Repelentes – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Mon, 14 Dec 2015 13:56:08 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Repelentes – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Aedes aegypti, zika vírus, dengue e chikungunya: não acreditem em milagres! É hora de informação e ação! https://spsp.org.br/aedes-aegypti-zika-virus-dengue-e-chikungunya-nao-acreditem-em-milagres-e-hora-de-informacao-e-acao/ Mon, 14 Dec 2015 13:56:08 +0000 https://comunidadespsp.wordpress.com/?p=1050 Não é de agora que se conhecem as dificuldades de controlar o mosquito Aedes aepypti e os riscos que corremos caso esse controle não seja atingido. Segundo dados do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde (2015), houve uma altíssima incidência de dengue, uma doença provocada por vírus transmitido pelo Aedes aepypti, e que mata. Entre 4 de janeiro e 14 de novembro no Brasil, houve o recorde, desde 1990, com 1.534.932 casos prováveis da doença e 811 mortes por dengue confirmadas (79% a mais do que o mesmo período de 2.014), sendo esse, também, o recorde de óbitos. Mesmo isso não foi o suficiente para alertar a população, a sociedade e o governo a respeito de uma atitude mais firme contra a doença e o mosquito transmissor. A febre de chikungunya, transmitida pelo mesmo mosquito teve, até novembro de 2015, mais de 8.900 casos em investigação e mais de 6.700 casos já confirmados. Ainda assim, a movimentação não foi suficiente para estancar o crescimento das estatísticas da doença e a proliferação do mosquito. Agora estamos diante de uma nova e real ameaça – o zika vírus. Até o momento, mais de 1.700 casos suspeitos de microcefalia foram identificados em torno de 400 municípios brasileiros. Esses casos podem estar relacionados à picada do Aedes aegypti durante a gestação. Assim como nas outras doenças virais transmitidas pelo mesmo mosquito (dengue, febre chikungunya), acredita-se que cerca de 80% das pessoas contaminadas pelo zika vírus não apresentam qualquer sintoma, o que não quer dizer que as consequências da infecção (microcefalia nos bebês dessas gestantes, por exemplo) não ocorram. O que é microcefalia Assim, antes de qualquer atitude e antes de sairmos espalhando o terror e informações irresponsáveis, mais uma vez, o fundamental é a INFORMAÇÃO. E só através da INFORMAÇÂO poderemos ter uma AÇÃO eficaz e consciente. Não acreditem em milagres É fundamental que toda e qualquer atitude ou medida em relação ao panorama atual de dengue, zika vírus e febre chikungunya e ao do Aedes aegypti tenha comprovação e embasamento científicos reconhecidos por instituições idôneas (como Ministério da Saúde, Associações Médicas, FIOCRUZ, OMS etc.). Sempre que receber alguma informação, antes de espalhar as notícias pelas redes sociais, cheque suas fontes. Algumas informações veiculadas na mídia requerem atenção por serem inverdades ou não terem comprovação científica. Leia abaixo alguns exemplos das principais dúvidas e mitos sobre este assunto: 1) Crianças menores de 7 anos e idosos têm mais sintomas neurológicos decorrentes do vírus zika, como os da síndrome de Guillain-Barré (doença autoimune onde o sistema imunológico da pessoa ataca o sistema nervoso, causando neurite e fraqueza muscular)? A FIOCRUZ informa que ainda não há dados estatísticos que permitem tal afirmação para qualquer faixa etária. A síndrome de Guillain-Barré pode ter várias causas e sua relação com o zica vírus ainda não está esclarecida. 