Quedas – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Mon, 27 Feb 2023 11:45:16 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Quedas – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Cuidados com as crianças no Carnaval https://spsp.org.br/cuidados-com-as-criancas-no-carnaval-2/ Fri, 17 Feb 2023 13:57:17 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=36255 Depois de três anos de pandemia, o Carnaval volta com tudo no ano de 2023, incluindo blocos, festas e outras atividades voltadas para o público infantil. É uma das festas mais alegres e diverti]]>

Depois de três anos de pandemia, o Carnaval volta com tudo no ano de 2023, incluindo blocos, festas e outras atividades voltadas para o público infantil. É uma das festas mais alegres e divertidas, estimulando a imaginação e a criatividade das crianças, além de ser um momento importante para a socialização. O principal cuidado que se deve ter é escolher eventos direcionados para o público infantil. Devem ocorrer em locais arejados, claros, limpos e seguros. Recomenda-se que as crianças permaneçam a uma distância mínima de 15 metros das caixas de som, evitando-se ambientes com sons muito altos, para que não prejudiquem a audição.

As crianças devem estar SEMPRE acompanhadas pelos pais ou responsáveis, que não devem perdê-las de vista. Devem usar pulseira de identificação, com o nome completo da criança e dos responsáveis e telefones de contato, podendo-se improvisar costurando um papel com as informações na roupa da criança. Também é importante estabelecer pontos de encontro, caso a família se separe.

O carnaval ocorre em pleno verão brasileiro, com dias quentes, que aumentam a sudorese e o risco de desidratação. Escolha roupas ou fantasias de algodão, leves, de cores claras, folgadas no corpo e que permitam a circulação de ar. Tecidos sintéticos e apertados que, juntamente com o excesso de suor, podem provocar irritações e alergias na pele, não devem ser usados. Evite fantasias longas, cheias de babados, para que as crianças não tropecem e caiam na hora da folia.

Lantejoulas e brilhos que se soltam facilmente da roupa também devem ser evitados, pois podem machucar os olhos ou ir à boca das crianças, da mesma forma que cordões e correntes no pescoço. Dê preferência para calçados que não apertem os pés, pois as crianças terão muito mais segurança para correr e pular, evitando possíveis cortes ou machucados, além de ser muito mais confortável para elas. Evite sandálias com salto, pois, além de cansativas, podem causar, entre outras coisas, torção de tornozelos. Da mesma forma, evite deixar as crianças descalças: além do risco de queda, as crianças podem se machucar com vidros ou algum objeto no chão.

Com o calor e agitação é essencial beber muito líquido, devendo-se oferecer água, sucos naturais ou água de coco frescos. A alimentação deve ser leve e nutritiva, devendo-se evitar alimentos de procedência duvidosa nas ruas.

Em locais abertos, deve-se aplicar protetores solares em todas as crianças, a partir dos seis meses, mesmo em dias nublados, devendo-se reaplicar a cada duas horas, recomendando-se também colocar um boné ou chapéus para maior proteção.

Lembrem-se também de que estamos em época de dengue e outras doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti: o repelente também não pode faltar no arsenal do folião atento com a saúde, devendo ser aplicado por cima do protetor solar.

Cuidado com máscaras que, quando deslocadas, podem dificultar a respiração das crianças. Os cosméticos adultos podem provocar alergias nas crianças, por conterem substâncias químicas para maior fixação. Pinturas devem ser feitas com tintas com base aquosa e maquiagens hipoalergênicas, específicas para crianças, de fácil eliminação, evitando-se regiões próximas aos olhos e à boca. Procure sempre produtos registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Caso a criança apresente qualquer sinal de sensibilidade, a pele deve ser lavada imediatamente com água e sabão neutro.

Cuidado com as tradicionais “guerras de confetes”! Elas acabam sendo perigosas, pois podem levar a engasgos ou aspiração do material. O mesmo cuidado deve se ter com os sprays de espuma e de serpentina, que contêm na sua composição elementos que podem causar irritação na pele e nos olhos, intoxicação quando inalados ou ingeridos, além de serem inflamáveis.

Respeite o limite da criança, até mesmo para a diversão, pois chega um momento em que a energia se esgota, ou, como dizem, a “bateria acaba”, necessitando de descanso.

