Primeiros mil dias de vida – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Thu, 18 Mar 2021 22:30:58 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Primeiros mil dias de vida – SPSP https://spsp.org.br 32 32 “Mil dias”: a janela de oportunidades da saúde da criança e suas repercussões na vida adulta https://spsp.org.br/mil-dias-a-janela-de-oportunidades-da-saude-da-crianca-e-suas-repercussoes-na-vida-adulta/ Mon, 18 Sep 2017 18:12:14 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=1791 O período dos “mil dias” corresponde às 40 semanas de gestação (270 dias) somados aos dois primeiros anos de vida (730 dias), fundamentais para que a criança possa atingir o seu potencial máximo de crescimento e desenvolvimento na vida adulta.

Os “mil dias” constituem verdadeira “janela de oportunidades” que apresentam alto impacto na redução da mortalidade e danos ao crescimento e neuro-desenvolvimento futuro da criança. A boa alimentação da gestante é determinante para evitar as restrições ou excessos do crescimento intrauterino. Estudos recentes sugerem que o crescimento da criança durante os primeiros anos de vida seja fortemente influenciado pelo padrão de crescimento fetal, o que pode determinar uma elevação na probabilidade de ocorrência de desfechos, não só metabólicos, mas também cognitivos desfavoráveis.

Os “mil dias” também são um período em que se pode evitar as denominadas doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) durante a fase de vida adulta, como a síndrome metabólica, caracterizada por diabetes, dislipidemia e hipertensão arterial e ainda, alguns tipos de cânceres. Nessa fase, mecanismos epigenéticos, que podem alterar a estrutura do DNA, determinam o aparecimento dessas doenças. Assim, evitar a subnutrição e a obesidade nessa fase da vida é de crucial importância na prevenção das DCNT.

As intervenções propostas no período dos mil dias consistem em assegurar à mulher controle de saúde no pré-natal e nutrição adequada durante a gestação e lactação. Além disso, o leite materno é de fundamental importância para assegurar a boa nutrição da criança.

DanielReche | Pixabay

A importância do aleitamento materno

O leite materno é o alimento que melhor atende às necessidades nutricionais dos lactentes. Está indicado como alimentação exclusiva até seis meses de vida, associado à alimentação complementar a partir de então, e mantido até os dois anos de idade ou mais, como preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Estudos científicos demonstram que os lactentes em uso do leite materno recebem quantidade de calorias suficiente para crescer, mas não superior à necessária, ganhando peso de forma mais lenta que lactentes alimentados com fórmula infantil. Estudos experimentais demonstram que o excesso de consumo alimentar em lactentes está associado ao maior risco para obesidade e síndrome metabólica na vida adulta.

Para as crianças subnutridas deve-se
— possibilitar a ingestão adequada de vitaminas e minerais através da dieta e, para os mais necessitados, alimentos enriquecidos e suplementos;
— naqueles em risco de subnutrição, assegurar o acesso a alimentos e nutrientes necessários para o crescimento e manutenção da saúde, promover a gestão nutricional das doenças infecciosas e propiciar alimentação terapêutica às crianças severamente subnutridas por déficit de alimentos e/ou doenças associadas.

O acompanhamento pelo pediatra durante a primeira infância e a consulta pediátrica durante o pós-natal são da maior importância para assegurar a correta orientação que permita à criança atingir seu melhor crescimento e desenvolvimento e construir uma vida saudável.

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Relator:
Rubens Feferbaum
Departamento Científico de Nutrição da SPSP.

