professor – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 12 Aug 2026 11:41:31 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png professor – SPSP https://spsp.org.br 32 32 As causas das expulsões na educação infantil e os caminhos possíveis https://spsp.org.br/as-causas-das-expulsoes-na-educacao-infantil-e-os-caminhos-possiveis/ Tue, 11 Aug 2026 11:40:26 +0000 https://spsp.org.br/?p=58197 Comportamentos desafiadores na primeira infância podem sinalizar necessidades que ainda não encontram palavras. Antes de afastar uma criança, precisamos compreender o que está acontecendo. Sem esquecer que proteger toda a comunidade escolar também é responsabilidade de todos. Uma criança de três, quatro ou cinco anos pode ser afastada da escola por seu comportamento? A pergunta incomoda. Talvez porque, quando pensamos em suspensão ou expulsão, imaginamos alguém que já deveria compreender regras, controlar impulsos e responder por suas escolhas. Mas estamos falando de crianças pequenas. Crianças que ainda estão aprendendo a esperar, dividir, perder, ouvir “não”, lidar com a frustração e transformar emoções em palavras. A primeira infância é um período de intenso desenvolvimento. Habilidades de autorregulação, linguagem, comunicação e convivência ainda estão em construção. É nesse contexto que precisamos discutir o afastamento de crianças pequenas de creches e pré-escolas em razão de comportamentos considerados difíceis de manejar. Em 2024, a Academia Americana de Pediatria publicou uma declaração de política sobre suspensão e expulsão escolar, incluindo a educação infantil. O documento alerta para os potenciais efeitos negativos de práticas disciplinares excludentes e recomenda estratégias preventivas e alternativas à exclusão. No Brasil, essa discussão precisa ser contextualizada à nossa realidade educacional e ao marco legal de proteção integral da criança. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece a proteção integral e assegura à criança o direito à educação, com igualdade de condições para acesso e permanência na escola, além do direito de ser respeitada por seus educadores. Isso não significa que a escola deva ignorar comportamentos que coloquem outras crianças ou adultos em risco. A segurança de toda a comunidade escolar é fundamental. Mas significa que decisões que impliquem o afastamento de uma criança precisam ser analisadas com responsabilidade, considerando não apenas o comportamento apresentado, mas também os direitos da criança, seu estágio de desenvolvimento e as possibilidades de intervenção e suporte. Mas talvez a pergunta mais importante seja outra: Quando uma criança pequena apresenta um comportamento difícil, estamos diante de uma criança que precisa ser afastada ou de uma criança que precisa ser compreendida e ajudada? Antes do comportamento, existe uma criança Uma criança que morde, bate, grita, empurra, entra em crise ou desafia regras pode estar expressando algo que ainda não consegue comunicar de outra maneira. Pode estar frustrada, cansada, assustada, sobrecarregada ou simplesmente sem recursos para lidar com uma situação. Isso não significa que todo comportamento deva ser aceito. Crianças precisam aprender limites. Bater ou machucar alguém não pode ser permitido. Mas também precisam de adultos que as ajudem, progressivamente, a desenvolver outras formas de expressar raiva, medo e frustração. Acolher não é permitir tudo. Estabelecer limites não é excluir. O comportamento infantil também não acontece no vazio. Pode estar relacionado ao desenvolvimento, a dificuldades de linguagem e comunicação, a desafios de autorregulação, a alterações sensoriais ou, em alguns casos, a condições do neurodesenvolvimento. Mas pode refletir também aquilo que acontece fora da escola: uma separação, a chegada de um irmão, uma perda, conflitos familiares, mudanças importantes ou uma experiência potencialmente traumática. Até fatores cotidianos, como privação de sono, fome, excesso de estímulos ou mudanças inesperadas na rotina podem interferir na capacidade de uma criança se autorregular. Por isso, diante de um comportamento que preocupa, precisamos ampliar o olhar. Quando acontece? O que aconteceu antes? O que desencadeia a crise? Como os adultos respondem? Essas perguntas ajudam a compreender a função daquele comportamento. Uma criança que entra em crise sempre que precisa interromper uma brincadeira pode precisar de mais previsibilidade. Outra que se desorganiza em ambientes muito barulhentos pode estar enfrentando uma dificuldade sensorial. Uma criança que parece não obedecer pode não estar compreendendo adequadamente uma instrução. O comportamento é um sinal que merece ser compreendido. Não necessariamente um diagnóstico. E, principalmente, não é uma identidade. Quando é preciso investigar Uma das armadilhas de uma abordagem exclusivamente disciplinar é punir antes de compreender. Uma criança com dificuldades persistentes de comunicação, interação social, atenção, impulsividade ou processamento sensorial pode ser rapidamente classificada como “malcriada”, “agressiva” ou “desobediente”. Mas nem todo comportamento difícil é sinal de um transtorno. E nem todo transtorno explica todo comportamento difícil. Quando os comportamentos são persistentes, intensos ou interferem significativamente na participação da criança, uma avaliação individualizada pode ser necessária. Nesse processo, o pediatra pode ter um papel importante: reunir informações da família e da escola, avaliar o desenvolvimento global, investigar sono, linguagem, comportamento e saúde emocional e, quando necessário, encaminhar para avaliação multiprofissional. Não se trata de procurar um rótulo. Trata-se de compreender melhor para cuidar melhor. A escola também precisa ser olhada Quando uma criança apresenta um comportamento desafiador, olhamos para ela. Precisamos também olhar para o ambiente em que esse comportamento acontece. Estudos mostram que decisões de suspensão e afastamento na educação infantil podem estar relacionadas não apenas ao comportamento da criança, mas também às preocupações com segurança, às políticas disciplinares e à disponibilidade de suporte para lidar com situações complexas. Isso não significa ignorar comportamentos que colocam outras pessoas em risco. Nem significa culpar professores. O professor também precisa de apoio. Uma equipe com formação, suporte e recursos pode ter melhores condições para identificar gatilhos, prevenir crises, mediar conflitos e construir estratégias individualizadas. Talvez, diante de uma criança que apresenta comportamentos desafiadores, precisemos olhar para três histórias ao mesmo tempo: a história da criança, a história da família e a história da escola. Essa visão não retira a responsabilidade de ninguém. Amplia a responsabilidade de todos. E quando existe agressividade? Precisamos ter cuidado para não romantizar o comportamento infantil. Uma criança que machuca outra precisa ser contida. Uma criança que coloca colegas ou adultos em risco precisa de intervenção. A segurança de todos é inegociável. Mas existe uma diferença entre interromper um comportamento perigoso e afastar definitivamente uma criança. A primeira pode ser necessária. A segunda precisa ser cuidadosamente analisada. Pode ser necessário afastar momentaneamente a criança de uma situação de risco, garantir supervisão, mediar o conflito, conversar com a família, investigar os fatores envolvidos e construir um plano...]]>

