Quarentena – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 12 May 2021 17:25:30 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Quarentena – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Como falar com as crianças sobre o coronavírus? https://spsp.org.br/como-falar-com-as-criancas-sobre-o-coronavirus/ Mon, 06 Jul 2020 20:40:46 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3299 Em tempos de pandemia, são levantadas muitas questões sobre o que dizer ou não a uma criança acerca da Covid-19. É natural que surjam dúvidas e ansiedades sobre como abordar um capítulo tão triste da história, o qual não poderemos propositalmente “pular”, tal como fazemos quando queremos proteger os filhos de algo cruel como uma notícia da TV. Afinal, as restrições ao convívio social e até mesmo o comprometimento da saúde de amigos e parentes atingiram diretamente nossas crianças, tornando o assunto incontornável.
Pensei ser interessante contextualizar que os jovens dessa pandemia nasceram em um mundo em que ser feliz e ter qualidade de vida são imperativos que se aplicam à tarefa de tornar os filhos felizes, a qual muitos pais confundem com não frustrar as crianças e elas não aprenderem a tolerar frustrações, como se elas não pudessem suportar contrariedades e percalços inerentes à vida de qualquer ser humano.

petrograd99 | depositphotos.com


Desde a primeira semana de confinamento da pandemia, foi frequente ouvir nos grupos de WhatsApp de mães e pais de escolas particulares de São Paulo sobre a preocupação a respeito de como ficariam as aulas e o conteúdo que as crianças teriam que cumprir neste ano. Críticas à escola, discussões, ameaças de cancelamentos de matrícula, tudo isso na primeira semana. Quem protegeria as crianças de terem qualquer perda? Quem poderia salvar o ano letivo? De fato, se pensarmos na agenda lotada dessas crianças, parar parece uma tragédia, quase um crime.

Qual o impacto emocional para as crianças?

É evidente que toda essa situação preocupa muito e merece reflexão, porém tão importante quanto o comprometimento da normalidade do dia a dia escolar, é pensar em como essas crianças entenderão a gravidade do que acontece no mundo neste exato momento. Quais impactos emocionais estariam sentindo em suas vidas? Ouvindo os pais em desespero com questões escolares, eu me perguntava se a grande angústia deles, na verdade, não seria a de não poderem suportar esse acidente de percurso nos maiores planos que fizeram aos filhos? Ou por estarem extremamente preocupados com o que farão com seus filhos em casa? Ou ainda suportar lidar com o fato de que agora estamos todos sendo frustrados e mergulhados em uma situação de bastante descontrole que não sabemos como terminará? Esse último elemento que agrega imensa angústia a qualquer um de nós.
Na última semana, ouvi de uma paciente, preocupada a esse respeito e que perguntou ao filho, se ele pudesse estar em qualquer lugar do mundo, onde seria? Ficou tocada com a resposta: “No recreio da minha escola, com meus amigos”. A colocação desse menino me fez pensar que a grande perda para as crianças talvez seja a ausência do outro, do amigo, do abraço, da corrida no pátio, de jogar bola no recreio, da liberdade.
Ainda que a condição mais favorável das classes média e média alta permita aos pais proteger os filhos de boa parte dos sofrimentos derivados da vulnerabilidade econômica e social, invariavelmente sempre existirão dois incontornáveis inimigos: a doença e a morte. São vilões democráticos e que na pandemia chegaram sem pedir licença, atingindo todos os países do mundo de uma única vez. Essa é a notícia que teremos que dar aos nossos filhos e pacientes: estamos diante de algo imponderável, que não poderá ser censurado ou esquecido de forma deliberada, para que todos sigamos sem perdas, como se nada tivesse acontecido.

Esteja atento aos sinais de angústia e necessida de conversar

Se antigamente os velórios eram realizados em casa e as crianças eram parte do cenário inevitável e natural da morte, hoje muitas crianças só entram em contato com ela mais tarde na vida. O fato é que a pandemia chegou e subverterá justamente a forma como morremos e lidamos com a morte. É impossível poupar os jovens de tais notícias. Por outro lado, temos em nossas mãos uma grande oportunidade de observar como cada criança lidará com essa nova realidade. Será importante estarmos atentos aos sinais de angústia, aos sintomas e a necessidade de falar sobre a morte e a doença, que surgirão de qualquer forma, dependendo da faixa etária. Em crianças pequenas, por exemplo, a angústia em seu entorno, característica desse período, pode produzir retrocessos em habilidades consolidadas, como, por exemplo, voltar a fazer xixi na cama e pedir a mamadeira, fatos que podem ser a expressão de toda tensão familiar.
Nesse período, podem aparecer também angústias difusas e escamoteadas e que ganham outras facetas, outros nomes: o medo de ficar sozinho, a necessidade de ficar colado ao pai e/ou a mãe o dia todo, pavor em sair na rua, medo de dormir sozinho, são exemplos que qualquer profissional que cuida de crianças escuta cotidianamente, mas que nas últimas semanas vêm se intensificando. Nesse momento, penso ser importante não silenciar ou distrair as crianças e os jovens, mas ter a coragem e dignidade de atravessar com eles período tão triste.

Na hora de conversar, considere a idade da criança

Evidente que cada criança, dependendo de sua idade, deve ser exposta às notícias de acordo com a possibilidade de compreensão e elaboração da angústia. Com crianças bem pequenas não devemos apresentar as agruras da pandemia, como caixões em fila ou coisas do tipo, e mesmo com as mais velhas devemos preservar certas imagens e situações. Por outro lado, diante das constatações e perguntas das crianças mais velhas sobre desfechos piores, não devemos nos esquivar em dar esse triste dado de realidade. Essa será uma ocasião para mostrarmos a elas como lidar com tanta dor e incerteza e manter a esperança, tarefa que será individual e intransferível. Lidar com tais angústias precocemente nos parece cruel, porém essa experiência pode se traduzir em importante ferramenta para o enfrentamento da frustração e da adversidade. Teremos a oportunidade de refletir sobre como a felicidade é uma aspiração que, em qualquer biografia, estará mesclada à dor e ao sofrimento, que tudo isso faz parte da vida, que capítulos tristes, tal como nas histórias infantis, podem ser parte de uma vida feliz e, que a tristeza e a alegria coexistem o tempo todo. Tirar lições e conclusões sobre os impactos dessa pandemia é impossível, pois ela ainda está viva e faz parte do nosso presente. O que sabemos por ora é que ela nos trouxe medo extremo, uma impotência maior ainda e uma incerteza que por alguns momentos parece engolir toda esperança. Ora, se não sabemos como lidar com todos esses sentimentos e fatos, talvez seja melhor usarmos esse tempo para refletir, observar, aprender, ao invés de, como seres pós-modernos que somos, sairmos concluindo ou cobrando coisas, seja da escola, de nossos filhos e até de nós mesmos. Graças à pandemia, ganhamos uma oportunidade sem precedentes na história recente de ficarmos juntos dos nossos filhos por longos períodos, suportando dividir a dor, o receio, o tédio e os momentos de alegria. Nossas crianças conhecerão novos capítulos felizes se soubermos aguardar, refletir, suportar a angústia, conversar e preservar nossos vínculos solidários. A grande questão é: essas são tarefas árduas para todos nós, seres individualistas e acostumados à velocidade da luz e à felicidade ao alcance de uma curtida.