 

Relator:
Alexandre Massashi Hirata
Secretário do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Nacional de Prevenção de Acidentes na Infância https://spsp.org.br/dia-nacional-de-prevencao-de-acidentes-na-infancia/ Wed, 31 Aug 2022 19:52:12 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=34161 No Brasil, o Dia Nacional de Prevenção de Acidentes na Infância é celebrado em 30 de agosto. Acidentes de trânsito, afogamentos, queimaduras, quedas e envenenamentos ferem, incapacitam]]>

 No Brasil, o Dia Nacional de Prevenção de Acidentes na Infância é celebrado em 30 de agosto. Acidentes de trânsito, afogamentos, queimaduras, quedas e envenenamentos ferem, incapacitam ou matam milhões de crianças em todo o mundo todos os dias. A boa notícia é que cerca de 90% dos casos que resultam em morte e internação podem ser evitados com algumas medidas simples.

Quem está em risco?

Todas as crianças, devido a sua natureza curiosa e necessidade de explorar o ambiente. As crianças de até quatro anos de idade são mais propensas a ter acidentes em casa e as maiores, nas ruas e escola. Os meninos correm mais riscos que as meninas.

Onde ocorrem os acidentes?

Podem acontecer em qualquer lugar, dentro e ao redor da casa, mas os lugares mais comuns incluem a cozinha, o banheiro e as escadas. Os acidentes na cozinha e nas escadas costumam ser os mais graves. Os acidentes de trânsito são responsáveis por muitos casos de internações e morte.

O que causa acidente?

Existem riscos potenciais em todas as casas, como água quente, produtos químicos domésticos, lareiras, objetos pontiagudos. Alguns projetos de casas, como varandas e escadas abertas, também podem contribuir.

Quanto menor a criança, menor sua capacidade de avaliar os riscos que todas essas coisas representam. Sua curiosidade, entretanto, pode levá-las a situações de risco. Os tipos de acidentes que acontecem estão muitas vezes ligados a sua idade e ao seu nível de desenvolvimento. Os bebês são totalmente dependentes de um adulto e os acidentes acontecem por um momento de distração.

O uso cada vez maior de telas pelos adultos tem sido causa frequente de desatenção e acidentes nesta faixa etária. À medida que as crianças crescem, elas podem andar e se movimentar, alcançar coisas mais altas, escalar e encontrar objetos escondidos. Com sua recém-descoberta sensação de liberdade e movimento, as crianças podem se mover rapidamente e acidentes podem acontecer em questão de segundos. Crianças maiores e adolescentes estão mais sujeitos a acidentes na escola, em parques e jogos.

 Como os acidentes podem ser prevenidos?

– Supervisione sempre as crianças e nunca subestime o seu desenvolvimento.

– É importante identificar as situações de risco da casa e modificar o ambiente, tornando-o mais seguro. O uso de “sistemas de retenção” (bebê-conforto, cadeirinhas, booster) nos automóveis de acordo com a idade é obrigatório.

– Ensine sempre às crianças medidas de prevenção.

 Algumas dicas para prevenir os acidentes comuns

  1. Sufocamento: alimentar a criança sentada à mesa ou em cadeira alta; cortar os alimentos em pedaços pequenos; ter cuidado com objetos muito pequenos, como amendoim, caroços de frutas, balas duras, botões, moedas, baterias em disco e outros (especial atenção a bexigas, uvas, tomate-cereja, que se aspirados, amoldam-se na via aérea e são de difícil extração); brinquedos devem ser apropriados para cada idade e não devem destacar partes pequenas; não usar talco perto de crianças; não usar cordão ou presilha de chupeta ao redor do pescoço; não deixar sacos plásticos ao alcance das crianças; usar lençóis, mantas e cobertores bem presos ao colchão.
  2. Afogamentos: jamais deixar a criança sozinha durante o banho, principalmente quando estiver utilizando banheira; nunca deixar baldes, bacias ou tanques com água ao alcance das crianças; frequentar piscinas somente com vigilância contínua de um adulto, ficando as menores de cinco anos ou as mais velhas que não sabem nadar a uma distância de um braço de um adulto na água.
  3. Quedas: não usar andadores; instalar grades ou redes de proteção nas janelas de andares altos; instalar portões com tranca em escadas.
  4. Queimaduras: preferencialmente, medir a temperatura da água do banho com um termômetro ou, em sua ausência, testar a temperatura da água do banho com o cotovelo ou dorso da mão; sempre verificar a temperatura de mamadeiras e outros alimentos quentes; não manusear líquidos ou alimentos quentes com a criança no colo; esconder fósforos, velas e isqueiros e produtos inflamáveis; não fumar dentro da casa.
  5. Intoxicações: não utilizar medicamentos sem orientação médica; nunca utilizar produtos “clandestinos”; seguir as orientações do fabricante para o uso adequado dos produtos; preferir produtos químicos que tenham embalagens com tampa de segurança para crianças; manter os produtos em sua embalagem original e nunca reutilizar frascos; conhecer bem as plantas da casa e dos jardins, e não manter dentro de casa plantas que são consideradas tóxicas, como comigo-ninguém-pode, costela-de-adão, saia-branca, espada-de-são-Jorge, chapéu-de-Napoleão e outras.