Comportamentos desafiadores na primeira infância podem sinalizar necessidades que ainda não encontram palavras. Antes de afastar uma criança, precisamos compreender o que está acontecendo. Sem esquecer que proteger toda a comunidade escolar também é responsabilidade de todos.

Uma criança de três, quatro ou cinco anos pode ser afastada da escola por seu comportamento?

A pergunta incomoda. Talvez porque, quando pensamos em suspensão ou expulsão, imaginamos alguém que já deveria compreender regras, controlar impulsos e responder por suas escolhas.

Mas estamos falando de crianças pequenas. Crianças que ainda estão aprendendo a esperar, dividir, perder, ouvir “não”, lidar com a frustração e transformar emoções em palavras.

A primeira infância é um período de intenso desenvolvimento. Habilidades de autorregulação, linguagem, comunicação e convivência ainda estão em construção. É nesse contexto que precisamos discutir o afastamento de crianças pequenas de creches e pré-escolas em razão de comportamentos considerados difíceis de manejar.

Em 2024, a Academia Americana de Pediatria publicou uma declaração de política sobre suspensão e expulsão escolar, incluindo a educação infantil. O documento alerta para os potenciais efeitos negativos de práticas disciplinares excludentes e recomenda estratégias preventivas e alternativas à exclusão.

No Brasil, essa discussão precisa ser contextualizada à nossa realidade educacional e ao marco legal de proteção integral da criança.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece a proteção integral e assegura à criança o direito à educação, com igualdade de condições para acesso e permanência na escola, além do direito de ser respeitada por seus educadores.

Isso não significa que a escola deva ignorar comportamentos que coloquem outras crianças ou adultos em risco. A segurança de toda a comunidade escolar é fundamental. Mas significa que decisões que impliquem o afastamento de uma criança precisam ser analisadas com responsabilidade, considerando não apenas o comportamento apresentado, mas também os direitos da criança, seu estágio de desenvolvimento e as possibilidades de intervenção e suporte.

Mas talvez a pergunta mais importante seja outra:

Quando uma criança pequena apresenta um comportamento difícil, estamos diante de uma criança que precisa ser afastada ou de uma criança que precisa ser compreendida e ajudada?

