Recém-nascido – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 15 Aug 2025 18:32:44 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Recém-nascido – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Importância do pré-natal https://spsp.org.br/importancia-do-pre-natal/ Fri, 15 Aug 2025 18:19:14 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52754 ]]>

No Dia da Gestante, celebrado em 15 de agosto, é imprescindível abordarmos a importância do pré-natal para a mãe e seu bebê.

Durante a gestação, a mulher passa por intensas transformações físicas, emocionais e sociais, que podem influenciar o seu bem-estar e o desenvolvimento do bebê. O pré-natal é uma oportunidade valiosa para monitorar a saúde da gestante, detectar precocemente possíveis complicações e promover hábitos saudáveis em benefício tanto da mãe quanto da criança.

Nas consultas periódicas, o obstetra avalia o progresso da gravidez, solicita e analisa o resultado de exames laboratoriais e de imagem e oferece orientações sobre nutrição, atividade física e bem-estar emocional, entre outros. A detecção precoce de condições como anemia, diabetes gestacional, hipertensão arterial ou infecções pode ser decisiva para a saúde do binômio mãe-bebê, pois muitos problemas podem ser tratados de forma eficaz se identificados a tempo.

O pré-natal também tem papel educativo. Durante as consultas, as gestantes devem ser informadas sobre as mudanças que ocorrem em seus corpos, os cuidados necessários para uma gestação saudável e os sinais de alerta a serem observados. Isso contribui para as mães se sentirem mais seguras e preparadas para enfrentar os desafios da gravidez e do parto. A orientação sobre a importância da alimentação equilibrada, do repouso adequado e da prática de atividades físicas seguras é essencial para a manutenção da saúde.

A gravidez é um período repleto de ansiedades e preocupações, e o apoio psicológico é fundamental para ajudar a gestante a lidar com essas questões. Profissionais de saúde podem oferecer suporte emocional, abordando temas como o medo do parto e a adaptação à nova vida. Isso é particularmente importante, pois a saúde mental da mãe está diretamente relacionada ao desenvolvimento do bebê.

Durante o pré-natal, é importante que seja elaborado um “plano de parto”, uma ferramenta importante que permite que a gestante expresse suas preferências sobre o trabalho de parto e o nascimento. Durante as consultas de pré-natal, as gestantes podem discutir suas expectativas e preocupações com o obstetra, incluindo opções de alívio da dor, preferências sobre intervenções, ambiente do parto, cuidados imediatos com o bebê, como o contato pele a pele e a amamentação logo após o nascimento. Ter um plano de parto ajuda a gestante a se sentir mais segura e preparada, além de facilitar a comunicação com a equipe da maternidade.

Por outro lado, é importantíssimo que a grávida siga as recomendações médicas. Isso inclui não apenas comparecer às consultas de pré-natal, mas também seguir as orientações sobre medicamentos, vacinas e hábitos de vida saudáveis. A automedicação, por exemplo, pode representar riscos sérios tanto para a mãe quanto para a criança em desenvolvimento. As gestantes devem consultar seus médicos antes de tomar qualquer medicação ou suplemento, por mais comum que seja. Do mesmo modo, a gestante deve ser informada sobre os malefícios do consumo de álcool, por menor que seja, para si mesma e, principalmente, para o bebê em desenvolvimento, e orientada a abster-se de qualquer quantidade de bebida alcoólica durante toda a gestação e a lactação.

A adesão às orientações médicas também se estende ao cuidado com a saúde bucal e à realização de exames laboratoriais e de imagem, como ultrassonografias. A saúde bucal, em particular, tem sido correlacionada com a saúde geral da gestante, e cuidados adequados nessa área podem prevenir problemas que afetam tanto a mãe quanto o bebê. Esses exames ajudam a monitorar o desenvolvimento do feto, permitindo que os profissionais identifiquem possíveis anomalias ou complicações.

Também é imprescindível que a gestante receba apoio da família e da comunidade. A participação do parceiro e de outros membros da família no processo de pré-natal pode promover um ambiente mais seguro e acolhedor, além de ajudar a mãe a sentir-se mais amparada. O envolvimento da família nas consultas e no aprendizado sobre o que esperar durante a gravidez e após o nascimento do bebê é fundamental para o sucesso dessa experiência.

Finalmente, lembramos a consulta pré-natal com o pediatra, que deve ocorrer por volta da 32ª semana de gestação. Ela é um complemento importante à atuação do obstetra, pois permite que os pais recebam informações essenciais sobre cuidados com o bebê, vacinas e sinais de alerta de problemas de saúde. Essa consulta ajuda a identificar riscos, proporciona orientações sobre amamentação e desenvolvimento, e estabelece um relacionamento de confiança entre os pais e o pediatra, facilitando o acompanhamento da saúde da criança desde o nascimento. Além disso, preparar os pais para os desafios iniciais da paternidade pode garantir um ambiente mais saudável e seguro para o recém-nascido.

