Resposta – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 18 Oct 2024 17:44:10 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Resposta – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Feliz ano da vacinação (porque não é um só dia de vacinação)! https://spsp.org.br/feliz-ano-da-vacinacao-porque-nao-e-um-so-dia-de-vacinacao/ Thu, 17 Oct 2024 17:29:21 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48525 Feliz Dia Nacional da Vacinação! Mas o dia da vacinação não é só em 17/10, mas cada dia do ano todo! Tinha época em que nós brasileiros podíamos encher a boca quando falávamos isso]]>

Feliz Dia Nacional da Vacinação! Mas o dia da vacinação não é só em 17/10, mas cada dia do ano todo!

Tinha época em que nós brasileiros podíamos encher a boca quando falávamos isso!

E o que aconteceu? Será que esquecemos das antigas epidemias, como a gripe espanhola? Os mais jovens já perguntaram para seus pais ou avós como era quando tínhamos um número absurdo de internações por sarampo? Ou catapora? Alguém se lembra das grandes epidemias de meningite? Ou febre amarela? Ou as crianças que nasciam com diversas malformações por rubéola congênita?

Talvez tenhamos nos desacostumado com tais infecções (graças a Deus!), mas não lembramos mais por uma razão maior do que todas, maior do que todos os médicos que atendiam essas doenças: as vacinas!

Sim. As vacinas foram essenciais para reduzir diversas doenças que levaram tantas pessoas do nosso convívio.

Hoje é um dia em que devemos celebrar esse avanço.

Para quem não sabe, as vacinas induzem os nossos organismos a produzirem uma resposta imunológica contra todas essas doenças. Essa resposta pode ser maior ou menor, dependendo do agente infeccioso, da resposta imune de cada indivíduo e da eficácia vacinal.

Todas as vacinas passam por diversos estudos (os tais estudos pivotais), para determinar eventuais riscos que possam promover, e a resposta imune que determinam no indivíduo. Elas só serão aprovadas após esses estudos, que são muito bem conduzidos. E esses estudos são analisados por vários especialistas para que a aprovação ocorra, além das agências de cada país onde elas serão incorporadas nos programas de vacinação. São passos cada vez mais rigorosos e cada vez mais bem avaliados. É lógico que a proteção determinada por cada vacina nunca será de 100%. Entretanto, elas permitirão uma redução drástica do impacto da doença na sociedade. E aqui vem uma primeira máxima da vacinação: “as vacinas são um bem acima de tudo para a sociedade! Não só para um indivíduo!”

Há indivíduos que, por diversos fatores, podem não responder a uma vacina (por exemplo, indivíduos com câncer), e por isso nessa hora recomendamos as vacinas também para aquelas pessoas que têm contato mais próximo com essas pessoas, como uma forma de cercá-las da proteção vacinal para essas doenças.

Por falar em câncer, temos vacinas que protegem contra alguns dos cânceres mais frequentes entre nós, como o câncer de colo uterino. E, infelizmente, vemos tantos adolescentes que não fazem a vacina, e terão um risco aumentado dessas diversas neoplasias no futuro por causa disso.

Hoje vivemos um momento de recusa vacinal… Difícil entender por quê. Meus colegas e eu temos vivenciado diversas crianças internadas, por exemplo, devido à covid-19. A quase totalidade delas sem a vacina. Vemos como a cobertura vacinal dessas crianças está ruim.

Então hoje, nesse dia especial (!!!), vamos nos lembrar quanto importante é a vacinação para todos nós, crianças, adolescentes, adultos e idosos! Não deixemos de nos vacinar e vacinar aqueles que dependem de nós! Não queremos nos arrepender no futuro por não termos feito isso!

Feliz Dia Nacional da Vacinação!

 

Relator:
Marcelo Otsuka
Vice-Presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Internacional do Homem https://spsp.org.br/dia-internacional-do-homem/ Sun, 19 Nov 2023 18:08:26 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=40784 “O que é ser homem hoje?” “A vida nos interroga” – esta frase, utilizada reiteradamente por Victor Frankl, criador da Logoterapia, é sempre instigante, pois nos convida à reflexão. A vida pergunta]]>

 “O que é ser homem hoje?”

“A vida nos interroga” – esta frase, utilizada reiteradamente por Victor Frankl, criador da Logoterapia, é sempre instigante, pois nos convida à reflexão. A vida pergunta. Temos que responder individualmente – como pessoa e coletivamente – como espécie humana.

A cultura é, ao mesmo tempo, a lente com a qual interpretamos e compreendemos este assunto, quanto ao viés determinante das diversas opiniões sobre o tema. Dentre as inúmeras perguntas que a vida nos faz, está esta: “Que é ser homem hoje?” A palavra homem aqui, se refere a gênero e não à espécie humana.

A resposta não é simples e nem óbvia.

Para analisar esta pergunta, duas aves podem nos ajudar: o Guará – brasileira, encontrada principalmente nos manguezais da costa setentrional da América do Sul e o Flamingo – encontrado em várias partes do mundo.