Antes do comportamento, existe uma criança

Uma criança que morde, bate, grita, empurra, entra em crise ou desafia regras pode estar expressando algo que ainda não consegue comunicar de outra maneira.

Pode estar frustrada, cansada, assustada, sobrecarregada ou simplesmente sem recursos para lidar com uma situação.

Isso não significa que todo comportamento deva ser aceito. Crianças precisam aprender limites. Bater ou machucar alguém não pode ser permitido.

Mas também precisam de adultos que as ajudem, progressivamente, a desenvolver outras formas de expressar raiva, medo e frustração.

Acolher não é permitir tudo. Estabelecer limites não é excluir.

O comportamento infantil também não acontece no vazio. Pode estar relacionado ao desenvolvimento, a dificuldades de linguagem e comunicação, a desafios de autorregulação, a alterações sensoriais ou, em alguns casos, a condições do neurodesenvolvimento.

Mas pode refletir também aquilo que acontece fora da escola: uma separação, a chegada de um irmão, uma perda, conflitos familiares, mudanças importantes ou uma experiência potencialmente traumática.

Até fatores cotidianos, como privação de sono, fome, excesso de estímulos ou mudanças inesperadas na rotina podem interferir na capacidade de uma criança se autorregular.

Por isso, diante de um comportamento que preocupa, precisamos ampliar o olhar.

Quando acontece? O que aconteceu antes? O que desencadeia a crise? Como os adultos respondem?

Essas perguntas ajudam a compreender a função daquele comportamento.

Uma criança que entra em crise sempre que precisa interromper uma brincadeira pode precisar de mais previsibilidade. Outra que se desorganiza em ambientes muito barulhentos pode estar enfrentando uma dificuldade sensorial. Uma criança que parece não obedecer pode não estar compreendendo adequadamente uma instrução.

O comportamento é um sinal que merece ser compreendido. Não necessariamente um diagnóstico. E, principalmente, não é uma identidade.

Quando é preciso investigar

Uma das armadilhas de uma abordagem exclusivamente disciplinar é punir antes de compreender.

Uma criança com dificuldades persistentes de comunicação, interação social, atenção, impulsividade ou processamento sensorial pode ser rapidamente classificada como “malcriada”, “agressiva” ou “desobediente”.

Mas nem todo comportamento difícil é sinal de um transtorno. E nem todo transtorno explica todo comportamento difícil.

Quando os comportamentos são persistentes, intensos ou interferem significativamente na participação da criança, uma avaliação individualizada pode ser necessária.

Nesse processo, o pediatra pode ter um papel importante: reunir informações da família e da escola, avaliar o desenvolvimento global, investigar sono, linguagem, comportamento e saúde emocional e, quando necessário, encaminhar para avaliação multiprofissional.

Não se trata de procurar um rótulo. Trata-se de compreender melhor para cuidar melhor.

A escola também precisa ser olhada

Quando uma criança apresenta um comportamento desafiador, olhamos para ela. Precisamos também olhar para o ambiente em que esse comportamento acontece.

Estudos mostram que decisões de suspensão e afastamento na educação infantil podem estar relacionadas não apenas ao comportamento da criança, mas também às preocupações com segurança, às políticas disciplinares e à disponibilidade de suporte para lidar com situações complexas.

Isso não significa ignorar comportamentos que colocam outras pessoas em risco. Nem significa culpar professores.

O professor também precisa de apoio.

Uma equipe com formação, suporte e recursos pode ter melhores condições para identificar gatilhos, prevenir crises, mediar conflitos e construir estratégias individualizadas.

Talvez, diante de uma criança que apresenta comportamentos desafiadores, precisemos olhar para três histórias ao mesmo tempo:

a história da criança, a história da família e a história da escola.

Essa visão não retira a responsabilidade de ninguém.

Amplia a responsabilidade de todos.

E quando existe agressividade?

Precisamos ter cuidado para não romantizar o comportamento infantil.

Uma criança que machuca outra precisa ser contida. Uma criança que coloca colegas ou adultos em risco precisa de intervenção.

A segurança de todos é inegociável.

Mas existe uma diferença entre interromper um comportamento perigoso e afastar definitivamente uma criança.

A primeira pode ser necessária.

A segunda precisa ser cuidadosamente analisada.

Pode ser necessário afastar momentaneamente a criança de uma situação de risco, garantir supervisão, mediar o conflito, conversar com a família, investigar os fatores envolvidos e construir um plano de intervenção.

A criança precisa aprender:

“Eu não posso bater.”

