Pulmões – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Thu, 12 Mar 2026 14:24:45 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Pulmões – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Alerta aos pais, familiares e adolescentes: cigarros eletrônicos (vapes e pods) não são inofensivos https://spsp.org.br/alerta-aos-pais-familiares-e-adolescentes-cigarros-eletronicos-vapes-e-pods-nao-sao-inofensivos/ Wed, 11 Mar 2026 18:52:51 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=55414 Hoje, com o uso cada vez mais comum dos cigarros eletrônicos, muitos jovens – e também seus pais – estão começando a perceber algo]]>

Hoje, com o uso cada vez mais comum dos cigarros eletrônicos, muitos jovens – e também seus pais – estão começando a perceber algo preocupante: a forte dependência de nicotina que esses dispositivos causam. Há adolescentes que já não conseguem assistir a uma aula inteira sem sair da sala para “vaporizar”, ou que usam escondido no fundo da classe, já que a fumaça quase não tem cheiro. Muitos dizem que não fumam – apenas “vaporizam”. Mas o efeito no corpo é real e perigoso.

Esses aparelhos contêm altas doses de nicotina, uma substância que causa vício rapidamente, além de diversos produtos químicos tóxicos que prejudicam os pulmões, o coração e o cérebro – especialmente em crianças e adolescentes, que ainda estão em desenvolvimento.

Quem usa vape pode ter de cinco a seis vezes mais nicotina no sangue do que quem fuma o cigarro tradicional. Com isso, a dependência é maior e parar se torna muito mais difícil.

Esse fenômeno não é por acaso. Existe um marketing bem planejado de uma indústria que aumentou a concentração de nicotina e criou sabores doces e agradáveis para atrair cada vez mais jovens, formando consumidores por muitos anos. Os sabores de frutas, menta e doces facilitam o início do uso e passam a falsa ideia de algo inofensivo. É importante reforçar: vape não é vapor de água! É um aerossol cheio de substâncias prejudiciais, incluindo metais pesados, produtos cancerígenos e compostos que podem causar inflamações graves nos pulmões.

Esses dispositivos foram divulgados como uma alternativa “menos prejudicial”, mas já se sabe que podem causar doenças pulmonares graves e precoces, tão sérias quanto problemas conhecidos, como o enfisema. Além disso, muitas informações falsas circulam nas redes sociais, minimizando os riscos e incentivando o uso entre adolescentes.

Outro ponto preocupante é quando adultos acabam normalizando o consumo – seja usando vape junto com os filhos ou tratando isso como algo sem perigo. O exemplo dentro de casa tem enorme influência.

Estudos mostram que:
 • Quando os pais fumam, cerca de metade dos filhos tende a repetir o hábito
 • Quando os pais não fumam, esse número cai muito
 O mesmo acontece com o consumo de álcool.

Ou seja, o comportamento da família faz grande diferença.

É verdade que nem todas as pessoas que fumam terão doenças graves, mas o risco existe – e aumenta muito quando há histórico familiar de câncer ou problemas respiratórios. O tabagismo pode multiplicar essas chances.

Muitos jovens começam por curiosidade com amigos, às vezes aos 12 ou 13 anos, e quando os pais percebem, o uso já se tornou diário.

O consumo começa cada vez mais cedo e traz riscos reais à saúde.

Vale a pena correr esse risco?

Cuidar hoje é proteger o futuro.

 

Relatores:

Marina Buarque de Almeida
João Paulo Lotufo
Núcleo de Estudos do Combate ao Uso de Drogas da SPSP

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Segunda chance https://spsp.org.br/segunda-chance/ Wed, 27 Sep 2023 18:40:08 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=39507 Foi instituído no Brasil o Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado no dia 27 de setembro. Uma ocasião para conscientização, reflexão e reconhecimento da importância desse ]]>

Foi instituído no Brasil o Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado no dia 27 de setembro. Uma ocasião para conscientização, reflexão e reconhecimento da importância desse ato de generosidade, que tem o poder de salvar vidas e proporcionar uma segunda chance a quem parecia não ter mais esperança alguma.

