respeito – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 31 Jul 2026 18:27:11 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png respeito – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Aprender a ser amigo é aprender a ser humano https://spsp.org.br/aprender-a-ser-amigo-e-aprender-a-ser-humano/ Thu, 30 Jul 2026 18:25:11 +0000 https://spsp.org.br/?p=57999 “Ninguém escolheria viver sem amigos, ainda que possuísse todos os outros bens” (Aristóteles). Essa observação permanece atual para qualquer indivíduo em todas as idades. A amizade é uma das experiências mais importantes do desenvolvimento humano. Se a família representa o primeiro espaço de acolhimento, é na amizade que a criança e o adolescente aprendem a construir relações escolhidas, baseadas na confiança, na reciprocidade e no respeito. O amigo é muito mais do que um companheiro de brincadeiras. É alguém com quem a criança aprende a dividir, esperar sua vez, negociar regras, lidar com frustrações, pedir desculpas e perdoar. Essas experiências, aparentemente simples, constituem um verdadeiro laboratório para o desenvolvimento das habilidades sociais e emocionais. É brincando com outras crianças que ela aprende a reconhecer emoções, desenvolver empatia e compreender que o mundo não gira apenas em torno de seus desejos. Durante essa fase, a amizade também exerce um papel protetor. Crianças que possuem vínculos afetivos consistentes tendem a apresentar maior autoestima, melhor adaptação escolar, menor risco de ansiedade e isolamento – sua sensação de pertencimento é fortalecida. A amizade também favorece o desenvolvimento cognitivo. Conversar, brincar, discutir ideias, resolver conflitos e cooperar em tarefas escolares estimulam linguagem, criatividade, pensamento crítico e capacidade de resolver problemas. Na adolescência, a amizade adquire um significado ainda mais profundo. Enquanto a família continua sendo a principal referência de segurança, os amigos tornam-se parceiros na construção da identidade. É entre os pares que o adolescente experimenta ideias, valores, opiniões e projetos de vida. Compartilha dúvidas, medos, sonhos e descobertas que, muitas vezes, não consegue expressar aos adultos. Naturalmente, nem toda influência dos amigos é positiva. O grupo pode favorecer comportamentos de risco, especialmente quando há necessidade excessiva de aceitação. Entretanto, amizades saudáveis funcionam justamente no sentido contrário: promovem apoio emocional, estimulam escolhas responsáveis, reduzem sentimentos de solidão e ajudam o jovem a enfrentar situações difíceis. Vivemos, contudo, um tempo em que as amizades enfrentam novos desafios. As redes sociais permitem manter muitos contatos, mas nem sempre aprofundam vínculos. Crianças e adolescentes podem acumular centenas de “amigos” virtuais e, paradoxalmente, sentir-se profundamente sozinhos. A verdadeira amizade exige tempo, presença, escuta, confiança e disponibilidade – elementos que nenhuma tecnologia consegue substituir completamente. É fundamental que pais e educadores criem oportunidades para que crianças e adolescentes convivam, brinquem, conversem e desenvolvam amizades presenciais. Essa participação ativa e amorosa dos adultos, nesse processo, os ajudará a reconhecer relações tóxicas, lidar com conflitos e cultivar amizades baseadas no respeito mútuo. A melhor maneira de comemorar o Dia Internacional da Amizade, instituído em 30 de julho, é celebrar a vida entre amigos. Relator: Fernando MF OliveiraCoordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP]]>

“Ninguém escolheria viver sem amigos, ainda que possuísse todos os outros bens” (Aristóteles). Essa observação permanece atual para qualquer indivíduo em todas as idades.

A amizade é uma das experiências mais importantes do desenvolvimento humano. Se a família representa o primeiro espaço de acolhimento, é na amizade que a criança e o adolescente aprendem a construir relações escolhidas, baseadas na confiança, na reciprocidade e no respeito. O amigo é muito mais do que um companheiro de brincadeiras. É alguém com quem a criança aprende a dividir, esperar sua vez, negociar regras, lidar com frustrações, pedir desculpas e perdoar. Essas experiências, aparentemente simples, constituem um verdadeiro laboratório para o desenvolvimento das habilidades sociais e emocionais. É brincando com outras crianças que ela aprende a reconhecer emoções, desenvolver empatia e compreender que o mundo não gira apenas em torno de seus desejos.