Mas também precisa aprender:

“O que eu posso fazer quando estou com raiva?”

É nessa segunda pergunta que começa o verdadeiro trabalho educativo.

Afastar resolve?

Talvez resolva a crise daquele dia.

A criança sai. A sala fica mais tranquila. O professor retoma a rotina.

Mas o que acontece depois?

A criança leva consigo aquilo que originou o comportamento: a dificuldade de comunicação, a desregulação, a impulsividade, a ansiedade ou a sensação de não pertencer.

E, muitas vezes, o problema reaparece em outro lugar.

A Academia Americana de Pediatria destaca que práticas de suspensão e expulsão podem ter consequências negativas e recomenda estratégias preventivas e alternativas à exclusão.

Os estudos disponíveis vêm, em grande parte, da realidade norte-americana e não podem ser simplesmente transferidos para o Brasil. Mas ajudam a formular uma pergunta necessária:

Estamos certos de que o comportamento é o único problema?

Ou precisamos também olhar para a forma como interpretamos e respondemos a ele?

Antes de afastar, precisamos compreender

Encontrar alternativas não significa aceitar qualquer comportamento.

Significa ampliar o repertório de respostas: avaliar o desenvolvimento, investigar possíveis dificuldades, identificar gatilhos, antecipar mudanças, adaptar a rotina, ensinar habilidades sociais, mediar conflitos e construir estratégias individualizadas.

Pode significar também buscar apoio especializado e envolver o pediatra e outros profissionais da saúde quando necessário.

Nenhum desses caminhos é simples. Nenhum funciona da mesma maneira para todas as crianças.

Mas todos partem de um princípio comum:

antes de afastar, precisamos tentar compreender.

Talvez seja hora de mudar a pergunta.

Em vez de:

“O que há de errado com essa criança?”

Perguntar:

“O que essa criança está tentando nos mostrar?”

E depois:

“O que nós, adultos, podemos fazer diferente?”

Isso não significa retirar da criança a responsabilidade de aprender regras e respeitar limites.

Significa reconhecer que educar é um processo. Que a autorregulação é ensinada. Que habilidades sociais são construídas. E que crianças pequenas precisam de adultos capazes de ensinar tudo isso.

A primeira infância é um período de construção: da linguagem, da autonomia, da autorregulação, das relações e da capacidade de conviver.

Talvez o maior desafio não seja encontrar uma forma de fazer uma criança difícil caber na escola.

Talvez seja construir escolas capazes de acolher diferentes crianças sem abrir mão dos limites, da segurança e do respeito.

Porque educar também é ensinar a conviver.

E, na primeira infância, ensinar a pertencer também faz parte de educar.


Relatora:

Betina Lahterman
Presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da SPSP

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Aos mestres com carinho https://spsp.org.br/aos-mestres-com-carinho/ Wed, 15 Oct 2025 15:45:15 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53623 ]]>

O título deste artigo faz alusão ao filme “Ao Mestre com Carinho” (To Sir, with Love), de 1967. Foi intencional. É um clássico sobre educação e o poder transformador do vínculo entre mestre e aluno. Uma breve sinopse dessa película:

“O engenheiro Mark Thackeray (interpretado por Sidney Poitier) aceita temporariamente um emprego como professor em uma escola pública de Londres, localizada em um bairro operário marcado por desigualdades sociais. Ao chegar, encontra uma turma de adolescentes rebeldes, indisciplinados e desacreditados do futuro, que não respeitam professores nem regras. Ele enfrenta resistência e provocações, mas aos poucos conquista o respeito dos alunos, ao adotar um método de ensino diferente: em vez de focar apenas nos conteúdos tradicionais, passa a tratar os jovens como adultos em formação, discutindo valores, comportamento, responsabilidade e dignidade. Com resiliência e humanidade, ele transforma a relação com a classe, despertando neles confiança, respeito mútuo e uma nova visão de futuro. No processo, Thackeray também se redescobre como educador, percebendo a importância de sua missão”.

O mestre pode ser comparado com alguém que sopra brasas. Não cria o fogo – apenas o desperta. O professor aviva o fogo ensinando a perguntar, a duvidar. Ao atiçar a curiosidade, ao repartir conhecimento, capacita o aluno a sonhar outros mundos possíveis.

O professor semeia pacientemente algo que, muitas vezes, só floresce anos depois. Essa é uma dimensão invisível e demorada do ofício. Como dizia Rubem Alves: “Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra.” Paulo Freire acrescentou: “Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo.”

