Poluição – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 14 Aug 2026 11:18:30 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Poluição – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Não à degradação da qualidade ambiental https://spsp.org.br/nao-a-degradacao-da-qualidade-ambiental/ Fri, 14 Aug 2026 11:17:24 +0000 https://spsp.org.br/?p=58260 Em 14/8 celebramos o Dia Nacional de Combate à Poluição. Tal data foi criada em 1975 a fim de alertar a sociedade sobre os danos causados ao meio ambiente pela atividade humana, implementar leis e políticas públicas para proteção de ecossistemas e estimular práticas sustentáveis. Essa necessidade de garantir desenvolvimento com preservação ambiental ganhou as agendas de entidades governamentais internacionais a partir da segunda metade do século XX. Em nosso país, vivíamos intensa aceleração da industrialização e da urbanização, com grande aumento do número de carros. O despejo de resíduos poluentes no ar, água e solo impulsionou a criação de programas regulatórios, tendo o ápice na promulgação da Constituição Federal em 1988, onde o Artigo 225 garante que um ambiente ecologicamente saudável é direito de todos. Apesar de tantos esforços jurídicos e dos alertas de entidades científicas, vivemos hoje uma crise climática sem precedentes, causada pela poluição antropogênica (gerada diretamente pelas ações humanas). Ondas de calor extremo, incêndios florestais, tempestades e inundações têm sido frequentes nos noticiários, mas são apenas a parte mais visível de uma situação dramática. Para exemplificar, vamos nos reservar a expor alguns dados que afetam diretamente a vida e saúde infantil, afinal estamos em um blog feito por pediatras para aqueles que cuidam de nossas crianças. Diante desse cenário, podemos nos perguntar, o que fazer? Algumas atitudes individuais são importantes, como o descarte adequado do lixo doméstico, o consumo consciente, a busca por meios de transporte mais sustentáveis, frequentar ambientes com áreas verdes, garantir alimentação saudável às nossas crianças, etc. Mas tão importante quanto, é necessária a cobrança dos poderes públicos e dos gestores da garantia da fiscalização e aplicação das leis e programas relacionados à proteção do meio ambiente. Relatora: Regina CarnaúbaMembro do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP]]>

Em 14/8 celebramos o Dia Nacional de Combate à Poluição. Tal data foi criada em 1975 a fim de alertar a sociedade sobre os danos causados ao meio ambiente pela atividade humana, implementar leis e políticas públicas para proteção de ecossistemas e estimular práticas sustentáveis.

Essa necessidade de garantir desenvolvimento com preservação ambiental ganhou as agendas de entidades governamentais internacionais a partir da segunda metade do século XX. Em nosso país, vivíamos intensa aceleração da industrialização e da urbanização, com grande aumento do número de carros. O despejo de resíduos poluentes no ar, água e solo impulsionou a criação de programas regulatórios, tendo o ápice na promulgação da Constituição Federal em 1988, onde o Artigo 225 garante que um ambiente ecologicamente saudável é direito de todos.

Apesar de tantos esforços jurídicos e dos alertas de entidades científicas, vivemos hoje uma crise climática sem precedentes, causada pela poluição antropogênica (gerada diretamente pelas ações humanas). Ondas de calor extremo, incêndios florestais, tempestades e inundações têm sido frequentes nos noticiários, mas são apenas a parte mais visível de uma situação dramática. Para exemplificar, vamos nos reservar a expor alguns dados que afetam diretamente a vida e saúde infantil, afinal estamos em um blog feito por pediatras para aqueles que cuidam de nossas crianças.

  • Poluição do ar: É causada pela queima de combustíveis fósseis no transporte, pela indústria e pelas queimadas agrossilvipastoris. Segundo a OMS, mais de 99% da população mundial respira um ar considerado de qualidade inadequada, o que é responsável pela perda de 600.000 vidas ao ano. Provoca partos prematuros, crianças com baixo peso ao nascer, doenças respiratórias, endócrinas, reumatológicas, dermatológicas neurológicas e psiquiátricas.
  • Poluição da água: Causada pela presença de componentes químicos, elementos radioativos e organismos patógenos. Responsável pela morte anual de 4,6 milhões de crianças menores de cinco anos, devido a doenças diarreicas e infecções (OMS), além de comprometimento do desenvolvimento físico e cognitivo.
  • Poluição do solo: Causada pela presença de agrotóxicos, metais pesados e resíduos industriais, contaminando alimentos e levando a doenças neurológicas, hormonais e câncer.
  • Poluição sonora e luminosa: O ruído excessivo e a exposição exagerada à luz artificial, presentes principalmente em áreas urbanas, causam distúrbios do sono, estresse crônico, redução da capacidade cognitiva, obesidade e distúrbios endócrinos.