 

Saiba mais:

https://www.sbp.com.br/especiais/pediatria-para-familias/prevencao-de-acidentes/

https://www.pediatraorienta.org.br/category/seguranca/

https://www.pediatraorienta.org.br/acidentes-de-transito-com-criancas-e-jovens-como-prevenir/

 

Relatora:
Sarah Saul
Departamento de Segurança Infantil da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 Foto: @bearfotos / br.freepik.com

 

 

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Quedas: medidas de prevenção https://spsp.org.br/quedas-medidas-de-prevencao/ Mon, 10 Feb 2014 02:40:45 +0000 http://comunidadespsp.wordpress.com/?p=465 As quedas representam a causa mais comum de acidentes não fatais e estão entre as principais causas de morte em crianças e adolescentes, sem contar o número extremamente elevado de atendimentos em serviços de emergência devido a esta causa. A maioria das quedas ocorre dentro das casas; um quarto das quedas acontece em escolas, parques e clubes. Quanto mais alta for a queda e dependendo da superfície em que ocorreu, maior probabilidade de lesões mais sérias. Crianças de até quatro anos sofrem quedas com maior frequência em casa, de um nível para outro, de escadas, de móveis, de janelas. As causas das quedas domésticas incluem: estruturas: escadas e batentes, assoalhos, varandas, janelas, banheiras; mobília: camas, cadeiras, mesas; brinquedos: de cavalgar, quebrados,aqueles sobre os quais as crianças caem. Principais medidas de proteção: Nunca deixar a criança sozinha em cima de qualquer móvel (trocador, sofá, cama, cadeira). Verificar se os equipamentos da criança oferecem segurança e utilizá-los conforme as instruções. Baixar o estrado e o colchão do berço assim que o bebê estiver sentando sem apoio e não deixar travesseiros, brinquedos ou objetos soltos no berço, pois a criança vai utilizá-los como apoio para ficar de pé. Andadores não devem ser estimulados, já que são perigosos, especialmente em casas com escadas. Todos os equipamentos devem ser utilizados com cinto de segurança corretamente afivelado (bebê-conforto, cadeirão, carrinho, assento para carro). Instalar proteção nas escadas (em cima e em baixo), redes ou grades nas janelas, travas de limitação de abertura nas janelas, manter os portões trancados e o acesso restrito para a cozinha e lavanderia. Não manter móveis em baixo das janelas. Adaptar os pisos: mantê-los limpos, não encerados, secos, tapetes bem aderidos. Os calçados devem ter solas de borracha. Desencorajar brincadeiras (bola, pipa) e jogos em varandas, decks, lajes e terraços. Uso de equipamentos de segurança para todas as práticas esportivas e recreativas (capacete, joelheira, proteção para as mãos). ___ Relatoras: Dra. Renata D. Waksman Dra. Regina M C Gikas Departamento Científico de Segurança da SPSP. Publicado em 10/02/2014. photo credit: Aigarsr | Dreamstime.com Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

dreamstime_xs_19046571As quedas representam a causa mais comum de acidentes não fatais e estão entre as principais causas de morte em crianças e adolescentes, sem contar o número extremamente elevado de atendimentos em serviços de emergência devido a esta causa.

  • A maioria das quedas ocorre dentro das casas; um quarto das quedas acontece em escolas, parques e clubes.
  • Quanto mais alta for a queda e dependendo da superfície em que ocorreu, maior probabilidade de lesões mais sérias.
  • Crianças de até quatro anos sofrem quedas com maior frequência em casa, de um nível para outro, de escadas, de móveis, de janelas.

As causas das quedas domésticas incluem:

  • estruturas: escadas e batentes, assoalhos, varandas, janelas, banheiras;
  • mobília: camas, cadeiras, mesas;
  • brinquedos: de cavalgar, quebrados,aqueles sobre os quais as crianças caem.