2) Há envolvimento de outras espécies de mosquitos, além do Aedes aegypti, na transmissão da doença no Brasil? A FIOCRUZ também informa que, quanto ao vetor, até o momento, não existem estudos científicos que apontem para o envolvimento de outras espécies de mosquitos além do Aedes aegypti na transmissão da doença no Brasil. O Aedes albopictus, também existente no Brasil, apesar de não haver nenhum registro de exemplares adultos infectados com o vírus da dengue, chikungunya ou zica vírus no País, é alvo de estudos que monitoram o crescimento de sua população e investigam seus aspectos em comparação aos do Aedes aegypti. 3) A homeopatia pode ser utilizada como uma forma de prevenção e de tratamento das doenças dengue, zika vírus e febre chikungunya? Não existe qualquer estudo conclusivo que comprove a ação da homeopatia em pacientes com qualquer uma dessas doenças, especialmente em febre do chikungunya e zika vírus, que são doenças muito recentes em nosso meio. As fórmulas homeopáticas não curam e nem previnem a dengue. Quanto aos “complexos homeopáticos contra dengue”, há muitas fórmulas diferentes prescritas para essa finalidade. A homeopatia se caracteriza pela individualização do paciente e não da doença. 4) A homeopatia ajuda a repelir o mosquito? Não existe qualquer estudo que comprove essa ação da homeopatia. Aliás, o tratamento homeopático não é realizado com essa intenção. O tratamento homeopático se baseia nos sintomas do paciente e não se propõe a afastar insetos, vírus ou bactérias. Portanto não deve ser usado na esperança de que, ao ser picado por um Aedes aegypti transmissor do vírus, a pessoa não adoeça. 5) O uso de inseticidas naturais à base de citronela, andiroba e álcool, cravo da índia e óleo de amêndoas oferecem proteção contra a picada do mosquito? A ANVISA não reconhece nenhum desses produtos e não existe nenhum estudo que comprove a eficácia e a proteção prometidas (veja o texto Evitando Picadas de Insetos que aborda as questões relativas a roupas adequadas, repelentes e inseticidas). 6) Comer inhame, alho ou ingerir complexo B previne a dengue? Essas informações foram divulgadas por muito tempo e com grande utilização, mas sem eficácia comprovada. No site Invivo, da FIOCRUZ, há uma recomendação a respeito: “O que atrai a fêmea do mosquito para o corpo humano é o cheiro. Por isso, qualquer produto que ingerimos, quando eliminado do organismo, confunde a fêmea, já que modifica nosso cheiro. Mas cuidado! Essas substâncias precisam ser consumidas em grandes quantidades para que a eliminação chegue a confundir o mosquito. Inhame em grande quantidade não faz tão bem ao organismo, complexo B em excesso causa toxidez e o alho, bom… o alho traz aquele mau hálito.”. 7) Pode-se usar repelentes em crianças abaixo de 6 meses de idade? De acordo com documento recente da Sociedade Brasileira de Pediatria (veja aqui) sobre o uso de repelentes de insetos em crianças, “abaixo de 6 meses – não há estudos nessa faixa etária sobre segurança dos repelentes e extrapola-se o uso dos recomendados para bebês acima de 6 meses em caso de exposição inevitável e com orientação médica.” Esse mesmo documento indica os repelentes que estão disponíveis no Brasil, regularizados pela ANVISA, inclusive com seus nomes comerciais....]]>

