Redes sociais – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 30 Jun 2026 19:39:22 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Redes sociais – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Conexão, oportunidades e a responsabilidade de proteger crianças e adolescentes https://spsp.org.br/conexao-oportunidades-e-a-responsabilidade-de-proteger-criancas-e-adolescentes/ Tue, 30 Jun 2026 17:48:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57628 ]]>

Celebrado em 30 de junho, o Dia Mundial das Redes Sociais marca uma das maiores transformações da comunicação nas últimas décadas. As redes encurtaram distâncias, aproximaram famílias, ampliaram o acesso à informação e criaram novas formas de aprender, trabalhar e compartilhar experiências.

Hoje, é difícil imaginar a vida sem elas. Para muitos pais, as redes sociais são uma forma de manter contato com amigos e familiares, buscar informações e até encontrar comunidades de apoio. Para adolescentes, representam também espaços de pertencimento, expressão e construção de identidade.

Mas, ao mesmo tempo em que oferecem oportunidades, as redes sociais exigem atenção e responsabilidade, especialmente quando falamos de crianças e adolescentes.

A infância e a adolescência são períodos de intenso desenvolvimento emocional, cognitivo e social. Nesse contexto, a exposição precoce e excessiva às redes pode trazer impactos importantes, como alterações do sono, redução do tempo dedicado às brincadeiras e às interações presenciais, aumento da ansiedade, comparação constante com padrões irreais de beleza e sucesso, além da exposição a conteúdos inadequados, desinformação e situações de cyberbullying.

É importante lembrar que plataformas digitais são projetadas para captar e manter a atenção dos usuários. Crianças e adolescentes, por estarem em processo de amadurecimento, são mais vulneráveis aos mecanismos de recompensa, às notificações constantes e à busca por aprovação social por meio de curtidas e comentários.

Por isso, o debate não deve ser sobre demonizar a tecnologia, mas sobre promover um uso mais consciente e saudável.

Algumas atitudes podem fazer diferença:

  • Respeitar as classificações etárias das plataformas;
  • Adiar a entrada nas redes sociais sempre que possível;
  • Acompanhar e conversar sobre os conteúdos consumidos;
  • Estabelecer limites de tempo e momentos livres de telas;
  • Valorizar atividades presenciais, esportes, leitura e convivência familiar;
  • Ensinar pensamento crítico e educação midiática desde cedo;
  • Ser o exemplo, já que crianças aprendem observando os adultos.

As redes sociais fazem parte da sociedade atual e vieram para ficar. O grande desafio das famílias, educadores, profissionais de saúde e das próprias empresas de tecnologia é construir ambientes digitais mais seguros e adequados ao desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes.

Neste Dia Mundial das Redes Sociais, vale celebrar os avanços que elas proporcionaram, mas também reforçar que conexão não deve significar exposição sem limites. Mais do que ensinar nossos filhos a usar a tecnologia, precisamos ajudá-los a desenvolver a capacidade de viver bem com ela.

 

Relatora:
Betina Lahterman
Presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da SPSP

]]>
O paradoxo das redes sociais x solidão https://spsp.org.br/o-paradoxo-das-redes-sociais-x-solidao/ Mon, 30 Jun 2025 16:38:02 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52035 Os novos meios digitais – como smartphones, tablets, notebooks, consoles de jogos eletrônicos, entre outros – ocupam um espaço cada vez maior na vida de crianças]]>

Os novos meios digitais – como smartphones, tablets, notebooks, consoles de jogos eletrônicos, entre outros – ocupam um espaço cada vez maior na vida de crianças e adolescentes. Paralelamente, pais e educadores têm observado uma crescente sobrecarga imposta por essas tecnologias, cujos impactos vão muito além do entretenimento.

Diversos estudos científicos e observações de especialistas apontam que o contato saudável com as novas mídias depende do respeito aos estágios do desenvolvimento biológico, psicológico e social dos jovens. Isso significa que a introdução e o uso das tecnologias devem acompanhar, de forma responsável, a maturidade de cada faixa etária.

É fundamental, portanto, oferecer orientações claras sobre os riscos associados às mídias digitais. Isso inclui cuidados com o comportamento nas redes, prevenção à dependência tecnológica, proteção da privacidade, conscientização sobre conteúdos inadequados e perigos on-line, além das implicações legais e dos impactos à saúde causados pela exposição excessiva às telas. É necessário também revisar medidas de proteção e estabelecer protocolos preventivos para lidar com possíveis ameaças de forma eficaz.

Devemos buscar um equilíbrio entre, de um lado, as necessidades e interesses dos jovens e, de outro, as restrições necessárias para protegê-los, incluindo o uso criterioso de softwares de segurança. Para isso, torna-se indispensável uma educação midiática preventiva, conduzida por pais e educadores, que considere o estágio de desenvolvimento da criança e reforce experiências no mundo real, promovendo o contato com a natureza, os vínculos afetivos e a socialização.

Mais do que nunca, precisamos cuidar dos pilares essenciais da saúde infantil: alimentação equilibrada, prática de atividades físicas, brincadeiras lúdicas, convívio social, sono de qualidade, hidratação, exposição ao sol, espiritualidade e contato com a natureza.

Reconhecemos os avanços positivos que a tecnologia proporcionou, especialmente durante a pandemia. No entanto, não podemos negligenciar nossa responsabilidade – como pais, educadores e profissionais de saúde – de proteger crianças e adolescentes dos danos associados ao uso excessivo e inadequado das telas.

Essa é uma responsabilidade compartilhada por todos: professores, pediatras e especialistas devem orientar famílias e comunidades para enfrentarmos juntos os desafios impostos pelas mídias digitais e redes sociais.

No dia 30 de junho, celebramos o Dia Mundial das Redes Sociais. Para que essa data possa, de fato, ser comemorada com sentido, precisamos garantir que nossas crianças e adolescentes não percam seus vínculos essenciais: com a realidade, com a família, com a sociedade e com a natureza. Afinal, sem esses laços, corremos o risco de formar uma geração órfã de experiências fundamentais ao seu pleno desenvolvimento – físico, emocional, social e espiritual.