Principais medidas de proteção:

  • Nunca deixar a criança sozinha em cima de qualquer móvel (trocador, sofá, cama, cadeira).
  • Verificar se os equipamentos da criança oferecem segurança e utilizá-los conforme as instruções.
  • Baixar o estrado e o colchão do berço assim que o bebê estiver sentando sem apoio e não deixar travesseiros, brinquedos ou objetos soltos no berço, pois a criança vai utilizá-los como apoio para ficar de pé.
  • Andadores não devem ser estimulados, já que são perigosos, especialmente em casas com escadas.
  • Todos os equipamentos devem ser utilizados com cinto de segurança corretamente afivelado (bebê-conforto, cadeirão, carrinho, assento para carro).
  • Instalar proteção nas escadas (em cima e em baixo), redes ou grades nas janelas, travas de limitação de abertura nas janelas, manter os portões trancados e o acesso restrito para a cozinha e lavanderia.
  • Não manter móveis em baixo das janelas.
  • Adaptar os pisos: mantê-los limpos, não encerados, secos, tapetes bem aderidos.
  • Os calçados devem ter solas de borracha.
  • Desencorajar brincadeiras (bola, pipa) e jogos em varandas, decks, lajes e terraços.
  • Uso de equipamentos de segurança para todas as práticas esportivas e recreativas (capacete, joelheira, proteção para as mãos).

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Relatoras:
Dra. Renata D. Waksman
Dra. Regina M C Gikas
Departamento Científico de Segurança da SPSP.

Publicado em 10/02/2014.
photo credit: Aigarsr | Dreamstime.com

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
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Criança caiu e bateu a cabeça: e agora? https://spsp.org.br/crianca-caiu-e-bateu-a-cabeca-e-agora/ Mon, 30 Dec 2013 00:40:17 +0000 http://comunidadespsp.wordpress.com/?p=400 Quando a criança cai e bate a cabeça, começam as dúvidas e angústias: Preciso ligar para o pediatra? Será que levo para o Pronto Socorro? Precisa de RX? Pode dormir? Essas questões são muito frequentes. Então, vamos tentar esclarecê-las. Traumatismo crânio-encefálico (TCE) é o nome técnico que se dá quando a criança cai e bate a cabeça. Ele pode ser classificado em leve, moderado ou grave dependendo de como está o exame neurológico da criança, quando avaliada pelo médico. Por que quando a criança cai, na grande maioria das vezes, bate a cabeça? Isso ocorre, principalmente, na criança menor de dois anos de idade, quando, a cabeça tem um tamanho quase que proporcionalmente semelhante ao corpo. Assim, toda vez que a criança cai, a cabeça é projetada mais facilmente, por ser mais pesada, o que provoca mais trauma nessa região. Toda criança que bate a cabeça deve ser levada para o Pronto Socorro? Não. Quedas triviais não necessitam de avaliação médica imediata. Quando levar a criança para avaliação médica? As crianças abaixo de dois anos de idade devem ser avaliadas com mais cuidado pois, além de terem, constitucionalmente, os ossos do crânio mais plásticos, ou seja, mais “molinhos”, o que predispõe a lesões dentro do cérebro sem manifestação externa de fratura, não conseguem dizer exatamente o que estão sentindo. Algumas das principais situações que necessitam de avaliação médica de urgência: queda da criança menor de 3 meses de idade; queda de mais de um metro de altura para crianças abaixo de 2 anos de idade e queda de mais de 1,5 metro nas crianças acima de 2 anos; queda de mais de 4 degraus da escada; acidente com bicicleta sem capacete; acidente automobilístico com vítimas; perda da consciência por mais de 1 minuto pós trauma; presença de galos na cabeça, principalmente na região das têmporas e na região de trás da cabeça; sangramento pelo ouvido ou nariz. Os vômitos, a dor de cabeça e o sono são sinais preocupantes? Os vômitos podem acontecer após bater a cabeça e não significar nada mais sério. Eles deverão ser avaliados se, depois da queda, ocorrerem mais do que 5 vezes em uma hora. A dor de cabeça também pode ser normal após o TCE, mas será um alerta se a sua intensidade for aumentando até limitar a atividade da criança. Também é muito frequente a criança dormir após bater a cabeça ou porque chorou ou pelo próprio stress da queda. Pode deixar a criança dormir, mas se for difícil acordá-la, deverá ser feita a avaliação médica. O RX de crânio é sempre necessário? O que interessa saber quando a criança bate a cabeça é se tem ou não coágulo dentro do cérebro, chamado de hematoma. O RX não consegue mostrar isso. O melhor exame para avaliar se houve ou não lesão dentro do cérebro é a tomografia. Mas cuidado! A realização da tomografia não deve ser feita de forma indiscriminada, pois ela não é isenta de malefícios para a saúde da criança, principalmente no que diz respeito à irradiação. Se considerarmos que a criança, pela sua característica exploradora, terá muitos traumas na região da cabeça durante a infância, e que se para todos eles for realizada tomografia de crânio, a carga acumulada de irradiação será muito grande, e isso, no futuro, poderá aumentar a chance, ainda que pequena, de desenvolver leucemias ou até mesmo tumores cerebrais. Qual é o período de maior risco para que a criança tenha algum sintoma mais sério após ter sofrido o trauma na região da cabeça? A grande preocupação após o TCE são os hematomas. Estes podem ser causados por lesão das artérias ou das veias. Quando acontece a lesão da artéria, o sangramento é grande, intenso e causa compressão do cérebro rapidamente, podendo levar a criança à morte. É o que chamamos de hematoma extradural. Nesse caso, a criança é difícil de ser acordada, os vômitos são persistentes e a dor de cabeça progressiva. Ele ocorre mais frequentemente até as primeiras 12 horas após o trauma e, geralmente, é necessária a cirurgia de emergência. Quando a lesão ocorre na veia, o sangramento é mais lento e menos intenso. É o que ocorre no hematoma subdural. Nesse caso, a criança vai piorando a cada dia, mas há tempo suficiente para que o neurocirurgião avalie e dê o melhor tratamento para cada caso. A cirurgia pode não ser imediata. Mas não há motivo de medo ou de superproteger a criança, limitando o seu desenvolvimento normal. O mais importante é a prevenção. Criança deve sempre estar sob supervisão de um adulto, e medidas de segurança sempre adotadas para minimizar o trauma. Se seu filho caiu, bateu a cabeça e está bem, sem os sintomas descritos acima, não há necessidade de avaliação médica de urgência, e sim, de observação. Na piora do quadro procurar sempre o serviço de emergência. Tomografia pode ser útil em alguns casos mas deve ser evitado exagero em crianças cujo exame neurológico é normal. ___ Relatora: Dra. Milena De Paulis Secretária do Departamento Científico de Emergências da SPSP. Publicado no site da SPSP em 19/07/2012. photo credit: thejbird via photopin cc Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