mosquito-213805_640Não é de agora que se conhecem as dificuldades de controlar o mosquito Aedes aepypti e os riscos que corremos caso esse controle não seja atingido.

Segundo dados do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde (2015), houve uma altíssima incidência de dengue, uma doença provocada por vírus transmitido pelo Aedes aepypti, e que mata. Entre 4 de janeiro e 14 de novembro no Brasil, houve o recorde, desde 1990, com 1.534.932 casos prováveis da doença e 811 mortes por dengue confirmadas (79% a mais do que o mesmo período de 2.014), sendo esse, também, o recorde de óbitos. Mesmo isso não foi o suficiente para alertar a população, a sociedade e o governo a respeito de uma atitude mais firme contra a doença e o mosquito transmissor.

A febre de chikungunya, transmitida pelo mesmo mosquito teve, até novembro de 2015, mais de 8.900 casos em investigação e mais de 6.700 casos já confirmados. Ainda assim, a movimentação não foi suficiente para estancar o crescimento das estatísticas da doença e a proliferação do mosquito.

Agora estamos diante de uma nova e real ameaça – o zika vírus. Até o momento, mais de 1.700 casos suspeitos de microcefalia foram identificados em torno de 400 municípios brasileiros. Esses casos podem estar relacionados à picada do Aedes aegypti durante a gestação. Assim como nas outras doenças virais transmitidas pelo mesmo mosquito (dengue, febre chikungunya), acredita-se que cerca de 80% das pessoas contaminadas pelo zika vírus não apresentam qualquer sintoma, o que não quer dizer que as consequências da infecção (microcefalia nos bebês dessas gestantes, por exemplo) não ocorram.

O que é microcefalia

Assim, antes de qualquer atitude e antes de sairmos espalhando o terror e informações irresponsáveis, mais uma vez, o fundamental é a INFORMAÇÃO. E só através da INFORMAÇÂO poderemos ter uma AÇÃO eficaz e consciente.

Não acreditem em milagres
É fundamental que toda e qualquer atitude ou medida em relação ao panorama atual de dengue, zika vírus e febre chikungunya e ao do Aedes aegypti tenha comprovação e embasamento científicos reconhecidos por instituições idôneas (como Ministério da Saúde, Associações Médicas, FIOCRUZ, OMS etc.). Sempre que receber alguma informação, antes de espalhar as notícias pelas redes sociais, cheque suas fontes. Algumas informações veiculadas na mídia requerem atenção por serem inverdades ou não terem comprovação científica.

Leia abaixo alguns exemplos das principais dúvidas e mitos sobre este assunto:

1) Crianças menores de 7 anos e idosos têm mais sintomas neurológicos decorrentes do vírus zika, como os da síndrome de Guillain-Barré (doença autoimune onde o sistema imunológico da pessoa ataca o sistema nervoso, causando neurite e fraqueza muscular)?
A FIOCRUZ informa que ainda não há dados estatísticos que permitem tal afirmação para qualquer faixa etária. A síndrome de Guillain-Barré pode ter várias causas e sua relação com o zica vírus ainda não está esclarecida.

2) Há envolvimento de outras espécies de mosquitos, além do Aedes aegypti, na transmissão da doença no Brasil?
A FIOCRUZ também informa que, quanto ao vetor, até o momento, não existem estudos científicos que apontem para o envolvimento de outras espécies de mosquitos além do Aedes aegypti na transmissão da doença no Brasil. O Aedes albopictus, também existente no Brasil, apesar de não haver nenhum registro de exemplares adultos infectados com o vírus da dengue, chikungunya ou zica vírus no País, é alvo de estudos que monitoram o crescimento de sua população e investigam seus aspectos em comparação aos do Aedes aegypti.

3) A homeopatia pode ser utilizada como uma forma de prevenção e de tratamento das doenças dengue, zika vírus e febre chikungunya?
Não existe qualquer estudo conclusivo que comprove a ação da homeopatia em pacientes com qualquer uma dessas doenças, especialmente em febre do chikungunya e zika vírus, que são doenças muito recentes em nosso meio. As fórmulas homeopáticas não curam e nem previnem a dengue. Quanto aos “complexos homeopáticos contra dengue”, há muitas fórmulas diferentes prescritas para essa finalidade. A homeopatia se caracteriza pela individualização do paciente e não da doença.

4) A homeopatia ajuda a repelir o mosquito?
Não existe qualquer estudo que comprove essa ação da homeopatia. Aliás, o tratamento homeopático não é realizado com essa intenção. O tratamento homeopático se baseia nos sintomas do paciente e não se propõe a afastar insetos, vírus ou bactérias. Portanto não deve ser usado na esperança de que, ao ser picado por um Aedes aegypti transmissor do vírus, a pessoa não adoeça.

5) O uso de inseticidas naturais à base de citronela, andiroba e álcool, cravo da índia e óleo de amêndoas oferecem proteção contra a picada do mosquito?
A ANVISA não reconhece nenhum desses produtos e não existe nenhum estudo que comprove a eficácia e a proteção prometidas (veja o texto Evitando Picadas de Insetos que aborda as questões relativas a roupas adequadas, repelentes e inseticidas).