Diante desse cenário, podemos nos perguntar, o que fazer? Algumas atitudes individuais são importantes, como o descarte adequado do lixo doméstico, o consumo consciente, a busca por meios de transporte mais sustentáveis, frequentar ambientes com áreas verdes, garantir alimentação saudável às nossas crianças, etc. Mas tão importante quanto, é necessária a cobrança dos poderes públicos e dos gestores da garantia da fiscalização e aplicação das leis e programas relacionados à proteção do meio ambiente.

Relatora:

Regina Carnaúba
Membro do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP

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Dia do Pulmão: é hora de respirar esse assunto! https://spsp.org.br/dia-do-pulmao-e-hora-de-respirar-esse-assunto/ Thu, 25 Sep 2025 10:30:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53311 Todo mundo respira, todo dia, o tempo todo; mas será que a gente cuida mesmo dos nossos pulmões? No Dia do Pulmão, celebrado em 25 de setembro, é importante parar um pouco]]>

Todo mundo respira, todo dia, o tempo todo; mas será que a gente cuida mesmo dos nossos pulmões? No Dia do Pulmão, celebrado em 25 de setembro, é importante parar um pouco e refletir sobre isso. Muita gente está doente, sem saber, com problemas respiratórios sérios, que poderiam ser tratados ou até evitados, se a saúde funcionasse como deveria.

Doenças como asma, bronquiolite, DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), fibrose pulmonar e até câncer de pulmão estão por aí, afetando milhões de pessoas. O problema é que grande parte dessas doenças não são diagnosticadas a tempo. A pessoa sente falta de ar, cansaço, tosse constante, esforço respiratório…, mas acha que é “da idade”, “do tempo seco”, ou “porque fuma um pouquinho só”. E aí, deixa pra lá.

Esse é o chamado subdiagnóstico, quando a doença existe, mas ninguém descobriu ainda e mesmo quando descobre, às vezes o tratamento não é o ideal. Seja por falta de acesso, seja por falta de informação. Aí entra outro problema: o subtratamento. Ou seja, a pessoa até sabe que está doente, mas não consegue tratar direito.

Além disso, o acesso aos exames e aos medicamentos ainda é um desafio. Muita gente espera meses por uma consulta com pneumologista, por um exame simples como espirometria (aquele que mede como você respira), ou por remédios que deveriam estar disponíveis no posto de saúde. E isso sem contar com os pacientes que precisam de oxigênio ou de remédios mais caros, que quase nunca estão ao alcance de todos.

Nem tudo é doença. Tem muita coisa que dá para fazer para cuidar do pulmão antes que o problema apareça. Desde o aleitamento materno, que diminui as taxas de infecções respiratórias agudas, até as vacinas: gripe, VSR, covid-19, pneumonia, todas essas doenças atacam o pulmão e podem complicar muito a vida, principalmente dos mais velhos e das pessoas com doenças crônicas. Vacinar é um jeito simples e eficiente de proteger o sistema respiratório.

Outra coisa fundamental é o exercício físico. Caminhar, nadar, pedalar, dançar… qualquer atividade que mexa com o corpo ajuda a fortalecer o pulmão, melhorar a respiração e aumentar a qualidade de vida. E o melhor, não precisa de academia chique nem de roupa cara. Um tênis no pé e vontade de se mexer já são um ótimo começo.

Não dá para falar de pulmão sem falar do ar que a gente respira. A poluição é um inimigo invisível que faz um estrago enorme. Queimadas, fumaça dos carros, poeira de obras, fumaça do cigarro – tudo isso agride os pulmões dia após dia. Por isso, é urgente que as cidades invistam em transporte público de qualidade, áreas verdes, energias limpas e políticas de controle da poluição do ar. Respirar bem deveria ser um direito de todo mundo, não um luxo.