medium_430437353Quando a criança cai e bate a cabeça, começam as dúvidas e angústias:
Preciso ligar para o pediatra? Será que levo para o Pronto Socorro? Precisa de RX? Pode dormir?

Essas questões são muito frequentes. Então, vamos tentar esclarecê-las.

Traumatismo crânio-encefálico (TCE) é o nome técnico que se dá quando a criança cai e bate a cabeça. Ele pode ser classificado em leve, moderado ou grave dependendo de como está o exame neurológico da criança, quando avaliada pelo médico.

Por que quando a criança cai, na grande maioria das vezes, bate a cabeça?
Isso ocorre, principalmente, na criança menor de dois anos de idade, quando, a cabeça tem um tamanho quase que proporcionalmente semelhante ao corpo. Assim, toda vez que a criança cai, a cabeça é projetada mais facilmente, por ser mais pesada, o que provoca mais trauma nessa região.

Toda criança que bate a cabeça deve ser levada para o Pronto Socorro?
Não. Quedas triviais não necessitam de avaliação médica imediata.

Quando levar a criança para avaliação médica?
As crianças abaixo de dois anos de idade devem ser avaliadas com mais cuidado pois, além de terem, constitucionalmente, os ossos do crânio mais plásticos, ou seja, mais “molinhos”, o que predispõe a lesões dentro do cérebro sem manifestação externa de fratura, não conseguem dizer exatamente o que estão sentindo. Algumas das principais situações que necessitam de avaliação médica de urgência:

  • queda da criança menor de 3 meses de idade;
  • queda de mais de um metro de altura para crianças abaixo de 2 anos de idade e queda de mais de 1,5 metro nas crianças acima de 2 anos;
  • queda de mais de 4 degraus da escada;
  • acidente com bicicleta sem capacete;
  • acidente automobilístico com vítimas;
  • perda da consciência por mais de 1 minuto pós trauma;
  • presença de galos na cabeça, principalmente na região das têmporas e na região de trás da cabeça;
  • sangramento pelo ouvido ou nariz.