6) Comer inhame, alho ou ingerir complexo B previne a dengue?
Essas informações foram divulgadas por muito tempo e com grande utilização, mas sem eficácia comprovada. No site Invivo, da FIOCRUZ, há uma recomendação a respeito: “O que atrai a fêmea do mosquito para o corpo humano é o cheiro. Por isso, qualquer produto que ingerimos, quando eliminado do organismo, confunde a fêmea, já que modifica nosso cheiro. Mas cuidado! Essas substâncias precisam ser consumidas em grandes quantidades para que a eliminação chegue a confundir o mosquito. Inhame em grande quantidade não faz tão bem ao organismo, complexo B em excesso causa toxidez e o alho, bom… o alho traz aquele mau hálito.”.

7) Pode-se usar repelentes em crianças abaixo de 6 meses de idade?
De acordo com documento recente da Sociedade Brasileira de Pediatria (veja aqui) sobre o uso de repelentes de insetos em crianças, “abaixo de 6 meses – não há estudos nessa faixa etária sobre segurança dos repelentes e extrapola-se o uso dos recomendados para bebês acima de 6 meses em caso de exposição inevitável e com orientação médica.” Esse mesmo documento indica os repelentes que estão disponíveis no Brasil, regularizados pela ANVISA, inclusive com seus nomes comerciais. A Sociedade Brasileira de Pediatria (em outro informe) e a Sociedade de Pediatria de São Paulo (Evitando Picadas de Insetos) orientam quanto aos cuidados que podem e os que não devem ser tomados na prevenção às picadas de insetos.

8) Gestantes podem usar repelentes?
A ANVISA e o Ministério da Saúde não apresentam restrições ao uso de repelentes em gestantes. Ao contrário, a aplicação desses produtos, bem como outras medidas no combate ao mosquito, é recomendada e orientada em vários informes das instituições, atestando sua segurança nessa faixa de risco da população.

9) A partir da vacina contra dengue – que deve ser lançada no Brasil em 2016 – não haverá necessidade do combate ao Aedes aegypti?
A vacina, que ainda está aguardando o registro da ANVISA (já aprovada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), e já foi liberada no México (primeiro país a utilizar a vacina), apresenta níveis parciais de proteção contra os 4 tipos de vírus causadores de dengue, mas, de forma alguma, os cuidados adequados de combate à proliferação do mosquito devem ser abandonados. No blog do Ministério da Saúde há um alerta importantíssimo: “As larvas do mosquito não se desenvolvem apenas em água limpa – os ovos do mosquito também podem se desenvolver em água suja e parada. Para combater a dengue, o importante é acabar com qualquer reservatório de água parada, seja limpa ou suja”.

10) Usando o repelente estamos protegidos contra o Aedes aegypti?
Esse é outro mito perigoso. O blog do Ministério da Saúde diz: “Os repelentes não têm um efeito eficaz no controle do mosquito. O certo é evitar acumular água parada, fazer soluções à base de água sanitária. Colocar areia nos pratinhos dos vasos é o melhor meio para evitar o ciclo de reprodução do Aedes aegypti.”.

11) O zika vírus impede a amamentação?
Na Polinésia Francesa (onde houve surto de zika em 2013), médicos encontraram partículas do vírus no leite materno. Mas ainda não se sabe se existe transmissão para o bebê porque nem todo vírus encontrado no leite é transmitido. Essa questão remete ao mesmo tipo de situação de mães portadoras de hepatite C, em que os investigadores concluíram que o aleitamento materno não apresenta risco para transmissão do vírus. É orientação do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) do Estado de São Paulo não suspender o aleitamento materno quando a mãe é portadora do vírus da hepatite C sem infecção associada com HIV, com orientação sobre o possível risco de transmissão se houver fissura nos mamilos com presença de sangue. Segundo dados do CVE, a transmissão raramente ocorre de mãe para filho. Ainda de acordo com esse documento, “até agora, não há relatos de crianças infectadas pelo zika vírus através da amamentação. Pelos benefícios do aleitamento, mães devem ser encorajadas a amamentar mesmo em áreas onde o zika vírus for encontrado”.

