Precoce – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 22 Oct 2025 18:44:18 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Precoce – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Ambliopia e desenvolvimento visual infantil: o olhar do pediatra no mês mundial da visão https://spsp.org.br/ambliopia-e-desenvolvimento-visual-infantil-o-olhar-do-pediatra-no-mes-mundial-da-visao/ Wed, 22 Oct 2025 17:50:17 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53753 O mês de outubro é internacionalmente reconhecido como o Mês da Visão, e nele celebra-se o Dia Mundial da Visão, uma oportunidade para reforçar]]>

O mês de outubro é internacionalmente reconhecido como o Mês da Visão, e nele celebra-se o Dia Mundial da Visão, uma oportunidade para reforçar a importância da detecção precoce das doenças oculares que afetam o desenvolvimento infantil. A infância é um período crítico para o amadurecimento do sistema visual, que depende de estímulos adequados para o pleno desenvolvimento das vias ópticas e da integração sensorial. Nesse contexto, o pediatra desempenha papel essencial como primeiro ponto de contato com a criança e sua família, sendo frequentemente o profissional que pode identificar os primeiros sinais de alterações visuais.

Entre as causas mais relevantes de deficiência visual evitável na infância, destaca-se a ambliopia, definida como a redução da acuidade visual causada por falta de estimulação adequada do olho em desenvolvimento. Ocorre durante o chamado período crítico de plasticidade neural, quando o cérebro aprende a processar as imagens recebidas dos olhos. Se um dos olhos envia uma imagem desfocada, o córtex visual passa a suprimir o estímulo proveniente dele, resultando em perda funcional.

A ambliopia pode ser classificada em três tipos principais.

  • Ambliopia estrábica, quando há desalinhamento ocular (estrabismo) e o cérebro “desliga” um dos olhos para evitar diplopia.
  • Ambliopia anisometrópica: decorrente de diferença significativa de grau entre os olhos, levando o cérebro a privilegiar a imagem do olho com melhor foco.
  • Ambliopia por privação, causada por dificuldade à formação da imagem, como catarata congênita, ptose (queda) palpebral severa ou opacidades corneanas.

A identificação precoce é determinante para o sucesso terapêutico, pois após o fechamento do período de plasticidade visual (em torno dos 7 a 8 anos de idade), o tratamento se torna muito menos eficaz. Por isso, a avaliação oftalmológica na infância deve ser parte do acompanhamento de rotina, iniciando-se ainda no período neonatal com o Teste do Reflexo Vermelho, conhecido como teste do olhinho. Esse exame é simples e indolor e quando alterado permite detectar alterações como catarata congênita, glaucoma e tumores intraoculares, possibilitando o encaminhamento imediato ao oftalmologista.

O acompanhamento oftalmológico periódico deve ser reforçado em crianças prematuras, com histórico familiar de doenças oculares, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor ou que apresentem sinais clínicos como estrabismo, nistagmo, lacrimejamento persistente ou fotofobia. Nesses casos, o pediatra é o profissional-chave para orientar a família e garantir o encaminhamento adequado.

A integração entre pediatria e oftalmologia, sobretudo no âmbito da atenção primária à saúde, é fundamental para que distúrbios visuais sejam identificados e tratados de forma rápida e eficiente. Quando o oftalmologista é incluído na rede de atenção básica, amplia-se o alcance da triagem, reduz-se o tempo até o diagnóstico e fortalecem-se as estratégias de prevenção da cegueira infantil.

Durante o Mês Mundial da Visão é essencial lembrar que ver bem é um processo que se constrói desde os primeiros dias de vida. A ambliopia, embora silenciosa, é tratável se reconhecida precocemente. Ao pediatra cabe o papel de vigilante do desenvolvimento global da criança e isso inclui o olhar, que é a janela mais importante para o aprendizado, o vínculo e o mundo.

 

Relator:
Marcelo Alexandre A. Cavalcante
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP

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Conscientização e prevenção sobre os defeitos do nascimento https://spsp.org.br/conscientizacao-e-prevencao-sobre-os-defeitos-do-nascimento/ Mon, 03 Mar 2025 10:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50422 No dia 3 de março é celebrado o Dia Mundial dos Defeitos do Nascimento, uma data criada para conscientização sobre condições que podem afetar a saúde e o desenvolvimento dos]]>

No dia 3 de março é celebrado o Dia Mundial dos Defeitos do Nascimento, uma data criada para conscientização sobre condições que podem afetar a saúde e o desenvolvimento dos bebês. Defeitos do nascimento, também conhecidos como anomalias congênitas, são alterações estruturais ou funcionais presentes desde a gestação, que podem impactar negativamente a qualidade de vida das crianças. Essas malformações são problemas estruturais ou funcionais que ocorrem durante o desenvolvimento do bebê, geralmente no início da gravidez. Elas podem afetar qualquer parte do corpo, incluindo coração, cérebro, pés, entre outros. Alguns exemplos comuns incluem:

  • Fendas labiopalatais: Abertura na boca ou no céu da boca.
  • Cardiopatias congênitas: Situação de gravidade que ocorre quando a formação do coração se faz de forma anormal.
  • Espinha bífida: Problema grave de desenvolvimento da coluna vertebral.

A Sociedade de Pediatria de São Paulo reforça a importância da prevenção e do acompanhamento pré-natal, com consultas regulares e exames durante a gravidez, que colaboram para identificar precocemente possíveis defeitos do nascimento para reduzir as suas consequências. Fatores como a ingestão de ácido fólico antes e durante a gestação, vacinação adequada, controle de doenças crônicas e evitar o consumo de álcool, tabaco e outras substâncias nocivas são essenciais para uma gestação mais saudável.