Os vômitos, a dor de cabeça e o sono são sinais preocupantes?
Os vômitos podem acontecer após bater a cabeça e não significar nada mais sério. Eles deverão ser avaliados se, depois da queda, ocorrerem mais do que 5 vezes em uma hora. A dor de cabeça também pode ser normal após o TCE, mas será um alerta se a sua intensidade for aumentando até limitar a atividade da criança. Também é muito frequente a criança dormir após bater a cabeça ou porque chorou ou pelo próprio stress da queda. Pode deixar a criança dormir, mas se for difícil acordá-la, deverá ser feita a avaliação médica.

O RX de crânio é sempre necessário?
O que interessa saber quando a criança bate a cabeça é se tem ou não coágulo dentro do cérebro, chamado de hematoma. O RX não consegue mostrar isso. O melhor exame para avaliar se houve ou não lesão dentro do cérebro é a tomografia. Mas cuidado! A realização da tomografia não deve ser feita de forma indiscriminada, pois ela não é isenta de malefícios para a saúde da criança, principalmente no que diz respeito à irradiação. Se considerarmos que a criança, pela sua característica exploradora, terá muitos traumas na região da cabeça durante a infância, e que se para todos eles for realizada tomografia de crânio, a carga acumulada de irradiação será muito grande, e isso, no futuro, poderá aumentar a chance, ainda que pequena, de desenvolver leucemias ou até mesmo tumores cerebrais.

Qual é o período de maior risco para que a criança tenha algum sintoma mais sério após ter sofrido o trauma na região da cabeça?
A grande preocupação após o TCE são os hematomas. Estes podem ser causados por lesão das artérias ou das veias. Quando acontece a lesão da artéria, o sangramento é grande, intenso e causa compressão do cérebro rapidamente, podendo levar a criança à morte. É o que chamamos de hematoma extradural. Nesse caso, a criança é difícil de ser acordada, os vômitos são persistentes e a dor de cabeça progressiva. Ele ocorre mais frequentemente até as primeiras 12 horas após o trauma e, geralmente, é necessária a cirurgia de emergência. Quando a lesão ocorre na veia, o sangramento é mais lento e menos intenso. É o que ocorre no hematoma subdural. Nesse caso, a criança vai piorando a cada dia, mas há tempo suficiente para que o neurocirurgião avalie e dê o melhor tratamento para cada caso. A cirurgia pode não ser imediata.

Mas não há motivo de medo ou de superproteger a criança, limitando o seu desenvolvimento normal. O mais importante é a prevenção. Criança deve sempre estar sob supervisão de um adulto, e medidas de segurança sempre adotadas para minimizar o trauma.

Se seu filho caiu, bateu a cabeça e está bem, sem os sintomas descritos acima, não há necessidade de avaliação médica de urgência, e sim, de observação. Na piora do quadro procurar sempre o serviço de emergência.

Tomografia pode ser útil em alguns casos mas deve ser evitado exagero em crianças cujo exame neurológico é normal.

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Relatora:
Dra. Milena De Paulis
Secretária do Departamento Científico de Emergências da SPSP.