12) A vacinação contra a rubéola é responsável pelos quadros de microcefalia encontrados?
Essa é uma informação recente, divulgada de forma irresponsável através das redes sociais. A Síndrome da rubéola congênita, quando afeta a gestante, pode trazer malformações, entre elas a microcefalia (retardo no crescimento intrauterino – 43%, anormalidades viscerais – 50 a 75%, microcefalia – 39%, manifestações cutâneas -20 a 50% e microftalmia – 20%). No dia 2 de dezembro, o Brasil recebeu um certificado da Organização Mundial de Saúde, considerando a rubéola e a síndrome da rubéola congênita, oficialmente, eliminadas no país (últimos casos de transmissão no país em 2008 e 2009,). O calendário nacional de vacinação prevê que a vacina da rubéola deve ser aplicada aos 12 e 15 meses, (dentro da tríplice viral – sarampo, caxumba e rubéola). Ela é uma vacina produzida com vírus vivos e atenuados, que não são capazes de provocar as três doenças. É possível tomar essa vacina em outros momentos da vida, mas nunca durante a gestação. A vacina contra a rubéola é especialmente indicada para mulheres em idade fértil – entre 15 e 29 anos – para evitar pegar a doença durante a gravidez. As mulheres grávidas que não foram vacinadas antes da gestação devem receber a vacina somente após o parto.

Veja outros textos relacionados:
Conheça as diferenças e semelhanças entre Dengue, Febre do Chikungunya e Zika Vírus
http://www.blog.saude.gov.br/images/arquivos_blog_saude/12347687_1125921527426462_4822467543375404809_n.png

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Relator:
Dr. Yechiel Moises Chencinski
Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários

Publicado em 14/12/2015.
photo credit: nuzree | pixabay.com

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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Evitando picadas de insetos https://spsp.org.br/evitando-picadas-de-insetos/ Tue, 17 Mar 2015 17:30:12 +0000 https://comunidadespsp.wordpress.com/?p=863 Além de serem transmissores de doenças infecciosas, como dengue e malária, insetos podem ser causa de desconforto por suas picadas, especialmente em crianças com hipersensibilidade. Picadas de alguns insetos, além da irritação no local, podem causar dor e infecções locais, alergias e coceiras que perturbam o sono. Considerando que uma única picada de um inseto contaminado pode provocar doenças e que vacinas e remédios profiláticos não estão disponíveis para todos os casos, a proteção individual é muito importante. Medidas ambientais coletivas que visem a não proliferação dos insetos que se reproduzem na água são importantíssimas, tais como: • Manter os reservatórios de água tampados ou cobertos com tela; • Manter a casa e o quintal limpos e sem água empoçada; • Trocar a água de animais domésticos com frequência; • Colocar areia nos pratos dos vasos; • Não deixar recipientes que possam acumular água ao relento; • Não deixar alimentos descobertos em casa; • Tratar piscinas com cloro e, se não estiver em uso, esvaziá-la completamente, não deixando poças d´água; • Manter lagos, cascatas ou espelhos d´água limpos ou crie peixes que se alimentem de larvas; • Retirar a água da bandeja externa da geladeira pelo menos uma vez por semana e lavá-la com sabão; • Plantas como babosa, bambu, bananeira, bromélia, espada de São Jorge e gravatá podem acumular água e proliferar insetos. Vestimenta adequada Usar meias, camisas ou blusas de mangas compridas com punhos fechados e calças compridas, dando preferência a tecidos claros, evitando as cores muito chamativas e o uso de perfume e lavandas, pois são atrativos aos insetos. Repelentes tópicos Um repelente não protege igualmente todos os seus usuários e seu efeito pode se alterar com o clima. Cada 10º C a mais na temperatura ambiental reduz o tempo de proteção pela metade. Orientações de uso: • Manter os produtos fora do alcance de crianças e animais; • Procurar na embalagem ou bula do produto a partir de que idade ele pode ser usado. Ler todo o rótulo e bula antes de aplicar o produto e conservá-lo para consulta; • A aplicação em crianças deve ser supervisionada por um adulto, que deve colocar o produto em suas mãos e em seguida aplicar na criança; • Aplicar só nas áreas expostas quando necessário, conforme instruções do fabricante; • Evitar o contato com os olhos, boca e narinas – para aplicar na face, aplique primeiramente o produto nas mãos e a seguir leve ao rosto; • Não aplicar nas mãos de crianças (elas levam as mãos frequentemente à boca); • Não aplicar por baixo de roupas; • Não aplicar onde a pele estiver irritada ou ferida; • Depois de aplicá-lo, lavar as palmas das mãos com água e sabão; • Em caso de reaplicação, lavar o corpo com água e sabão antes de repetir o processo; • Não se recomenda dormir com repelente no corpo – dar banho na criança e lavar-se antes; • Em caso de atividades na água, uma nova aplicação deverá ser realizada; • Não usar produtos que contenham repelente e protetor solar misturados na mesma solução. Protetores solares devem ser aplicados 20 minutos antes do repelente (para não haver interferência na ação de ambos os produtos); • Não aplicar próximo a alimentos; • Em preparações tipo aerossóis (“spray”), não aplicar em ambientes fechados; • No caso de qualquer reação alérgica ou intoxicação, lavar a área onde o repelente foi aplicado e entrar em contato com o serviço de controle de intoxicações ou serviço médico. Levar consigo a embalagem do produto; • O uso de repelentes não dispensa nem substitui as demais medidas de combate às doenças transmitidas por mosquitos. Produtos mais utilizados • IR 3535: é um produto sintético com estrutura química semelhante a aminoácidos, cuja ação dura até 4 horas e pode ser usado em crianças maiores de 6 meses de idade e gestantes. • DEET: apresentado na forma de aerossol, gel e loção, cuja ação dura de 2 horas (concentrações até 10%) a 6 horas (concentração de 14%). Não é recomendado seu uso em crianças menores de 2 anos. Em crianças de 2 a 12 anos de idade, usar na concentração até 10%, no máximo três aplicações diárias e evitar o uso prolongado. Para pessoas com mais de 12 anos, pode ser usado em concentrações superiores a 10%. • Icaridina ou KBR 3023: é um repelente derivado da pimenta apresentado da forma de aerossol e gel de 5% e 25%, cuja ação dura de 5 horas (concentração de 5%) a 10 horas (concentração de 25%). Não se recomenda usar em crianças menores de 2 anos. • Óleos naturais são os mais antigos repelentes conhecidos. Em geral, são voláteis e com efeito de curta duração e só devem ser usados a partir dos 2 anos de idade. O óleo de eucalipto-limão, em concentração de 30%, confere proteção de até cinco horas. O óleo de citronela confere proteção curta e, por isso, recomenda-se a sua reaplicação a cada hora. O óleo de soja, em concentração de 2%, inibe picadas de insetos por 1 hora e meia e acredita-se que possua um efeito mecânico adicional de repelência. Barreiras físicas ambientais Bebês são particularmente beneficiados por esse tipo de proteção, pois eles têm pouca mobilidade e ficam em locais restritos e de fácil proteção com mosquiteiros (berços, cercados, carrinhos de bebê). Deve-se garantir que as portas e janelas estejam bem vedadas com telas e sejam fechadas bem antes de anoitecer. Os poros das telas e dos mosquiteiros devem ter 1,5 mm ou menos. Tendas tratadas com inseticidas (permetrina) são eficazes, seguras e duradouras, mas é importante que a criança não entre em contato com a substância, levando-a, por exemplo, à boca. Inseticidas Há diversos inseticidas em várias formas de apresentação como aerossóis (sprays), serpentinas, impregnados em tecidos, mosquiteiros e telas etc. Aerossóis de inseticida têm o objetivo de matar os insetos presentes no local e prevenir sua invasão domiciliar. É importantíssimo mantê-los fora do alcance das crianças. Possuem efeito curto e devem ser aplicados em...]]>