___
Relator
Dra. Flavia Schimith Escrivão
Departamento Científico de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo



]]>
Volta às aulas: orientações práticas para a vida escolar no “novo normal” https://spsp.org.br/volta-as-aulas-orientacoes-praticas-para-a-vida-escolar-no-novo-normal/ Wed, 01 Jul 2020 14:36:51 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3295 Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 01/07/2020

Como praticamente todos os aspectos da vida cotidiana, a vida escolar de nossas crianças foi afetada com a pandemia da COVID-19. Subitamente, as aulas foram suspensas, as férias antecipadas em alguns casos e a retomada dos estudos por meio remoto através da tecnologia. Pais e filhos passaram a conviver em um ambiente único, com a casa se tornando local não apenas de trabalho, o chamado home office, mas também de aprendizagem e estudo.

O papel do professor, tão desvalorizado em nossa sociedade, foi, aos poucos, sendo reconhecido pela maioria dos pais, ao estudarem com seus filhos e perceberem a dificuldade da transmissão do saber e do conhecimento, especialmente a esta geração tão bombardeada com estímulos. Limites precisaram ser colocados e, em muitos casos, houve aumento da ansiedade e conflitos relacionais.

igor vetushko | depositphotos.com

Neste contexto, como pensar sobre a volta às aulas? Quais os cuidados que devemos tomar? Como será o papel da escola e do professor neste momento chamado de “novo normal”?

Devemos analisar os aspectos pedagógicos, psicológicos, sociais e sanitários do retorno às aulas. Muitas são as dúvidas e nem todas as respostas estão claras ainda. Mas vamos procurar trazer algumas orientações.

Quanto aos aspectos pedagógicos, é importante centralizar esforços em celebrar a resiliência dos alunos, buscando integrar as diversas situações vividas e, através da discussão das práticas adotadas no ensino a distância, procurar equilibrar os alunos de modo mais homogêneo, sem descaracterizar a individualidade de cada aluno. É um momento muito oportuno para que os pais se aproximem da escola e conheçam melhor o conteúdo, a forma de ensino, as metas, o relacionamento da criança e do adolescente com a equipe escolar. Será fundamental repensar os espaços pedagógicos e redefinir as prioridades na retomada da vida escolar. Lembrem-se: todo mundo foi afetado pela pandemia!

Em relação aos aspectos psicológicos, teremos várias crianças e adolescentes tomados por sentimentos como medo, pânico, dificuldade de readaptação. Será um momento oportuno para que a equipe escolar trabalhe atividades nas quais seus alunos possam exprimir sentimentos, angústias e medos a fim de auxiliar a recuperação emocional. Importante ter um olhar sobre a violência doméstica, que pode ter se intensificado com a questão do distanciamento social. Nem sempre as equipes escolares têm capacitação para lidar com este tipo de questão e é necessária a aproximação dos serviços de saúde às escolas.

No que se refere à questão sanitária, o distanciamento social será imprescindível, assim como uso de máscaras e lavagem das mãos. Provavelmente teremos que ter rodízio de alunos e olhar com cuidado especial a questão da ventilação e renovação do ar nos espaços fechados, assim como nas salas de aulas e nos laboratórios. Um cuidado adicional será o de olhar com atenção especial àqueles alunos que têm na merenda escolar sua principal refeição. Verificar as necessidades das famílias e trabalhar para que tenham o mínimo de condição para alimentar as crianças é uma questão humanitária ainda muito importante em nossos dias.

Respostas e fórmulas prontas não existem, mas, mais do que nunca, precisamos todos trabalhar para a construção de um ambiente de ensino-aprendizagem que seja acolhedor, confortável e principalmente efetivo em construir cidadãos preparados para os desafios que vem por aí. E pensarmos também em criar cidadãos críticos, responsáveis, cientes de seu papel social, com menos preocupação na competição e no individualismo.

__
Relator:
Dr. Fausto Flor Carvalho
Departamento Científico de Saúde Escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo



]]>
O medo da COVID-19 afasta as crianças de consultas com pediatras ou emergências https://spsp.org.br/o-medo-da-covid-19-afasta-as-criancas-de-consultas-com-pediatras-ou-emergencias/ Fri, 26 Jun 2020 20:04:28 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3293 Crianças podem pegar e transmitir o coronavírus, mas raramente de forma grave e, se seu filho estiver doente, há uma grande chance de ser outra doença, que não COVID-19.

Um dos papéis do pediatra é garantir que as crianças tenham avaliação, investigação e diagnóstico rapidamente, para que o tratamento específico, quando for necessário, comece assim que possível, ou seja, tomar os cuidados adequados, no momento e no local certos.

andrey popov | depositphotos.com

No entanto, surgem relatos que, nos dias de hoje, muitos pais estão hesitantes ou esperando demais para procurar atendimento médico quando seu filho está doente ou se sofreu algum acidente ou trauma. Menos crianças são trazidas aos consultórios pediátricos ou aos serviços de emergência com condições muitas vezes sérias e, quando chegam, estão em situação grave. Segundo o Center of Diseases Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos, os atendimentos em pronto-socorro para emergências não-COVID-19 caíram 42% durante a pandemia, sendo as reduções mais acentuadas entre menores de 14 anos. Em 2019, 12% de todas as visitas ao departamento de emergência ocorreram em menores de 10 anos, em comparação com 6% durante o mesmo período deste ano, durante a quarentena.

E por que isso acontece? Alguns pais não procuram ajuda por estarem preocupados em pegar COVID-19 no consultório ou no hospital, ou que seu filho contraia a doença. Há quem assuma que tudo é causado pelo coronavírus e, por ser criança, vai melhorar logo. Outros acham que podem cuidar em casa, minimizando os riscos, até quando seu filho tem alguma doença crônica, ou que situações como cortes, fraturas e queimaduras vão sarar logo, sem necessidade de atendimento médico.