Em outras palavras, o pré-natal e o cumprimento das recomendações médicas são essenciais para garantir a saúde da gestante e do bebê. Esses cuidados não apenas promovem um desenvolvimento saudável durante a gestação, mas também preparam a mãe para a maternidade e ajudam a estabelecer um vínculo afetivo com o recém-nascido. O pré-natal é, portanto, um investimento no futuro, pois uma gestação saudável resulta em um bebê mais forte e em melhores condições para enfrentar os desafios da vida. Assim, é fundamental que todas as gestantes tenham acesso a esses cuidados e sejam encorajadas a buscar e seguir as orientações médicas ao longo de toda a gravidez.

 

Saiba mais:

– Ministério da Saúde do Brasil. (2021). Cuidado pré-natal: manual de orientações. chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://sogirgs.org.br/pdfs/manual_assistencia_gestante_2021.pdf (atualização do Manual de 2016, publicado durante a pandemia: chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cadernos_atencao_basica_32_prenatal.pdf)

– Organização Mundial da Saúde (OMS). (2016). Diretrizes sobre cuidados durante a gravidez e o parto. chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/250800/WHO-RHR-16.12-por.pdf?sequence=2&isAllowed=y

Do original em inglês:

chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/250796/9789241549912-eng.pdf?sequence=1

 

Relator:

Corintio Mariani Neto
Membro do Departamento Científico de Ginecologia e Obstetrícia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

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Por uma maior conscientização sobre a prematuridade https://spsp.org.br/orientacao-aos-pais-sobre-dislexia-entendendo-e-apoiando-seu-filho-2/ Sun, 17 Nov 2024 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48922 O dia 17 de novembro, considerado o Dia Internacional de Conscientização Sobre Prematuridade, foi criado por organizações de mães na Europa e pela European Foundation for the Care]]>

O dia 17 de novembro, considerado o Dia Internacional de Conscientização Sobre Prematuridade, foi criado por organizações de mães na Europa e pela European Foundation for the Care of Newborn Infants (EFCNI) em 2008. Em 2010, a organização norte-americana March of Dimes, a organização africana LittleBigSouls, a Australian National Preemie Foundation e a EFCNI se juntaram para celebrar esse dia especial.

Desde 2011 é designado o Dia Mundial da Prematuridade e, desde então, vem abarcando mais e mais países no mundo. Em 2013 eram 60 e em 2019 já tinham mais 100 países, em que grupos de pais, famílias, profissionais de saúde, políticos, hospitais, organizações e outras partes interessadas envolvidas no nascimento prematuro realizam campanhas de mídia, eventos locais e outras atividades em níveis local, regional, nacional ou internacional para conscientizar o público.

O dia foi ampliado para todo o mês de novembro, sendo escolhido o roxo, por simbolizar sensibilidade e individualidade, características que são muito peculiares aos recém-nascidos pré-termos. O roxo também significa transmutação, ou seja, mudança, transformação.

O número de bebês prematuros no mundo ainda é muito elevado, segundo a Organização Mundial da Saúde. Em 2020, aproximadamente 13,4 milhões de bebês nasceram prematuros no mundo, representando mais de 10% de todos os nascimentos. No Brasil, em 2023, a ocorrência desses nascimentos chegou a cerca de 301.718 (11,9% dos nascidos vivos), sendo equivalente a 840 por dia.

O Novembro Roxo é o mês dedicado às ações de sensibilização voltadas para prevenir ou minimizar o nascimento prematuro, já que é atualmente uma das principais causas de óbito no período neonatal e entre crianças menores de cinco anos.

Durante esse mês são realizadas atividades e mobilizações direcionadas ao enfrentamento do parto prematuro, com foco na prevenção do nascimento antecipado e na conscientização sobre os riscos envolvidos, bem como na assistência, proteção e promoção dos direitos dos bebês prematuros e suas famílias.

O parto prematuro pode, em grande parte, ser prevenido com um pré-natal adequado e iniciado precocemente. A detecção de problemas maternos, que podem desencadear o parto prematuro, deve ser feita durante as consultas de pré-natal, incluindo avaliação de exames clínico-laboratoriais, que estão disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde. Um atendimento adequado no pré-natal já irá diminuir o número de bebês que nascem antes de 37 semanas de idade gestacional.

Em alguns casos, mesmo realizando um pré-natal adequado, o bebê pode nascer prematuro, seja por doenças maternas graves ou por problemas do próprio bebê. Nesses casos eles deverão nascer em hospitais que tenham Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), possibilitando o cuidado adequado para esses pequenos pacientes.

