Reflexão – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Thu, 10 Apr 2025 19:59:56 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Reflexão – SPSP https://spsp.org.br 32 32 A influência das mídias digitais na saúde mental dos adolescentes: reflexões a partir da série ‘Adolescência’ https://spsp.org.br/a-influencia-das-midias-digitais-na-saude-mental-dos-adolescentes-reflexoes-a-partir-da-serie-adolescencia/ Fri, 11 Apr 2025 10:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50956 A adolescência é uma fase marcada por intensas transformações físicas, emocionais e sociais, nas quais ]]>

A adolescência é uma fase marcada por intensas transformações físicas, emocionais e sociais, nas quais os jovens buscam compreender a própria identidade e estabelecer conexões significativas com o mundo ao seu redor. Em tempos modernos, as mídias digitais desempenham um papel central nesse processo, oferecendo tanto oportunidades quanto riscos ao desenvolvimento psíquico e social. Para muitos adolescentes, as redes sociais não são apenas um espaço de convivência, mas um refúgio emocional e uma plataforma para construir e expressar suas identidades. É nesse contexto que surge um delicado paradoxo: ao mesmo tempo em que as mídias digitais proporcionam um espaço para expressão e conexão, também podem desencadear processos de isolamento, radicalização e prejuízos à saúde mental.

A série da Netflix ‘Adolescência’ provoca uma reflexão contundente sobre os impactos da radicalização e do uso problemático das redes sociais entre jovens. Para entender melhor esse processo, podemos nos basear no livro ‘Handbook of Adolescent Digital Media Use and Mental Health’, organizado por Nesi, Telzer e Prinstein (2022), que apresenta uma análise teórica aprofundada sobre como as plataformas digitais podem influenciar a saúde mental dos adolescentes. A convergência entre a ficção e a realidade evidencia como os adolescentes podem ser tragados por dinâmicas digitais que moldam identidades frágeis e em formação.

O livro explora como as mídias digitais influenciam a formação identitária por meio de processos psicológicos fundamentais: introspecção, narrativa pessoal e diálogo. A introspecção, que deveria ser um exercício de autoconhecimento, torna-se nas redes sociais, muitas vezes, um ciclo de ruminação e reforço de pensamentos negativos, especialmente quando realizada em espaços digitais permeados por discursos extremistas. Fóruns radicais e comunidades fechadas reforçam preconceitos e ampliam sentimentos de revolta e inadequação, validando percepções distorcidas e intensificando emoções negativas. A narrativa pessoal, por sua vez, envolve a construção de histórias que representam a forma como os jovens se percebem e se apresentam ao mundo. Contudo, quando essa expressão depende excessivamente de curtidas, comentários e validações digitais, há o risco de consolidar identidades frágeis e suscetíveis à manipulação externa. O diálogo digital é um espaço para o confronto de ideias e a construção de perspectivas diversas. No entanto, muitas vezes ele se transforma em bolhas de opinião e câmaras de eco que reforçam convicções perigosas, reduzindo a capacidade de empatia e comprometendo o desenvolvimento saudável da identidade.

A série ‘Adolescência’ traz à tona a jornada de Jamie Miller, um adolescente que, ao enfrentar o isolamento social e o bullying, busca refúgio nas redes digitais. No entanto, em vez de encontrar suporte, ele se depara com conteúdos que reforçam uma masculinidade tóxica e discursos de ódio, levando-o a um processo de radicalização. Uma cena mostra Jamie criando um diário digital onde compartilha pensamentos sombrios, expressando sua frustração e seu desejo de aceitação. A presença constante de mensagens extremistas distorce sua capacidade de reflexão crítica e alimenta um senso de injustiça e ressentimento. A criação de vídeos e textos em fóruns radicais reforça uma identidade negativa e fortalece um ciclo de ódio e isolamento, enquanto o contato com colegas e amigos se torna cada vez mais distante e conflituoso.

Esse processo reflete diretamente as teorias discutidas no livro, mostrando como o diálogo digital, quando restrito a bolhas de opinião, se converte em um ambiente de eco que reforça convicções perigosas e limita a empatia. O ambiente digital se torna um terreno fértil para a radicalização, onde as emoções são manipuladas por discursos polarizados e narrativas agressivas. No entanto, a realidade mostrada na série não é apenas um alerta sobre os perigos das mídias digitais, mas também uma reflexão sobre a falta de apoio emocional e intervenções adequadas que poderiam ter evitado o aprofundamento do sofrimento de Jamie, tanto em casa, quanto na escola e nos lugares da comunidade frequentado pelo jovem.