Durante essa fase, a amizade também exerce um papel protetor. Crianças que possuem vínculos afetivos consistentes tendem a apresentar maior autoestima, melhor adaptação escolar, menor risco de ansiedade e isolamento – sua sensação de pertencimento é fortalecida. A amizade também favorece o desenvolvimento cognitivo. Conversar, brincar, discutir ideias, resolver conflitos e cooperar em tarefas escolares estimulam linguagem, criatividade, pensamento crítico e capacidade de resolver problemas.

Na adolescência, a amizade adquire um significado ainda mais profundo. Enquanto a família continua sendo a principal referência de segurança, os amigos tornam-se parceiros na construção da identidade. É entre os pares que o adolescente experimenta ideias, valores, opiniões e projetos de vida. Compartilha dúvidas, medos, sonhos e descobertas que, muitas vezes, não consegue expressar aos adultos.

Naturalmente, nem toda influência dos amigos é positiva. O grupo pode favorecer comportamentos de risco, especialmente quando há necessidade excessiva de aceitação. Entretanto, amizades saudáveis funcionam justamente no sentido contrário: promovem apoio emocional, estimulam escolhas responsáveis, reduzem sentimentos de solidão e ajudam o jovem a enfrentar situações difíceis.

Vivemos, contudo, um tempo em que as amizades enfrentam novos desafios. As redes sociais permitem manter muitos contatos, mas nem sempre aprofundam vínculos. Crianças e adolescentes podem acumular centenas de “amigos” virtuais e, paradoxalmente, sentir-se profundamente sozinhos. A verdadeira amizade exige tempo, presença, escuta, confiança e disponibilidade – elementos que nenhuma tecnologia consegue substituir completamente. É fundamental que pais e educadores criem oportunidades para que crianças e adolescentes convivam, brinquem, conversem e desenvolvam amizades presenciais. Essa participação ativa e amorosa dos adultos, nesse processo, os ajudará a reconhecer relações tóxicas, lidar com conflitos e cultivar amizades baseadas no respeito mútuo.

A melhor maneira de comemorar o Dia Internacional da Amizade, instituído em 30 de julho, é celebrar a vida entre amigos.

Relator:

Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Aos mestres com carinho https://spsp.org.br/aos-mestres-com-carinho/ Wed, 15 Oct 2025 15:45:15 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53623 ]]>

O título deste artigo faz alusão ao filme “Ao Mestre com Carinho” (To Sir, with Love), de 1967. Foi intencional. É um clássico sobre educação e o poder transformador do vínculo entre mestre e aluno. Uma breve sinopse dessa película:

“O engenheiro Mark Thackeray (interpretado por Sidney Poitier) aceita temporariamente um emprego como professor em uma escola pública de Londres, localizada em um bairro operário marcado por desigualdades sociais. Ao chegar, encontra uma turma de adolescentes rebeldes, indisciplinados e desacreditados do futuro, que não respeitam professores nem regras. Ele enfrenta resistência e provocações, mas aos poucos conquista o respeito dos alunos, ao adotar um método de ensino diferente: em vez de focar apenas nos conteúdos tradicionais, passa a tratar os jovens como adultos em formação, discutindo valores, comportamento, responsabilidade e dignidade. Com resiliência e humanidade, ele transforma a relação com a classe, despertando neles confiança, respeito mútuo e uma nova visão de futuro. No processo, Thackeray também se redescobre como educador, percebendo a importância de sua missão”.

O mestre pode ser comparado com alguém que sopra brasas. Não cria o fogo – apenas o desperta. O professor aviva o fogo ensinando a perguntar, a duvidar. Ao atiçar a curiosidade, ao repartir conhecimento, capacita o aluno a sonhar outros mundos possíveis.

O professor semeia pacientemente algo que, muitas vezes, só floresce anos depois. Essa é uma dimensão invisível e demorada do ofício. Como dizia Rubem Alves: “Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra.” Paulo Freire acrescentou: “Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo.”

Quem ensina deve estar sempre se reinventando: o professor é, antes de tudo, alguém que não deixou de aprender, pois sabe que o conhecimento não se esgota no hoje, mas se renova continuamente. Há sempre muitíssimas coisas que não sabemos. E o que pensamos ser definitivo, verificamos, mais tarde, que era provisório.