Quem ensina deve estar sempre se reinventando: o professor é, antes de tudo, alguém que não deixou de aprender, pois sabe que o conhecimento não se esgota no hoje, mas se renova continuamente. Há sempre muitíssimas coisas que não sabemos. E o que pensamos ser definitivo, verificamos, mais tarde, que era provisório.

Na sala de aula, mais do que conhecimento, o professor constrói encontros. E encontros podem mudar destinos. Esses encontros acontecem quando o professor se torna uma fonte de inspiração para cada pessoa que passa por sua sala. São encontros que lançam pontes para futuros mais livres, justos e transformadores.

Aos nossos mestres, com carinho, nossa eterna gratidão. Aos que hoje estão na docência, nosso respeito e admiração.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Dia do Professor https://spsp.org.br/dia-do-professor/ Tue, 15 Oct 2024 13:58:32 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48482 ]]>

A figura do professor ocupa um espaço grande e especial em nossas vidas. Começa na infância e continua até a maturidade. Ao longo da vida continuamos, sempre, aprendendo alguma coisa com alguém. Todos somos alunos e professores, em última análise. Mas alguns dedicam seu tempo, seus esforços, seu conhecimento e sabedoria com a finalidade de ensinar. Têm como objetivo profissional e de vida repartir o que aprenderam. Temos que reforçar a importância que desempenham na vida das pessoas e de uma nação.

Recorro a alguns personagens da ficção, que permanecem em nossa memória afetiva, para traduzir nossa gratidão e reconhecimento. Obrigado a você, professor, que de alguma forma tem um pouco de todos esses professores queridos, que elencamos abaixo:

Professor Pardal – personagem criado pelos Estúdios Disney – é inventor e cientista. É tido como excêntrico, alcunha dada para definir seu jeito desorganizado ou distraído. Tem ideias brilhantes e fora do comum. Possui muita criatividade, mas às vezes falha em lidar com a realidade prática ou cotidiana. É um ardoroso e apaixonado defensor da tecnologia e da ciência. É motivado por perguntas e quer encontrar soluções para tudo. É um profissional multitarefa.

Professor Frink – É um cientista excêntrico e gênio maluco da cidade de Springfield, nos desenhos dos Simpsons. É outra versão do Professor Pardal.

Professor Raimundo – criado e interpretado pelo genial Chico Anysio, lida com uma classe diversificada de alunos, inquieta, bagunceira. Ele aguenta de tudo e o “salário é ó …” – aquele espaço definido entre o polegar e o indicador quantifica – sim, pequenininho.

Professor Xavier – O fundador da escola para jovens superdotados, que também atua como mentor dos X-Men. Os “fora da curva” encontram naquele ambiente aquilo de que necessitam para desabrocharem seus talentos. Na escola há professores com empatia e notória competência, que não temem um aluno curioso e questionador. Para necessidades diferentes, propõem tratamentos diferenciados.

Professor Girafales – O professor da turma do Chaves, conhecido por sua paciência (e por seu romance com Dona Florinda). Professor é gente, que também se apaixona e sabe que é mortal.

Professor John Keating – O inspirador professor de literatura que ensina seus alunos a pensarem de forma independente e a valorizarem a poesia, no filme Sociedade dos Poetas Mortos. Ensina a pensar. Incute valores fundamentais.

Professor Indiana Jones – arqueólogo aventureiro e professor universitário. “Topa qualquer parada” pelo encontro de uma peça arqueológica rara. Foco obstinado. O trabalho lhe dá alegria e prazer.

Dois professores da série Harry Potter: Alvo Dumbledore, professor sábio e poderoso, e o Snape, enigmático e complexo professor de poções, que mais tarde ensina Defesa Contra as Artes das Trevas.

A você, que exerce a função docente, em especial em Pediatria e no universo do Adolescente, nossa homenagem, admiração, reconhecimento e gratidão.

A quem honra, honra.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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O que um aluno nunca esquece de um professor https://spsp.org.br/o-que-um-aluno-nunca-esquece-de-um-professor/ Sun, 15 Oct 2023 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=40161 Alunos, muitas vezes, têm memórias duradouras de seus professores. Essas lembranças podem variar de aluno para aluno, pois estão na dependência dos]]>

Alunos, muitas vezes, têm memórias duradouras de seus professores. Essas lembranças podem variar de aluno para aluno, pois estão na dependência dos imprints que esse professor tenha deixado na vida do seu pupilo. No entanto, existem algumas coisas comuns que os alunos costumam lembrar de um professor ao longo dos anos:

  1. Paixão pelo ensino: os alunos tendem a lembrar de professores que demonstram uma paixão autêntica pelo que ensinam. A energia e o entusiasmo do professor pelo assunto podem inspirar os alunos a se interessarem mais pela matéria.
  2. Cuidado e apoio: alunos se lembram de professores que se preocuparam com seu bem-estar emocional e acadêmico, que se dispuseram a ouvir com atenção genuína os problemas do aluno, que se interessaram por suas vidas e aspirações e os orientaram em relação a oportunidades educacionais e profissionais futuras.
  3. Inovação e criatividade: professores que introduzem abordagens de ensino criativas e envolventes são frequentemente lembrados. Isso pode incluir o uso de recursos multimídia, atividades práticas e projetos interessantes. Alunos apreciam quando conseguem entender e aplicar o que foi ensinado.
  4. Desafio e apoio: alunos valorizam professores que os desafiam intelectualmente, incentivando-os a alcançar seu potencial máximo; que os ajudam a desenvolver pensamento crítico e habilidades para resolução de problemas. Ao mesmo tempo, também apreciam professores que oferecem apoio e orientação quando enfrentam dificuldades.
  5. Empatia e compreensão: alunos lembram de professores que entendem e respeitam suas diferenças individuais, incluindo suas capacidades, estilos de aprendizado e origens culturais.

 

O professor que será lembrado é aquele que consegue transmitir para o aluno algo além do conhecimento formal e específico. Aquele que abre, na singeleza do cumprimento de uma tarefa – no exercício de uma vocação, uma janela permanente para a esperança e para o encantamento com a vida.

Reproduzo, para alunos e professores, dois textos inspiradores:

“Se quiser construir um navio não convoque homens para pegar madeira e distribuir as tarefas, mas ensine-lhes o anseio pelo vasto e infinito mar”. (Saint-Exupéry. kdfrases.com/frase/114863)

“Eu estou pensando há muito tempo em propor o novo tipo de professor. É um professor que não ensina nada, não é professor de matemática, de história, de geografia. É um professor de espantos. O objetivo da educação não é ensinar coisas, porque as coisas já estão na Internet, estão por todos os lugares, estão nos livros. É ensinar a pensar. Criar na criança essa curiosidade (…) A missão do professor não é dar as respostas prontas. As respostas estão nos livros, estão na Internet. A missão do professor é provocar a inteligência, é provocar o espanto, é provocar a curiosidade, criar a alegria de pensar”. (A escola dos meus sonhos | Rubem Alves: (wordpress.com)

A vocês, professores e professoras, que passaram por nossas vidas, nossa eterna gratidão.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Segurança nas escolas https://spsp.org.br/seguranca-nas-escolas/ Tue, 15 Mar 2022 14:20:16 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=31592 O Dia da Escola é comemorado em 15 de março, não podemos deixar de falar sobre a segurança neste local tão importante para as crianças. Ao escolher a escola onde o filho estudará, além da proposta pedagógica, aspectos práticos são considerados pelos pais.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 15/03/2022


 O Dia da Escola é comemorado em 15 de março, não podemos deixar de falar sobre a segurança neste local tão importante para as crianças.

Ao escolher a escola onde o filho estudará, além da proposta pedagógica e metodológica, aspectos práticos são considerados pelos pais, como o valor da mensalidade, a localização, o horário das aulas, a alimentação, etc. Outro ponto muito importante que deve corretamente nortear a escolha é a segurança da escola.

 

E o que faz uma escola segura?

Iremos discutir alguns pontos, mas é importante ressaltar que mesmo com uma excelente infraestrutura e monitoramento de última geração, para ser segura, uma instituição precisa conhecer seus fatores de risco e planejar sua segurança com treinamentos, política de prevenção e planos de ação para as principais emergências (o que fazer em caso de incêndio, alagamento, acidentes, assaltos, atiradores na escola, etc).

 

Infraestrutura da escola

O espaço pode influenciar a qualidade da educação que a criança irá receber, bem como o seu desenvolvimento ao longo dos anos. A escola deve ter uma estrutura física em boas condições, com autorização de funcionamento (documento expedido pela Secretaria Estadual de Educação) e alvará sanitário afixado em um lugar visível. É preciso apresentar diversidade de ambientes, adequados para faixas etárias (salas de computação, salas de vídeo, biblioteca, refeitório, quadras esportivas e quaisquer outros ambientes educativos com equipamentos específicos). O ambiente deve ser claro, ventilado e silencioso e o mobiliário deve ser resistente, não conter partes facilmente removíveis, estar íntegro e de preferência permitir várias formas de agrupamento, previstas na didática moderna.