Os problemas da prematuridade vão além do baixo peso, um prematuro precisa de cuidados especiais na UTI, o que aumenta em três vezes o risco de morte e sequelas futuras para sua vida adulta. Observa-se que com os avanços tecnológicos dos últimos anos está aumentando a sobrevida de recém-nascidos cada vez mais prematuros, com possibilidade de sobrevida de bebês que nascem a partir de 24-25 semanas.

Essas crianças permanecem por um longo tempo internadas e, durante esse período, seus pais passam por vários graus de ansiedade e de medos. Medo da perda, de sequelas e depois, próximo da alta, o medo de cuidar em casa. Portanto, além da equipe da UTIN cuidar do recém-nascido, deve cuidar também da família, que irá necessitar de muito apoio e acolhimento. E progressivamente, de acordo com a evolução do bebê, ir estimulando os pais a participarem dos cuidados do dia a dia.

 

Relatora:
Lilian dos Santos Rodrigues Sadeck
Membro do Departamento Científico de Neonatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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9 de Setembro é o Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal https://spsp.org.br/9-de-setembro-e-o-dia-mundial-de-prevencao-da-sindrome-alcoolica-fetal/ Fri, 09 Sep 2022 18:46:45 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=34308 Atualmente, admite-se que o álcool (etanol) constitui a principal causa de retardo mental e de anomalias congênitas não hereditárias nos EUA]]>

Atualmente, admite-se que o álcool (etanol) constitui a principal causa de retardo mental e de anomalias congênitas não hereditárias nos EUA e que de 5% a 10% dos fetos expostos ao álcool durante a vida intrauterina apresentarão anormalidades de desenvolvimento.

No Brasil temos poucos dados estatísticos sobre esse tema, mas sabe-se que o consumo de álcool está aumentando entre os adultos jovens e, principalmente, mulheres. De todas as substâncias de abuso (incluindo cocaína, heroína e maconha), o álcool é a droga que produz os efeitos neurológicos, cognitivos e comportamentais mais graves no feto, sendo também o agente teratogênico fetal mais comum, ocasionando más-formações cardíacas, renais, microcefalia, faciais, entre outras, tendo se tornado uma epidemia silenciosa e um problema de saúde pública.

A Sociedade de Pediatria de São Paulo criou o Núcleo de Estudos dos Efeitos do Álcool na Gestante, no Feto e no Recém-Nascido há uma década, que agrega um grupo multiprofissional, cujo objetivo principal é estudar e divulgar para as mulheres em idade fértil, aos obstetras, pediatras e todos os profissionais de saúde os perigos da ingestão de qualquer dose de álcool na gestação e lactação.

No dia 9 do mês de setembro comemoramos o Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), para que toda a família que espera a chegada de um bebê, em especial a mãe que gera essa nova criança, lembre-se que durante a gravidez inteira não se deve consumir QUALQUER bebida que contenha teor alcoólico. Tolerância ZERO para a ingestão de álcool na gestação!

 

Relatora:

Helenilce de Paula Fiod Costa

Presidente do Núcleo de Estudos dos Efeitos do Álcool na Gestante, no Feto e no Recém-Nascido (SAF) da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: @stefamerpik / br.freepik.com

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Dia 06 de Junho – Dia Nacional do Teste do Pezinho! https://spsp.org.br/dia-06-de-junho-dia-nacional-do-teste-do-pezinho/ Mon, 06 Jun 2022 18:38:06 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=32846 ]]>

No dia 6 de junho é comemorado o Dia Nacional do Teste do Pezinho, data criada pelo Programa Nacional de Triagem Neonatal com o objetivo de conscientizar o público e os profissionais de saúde sobre a relevância do Teste do Pezinho, que no Brasil, é fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todas as suas unidades.

O teste do pezinho é um exame obrigatório, que deve ser realizado em todos os recém-nascidos, preferencialmente entre o 2º ao 7º dia de vida, a partir de gotas de sangue coletadas do calcanhar do bebê. É um teste de caráter preventivo, cujo objetivo principal é detectar distúrbios do metabolismo que podem não causar sintomas nos primeiros dias de vida, mas algumas delas, quando não são diagnosticadas e tratadas de forma precoce, podem ocasionar deficiência intelectual e, em casos mais graves, levar ao óbito. Com a detecção precoce dessas doenças pelo teste do pezinho, pode-se iniciar um tratamento específico, que permite diminuir ou eliminar possíveis lesões irreversíveis e até mesmo evitar a morte.

Esse ano temos muito a comemorar, pois entra em vigor a Lei nº 14.154, sancionada em 26 de maio de 2021, que amplia de 6 (fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, síndromes falciformes, fibrose cística, deficiência de biotinidase e hiperplasia adrenal congênita) para 50 o número doenças detectadas pelo teste do pezinho realizado pelo SUS.