Na sala de aula, mais do que conhecimento, o professor constrói encontros. E encontros podem mudar destinos. Esses encontros acontecem quando o professor se torna uma fonte de inspiração para cada pessoa que passa por sua sala. São encontros que lançam pontes para futuros mais livres, justos e transformadores.

Aos nossos mestres, com carinho, nossa eterna gratidão. Aos que hoje estão na docência, nosso respeito e admiração.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Igualdade, inclusão e respeito https://spsp.org.br/igualdade-inclusao-e-respeito/ Sat, 01 Mar 2025 10:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50418 ]]>

O Dia Mundial da Discriminação Zero, celebrado em 1º de março, foi instituído pelo UNAIDS (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS) em 2014. A data tem o objetivo de promover igualdade, inclusão e respeito aos direitos humanos, independentemente de gênero, raça, orientação sexual, condição de saúde ou qualquer outra característica.

O símbolo da campanha é uma borboleta, representando transformação e liberdade. A iniciativa incentiva indivíduos, comunidades e governos a adotarem práticas mais inclusivas e a combaterem qualquer tipo de discriminação.

Que a borboleta não voe para longe do alcance das nossas vistas.

A questão da discriminação ganha ainda mais relevância no contexto geopolítico atual, onde há um crescimento de movimentos nacionalistas, políticas identitárias excludentes e certo retrocesso no ideal do multiculturalismo que, nas últimas décadas, foi um modelo de coexistência pacífica, valorizando a diversidade e garantindo espaço para diferentes culturas, religiões e modos de vida dentro das sociedades.

No entanto, muitos governos estão se afastando desse ideário, adotando posturas mais fechadas, pautadas em nacionalismo, protecionismo e discursos de “identidade nacional”, que frequentemente excluem minorias e imigrantes.

Podemos listar algumas razões.

O aumento dos fluxos migratórios, impulsionados por guerras, crises climáticas e desigualdades econômicas, gerou reações adversas em muitos países. Em vez de políticas de acolhimento, há um endurecimento de fronteiras e o crescimento de retóricas xenófobas. Cresce o medo do “outro”, que alimenta o discurso de alguns líderes populistas, caracterizado pela óptica do “eu contra eles”, que apresenta as minorias como ameaça à estabilidade econômica, cultural e social. É o famoso “bode expiatório”.

Em algumas partes do mundo, há um claro enfraquecimento de instituições que protegiam direitos fundamentais. Leis que garantiam igualdade de gênero, proteção a refugiados e combate ao racismo estão sendo revogadas ou enfraquecidas.

A internet potencializou bolhas ideológicas e discursos de ódio, dificultando o diálogo e promovendo a polarização social. Movimentos extremistas encontram terreno fértil para disseminar preconceitos e teorias da conspiração, que deslegitimam a convivência multicultural.

O fim do multiculturalismo na política não significa necessariamente que as sociedades deixarão de ser diversas, mas pode indicar um desafio maior na promoção da inclusão e no combate à discriminação. Isso torna datas como o Dia Mundial da Discriminação Zero ainda mais importantes, pois reforçam a necessidade de resistência e de ações concretas para garantir que direitos fundamentais não sejam desmontados.

Fernando Pessoa (sob o heterônimo Bernardo Soares) escreveu em ‘Metamorfose’: “Tudo quanto vive, vive porque muda; muda porque passa; e, porque passa, morre”. A vida é movimento e transformação, por certo. É um processo contínuo que demanda sabedoria e vigilância. A lagarta gera a borboleta, que precisa de espaço para voar, apesar das barreiras que nos cercam.

 

Saiba mais:

– O Dia Mundial da Discriminação Zero, celebrado em 1º de março, foi instituído pelo UNAIDS (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS)

Fonte:

Fonte:  UNAIDS Brasil https://unaids.org.br › zero-discriminacao

– Fernando Pessoa (sob o heterônimo Bernardo de Campos) escreveu em ‘Metamorfose’: PESSOA, F. Livro do Desassossego, por Bernardo Soares. Vol. II. Mem Martins: Europa-América, 1986.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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30 de julho – Dia Internacional da Amizade https://spsp.org.br/30-de-julho-dia-internacional-da-amizade/ Mon, 31 Jul 2023 19:49:53 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=38843 “Amigo é coisa para se guardarDebaixo de sete chavesDentro do coração” (Canção da América – Milton Nascimento) A amizade é um tesouro que descobrimos ao long]]>

“Amigo é coisa para se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração” (Canção da América – Milton Nascimento)

 

A amizade é um tesouro que descobrimos ao longo da jornada da vida e sua importância já começa na infância.