Unamo-nos por essa causa. Que o ser humano não se transforme em objeto ou mercadoria, nem se isole a ponto de adoecer na solidão. É nosso dever coletivo preservar o que nos torna verdadeiramente humanos.

 

Relatora:
Silvia Guiguer Chaim
Vice-Presidente da Regional do Grande ABC da Sociedade de Pediatria de São Paulo 

]]>
Transtornos alimentares: um problema do século XXI? https://spsp.org.br/transtornos-alimentares-um-problema-do-seculo-xxi/ Mon, 02 Jun 2025 11:51:51 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51598 Os transtornos alimentares existem há muito tempo, tendo sido descritos inicialmente na literatura religiosa, por volta do século V e na literatura médica, a partir de meados do século XIX]]>

Os transtornos alimentares existem há muito tempo, tendo sido descritos inicialmente na literatura religiosa, por volta do século V e na literatura médica, a partir de meados do século XIX. Atualmente, no entanto, percebe-se um aumento de diagnósticos, principalmente em adolescentes do sexo feminino, não sendo exclusivos de mulheres ou dessa faixa etária. Pode ocorrer por vários fatores, como predisposição pessoal, presença de transtornos psíquicos (como ansiedade ou depressão, por exemplo), relações familiares e suscetibilidade a fatores externos, como influência da mídia e pressão social. A pandemia da Covid-19 foi um acelerador para o aumento de casos, possivelmente pela ansiedade gerada com o isolamento social e as incertezas sobre o futuro, as mudanças de hábitos alimentares e de práticas esportivas, além do maior uso de redes sociais.

Fatores psíquicos e biológicos interagem entre si: a predisposição genética pode ser “acionada” por fatores como estresse emocional, baixa autoestima e pressão estética. A ideia de que só a magreza está associada à beleza, ao sucesso social e profissional, impacta fortemente a atual geração de adolescentes, aumentando sua vulnerabilidade aos transtornos alimentares.

Do ponto de vista da família, a forma como os responsáveis falam sobre comida, corpo e aparência pode ter grande impacto nas crianças e adolescentes. Comentários frequentes sobre dietas, peso, “corpos ideais ou perfeitos” ou críticas ao próprio corpo e ao corpo de outras pessoas podem, mesmo sem intenção, reforçar a ideia de que o valor de alguém está associado à aparência física.

Atualmente as redes sociais têm um papel significativo na construção da autoestima dos adolescentes. Plataformas como Instagram, TikTok e outras estão repletas de imagens de corpos magros, esculpidos, frequentemente editados por filtros ou manipulados digitalmente. Influenciadores digitais promovem rotinas alimentares rígidas, desafios de perda de peso e estilos de vida que nem sempre são saudáveis ou alcançáveis. Esse bombardeio constante pode levar os jovens a desenvolverem uma percepção distorcida de si mesmos, comparando-se com padrões estéticos inalcançáveis.

A validação por meio de curtidas e comentários também pode reforçar a ideia de que a aparência física é mais importante do que o bem-estar emocional e a saúde. Aplicativos para controle de calorias são de fácil acesso e extremamente perigosos quando utilizados sem o conhecimento das necessidades básicas individuais.

Durante a adolescência, a necessidade de aceitação por parte do grupo de amigos se torna especialmente importante. Comentários sobre peso ou aparência feitos por colegas, brincadeiras de mau gosto ou a exclusão social podem afetar profundamente a autoestima. Adolescentes podem adotar dietas extremas ou esconder comportamentos alimentares prejudiciais para se adequarem ao grupo ou evitar críticas. Não é incomum que em um grupo de amigos várias pessoas tenham comportamentos de risco para o desencadeamento de transtornos alimentares, como um pacto entre amigos, para controle de alimentação e de peso.

Por vezes não é fácil identificar um transtorno alimentar, mas existem sinais de alerta que os familiares devem observar:

  • Mudanças bruscas nos hábitos alimentares: recusa em comer certos grupos de alimentos, pular refeições ou adoção de dietas restritivas sem orientação médica. É preciso ficar atento quando adolescentes se tornam repentinamente saudáveis e passam a querer comer somente vegetais e proteínas, rejeitando carboidratos, bolos, bolachas, chocolates e balas de que sempre gostaram. Outro sinal que chama a atenção é a recusa em comer fora de casa ou aceitarem somente alimentos que eles próprios preparam.
  • Mudanças de comportamento alimentar, como querer comer sozinho, ir frequentemente ao banheiro logo após as refeições, demonstrar culpa ou arrependimento por ter comido.
  • Perda ou ganho de peso acentuado e rápido e preocupação excessiva com o corpo, peso ou calorias.
  • Autoimagem distorcida: percepção negativa do próprio corpo, mesmo estando dentro do peso considerado saudável. A mudança de vestimentas, como a procura por roupas largas que disfarcem as formas corporais também pode ser um indício da má relação com o corpo.
  • Prática excessiva de exercícios físicos, muitas vezes sem orientação e de forma exagerada. Familiares costumam ficar orgulhosos quando adolescentes sedentários passam a praticar atividades físicas, mas é preciso observar a frequência, duração e/ou intensidade, pois um sinal de alerta acende quando essa se torna compulsiva. Assim como a relação comida-exercício: se a pessoa comeu mais do que o habitual, precisa se exercitar ou se não fez exercício no dia, come menos. Essa relação compensatória não é saudável e pode ser um sinal de transtorno alimentar.

Como ajudar?

É preciso estimular a saúde emocional e física de adolescentes, através de um diálogo aberto e acolhedor, sem julgamentos, validando seus sentimentos e oferecendo apoio emocional constante. Deve-se evitar comentários sobre peso, dieta ou aparência, mantendo o foco na promoção de saúde e não em padrões estéticos. Além disso, é positivo estimular a prática de atividades que promovam bem-estar físico e emocional, como esportes, arte, música ou leitura — o mais importante é que o adolescente se sinta realizado e pertencente.

É impossível evitar o uso das redes sociais a partir de uma certa idade. Por isso é preciso fazer um trabalho preventivo, que estimule a maturidade e reduza os riscos.