E claro, não podemos esquecer do cigarro, que continua sendo um dos maiores vilões quando o assunto é saúde pulmonar. Fumar causa ou piora quase todas as doenças do pulmão. A política antitabagista do Brasil já avançou muito, proibiu propaganda, aumentou impostos, tirou o cigarro de lugares fechados, mas ainda tem muito trabalho pela frente, principalmente com os cigarros eletrônicos, que andam seduzindo os jovens com sabores doces e propaganda enganosa. Eles também fazem mal e não são “seguros” como muita gente pensa.

Cuidar do pulmão é cuidar da vida. E isso não é responsabilidade só de quem está doente. É um compromisso de todos: das famílias, das escolas, dos profissionais de saúde e, principalmente, do poder público. O diagnóstico tem que chegar mais rápido. O tratamento tem que ser acessível. O ambiente tem que ser mais limpo. E a informação tem que circular – clara, direta e sem enrolação.

No Dia do Pulmão, que tal começar a respirar diferente? Fazer uma caminhada, se vacinar, buscar ajuda médica se estiver com sintomas, conversar com aquele amigo que ainda fuma, cobrar do seu bairro mais verde e menos fumaça. A mudança começa no ar que você escolhe respirar e no que você faz com ele.

 

Relator:
Breno Giuseppe Lioi
Vice-Presidente do Departamento Científico de Pneumologia da SPSP

 

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Seu nome é “hoje” https://spsp.org.br/seu-nome-e-hoje/ Fri, 11 Oct 2024 12:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48371 “Para o mundo/Que eu quero descer/Que eu não aguento maisEscovar os dentes/Com a boca cheia de fumaça! (…) Tá tudo errado/Tá tudo errado/Desorientado segue o mundo Enquanto eu vou]]>

“Para o mundo/Que eu quero descer/Que eu não aguento mais
Escovar os dentes/Com a boca cheia de fumaça! (…)

Tá tudo errado/Tá tudo errado/Desorientado segue o mundo
Enquanto eu vou/Ficando aqui parado!”

Essa música foi lançada em 1976 pelo cantor Silvio Brito. Algumas insatisfações apontadas na letra se referiam a aspectos relativos àquela época. A letra revela um elevado grau de desconforto. Algo parecido com o que estamos vivendo, neste mundo de hoje que gera tanta ansiedade.

Há muitas frentes de inquietação espalhadas pelo mundo: nações em guerra; alterações climáticas surpreendentes acarretando efeitos catastróficos nas cidades; elevação das temperaturas médias nos oceanos; desaparecimento de enormes áreas florestais; derretimento de geleiras; insegurança digital; inteligência artificial; desemprego; violência urbana; a escalada do poder do narcotráfico em âmbito mundial; poluição atmosférica; contaminação da água, etc….

Neste Dia da Criança, apesar dos pesares, quero deixar um manifesto otimista, para tentar subverter o caos deste mundo conturbado:

 “CRIE UM MUNDO MELHOR PARA A CRIANÇA, CERTAMENTE ESSE MUNDO SERÁ MELHOR PARA TODOS”.

A lógica deste “manifesto” é muito simples, tão cristalina quanto a própria criança. Explico:

  1. A criança deve ser o centro de nossa total atenção. Criança não é o problema, ela é solução para um mundo corroído pelos vícios das criaturas humanas.
  2. Se tivermos olhos encantados, como são os olhares das crianças, passaremos a enxergar o mundo de maneira mais justa e bela, passaremos a cultivar a imaginação e a criatividade, a dialogar com mais interesse e genuína vontade de encontrar entendimento. A vida nos deslumbrará em seus detalhes e na simplicidade, a natureza voltará a ter seu viço e magia.
  3. Se tivermos a singeleza de coração de uma criança, saberemos perdoar com mais facilidade e estaremos livres para começar novamente.
  4. Se o mundo for mais seguro para a criança, será para todos nós.
  5. Se não queremos que as crianças adoeçam com problemas respiratórios devido à poluição, isso também será bom para nós.
  6. Se queremos que as crianças tenham futuro, desse futuro também poderemos desfrutar.

Acho que essa lógica já ficou clara.

Segundo James Heckman, Nobel de Economia em 2000: “agora lhes apresento um dado econômico: cada dólar investido no cuidado com uma criança redunda em 8 a 10 dólares revertidos para a população em geral”1

E no poema de Gabriela Mistral:

“Muitas das coisas

de que necessitamos

podem esperar. A criança não pode

A ela não podemos responder “amanhã”

Seu nome é hoje”2.