Publicado em 18/09/2017.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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Alimentação complementar da criança é fundamental para o bom desenvolvimento https://spsp.org.br/alimentacao-complementar-da-crianca-e-fundamental-para-o-bom-desenvolvimento-2/ Thu, 26 Feb 2015 10:16:15 +0000 https://comunidadespsp.wordpress.com/?p=844 A recomendação da Organização Mundial de Saúde e do Ministério da Saúde é a oferta de aleitamento materno exclusivo durante os seis primeiros meses de vida da criança. Após esse período, inicia-se a alimentação complementar, implementando nutrientes necessários para o bom desenvolvimento infantil, como ferro, zinco e vitaminas. Dr. Rubens Feferbaum, vice-presidente do Departamento de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), destaca a relevância da escolha dos alimentos para o bebê, desde a hora das compras até o modo de preparo. “Prefira sempre os mais frescos possíveis, observando, no momento da compra, como estão armazenados”. O pediatra ressalta ainda que a higienização em casa deve ser cuidadosa, lavando tudo o que oferecer para a criança, mesmo se cozido posteriormente. Em relação aos temperos, optar pelos naturais, como salsinha, cebolinha e um pouco de óleo vegetal. O sal, se usar, em doses mínimas. O ideal é aproveitar o sabor natural de cada item. Uma criança com uma alimentação variada, balanceada em proteínas, gordura e carboidratos, rica em micronutrientes, vitaminas e minerais se desenvolve melhor. “Nos primeiros meses de vida, é essencial a manutenção de uma oferta balanceada, para a criança — e também para a mãe! — para o crescimento e desenvolvimento cognitivo adequados”, explica Feferbaum. A boa dieta do bebê auxilia na formação da resistência a doenças, uma vez que possui interação com o intestino e estimula a instalação de uma microbiota saudável. Além disso, as vitaminas que a criança adquire pela comida têm relação direta com a imunidade. “Chamamos de alimentação complementar aquela realizada em conjunto com a amamentação, normalmente após os seis meses de vida. No entanto, é importante destacar a alimentação nos primeiros 1.000 dias de vida, que é o período compreendido entre a gestação (280 dias) e os 2 primeiros anos (720). Por essa razão, a nutrição e alimentação da gestante também merecem atenção, assim como o preparo para o aleitamento. O acompanhamento com o pediatra para orientação da nutrição adequada da criança em todas as fases da vida é outro fator fundamental”, destaca. A seguir, confira como as dicas de introdução alimentar de acordo com cada faixa etária da criança: De seis a nove meses Com o amadurecimento do intestino e do organismo, aos poucos é possível introduzir as comidas, sempre respeitando o tempo de aceitação de cada bebê. Geralmente, papa de legumes e grutas amassadas em forma natural são as primeiras novidades. Aos poucos, o paladar se acostuma aos novos sabores. Entretanto, é importante apresentar um alimento por vez e aguardar alguns dias para algo novo ou até para misturar. Dessa forma, é possível verificar a aceitação do organismo, reações alérgicas, dores de barriga ou diarreia. Os legumes, as verduras e as carnes são acrescentadas a partir do 6º mês somente no almoço, já no “jantar” somente a partir do 7º mês. A consistência dos alimentos deve evoluir, para incentivar os movimentos de mastigação aos alimentos mais sólidos e não apenas líquidos e pastas. É importante explorar a variedadepara uma boa aceitação dos próximos alimentos. O leite ainda é essencial para o bebe, de preferência o materno. A Organização Mundial da Saúde preconiza o aleitamento materno até os dois anos de vida. Caso o bebê tome fórmula infantil, nessa faixa etária a aceitação média é de 500 a 700 ml por dia. Vale ressaltar que só pode introduzir o leite de vaca após 1 ano de idade, desde que haja dificuldades na manutenção de uma formula infantil adequada para a idade. De nove meses a um ano Os alimentos sólidos devem compor uma parcela significativa da dieta nessa idade. Já começam a surgir mais dentes, facilitando a mastigação dos pedaços de comida. Agora o bebê tenta comer sozinho, por volta dos 9 meses e, logo aos 10 meses, pode conseguir acertar a colher na boca. É comum desenvolver o hábito de chupar alguns alimentos. Os pais podem ofertar aos filhos pedaço de carne, frutas, entre outros sólidos. Além de massagear a gengiva, ajuda a desenvolver independência. Evite alimentos redondos e pequenos, como uvas, nessa fase. Próximas de completar um ano, as crianças já não se alimentam uniformemente: alguns dias comem muito, outros praticamente nada. Os pais não devem ficar ansiosos e insistirem. É e natural e não deve ser motivo de ansiedade dos pais. De 1 ano a 1 ano e meio A característica típica dessa idade é a recusa dos alimentos. A inconstância na hora de comer é resultado da diminuição no ritmo de crescimento após o primeiro ano – o corpo muda e segue as tendências genéticas, além dos efeitos das atividades físicas. O mundo é explorado mais intensamente e não sobra muito tempo para se interessar por comida. Por isso é importante a oferta de pequenos lanches nutritivos durante o dia. A comida especial dá lugar ao cardápio normal da família, que deve se ajustar de forma mais saudável, evitando-se o uso de temperos fortes e excesso de sal, açúcar e gordura em algum prato. O consumo de alimentos gordurosos e muito doces deve ser controlado desde cedo para não viciar a criança desde cedo. Como o paladar ainda está em formação, o ideal é introduzir sabores suaves e naturais. A oferta diária de leite em média 500 ml. De 1 ano e meio a 2 anos Os talheres são mais bem manuseados, canudos são utilizados, além do maior número de dentes. Entretanto, surge a inquietação na hora das refeições e demonstrações de independência. É preciso ficar atento para que a criança não enjoe da comida e afunile suas experiências de paladar. Para isso, invista na oferta de alimentos variados e na realização das refeições em família à mesa. A criatividade também é muito importante para despertar o interesse da criança deve desde que é muito importante a apresentação e a cor dos alimentos, além do que comidinha tem que ter variação e ser gostosa. ___ Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP. Publicado em 26/02/2015. photo credit: © Gewoldi | Dreamstime.com – Young Child Eating...]]>