Se houver escadas, elas devem ter corrimão em todo o percurso, faixas ou piso antiderrapante e sinalização. É preciso ser compatível com a quantidade de pessoas que a utilizam, especialmente em casos de emergências. Preferencialmente, deve haver limite ao acesso de crianças pequenas e sinalização especial para o uso de celular pelos estudantes ao utilizarem as escadas.

A instalação elétrica deve atender às Normas Regulamentadoras de Saúde e Segurança no Trabalho, às regulamentações técnicas oficiais estabelecidas e ser assinada por profissional legalmente habilitado. Fontes de energia elétrica devem ser sinalizadas, fios devidamente encapados e de preferência não devem estar à vista. Em locais de circulação de crianças pequenas, tomadas devem ser protegidas. Havendo ar condicionado, deve estar com a manutenção e limpeza em dia.

As instalações sanitárias precisam estar sempre limpas, com horários de limpeza preestabelecidos e utilizando material apropriado. É importante que tenha sinalização de segurança e campanha para prevenção de acidentes e doenças.

Se houver elevador, é preciso ter alvará de funcionamento, manutenções atualizadas e efetuadas por empresa credenciada e regularizada para tal fim. Seu acesso deve ser controlado, respeitando idade e quantidade de pessoas.

Quadras poliesportivas (tamanho oficial: 16m de largura X 27m de comprimento) devem ter demarcações em cores específicas para cada esporte praticado e serem cercadas, por exemplo, com alambrados, que impedem que as bolas atinjam outras pessoas.

O piso não deve ser escorregadio, especialmente em períodos de chuvas e deve ser uniforme (sem desníveis, buracos, frestas) e adequado para a área: por exemplo, piso de concreto não deve estar em parquinhos.

Os playgrounds devem seguir normas de segurança de acordo com a NBR 16071 e os brinquedos devem passar por manutenção constante, assegurando que estejam em condições de uso. O acesso deve ser limitado conforme a faixa etária, peso e altura, recomendado pelo fabricante.

Se houver piscina, ela deve ser cercada pelos 4 lados (cercas de pelo menos 1,5m de altura e até 12cm de espaço entre as grades), que não seja escalável e tenha portão que deve permanecer trancado quando não estiver em uso. Deve ter piso antiderrapante em torno e ralos com tampa anti-sucção. Crianças menores de 5 anos ou maiores que não saibam nadar devem sempre estar um adulto na água com elas a um braço de distância. O profissional deve ter treinamento de RCP e ser responsável por um grupo pequeno de crianças na água.

Todas as escolas devem adotar medidas de prevenção de incêndios, em conformidade com a legislação estadual e as normas técnicas aplicáveis, apresentando alvará do corpo de bombeiros. Deve haver informações sobre a utilização dos equipamentos (chuveiros automáticos sprinklers, as bombas hidráulicas, extintores de incêndio, alarmes, mangueiras, Iluminação de emergência, porta corta-fogo, sinalização) e procedimentos para evacuação dos locais de trabalho com segurança.

 

Organização

Controle e procedimentos para entradas e saídas: controlar quem circula dentro da instituição, dividir os horários de entrada e saída de alunos por faixa etária. Isso evita aglomerações comuns do horário, facilita o trânsito de carros e pessoas, assim como o trabalho do porteiro escolar.

Sistemas de monitoramento: câmeras monitorando em tempo real e a presença de vigias em locais de acesso e perambulando pelas instalações pode prevenir atos criminosos, como assaltos, furtos e sequestros, além de auxiliar na responsabilização de envolvidos em bullying, assédios e agressões.

Rotas de fuga: aberturas, saídas e vias de passagem devem estar livres para acesso rápido e conter placas ou sinais luminosos, indicando a direção. As saídas de emergência devem ser equipadas com dispositivos de travamento que permitam fácil abertura pelo interior do estabelecimento.

Equipe de primeiros socorros: algumas escolas mantém uma enfermaria para atendimentos. Os profissionais devem ser qualificados e treinados para atendimento inicial das principais emergências, como quedas, afogamentos, queimaduras, etc.

Treinamentos: a escola precisa ter política de treinamento constante de funcionários e até de alunos, para as principais ocorrências (exemplo: plano de fuga em incêndios). Uma política de prevenção deve ser bem exposta, sinalizada e treinada

Internet segura: além do uso de antivírus, ou do controle de acesso a alguns sites, a escola deve conscientizar o aluno quanto ao uso responsável da internet, orientar quanto aos métodos de pesquisa, alertando quanto à superexposição nas redes, golpes, vazamentos de informações e cyberbullying. Aumentar a parceria com os pais e estender essa conscientização para além dos muros da escola.