A ampliação do Programa Nacional de Triagem Neonatal representa um grande avanço para a saúde pública do Brasil!

 

Relatora:

Lilian dos Santos Rodrigues Sadeck

Membro do Departamento Científico de Neonatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

Foto: Valmedia I depositphotos.com

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Novembro Roxo – Separação zero: aja agora! Mantenha pais e bebês prematuros juntos https://spsp.org.br/novembro-roxo-separacao-zero-aja-agora-mantenha-pais-e-bebes-prematuros-juntos/ Thu, 25 Nov 2021 16:39:13 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=30445 Em 2020, fomos todos atingidos pela pandemia da Covid-19. Por um ano, medidas restritivas foram necessárias e hospitais precisaram rever seus fluxos de entrada e saída de pacientes. ]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 25/11/2021


Em 2020, fomos todos atingidos pela pandemia da Covid-19. Por um ano, medidas restritivas foram necessárias e hospitais precisaram rever seus fluxos de entrada e saída de pacientes e acompanhantes. Inúmeras medidas foram tomadas para permitir a presença dos pais, sobretudo nas unidades de terapia intensiva neonatais, mas nem sempre foram suficientes. As gestantes acometidas pela doença que tiveram recém-nascidos prematuros não podiam circular durante o isolamento preconizado. Seus parceiros muitas vezes estavam doentes ou ainda cumprindo a quarentena necessária. As mães que desenvolveram formas mais graves da doença e necessitaram, elas mesmas, de UTI foram separadas de seus filhos por falta de condições clínicas. 2020 foi um ano de ruptura.

Em 2021, a bandeira SEPARAÇÃO ZERO tornou-se uma necessidade: é preciso voltar a falar não só da presença dos pais em tempo integral nas UTIs neonatais, prevista por lei. Além disso, é essencial que as ações para trazê-los de volta para dentro do hospital sejam resgatadas o mais precocemente possível. Cabe aos profissionais de saúde retomar as práticas de estimular e possibilitar o contato dos pais com o seu bêbê desde a primeira ida na UTI  neonatal. Nesse ambiente, acolhimento, humanização e contato norteiam a excelência do cuidado e não há espaço para  “trabalho remoto” e “ modelo híbrido”.

Estamos em um momento de reconstrução e retomada das boas práticas para muitas unidades. É importante relembrar que a presença dos pais deve ser encorajada. Precisamos fortalecer o papel dos pais como moduladores do bem-estar de seus filhos durante a permanência no hospital; valorizar o papel das mães como capazes de cuidar de seus filhos, esclarecer e evidenciar como elas podem atuar nesse lugar de incubadoras, monitores e alarmes; estimular o aleitamento materno e sua importância, ainda que não seja no modelo convencional de amamentação. 

A transparência nas conversas com as famílias permite alinhamento das expectativas em relação ao momento que o bebê poderá começar o contato pele-a-pele, início do treinamento da mamada ao seio. E gradativamente, profissionais de saúde e família criam o sentimento de autoconfiança para a mãe do prematuro e a segurança na programação da alta. A proximidade da equipe de saúde permite a identificação de fragilidades na rede de apoio que possam ser corrigidas, diminuindo eventuais riscos ao bem-estar do recém-nascido. 

Separação Zero pelo Prematuro para garantir uma alta feliz para o convívio com sua família.

Relatora
Maria Augusta Gibelli
Departamento Científico de Neonatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: serrnovik | depositphotos.com

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6 de junho – Dia do Teste do Pezinho: uma data para se comemorar! https://spsp.org.br/6-de-junho-dia-do-teste-do-pezinho-uma-data-para-se-comemorar/ Fri, 04 Jun 2021 20:40:54 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=28580 A detecção precoce de doenças é um investimento importante na saúde de nossas crianças, sendo realizada por meio dos testes de triagem disponíveis desde o nascimento.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 04/06/2021


A detecção precoce de doenças é um investimento importante na saúde de nossas crianças, sendo realizada por meio dos testes de triagem disponíveis desde o nascimento.

Dentre os testes de triagem neonatal, o Teste do Pezinho ganha destaque por identificar precocemente doenças que podem causar deficiência intelectual, anemia intensa e até a morte.

É realizado a partir de gotas de sangue do calcanhar do recém-nascido em papel de filtro, preferentemente entre 48-72 horas e 7 dias de vida. Quando resulta anormal, uma nova amostra é coletada e, se o exame confirmatório estiver alterado, o paciente é encaminhado para a investigação da doença em questão.