A amizade na infância proporciona um ambiente seguro e estimulante, para que as crianças explorem o mundo ao seu redor. Ao interagir com seus pares, elas aprendem importantes habilidades sociais, como compartilhar, colaborar, negociar e resolver conflitos. Essas interações promovem o desenvolvimento da empatia, do respeito mútuo e da capacidade de compreensão sob diferentes perspectivas.

A amizade é um alicerce importante para o desenvolvimento da autoestima e da confiança das crianças. Ao se sentirem aceitas e valorizadas por seus amigos, elas ganham segurança para explorar suas próprias habilidades, expressar suas opiniões e serem autênticas. A amizade também estimula a autoexpressão e a criatividade, uma vez que as crianças se sentem encorajadas a compartilhar ideias e brincar de forma imaginativa juntas.

Os amigos são parceiros de aventuras e cúmplices nas descobertas do mundo. Através das brincadeiras em grupo, as crianças aprendem a trabalhar em equipe, a desenvolver habilidades de liderança e a lidar com situações desafiadoras. A amizade também promove a resiliência emocional, pois os amigos estão presentes para apoiar uns aos outros nos momentos difíceis, ajudando a superar obstáculos e enfrentar adversidades com mais confiança.

As amizades na infância são um fator crucial para o desenvolvimento da linguagem e do pensamento. Ao se envolverem em conversas e trocas de ideias com os amigos, as crianças expandem seu vocabulário, aprimoram suas habilidades de comunicação e aprendem a construir argumentos e defender seus pontos de vista. Também estimulam a curiosidade intelectual, já que as crianças compartilham conhecimentos, exploram interesses comuns e descobrem novas informações juntas.

A amizade desempenha um papel fundamental na formação da identidade e do bem-estar emocional das crianças. Através da interação com amigos, as crianças aprendem a se conhecer melhor, a compreender suas emoções e a desenvolver habilidades sociais que lhes permitirão estabelecer relacionamentos saudáveis ao longo da vida.

A amizade desempenha um papel importante no ambiente educacional. A presença de amigos na sala de aula cria um ambiente acolhedor e estimulante, onde as crianças se sentem mais motivadas a participar ativamente das atividades, compartilhar ideias, colaborar em projetos conjuntos e buscar soluções criativas para os desafios propostos.

A amizade também é um elemento-chave para a promoção de uma atmosfera de respeito e inclusão. Quando as crianças desenvolvem amizades diversificadas, aprendem a valorizar as diferenças, a aceitar a individualidade de cada um e a combater o preconceito e a exclusão. A presença de amigos verdadeiros contribui para a construção de uma comunidade escolar mais solidária e empática, onde todos se sentem pertencentes e valorizados.

A amizade precisa ser cuidada e cultivada, nutrida ao longo do tempo. A amizade verdadeira é construída com base na paciência, na compreensão e no perdão. É um tesouro valioso que requer cuidado e dedicação para se manter viva e florescer.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Dia Nacional da Paz no Trânsito https://spsp.org.br/dia-nacional-da-paz-no-transito-2/ Thu, 20 Apr 2023 17:51:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=37111 Dia 21 de abril é conhecido em nosso país como o Dia de Tiradentes, considerado um herói nacional, mártir e patrono da Nação Brasileira. A data também é considerada o DIA NACIONAL DA PAZ]]>

Dia 21 de abril é conhecido em nosso país como o Dia de Tiradentes, considerado um herói nacional, mártir e patrono da Nação Brasileira. A data também é considerada o DIA NACIONAL DA PAZ NO TRÂNSITO, tendo o objetivo de despertar na sociedade brasileira os valores e as atitudes corretas que devem ser adotados diariamente para prevenir acidentes e tornar as ruas e estradas mais seguras para todos.