Levar o filho ao hospital pode ser uma experiência estressante, mas, ao contrário do que muitos pensam, o serviço de emergência ainda é um lugar muito seguro, especialmente para crianças, apesar da pandemia. A sala de espera lotada não é mais a realidade no momento e a maioria dos hospitais segue práticas rigorosas para impedir a propagação do vírus entre pacientes e funcionários,  ressaltando que  todos devem usar  máscara o tempo todo enquanto estiverem no hospital; praticar o distanciamento social (de 1,5 metro entre as pessoas); isolar todos os pacientes suspeitos e positivos de COVID-19 em áreas privadas; minimizar o contato através de um sistema de triagem, incluindo admissão e transferência direta no hospital; evitar o serviço de emergência sempre que possível; visitação limitada (uma só pessoa para pacientes com até 18 anos); testar todos os pacientes admitidos para o setor de COVID-19 (na emergência, na  observação e internados) e limpeza/ higienização regulares de todas as superfícies e salas.

O que os pais podem fazer?

  • Entre em contato com seu pediatra e verifique se a consulta deverá ser presencial ou por teleconsulta, através de outras mídias (aplicativos como: WhatsApp, FaceTime, Zoom, Webex, Skype, Google Meet, etc.).
  • Nessas consultas de telemedicina, podem ser obtidas orientações para vocês e seus filhos sobre alimentação, imunizações, desenvolvimento. Além disso, podem ser feitas solicitações de exames laboratoriais, receitas simples, de controle especial e de orientações gerais.
  • A maioria dos consultórios está aberta e adotando medidas extras para garantir que você e seus filhos fiquem seguros. Alguns consultórios separaram as crianças que “estão bem” das que “estão doentes” e agendam recém-nascidos e bebês pequenos nos primeiros horários.
  • Algumas situações demandam atendimento presencial, como consultas de recém-nascido e bebês pequenos, monitoração de crescimento, pressão arterial e outros sinais vitais e tratamento de doenças, lesões e/ou infecções.

O que fazer se o seu filho ficar doente

Se a criança foi exposta ao coronavírus ou vocês estão preocupados com os sintomas que apresenta, entrem imediatamente em contato com o pediatra. Sabemos que às vezes é difícil descrever como está a criança ou o quanto doente está e seu pediatra, conhecendo a família, vai fazer algumas perguntas e, de acordo com as respostas, poderá orientar algumas medidas iniciais a serem tomadas, os sinais de alerta ou de piora e quando deverão ir para o hospital.

Quando devem ir ao Serviço de Emergência

De acordo com as orientações elaboradas pelos The Royal College of Paediatrics and Child Health (RCPCH), no Reino Unido, através de um sistema de semáforo nas cores vermelha, âmbar (alaranjada) e verde, os pais devem avaliar quando devem procurar atendimento médico e de que tipo, se a criança está doente ou sofreu um acidente.

Seguem as recomendações, adaptadas para a nossa realidade:

SINAL VERMELHO

Seu filho apresenta ou está com:

  • Pele e mucosas pálidas, frias ou extremidades e lábios roxos (cianose).
  • Erupção cutânea que não desaparece com a pressão (manchas vermelhas ou roxas).
  • Respiração com paradas ou pausas (apneia), irregular, gemente, com som como “um grunhido”, grande desconforto.
  • Nível de consciência: agitação, irritabilidade, choro inconsolável, letárgico (difícil de ser acordado), sonolência ou falta de resposta.
  • Convulsão
  • Dor testicular em meninos.

O QUE FAZER: ir ao Serviço de Emergência mais próximo.        

SINAL ÂMBAR

Se seu filho tem um dos seguintes sinais ou sintomas:

  • Febre de 38º C ou superior em recém-nascidos e bebês com menos de 3 meses de idade, temperatura acima de 39ºC em bebês de 3 a 6 meses de idade e febre acima de 38ºC por mais de 5 dias para todos os lactentes e crianças.
  • Dificuldade para respirar, batimento das asas do nariz, contração dos músculos no pescoço, abaixo ou entre as costelas, crise grave de asma.
  • Dor abdominal severa e persistente.
  • Desidratação (boca seca, olhos fundos, chora sem lágrimas, sonolento ou urinando menos do que o habitual), vômitos repetidos ou logo após ingerir algum líquido e recusa de qualquer líquido ou sólido, episódios de diarreia.
  • Muita sonolência, dificuldade de ser acordado ou irritabilidade (sem estar com febre).
  • Tremores ou dores musculares.
  • Urina ou evacuação com sangue.
  • Qualquer lesão em algum membro causando movimento reduzido, dor persistente.
  • Lesão na cabeça causando choro persistente ou sonolência.
  • Está piorando ou se vocês estão preocupados.

O QUE FAZER: entrar em contato com o pediatra ou serviço de emergência; se não conseguirem rapidamente ou se os sintomas persistirem por quatro horas, levar a criança ao Serviço de Emergência mais próximo.

SINAL VERDE

Se nenhum dos sintomas ou sinais acima estiver presente:

O QUE FAZER: entrar em contato com o pediatra ou serviço de emergência, aguardar resposta e continuar prestando assistência em casa. Se os sintomas mudarem ou aumentarem, entrar em contato com o pediatra. E, se não for possível, ir ao Serviço de Emergência que estão acostumados.

Confiem em seus instintos e, se for possível, entrem em contato com seu pediatra primeiro, para ajudar por telefone, ao orientar e coordenar os cuidados, sem que haja necessidade de levar a criança ao hospital.

Sabemos que realmente estão assustados. Nós pediatras estamos por aqui, prontos para ajudá-los a cuidar de seu filho, mantendo todos seguros. Nosso trabalho é prestar assistência às crianças e adolescentes e continuaremos a fazê-lo durante toda a pandemia.