#criançatemqueserprioridade

 

Saiba mais:

  1. Investir em educação para a primeira infância é melhor ‘estratégia anticrime’, diz Nobel de Economia. BBC News, 21 de maio de 2019. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-48302274
  2. Seu nome é hoje (Gabriela Mistral). Tradução de Maria Teresa Almeida Pina. Disponível em: https://blogs.utopia.org.br/poesialatina/seu-nome-e-hoje-gabriela-mistral/

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

 

 

 

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Efeitos na saúde das crianças causados pela poluição https://spsp.org.br/efeitos-na-saude-das-criancas-causados-pela-poluicao/ Wed, 21 Aug 2024 13:18:42 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47647 De acordo com relatórios recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 25% das mortes de crianças menores de cinco anos, cerca de 1,7 milhões de crianças, são causadas]]>

De acordo com relatórios recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 25% das mortes de crianças menores de cinco anos, cerca de 1,7 milhões de crianças, são causadas pela poluição ambiental, que inclui a poluição do ar em ambientes fechados e ao ar livre, o fumo passivo, a água contaminada, a falta de saneamento e a higiene inadequada. Crianças são particularmente vulneráveis à poluição atmosférica, desde o útero até à idade adulta, sofrem mais significativamente o impacto da poluição, em comparação com os adultos. Há razões fisiológicas para isso:

  • As crianças ingerem mais água e alimentos e respiram maior quantidade de ar por unidade de peso corporal que um adulto. Isto pode permitir que agentes químicos presentes na água, como metais (chumbo) ou compostos orgânicos lipossolúveis absorvidos pela mãe e veiculados ligados à gordura no leite materno, sejam detectados em fluidos biológicos do lactente amamentado ao seio; pode, ainda, expor mais a criança a poluentes presentes no ar do ambiente doméstico e do ambiente externo.
  • Características próprias do desenvolvimento dos lactentes, que respiram mais próximo do solo (engatinham, ficam mais sentados, baixa estatura), aumentando o risco de exposição a material particulado e alguns gases (como monóxido de carbono e radônio) que se acumulam nesta zona ambiental.
  • As crianças tendem a levar a mão à boca com mais facilidade, por isso podem contaminar-se mais por essa via.
  • A via aérea infantil tem menor calibre e maior resposta irritativa, o que faz com que a obstrução e a inflamação sejam mais relevantes quando em contato com a poluição. Esse detalhe explica a elevada incidência de casos de asma, no mundo todo, em crianças.
  • Convém salientar a importância da qualidade do ar intradomiciliar que pode ser afetado por fumaça de cigarro, lareiras, fogões a lenha, fogões a gás mal instalados, poeira doméstica, além dos poluentes externos que invadem esse espaço. Têm importância, também, compostos voláteis oriundos de várias fontes (tintas, colas, perfumes, propelentes de sprays e produtos de limpeza). Cronicamente, essa exposição repercute em menor crescimento pulmonar com comprometimento de sua função e aumento da suscetibilidade a doenças.
  • A umidade no ambiente domiciliar facilita a proliferação de fungo, ácaros e bactérias. Colchões, tapetes, móveis costumam ser os principais reservatórios desses agentes.
  • O tabagismo passivo é responsável por muitos problemas causados à criança. As crianças cujas mães são fumantes têm cerca de 70% mais problemas respiratórios e maior número de hospitalizações ao longo do primeiro ano de vida. O tabagismo intraútero aumenta a mortalidade infantil em até 80%. A fumaça liberada pelos cigarros, charutos ou cachimbos é composta por mais de 3800 substâncias diferentes e os níveis de matéria particulada chegam a ser 3 vezes maiores em casas com tabagistas.

Em adultos, podem afetar a função pulmonar, desencadear asma, provocar exacerbações da DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), aumentar o risco de eventos cardiovasculares graves, como o infarto do miocárdio e acidentes vasculares encefálicos e o desenvolvimento de doença coronariana, além de câncer de pulmão.