Para profissionais da saúde mental, pediatras e educadores, a análise conjunta da série e do livro evidencia a urgência de criar estratégias que favoreçam o uso responsável das mídias digitais pelos adolescentes. Isso inclui fomentar discussões abertas com jovens e suas famílias sobre os riscos e as armadilhas emocionais das redes sociais, incentivando práticas que valorizem a autenticidade e o senso crítico. Também é fundamental compreender os sinais de isolamento e comportamentos radicais como possíveis manifestações de um processo de vulnerabilidade emocional agravada pelas interações digitais.

Assim, somos todos desafiados a repensarmos o papel das mídias digitais na vida dos adolescentes, enfatizando que a tecnologia, em si, não é um vilão ou uma solução mágica, mas um recurso que precisa ser compreendido e manejado com cautela. Para mitigar os danos e potencializar os benefícios, é essencial que educadores, pais e profissionais de saúde promovam o diálogo aberto, a escuta ativa e o apoio emocional, para que as experiências digitais possam ser aproveitadas de maneira positiva e segura.

 

Relatora:
Bianca Seixas Soares Sgambatti
Membro do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Fim de ano! https://spsp.org.br/fim-de-ano/ Thu, 18 Dec 2014 11:34:27 +0000 https://comunidadespsp.wordpress.com/?p=808 Estamos concluindo mais uma etapa de nossa vida; simbólica e gregoriana, mas importante tempo para renovação e renascimento, visando novos desafios que em breve chegarão. É uma época de festas, confraternizações, amigos secretos, não tão secretos e declarados de peito aberto, muita comida, muita bebida, muitos presentes, correria, enfim… Vamos sair um pouquinho do “olho do furacão”, dar um tempo para o balanço de vida, erros e acertos, refletir sobre o verdadeiro NATAL. É o período em que se comemora, em alguns credos, o nascimento de Jesus Cristo, para uns o Messias, para outros ainda não. Mas, o importante é que nesse tempo tudo gira em torno da palavra nascimento: coisas novas, exaltação do espírito fraterno, renovação de esperanças e assim chegaremos ao dia 31 de dezembro de 2014, o dia da virada! Fico pensando, se o nascimento do menino Jesus fosse neste Natal de 2014, como seria? Será que Maria e José conseguiriam chegar à manjedoura sem antes serem assaltados ou atropelados? Será que o dono da manjedoura não cobraria um “por fora” por ser um dia especial, onde todas as pousadas estavam lotadas? Será que Maria iria utilizar o SUS ou um plano de Saúde privado? Se fosse pelo SUS ficaria em um quarto esperando o nascimento do Messias de parto normal; se fosse pelo plano, a cesárea já estaria agendada com muita antecedência. Dependendo da maternidade do nascimento, Ele iria tomar leite materno exclusivo, mas se o nascimento fosse em uma dessas maternidades que mais parecem casas de eventos, com fotógrafos, filmadoras, pessoal de apoio, flores, música, tela de projeção 3D, Ele receberia, também, uma receita com recomendações para utilizar mamadeira. Quando tempo Maria iria amamentar? Se estivesse em licença maternidade, quatro meses; com um pouco de sorte sua empresa lhe daria seis meses, e José teria que se contentar com os cinco dias corridos da licença paternidade. Como ajudar Maria? Será que Ana, mãe de Maria, iria recomendar chá para aliviar as cólicas do menino? E a comadre Isabel será que não comentaria que o leite de Maria estava fraco e o recém-nascido muito magrinho? Será que Jesus seria criado pela mãe, pela avó, pela comadre ou terceirizado a uma creche? Na Bíblia tem uma passagem muito interessante: “Quando os pais de Jesus iam cada ano a Jerusalém, por ocasião da Páscoa, Jesus ficava em casa. Entretanto, quando Ele já estava com doze anos de idade, foi com eles à Páscoa. Depois da festa, todos começam a voltar para casa, menos Jesus, que ficou para trás, perdido no templo pregando para os professores da Lei”. Nos dias de hoje ele receberia o diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e já estaria tomando Ritalina. Na transformação da água em vinho, nas Bodas de Canaã, ele seria multado pelo consumo excessivo de água, ou seria acusado de pagar propina aos políticos por liberar parte do vinho especial. Concluo: graças a Deus seu filho veio ao mundo em outros tempos, e deixou legados para que nossa visão de vida ganhasse um novo sentido de esperança e de mudança. Veio nos ensinar a deixar de lado nosso egoísmo; veio nos ensinar o amor ao próximo, mas não aquele amor que só ama aos que realmente estão próximos a nós – isso é fácil! Jesus veio nos ensinar que devemos estender nossa visão para além daquilo que conseguimos enxergar. E existe muito, muito mesmo o que se ver. Vamos descansar nestes dias de Natal e final de ano, refletir e traçar metas e objetivos para que voltemos em 2015 renovados de corpo e mente, para continuarmos em nossa árdua missão de fazer crianças nascerem melhor, se alimentarem com o que realmente nutre, crescerem com toda sua potencialidade e desenvolverem-se física, emocional e espiritualmente como um SER, não só TER. Até 2015! ___ Dr. Tadeu Fernando Fernandes Departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSP]]>