Leituras adicionais:
1- Royal College of Paediatrics and Child Health. Advice for parents when your child is unwell or injured during coronavirus. England: RCPCH; 2020. Disponível em: https://www.rcpch.ac.uk/sites/default/files/2020-04/covid19_advice_for_parents_when_child_unwell_or_injured_poster.pdf
2- Jennifer Shu. Is it OK to call my pediatrician during COVID-19? FAAP. Disponível em: https://www.healthychildren.org/English/tips-tools/ask-the-pediatrician/Pages/Is-it-OK-to-call-the-pediatrician-during-COVID-19-even-if-Im-not-sure-my-child-is-sick.aspx
3- ER visits for non-Covid emergencies have dropped 42% during the pandemic, CDC says. Disponível em: https://whnt.com/news/coronavirus/cdc-says-er-visits-have-dropped-42-percent-during-covid-19-pandemic/

___
Relator:
Dra. Renata D. Waksman
Vice-presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Coordenadora do Núcleo de Estudos da Violência contra Crianças e Adolescentes e do blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo



]]>
Vai acabar a quarentena. E agora? https://spsp.org.br/vai-acabar-a-quarentena-e-agora/ Fri, 19 Jun 2020 14:06:26 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3288 Com o vislumbre do final da quarentena, há um relaxamento natural e progressivo das medidas de isolamento social. Em paralelo, a previsão é de que o retorno às aulas presenciais ocorra apenas em agosto, ainda que escalonado (a definir).
Sendo assim, como flexibilizar, com segurança, saídas e passeios para as crianças? Com o retorno dos pais ao trabalho, com quem deixar as crianças em casa?
Os cuidados com a higiene e a etiqueta respiratória adotados durante o período de quarentena continuam valendo: lavagem das mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos (ou, se não for possível, uso de álcool em gel), manter a casa ventilada, tirar os sapatos ao entrar em casa, uso de lenços descartáveis para higiene nasal, cobrir o rosto ao tossir ou espirrar, etc.

Cuidados necessários nos passeios

Em relação aos passeios, os cuidados devem começar mesmo antes de sair de casa. Crianças acima de dois anos devem usar máscaras, desde que não haja contraindicações (ver quadro abaixo). Deve-se conversar com a criança sobre a importância da máscara e dos cuidados com seu uso antes de sair de casa. Importante que qualquer pessoa sintomática não saia de casa, a não ser que seja para atendimento médico.
No caso de uso de elevadores, atender ao cuidado de entrar somente se vazio. Evitar que crianças toquem paredes, botões e portas e todos devem higienizar as mãos ao saírem do elevador, pois pode haver contágio através do toque em superfícies contaminadas. Atenção redobrada ao uso de aparelhos celulares enquanto estiverem fora de casa: eles devem ser mantidos higienizados.
Passeios ao ar livre, parques e praças são sempre bem-vindos. Escolher locais onde o distanciamento social seja possível, evitando sempre aglomerações. No momento, não se recomenda que crianças brinquem com outras de famílias diferentes.
Parquinhos e playgrounds não são indicados, tanto por ser impossível manter os cuidados com as superfícies, quanto por geralmente estarem mais cheios, impossibilitando o distanciamento social.
Manter lactentes e pré-escolares no carrinho (ou cangurus) pode ser uma boa maneira de criar um espaço seguro enquanto passeiam.
O uso de piscinas é possível, desde que o distanciamento social seja respeitado, uma vez que não há evidência de contágio através de água tratada.

A volta dos pais ao trabalho

Algumas famílias terão a necessidade da presença de funcionários em casa para que possam retornar ao trabalho, já que creches e escolas ainda não estarão funcionando.
Para diminuir os riscos, tanto para os funcionários quanto para as famílias, é aconselhável o uso de máscaras, além de roupas e calçados separados para uso domiciliar e fora dele. Objetos pessoais como carteiras, bolsas, chaves e celulares devem estar guardados em um local específico. Outra medida para aumentar a segurança nesse processo seria planejar turnos alternativos, que propiciem aos funcionários evitar o transporte público nos horários de maior aglomeração. Havendo a possibilidade, considerar o uso de transporte individual alternativo, como aplicativos de transporte ou táxi.
Haverá um período de adaptação na retomada das atividades, inclusive na questão de sociabilização da criança, seja com amigos ou com familiares. Os cuidados no contato com os avós devem ser mantidos e, caso a opção seja visitá-los, as medidas de distanciamento social e o uso de máscaras devem ser reforçados. Os adolescentes devem ser orientados a manter o autocuidado mesmo quando seu grupo tiver conduta diferente da preconizada pela família.
Importante que a decisões sejam feitas com cautela e segurança. Dessa maneira, protegemos nossas crianças, nossas famílias e, consequentemente, nossa comunidade.

USO DE MÁSCARAS

  • Deve ser usada durante todo o período fora de casa, respeitando os protocolos de higiene e distanciamento social.
  • Uso indicado para maiores de dois anos, sendo que de dois a cinco anos o uso correto dependerá da maturidade de cada criança.
  • Cuidado individualizado no uso em crianças portadoras de deficiências.
  • Não utilizar em crianças com dificuldade respiratória.
  • A máscara caseira deve ser feita com três camadas de tecido, sendo a camada exterior impermeável e a camada próxima ao rosto de tecido tipo algodão.
  • Deve cobrir boca e nariz e estar ajustada ao rosto.
  • Trocar a máscara a cada duas horas e sempre que molhar ou sujar.
  • Lavar a máscara após uso.

___
Relatores:    
Dra. Luciana Issa
Dra. Regina Sílvia Costa Carnaúba
Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo



]]>
COVID-19 – Como proteger os bebês do contágio? https://spsp.org.br/covid-19-como-proteger-os-bebes-do-contagio/ Thu, 18 Jun 2020 22:19:20 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3284 Nesta época que vivemos, com a pandemia do novo coronavírus, muito se discute sobre qual a melhor forma de proteção do contágio, quer seja para os profissionais da saúde, quer seja para a população em geral. Algo que se deveria discutir também é: como devemos proteger os recém-nascidos?

Como parte do EPI (equipamento de proteção individual), utilizado pelas pessoas atuantes na linha de frente ao combate à COVID-19, é usado o escudo facial feito com acetato, que em conjunto com a máscara cirúrgica e demais itens, é um grande aliado no impedimento do contágio com as secreções dos pacientes infectados. A falta deste utensílio faz com que as chances de contaminação por parte dos atuantes na linha de frente sejam maiores, uma vez que a máscara (tais como N95 ou PFF2, as mais usadas nas instituições de saúde) protegem apenas as vias aéreas e, como foi percebido, basta o simples contato das gotículas em qualquer parte da pele para que haja o contato com o vírus. Em se tratando de salas de parto, os cuidados e procedimentos de segurança são ainda mais rigorosos.

