Rins – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Thu, 28 Sep 2023 14:24:44 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Rins – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Segunda chance https://spsp.org.br/segunda-chance/ Wed, 27 Sep 2023 18:40:08 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=39507 Foi instituído no Brasil o Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado no dia 27 de setembro. Uma ocasião para conscientização, reflexão e reconhecimento da importância desse ]]>

Foi instituído no Brasil o Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado no dia 27 de setembro. Uma ocasião para conscientização, reflexão e reconhecimento da importância desse ato de generosidade, que tem o poder de salvar vidas e proporcionar uma segunda chance a quem parecia não ter mais esperança alguma.

A doação de órgãos é um ato de altruísmo, solidariedade, de imensa generosidade. Transforma a vida de quem recebe um órgão e dignifica a memória de quem é doador e faz emergir, em meio ao sofrimento e dor dos que perderam um ente querido, aquela expressão mais nobre da alma humana – a compaixão. 

 Cada um de nós é um potencial doador, bem como um potencial receptor.

A intenção sobre a doação de órgãos deveria fazer parte dos assuntos discutidos em família – talvez não à mesa da macarronada do domingo, mas em outro momento oportuno. Nossos parentes só saberão das nossas intenções sobre esse tema se souberem o que pensamos sobre isso. No momento final da vida, poderemos não ter controle algum, sendo, então, nossos parentes que terão a possibilidade de tornar real a nossa vontade antecipada.

O Dia Nacional da Doação de Órgãos é uma oportunidade para celebrar não apenas as vidas salvas, mas também para agradecer a todos os profissionais de saúde, equipes de transplante e organizações envolvidas, cujos esforços incansáveis tornam possível a realização desses procedimentos complexos.

Um único doador tem o potencial de mudar a trajetória de várias vidas, oferendo várias segundas chances. Um único doador pode oferecer a oportunidade para que vários órgãos e partes do seu corpo continuem gerando vida, ou dando melhor qualidade de vida a outras pessoas. Um único doador pode salvar até dez vidas. A doação inclui córneas, rins, fígado, pulmões, coração, pâncreas, intestino, além de pele e ossos.

Além do impacto direto nos receptores, os transplantes também têm um efeito positivo no sistema de saúde como um todo. Ao reduzir a dependência de tratamentos prolongados e caros, os transplantes aliviam a pressão sobre os recursos médicos, permitindo que mais receitas sejam disponibilizadas para outras áreas de cuidados de saúde. Isso cria um ciclo virtuoso em que a doação de órgãos não apenas salva vidas, mas também aprimora a eficiência dos sistemas de saúde.

O Brasil é o segundo país do mundo que mais realiza transplantes, atrás apenas dos Estados Unidos. O nosso país tem o maior sistema público (gratuito) para transplantes de órgãos do mundo. Hoje, o Brasil conta com mais de 600 hospitais autorizados para a realização de transplantes. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2021, foram feitos cerca de 23,5 mil procedimentos. Desse total, cerca de 4,8 mil foram transplantes de rim, 2 mil de fígado, 334 de coração e 84 de pulmão, entre outros.

O modelo brasileiro de transplantes de órgãos foi inspirado no modelo da Espanha – que é referência por sua eficiência no mundo. A versão brasileira foi criada em 1997 e começou a ser regulamentada pela Lei 9.434 de 1997 (esta é a lei que, inclusive, proíbe a venda de órgãos no país).  “A retirada de tecidos, órgãos e partes do corpo de pessoas falecidas para transplantes ou outra finalidade terapêutica, dependerá da autorização do cônjuge ou parente, maior de idade, obedecida a linha sucessória, reta ou colateral, até o segundo grau inclusive, firmada em documento subscrito por duas testemunhas presentes à verificação da morte”, afirma a lei ajustada (em 2001) e até hoje em vigor.

Os órgãos doados vão para pacientes que necessitam de transplante e estão aguardando em uma lista de espera única, organizada por estado ou região, e monitorada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT).

Apesar do bem estabelecido sistema brasileiro para doações de órgãos, através do SUS, um dos problemas ainda é a falta de doadores, já que muitas famílias não se sentem confortáveis em autorizar a doação, por razões diversas: daí o diálogo permanente para esclarecimentos e as campanhas de conscientização serem indispensáveis.

Entre a morte de um paciente e o transplante de um coração, por exemplo, o tempo de isquemia (período limite de sobrevivência do órgão fora do corpo) é de apenas 4 horas. É necessário que hospitais e equipes multiprofissionais sejam capacitadas para agir no momento da captação de órgãos.

Por causa dessas questões, no Brasil, são estimados 13,8 doadores efetivos para cada 1 milhão de habitantes. Em alguns países, este número é mais que o triplo. Por exemplo, este índice chega a ser de 41,6 nos EUA e 40,8 na Espanha. A recusa familiar é o principal motivo que impede a doação de órgãos no Brasil, de acordo com uma pesquisa conduzida pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Em 2022, mais de 45% das famílias não concordaram com a doação. Atualmente, mais de 59 mil pessoas estão na fila esperando por um órgão.