mosquito-213805_640Além de serem transmissores de doenças infecciosas, como dengue e malária, insetos podem ser causa de desconforto por suas picadas, especialmente em crianças com hipersensibilidade. Picadas de alguns insetos, além da irritação no local, podem causar dor e infecções locais, alergias e coceiras que perturbam o sono. Considerando que uma única picada de um inseto contaminado pode provocar doenças e que vacinas e remédios profiláticos não estão disponíveis para todos os casos, a proteção individual é muito importante.

Medidas ambientais coletivas que visem a não proliferação dos insetos que se reproduzem na água são importantíssimas, tais como:
• Manter os reservatórios de água tampados ou cobertos com tela;
• Manter a casa e o quintal limpos e sem água empoçada;
• Trocar a água de animais domésticos com frequência;
• Colocar areia nos pratos dos vasos;
• Não deixar recipientes que possam acumular água ao relento;
• Não deixar alimentos descobertos em casa;
• Tratar piscinas com cloro e, se não estiver em uso, esvaziá-la completamente, não deixando poças d´água;
• Manter lagos, cascatas ou espelhos d´água limpos ou crie peixes que se alimentem de larvas;
• Retirar a água da bandeja externa da geladeira pelo menos uma vez por semana e lavá-la com sabão;
• Plantas como babosa, bambu, bananeira, bromélia, espada de São Jorge e gravatá podem acumular água e proliferar insetos.

Vestimenta adequada
Usar meias, camisas ou blusas de mangas compridas com punhos fechados e calças compridas, dando preferência a tecidos claros, evitando as cores muito chamativas e o uso de perfume e lavandas, pois são atrativos aos insetos.

Repelentes tópicos
Um repelente não protege igualmente todos os seus usuários e seu efeito pode se alterar com o clima. Cada 10º C a mais na temperatura ambiental reduz o tempo de proteção pela metade.

Orientações de uso:
• Manter os produtos fora do alcance de crianças e animais;
• Procurar na embalagem ou bula do produto a partir de que idade ele pode ser usado. Ler todo o rótulo e bula antes de aplicar o produto e conservá-lo para consulta;
• A aplicação em crianças deve ser supervisionada por um adulto, que deve colocar o produto em suas mãos e em seguida aplicar na criança;
• Aplicar só nas áreas expostas quando necessário, conforme instruções do fabricante;
• Evitar o contato com os olhos, boca e narinas – para aplicar na face, aplique primeiramente o produto nas mãos e a seguir leve ao rosto;
• Não aplicar nas mãos de crianças (elas levam as mãos frequentemente à boca);
• Não aplicar por baixo de roupas;
• Não aplicar onde a pele estiver irritada ou ferida;
• Depois de aplicá-lo, lavar as palmas das mãos com água e sabão;
• Em caso de reaplicação, lavar o corpo com água e sabão antes de repetir o processo;
• Não se recomenda dormir com repelente no corpo – dar banho na criança e lavar-se antes;
• Em caso de atividades na água, uma nova aplicação deverá ser realizada;
• Não usar produtos que contenham repelente e protetor solar misturados na mesma solução. Protetores solares devem ser aplicados 20 minutos antes do repelente (para não haver interferência na ação de ambos os produtos);
• Não aplicar próximo a alimentos;
• Em preparações tipo aerossóis (“spray”), não aplicar em ambientes fechados;
• No caso de qualquer reação alérgica ou intoxicação, lavar a área onde o repelente foi aplicado e entrar em contato com o serviço de controle de intoxicações ou serviço médico. Levar consigo a embalagem do produto;
• O uso de repelentes não dispensa nem substitui as demais medidas de combate às doenças transmitidas por mosquitos.

