Propaganda – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Mon, 31 Aug 2026 19:53:38 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Propaganda – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Bets, best e bestas https://spsp.org.br/bets-best-e-bestas/ Mon, 31 Aug 2026 19:51:54 +0000 https://spsp.org.br/?p=58745 Setembro Laranja: Combate à obesidade infantil | SPSP Vocês se lembram da Lei de Gerson (Gerson de Oliveira Nunes, ex-jogador e meio-campista da Seleção Brasileira tricampeã mundial em 1970)? Era a propaganda de uma marca de cigarro, Vila Rica, que dizia algo como “levar vantagem em tudo”. A ideia original da agência de publicidade era remeter à “lei da vantagem” do futebol, sugerindo que o consumidor levava mais produto pagando menos. Com o passar dos anos, a frase foi desvinculada do produto e passou a simbolizar o “jeitinho brasileiro” de agir com malandragem para obter benefício próprio em qualquer situação. O próprio ex-jogador Gerson lamentou publicamente por décadas ter ficado associado a esse sentido negativo, a Lei de Gerson. Na mesma época, Pelé não fez propaganda de cigarro ou bebida alcoólica. O consumo de cigarros caiu muito no nosso meio e a bebida alcoólica vem diminuindo entre os adolescentes (Lenad 2023/25). Mas surgem novas atrações que seguem características semelhantes à dependência de cigarros e álcool. Na Copa do Mundo houve uma avalanche de publicidade de casas de apostas na imprensa e nas transmissões esportivas e sabemos que o resultado disso foi e será atingir a renda e a saúde mental das famílias brasileiras. O sistema de dependência de jogatina e apostas é o mesmo da dependência de álcool, cigarros e outras drogas. Pesquisas recentes já mostraram que essas plataformas geram vício e são uma das principais causas de endividamento no país. Mas Danilo Luiz, o lateral da Seleção Brasileira, contrariou os seus colegas da seleção, ao ser um dos primeiros a utilizar as redes sociais para criticar a divulgação de plataformas de apostas on-line. Filipe Luis, técnico de futebol, também recusou ofertas milionárias que ligariam sua imagem às bets. Pelé seguramente não faria propaganda de bets, pela mesma razão que não fez propaganda das drogas lícitas, álcool e tabaco. Como quase tudo no Brasil, os nossos mandatários vão permitir que a desgraça ocorra no nosso meio para depois vir com medidas protetoras ou tratamento no SUS para a dependência de jogos. Sabemos que uma vez instalada a dependência, muitos não sairão dessa vida, semelhante ao que ocorreu com o tabaco. Comemoramos 17 anos da lei de ambiente fechado livre do tabaco em São Paulo (2009) e 12 anos no Brasil (2014), e mesmo assim estamos presenciando o uso de vapes (cigarros eletrônicos), com propaganda livre na internet. O mecanismo de atrelar o cigarro e a cerveja ao esporte, assim como as bets, é “do mal”. E o setor de marketing continua insistindo nessa tecla. A propaganda de cigarro na mídia está proibida, mas a propaganda indireta continua. Mbappé, jogador francês, não conseguiu passar para a final da Copa, mas deixou uma mensagem muito bonita em vídeo: ele diz com suas próprias palavras que a Seleção Francesa estava promovendo bets e sua seleção estava inspirando muitas pessoas nesse mau caminho. Diz que muitos de nós vêm de lugares onde as bets destroem um número incalculável de pessoas e ele disse à sua equipe e à sua mãe que ele não jogaria pela Seleção. Responderam o que as pessoas pensariam dele, e ele respondeu que não se importava. Venceu! O que faz jogadores ou pessoas famosas se renderem a ofertas de dinheiro, que já possuem de sobra, para ajudar a lesar a população, principalmente os menos afortunados, tanto na área da saúde como na área financeira? Atletas não deveriam associar o uso de drogas lícitas ou ilícitas e mesmo jogos com o esporte. Termino com a frase de Charles Chaplin, que disse: “Pensamos demasiadamente e sentimos muito pouco”. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura. Gastemos um tempo com nossos filhos ou netos comentando atitudes que previnem e que não serão logo esquecidas. A esses atletas não fica a derrota de uma partida, mas fica a decência e o amor ao próximo. Relator: João Paulo Becker Lotufo Vice-Presidente do Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas da SPSP]]> Setembro Laranja: Combate à obesidade infantil | SPSP