Publicado no site da SPSP em 19/07/2012.
photo credit: thejbird via photopin cc

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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Quedas em crianças https://spsp.org.br/quedas-em-criancas/ Mon, 07 Oct 2013 18:59:39 +0000 http://comunidadespsp.wordpress.com/?p=219 As quedas representam a principal causa de atendimentos em serviços de emergência e de internações em crianças de zero a nove anos de idade. Uma pesquisa recente do Ministério da Saúde mostrou que 50% dos atendimentos em crianças nessa faixa etária foram devidos a esta causa. Os dados mostram ainda que o perigo nem sempre está nas ruas. A maioria das quedas ocorre na casa onde as crianças vivem. Dependendo da idade da criança, as consequências são muito diferentes, podendo ocasionar sequelas graves. Experimentar, brincar, correr faz parte do processo de crescimento e desenvolvimento normais da criança. Sem noção dos riscos e perigos que a cercam, ela explora o ambiente e quer ter contato com tudo que há de novo, de uma forma diferente do adulto, vendo o mundo de baixo para cima. Por tudo isso o adulto tem que olhar o ambiente onde a criança vive com “olhos de criança”. De onde as crianças caem? Crianças pequenas (menores de 5 anos) caem de uma determinada altura, como: do colo, do trocador, do carrinho, do andador, do cadeirão, da cama, do sofá, de escadas, de janelas, de equipamentos de playground. As quedas podem acontecer também da própria altura da criança, causadas por tropeções, pisadas em falso ou desequilíbrios. Em crianças e adolescentes de idade entre 5 e 14 anos as quedas são relacionadas a atividades recreativas e esportivas. Uma particularidade do nosso meio é a presença de edificações sem telhados definidos (laje ou terraços), sem proteções adequadas, que constituem locais onde podem acontecer atividades variadas, como andar de bicicleta, empinar pipa, estender roupa para secar, fazer churrasco etc. As quedas destes locais altos são muito graves e, quando não causam a morte, podem deixar sequelas permanentes. Partes do corpo que podem ser atingidas: Cabeça (ossos do crânio, cérebro e face) Membros Tórax e abdome Tipos de lesões: Cortes Contusões Lacerações Fraturas, Hematomas Equimoses Perda dentária Hemorragias Lesões em órgãos internos Em crianças pequenas, as chances de um ferimento mais grave são maiores, devido maior tamanho e peso da cabeça em relação ao corpo e estrutura óssea ainda em processo de formação. Quedas de alturas menores não necessariamente são inofensivas, é importante saber a altura e em que superfície ocorreu, além da posição na qual a criança atingiu o solo. Cair na areia ou grama é completamente diferente da queda em piso rígido (pedra ou cerâmica). O papel dos pais e responsáveis na prevenção Sabemos que não é possível evitar toda queda, “tombinhos” fazem parte da rotina de aprendizado da criança. Mas NADA pode substituir a supervisão de um adulto atento e responsável. Algumas dicas: NUNCA deixe o bebê sozinho em qualquer local da casa, particularmente em cima do trocador, cama, sofá, mesmo que a criança ainda não tenha adquirido a capacidade de rolar. Andadores são perigosos e não devem ser utilizados. O bebê SEMPRE deve estar com o cinto afivelado quando estiver no bebê conforto, carrinho e cadeirão. Não posicione o berço nem qualquer mobília próximos a janelas e mantenha as grades laterais do berço sempre elevadas. O estrado e o colchão do berço devem estar na posição mais baixa antes da criança estar sentando sem apoio. NUNCA deixe soltos no berço travesseiros, almofadas, brinquedos ou protetores de grades frouxos, podem virar degraus para a criança tentar pular do berço. Quando a criança estiver na idade de passar para a cama, prefira modelo baixo com grade protetora dos dois lados. Proteja janelas, varandas e escadas com grades, redes e portões de segurança. Auxilie e supervisione crianças próximas a escadas, degraus e varandas. NUNCA permita que as crianças tenham acesso à laje e terraço que não tenham proteção. Disponha os móveis criando espaços para a criança circular. Se tiver tapetes nas áreas de circulação das crianças, estes devem ter material antiderrapante em sua face inferior e utilize modelos de borracha nos banheiros. Trave portas e bloqueie o acesso às áreas perigosas da casa, como lavanderia, cozinha e área externa. Brinquedos devem ser guardados após o uso e todos os objetos que possam provocar tropeços e quedas devem estar longe do alcance da criança. Crianças devem usar equipamentos de segurança na prática esportiva (capacete, joelheira). Supervisione sempre seus filhos quando estiverem em playgrounds, não permita que pulem dos equipamentos recreativos. ___ Relatoras: Dra. Regina Maria C. Gikas Membro do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP. Dra. Renata D. Waksman Presidente do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP e Coordenadora do Núcleo de Estudos da Violência contra a Criança e o Adolescente da SPSP. Publicado no site da SPSP em 06/06/2011. photo credit: mulberrymint via photopin cc Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

medium_4566242935As quedas representam a principal causa de atendimentos em serviços de emergência e de internações em crianças de zero a nove anos de idade. Uma pesquisa recente do Ministério da Saúde mostrou que 50% dos atendimentos em crianças nessa faixa etária foram devidos a esta causa. Os dados mostram ainda que o perigo nem sempre está nas ruas. A maioria das quedas ocorre na casa onde as crianças vivem.

Dependendo da idade da criança, as consequências são muito diferentes, podendo ocasionar sequelas graves.