Atualmente, no estado de São Paulo, o teste do pezinho detecta sete doenças:

  1. Hipotireoidismo congênito: resulta no atraso do desenvolvimento neuropsicomotor, alterações cardíacas e na pele, cujo tratamento é a reposição do hormônio da tireoide.
  2. Fenilcetonúria: gera deficiência mental e é tratada com dieta isenta do aminoácido fenilalanina.
  3. Hemoglobinopatias: a anemia falciforme costuma ser intensa, causar inchaço nas articulações e infecções, sendo fundamental o diagnóstico precoce.
  4. Fibrose cística: causa infecções respiratórias de repetição, atraso no crescimento e diarreia; o tratamento inclui enzimas pancreáticas, vitaminas e fisioterapia respiratória.
  5. Hiperplasia congênita de suprarrenal: pode se manifestar com a virilização de genital externo ou desidratação importante, sendo amenizados com tratamento com esteroides.
  6. Deficiência de biotinidase: causa convulsão, redução do tônus muscular, microcefalia, atraso do desenvolvimento neuropsicomotor, eczema, alterações na visão e audição. O tratamento é a reposição diária da vitamina biotina.
  7. Toxoplasmose congênita (aguarda implantação): infecção que pode resultar em microcefalia, hidrocefalia, alterações visuais e auditivas, calcificações cerebrais, com repercussões neurológicas graves. Seu tratamento logo ao nascimento reduz as sequelas.

No Brasil, em 2001, houve a implantação do Programa Nacional de Triagem Neonatal, para garantir a execução do teste a todas as crianças brasileiras. Recentemente, foi sancionada a Lei nº 14.154, ampliando para 50 o número de doenças rastreadas pelo Teste do Pezinho oferecido pelo Sistema Único de Saúde, a partir de 2022.

Realmente, neste 6 de junho, considerado o Dia do Teste do Pezinho, temos muito o que comemorar e torcer para que o teste ampliado esteja disponível o quanto antes, afinal todas as famílias e seus bebês merecem!!


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Relatora:
Celeste Gomez Sardinha Oshiro
Membro do Departamento Científico de Neonatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto:  rainer maiores | pixabay.com

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O “umbigo” caiu! O que eu faço agora, doutor? https://spsp.org.br/o-umbigo-caiu-o-que-eu-faco-agora-doutor/ Thu, 08 Apr 2021 20:51:42 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=27965 Mãe e filha entraram no consultório para tirar uma dúvida crucial. No caso, a filha era a mãe do paciente - um lindo recém-nascido de 8 dias de vida, que estava no colo da avó (a mãe da mãe). ]]>

Episódio 5: O “umbigo” caiu! O que eu faço agora, doutor?

Mãe e filha entraram no consultório para tirar uma dúvida crucial. No caso, a filha era a mãe do paciente – um lindo recém-nascido de 8 dias de vida, que estava no colo da avó (a mãe da mãe).
A mais importante e angustiante das dúvidas, para aquela avó, foi a pergunta que deu início à nossa conversa: – Doutor, eu até trouxe comigo, neste vidrinho aqui (e mostrou o recipiente). O umbigo do meu netinho caiu hoje… ele estava por um fio e depois do banho, ao colocar a fralda, ele caiu.
Interajo, naturalmente, dizendo: – Caiu no tempo habitual…
Não houve oportunidade para mais comentários, logo, a avó emendou:
– E, agora, doutor, o que vamos fazer? Minha filha queria jogar o “coitadinho” no lixo. Eu não deixei.
– A senhora está se referindo ao coitadinho do coto umbilical, é claro! Tentei fazer uma brincadeira para descontrair, mas fui malsucedido.
– Claro, doutor!  Como é que se joga no lixo uma “coisa viva” que é do meu neto?!
Nós pediatras costumamos vivenciar episódios assim. A preocupação quanto ao que fazer com o coto umbilical reflete o que está no imaginário popular, em especial, das gerações mais velhas.
O rol de simpatias é variado: o “umbigo” deveria ser enterrado nos pés de uma roseira para que a criança cresça bonita e saudável; deveria ser enterrado junto a uma bananeira para que o bebê tenha muito dinheiro no futuro; se enterrar junto a uma porteira de fazenda, será fazendeiro; se jogar no mar, serámarinheiro; se guardar com você, o seu filho ficará sempre por perto; se jogar no lixo, um rato pode pegar o “umbigo” e vai se tornar ladrão quando crescer.
Os mais novos já se desvencilham das crenças e buscam razões baseadas na ciência e no seu contínuo progresso, para justificar a guarda do cordão umbilical, pois pensam que nele estão células que no futuro poderão ajudar o próprio indivíduo em alguma enfermidade.
O “umbigo” simboliza a dependência do bebê à sua mãe – pelo cordão umbilical recebe alimento, oxigênio, enfim, tudo que necessita. Há uma sensação de controle, de segurança. O corte do cordão rompe esse mundo idealizado, como se agora o filho ficasse desprotegido e entregue a sua própria sorte, aqui fora. É a primeira de muitas outras separações necessárias para o desenvolvimento desse outro ser, que é único, que só vai ganhar alteridade e maturidade, exatamente nesse processo de individuação.
O “umbigo”, que na verdade é a cicatriz restante do corte do cordão umbilical, é a ferida dessa separação; ele lembra os pais, de forma mais intensa as mães, dessa impotência de controle. Anuncia de forma estridente que aquele bebê não será mais deles, mas do mundo. Pode ser por isso que pareça ser tão difícil lidar com o umbigo, pois ele reflete a complexidade que envolve o cuidar de uma vida.
Ao final, quem caiu não foi o “umbigo”, ele é o que fica. Quem caiu foi o resquício do cordão umbilical que fora cortado ao nascimento – o coto umbilical mumificado, um tecido já morto.
O “universo umbilical” é cheio de mitos, medos e histórias (como a do “mal dos sete dias”) e de polêmicas, até teológicas, como a que envolve a pintura de Adão feita por Michelangelo na Capela Sistina. Nesta arte, Adão tem umbigo, o que foi criticado pelos teólogos, pois, pela narrativa bíblica, ele não foi gerado em ventre de mulher, portanto não houve placenta.
Essa cicatriz no corpo humano e na de todos os mamíferos (com exceção do ornitorrinco e do canguru), por estar na parte central do corpo, remete à ideia de centralidade. Embora a palavra signifique protuberância, ele pode ser fundo, representando uma concavidade. Apenas 10% dos umbigos são proeminentes, o restante é mais fundo – o que é esteticamente mais aceito.
A seguir desbravaremos um pouco mais deste universo curioso.