Vocês se lembram da Lei de Gerson (Gerson de Oliveira Nunes, ex-jogador e meio-campista da Seleção Brasileira tricampeã mundial em 1970)? Era a propaganda de uma marca de cigarro, Vila Rica, que dizia algo como “levar vantagem em tudo”. A ideia original da agência de publicidade era remeter à “lei da vantagem” do futebol, sugerindo que o consumidor levava mais produto pagando menos.

Com o passar dos anos, a frase foi desvinculada do produto e passou a simbolizar o “jeitinho brasileiro” de agir com malandragem para obter benefício próprio em qualquer situação. O próprio ex-jogador Gerson lamentou publicamente por décadas ter ficado associado a esse sentido negativo, a Lei de Gerson.

Na mesma época, Pelé não fez propaganda de cigarro ou bebida alcoólica. O consumo de cigarros caiu muito no nosso meio e a bebida alcoólica vem diminuindo entre os adolescentes (Lenad 2023/25). Mas surgem novas atrações que seguem características semelhantes à dependência de cigarros e álcool.

Na Copa do Mundo houve uma avalanche de publicidade de casas de apostas na imprensa e nas transmissões esportivas e sabemos que o resultado disso foi e será atingir a renda e a saúde mental das famílias brasileiras.

O sistema de dependência de jogatina e apostas é o mesmo da dependência de álcool, cigarros e outras drogas. Pesquisas recentes já mostraram que essas plataformas geram vício e são uma das principais causas de endividamento no país.

Mas Danilo Luiz, o lateral da Seleção Brasileira, contrariou os seus colegas da seleção, ao ser um dos primeiros a utilizar as redes sociais para criticar a divulgação de plataformas de apostas on-line. Filipe Luis, técnico de futebol, também recusou ofertas milionárias que ligariam sua imagem às bets. Pelé seguramente não faria propaganda de bets, pela mesma razão que não fez propaganda das drogas lícitas, álcool e tabaco.

Como quase tudo no Brasil, os nossos mandatários vão permitir que a desgraça ocorra no nosso meio para depois vir com medidas protetoras ou tratamento no SUS para a dependência de jogos. Sabemos que uma vez instalada a dependência, muitos não sairão dessa vida, semelhante ao que ocorreu com o tabaco.

Comemoramos 17 anos da lei de ambiente fechado livre do tabaco em São Paulo (2009) e 12 anos no Brasil (2014), e mesmo assim estamos presenciando o uso de vapes (cigarros eletrônicos), com propaganda livre na internet.

O mecanismo de atrelar o cigarro e a cerveja ao esporte, assim como as bets, é “do mal”. E o setor de marketing continua insistindo nessa tecla. A propaganda de cigarro na mídia está proibida, mas a propaganda indireta continua.

Mbappé, jogador francês, não conseguiu passar para a final da Copa, mas deixou uma mensagem muito bonita em vídeo: ele diz com suas próprias palavras que a Seleção Francesa estava promovendo bets e sua seleção estava inspirando muitas pessoas nesse mau caminho. Diz que muitos de nós vêm de lugares onde as bets destroem um número incalculável de pessoas e ele disse à sua equipe e à sua mãe que ele não jogaria pela Seleção. Responderam o que as pessoas pensariam dele, e ele respondeu que não se importava. Venceu!

O que faz jogadores ou pessoas famosas se renderem a ofertas de dinheiro, que já possuem de sobra, para ajudar a lesar a população, principalmente os menos afortunados, tanto na área da saúde como na área financeira? Atletas não deveriam associar o uso de drogas lícitas ou ilícitas e mesmo jogos com o esporte.

Termino com a frase de Charles Chaplin, que disse: “Pensamos demasiadamente e sentimos muito pouco”. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura.