Fonte: arquivo do autor

Alguns fatores nos fazem compreender sobre o porquê de tais medidas: os bebês são alvos potenciais de germes e vírus que estejam circulando no ar; cerca de 15% das mulheres grávidas que possuem sintomas de coronavírus são assintomáticas; ainda há dificuldades em se notar se há algum tipo de transmissão da mãe para o bebê, mesmo que pelo leite materno. Devido as alterações estruturais de muitos hospitais e demais instituições médicas para atender potenciais pacientes sintomáticos, algumas maternidades concentraram consideravelmente os partos realizados, bem como as rotinas comumente conhecidas das maternidades foram duramente modificadas, como a circulação de pessoas, o maior tempo juntos de mãe e bebê, bem como forte restrição no que tange a visitas.

E como protegemos os pequeninos após seu nascimento?

O uso de máscaras, diferentemente do prescrito para adultos, não é recomendado até os 2 anos de idade, segundo informações do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, porque as vias aéreas nesta idade são menores e, consequentemente, existe o risco de sufocamento, aliado ao fato de que as crianças ainda não estão aptas a manipularem as máscaras por conta própria. Além disso, o tamanho da máscara dificilmente fica adequado ao rosto dos bebês, bem como há grande possibilidade deles as tocarem, propiciando o contágio por outros orifícios. Os recém-nascidos costumam babar, consequentemente sujando estes equipamentos e, por último, o fato de que o incômodo de uma máscara pode irritar as crianças.

Pensando nisso, o Praram 9 Hospital, em Bangkok, na Tailândia, começou a ceder escudos para os recém-nascidos, num tamanho capaz de proteger o rosto, em sua totalidade, bem como metade de seu corpo. Isso começou quando as enfermeiras tomaram conhecimento que a mãe retornaria para sua casa de transporte público. Preocupadas com os riscos de contágio, produziram artesanalmente o primeiro escudo.

No Brasil, temos iniciativas semelhantes, nas cidades de Recife, Natal e Caxias do Sul. A grande diferença destes escudos para aqueles usados em adultos é como fixar nas frágeis cabeças dos bebês. Para isto, ajustes nas hastes foram feitos para trazer maior firmeza e comodidade. O uso do escudo permite que pais possam transitar com seus filhos, em casos estritamente necessários, tais como consultas médicas e vacinações necessárias, de acordo com a faixa etária da criança.

Olhando um outro aspecto, citamos acima que as medidas protetivas se intensificaram em todos os meios médicos, nada diferente quando falamos de salas de parto. As medidas de distanciamento físico (que é o que realmente vivemos) tomadas por estados e municípios, bem como as recomendações já comumente feitas pelos pediatras no que diz respeito sobre quais locais os recém-nascidos podem frequentar, como o cuidado com exposição ao sol, no devido horário, é a melhor forma de proteção dos bebês. A situação atual requer maior regramento no que tange ajustar a rotina da família, permanecendo por mais tempo nos lares e entendemos que é um desafio. Sabemos que é a fase da vida onde as crianças estão em descoberta do mundo, onde o contato e a intimidade com o seio familiar são cruciais. Sem contar que a higiene, fator sempre observado nesta época, está com requisitos ainda maiores, inclusive nos adultos. Lavar as mãos com água e sabão (na falta, por estar na rua, álcool em gel), não usar a mesma roupa da rua em casa, higienizar itens e/ou alimentos vindos de fora, deixar calçados do lado de fora da casa são ações que minimizam as chances de qualquer contágio com o novo coronavírus. E com a clareza de que isto é um momento e irá passar.

Finalizando, é muito importante que nos cuidemos como um todo e, no caso das crianças, fiquem em casa! Se for preciso sair, procuremos usar os recursos possíveis para diminuir as chances de contágio, quer seja com um lençol, um pano suave ou mesmo o escudo facial. Assim, nossos anjinhos estarão sempre seguros.

___
Relatora:
Dra. Patricia Marañon Terrível
Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo



]]>
Dicas para manter o sorriso das crianças saudável durante a pandemia https://spsp.org.br/dicas-para-manter-o-sorriso-das-criancas-saudavel-durante-a-pandemia/ Fri, 05 Jun 2020 19:48:33 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3280 A doença COVID-19 que acomete todo o planeta mudou drasticamente nossa rotina! E tudo parece mais complicado para as pessoas que estão confinadas em casa com crianças. Com o intuito de conciliar home office e atenção às crianças, alguns problemas podem surgir, tais como: descuido na higiene bucal, ingestão de alimentos açucarados com mais frequência, além de acidentes domésticos que podem colocar em risco as crianças.

sbworld7 | depositphotos.com

Nesse momento, a recomendação do Conselho Federal de Odontologia é para que somente sejam realizados atendimentos de urgência, por isso é interessante tomar alguns cuidados a fim de evitar a necessidade de atendimento odontológico. Fiquem em casa e sigam essas dicas:

  1. Higiene bucal: escovar os dentes da criança após as refeições principais com dentifrício (pasta de dente) fluoretado infantil (1.100ppm de flúor), colocando pouca quantidade na escova e orientando a criança para não engolir o creme dental. O flúor ingerido em excesso pode causar alterações no esmalte dental em formação (fluorose). Importante:  não esquecer de limpar a língua, escovando de dentro para fora. Escovas de cerdas macias e cabeça pequena são ideais para a higiene e devem ser guardadas secas sem que encostem nas escovas de outros familiares.  O fio dental deve ser usado diariamente para a remoção da placa bacteriana entre os dentes.
  2. Caso a criança use aparelho ortopédico funcional (móvel), este também deverá ser higienizado com creme dental.
  3. Alimentação: não deixar a criança comer o tempo todo, principalmente alimentos doces, que são mais prejudiciais aos dentes, além de diminuir o apetite para as refeições principais. Lembrar que: lesão de cárie causa dor e haverá necessidade de procurar o odontopediatra, portanto preferir alimentos saudáveis e naturais para oferecer ao seu filho.
  4. Açúcar, o grande vilão! A sacarose é o açúcar mais cariogênico (que provoca cáries dentárias) e se for ingerida na forma pegajosa (como bolachas recheadas, balas) permanecerá mais tempo em contato com o dente, aumentando os riscos de ataque bacteriano. O ideal é evitar esses alimentos, mas se forem ingeridos, os dentes precisam ser bem escovados.
  5. Sucos, atenção! São muito ácidos e concentrados em açúcar. A água é o melhor “suco natural” para hidratar o organismo. Dê preferência às frutas frescas e evite refrigerantes.
    Traumas dentais: as crianças estão sujeitas a quedas, principalmente aquelas que estão começando a andar e não têm noção do perigo. Nas crianças maiores, brincadeiras mais violentas, de grande impacto, podem causar acidentes e comprometer os dentes permanentes anteriores (dentes da frente). Nesses casos, há necessidade de procurar o especialista imediatamente, pois o prognóstico do caso será mais favorável quando o atendimento for feito no menor espaço de tempo possível.