Nós podemos fazer uma grande diferença para ajudar o meio ambiente. Seguem dez escolhas simples para um planeta mais saudável:

  • Reduza o que joga fora, reutilize e recicle;
  • Faça trabalho voluntário;
  • Eduque-se e ensine os outros da importância e o valor dos nossos recursos naturais;
  • Economize água;
  • Faça escolhas sustentáveis;
  • Compre com sabedoria – menos plástico e use sacolas reutilizáveis;
  • Use lâmpadas de longa duração e desligue a luz quando sair da sala;
  • Plante uma árvore;
  • Não envie produtos químicos para os cursos de água, escolha produtos químicos não tóxicos;
  • Ande mais de bicicleta e de transporte público, dirija menos.

As políticas de qualidade do ar devem proteger a saúde das crianças e adolescentes, tendo explicitamente em conta as diferenças na sua biologia e vias de exposição.

Crianças e adolescentes não podem proteger-se da poluição atmosférica, nem votar ou influenciar políticas relevantes; só os adultos podem e devem fazer isso por eles, e é urgente.

Precisamos responder com esforços concentrados e nos unir por meio de ações coletivas e coordenadas.

Saiba mais:

  1. OMS: 99% da população mundial respira ar “tóxico”. 4 de março de 2024. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2024/03/1828507
  2. World Health Organization. Children’s environmental health. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/children-environmental-health#tab=tab_
  3. No Brasil, doenças associadas à poluição do ar matam cerca de 465 crianças menores de cinco anos por dia. 08/07/2024. Disponível em: https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/no-brasil-doencas-associadas-a-poluicao-do-ar-matam-cerca-de-465-criancas-menores-de-cinco-anos-por-dia/
  4. Como as mudanças climáticas impactam a nossa saúde. Disponível em: https://doareassets.s3.sa-east-1.amazonaws.com/Como+as+mudan%C3%A7as+clim%C3%A1ticas+impactam+a+nossa+sa%C3%BAde.pdf
  5. Air pollution and children’s health. Disponível em: https://www.eea.europa.eu/publications/air-pollution-and-childrens-health
  6.  Ten simple choices for a healthier planet. https://oceanservice.noaa.gov/ocean/earthday.html

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Dia do Combate à Poluição https://spsp.org.br/dia-do-combate-a-poluicao/ Wed, 14 Aug 2024 14:15:16 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47539 ]]>

No dia 14 de agosto é celebrado o Dia do Combate à Poluição, que tem como objetivo alertar a todos sobre os problemas ambientais que estamos enfrentando e debater critérios, soluções e respostas para evitar que o meio ambiente sofra ainda mais a degradação que vem sofrendo.

Belém, a capital do Pará, no ano de 2025 será sede da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), que é o fórum mundial para discussão das alterações climáticas no planeta. Um grave problema, que já está nos afetando intensamente e pode afetar, ainda mais, as gerações futuras.

Segundo Marcelo Gleiser: “Um planeta com vida é uma entidade dinâmica, onde processos geológicos e biológicos agem e interagem conjuntamente. Quando a vida se espalha por um planeta, os dois se tornam inseparáveis, formando uma entidade única. A Terra respira e pulsa com a respiração das plantas e dos animais. A vida migra de acordo com o clima e, por sua vez, o afeta. A vida transforma o planeta e o planeta transforma a vida.”

A poluição leva à degradação física e química do meio ambiente; seus diversos tipos, como a atmosférica, a hídrica, a poluição do solo, a radioativa, a sonora e a visual, têm o poder de afetar, de alguma forma, a saúde humana.

A intervenção humana é a grande causa para os diferentes tipos de poluição: indústrias, como a automotiva, que emitem resíduos e gases de efeito estufa, despejo de substâncias particuladas em suspensão no ar (como as indústrias de cimento), extração de minério irregular, despejo inadequado do lixo, não preservação das nascentes dos rios, ocupação irregular do solo das cidades, utilização de agrotóxicos, viagens aéreas, desmatamento, queimadas provocadas, utilização de combustíveis de matriz fóssil, agropecuária, etc. Fenômenos naturais, como as atividades vulcânicas, por exemplo, também contribuem para a poluição atmosférica, porém são em número muitíssimo menor que as intervenções humanas.

Dióxido de nitrogênio, ozônio, monóxido de carbono, óxido de enxofre, hidrocarbonetos, partículas em suspensão, encabeçam uma grande lista de substâncias na atmosfera, que podem provocar danos à saúde.