Gastemos um tempo com nossos filhos ou netos comentando atitudes que previnem e que não serão logo esquecidas. A esses atletas não fica a derrota de uma partida, mas fica a decência e o amor ao próximo.


Relator:
João Paulo Becker Lotufo

Vice-Presidente do Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas da SPSP

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Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo https://spsp.org.br/dia-nacional-de-combate-as-drogas-e-ao-alcoolismo/ Tue, 20 Feb 2024 18:19:55 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=42733 O álcool é a droga mais utilizada entre nós e os grandes problemas estão em seu consumo excessivo e no início precoce. Já é muito falado sobre o início de uso]]>

O álcool é a droga mais utilizada entre nós e os grandes problemas estão em seu consumo excessivo e no início precoce.

Já é muito falado sobre o início de uso de álcool e outras drogas antes do cérebro estar todo formado, e isto ocorre até os 21 anos; um pouquinho ainda até os 25 anos.

Qualquer droga iniciada antes da formação do cérebro pode acarretar maior dependência e complicações. Por isso, nos EUA o álcool é liberado após os 21 anos, mas no Brasil é aos 18 anos. A indústria é a mesma, mas o respeito às regras e ao bom senso aqui não existe, pois, semelhante à indústria do tabaco e hoje do cigarro eletrônico, as propagandas são voltadas às crianças e aos adolescentes.

O filho de um amigo, aos 8 anos perguntou ao pai o que era ser “brameiro”, pois a propaganda da cerveja por um jogador de futebol dizia: “O MEU SUCESSO É PORQUE EU SOU BRAMEIRO”. ISTO EM HORÁRIO DE CRIANÇA VER TELEVISÃO E LIGADA AO ESPORTE. Essa propaganda foi retirada do ar dois meses depois, quando o estrago já estava feito.

O cigarro eletrônico (CE) é outra moda entre os jovens. Perto de 20% deles já o experimentaram. Estaremos produzindo um exército de dependentes de nicotina, pois o CE tem mais nicotina que o cigarro normal. O veículo que vaporiza a nicotina tem glicerol e outras substâncias que são cancerígenas e produzem uma doença inflamatória em nível pulmonar. A população não tem noção do malefício que isso pode trazer, pois as fake news influenciam mais os jovens de hoje. Por isso temos um livreto sobre CE, que se encontra também no site www.drbarto.com.br: Livreto-Cigarros-Eletronicos.pdf – Google Drive.

A maconha é a droga que os jovens acham que faz menos mal, mas ignoram que ela tem até 5 vezes mais cancerígenos do que o tabaco. Mas a maconha pode lesar a memória e o aprendizado, criando alguns “noias”; infelizmente todo mundo conhece um. Não se percebe a lesão cerebral, mas ela pode aparecer e é irreversível.

Como diminuir estes riscos?

  1. O exemplo dos pais é fundamental. Ensinar seu filho a beber antes dos 18 anos aumenta a chance de ele beber com os amigos e aí a quantidade será outra. Quanto de bebida alcoólica você serve em suas festas de família?
  2. Família unida com limites, coisa que está faltando hoje em dia. Isto começa desde cedo, pois se você não coloca limites no dia a dia, não conseguirá fazê-lo aos 14 ou 15 anos de idade. Ser pai é diferente de ser amigão.
  3. Diálogo na família diminui 60% a experimentação de álcool ou outras drogas. Evite usar o celular nas refeições.
  4. Envolvimento com atividades esportivas e culturais diminuiu em muito o problema de drogas na Islândia. Lá ainda fizeram um toque de recolher com os jovens. Poderiam estar nas ruas à noite apenas acompanhados dos pais. Limites novamente. Imagine isso aqui!
  5. Espiritualidade também é um fator protetor.
  6. Bons amigos. Saiba onde está seu filho, com quem e fazendo o quê. Traga os amigos de seus filhos para dentro de casa. Descubra com quem eles andam.
  7. Pais que não fumam e não bebem diminuem respectivamente em 50% e 25% o uso de drogas entre seus filhos.