O que pode ser feito em casa, antes de levar a criança ao odontopediatra:

– tranquilidade é a palavra de ordem, ficar calmo auxilia no manejo da criança;
– limpar lábios e bochechas que estejam com vestígios de sangue;
– em caso de fratura dental, verificar se encontra o fragmento dental, que deverá ser colocado em um frasco com leite ou soro fisiológico;
– se os pais perceberem a falta do dente, é importante procurá-lo, pois ele pode ter sido expulso da cavidade bucal (avulsão dental). Se o dente for encontrado, pegá-lo pela coroa dental, lavar em água corrente e colocar imediatamente dentro de um frasco com leite ou soro fisiológico. Via de regra, os dentes decíduos (dentes de leite), diferentemente dos permanentes, não são reimplantados na arcada dentária, mas o profissional terá melhores condições de avaliar cada caso individualmente.
Os dentes decíduos serão substituídos pelos permanentes, mas isso não quer dizer que eles não precisem de cuidados. Eles têm um importante papel na mastigação, no desenvolvimento da fala e deglutição das crianças pequenas. Assim, manter um sorriso saudável é fundamental para o desenvolvimento adequado da criança. Em caso de dúvidas, procure o odontopediatra.

___
Relator:
Dra. Ana Maria Peixoto Guimarães de Araújo
Grupo de Trabalho de Saúde Oral da Sociedade de Pediatria de São Paulo



]]>
Um alerta sobre a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica https://spsp.org.br/um-alerta-sobre-a-sindrome-inflamatoria-multissistemica-pediatrica/ Wed, 27 May 2020 22:59:39 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3259 A pandemia global da COVID-19 tem causado muitos casos graves e mortes entre adultos e idosos com comorbidades, mas, entre crianças e adolescentes, na maioria das vezes, a doença é assintomática ou apresenta sintomas leves da infecção.
Entretanto, algumas crianças ou adolescentes podem desenvolver manifestações clínicas graves. É um novo fenômeno, chamado de “síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica”.

milkos | depositphotos.com

O que é essa síndrome?

É uma situação clínica, na qual ocorre uma intensa inflamação de vários sistemas do corpo: dos vasos sanguíneos (vasculites), causando extravasamento (vazamento) de líquidos e seu acúmulo nos pulmões, coração, rins e outros órgãos, além de diminuição da pressão arterial (quadro de choque).
Em alguns países, inclusive no Brasil, nas últimas semanas, infelizmente tem havido alguns casos em crianças e adolescentes desta síndrome, que tem em comum algumas características da Doença de Kawasaki (vasculite aguda rara, cujo diagnóstico baseia-se na presença de febre persistente, quadro de erupção cutânea, aumento de gânglios, conjuntivite com vermelhidão nos olhos, inflamação nas mucosas, alterações nas extremidades e sua principal complicação são os aneurismas das artérias coronárias) e da Síndrome do Choque Tóxico (causada por algumas bactérias que produzem toxinas, ocorre disfunção de múltiplos órgãos e instabilidade da pressão arterial, com choque).
O que chama a atenção nesses casos é que as crianças ou adolescentes tem nos exames para SARS-CoV-2: PCR positivo numa minoria dos casos e sorologia (IgG) positiva em sua maioria; além disso, sua faixa etária é mais alta do que a dos pacientes com Doença de Kawasaki.

Quais são os sintomas que a maioria dessas crianças apresenta?

A COVID-19 pode infectar os pacientes não apenas pelo trato respiratório, na forma de gotículas de ar, mas também pelo trato digestório, por contato ou transmissão fecal-oral.
Os sintomas iniciais podem ser gastrointestinais, com dor abdominal, vômitos e diarreia e pode haver ausência de sintomas respiratórios nesta fase. Entretanto, com o passar dos dias os sintomas envolvem inflamações na pele, sangue, coração e veias: febre, cefaleia, confusão mental, erupção na pele, descamação, hipotensão e disfunção de múltiplos órgãos.
Sintomas que servem de alerta: dores abdominais, gastrointestinais e inflamação cardíaca

O que pode gerar confusão frente aos sintomas?

Alguns fatores interferem negativamente para a detecção precoce dessa síndrome em crianças, principalmente em sua fase inicial: não apresentar sintomas respiratórios (que seriam os esperados), estar com febre ou com alguma outra doença. É importante lembrar que esta síndrome causa uma reação inflamatória atípica e desproporcional a uma infecção banal.

E o que os pais podem fazer?

  • Primeiro de tudo, mantenham a calma! Considerem que o número de casos é muito pequeno;
  • Fiquem atentos aos sintomas de alarme, tanto pela COVID-19, como de outras doenças que possam justificar o atendimento em pronto socorro;
  • Se estiverem preocupados com algum sintoma que seu filho esteja apresentando, ou se estiver com alguns dos citados acima, entrem em contato com seu pediatra. Caso não seja possível, dirijam-se ao serviço de urgências pediátricas que tenha estrutura de internação em unidade de cuidados intensivos;
  • Estes conhecimentos possibilitam o diagnóstico precoce de doenças que requerem intervenção imediata, não só nos casos do novo coronavírus. 

Lembrar que: o reconhecimento precoce e o tratamento definitivo são fundamentais para melhorar os resultados e sobrevida dos pacientes dessa síndrome grave, que pode requerer cuidados intensivos, para abordar as múltiplas insuficiências, com destaque para: coração, pulmões e rins.

___
Relatores:
Dra. Renata D. Waksman
Vice-Presidente da SPSP e Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP
Dr. Eitan N. Berezin
Presidente do Departamento Científico de Infectologia da SPSP



]]>
Coronavírus, quarentena e “boa” alimentação dos nossos filhos https://spsp.org.br/coronavirus-quarentena-e-boa-alimentacao-dos-nossos-filhos/ Tue, 26 May 2020 22:58:36 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3253 Com o crescimento do número de casos de COVID-19 no Brasil e no mundo, a pandemia do novo coronavírus evolui entre incertezas e constante geração de conhecimento científico relacionado às estratégias para prevenir e combater a infecção, ou pelo menos, tentar evitar as formas graves da doença.