Produtos mais utilizados
• IR 3535: é um produto sintético com estrutura química semelhante a aminoácidos, cuja ação dura até 4 horas e pode ser usado em crianças maiores de 6 meses de idade e gestantes.
• DEET: apresentado na forma de aerossol, gel e loção, cuja ação dura de 2 horas (concentrações até 10%) a 6 horas (concentração de 14%). Não é recomendado seu uso em crianças menores de 2 anos. Em crianças de 2 a 12 anos de idade, usar na concentração até 10%, no máximo três aplicações diárias e evitar o uso prolongado. Para pessoas com mais de 12 anos, pode ser usado em concentrações superiores a 10%.
• Icaridina ou KBR 3023: é um repelente derivado da pimenta apresentado da forma de aerossol e gel de 5% e 25%, cuja ação dura de 5 horas (concentração de 5%) a 10 horas (concentração de 25%). Não se recomenda usar em crianças menores de 2 anos.
• Óleos naturais são os mais antigos repelentes conhecidos. Em geral, são voláteis e com efeito de curta duração e só devem ser usados a partir dos 2 anos de idade. O óleo de eucalipto-limão, em concentração de 30%, confere proteção de até cinco horas. O óleo de citronela confere proteção curta e, por isso, recomenda-se a sua reaplicação a cada hora. O óleo de soja, em concentração de 2%, inibe picadas de insetos por 1 hora e meia e acredita-se que possua um efeito mecânico adicional de repelência.

Barreiras físicas ambientais
Bebês são particularmente beneficiados por esse tipo de proteção, pois eles têm pouca mobilidade e ficam em locais restritos e de fácil proteção com mosquiteiros (berços, cercados, carrinhos de bebê). Deve-se garantir que as portas e janelas estejam bem vedadas com telas e sejam fechadas bem antes de anoitecer. Os poros das telas e dos mosquiteiros devem ter 1,5 mm ou menos. Tendas tratadas com inseticidas (permetrina) são eficazes, seguras e duradouras, mas é importante que a criança não entre em contato com a substância, levando-a, por exemplo, à boca.

Inseticidas
Há diversos inseticidas em várias formas de apresentação como aerossóis (sprays), serpentinas, impregnados em tecidos, mosquiteiros e telas etc. Aerossóis de inseticida têm o objetivo de matar os insetos presentes no local e prevenir sua invasão domiciliar. É importantíssimo mantê-los fora do alcance das crianças. Possuem efeito curto e devem ser aplicados em recintos fechados pelo menos duas horas antes de usar o ambiente para dormir. Os inseticidas sem cheiro dão a falsa impressão de não estarem no ambiente, merecendo cuidados maiores.

Aparelhos de tomada elétrica que liberam inseticidas devem ser mantidos no mínimo a 2 metros de distância da cama ou berço. É aconselhável ligar o aparelho quando a criança não estiver no quarto e depois desligá-lo e guardá-lo em lugar seguro, para evitar o risco de intoxicações pela ingestão acidental do líquido ou da pastilha.

Repelentes ineficazes
• Serpentinas ou espirais de inseticida são pouco efetivas e perigosas – seu uso está contraindicado.
• Incensos e velas naturais (citronela ou andiroba) só têm ação quando aplicados por horas contínuas e iniciados bem antes da exposição da criança ao ambiente. Não têm efeito repelente que recomende seu uso isolado.
• Repelentes ultrassônicos e dispositivos elétricos luminosos com luz azul são pouco eficazes.
• Pulseiras e “patches” embebidos em repelentes só protegem até 4 cm ao redor de onde foram aplicados.
• Não foi demonstrada a eficácia que justifique o uso por via oral de remédios que agem por repelência pelo cheiro do suor, como extratos de alho e vitaminas do complexo B.

Para crianças menores de 6 meses
Não é recomendado o uso de repelentes. Utilizar vestimenta adequada e barreiras físicas ambientais. Tomar cuidado com o uso de inseticidas.

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Relatores:
Mário R. Hirschheimer

Presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Silvia Soutto Mayor
Departamento Científico de Dermatologia

Publicado em 17/03/2015.
photo credit: nuzree | pixabay.com

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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