A doação de órgãos é um ato de altruísmo, solidariedade, de imensa generosidade. Transforma a vida de quem recebe um órgão e dignifica a memória de quem é doador e faz emergir, em meio ao sofrimento e dor dos que perderam um ente querido, aquela expressão mais nobre da alma humana – a compaixão. 

 Cada um de nós é um potencial doador, bem como um potencial receptor.

A intenção sobre a doação de órgãos deveria fazer parte dos assuntos discutidos em família – talvez não à mesa da macarronada do domingo, mas em outro momento oportuno. Nossos parentes só saberão das nossas intenções sobre esse tema se souberem o que pensamos sobre isso. No momento final da vida, poderemos não ter controle algum, sendo, então, nossos parentes que terão a possibilidade de tornar real a nossa vontade antecipada.

O Dia Nacional da Doação de Órgãos é uma oportunidade para celebrar não apenas as vidas salvas, mas também para agradecer a todos os profissionais de saúde, equipes de transplante e organizações envolvidas, cujos esforços incansáveis tornam possível a realização desses procedimentos complexos.

Um único doador tem o potencial de mudar a trajetória de várias vidas, oferendo várias segundas chances. Um único doador pode oferecer a oportunidade para que vários órgãos e partes do seu corpo continuem gerando vida, ou dando melhor qualidade de vida a outras pessoas. Um único doador pode salvar até dez vidas. A doação inclui córneas, rins, fígado, pulmões, coração, pâncreas, intestino, além de pele e ossos.

Além do impacto direto nos receptores, os transplantes também têm um efeito positivo no sistema de saúde como um todo. Ao reduzir a dependência de tratamentos prolongados e caros, os transplantes aliviam a pressão sobre os recursos médicos, permitindo que mais receitas sejam disponibilizadas para outras áreas de cuidados de saúde. Isso cria um ciclo virtuoso em que a doação de órgãos não apenas salva vidas, mas também aprimora a eficiência dos sistemas de saúde.

O Brasil é o segundo país do mundo que mais realiza transplantes, atrás apenas dos Estados Unidos. O nosso país tem o maior sistema público (gratuito) para transplantes de órgãos do mundo. Hoje, o Brasil conta com mais de 600 hospitais autorizados para a realização de transplantes. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2021, foram feitos cerca de 23,5 mil procedimentos. Desse total, cerca de 4,8 mil foram transplantes de rim, 2 mil de fígado, 334 de coração e 84 de pulmão, entre outros.

O modelo brasileiro de transplantes de órgãos foi inspirado no modelo da Espanha – que é referência por sua eficiência no mundo. A versão brasileira foi criada em 1997 e começou a ser regulamentada pela Lei 9.434 de 1997 (esta é a lei que, inclusive, proíbe a venda de órgãos no país).  “A retirada de tecidos, órgãos e partes do corpo de pessoas falecidas para transplantes ou outra finalidade terapêutica, dependerá da autorização do cônjuge ou parente, maior de idade, obedecida a linha sucessória, reta ou colateral, até o segundo grau inclusive, firmada em documento subscrito por duas testemunhas presentes à verificação da morte”, afirma a lei ajustada (em 2001) e até hoje em vigor.

Os órgãos doados vão para pacientes que necessitam de transplante e estão aguardando em uma lista de espera única, organizada por estado ou região, e monitorada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT).

Apesar do bem estabelecido sistema brasileiro para doações de órgãos, através do SUS, um dos problemas ainda é a falta de doadores, já que muitas famílias não se sentem confortáveis em autorizar a doação, por razões diversas: daí o diálogo permanente para esclarecimentos e as campanhas de conscientização serem indispensáveis.

Entre a morte de um paciente e o transplante de um coração, por exemplo, o tempo de isquemia (período limite de sobrevivência do órgão fora do corpo) é de apenas 4 horas. É necessário que hospitais e equipes multiprofissionais sejam capacitadas para agir no momento da captação de órgãos.

Por causa dessas questões, no Brasil, são estimados 13,8 doadores efetivos para cada 1 milhão de habitantes. Em alguns países, este número é mais que o triplo. Por exemplo, este índice chega a ser de 41,6 nos EUA e 40,8 na Espanha. A recusa familiar é o principal motivo que impede a doação de órgãos no Brasil, de acordo com uma pesquisa conduzida pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Em 2022, mais de 45% das famílias não concordaram com a doação. Atualmente, mais de 59 mil pessoas estão na fila esperando por um órgão.