O isolamento social (permanência do maior tempo possível em casa) tem levado a modificações da dinâmica familiar. As dificuldades de lidar com essa fase, direta e indiretamente, podem acarretar consequências à saúde, que vão além da doença. A forma de realizar as refeições é uma dessas mudanças impostas pela quarentena e que pode ter como consequências os distúrbios nutricionais. Crianças e adolescentes, que realizavam pelo menos uma ou mais das refeições principais na escola, estão se alimentando em casa, em tempo integral.

geka skr | depositphotos.com

No entanto, garantir horários das refeições organizados e uma alimentação equilibrada qualitativa e quantitativamente não tem sido uma tarefa fácil para os pais, por diversas razões: maior número de afazeres domiciliares assumidos por eles, existência de maior ou menor acesso a alimentos saudáveis, a praticidade do fast food, a exigência de trabalhar remotamente e, nos diversos contextos sociais, pela necessidade de criar alternativas para manter uma fonte de renda suficiente para o bem-estar e sobrevivência.

A boa nutrição, que é historicamente aliada à boa imunidade ou à defesa competente do organismo contra a agressão de agentes infecciosos, é basicamente resultado da boa alimentação, que inclui o consumo diário de nutrientes necessários para a boa atividade de órgãos e sistemas do corpo.

Dentre essas boas características, aponto aqui, especificamente, os efeitos benéficos do estado nutricional adequado de vitaminas (A, C e D) e minerais (zinco e selênio) na manutenção do sistema imune competente e, consequentemente, no seu papel no controle e prevenção de doenças infecciosas, como a COVID-19.

Estes cinco micronutrientes participam dos mecanismos de defesa do organismo contra a invasão de vírus, bactérias e outros agentes estranhos, protegendo as mucosas respiratórias e gastrintestinais, regulando a inflamação, agindo como antioxidantes, garantindo a geração de anticorpos específicos ou fortalecendo células protetoras.

Ok, mas o que oferecer para nossos filhos nesta época de “improviso” alimentar para garantir estas funções?

Os alimentos considerados melhores fontes de vitaminas (A, C e D) e minerais (zinco e selênio) e que devem ser oferecidos na mesa familiar estão dispostos no quadro abaixo.

Micronutriente Origem/Alimentos
Vitamina A Origem animal: carne e óleo de fígado (órgão de reserva), leite e ovos Origem vegetal: vegetais folhosos verde-escuros, óleos, frutas e vegetais com coloração do amarelo ao vermelho (manga, mamão, abóbora, cenoura, batata doce, espinafre, mostarda e couve)
Vitamina C Frutas cítricas (limão, laranja, acerola e abacaxi), não cítricas (melancia, melão, cerejas, kiwi, manga, mamão, morango e tomate) e legumes (repolho, brócolis, couve, couve-flor, mostarda, pimentão vermelho e verde, ervilha e batata)
Vitamina D* Peixes com alto teor de gordura (salmão, sardinha e atum), óleo de fígado de peixe, gema de ovo, fígado, leite e seus derivados
Zinco Mariscos, ostras, carnes vermelhas, fígado, miúdos, ovos, grãos integrais e cereais matinais fortificados
Selênio Castanha do Brasil, peixes (sardinha, salmão), fígado de boi, farelo de arroz, farinha de trigo integral, cebola, alho, cebolinha, mostarda, repolho, brócolis, couve-flor e cogumelos

*Especificamente, o consumo diário de alimentos fonte de vitamina D é indispensável, pela redução da exposição solar decorrente da quarentena.

Fonte: elaborada pelo autor

Enfatizo que, embora existam algumas hipóteses recentemente levantadas, até o momento, não há qualquer evidência científica do benefício do uso de suplementos alimentares ou medicamentosos com estes micronutrientes para prevenir ou tratar a COVID-19 em indivíduos saudáveis, principalmente na faixa etária pediátrica. Além disso, altas doses levam ao risco de toxicidade e, consequentemente, prejudicam a saúde.

No entanto, é fundamental destacar que o estado de deficiência de qualquer um destes micronutrientes deve ser identificado e reparado prontamente para garantir o bom funcionamento do sistema imune. Aqui sim, diante da forte suspeita clínica ou da deficiência nutricional comprovada, estratégias de suplementação e tratamento são, assim como eram antes da pandemia atual, altamente indicadas e contribuem significativamente com o combate às doenças infecciosas.

Convido os pais para uma reflexão: este momento de pausa, sem trânsito, sem escolas, sem igreja, sem parques, sem praias, sem jogos de futebol, sem bares, restaurantes ou lanchonetes pode ser uma oportunidade para proporcionar uma alimentação mais saudável para toda família e para compartilhar o momento das refeições. Mesmo frente ao desafio da adaptação ao isolamento social, este certamente é um caminho para a promoção da saúde e fortalecimento familiar. Tal modificação da prática e comportamento alimentar pode surpreender nossas expectativas, quanto à possibilidade de aquisição de preferências e hábitos alimentares saudáveis pelos nossos filhos.

___
Relator: Tulio Konstantyner
Departamento Científico de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Membro titular do Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria



]]>
Doe leite, doe vida – 19 de maio: Dia Internacional de Doação de Leite Humano https://spsp.org.br/doe-leite-doe-vida-19-de-maio-dia-internacional-de-doacao-de-leite-humano/ Tue, 19 May 2020 21:53:13 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3247 As primeiras comemorações pelo Dia Nacional de Doação de Leite Humano aconteceram em 1º de outubro de 2004 e, a partir da lei nº 13227, de 12 de dezembro de 2015, oficialmente passamos a comemorar, anualmente, no dia 19 de maio.

Há 10 anos, a Rede Global de Bancos de Leite Humano (BLH) comemora nesta data o Dia Internacional de Doação de Leite Humano, para sensibilizar gestantes, puérperas e nutrizes sobre esse ato solidário, que contribui para salvar vidas de recém-nascidos prematuros e doentes internados em Unidades Neonatais.

Especialmente em 2020, um momento de tantas dúvidas e poucas certezas com a pandemia da Covid-19, sabemos o quanto é necessário e importante para esses prematuros que os estoques dos BLH estejam abastecidos.

Quem pode doar?

Toda mulher que estiver amamentando e tiver leite excedente, independente do volume, poderá entrar em contato com um BLH na sua região para fazer um cadastro e receber as orientações e os cuidados necessários para coleta e armazenamento do leite.

Quanto mais leite é retirado (para doação ou sugado pelo seu bebê), mais leite é produzido. Um litro de leite materno doado pode alimentar até 10 recém-nascidos por dia. E, dependendo do peso do prematuro, um (1) ml já é o suficiente para nutri-lo cada vez que for alimentado.

Para ser doadora, a nutriz deverá estar saudável, não ser portadora de doença infectocontagiosa e nem fazer uso de medicamento que seja incompatível com a amamentação. Assim, nesse momento, mães que sejam Covid positivas ou sintomáticas podem amamentar seus filhos (não existe comprovação de transmissão através do leite materno), mas não podem doar seu leite.