O trânsito é responsável pela morte de 1,3 milhão de pessoas todos os anos e por deixar sequelas em tantas outras (são mais de 50 milhões de feridos), principalmente em países de baixa e média renda, onde, apesar de concentrarem apenas 60% da frota de automóveis do mundo, ocorrem 93% das mortes.

Segunda a OPAS/OMS, cerca de três quartos dessas mortes ocorrem entre jovens do sexo masculino com menos de 25 anos (quase três vezes o número de mortes de mulheres da mesma idade). O trânsito também é a principal causa de morte entre crianças e jovens de 5 a 29 anos.

Todas essas mortes e lesões podem ser evitadas mediante ações do governo envolvendo setores como transporte, segurança pública, saúde e educação. Dentre essas medidas temos o estabelecimento de uma infraestrutura mais segura, incorporando elementos de segurança viária na planificação do uso do solo e de transportes; a melhora na segurança dos veículos; a promoção do uso seguro das vias, incluindo o transporte multimodal; estabelecimento e aplicação de normas relacionadas aos principais riscos; a melhora no atendimento às vítimas de acidentes de trânsito e a conscientização pública, promovendo a tolerância, a gentileza e a paz entre motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres.

“Boas atitudes entre condutores e pedestres têm o poder de promover o respeito e a cidadania.”

 

Motorista:

Mantenha distância segura de outros carros.
Sinalize sempre que for mudar de faixa.
Use cinto de segurança e dispositivos de retenção (BEBÊ-CONFORTO, CADEIRINHA E BOOSTER) sempre e de forma correta.
Respeite a sinalização.
Realize manutenções periódicas no veículo.
Respeite a faixa de pedestres.
Mantenha a distância mínima de 1,5 metros do ciclista.
Não use o celular enquanto dirige.
Assuma a direção do veículo somente se estiver sóbrio.
Ultrapasse somente em locais permitidos.

SEJA PACIENTE E TENHA RESPEITO PELOS OUTROS

 

Pedestre:

Atravesse a rua sempre pela faixa de pedestres; caminhe de forma ordenada pelo lado direito da faixa.
Obedeça a sinalização. Nos cruzamentos em que existem semáforos para pedestres, só atravesse a rua quando eles estiverem abertos.
Em vias de grande movimento ou de alta velocidade, utilize as passarelas, sempre que disponíveis.
Ao desembarcar de um veículo saia pelo lado da calçada e aguarde que ele se afaste para iniciar a travessia. Nunca atravesse a rua por trás de ônibus, carros, árvores ou outros obstáculos que impeçam que os motoristas o vejam.

Atravesse sempre em linha reta, sem correr.

SEJA PACIENTE E TENHA RESPEITO PELOS OUTROS

 

Ciclista:

Utilize as ciclovias.
Use sempre capacete e roupas protetoras (claras ou de cores fortes para ser visto com facilidade).
Obedeça a sinalização.
Não ingira álcool e ande de bicicleta; não faça “malabarismos” em vias públicas.
Use campainha, sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e nos pedais e espelho retrovisor do lado esquerdo.
Não transporte crianças que não tenham, nas circunstâncias, condições de cuidar da sua própria segurança.
Realize a manutenção periódica da bicicleta.

SEJA PACIENTE E TENHA RESPEITO PELOS OUTROS

 

Motociclista:

Use sempre capacete.
Trafegue sempre com os faróis acesos, durante o dia ou à noite.
Evite “costurar” o tráfego em engarrafamentos. Por ser um veículo de menores dimensões, os motoristas têm dificuldade de enxergar as motocicletas.
Use roupas protetoras claras ou de cores fortes para ser visto com facilidade pelos motoristas.
Ao fazer ultrapassagens, não utilize a mesma faixa ocupada pelo veículo.
Sempre pare antes de atravessar um cruzamento, mesmo que o semáforo esteja aberto para você.
Estacione sua moto perpendicular à guia da calçada.
Evite transportar crianças em motocicletas. Menores de 10 anos não devem ser transportados.
Trafegue sempre a uma distância segura dos automóveis e só ultrapasse quando tiver certeza de que foi visto pelo motorista. Como as motos são veículos menores e ágeis, muitas vezes não são percebidas pelos motoristas de automóveis, ônibus, caminhões, ou até mesmo pelos pedestres.

SEJA PACIENTE E TENHA RESPEITO PELOS OUTROS

Se cada um fizer sua parte (governo, motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres) teremos a tão sonhada “PAZ NO TRÂNSITO!”