Estas dicas encontram-se no livro 12 passos do projeto Dr Bartô de prevenção de álcool e outras drogas. Os jovens e crianças têm muito acesso às fake news pela internet, por isso os sites www.drbarto.com.br e drbarto.46graus.com devem ser consultados para aumentar o conhecimento de drogas pelos pais, para que eles possam orientar melhor seus filhos.

O Aconselhamento Breve (AB) semanal é uma boa forma de discutir estes assuntos com nossos jovens. Há um programa de AB por vídeos, que pode ser acessado em https://drbarto.46graus.com/videos – neste dia 20 de fevereiro, Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, fica a sugestão: envie um vídeo toda semana ao seu filho e discuta por alguns minutos aquela mensagem.

 

Relator:
João Paulo Becker Lotufo
Presidente do Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Membro da Comissão de Combate ao Tabagismo da Associação Médica Brasileira (AMB) e convidado pela Comissão de Drogas Lícitas e Ilícitas do Conselho Federal de Medicina
Responsável pelo Projeto Dr. Bartô e os Doutores da Saúde – Projeto de Prevenção de Drogas no Ensino Fundamental e Médio

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Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo https://spsp.org.br/dia-nacional-de-combate-ao-alcoolismo/ Fri, 17 Feb 2023 18:01:14 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=36266 O Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo, instituído em 18 de fevereiro, foi criado para conscientizar a população sobre os males que o consumo de álcool acarre]]>

O Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo, instituído em 18 de fevereiro, foi criado para conscientizar a população sobre os males que o consumo de álcool acarreta e buscar medidas para combatê-lo. Esta data é uma oportunidade para conscientizar a população acerca dos danos causados pela bebida alcoólica.

O excesso de bebida em casa, a facilidade em obtê-la e a falta de punição facilitam o uso precoce do álcool. O grande problema é que as informações reais e científicas não chegam à população. A informação que se tem sobre muitas coisas, inclusive sobre o consumo de álcool, vem pela internet. E aí as fake news preponderam, aumentando a cada ano. Aí está o “conhecimento” dos jovens, dos pais e até de muitos médicos.

A indústria do álcool não tem limites. A propaganda é voltada para o jovem e ligada ao sucesso e diversão. Conseguimos tirar a propaganda do tabaco da mídia, mas ainda existe a propaganda indireta. Um garoto perguntou ao pai: “O que é ser brameiro?”, pois a propaganda de cerveja da época, retirada após dois meses por conflitar com a propaganda para crianças, dizia: “O meu sucesso é que eu sou brameiro”. O estrago já tinha sido feito. O lobby do álcool no Congresso Nacional não nos permite dar limites à indústria.

Quando se pergunta aos jovens “Qual a droga que faz menos mal?”, eles logo citam o álcool como uma delas.  Não é alcoólatra só aquele que bebe todo dia. Uma parte da população é “Binge drinking”, ou seja, bebe por excesso. Quando pergunto aos pais e jovens “Quem já bebeu e dirigiu nos últimos anos?” A resposta é: A MAIORIA. A falta de exemplo é fundamental para a iniciação precoce.

O álcool pode ser o início de uma caminhada para outras drogas. Se o jovem precisa deste estímulo em sua jornada à vida adulta, alguma coisa está errada. O início precoce do consumo do álcool, antes do cérebro estar formado, leva a uma maior chance de problemas e dependência.

Se estou na terceira idade, por que me preocupar com a bebida alcoólica? Porque os avós são exemplos para filhos e netos e se você bebe em excesso, pode influenciar seus filhos ou netos neste caminho. E parar com o vício lhe dará uma qualidade de vida melhor. Gaste um tempo com sua família e aprofunde-se no conhecimento sobre as drogas para poder trocar ideias com a família.

 

Saiba mais:

Saude Soc. 2020;29(2). https://doi.org/10.1590/S0104-12902020190342
Fake news sobre drogas: pós-verdade e desinformação

https://www.drbarto.com.br/os-12-passos-para-evitar-a-armadilha-dos-vicios-2/

 

Relator:
João Paulo Becker Lotufo
Presidente do Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da SPSP

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