Relator:
Fernando Manuel Freitas de Oliveira
Membro da Comissão de Ensino e Pesquisa da Sociedade de Pediatria de São Paulo.
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

A limpeza da região umbilical

A limpeza da região umbilical é importante para evitar infecção. Logo nos primeiros dias de vida, o cordão é gelatinoso, depois seca progressivamente, mumifica entre o 3º ou 4º dia e cai habitualmente entre o 6º e 15º dia de vida.A utilização de antissépticos no coto umbilical ainda é polêmica na literatura, mas sabe-se que o uso da clorexidina 0,5% é eficaz na redução da colonização e da infecção, mas atrasa a mumificação. Já o uso do álcool 70% acelera a mumificação, mas não interfere na colonização.

A Organização Mundial da Saúde recomenda manter a região do coto sempre seca para facilitar a cicatrização e sempre limpa para evitar infecção. A limpeza do coto deverá ser realizada várias vezes ao dia, principalmente após troca de fraldas, com água e sabonete neutro. Depois de secá-lo bem, o uso de um cotonete com álcool 70% em todo umbigo ajudará na cicatrização.

Importante salientar que o produto deve sempre ser armazenado em frasco de uso individual. Situações de preocupação incluem: o atraso na queda do coto umbilical, após a terceira semana de vida, que pode ser manifestação de outras doenças como o hipotireoidismo congênito e as imunodeficiências primárias; a infecção, caracterizada pela presença de secreção purulenta na região do coto, edema e hiperemia da parede abdominal. Nesses casos a avaliação do pediatra é imprescindível para o diagnóstico e conduta adequados. 

Maria Regina Bentlin
Presidente do Departamento Científico de Neonatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: aynur_sib | depositphotos.com.br

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Meu bebê nasceu prematuro: como vai ser seu desenvolvimento no primeiro ano de vida? https://spsp.org.br/meu-bebe-nasceu-prematuro-como-vai-ser-seu-desenvolvimento-no-primeiro-ano-de-vida/ Fri, 05 Mar 2021 19:00:15 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3637 Campanha Março Lilás – Atenção ao cuidado do bebê prematuro

No Brasil, nascem cerca de 340 mil prematuros por ano. A sobrevida de bebês prematuros aumenta a cada ano, com foco cada vez maior na melhor qualidade de vida. Assim, a prematuridade é uma preocupação crescente tanto para saúde pública brasileira e mundial quanto para a sociedade, os pais e as famílias.

O nascimento de um recém-nascido prematuro é quase sempre uma surpresa e junto com ele muitas questões são levantadas pelos pais:

  • Meu filho terá um desenvolvimento normal?
  • Irá correr, comer, falar e brincar?
  • O que posso fazer para mantê-lo saudável?
  • O que esperar do seu crescimento e desenvolvimento?
jolopes | depositphotos.com

Você se identificou com essas dúvidas? Vamos tentar diminuir sua ansiedade com esse texto.

Afinal, quando um bebê é considerado prematuro?