Os transplantes realizados entre pessoas vivas são possíveis desde que sejam de órgãos duplos e que haja possibilidade do doador ter uma vida com saúde normal após o transplante. Um dos rins ou pulmões, parte do fígado, do pâncreas e da medula óssea são exemplos de órgãos que podem ser doados ainda em vida. Pessoas em boas condições de saúde, capazes juridicamente e que concordem com a doação podem ser consideradas aptas a doar em vida. Por lei, pais, irmãos, filhos, avós, tios e primos podem ser doadores. A doação por pessoas que não são parentes pode acontecer somente com autorização judicial.

Saiba mais:

Relatório de Transplantes Realizados (Brasil) – Evolução 2001 – 2021 – Sistema Nacional de Transplantes (SNT). Ministério da Saúde (MS): https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/snt/estatisticas/transplantes-serie-historica/transplantes-realizados/relatorio-de-transplantes-realizados-brasil-evolucao-2001-2021/view

Relator:

Fernando MF Oliveira

Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

]]>
Covid-19 e envolvimento renal https://spsp.org.br/covid-19-e-envolvimento-renal-2/ Fri, 24 Apr 2020 18:02:03 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3163 Até o momento, sabemos que a grande maioria das crianças com diagnóstico da doença relacionada ao novo coronavírus (Covid-19) não apresenta sintomas ou, quando apresenta, em geral são quadros leves. Nas crianças com manifestações clínicas, os sintomas são muito semelhantes aos quadros de gripe, cursando com tosse, febre, dor de garganta, coriza, dor de cabeça, dores musculares e, algumas vezes, vômitos, diarreia, manifestações oculares, quadros inespecíficos de pele, entre outros sintomas.

Notícias de envolvimento renal nas crianças são raras ou inexistentes. Há relatos da presença de sangue ou proteína na urina, entretanto, sem gravidade nas crianças. Em adultos, pode ocorrer mau funcionamento dos rins (insuficiência renal) com necessidade de diálise (recurso artificial para substituição da função dos rins) nos casos graves, mas não observamos essa complicação, até o momento, em nossas crianças sem fatores de risco.

sheftsoff | depositphotos.com

Nem todas as crianças portadoras de doenças renais estão no grupo de risco para as complicações da Covid-19, diferente do que é observado naquelas que apresentam cardiopatias, hipertensão arterial, diabetes mellitus, doenças pulmonares crônicas, obesidade e outras condições.

Devido à variabilidade muito grande das doenças renais, o grupo de risco e a preocupação das equipes médicas recaem nas crianças que apresentam comprometimento de sua imunidade ou que recebem medicações imunossupressoras. Esses pacientes são os portadores de síndrome nefrótica, renais crônicos em diálise, transplantados renais e aqueles que fazem uso de corticosteroides, ciclosporina, mofetil micofenolato ou outros medicamentos imunossupressores. Além disso, muitas crianças com comprometimento renal apresentam também outras comorbidades com maior risco, tais como doenças genéticas, vasculites (como o lúpus eritematoso disseminado sistêmico) e doenças metabólicas.

Orientações para portadoras de doenças renais

Neste momento, devem ser reforçadas as orientações de se evitar a utilização de medicações potencialmente nefrotóxicas (como os anti-inflamatórios não-hormonais) e a manutenção da aderência medicamentosa prescrita, incluindo os medicamentos anti-hipertensivos. É fundamental, também, manter a programação da terapia dialítica no hospital, evitando a perda de sessões de hemodiálise, por exemplo.

Toda a população e os pacientes devem seguir as orientações dos órgãos do sistema de saúde evitando aglomerações, praticando o distanciamento social e as medidas comportamentais e de higienização. Importante redobrar a atenção à lavagem das mãos com água e sabão e/ou álcool gel e a utilização de máscaras faciais, conforme as recomendações do serviço de saúde e das sociedades de Pediatria. Lembrar que é importante a correta utilização e manipulação dos revestimentos faciais de tecidos caseiros!

Os pais e cuidadores devem sempre entrar em contato com seu pediatra, nefrologista pediátrico ou equipe médica responsável pelo seu atendimento para esclarecer qualquer dúvida ou preocupação. É importante rediscutir individualmente, não só a condição de fator de risco do seu filho, como também as medidas preventivas de contágio, a programação das medicações, a disponibilização das receitas e medicações especiais, o reagendamento das consultas ambulatoriais eletivas, entre outras dúvidas.

Neste momento de grande uso das redes sociais, deve-se também ter o cuidado de avaliar a fonte das diversas informações compartilhadas. Siga sempre as recomendações da sua equipe de saúde e, juntos, vamos vencer esta pandemia!