O que acontece com o leite que é doado?

Conforme as recomendações oficiais, toda vez que chega um leite doado a um BLH ele é analisado, pasteurizado e submetido a um rigoroso controle de qualidade. Só então ele é distribuído de acordo com as necessidades de cada recém-nascido internado e da sua fase de desenvolvimento.

Os estudos mostram que os bebês prematuros e/ou com patologias que recebem leite humano quando não podem ser amamentados têm mais chances de se recuperar, melhorar seu ganho de peso, se proteger de infecções e ter uma vida mais saudável.

Preciso ir ao BLH ou eles podem vir até minha casa?

As duas situações são possíveis.

Para começar, entre em contato com o BLH mais próximo por telefone. A candidata poderá realizar um cadastro de doadora e receberá todas as orientações necessárias para a coleta e armazenamento do leite que ela irá retirar. Os dados serão analisados por uma equipe e, se for considerada apta, o processo será regularizado.

Antes de começar a doar, a nutriz aprende como coletar o leite e recebe materiais como gorro, máscara, etiquetas e frascos de vidro esterilizados com tampa plástica.

A cidade é dividida em zonas que são visitadas ao menos uma vez por semana. A cada visita, a doadora receberá novos frascos esterilizados vazios e entregará a sua doação de leite. Todo transporte do leite é realizado em caixas isotérmicas (que mantém a temperatura) e com gelo reciclável, garantindo assim a qualidade do seu leite.

Em momento de tantos heróis e heroínas, nós, pediatras, queremos agradecer as doadoras que, mesmo nesse momento de pandemia, mesmo com o “FIQUE EM CASA”, reservam um pouco de tempo para colher seu leite e doar para um BLH.

Todos os Bancos de Leite Humano do Brasil esperam continuar contando com a solidariedade de todas as mulheres que se dispõem a doar seu leite excedente e que também continuam a incentivar outras mulheres a se tornarem doadoras.

Caso queira ser uma doadora, entre em contato com um BLH através dos dados que constam no site da Rede Brasileira de Banco de Leite Humano. Com certeza encontrará um Banco de Leite de um hospital necessitando de sua doação.

DOE LEITE, DOE VIDA.

#FiqueEmCasa e apoie essa ideia!

___
Relatores:
Dra. Maria José Guardia Mattar
Dra. Rosangela Gomes dos Santos
Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo



]]>
O uso de máscaras de tecido em crianças https://spsp.org.br/o-uso-de-mascaras-de-tecido-em-criancas/ Tue, 19 May 2020 18:40:50 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3226 A recomendação do uso de máscaras para toda a população, quando sair de seu domicílio, em várias cidades e regiões do mundo, decorre da necessidade imposta pela pandemia da COVID-19. O objetivo é reduzir o risco de transmissão do vírus quando as pessoas estiverem fora do isolamento social.

Apesar de haver poucos estudos sobre o uso de máscaras faciais, particularmente em crianças, elas têm sido recomendadas em situações de epidemias como a de influenza, da SARS e MERS, como medida de proteção. A Academia Americana de Pediatria, o Centro de Controle de Doenças Norte-americano e Europeu indicam o uso em crianças todas as vezes que forem sair de casa.

bravíssimos | depositphotos.com

Todas as crianças devem usar máscaras?

Não é recomendado o uso em crianças menores de dois anos de idade e naquelas com déficits cognitivos, dificuldade de comunicação ou movimentação e doenças respiratórias prévias. Portanto, não deve ser utilizada em qualquer criança que esteja incapacitada de remover a máscara por si mesma, evitando o risco de sufocamento.

Se a criança ficar com muito medo ou resistir a cobrir o rosto?

Conversar bastante com a criança antes, explicar que não precisa ter medo. Para as pequenas, em geral menores de três anos, explicar que todos estão usando para evitar ficarem doentes, inclusive seus pais, irmãos maiores, avós e quando tudo ficar bem não mais precisará usar; e para as maiores, detalhar os motivos falando sobre os vírus e o risco de aquisição pelo contato com pessoas sintomáticas ou não.

Algumas ideias que podem ajudar:

  • colocar uma máscara no bichinho de pelúcia de estimação;
  • olhar no espelho portando a máscara e conversar sobre;
  • oferecer uma máscara decorada ou personalizada;
  • mostrar foto de outras crianças usando máscara.

Em resumo, prepará-la previamente. Se a criança já teve crise de chiado ou asma e fez inalações e usou máscara inalatória, lembrá-la de como foi bom para a sua saúde.

Como usar adequadamente a máscara?

  • lavar as mãos antes de colocar e também após retirar a máscara. Se estiver em local onde não possa lavar as mãos, higienizá-las com álcool gel;
  • a máscara deve ser de tecido confortável duplo (duas camadas) e ficar bem ajustada ao tamanho do rosto da criança, com acabamento de elástico que deve ser fixado atrás das orelhas. Há moldes disponíveis na internet para diferentes idades;
  • deve cobrir completamente desde o nariz até o queixo;
  • conversar muito com a criança para não tocar na máscara;
  • quando reconsiderar o uso da máscara: caso a criança não suporte permanecer com ela, apresentando respiração muito forçada ou sensação de falta de ar, claustrofobia, se ficar tocando muito o rosto – o uso da máscara pode trazer mais riscos do que benefícios. Nestes casos, é melhor ficar com a criança em casa ou garantir sempre uma distância de ao menos dois metros de outras pessoas;
  • lavar a máscara com água e sabão após o uso.

Existe recomendação de uso de face shield em crianças?

Não há recomendação para uso em crianças, uma vez que é um equipamento de proteção individual para ser usado no ambiente de trabalho. Porém, em alguns países e mesmo no Brasil já tem sido utilizada, como na alta da maternidade de bebês prematuros e de termo, em tamanho especialmente confeccionado para os recém-nascidos. Entretanto, não há evidência de proteção para crianças pequenas.

Alguns endereços eletrônicos com informações adicionais:

  1. https://www.healthychildren.org/English/health-issues/conditions/chest-lungs/Pages/Cloth-Face-Coverings-for-Children-During-COVID-19.aspx
  2. https://www.latimes.com/lifestyle/story/2020-04-24/should-kids-wear-coronavirus-face-masks
  3. https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/prevent-getting-sick/diy-cloth-face-coverings.html

___
Relatora:
Dra. Heloisa Helena de Sousa Marques
Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo



]]>