Educação em saúde: o aluno deve ser estimulado a adotar estilo de vida seguro e saudável por intermédio de estratégias de ensino e métodos interativos, que o envolvam no aprendizado sobre a prevenção de violências e lesões não intencionais.

Integração entre a escola, família e comunidade para prevenir lesões: a escola deve envolver a família e a comunidade em atividades de prevenção de acidentes e violências, além de estar disponível para atividades extracurriculares e eventos da comunidade, mesmo fora dos horários de aula.

 

Segurança durante a pandemia

Em época de pandemia, torna-se mais importante ainda o método de higienização e a constância que se limpam brinquedos e locais comuns, como mesas, parquinhos, corrimão, maçanetas, carteiras, etc.

A escola deve adquirir Equipamentos de Proteção Individual em quantidade suficiente para cumprir com os padrões nacionais, bem como instruir a todos que precisam utilizá-los e descartar de formas adequadas.

Dependendo da situação pandêmica, a escola deve apresentar planos para implementação de ações compatíveis com as orientações do OMS, do Ministério da Saúde: redução da capacidade de ocupação dos espaços, distanciamento físico, incentivo a comportamentos de higiene (lavagem de mãos, etiqueta respiratória, uso adequado de máscaras), escalonamento de horários das refeições, proteção para profissionais, identificação e isolamento de indivíduos infectados, etc

Além de uma boa infraestrutura, uma escola segura é aquela que conhece os eventos adversos (o risco ambiental, locais e comportamentos de risco) que possam acometer alunos, professores e outros trabalhadores da mesma. Além disso, determina seu grau de vulnerabilidade em relação aos eventos e se capacita ao enfrentamento, por meio de planejamento (políticas de prevenção de doenças, de acidentes, de violência) e ações, envolvendo o corpo docente, alunos e pais.

                                                                                                    

Relatora:
Tania M. R. Zamataro
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Presidente do Departamento Científico de Segurança infantil da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

Foto: wavebreakmedia | depositphotos.com

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15/03 – Dia da Escola https://spsp.org.br/15-03-dia-da-escola/ Tue, 15 Mar 2022 14:10:37 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=31588 No dia 15 de março, se comemora o Dia da Escola. Com a pandemia de Covid-19, sua importância se tornou ainda mais destacada para nossa sociedade e ficou evidente o quanto é essencial na formação de nossas crianças. As escolas devem ter ambientes ventilados.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 15/03/2022


No dia 15 de março, se comemora o Dia da Escola. Com a pandemia de Covid-19, sua importância se tornou ainda mais destacada para nossa sociedade e ficou evidente o quanto é essencial na formação de nossas crianças.

Pensando em espaço, as escolas devem contar com ambientes bem ventilados e os cuidados necessários para garantir a saúde e segurança de todos. Além disso, oferecer áreas que promovam o contato com a natureza, assim como atividades lúdicas e criativas, que contribuem para o desenvolvimento cognitivo e emocional de seus alunos.

Mais do que um lugar físico, a escola é a expansão para o mundo. A sala de aula se transforma na extensão de casas de dinâmicas diversas, onde a figura afetiva dos pais dá lugar aos papeis exercidos pelo(a) professor(a), além de permitir o relacionamento com seus pares (colegas) que trazem características, habilidades, qualidades e defeitos ora semelhantes, ora diferentes. Uma experiência única e enriquecedora, na qual é trabalhada ensino de conteúdos e valores.

Essencial e, não menos importante, é o estabelecimento de vínculos entre a escola e as famílias que se traduzirão em parcerias futuras, em momentos de desafios, trocas e estratégias, como o combate ao bullying, por exemplo, e outras formas de agressão.

Fortalecer o papel da escola e valorizar o professor demonstra respeito e admiração, gera reconhecimento dos alunos na transmissão de conhecimento e desperta habilidades que dependem desse processo complexo de convivência, descobertas e transformação.

Portanto, a escola comemora, neste dia, toda a contribuição que pode dar para que seus alunos sejam cidadãos pensantes, críticos e, principalmente, capazes de exercer seus papeis como indivíduos e na sociedade, entendendo seus direitos/deveres e defendendo suas escolhas. Com certeza, isto levará a construção de um país melhor, mais fraterno e menos desigual.

 

Relatores:
Fausto Flor Carvalho
Betina Lahterman
Departamento Científico de Saúde Escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

Foto: tomwang | depositphotos.com

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