BannerNatal(1)Estamos concluindo mais uma etapa de nossa vida; simbólica e gregoriana, mas importante tempo para renovação e renascimento, visando novos desafios que em breve chegarão. É uma época de festas, confraternizações, amigos secretos, não tão secretos e declarados de peito aberto, muita comida, muita bebida, muitos presentes, correria, enfim…

Vamos sair um pouquinho do “olho do furacão”, dar um tempo para o balanço de vida, erros e acertos, refletir sobre o verdadeiro NATAL. É o período em que se comemora, em alguns credos, o nascimento de Jesus Cristo, para uns o Messias, para outros ainda não. Mas, o importante é que nesse tempo tudo gira em torno da palavra nascimento: coisas novas, exaltação do espírito fraterno, renovação de esperanças e assim chegaremos ao dia 31 de dezembro de 2014, o dia da virada!

Fico pensando, se o nascimento do menino Jesus fosse neste Natal de 2014, como seria?

Será que Maria e José conseguiriam chegar à manjedoura sem antes serem assaltados ou atropelados?

Será que o dono da manjedoura não cobraria um “por fora” por ser um dia especial, onde todas as pousadas estavam lotadas?

Será que Maria iria utilizar o SUS ou um plano de Saúde privado? Se fosse pelo SUS ficaria em um quarto esperando o nascimento do Messias de parto normal; se fosse pelo plano, a cesárea já estaria agendada com muita antecedência.

Dependendo da maternidade do nascimento, Ele iria tomar leite materno exclusivo, mas se o nascimento fosse em uma dessas maternidades que mais parecem casas de eventos, com fotógrafos, filmadoras, pessoal de apoio, flores, música, tela de projeção 3D, Ele receberia, também, uma receita com recomendações para utilizar mamadeira.

Quando tempo Maria iria amamentar? Se estivesse em licença maternidade, quatro meses; com um pouco de sorte sua empresa lhe daria seis meses, e José teria que se contentar com os cinco dias corridos da licença paternidade. Como ajudar Maria?

Será que Ana, mãe de Maria, iria recomendar chá para aliviar as cólicas do menino? E a comadre Isabel será que não comentaria que o leite de Maria estava fraco e o recém-nascido muito magrinho?

Será que Jesus seria criado pela mãe, pela avó, pela comadre ou terceirizado a uma creche?

Na Bíblia tem uma passagem muito interessante: “Quando os pais de Jesus iam cada ano a Jerusalém, por ocasião da Páscoa, Jesus ficava em casa. Entretanto, quando Ele já estava com doze anos de idade, foi com eles à Páscoa. Depois da festa, todos começam a voltar para casa, menos Jesus, que ficou para trás, perdido no templo pregando para os professores da Lei”. Nos dias de hoje ele receberia o diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e já estaria tomando Ritalina.

Na transformação da água em vinho, nas Bodas de Canaã, ele seria multado pelo consumo excessivo de água, ou seria acusado de pagar propina aos políticos por liberar parte do vinho especial.

Concluo: graças a Deus seu filho veio ao mundo em outros tempos, e deixou legados para que nossa visão de vida ganhasse um novo sentido de esperança e de mudança. Veio nos ensinar a deixar de lado nosso egoísmo; veio nos ensinar o amor ao próximo, mas não aquele amor que só ama aos que realmente estão próximos a nós – isso é fácil! Jesus veio nos ensinar que devemos estender nossa visão para além daquilo que conseguimos enxergar. E existe muito, muito mesmo o que se ver.

Vamos descansar nestes dias de Natal e final de ano, refletir e traçar metas e objetivos para que voltemos em 2015 renovados de corpo e mente, para continuarmos em nossa árdua missão de fazer crianças nascerem melhor, se alimentarem com o que realmente nutre, crescerem com toda sua potencialidade e desenvolverem-se física, emocional e espiritualmente como um SER, não só TER.

Até 2015!

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Dr. Tadeu Fernando Fernandes
Departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSP

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