Os transplantes realizados entre pessoas vivas são possíveis desde que sejam de órgãos duplos e que haja possibilidade do doador ter uma vida com saúde normal após o transplante. Um dos rins ou pulmões, parte do fígado, do pâncreas e da medula óssea são exemplos de órgãos que podem ser doados ainda em vida. Pessoas em boas condições de saúde, capazes juridicamente e que concordem com a doação podem ser consideradas aptas a doar em vida. Por lei, pais, irmãos, filhos, avós, tios e primos podem ser doadores. A doação por pessoas que não são parentes pode acontecer somente com autorização judicial.

Saiba mais:

Relatório de Transplantes Realizados (Brasil) – Evolução 2001 – 2021 – Sistema Nacional de Transplantes (SNT). Ministério da Saúde (MS): https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/snt/estatisticas/transplantes-serie-historica/transplantes-realizados/relatorio-de-transplantes-realizados-brasil-evolucao-2001-2021/view

Relator:

Fernando MF Oliveira

Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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8 de setembro – Dia Mundial da Fibrose Cística https://spsp.org.br/8-de-setembro-dia-mundial-da-fibrose-cistica/ Fri, 08 Sep 2023 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=39248 A Fibrose Cística (FC) ou Mucoviscidose, é uma doença genética rara, ainda sem cura, que afeta vários órgãos do organismo, manifestando-se com]]>

A Fibrose Cística (FC) ou Mucoviscidose, é uma doença genética rara, ainda sem cura, que afeta vários órgãos do organismo, manifestando-se com problemas respiratórios e gastrointestinais. Outros locais acometidos pela doença são as glândulas sudoríparas, o sistema reprodutor, o fígado e as vias biliares. O suor apresenta uma grande quantidade de sal, sendo conhecida como a “doença do beijo salgado”.

A FC acontece quando cada um dos pais apresenta um gene da FC (são portadores sem doença) e transmitem à criança os dois genes (são necessários os 2 genes para manifestar a doença). Esse gene, chamado CFTR (cystic fibrosis transmembrane conductance regulator – regulador de condutância transmembrana em fibrose cística), faz com o que o organismo produza uma secreção muito mais espessa que o normal, dificultando o funcionamento adequado dos órgãos afetados, principalmente os pulmões e o intestino.

O quadro clínico da FC é variável, mas a doença geralmente se manifesta já nos primeiros meses de vida, com sintomas gastrointestinais e pulmonares. São comuns os sintomas gastrointestinais, decorrentes da insuficiência pancreática, presentes em 85% a 90% dos pacientes, como fezes amolecidas, várias vezes ao dia, muito fétidas e gordurosas (as fezes ficam “brilhantes”). A criança não consegue ganhar peso e crescer de forma adequada e, caso não seja tratada, leva à desnutrição grave.

Nos pulmões, a secreção espessa (catarro) leva a infecções de repetição e dificulta a respiração. Os sintomas respiratórios comuns são: chiado no peito, falta de ar, tosse seca inicialmente e posteriormente com catarro (tosse produtiva). Os seios da face são atingidos frequentemente, levando a sinusopatias.

A FC é uma doença grave e progressiva, isto é, piora conforme aumenta a idade, sendo fundamental que o diagnóstico seja feito o mais precocemente possível para a instituição de tratamento adequado.

A primeira forma de identificar pacientes com suspeita de FC é pela Triagem Neonatal (Teste do Pezinho). Os recém-nascidos, em geral, coletam o Teste do Pezinho entre o segundo e o quinto dia de vida; nos casos de FC uma enzima produzida pelo pâncreas no sangue, a Tripsina Imunorreativa (TIR), apresenta valor elevado. Caso o primeiro teste venha alterado, deve-se coletar um segundo teste, geralmente no 15º dia de vida. Se a tripsina também vier aumentada, há uma alta suspeita de ser a FC.