O “Dia Mundial de Conscientização dos Transtornos Alimentares” foi instituído no dia 2 de junho. É importante que haja conversas que conscientizem sobre os conteúdos consumidos, questionem estereótipos e que estimulem o pensamento crítico sobre o que é visto online, combinadas de supervisão aos acessos e postagens do adolescente.

Caso percebam sinais de alerta que sugiram a possibilidade de um transtorno alimentar, familiares devem procurar ajuda profissional especializada no tema. Quanto antes for iniciado o tratamento, maiores são as chances de cura.

 

Relatora:
Andrea Hercowitz
Membro do Departamento de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

]]>
Comentários sobre IA e violência infantil https://spsp.org.br/comentarios-sobre-ia-e-violencia-infantil/ Wed, 16 Apr 2025 18:07:16 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51023 No 18º Fórum Paulista de Prevenção de Acidentes e Combate à Violência contra Crianças e Adolescentes, compartilhei os resultados da minha pesquisa e o conteúdo do livro recém-lançado]]>

No 18º Fórum Paulista de Prevenção de Acidentes e Combate à Violência contra Crianças e Adolescentes, compartilhei os resultados da minha pesquisa e o conteúdo do livro recém-lançado, intitulado A Influência das Mídias Digitais na Cultura da Infância.

Os direitos digitais de crianças e adolescentes também estiveram no centro das discussões, voltadas à garantia da proteção integral dessa população no Brasil. Dando continuidade aos debates do Fórum, destaco a preocupação com o uso de tecnologias sem supervisão durante a infância e adolescência, o que motivou, entre outras ações, a discussão sobre a proibição do uso de celulares em escolas como medida protetiva.

Em 5 de dezembro de 2024, foi aprovado o projeto de lei que proíbe o uso de aparelhos celulares por estudantes em escolas públicas e privadas no Estado de São Paulo. Posteriormente, em 20 de fevereiro de 2025, o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou novas diretrizes operacionais sobre o uso de dispositivos digitais em espaços escolares e a integração curricular do componente “Educação Digital e Midiática”. Em março, é lançado pelo Governo Federal o documento que traz orientações baseadas em evidências científicas para a criação de um espaço virtual mais saudável e seguro para crianças e adolescentes. As novas diretrizes, válidas para toda a educação básica – da educação infantil ao ensino médio –, entraram em vigor no ano letivo de 2025. O uso de telas está permitido em dois casos específicos: para fins pedagógicos e para estudantes com deficiência ou condições de saúde que demandem suporte tecnológico.

Essas regulamentações representam avanços importantes na ampliação do debate sobre o uso de celulares por crianças e adolescentes, tanto nas escolas quanto em contextos familiares e comunitários. Entendo que tais medidas podem oferecer apoio significativo não só às escolas, mas às famílias e sociedade, e trazem novos desafios para a sua implementação.

  1. Ambiente virtual inseguro: As redes sociais têm se tornado espaços marcados por graves riscos, como a coleta de dados comportamentais para fins publicitários, racismo, misoginia, incitação à violência e discurso de ódio, abuso sexual, automutilação, cyberbullying, jogos de azar e conteúdos relacionados ao suicídio. Esses fatores tornam o ambiente digital extremamente nocivo, especialmente para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, sem a maturidade e sem os recursos necessários para lidar com tais exposições de forma segura.
  2. Necessidade de regulamentação: É urgente demandar das plataformas digitais a implementação de diretrizes éticas que assegurem ambientes virtuais saudáveis e protegidos. Enquanto projetos de lei seguem em tramitação no Senado, é imperativo proteger crianças e adolescentes de interações indevidas, sobretudo nos períodos de não supervisão, como recreios e intervalos escolares. O fácil acesso a conteúdos violentos, apostas ilegais e a possibilidade de manipulação de imagens sem o acompanhamento de adultos representam grande risco ao desenvolvimento de nossas crianças e jovens.
  3. Uso pedagógico mediado: As legislações em vigor reconhecem a importância da mediação adulta no uso pedagógico das tecnologias, por meio da atuação de professores e educadores, em consonância com os projetos político-pedagógicos das instituições escolares.
  4. Educação especial e tecnologias assistivas: As diretrizes garantem o uso de recursos tecnológicos no contexto do Atendimento Educacional Especializado (AEE), assegurando a inclusão de estudantes com deficiência ou outras necessidades específicas.
  5. Educação midiática como eixo formativo: Diante da centralidade das redes sociais, da coleta de dados e da disseminação da inteligência artificial, é fundamental inserir a educação midiática nos currículos escolares e na formação docente. É por meio dela que se promove o uso ético e consciente das tecnologias e se constrói uma cultura de responsabilidade digital. Essa abordagem favorece o desenvolvimento de projetos educativos consistentes e exerce pressão sobre as big techs, como já ocorre em outros países. O controle parental, nesse contexto, deve ser tratado como parte integrante da formação de toda a comunidade escolar.

Enquanto essas políticas públicas não forem plenamente implementadas, é essencial evitar a exposição de crianças e adolescentes a riscos que possam comprometer sua segurança, bem-estar e desenvolvimento. Os danos decorrentes do uso desregulado da tecnologia podem ser irreversíveis.

Por fim, é importante ressaltar que a responsabilização direta de estudantes, como punições ou confisco de aparelhos por parte de professores, inspetores ou diretores, não deve ser o foco das ações escolares. A formação crítica de crianças e adolescentes começa pela leitura do mundo – inclusive do mundo digital. A escola deve ser um espaço educativo que promova interações significativas, brincadeiras, jogos e diálogos “olhos nos olhos”, e não “olhos nas telas”.

Cabe, portanto, cuidar do nosso tempo de tela como adultos também e olhar para a qualidade da relação que estamos construindo. Assim, a escola, as famílias e o poder público podem promover, conjuntamente, a reconstrução de ambientes escolares saudáveis, por meio do planejamento coletivo, da intencionalidade educativa e do cuidado contínuo, convidando todos a se integrarem a essa Rede de Proteção à Infância.