___
Relator:
Dr. Olberes Vitor Braga de Andrade
Departamento Científico de Nefrologia Pediátrica da Sociedade de Pediatria de São Paulo



]]>
Dia Mundial do Rim https://spsp.org.br/dia-mundial-do-rim-2/ Thu, 12 Mar 2020 13:25:00 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3054 No dia 12 de março de 2020, comemoramos o Dia Mundial do Rim. Idealizada pela Sociedade Internacional de Nefrologia e, no Brasil, coordenada pela Sociedade Brasileira de Nefrologia, esta data, celebrada anualmente na segunda quinta-feira de março, tem como objetivo reduzir o impacto da doença renal em todo o mundo. Os rins participam do controle e do equilíbrio do organismo, incluindo a filtração e depuração de toxinas e metabolitos como a creatinina, regulação do volume de sangue, controle da pressão arterial, balanço hidroeletrolítico e interação com o metabolismo de outros órgãos. Em 2020, o tema da campanha do Dia Mundial do Rim é: “Saúde dos rins para todos. Ame seus rins. Dose sua creatinina!”. A dosagem é um exame simples e primordial para o diagnóstico da doença renal crônica (DRC) e deve fazer parte de qualquer exame de rotina. A DRC é um problema de saúde pública e apresenta proporções epidêmicas. O Departamento Científico de Nefrologia Pediátrica da SPSP abraça essa campanha diante da importância da prevenção dessa doença desde a infância. O objetivo é facilitar a identificação precoce, incentivar um estilo de vida saudável nas crianças e seus pais para combater o aumento de um problema evitável nos rins e adotar medidas terapêuticas apropriadas. A DRC se caracteriza pela perda progressiva e irreversível da função renal e pela evidência de anormalidades estruturais e funcionais dos rins. A caracterização da perda da função renal é estabelecida de forma direta ou indireta através da análise da creatinina sérica. Em geral, nos estágios iniciais, a DRC é silenciosa, ou seja, não há sintomas ou estes são discretos e inespecíficos. Na infância, o impacto da DRC pode ser devastador, levando a várias complicações, como a dificuldade no crescimento, deformidades ósseas, anemia, pressão alta, entre outras consequências graves somadas à perda da qualidade de vida. A principal causa da DRC na infância são as malformações do trato urinário, as quais, muitas vezes, não são diagnosticadas no pré-natal ou em outras situações de risco, tais como glomerulopatias e doenças sistêmicas que podem comprometer os rins. Além disso, em várias ocasiões estes pacientes não são prontamente e devidamente encaminhados para um seguimento especializado. Saúde dos rins para todos. Ame seus rins. Dose sua creatinina! Relatora:Natalia Andréa da CruzDepartamento Científico de Nefrologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo]]>

No dia 12 de março de 2020, comemoramos o Dia Mundial do Rim. Idealizada pela Sociedade Internacional de Nefrologia e, no Brasil, coordenada pela Sociedade Brasileira de Nefrologia, esta data, celebrada anualmente na segunda quinta-feira de março, tem como objetivo reduzir o impacto da doença renal em todo o mundo.

benschonewille | depositphotos.com

Os rins participam do controle e do equilíbrio do organismo, incluindo a filtração e depuração de toxinas e metabolitos como a creatinina, regulação do volume de sangue, controle da pressão arterial, balanço hidroeletrolítico e interação com o metabolismo de outros órgãos.

Em 2020, o tema da campanha do Dia Mundial do Rim é: “Saúde dos rins para todos. Ame seus rins. Dose sua creatinina!”. A dosagem é um exame simples e primordial para o diagnóstico da doença renal crônica (DRC) e deve fazer parte de qualquer exame de rotina.

A DRC é um problema de saúde pública e apresenta proporções epidêmicas. O Departamento Científico de Nefrologia Pediátrica da SPSP abraça essa campanha diante da importância da prevenção dessa doença desde a infância. O objetivo é facilitar a identificação precoce, incentivar um estilo de vida saudável nas crianças e seus pais para combater o aumento de um problema evitável nos rins e adotar medidas terapêuticas apropriadas.

A DRC se caracteriza pela perda progressiva e irreversível da função renal e pela evidência de anormalidades estruturais e funcionais dos rins. A caracterização da perda da função renal é estabelecida de forma direta ou indireta através da análise da creatinina sérica. Em geral, nos estágios iniciais, a DRC é silenciosa, ou seja, não há sintomas ou estes são discretos e inespecíficos. Na infância, o impacto da DRC pode ser devastador, levando a várias complicações, como a dificuldade no crescimento, deformidades ósseas, anemia, pressão alta, entre outras consequências graves somadas à perda da qualidade de vida.

A principal causa da DRC na infância são as malformações do trato urinário, as quais, muitas vezes, não são diagnosticadas no pré-natal ou em outras situações de risco, tais como glomerulopatias e doenças sistêmicas que podem comprometer os rins. Além disso, em várias ocasiões estes pacientes não são prontamente e devidamente encaminhados para um seguimento especializado.

Saúde dos rins para todos. Ame seus rins. Dose sua creatinina!

Relatora:
Natalia Andréa da Cruz
Departamento Científico de Nefrologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo



]]>