O teste do suor deve ser realizado para a confirmação do diagnóstico. Este teste avalia a concentração de cloreto (um dos componentes do sal) no suor, sendo que valores altos indicam a doença (concentração do cloreto ≥ 60 mmol/L). Deve ser coletado em duas ocasiões diferentes; caso o teste venha alterado nas duas vezes o paciente deve ser encaminhado para um Centro de Referência de FC.

Nos pacientes que apresentam sinais e sintomas sugestivos da doença – sintomas pulmonares e/ou gastrointestinais – o teste do suor deve ser realizado, mesmo que o Teste do Pezinho tenha sido normal para FC.

O teste genético é indicado para pacientes que apresentam teste do suor com nível de cloreto considerado duvidoso, para planejamento familiar e, atualmente, pelo grande interesse nas novas drogas da FC, chamadas Moduladores do CFTR (ver adiante).

O acompanhamento dos pacientes deve ser realizado em Centros de Referência de FC, com profissionais de diferentes áreas da saúde.

O tratamento na maioria dos pacientes inclui a reposição das enzimas pancreáticas, suplementação de sal (pela perda no suor), vitaminas, suporte nutricional, medicamentos para fluidificar a secreção do pulmão e antibioticoterapia para as infecções pulmonares.

A terapêutica se baseia nos sintomas para prevenir a progressão da doença. Os principais medicamentos para tratamento do quadro pulmonar incluem inalação com fluidificantes, com solução hipertônica, antibióticos inalatórios ou orais.

A fisioterapia respiratória é de extrema importância no tratamento, fazendo parte da rotina diária de todos os pacientes.

Necessitam de uma dieta com mais calorias e reposição de enzimas pancreáticas em todas as refeições, para digestão e absorção de gorduras, proteínas e outros nutrientes. Os suplementos alimentares para aumentar o aporte calórico e vitaminas são fundamentais para manter o estado nutricional adequado.

O tratamento da FC inclui vários medicamentos, os quais são dispensados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), aos pacientes através das farmácias de alto custo.

Recentemente o maior avanço no tratamento da FC foram os Moduladores do CFTR (são medicações que atuam no defeito genético da FC – melhoram a produção, o processamento dentro das células e a função da proteína com defeito). 

A escolha do medicamento é determinada pelo teste genético, isto é, pelo tipo de mutações do paciente. Não representa a cura da doença, mas os vários órgãos atingidos voltam a funcionar de forma adequada.

Os benefícios dos Moduladores do CFTR foram demonstrados com melhora da função pulmonar, diminuição das infecções pulmonares, das internações, melhora no ganho ponderal, na qualidade de vida e prevenção da progressão da doença. O tratamento é por via oral e deve ser para a vida toda.

O primeiro modulador do CFTR, ivacaftor (Kalydeco), foi incorporado ao SUS em 2020, para pacientes acima de 6 anos de idade e dispensado para as pessoas com FC elegíveis (precisam apresentar determinado tipo de mutação genética). São poucos os pacientes candidatos para esta medicação. A distribuição em São Paulo se iniciou em outubro de 2022.

Outro modulador do CFTR é o Trikafta, que é uma combinação de três drogas (elexacaftor, tezacaftor + ivacaftor), aprovado pela Anvisa em 2022. É indicado em pacientes com uma ou duas mutações F508del e mais de 70% deles poderia se beneficiar dessa terapêutica.

Em 3 de agosto de 2023 a CONITEC (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde – SUS) aprovou a incorporação no SUS do medicamento Trikafta, para pacientes acima de 6 anos, para tratar FC.

O Trikafta representa uma nova realidade para os pacientes com FC, uma vida com maior qualidade e aumento da sobrevida.

 

Relatora:

Sonia Mayumi Chiba
Responsável pelo Ambulatório de FC na UNIFESP
Chefe do Setor de Pneumopediatria da UNIFESP
Pneumologista do Hospital Infantil Sabará
Departamento Científico de Pneumologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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12 de novembro: Dia Mundial da Pneumonia https://spsp.org.br/12-de-novembro-dia-mundial-da-pneumonia/ Fri, 11 Nov 2022 12:31:32 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=35424 As pneumonias são processos infecciosos, mais comumente causadas por bactérias e vírus, porém existem outros agentes menos comuns. Os pulmões podem ser afetados de diferentes formas.]]>

As pneumonias são processos infecciosos, mais comumente causadas por bactérias e vírus, porém existem outros agentes menos comuns. Os pulmões podem ser afetados de diferentes formas. A depender do tipo e localização da infecção, pode se tratar de uma pneumonia ou broncopneumonia ou pneumonia intersticial.

