Prevenção da Gravidez – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 27 Sep 2024 16:29:11 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Prevenção da Gravidez – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Gravidez na Adolescência https://spsp.org.br/gravidez-nas-adolescencias/ Thu, 26 Sep 2024 13:49:54 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48147 ]]>

26 de setembro é o Dia Mundial da Prevenção da Gravidez na Adolescência.

A gravidez “nas adolescências” é um problema complexo, multifacetado e transgeracional (fenômeno que se refere à transmissão de padrões, valores, expectativas e outros elementos familiares de uma geração para outra), que impacta na estrutura econômica e contribui para a manutenção do ciclo de desigualdade social e pobreza. É uma questão de Saúde Pública que requer uma abordagem multidimensional.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 16 milhões de adolescentes de 15 a 19 anos engravidam anualmente, das quais 95% são de países de rendimento baixo e médio e 2,5 milhões têm menos de 16 anos. No Brasil, em 2024, a taxa de gravidez na adolescência entre 15 e 19 anos atual é de 53 adolescentes grávidas a cada mil, acima da média mundial, que é de 41 por mil. Essa diminuição começou a ser observada após 2019, com uma queda média de 18% até 2022. No entanto, o número de nascimentos entre adolescentes ainda é significativo e preocupante.

As maiores taxas de gravidez “nas adolescências” se concentram em regiões de baixa renda, principalmente em lugares onde o acesso aos serviços de saúde é precário, tanto do ponto de vista quantitativo como qualitativo. A acessibilidade não é só uma questão de falta de rede de apoio, mas principalmente de falta de formação qualificada de profissionais de saúde, em Saúde Sexual e anticoncepção, e que respeitem o adolescente como sujeito autônomo pleno de direitos.

Para compreender as causas de gravidez na adolescência além das questões políticas-econômicas-sociais, é preciso adentrar nas motivações, desejos, cultura, grupos e nas oportunidades nas quais cada adolescente está inserido. Qual o lugar daquele adolescente em seu território? Há lugares em que ser “mãe” garante maior segurança e aceitação do que ser “só” uma adolescente? Como a adolescente pode exercer a autonomia e manter sua autoestima frente às possibilidades limitadas de futuro que esse lugar oferece?

Diante dessa complexidade, todas as estratégias de prevenção da gravidez devem considerar as questões “das adolescências” de cada lugar. Cabe aos pediatras obterem conhecimento técnico sobre anticoncepção para orientar, acolher os adolescentes, além de cobrar Políticas Públicas que garantam Equidade de gêneros e de oportunidades, que erradiquem lugares políticos-econômicos-psíquico-sociais onde a maternidade na adolescência seja considerada o único projeto de vida.

 

Relatoras:

Maíra Terra
Lília D’Souza-Li
Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Mundial da Prevenção da Gravidez na Adolescência https://spsp.org.br/dia-mundial-da-prevencao-da-gravidez-na-adolescencia/ Tue, 27 Sep 2022 18:23:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=34638 No dia 26 de setembro, em mais de 70 países da Europa, Ásia e América Latina, celebra-se o Dia Mundial da Prevenção da Gravidez na Adolescência. A data tem como objetivo incentivar a reflexão]]>

No dia 26 de setembro, em mais de 70 países da Europa, Ásia e América Latina, celebra-se o Dia Mundial da Prevenção da Gravidez na Adolescência. A data tem como objetivo incentivar a reflexão e difundir informações sobre medidas preventivas e educativas para a redução da gravidez e de infecções sexualmente transmissíveis na adolescência.

No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam que 377.655 partos realizados no ano de 2020 foram de mães com idade entre 10 e 19 anos. Isso significa que em torno de um em cada sete bebês é filho de mães adolescentes: a cada hora nascem 43 bebês, filhos de mães adolescentes, e a cada 30 minutos, uma menina de 10 a 14 anos torna-se mãe.

Apesar da redução das taxas de gravidez na adolescência em comparação aos anos anteriores, ela segue pior do que em outros países latino-americanos, segundo os dados do Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA) para América Latina e Caribe. A repetição de gravidez na adolescência também é frequente e, na falta de acompanhamento pós-parto, pode ocorrer em torno de 30% no primeiro ano e até 50% no segundo ano.

A falta de informações sobre o corpo, a sexualidade e os direitos sexuais e reprodutivos, bem como a dificuldade de acesso ao sistema de saúde, incluindo os métodos contraceptivos, são os principais fatores para a ocorrência de gravidez na adolescência. Vale destacar ainda a qualidade dos programas de educação sexual nas escolas, os tabus e preconceitos sobre a sexualidade e a falta de diálogo dos jovens com seus pais, familiares, professores e educadores.

É de fundamental importância “interrogar” se diversos tipos de violência, como a sexual, possam estar envolvidos direta ou indiretamente com essas gestações, o que constitui um problema de saúde e de direitos humanos, com consequências biológicas, psicológicas e sociais significativas.

A interrupção ou o abandono escolar, o atraso ou a inserção não qualificada no mundo do trabalho, a maternidade sem o apoio emocional e financeiro do parceiro e até mesmo da família, e uma continuidade do ciclo intergeracional de pobreza e desigualdade representam as consequências sociais mais frequentes de uma gravidez não planejada na adolescência.

A educação sexual, tanto individual quanto coletiva, nas escolas, famílias, serviços de saúde e centros comunitários é um dos maiores fatores de prevenção. Educação sexual não significa ensinar crianças e adolescentes a praticarem sexo, e sim ensinar e orientar sobre métodos contraceptivos, tratar a sexualidade e a saúde reprodutiva não só sob abordagem biológica, mas também como uma relação ao convívio de respeito entre os iguais, atividade sexual com responsabilidade e respeito, proteção contra gravidez inoportuna, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e defesa contra a violência sexual.

Pais/famílias demonstrem seu amor e respeito aos seus filhos, sendo claros e sinceros. Ajudem a lidar com as mudanças que estão acontecendo na adolescência, estando abertos e conversando com seus filhos sobre os sentimentos, a autoestima, dúvidas, incluindo a sexualidade. Busquem informações ou auxílios com materiais de apoio (filmes, séries, livros, cartilhas ou outros recursos, tendo cuidado com as informações falsas, as famosas fake news!) e, se necessário, procurem uma ajuda especializada para aconselhamento e acompanhamento.

Adolescentes e jovens demonstrem seu amor e respeito aos seus pais e à sua família. Estejam abertos e conversem com eles sobre seus sentimentos, suas dúvidas, incluindo a sexualidade. Busquem informações ou auxílios com materiais de apoio (filmes, séries, livros, cartilhas ou outros recursos, tendo cuidado com as informações falsas, as famosas fake news!) e, se necessário, procurem uma ajuda especializada para aconselhamento e acompanhamento.

Façam valer os seus direitos ao respeito, à segurança, o acesso às informações, às orientações, à educação de qualidade e ao sistema de saúde, incluindo o acesso aos métodos contraceptivos.

 

Relator:
Alexandre Massashi Hirata
Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

Foto: @tirachardz / www.freepik.com

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