 

Relatora:
Sandra Cavaletti Toquetão
Pesquisadora do Grupo Políticas Públicas da Infância (CRIANDO-PUC/SP) e Linguagem em Atividade no Contexto Escolar (LACE-PUC/SP)
Atua na formação de educadores da infância, ministrando cursos e palestras

]]>
A influência das mídias digitais na saúde mental dos adolescentes: reflexões a partir da série ‘Adolescência’ https://spsp.org.br/a-influencia-das-midias-digitais-na-saude-mental-dos-adolescentes-reflexoes-a-partir-da-serie-adolescencia/ Fri, 11 Apr 2025 10:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50956 A adolescência é uma fase marcada por intensas transformações físicas, emocionais e sociais, nas quais ]]>

A adolescência é uma fase marcada por intensas transformações físicas, emocionais e sociais, nas quais os jovens buscam compreender a própria identidade e estabelecer conexões significativas com o mundo ao seu redor. Em tempos modernos, as mídias digitais desempenham um papel central nesse processo, oferecendo tanto oportunidades quanto riscos ao desenvolvimento psíquico e social. Para muitos adolescentes, as redes sociais não são apenas um espaço de convivência, mas um refúgio emocional e uma plataforma para construir e expressar suas identidades. É nesse contexto que surge um delicado paradoxo: ao mesmo tempo em que as mídias digitais proporcionam um espaço para expressão e conexão, também podem desencadear processos de isolamento, radicalização e prejuízos à saúde mental.

A série da Netflix ‘Adolescência’ provoca uma reflexão contundente sobre os impactos da radicalização e do uso problemático das redes sociais entre jovens. Para entender melhor esse processo, podemos nos basear no livro ‘Handbook of Adolescent Digital Media Use and Mental Health’, organizado por Nesi, Telzer e Prinstein (2022), que apresenta uma análise teórica aprofundada sobre como as plataformas digitais podem influenciar a saúde mental dos adolescentes. A convergência entre a ficção e a realidade evidencia como os adolescentes podem ser tragados por dinâmicas digitais que moldam identidades frágeis e em formação.

O livro explora como as mídias digitais influenciam a formação identitária por meio de processos psicológicos fundamentais: introspecção, narrativa pessoal e diálogo. A introspecção, que deveria ser um exercício de autoconhecimento, torna-se nas redes sociais, muitas vezes, um ciclo de ruminação e reforço de pensamentos negativos, especialmente quando realizada em espaços digitais permeados por discursos extremistas. Fóruns radicais e comunidades fechadas reforçam preconceitos e ampliam sentimentos de revolta e inadequação, validando percepções distorcidas e intensificando emoções negativas. A narrativa pessoal, por sua vez, envolve a construção de histórias que representam a forma como os jovens se percebem e se apresentam ao mundo. Contudo, quando essa expressão depende excessivamente de curtidas, comentários e validações digitais, há o risco de consolidar identidades frágeis e suscetíveis à manipulação externa. O diálogo digital é um espaço para o confronto de ideias e a construção de perspectivas diversas. No entanto, muitas vezes ele se transforma em bolhas de opinião e câmaras de eco que reforçam convicções perigosas, reduzindo a capacidade de empatia e comprometendo o desenvolvimento saudável da identidade.

A série ‘Adolescência’ traz à tona a jornada de Jamie Miller, um adolescente que, ao enfrentar o isolamento social e o bullying, busca refúgio nas redes digitais. No entanto, em vez de encontrar suporte, ele se depara com conteúdos que reforçam uma masculinidade tóxica e discursos de ódio, levando-o a um processo de radicalização. Uma cena mostra Jamie criando um diário digital onde compartilha pensamentos sombrios, expressando sua frustração e seu desejo de aceitação. A presença constante de mensagens extremistas distorce sua capacidade de reflexão crítica e alimenta um senso de injustiça e ressentimento. A criação de vídeos e textos em fóruns radicais reforça uma identidade negativa e fortalece um ciclo de ódio e isolamento, enquanto o contato com colegas e amigos se torna cada vez mais distante e conflituoso.

Esse processo reflete diretamente as teorias discutidas no livro, mostrando como o diálogo digital, quando restrito a bolhas de opinião, se converte em um ambiente de eco que reforça convicções perigosas e limita a empatia. O ambiente digital se torna um terreno fértil para a radicalização, onde as emoções são manipuladas por discursos polarizados e narrativas agressivas. No entanto, a realidade mostrada na série não é apenas um alerta sobre os perigos das mídias digitais, mas também uma reflexão sobre a falta de apoio emocional e intervenções adequadas que poderiam ter evitado o aprofundamento do sofrimento de Jamie, tanto em casa, quanto na escola e nos lugares da comunidade frequentado pelo jovem.

Para profissionais da saúde mental, pediatras e educadores, a análise conjunta da série e do livro evidencia a urgência de criar estratégias que favoreçam o uso responsável das mídias digitais pelos adolescentes. Isso inclui fomentar discussões abertas com jovens e suas famílias sobre os riscos e as armadilhas emocionais das redes sociais, incentivando práticas que valorizem a autenticidade e o senso crítico. Também é fundamental compreender os sinais de isolamento e comportamentos radicais como possíveis manifestações de um processo de vulnerabilidade emocional agravada pelas interações digitais.

Assim, somos todos desafiados a repensarmos o papel das mídias digitais na vida dos adolescentes, enfatizando que a tecnologia, em si, não é um vilão ou uma solução mágica, mas um recurso que precisa ser compreendido e manejado com cautela. Para mitigar os danos e potencializar os benefícios, é essencial que educadores, pais e profissionais de saúde promovam o diálogo aberto, a escuta ativa e o apoio emocional, para que as experiências digitais possam ser aproveitadas de maneira positiva e segura.

 

Relatora:
Bianca Seixas Soares Sgambatti
Membro do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo

]]>
Nosso cérebro ancestral https://spsp.org.br/nosso-cerebro-ancestral/ Fri, 04 Oct 2024 19:04:21 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48315 ]]>

Vovó dizia que ficava toda “pimpona” quando recebia um elogio. Ela gostava muito, pois sentia-se reconhecida, ficava alegre. Se o elogio era feito na presença de alguma testemunha, tinha um sabor muito mais gostoso. Afinal, quem não gosta de um “like”, como os jovens dizem hoje. 