Os sintomas da pneumonia dependem muito da faixa etária; entretanto, de modo geral, estes incluem febre, tosse, dificuldade para respirar e mal-estar. Os casos podem evoluir para gravidade e é preciso lembrar que a doença ainda é uma das principais causas de mortalidade infantil, sobretudo em locais e situações de pobreza e desnutrição.

A pneumonia em crianças pequenas ou na presença de situações de risco, como desnutrição, por exemplo, tem mortalidade mais elevada. Nas crianças pequenas e bebês, a doença costuma ser mais grave que nos escolares ou adolescentes. A criança pequena evolui muito mais rapidamente que a grande ou que o adulto saudável para insuficiência respiratória, por isso ela tende a ser mais grave nesta faixa etária. É importante ressaltar que existem pacientes de maior risco de gravidade, como por exemplo os imunossuprimidos ou imunodeficientes.

Para evitar que crianças adquiram pneumonia, é essencial manter as vacinas em dia, estimular o aleitamento materno – até pelo menos seis meses de vida do bebê -, evitar moradias com aglomeração, forno à lenha nos domicílios e exposição passiva ao tabagismo. Além disso, manter uma alimentação balanceada, evitando erros alimentares, bem como uma adequada higiene do sono.

Em relação ao tratamento da pneumonia em crianças, sempre que possível, é preciso diferenciar o quadro, pois se for uma pneumonia bacteriana, será necessária a utilização de antibióticos; porém, em se tratando de um quadro viral, o uso de antibiótico é desnecessário e fortemente desaconselhado.

Ainda a respeito do tratamento, é fundamental ressaltar que não se deve medicar a criança sem orientação médica, pois é muito frequente o uso inadvertido de xaropes equivocados, muitas vezes à base de corticoides, que podem, inclusive, agravar sobremaneira o quadro da pneumonia, além de outras possíveis complicações. Existe uma minoria de circunstâncias em que o corticoide pode ser indicado nas pneumonias na infância, contudo, trata-se de exceções.

Geralmente não há consequências a longo prazo para crianças que têm quadros de pneumonia, principalmente se forem mais leves. Entretanto, infelizmente, nos casos de pneumonias mais graves existe a possibilidade de o paciente evoluir com alguma complicação, necessitando de tratamento mais prolongado e, por vezes, hospitalização. Mesmo diante de casos mais complexos, a evolução poderá ser mais lenta e gradual, mas o pulmão possui uma excelente capacidade de se recuperar.

A vacinação infantil é fundamental para evitar quadros de pneumonia nas crianças. Ela tem efeito direto na proteção. A vacina contra a bactéria pneumococo reduz drasticamente os casos de pneumonia na infância.

Sabemos também que a pneumonia é uma das complicações mais graves da gripe (infecção pelo vírus influenza), portanto a vacinação anual contra a gripe também é uma importante forma de evitar a doença. Além disso, vacinas como a de coqueluche, sarampo, catapora também são muito importantes, uma vez que a pneumonia é uma complicação comum em todas essas infecções.

Dessa forma, é essencial que as crianças estejam com suas vacinações em dia, indicadas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), e não deixem de receber as coberturas extras conforme estabelecidas pelo governo (como por exemplo a vacina contra o vírus SARS-CoV-2).