Ambos biologicamente nasceram com características próprias que identificam cada espécie e, no entanto, a grande marca identificadora, que sobressai para os olhares externos, é a sua cor, que não é característica biológica, mas sim sua “marca registrada”. Esse fenótipo é fruto do ecossistema em que habitam, da disponibilidade da comida rica em caroteno, dada pela oferta generosa de crustáceos nos mangues – para os guarás, e de algas e crustáceos, nos alagados, lagoas, manguezais, estuários e algumas regiões beira-mar – para os flamingos. A grande quantidade presente desse pigmento (caroteno) na dieta é a responsável pela cor avermelhada dessas aves.

No caso dos humanos, a biologia não explica uma série muito grande de peculiaridades da nossa espécie, nem do nosso comportamento. A cultura – fruto da linguagem – gera símbolos que auxiliam a conhecer e interpretar o mundo, a vida. Esse fato explica por que a resposta àquela pergunta acima é complexa. É através da lente da cultura que essa resposta poderá ser dada.

Fica implícita na pergunta “O que é ser homem hoje?”, a possibilidade de entender que o homem de ontem é diferente do homem de hoje e, por inferência, este também será diverso do homem de amanhã. Esta pergunta se refere à questão comportamental do homem e não ao seu aspecto biológico evolutivo. Em outras palavras: quais são os papéis do homem na sociedade de hoje? Aqui entra o universo da cultura.

A construção da masculinidade é complexa e multifacetada, sendo moldada por normas culturais, crenças, valores e expectativas em uma determinada sociedade e num determinado tempo. O que é considerado “masculino” em uma cultura pode ser diferente do que é valorizado em outra.

Ser homem na ‘cultura antiga’ consistia em ser o provedor econômico da família; ser o protetor da família – se necessário, “dar porrada”; ser o macho reprodutor e pegador; tomar a iniciativa nas relações sexuais; ser conquistador; fazer os trabalhos braçais; ser o tomador de decisões; impor regras e colocar limites para o outro e para si mesmo; enfrentar, racionalmente, situações e tentar não se desesperar; conquistar respeito e admiração (poder); ter corpo robusto e falar com voz grossa; ser valente e corajoso; ser livre, astuto e dono de si.

Através desse estereótipo, culturalmente construído, foi gestado um fruto indesejado, que colhemos à larga, nos dias de hoje – o feminicídio, o abuso e assédio sexual, a homofobia, a pedofilia, a segregação de gênero, entre outras mazelas.

“O Homem com H”, da música de Antônio Barros, de 1981, magistralmente interpretada por Ney Matogrosso à época da banda “Secos & Molhados”, retrata muito bem esse estereótipo da cultura dita “machista”:

“Nunca vi rastro de cobra / Nem couro de lobisomem / Se correr o bicho pega / Se ficar o bicho come / Porque eu sou é home / Porque eu sou é home / Menino eu sou é home / Menino eu sou é home / E como sou!

Quando eu estava pra nascer / De vez em quando eu ouvia / Eu ouvia a mãe dizer / Ai meu Deus como eu queria / Que esse cabra fosse home /
Cabra macho pra danar / Ah! Mamãe aqui estou eu / Mamãe aqui estou eu / Sou homem com H / E como sou!

Eu sou homem com H / E com H sou muito home / Se você quer duvidar
Olhe bem pelo meu nome / Já tô quase namorando / Namorando pra casar

Ah! Maria diz que eu sou / Maria diz que eu sou / Sou homem com H
E como sou!

Cobra! Home! / Pega! Come!”

O homem, antes de mais nada, é “ser humano” e, como tal, possui fragilidades, pontos fortes e fracos. Nos dias atuais é “coisa de homem”: entrar em contato com as emoções e buscar um encontro genuíno com o outro, que pode ser o filho, o amigo, a mulher; permitir-se deliberar não ‘paquerar ou ficar’ por obrigação, não pagar todas as contas e, mesmo assim, continuar se sentindo um homem forte e não um ‘frouxo’; ser sensível aos sentimentos dos outros, perceber as sutilezas das relações humanas, ser empático; participar na criação dos filhos e nas tarefas domésticas; respeitar e promover a igualdade de gênero.

Finalizo com a música “Man in the Mirror“, de Michael Jackson, que fala da importância de refletir sobre si mesmo e fazer mudanças pessoais para tornar o mundo um lugar melhor:

“I’m starting with the man in the mirror / I’m asking him to change his ways / And no message could’ve been any clearer / If they wanna make the world a better place / Take a look at yourself and then make a change.”

“Estou começando com o homem no espelho / Estou pedindo a ele que mude de atitude / E nenhuma mensagem poderia ter sido mais clara / Se eles querem fazer do mundo um lugar melhor / Dê uma olhada em si mesmo e faça uma mudança.” (tradução livre)

Este é um chamamento para que busquemos uma sociedade mais justa e igualitária.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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