiente em que ele vive. Certos grupos são mais vulneráveis, como recém-nascidos, pessoas com doenças crônicas, pacientes em terapia imunossupressora, aqueles que foram internados recentemente ou que fizeram uso de antibióticos. Os pacientes com desnutrição e pacientes que vivem em regiões com condições sanitárias precárias também apresentam um risco maior de uma infecção evoluir para sepse. Esses pacientes têm o sistema imunológico enfraquecido e, portanto, são mais suscetíveis à sepse.

Os pais podem e devem estar atentos aos sinais de sepse, buscando imediatamente ajuda médica se a criança apresentar febre, respiração acelerada, palpitações (batimentos cardíacos muito rápidos), palidez, extremidades arroxeadas, sonolência excessiva ou manchas pelo corpo.

É importante destacar que a sepse pode ser prevenida. Manter a carteira de vacinação das crianças em dia, praticar boa higiene, incluindo a lavagem frequente das mãos, e usar antibióticos apenas quando prescritos por um médico são medidas eficazes para prevenir essa condição.

A sepse é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um problema de saúde pública global. Anualmente, mais de 25 milhões de crianças e adolescentes desenvolvem sepse, e mais de 3,5 milhões morrem em decorrência dessa condição. No Brasil, um estudo coordenado pelo Instituto Latino-Americano de Sepse revelou que mais de 42.000 crianças são internadas em Unidades de Terapia Intensiva Pediátrica com sepse a cada ano, e mais de 8.300 delas não sobrevivem. Quando a sepse não leva à morte, ela pode deixar marcas que afetam a mente, o corpo e as emoções dos pacientes e de seus familiares.

O Dia Mundial da Sepse, celebrado em 13 de setembro, é uma oportunidade para instituições de vários países realizarem campanhas que visam aumentar o conhecimento sobre essa grave condição. Junte-se a nós no combate à sepse: informe-se e compartilhe o que aprendeu.

Saiba mais:

https://ilas.org.br/dia-mundial-da-sepse/Rudd KE, Johnson SC, Agesa KM, Shackelford KA, Tsoi D, Kievlan DR, et al. Global, regional, and national sepsis incidence and mortality, 1990-2017: analysis for the Global Burden of Disease Study. Lancet. 2020;395(10219):200-11.

de Souza DC, Gonçalves Martin J, Soares Lanziotti V, de Oliveira CF, Tonial C, de Carvalho WB, et al. The epidemiology of sepsis in paediatric intensive care units in Brazil (the Sepsis PREvalence Assessment Database in Pediatric population, SPREAD PED): an observational study. Lancet Child Adolesc Health. 2021;5(12):873-81.

Relatora:
Daniela Carla de Souza
Presidente do Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS)
Membro do Departamento Científico de Terapia Intensiva da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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O tratamento da asma na era da medicina de precisão https://spsp.org.br/o-tratamento-da-asma-na-era-da-medicina-de-precisao/ Fri, 21 Jun 2024 13:19:51 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=46721 O Dia Nacional do Controle da Asma é celebrado anualmente no dia 21 de junho. O controle da asma na infância e adolescência deve focar inúmeros aspectos. A Ciência caminha para]]>

O Dia Nacional do Controle da Asma é celebrado anualmente no dia 21 de junho. O controle da asma na infância e adolescência deve focar inúmeros aspectos. A Ciência caminha para a era da Medicina personalizada, é fato, mas ainda temos que dedicar momentos preciosos da consulta do paciente com asma em educação em asma. No caso da pediatria, assim que o paciente tiver condições, ele deverá participar ativamente nesse processo junto com seus responsáveis.

Para um bom controle da asma, a GINA 2024 (Global Initiative for Asthma) reforça tópicos importantes, que farão com que o pediatra converse com vocês sobre vários aspectos, como:

Avaliar o controle dos sintomas da asma a longo prazo, que inclui:

  • Ter muito pouco ou nada de sintomas da asma
  • Não ter sintomas da asma que interfiram no sono
  • Conseguir executar suas atividades físicas sem nenhuma limitação pela asma

Focar em minimizar os riscos da asma a longo prazo, que inclui:

  • Ficar sem exacerbações (sem crises)
  • Manter a função pulmonar do paciente no seu melhor possível (geralmente é feito nos paciente acima de 6 anos)
  • Não precisar de corticosteroides sistêmicos de manutenção para controle da asma
  • Ficar sem efeitos colaterais dos medicamentos de uso contínuo

Outros tópicos importantes que o pediatra irá abordar durante a consulta:

Conversar, questionar e alinhar com o paciente e seus responsáveis sobre suas expectativas a respeito do tratamento da asma.

Reforçar que manter somente o controle da asma não é suficiente! Ele irá questionar e investigar sobre os fatores de risco para desfechos desfavoráveis; assim poderá identificar se o paciente em questão é de maior risco ou não.

Como o controle de sintomas pode ser discordante do risco de desfechos desfavoráveis, o pediatra poderá orientar que se trata de um caso potencialmente mais grave, o que pode reforçar a necessidade de manutenção do tratamento mesmo diante de um cenário em que a família e o paciente acreditem que este está muito bem controlado e não corre mais riscos.

Essa parceria entre pediatra, paciente e seus responsáveis é muito importante, pois a asma não é uma doença estática e todos esses ajustes precisam ser feitos ao longo do tempo e das consultas de seguimento.

Não deixe de fazer o acompanhamento correto, com consultas programadas para um correto seguimento do paciente com asma.

 

Relatora:
Marina Buarque de Almeida
Presidente do Departamento Científico de Pneumologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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