 

Relatora:
Marina Buarque de Almeida
Presidente do Departamento Científico de Pneumologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Fibrose Cística: A “doença do beijo salgado” https://spsp.org.br/fibrose-cistica-a-doenca-do-beijo-salgado/ Thu, 08 Sep 2022 19:37:20 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=34279 No dia 5 de setembro comemorou-se o Dia Nacional de Conscientização e Divulgação da Fibrose Cística, e hoje, dia 8 de setembro, é o Dia Mundial da Fibrose Cística. A fibrose cística (FC)]]>

No dia 5 de setembro comemorou-se o Dia Nacional de Conscientização e Divulgação da Fibrose Cística, e hoje, dia 8 de setembro, é o Dia Mundial da Fibrose Cística. A fibrose cística (FC) é historicamente conhecida como a “doença do beijo salgado”, o que se deve à maior perda de sal no suor, percebida ao se beijar a criança e/ou ao se visualizar cristais de sal, principalmente na testa.

A FC foi reconhecida como uma nova entidade de doença em 1938, pela patologista americana Dra. Dorothy Andersen. Em 8 de setembro de 1989 foi identificada a mutação mais frequente em pessoas com FC, um erro genético, que faz com que uma proteína não seja produzida ou seja disfuncional.

Quando a proteína, que é um canal de íon, não está funcionando corretamente, é incapaz de ajudar a mover o cloreto – um componente do sal – para a superfície da célula. Sem o cloreto para atrair água para a superfície da célula, o muco em vários órgãos torna-se espesso e pegajoso.

Nos pulmões, o muco entope as vias aéreas e aprisiona germes, como bactérias, levando a infecções, inflamação crônica, insuficiência respiratória e outras complicações. Por esse motivo, evitar infecções é uma das principais preocupações das pessoas com FC.

No pâncreas, o acúmulo de muco impede a liberação de enzimas digestivas que ajudam o corpo a absorver alimentos e nutrientes essenciais, resultando em desnutrição e crescimento deficiente.

No fígado, o muco espesso pode bloquear o ducto biliar, causando doença hepática. Nos homens, a FC pode afetar sua capacidade de ter filhos.

A apresentação clínica da doença é extremamente variável, mas a maioria apresenta sintomas ao nascimento ou logo após; infecções respiratórias frequentes e baixo ganho de peso são as manifestações mais comuns.

Outras manifestações são tosse persistente, às vezes com catarro, pneumonia ou bronquite, chiado ou falta de ar, baixo crescimento ou baixo ganho de peso, apesar de um bom apetite, fezes gordurosas e volumosas frequentes ou dificuldade para evacuar, pólipos nasais, sinusites crônicas.

A FC é uma doença genética. Pessoas com FC herdaram duas cópias do gene defeituoso, uma cópia de cada pai. Ambos os pais devem ter pelo menos uma cópia do gene defeituoso.

Pessoas com apenas uma cópia do gene defeituoso da FC são portadoras, mas não têm a doença. Cada vez que dois portadores de FC têm um filho, as chances são de: 25% (1 em 4) da criança ter FC; 50% (1 em 2) da criança ser portadora, mas não ter FC; e 25% (1 em 4) da criança não ser portadora e não ter FC.

 

A doença afeta ambos os sexos, todas as etnias, porém é vista mais frequentemente em brancos.

É uma doença complexa. Os sintomas e a gravidade podem diferir de pessoa para pessoa. Muitos fatores influenciam o curso da doença, incluindo a idade do diagnóstico, início precoce do tratamento e adesão.

No Brasil, existem registros de mais de 5.000 pessoas com FC e 1 a cada dez mil nascidos vivos possui a doença, segundo o Registro Brasileiro de Fibrose Cística (REBRAFC) – mas supõe-se que existam muitas pessoas que sequer foram diagnosticadas.

Há cerca de 40.000 crianças e adultos vivendo com FC nos Estados Unidos (cerca de 105.000 pessoas foram diagnosticadas com FC em 94 países).

Enormes avanços nos cuidados especializados em FC acrescentaram anos e melhoraram a qualidade de vida das pessoas com fibrose cística. Durante a década de 1950, uma criança com FC raramente vivia o suficiente para frequentar a escola primária. Hoje, muitas pessoas com FC realizam seus sonhos de frequentar a faculdade, seguir carreira, casar e ter filhos.

 

Relatora:
Neiva Damaceno
Departamento Científico de Pneumologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Professora Assistente de Pneumologia Pediátrica do Departamento de Pediatria da Santa Casa de SP

 

Foto: @graystudiopro1 / br.freepik.com

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