 

Relatora:
Tania Zamataro
Presidente do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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A vovó já sabia! https://spsp.org.br/a-vovo-ja-sabia/ Fri, 25 Mar 2022 12:42:29 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=31731 É no mundo do “faz de conta” que a criança “dá conta” do mundo real que a acolhe. Avós e avôs utilizam com frequência a famigerada expressão: ¨no meu tempo” para iniciar a descrição de fatos, narrativas e para se contrapor aos usos.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 25/03/2022


É no mundo do “faz de conta” que a criança “dá conta” do mundo real que a acolhe.

Avós e avôs utilizam com frequência a famigerada expressão: ¨no meu tempo” para iniciar a descrição de fatos, narrativas e, em especial, para se contrapor aos usos e costumes do momento.

Então, naqueles tempos idos se dizia que meninas brincavam com bonecas e meninos com bolas, meninas vestiam rosa, meninos vestiam azul, meninas faziam ballet e meninos judô. Nos dias de hoje, todos podem brincar com bonecas, jogar futebol ou praticar qualquer esporte. Ninguém se espantou quando, no intervalo de uma competição nas Olimpíadas de Tóquio, o atleta britânico de saltos ornamentais, Tom Daley, tricotava esperando sua vez para entrar na competição. A nossa “Fadinha”, a maranhense Rayssa Leal, invadiu o território dos moleques e deu um show no skate, tonando-se a brasileira mais jovem a receber uma medalha olímpica (de prata), com seus 13 anos, seis meses e 22 dias de idade.

“Os tempos são outros”, diria a vovó. No entanto, ela sabe que algumas coisas continuam semelhantes e igualmente necessárias, porque desempenham um papel importante para as crianças – é o caso do brincar. Fiquemos com as bonecas para elucidar este tema.

A origem das bonecas remonta à civilização Babilônica, atravessa os séculos desde o Egito, Roma, Grécia Antiga, Japão e China. A boneca de pano é a forma mais simples de confecção. Outros materiais foram utilizados: madeira, marfim, como a boneca Crepereia Tryphaena (séc II d.C), cobre, ferro, porcelana, até chegarmos nas bonecas modernas feitas de vinil ou PVC. De todas as cores, tamanhos, estilos, com os incontáveis adereços e acessórios, algumas parecendo ser de “carne e osso”.

O velho carpinteiro italiano Geppetto fez um boneco de madeira chamado Pinóquio, o qual é trazido à vida pela Fada Azul.

A boneca Emília nasceu, em 1920 (102 anos), boneca de pano, feita por Tia Nastácia para a menina Narizinho e que ganhou vida na história criada por Monteiro Lobato para a série Sítio do Picapau Amarelo. Nasceu muda e foi curada pelo Dr. Caramujo, que lhe receitou uma “pílula falante” que fez a boneca desembestar a falar. No conto ‘A reforma da Natureza’, Emília inventa o “livro comestível”: “(…) Em vez de impressos em papel de madeira, que só é comestível para o caruncho, eu farei os livros impressos em um papel fabricado de trigo e muito bem temperado. (…) O leitor vai lendo o livro e comendo as folhas, lê uma, rasga-a e come. Quando chega ao fim da leitura, está almoçado ou jantado.” Através da falante boneca Emília, Lobato expressa a ideia de leitura prazerosa que alimenta, incorpora-se ao nosso ser, a nossa personalidade e vai nos moldando. 

A boneca é a representação simbólica do ser humano e permite assumir muitos papéis: o de mãe, irmã, avó, tia, professora… Segundo Piaget (1997): “se a criança recria o que vive, ela recria também o afeto que recebe e assume o papel dos cuidadores” – ou seja, ao brincar de boneca a criança exercita o afeto e todo esse processo a ajuda a estreitar relações de cuidado e respeito.

Brincar de boneca desenvolve empatia e habilidades de interação social que repercutirão em diversos comportamentos futuros. É nesse momento da vida que muitas habilidades cognitivas e sociais são formadas.

Muito além de ser um simples brinquedo, as brincadeiras com bonecos e bonecas ajudam a criança a ajustar aspectos emocionais e compreender conflitos do cotidiano.

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: panther media seller | depositphotos.com

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