Nossos filhos são jovens, mas o cérebro deles é ancestral. Ele é geneticamente programado para adquirir informação e receber uma “recompensa” – sob a forma de uma pequena dose de dopamina (é um neurotransmissor, uma substância química que transmite informações do cérebro para as demais partes do corpo e é conhecida como um dos “hormônios da felicidade”) – cada vez que consegue. A indústria do setor digital, com absoluta lucidez, explora essa vulnerabilidade da psicologia humana.

Esse sistema de recompensa é que mantém cativos os usuários nas redes sociais. Basta criar um mecanismo de liberação regular de dopamina em seus cérebros. O Facebook faz isso ao estimular o seu like em resposta a uma mensagem ou foto publicada (nós pensamos que fazer isso é uma atitude educada!). Isso retroalimenta o mecanismo, levando-o a contribuir cada vez mais e assim receber mais comentários e likes, um encadeamento sem fim. Sempre é bom recordar que esse mecanismo de recompensa é o mesmo que determina o vício de qualquer outra etiologia (cigarro, drogas, bebida, sexo, etc.).

Athena Chavarria, que trabalhou no Facebook, disse: “Estou convencida de que o diabo mora em nossos smartphones e está destruindo nossos filhos”. O desabafo pode ser exagerado, mas tem o mérito de soar como um alarme necessário.

A cada dia, em média, os indivíduos que possuem smartphones, adultos e adolescentes, submetem-se a algo entre 50 a 129 interrupções em sua atenção, ou seja, uma a cada 7 ou 20 minutos, durante o tempo em que estão acordados. O estímulo para verificar se alguma mensagem chegou ou se há uma informação nova vem do som do aparelho ou, simplesmente, pela vontade interna do usuário em saber o que está acontecendo. A simples presença do aparelho, ao alcance dos olhos, pode gerar essa curiosidade. Inconscientemente, tememos deixar passar uma informação vital, ou apenas queremos nos deleitar com mais uma dose de dopamina. Esse mecanismo, atualmente, recebeu o acrônimo FoMO (Fear of Missing Out – medo de perder alguma coisa).

Uma quantidade crescente de estudos mostra que os comportamentos de multitasking (realização de múltiplas tarefas), associadas às incessantes solicitações do mundo digital (em especial as redes sociais), contribuem negativamente para a fixação de dados na memória, no processo de aprendizagem, déficit de atenção e interferem no estabelecimento de hábitos comportamentais prejudiciais. O cérebro humano fica mais vulnerável quando submetido a esses estímulos continuados, especialmente na infância e adolescência, os quais agem negativamente sobre o desenvolvimento cerebral.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

]]>
Adolescentes e redes sociais https://spsp.org.br/adolescentes-e-redes-sociais/ Sun, 30 Jun 2024 10:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=46814 ]]>

Em 30 de junho comemora-se o Dia Mundial das Redes Sociais. As tecnologias de informação e comunicação vêm alterando a maneira de ser e de viver da sociedade e das famílias, configurando-se uma verdadeira revolução na organização social, que diminuiu as distâncias e otimizou o tempo. É natural que pais e educadores de adolescentes, diante desse tema tão complexo, tenham preocupações relativas à segurança sobre o uso dos dispositivos tecnológicos e das novas mídias pelos jovens. O computador ou, mais modernamente, um dispositivo que caiba na mão, como o smartphone (que proporcione a mesma plena experiência de navegação), é um dos bens de consumo mais disseminados e desejados hoje em dia.

Para refletir sobre a maneira como os adolescentes interagem com este mundo e como os responsáveis pelo cuidado e educação desses jovens se posicionam e estabelecem normas para essa interação, é necessário destacar algumas premissas:

  1. Violências, como racismo, homofobia, misoginia, injúria, calúnia ou difamação, dentre tantos outros, são crimes, seja no ambiente on-line ou off-line.
  2. Desde que o mundo é mundo, pais querem (e devem) saber com quem seus filhos estão se relacionando.
  3. Regras e valores existem no mundo e na casa e a tecnologia é apenas mais um componente a ser regrado.

Poderíamos terminar nossas reflexões por aqui: falando que o papel mais importante dos pais e educadores dos dias de hoje é o estímulo para conhecerem juntos aos seus adolescentes esse campo de possibilidades que tem se aberto com o uso das tecnologias.

Vivemos em uma era diferente: inundados por um excesso de informações, submersos num mar de possibilidades e de cliques de fotos, textos, conversas e produtos. É um grande equívoco querer medir esse fenômeno com uma perspectiva saudosista e “tecnofóbica”, quando “tudo antes era melhor”. Por outro lado, é falha a perspectiva de idolatria à tecnologia que considera que todas as necessidades do mundo irão se resolver. Extremos perigosos.

Preferimos ir pelo meio: o mundo virtual e digital está aí, nas nossas mãos e de nossos adolescentes. A internet não é a rede mundial de computadores, a internet é a rede mundial de pessoas conectadas atrás de cada computador.

Indivíduos em grupos tendem a agir de maneira diferente do que fariam isoladamente, muitas vezes adotando comportamentos e crenças do próprio grupo. Um ponto de destaque da relação entre as redes sociais e as características contemporâneas é a “normalização de comportamentos”. De uma maneira bem simples, significa que um comportamento gerado numa rede social passa a ser compreendido pelos seus participantes como habitual e comum. Surpreende-nos o número de curtidas em comunidades que ensinam comportamentos alimentares restritivos e purgativos escondidos dos pais, desafios perigosos de asfixia ou outros hábitos pouco saudáveis de vida. A normalização de comportamentos em redes sociais é um fenômeno influenciado pela busca de aprovação social, pela dinâmica de comportamento de grupo e pelas características intrínsecas das plataformas digitais. Este processo de “normalização” pode ter implicações significativas, tanto positivas quanto negativas, para a sociedade. Por um lado, pode promover a solidariedade e o apoio mútuo; por outro, pode levar à disseminação de comportamentos prejudiciais ou estimuladores de preconceitos e divisões.