A recomendação da Organização Mundial de Saúde e do Ministério da Saúde é a oferta de aleitamento materno exclusivo durante os seis primeiros meses de vida da criança. Após esse período, inicia-se a alimentação complementar, implementando nutrientes necessários para o bom desenvolvimento infantil, como ferro, zinco e vitaminas.

Dr. Rubens Feferbaum, vice-presidente do Departamento de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), destaca a relevância da escolha dos alimentos para o bebê, desde a hora das compras até o modo de preparo. “Prefira sempre os mais frescos possíveis, observando, no momento da compra, como estão armazenados”.

O pediatra ressalta ainda que a higienização em casa deve ser cuidadosa, lavando tudo o que oferecer para a criança, mesmo se cozido posteriormente. Em relação aos temperos, optar pelos naturais, como salsinha, cebolinha e um pouco de óleo vegetal. O sal, se usar, em doses mínimas. O ideal é aproveitar o sabor natural de cada item.

Uma criança com uma alimentação variada, balanceada em proteínas, gordura e carboidratos, rica em micronutrientes, vitaminas e minerais se desenvolve melhor. “Nos primeiros meses de vida, é essencial a manutenção de uma oferta balanceada, para a criança — e também para a mãe! — para o crescimento e desenvolvimento cognitivo adequados”, explica Feferbaum. A boa dieta do bebê auxilia na formação da resistência a doenças, uma vez que possui interação com o intestino e estimula a instalação de uma microbiota saudável. Além disso, as vitaminas que a criança adquire pela comida têm relação direta com a imunidade.

“Chamamos de alimentação complementar aquela realizada em conjunto com a amamentação, normalmente após os seis meses de vida. No entanto, é importante destacar a alimentação nos primeiros 1.000 dias de vida, que é o período compreendido entre a gestação (280 dias) e os 2 primeiros anos (720). Por essa razão, a nutrição e alimentação da gestante também merecem atenção, assim como o preparo para o aleitamento. O acompanhamento com o pediatra para orientação da nutrição adequada da criança em todas as fases da vida é outro fator fundamental”, destaca.