Prematuro é todo recém-nascido que nasce antes de completar a idade gestacional de 37 semanas. Muitos bebês prematuros vão se desenvolver normalmente, porém alguns podem apresentar dificuldades motoras, sensoriais e de comportamento, desde atraso para se sentar, andar e falar até cegueira, surdez e paralisia cerebral. Isso vai depender do grau de prematuridade e das intercorrências pelas quais passou durante a internação, como infecção, necessidade de ventilação mecânica, além de suas condições nutricionais.

O grau da prematuridade influencia diretamente no desenvolvimento, ou seja, quanto menor a idade gestacional e o peso ao nascimento do seu bebê, mais imaturo seus órgãos, como o coração, o pulmão, o cérebro e o intestino. Assim, maior será sua dependência de cuidados especiais, mais vulnerável a agressões externas e maior o risco de alterações no desenvolvimento desta criança.

Já ouviu falar em idade corrigida?

Para avaliar o desenvolvimento de uma criança prematura, é importante considerarmos a idade corrigida.

Idade corrigida: Idade que a criança estaria se tivesse nascido de 40 semanas.   Por exemplo, um prematuro de 30 semanas, após 16 semanas, estaria com idade corrigida de 6 semanas. Nesse caso, as 10 semanas que faltaram para completar a gestação são descontadas do tempo de vida do bebê. Isso significa que o seu desenvolvimento deve ser o esperado para um bebê de 6 semanas e não de 16 semanas. 

A avaliação do desenvolvimento por meio da “idade corrigida” é importante nos primeiros 2 a 3 anos de vida do prematuro para compararmos o comportamento esperado de acordo com a maturidade de seu cérebro e ajustar os estímulos adequados e as nossas expectativas em relação àquela criança. 

Lembre-se! Seu bebê é único! A avaliação de seu desenvolvimento deve ser feita por um profissional capacitado, respeitando as particularidades de cada criança.

O acompanhamento regular do prematuro é fundamental para avaliações precoces, início de terapias em tempo oportuno e estímulos adequados para o melhor desenvolvimento da criança. Ele deve ser individualizado para aquele bebê e para sua família, englobando não só a consulta pediátrica, mas com fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional, oftalmologia, neurologia e outras especialidades, se necessário.

Você já ouviu falar no exame neuromotor? 

No primeiro ano de vida, uma atenção especial é dada à parte motora da criança, avaliando em conjunto sua movimentação, força, postura e reflexos.

O exame neuromotor é um importante indicador do desenvolvimento do seu bebê. Se estiver adequado no segundo semestre de vida, a chance de desenvolvimento motor normal na criança maior é muito grande. 

O que você pode fazer para estimular o melhor desenvolvimento do seu bebê?

  • Manter o acompanhamento multidisciplinar, conforme as demandas de seu filho(a).
  • Manter estímulos adequados de acordo com as orientações para cada fase do bebê.
  • Estimular o crescimento e desenvolvimento em um ambiente alegre, tranquilo e carinhoso.
A participação ativa dos pais influencia em todo o desenvolvimento da criança

Lembre-se: Cada bebê se desenvolve individualmente, no seu próprio ritmo. A melhor comparação é com ele mesmo!

Informe-se em fontes seguras e converse com seu pediatra!

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Relatora:
Renata Sayuri Ansai Pereira de Castro
Departamento Científico de Neonatologia Sociedade de Pediatria de São Paulo



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Sífilis congênita: o problema não termina na maternidade https://spsp.org.br/sifilis-congenita-o-problema-nao-termina-na-maternidade/ Mon, 19 Oct 2020 13:13:20 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3455 Campanha Outubro Verde – combate à sífilis congênita

O problema da sífilis congênita não termina depois que o recém-nascido recebe alta da maternidade. Uma vez exposto a essa doença, tratada ou não na maternidade, o bebê precisa da avaliação pediátrica para garantir sua cura.
A sífilis é uma doença muitas vezes silenciosa, tanto para a mãe quanto para o bebê, pois eles podem já estar com a doença, mas ainda não apresentarem sinais dela. Assim, fica difícil saber, só pela clínica, se o bebê está bem e se está curado ou não. É nesse sentido que o acompanhamento com pediatra se torna tão importante, principalmente nos primeiros dois anos de vida.