O fenômeno do “Fear of Missing Out” (FOMO), ou medo de estar perdendo algo, tornou-se uma questão significativa, especialmente entre adolescentes imersos nas redes sociais. Este conceito reflete a ansiedade e o desconforto gerados pela percepção de que outros podem estar vivenciando eventos, interações ou experiências das quais um indivíduo está ausente. Adolescentes, estando em uma fase crítica de desenvolvimento de identidade e pertencimento social, são particularmente vulneráveis a esse sentimento. A constante exposição a atualizações, fotos e vídeos de amigos e conhecidos participando de atividades aparentemente gratificantes pode criar uma sensação persistente de estar de fora, exacerbando sentimentos de solidão, insatisfação, ansiedade e depressão. Além disso, o FOMO pode contribuir para a deterioração da qualidade do sono, uma vez que muitos adolescentes permanecem on-line até tarde da noite, e para a diminuição da capacidade de concentração e desempenho acadêmico.

Os riscos on-line podem ser divididos em quatro categorias:

Riscos de Conteúdo: indivíduos são expostos a conteúdos indesejáveis e potencialmente prejudiciais (imagens sexuais, publicidade inapropriada, material racista, discriminatório, extremista, violento e fake news, por exemplo).

Riscos de Contato: o sujeito participa de comunicações arriscadas, como com um adulto buscando contato inapropriado, para fins sexuais ou persuasões para participar em comportamentos perigosos.

Riscos de Conduta: quando uma criança ou adolescente se comporta de maneira a contribuir para conteúdo ou contato arriscado, participando ou testemunhando condutas potencialmente danosas (cyberbullying, trollagens, “cancelamentos” e todos os atos com o intuito de causar constrangimento público).

Riscos de Contrato: quando o adolescente “aceita” os termos e condições de um provedor de serviços digitais (marketing exploratório para a idade, roubo de dados, entre outros).

Pais, educadores e profissionais de saúde têm um papel fundamental para as mediações com os adolescentes, para boas escolhas nesses tempos de mobilidade e interação. E nesse contexto, devem orientar, mesmo que se sintam distantes das habilidades tecnológicas, que são eles, os adolescentes, protagonistas da discussão sobre respeito, liberdade, cuidado de si e do próximo, tolerância e diálogo. E, ao enfrentar essas questões, não apenas os adolescentes podem se sentir mais satisfeitos e seguros em sua vida social, mas também capacitados em sua autonomia para construir relações off-line mais autênticas e significativas.

 

Relatores:
Benito Lourenço
Maíra Pieri Ribeiro
Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

]]>
Dia Internacional das Redes Sociais – uma carta aberta aos adolescentes https://spsp.org.br/dia-internacional-das-redes-sociais-uma-carta-aberta-aos-adolescentes/ Fri, 30 Jun 2023 12:17:55 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=38046 Você digita a mil por hora com um dedo, dois dedos, passa e rola a imagem, tic toc, tic, tac. Suas mensagens são rápidas, em toques velozes, quase sem tocar a tela]]>

Você digita a mil por hora com um dedo, dois dedos, passa e rola a imagem, tic toc, tic, tac. Suas mensagens são rápidas, em toques velozes, quase sem tocar a tela. Você passa o dia ouvindo áudios, conversando, jogando. Vive na nuvem – e se perde nas nuvens. Talvez você não tenha ideia, mas há muito pouco tempo, toda mensagem era na forma de bilhetes, cartas escritas à mão. O telefone servia para conversar e não para telemarketing. O celular não existia, os jogos eram de cartas e dados. Mas você nasceu na geração internética ou internáutica. Aprendeu a escrever no iPad e fazer contas de matemática nos jogos de computador. Você escuta seus áudios em velocidade 2x para não perder tempo.

A rede de amigos é muito maior que a do grupo da escola. A sua rede alcança o mundo e, com eles, você se conecta à velocidade 5G. E quando a velocidade não te alcança, a culpa é de um wifi sem capacidade, sem possibilidade de manter um jogo decente sem cair.

Você usa seu celular para tudo e ele quase faz parte do seu corpo. Usa-o para a resposta da pergunta do professor, para o seu caminho ser mais rápido e para a sua foto ser harmonizada com a sua vontade.

Mas estamos aqui conversando tudo isto (sim, já sei que você não lê textos longos, mas a diretora me mandou escrever com 2000 palavras e você vai me perdoar) simplesmente porque dia 30 de junho é o Dia Internacional da Rede Social.

Bom, tem dia para tudo, não é mesmo? Então, por que não o dia em que eu comemoro a possibilidade de usar uma rede para saber tudo o que seus amigos estão fazendo a todo momento? Temos a rede para postar fotos, a rede dos vídeos e a do seu canal do YT. E apesar de tímido(a), você não deixa de olhar todas as dancinhas da moda e até a adolescente que canta besteiras no show. Pensando bem, sem rede de apoio, sem uma rede de amigos virtuais, sem você saber “qual a última da Taylor”, o último batidão e o último meme do seu time (que sempre perde), você se sente perdido(a).

Será que você já pensou que seus pais se ressentem de você conversar pouco com eles? (E você sabe que já falou tudo com seus amigos…). Seus pais devem viver contando como era no tempo deles e não faz tanto tempo assim. Mas pensa: eles viram a miniaturização do computador, a invenção do celular, da internet, da TV a cabo, do streaming, do carro elétrico e tanto mais. Você já nasceu na rede social.

Vamos te contar um pouco da história das redes sociais. A primeira rede social do mundo foi a SixDegrees, lançada em 1997, que permitia que os usuários criassem perfis, fizessem amigos e se conectassem com outras pessoas. Saiu do mercado em 2001.

Em 2002, o Friendster foi lançado e se tornou popular em países como Filipinas, Malásia e Cingapura. No mesmo ano, foi criado o Fotolog, que permitia que os usuários compartilhassem fotos e interagissem por meio de comentários. Entretanto, foi o lançamento do MySpace, em 2003, que realmente revolucionou a rede social. O MySpace permitiu que os usuários personalizassem seus perfis, compartilhassem músicas e se conectassem com amigos. A plataforma tornou-se rapidamente muito popular, com milhões de usuários em todo o mundo.