A seguir, confira como as dicas de introdução alimentar de acordo com cada faixa etária da criança:

De seis a nove meses
Com o amadurecimento do intestino e do organismo, aos poucos é possível introduzir as comidas, sempre respeitando o tempo de aceitação de cada bebê. Geralmente, papa de legumes e grutas amassadas em forma natural são as primeiras novidades. Aos poucos, o paladar se acostuma aos novos sabores. Entretanto, é importante apresentar um alimento por vez e aguardar alguns dias para algo novo ou até para misturar. Dessa forma, é possível verificar a aceitação do organismo, reações alérgicas, dores de barriga ou diarreia. Os legumes, as verduras e as carnes são acrescentadas a partir do 6º mês somente no almoço, já no “jantar” somente a partir do 7º mês. A consistência dos alimentos deve evoluir, para incentivar os movimentos de mastigação aos alimentos mais sólidos e não apenas líquidos e pastas. É importante explorar a variedadepara uma boa aceitação dos próximos alimentos. O leite ainda é essencial para o bebe, de preferência o materno. A Organização Mundial da Saúde preconiza o aleitamento materno até os dois anos de vida. Caso o bebê tome fórmula infantil, nessa faixa etária a aceitação média é de 500 a 700 ml por dia. Vale ressaltar que só pode introduzir o leite de vaca após 1 ano de idade, desde que haja dificuldades na manutenção de uma formula infantil adequada para a idade.

De nove meses a um ano
Os alimentos sólidos devem compor uma parcela significativa da dieta nessa idade. Já começam a surgir mais dentes, facilitando a mastigação dos pedaços de comida. Agora o bebê tenta comer sozinho, por volta dos 9 meses e, logo aos 10 meses, pode conseguir acertar a colher na boca. É comum desenvolver o hábito de chupar alguns alimentos. Os pais podem ofertar aos filhos pedaço de carne, frutas, entre outros sólidos. Além de massagear a gengiva, ajuda a desenvolver independência. Evite alimentos redondos e pequenos, como uvas, nessa fase. Próximas de completar um ano, as crianças já não se alimentam uniformemente: alguns dias comem muito, outros praticamente nada. Os pais não devem ficar ansiosos e insistirem. É e natural e não deve ser motivo de ansiedade dos pais.

De 1 ano a 1 ano e meio
A característica típica dessa idade é a recusa dos alimentos. A inconstância na hora de comer é resultado da diminuição no ritmo de crescimento após o primeiro ano – o corpo muda e segue as tendências genéticas, além dos efeitos das atividades físicas. O mundo é explorado mais intensamente e não sobra muito tempo para se interessar por comida. Por isso é importante a oferta de pequenos lanches nutritivos durante o dia. A comida especial dá lugar ao cardápio normal da família, que deve se ajustar de forma mais saudável, evitando-se o uso de temperos fortes e excesso de sal, açúcar e gordura em algum prato. O consumo de alimentos gordurosos e muito doces deve ser controlado desde cedo para não viciar a criança desde cedo. Como o paladar ainda está em formação, o ideal é introduzir sabores suaves e naturais. A oferta diária de leite em média 500 ml.

De 1 ano e meio a 2 anos
Os talheres são mais bem manuseados, canudos são utilizados, além do maior número de dentes. Entretanto, surge a inquietação na hora das refeições e demonstrações de independência. É preciso ficar atento para que a criança não enjoe da comida e afunile suas experiências de paladar. Para isso, invista na oferta de alimentos variados e na realização das refeições em família à mesa. A criatividade também é muito importante para despertar o interesse da criança deve desde que é muito importante a apresentação e a cor dos alimentos, além do que comidinha tem que ter variação e ser gostosa.

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Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP.

Publicado em 26/02/2015.
photo credit: © Gewoldi | Dreamstime.comYoung Child Eating In High Chair Photo

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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