Experimentar, brincar, correr faz parte do processo de crescimento e desenvolvimento normais da criança. Sem noção dos riscos e perigos que a cercam, ela explora o ambiente e quer ter contato com tudo que há de novo, de uma forma diferente do adulto, vendo o mundo de baixo para cima. Por tudo isso o adulto tem que olhar o ambiente onde a criança vive com “olhos de criança”.

De onde as crianças caem?

Crianças pequenas (menores de 5 anos) caem de uma determinada altura, como: do colo, do trocador, do carrinho, do andador, do cadeirão, da cama, do sofá, de escadas, de janelas, de equipamentos de playground. As quedas podem acontecer também da própria altura da criança, causadas por tropeções, pisadas em falso ou desequilíbrios.

Em crianças e adolescentes de idade entre 5 e 14 anos as quedas são relacionadas a atividades recreativas e esportivas.

Uma particularidade do nosso meio é a presença de edificações sem telhados definidos (laje ou terraços), sem proteções adequadas, que constituem locais onde podem acontecer atividades variadas, como andar de bicicleta, empinar pipa, estender roupa para secar, fazer churrasco etc. As quedas destes locais altos são muito graves e, quando não causam a morte, podem deixar sequelas permanentes.

Partes do corpo que podem ser atingidas:

  • Cabeça (ossos do crânio, cérebro e face)
  • Membros
  • Tórax e abdome

Tipos de lesões:

  • Cortes
  • Contusões
  • Lacerações
  • Fraturas,
  • Hematomas
  • Equimoses
  • Perda dentária
  • Hemorragias
  • Lesões em órgãos internos

Em crianças pequenas, as chances de um ferimento mais grave são maiores, devido maior tamanho e peso da cabeça em relação ao corpo e estrutura óssea ainda em processo de formação.

Quedas de alturas menores não necessariamente são inofensivas, é importante saber a altura e em que superfície ocorreu, além da posição na qual a criança atingiu o solo. Cair na areia ou grama é completamente diferente da queda em piso rígido (pedra ou cerâmica).

O papel dos pais e responsáveis na prevenção

Sabemos que não é possível evitar toda queda, “tombinhos” fazem parte da rotina de aprendizado da criança.
Mas NADA pode substituir a supervisão de um adulto atento e responsável.

Algumas dicas:

  • NUNCA deixe o bebê sozinho em qualquer local da casa, particularmente em cima do trocador, cama, sofá, mesmo que a criança ainda não tenha adquirido a capacidade de rolar.
  • Andadores são perigosos e não devem ser utilizados.
  • O bebê SEMPRE deve estar com o cinto afivelado quando estiver no bebê conforto, carrinho e cadeirão.
  • Não posicione o berço nem qualquer mobília próximos a janelas e mantenha as grades laterais do berço sempre elevadas.
  • O estrado e o colchão do berço devem estar na posição mais baixa antes da criança estar sentando sem apoio.
  • NUNCA deixe soltos no berço travesseiros, almofadas, brinquedos ou protetores de grades frouxos, podem virar degraus para a criança tentar pular do berço.
  • Quando a criança estiver na idade de passar para a cama, prefira modelo baixo com grade protetora dos dois lados.
  • Proteja janelas, varandas e escadas com grades, redes e portões de segurança.
  • Auxilie e supervisione crianças próximas a escadas, degraus e varandas.
  • NUNCA permita que as crianças tenham acesso à laje e terraço que não tenham proteção.
  • Disponha os móveis criando espaços para a criança circular.
  • Se tiver tapetes nas áreas de circulação das crianças, estes devem ter material antiderrapante em sua face inferior e utilize modelos de borracha nos banheiros.
  • Trave portas e bloqueie o acesso às áreas perigosas da casa, como lavanderia, cozinha e área externa.
  • Brinquedos devem ser guardados após o uso e todos os objetos que possam provocar tropeços e quedas devem estar longe do alcance da criança.
  • Crianças devem usar equipamentos de segurança na prática esportiva (capacete, joelheira).
  • Supervisione sempre seus filhos quando estiverem em playgrounds, não permita que pulem dos equipamentos recreativos.

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Relatoras:
Dra. Regina Maria C. Gikas
Membro do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP.
Dra. Renata D. Waksman
Presidente do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP e Coordenadora do Núcleo de Estudos da Violência contra a Criança e o Adolescente da SPSP.

Publicado no site da SPSP em 06/06/2011.
photo credit: mulberrymint via photopin cc

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