O Orkut, plataforma vinculada ao Google, surgiu em 2004, tornando-se uma das redes sociais mais populares do mundo durante seu auge, com mais de 300 milhões de usuários em todo o planeta. Sua concentração inicial era no público norte-americano, mas rapidamente adquiriu popularidade no Brasil e na Índia, tornando-se a principal rede social para muitos usuários nesses países. Os usuários podiam criar perfis, adicionar amigos, enviar mensagens, compartilhar imagens e participar de comunidades temáticas

Por concorrência com a nova rede Facebook, de Zuckerberg, em 2014 foi totalmente desativada. Em 2004, Mark Zuckerberg e seus colegas de quarto em Harvard criaram o Facebook. Restrito no início apenas a estudantes universitários, rapidamente se espalhou para outras instituições de ensino e, mais tarde, para o público em geral, tornando-se a maior rede social do mundo.

Em 2006, o Twitter foi lançado, introduzindo o conceito de mensagens curtas, (os “tweets”). Ganhou popularidade como uma plataforma de microblogging, permitindo que os usuários compartilhassem pensamentos e notícias em tempo real.

Outra rede social icônica é o LinkedIn, fundada em 2003 e lançada em 2004, que se concentra em conectar profissionais e estabelecer contatos comerciais.

O Instagram, plataforma que permite compartilhar fotos e vídeos, foi lançada em 6 de outubro de 2010. Seu desenvolvimento foi bastante rápido, levando apenas oito semanas antes de ser lançado no sistema operacional móvel da Apple. Em menos de dois anos, em abril de 2012, o Facebook adquiriu o Instagram por US$ 1 bilhão, em dinheiro e ações.

Desde então, o Instagram cresceu em popularidade e se tornou uma das maiores plataformas de mídia social do mundo, com milhões de usuários ativos diariamente.

O YouTube foi fundado em fevereiro de 2005 por três ex-funcionários do PayPal: com o objetivo de permitir que os usuários compartilhassem vídeos on-line. Com sua popularização, tornou-se uma plataforma para os criadores de conteúdo ganharem dinheiro por meio de anúncios e parcerias com marcas, além de auxiliar artistas, músicos e influenciadores digitais a alcançar um público global.

O TikTok foi lançado em setembro de 2016 pela empresa chinesa ByteDance. Em 2017, o aplicativo foi lançado globalmente como uma plataforma de compartilhamento de vídeos curtos, ganhando popularidade rapidamente, especialmente entre os jovens.

Uma das características distintivas do TikTok é seu algoritmo de recomendação, que exibe vídeos personalizados para cada usuário com base em suas preferências e comportamento de visualização.

Outras redes sociais populares que surgiram ao longo dos anos incluem Snapchat, Pinterest e muitas outras.

Todos conhecem bem os benefícios que se tem com as redes sociais. Viajar pelo mundo através da internet, conhecer e reencontrar pessoas, o trabalho home office, ensino remoto, cursos, entretenimentos, pesquisas, respostas imediatas a qualquer tipo de questionamento. E ainda temos a AI (inteligência artificial), que nos faz sonhar em resolver problemas só conversando com as máquinas)!

Recentemente, com a pandemia da Covid-19, a rede social foi a forma de encontro entre pais, filhos e avós, permitindo que participássemos de eventos, aniversários, diminuindo a distância e a saudade imposta pelo momento.

Mas como nem tudo são benefícios, existem alguns prejuízos que você não pode deixar passar despercebidos, como a falta do contato físico: o beijo, o abraço, o aconchego.

O isolamento dos adolescentes em seus quartos, no seu mundinho, faz com que os pais não tenham acesso ao que é visto, deixando-os mais exposto às notícias falsas (fake news), uso inadequado da imagem, uso e abuso da sexualidade, bullying, cyberbullying (abuso) e até ao estupro virtual.

Você que acha que não vive fora da tela, longe de seu celular, lembre sempre dos problemas de saúde pelo abuso do uso da internet, como a dependência das telas, levando a problemas do sono, irritabilidade, ansiedade, depressão, transtornos alimentares, sedentarismo (falta de atividade física), sobrepeso, obesidade, alteração de colesterol, triglicérides e problemas visuais.

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda o menor número de horas de tela possível: tolerância zero para crianças de zero a 2 anos; apenas 1 hora para crianças de 2 a 5 anos; 2 horas para crianças de 5 a 10 anos e 3 horas para adolescentes de 10 a 18 anos. Lembrar que quando se fala em telas, significa celular, computadores, tablets, televisão, videogame. Seu uso deve ser dividido entre estudo e trabalhos escolares e o lazer.

De alguma forma os familiares têm de ter algum controle e os sites visitados têm que ser vistos pelos pais, até mesmo para orientação do conteúdo visitado e bloqueio de sites inadequados para a idade.

Bem, agora você já sabe que é membro de uma rede mundial, e mesmo que muito atrativa, não é seu mundo total. Que tal fazer uma reflexão após tudo isso que acabou de ler?

Com um click você conhece o mundo, pessoas, coisas que nunca imaginou, mas já parou para se olhar? Você se conhece bem? Conhece as pessoas que mais ama e convivem com você?

Quantas vezes você está triste e posta como se fosse a pessoa mais feliz do mundo? Pra quê? Por quê? Você seguramente não é a única pessoa que faz isto.

Seja você mesmo(a), “se aceite” com seus erros e acertos, abrace, beije, ame, seja feliz!

Existe todo um mundo real a ser descoberto, tocado e sentido. Uma rede real de amigos e familiares que aguardam ansiosamente por ter você mais presente.