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A sífilis pode afetar a visão e a audição, passando por quadros leves ou até levar à cegueira e surdez. O bebê também pode ter atraso no seu desenvolvimento, como dificuldade para sentar, andar e falar. O pediatra é o profissional adequado para avaliar se o bebê tem algum desses acometimentos e se precisa de algum exame mais específico.
Se a sífilis acometeu o cérebro, mesmo ela tendo sido tratada na  maternidade e mesmo sem nenhuma alteração clínica,  um outro exame do líquido da espinha (o líquor) precisará ser coletado até o sexto mês de vida, para saber se de fato ele está curado. Nas consultas, o pediatra ainda deverá solicitar várias vezes o exame que foi feito na maternidade, o chamado VDRL, até que ele seja negativo. Somente após 2 coletas com resultados negativos na sequência podem garantir a cura da doença. Se algum desses exames estiver alterado, a criança deverá ser tratada novamente, para garantir que tenha um bom desenvolvimento.
Muitas crianças com quadro de sífilis ao nascimento não têm um acompanhamento adequado. Muitas dessas alterações aparecem apenas após o nascimento e a alta da maternidade e, sem o tratamento inicial e o seguimento, se perdem as chances de que essas crianças tenham uma vida normal e saudável.
O pai também deve ser lembrado que existe pré-natal para homens e é importante a sua participação, para realizar exames de sífilis e de outras doenças. Após o nascimento do bebê, a mãe com sífilis durante a gestação precisa continuar o  acompanhamento médico, com exames de VDRL, até receber alta por cura da doença. Assim, será possível quebrar a cadeia de transmissão da sífilis e evitar que bebês nasçam com sífilis congênita.  
Ter conhecimento que a sífilis é doença silenciosa, grave e que pode deixar sequelas por uma vida toda, que tem tratamento disponivel, mas que precisa ser vigiado e acompanhado  nos primeiros dois anos de vida, é a chave  de uma vida saudável para nossas crianças.

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Relatores:
Dra. Carmen Silvia Bruniera Domingues
Dra. Lilian Sadeck
Dra. Maria Regina Bentlin
Departamento Científico de Neonatologia e Grupo de Trabalho da Sífilis Congênita da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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O uso do ninho no cuidado do bebê prematuro na unidade neonatal https://spsp.org.br/o-uso-do-ninho-no-cuidado-do-bebe-prematuro-na-unidade-neonatal/ Fri, 16 Oct 2020 13:21:02 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3452 O bebê, antes do nascimento, está protegido pelo útero materno que o acolhe, regula sua temperatura, fornece sua alimentação, permitindo seu crescimento físico e mental e protegendo-o das agitações do meio ambiente externo. Quando ocorre o nascimento prematuro, esse bebê perde a proteção do útero e se depara com condições muito desfavoráveis para o seu desenvolvimento. Muitas vezes ele irá precisar de ajuda para coisas simples como controlar sua temperatura, respirar e se alimentar.

Os profissionais de saúde que cuidam desses pequenos guerreiros, assim como seus pais, precisam ajudá-los a se adaptarem à vida fora do útero e a se organizarem para todas as novas etapas de crescimento e desenvolvimento que estarão por vir.

Arquivo pessoal da Dra Maria Regina Bentlin

Uma dessas formas que ajuda na adaptação, organização, segurança e proteção do prematuro é a utilização do ninho. Ele precisa ser feito de forma adequada, por profissionais habilitados e ser usado apenas na unidade neonatal, no período em que o prematuro vai precisar de toda ajuda para o seu crescimento e desenvolvimento, que deveriam ocorrer dentro do útero, mas que por algum motivo, foi interrompido.

O ninho fica em volta do bebê, desde a cabeça até os pés, como se fosse as paredes do útero. Permite que o bebê fique posicionado com os membros flexionados, na mesma posição que estava dentro do útero, com as mãos juntas no centro do corpo. Essas condições favorecem seu período de sono e seu desenvolvimento. O bebê fica mais tranquilo e organizado no ninho, pronto para enfrentar melhor seus desafios do dia a dia na UTI.

Se o bebê ficar na incubadora sem o ninho poderá sentir dores, ficar mal acomodado, frequentemente com os membros estendidos, sem nenhum apoio, o que vai contra sua posição dentro do útero e faz com que ele gaste mais energia. Isto pode dificultar o seu crescimento, deixá-lo mais irritado, comprometer o seu período de sono e alterar o seu comportamento e até seu desenvolvimento.

Entretanto, é importante saber que o ninho só pode ser utilizado no ambiente controlado do hospital e da maternidade. Em casa, a recomendação de maior segurança é de um berço limpo, sem nenhum apetrecho (ninho, pano, fralda, travesseiro, protetor ou cobertor) que coloque a vida do bebê em risco. Esses objetos podem levar ao sufocamento, asfixia e até mesmo à morte do bebê.

Vocês agora já sabem que o ninho é bom, seguro e ajuda a deixar o bebê mais tranquilo, mas é fundamental que só possa ser usado durante o período de internação, para auxiliá-lo a vencer os desafios iniciais de vida fora do útero.

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Relator:
Dr. Sergio Tadeu Martins Marba
Departamento Científico de Neonatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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