Além disso, o diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença. Exames como o teste do pezinho, ultrassonografias e outros procedimentos podem identificar condições que necessitam de cuidados específicos logo nos primeiros momentos de vida, garantindo um melhor prognóstico e qualidade de vida para a criança se a intervenção for também precoce.

Neste Dia Mundial dos Defeitos do Nascimento, convidamos todas as famílias a se informarem e se engajarem nessa causa, lembrando que as famílias dessas crianças frequentemente precisam de apoio emocional e financeiro. O conhecimento e a prevenção são os melhores aliados para garantir um início de vida saudável para os bebês.

Neste sentido, a Sociedade de Pediatria de São Paulo segue comprometida em promover a saúde das nossas crianças e em apoiar as famílias nesse percurso, e através de campanhas, eventos educativos e orientações, buscamos proporcionar melhor qualidade de vida e inclusão para todos.

Junte-se a nós neste Dia Mundial dos Defeitos do Nascimento.

 

Relator:
Celso Moura Rebello
Presidente do Departamento Científico de Neonatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Câncer infantil: avanços científicos e terapêuticos https://spsp.org.br/cancer-infantil-avancos-cientificos-e-terapeuticos/ Fri, 14 Feb 2025 14:05:01 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50243 Em 15 de fevereiro, celebra-se o Dia Internacional de Combate ao Câncer Infantil, data que une a comunidade médica e científica para promover discussões sobre epidemiologia]]>

Em 15 de fevereiro, celebra-se o Dia Internacional de Combate ao Câncer Infantil, data que une a comunidade médica e científica para promover discussões sobre epidemiologia, inovações terapêuticas e desafios enfrentados na oncologia pediátrica. Criado em 2002 pela Childhood Cancer International (CCI), o dia visa incentivar políticas públicas, investimentos em pesquisa e o aprimoramento das estratégias de diagnóstico e tratamento.

O câncer infantil representa cerca de 3% dos casos de câncer no mundo, com 8.500 novos casos anuais no Brasil (na faixa etária de 0 a 19 anos), em comparação com quase 500.000 casos anuais entre adultos. Diferente do câncer em adultos, em que predominam os carcinomas (tumores epiteliais), nas crianças as leucemias agudas (tumores das células sanguíneas) são mais comuns, seguidas por tumores no sistema nervoso central, linfomas (gânglios linfáticos) e tumores abdominais, como o neuroblastoma (suprarrenal) e o tumor de Wilms (renal).

Ao contrário dos adultos, no câncer infantil não há prevenção primária, como a adoção de hábitos saudáveis (não fumar, alimentação balanceada, proteção solar), que pode ajudar a prevenir o aparecimento de diferentes tipos de câncer.

Os cânceres infantis surgem devido a mutações em células imaturas, o que faz com que esses tumores cresçam rapidamente e de forma agressiva, mas ao mesmo tempo respondam bem ao tratamento. Com o avanço das terapias quimioterápicas, técnicas cirúrgicas e radioterápicas, além dos estudos genômicos (genômica é um campo da ciência que avalia a interação entre os genes e o meio ambiente), hoje é possível identificar mutações e vias metabólicas alteradas, permitindo abordagens mais precisas para diagnóstico precoce e classificação molecular na oncogenética (uma área da medicina que estuda a predisposição genética ao câncer), possibilitando o desenvolvimento de diferentes formas de terapia-alvo (é um tratamento que usa medicamentos para atacar células cancerígenas, poupando as células saudáveis), tais como os inibidores de tirosina quinase, e a imunoterapia através do uso de anticorpos monoclonais (proteínas que ajudam a combater doenças cancerígenas) e terapia CAR-T cell (células de defesa do organismo que são geneticamente modificadas para combater o câncer) que revolucionaram a oncologia pediátrica, proporcionando, quando bem indicados, estratégias menos tóxicas e mais eficazes.

 A implementação de biomarcadores moleculares e técnicas avançadas de imagem, como PET Scan e ressonância magnética de alta resolução, têm melhorado significativamente a precisão e a rapidez do diagnóstico, o que impacta positivamente as taxas de sobrevida. Quando diagnosticado precocemente, o câncer infantil tem taxas alvissareiras de cura superiores a 80%.

No entanto, no Brasil ainda há desafios relacionados ao atraso no diagnóstico, muitas vezes devido ao desconhecimento dos sinais de alerta ou ao receio de se pensar na possibilidade de câncer. É importante reconhecer alguns sintomas de alerta, como:

  • Hematomas e equimoses que aparecem rapidamente, associados a palidez e febre;
  • Dor de cabeça persistente, acompanhada de vômitos e, por vezes, alterações na marcha ou no comportamento;
  • Aumento progressivo dos linfonodos (ínguas) que não estão associados a processos infecciosos e não reduzem com o tempo;
  • Aumento do volume abdominal ou a presença de uma massa (tumor) na barriga da criança;
  • Aparecimento de uma mancha esbranquiçada na pupila quando exposta à luz, conhecida como leucocoria (o reflexo do olho do gato).

Esses são apenas alguns dos sinais, mas existem outros. O câncer infantil tem cura, e para melhorar as chances de sucesso no tratamento é fundamental que o diagnóstico seja feito de forma precoce. Para isso, é necessário promover campanhas de conscientização sobre os sinais e sintomas precoces da doença, aumentar a disseminação de conhecimento sobre oncologia pediátrica, apoiar pesquisas e ampliar a rede de hospitais e centros especializados em tratamento do câncer infantil no país. Fique atento à presença ou persistência desses sinais e, na dúvida, procure rapidamente um pediatra ou um hospital especializado.

 

Relator:
Roberto Augusto Plaza Teixeira
Secretário do Departamento Científico de Oncologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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