 

Relatores:

Mauro Fisberg
Coordenador do CENDA (Centro de Excelência em Nutrição e Dificuldades Alimentares do Instituto PENSI, FJLES, Sabará Hospital Infantil)
Professor Associado Doutor do Setor de Medicina do Adolescente, Pediatria, Escola Paulista de Medicina UNIFESP
Membro do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Maíra Pieri Ribeiro
Coordenadora e fundadora do Ambulatório de Hebiatria da PUC Campinas Professora de Pediatria da Faculdade São Leopoldo Mandic (SP)
Membro do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Elisiane Elias Mendes Machado
Coordenadora da Saúde da Criança e do Adolescente de Osasco (SP)
Vice-Presidente do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

]]>
Um “caldeirão de palavras” https://spsp.org.br/um-caldeirao-de-palavras/ Thu, 30 Jun 2022 11:55:27 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=33155 ]]>

Instagram, Facebook, YouTube, WhattsApp, Tik Tok, Messenger, Linkedin, Pinterest, Twitter, Snapchat, Wechat, Douyin, Sina Weibo, Telegram, Kuaishou, Reddit… Estas são algumas das mais famosas redes sociais espalhadas pelo mundo. Desde meados da década de 1990, a internet teve um enorme impacto sobre a cultura e o comércio mundiais, provindos pelo aumento da comunicação através de e-mailsmensagens instantâneas, “telefonemas” VoIP, chamadas de vídeo interativas, com a World Wide Web e seus fóruns de discussãoblogsredes sociais e sites de compras online. Quantidades crescentes de dados são transmitidos em velocidades cada vez mais elevadas.

O mundo ficou menor por causa deste extraordinário meio de comunicação entre os seres humanos.  Claro que há sempre o “lado bom e o lado ruim”.  Não é o escopo deste artigo fazer uma análise aprofundada sobre o tema. Queremos ressaltar apenas alguns aspectos que não podemos relegar para um segundo plano:

  1. O bom uso dessa ferramenta requer maturidade emocional, por isso, crianças, em especial, necessitam ser “educadas” no uso dessa ferramenta. Isso pressupõe que o celular, um tablet ou um computador não são “brinquedos”. São ferramentas educacionais, instrumentos de interação social, linguagem de inserção no mercado de trabalho.
  2. As redes sociais são um grande “espaço público”. Sua privacidade está exposta. Nessa ágora moderna, cada imagem ou palavra, ganha status de “eternidade”. Elas são “armas” ou “armadilhas”, se usadas inadequadamente.
  3. A omissão de pais ou responsáveis na supervisão e na educação de seus filhos para com o uso dessa ferramenta é inadmissível. O preço dessa omissão pode ser muito alto.
  4. A adicção por Internet é a nova doença deste século, isto porque as mídias sociais têm o mesmo potencial para viciar que as drogas, o álcool e o cigarro. Nos Estados Unidos, é empregado o termo fear of missing out que, em português, significa “medo de ficar de fora”. Por isso, as pessoas passam horas em “atualizações de status”, um hábito que, além de prejudicial à mente, nada lhes acrescenta. Os efeitos do consumo descontrolado de redes sociais não se limitam somente ao gasto de um tempo que poderia ser dedicado a outras tarefas. Mais do que isso: se não tratada, a adicção à Internet resulta em prejuízos emocionais significativos e pode aumentar a vulnerabilidade aos seguintes problemas: impulsividade; ansiedade excessiva; transtornos de humor; consumo de substâncias; hostilidade e comportamento agressivo; transtorno de déficit de atenção e hiperatividade; solidão, baixa autoestima e tendência a atitudes suicidas; cyberbullying.
  5. O uso saudável das mídias sociais envolve os seguintes cuidados:  limitar o tempo de exposição; priorizar páginas que agreguem valor; evitar a exibição de intimidades na Internet; filtrar a fonte e avaliar a veracidade das informações divulgadas; não espalhar memes nem conteúdos de cunho preconceituoso ou imoral; estimular o respeito ao próximo e não disseminar o cyberbullying; monitorar os sites que as crianças e adolescentes costumam visitar.

Dia 30 de junho se comemora o Dia Mundial das Redes Sociais.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: 9k_gCYLoH2g_jeremy-bezanger I unsplash

 

 

]]>
Um alerta sobre a trend da vez: dry-scooping https://spsp.org.br/um-alerta-sobre-a-trend-da-vez-dry-scooping/ Fri, 22 Oct 2021 14:57:23 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=30158 A palavra “trend”, ou tendência, seria um “Desafio” que viraliza nas redes sociais, estimulando outros usuários a repetir tal comportamento. A tendência da vez, na rede social TikTok, é conhecida como “dry-scooping”. ]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 22/10/2021


A palavra “trend”, ou tendência, seria um “Desafio” que viraliza nas redes sociais, estimulando outros usuários a repetir tal comportamento.

A tendência da vez, principalmente na rede social TikTok, é conhecida como “dry-scooping”. Tal desafio consiste em ingerir o pó para preparo de “shakes” pré-treino sem diluí-lo. Supostamente, essa prática traria benefícios, uma vez que a ingestão do pó seco promove uma absorção mais rápida dos componentes do produto, potencializando seus efeitos. E é exatamente aí que mora o perigo.

Os produtos pré-treino, em geral, contêm grandes quantidades de aminoácidos e cafeína. Com a absorção mais rápida do pó, além de aumentar os riscos de problemas renais, os efeitos colaterais da cafeína ficam mais intensos, causando crises de ansiedade, cefaleia, náuseas, dor no peito, taquicardia e arritmias. E se já não bastasse isso, existe o risco de asfixia e sufocação pela aspiração do pó.

Se lembrarmos que tais “shakes” pré-treino são direcionados ao público adulto, fica claro que seu uso inadequado se torna ainda mais perigoso se praticado por adolescentes e crianças, frequentadores assíduos de redes sociais como o TikTok e muito influenciados pelos “Desafios”.

A Academia Americana de Pediatria já se pronunciou a respeito dos riscos do “dry-scooping” e a SPSP reitera esse alerta aos pais, informando os riscos de tal prática e lembrando que o consumo de produtos pré e pós-treinos devem ser feitos sempre sob orientação médica ou de nutricionista.

Aproveitamos a oportunidade também para lembrar que todo acesso de crianças à internet deverá ter a supervisão de um adulto capaz de filtrar e orientar sobre os conteúdos presentes na rede. E reforçar aos pais de adolescentes que estar disponível ao diálogo é muitas vezes a melhor forma de prevenção.

Relatora:
Regina Carnaúba
Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: taras malyarevich | depositphotos.com

]]>