Com a poluição hídrica, pode ocorrer o desequilíbrio ecológico, prejudicando a biodiversidade e a vida aquática. As substâncias poluentes afetam o ciclo de vida das espécies, causando desde a morte de peixes e animais aquáticos até a extinção de espécies inteiras. A poluição de rios e lagos compromete a qualidade da água para consumo seguro e afeta toda a cadeia alimentar aquática. A ingestão de água contaminada com bactérias, vírus, parasitas e fungos pode levar a infecções gastrointestinais, como diarreia, cólera, febre tifoide e hepatite A, dermatites, micose e infecções fúngicas. A água contaminada com metais pesados e pesticidas pode levar ao desenvolvimento de doenças neurológicas, com danos cerebrais, gerando disfunções cognitivas e distúrbios do desenvolvimento.

O combate à poluição exige a implementação de políticas públicas de Estado que promovam a preservação dos recursos hídricos, a criação de áreas de preservação ambiental, o estabelecimento de normas mais rigorosas para o descarte de resíduos industriais, a fiscalização efetiva das atividades que podem causar poluição hídrica e atmosférica, o incentivo ao uso de tecnologias mais sustentáveis quanto ao uso da água e o descarte de rejeitos, tanto em residências como nas indústrias, o investimento em tratamento de água e rede de esgoto, o uso responsável dos defensivos agrícolas, o manejo adequado do solo na agricultura.

A conscientização do indivíduo e das famílias para auxiliar no combate à poluição é outro pilar no enfrentamento desse problema. Veja algumas dicas simples:

  • Separar o lixo orgânico e reciclável (medida que reduz significativamente a quantidade de resíduos que acabam em aterros);
  • Evitar o uso de sacolas plásticas (o plástico representa 80% de todo o lixo marinho);
  • Reutilizar embalagens sempre que possível;
  • Evitar utilizar o carro, preferindo sempre caminhadas, bicicletas e transporte público (transporte sustentável para reduzir emissões de gás carbônico);
  • Não jogar lixo nas ruas;
  • Não realizar queimadas;
  • Sempre que possível levar o óleo utilizado na cozinha para postos de coleta apropriados;
  • Economizar água: torneiras fechadas ao escovar os dentes e banhos mais rápidos;
  • Plantar árvores e manter pequenos jardins contribui para a melhoria da qualidade do ar;
  • Utilizar produtos de limpeza biodegradáveis.

 

Saiba mais:

 

  1. Marcelo Gleiser. O despertar do universo consciente. Um manifesto para o futuro da humanidade. 2. ed. Rio de Janeiro: Record, 2024. Pg. 162/163.
  2. A Lei nº 6938, criada em 31 de agosto de 1981 e nomeada como ‘Política Nacional do Meio Ambiente’ (PNMA) é referida quando se trata de proteção ambiental.
  3. OMS: 99% da população mundial respira ar “tóxico”. 4 de março de 2024. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2024/03/1828507
  4. Ambient (outdoor) air pollution. 19 December 2022.Disponível em:

https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/ambient-(outdoor)-air-quality-and-health?gad_source=1&gclid=Cj0KCQjwiOy1BhDCARIsADGvQnA45jsW987g69dHiqu86f18vMuS3xtTd7kGoOtOz-ncCDHyhpkRx28aAsQgEALw_wcB

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Plásticos: uma nova pandemia? https://spsp.org.br/plasticos-uma-nova-pandemia/ Thu, 06 Jul 2023 13:42:33 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=38498 As práticas atuais de produção, uso e descarte de plásticos causam grandes danos à saúde humana e ao meio ambiente global e não são sustentáveis. Esses danos surgem em todas as fases]]>

As práticas atuais de produção, uso e descarte de plásticos causam grandes danos à saúde humana e ao meio ambiente global e não são sustentáveis. Esses danos surgem em todas as fases do ciclo de vida do plástico.

Incluem impactos na saúde humana, como toxicidade neurológica, no desenvolvimento, desregulação endócrina e carcinogênese (processo em que as células neoplásicas proliferam e dão origem a um tumor). No oceano, os estragos dos plásticos vão muito além daqueles que são visíveis e bem reconhecidos do lixo das praias, destacando-se giros oceânicos (correntes marinhas rotativas, particularmente as que estão relacionadas com os grandes movimentos do vento) contaminados e danos físicos às espécies marinhas, que incluem deteriorações extensas aos ecossistemas marinhos.

Desde a década de 1970, a taxa de produção de plástico cresceu mais rapidamente do que a de qualquer outro material. Mais de 400 milhões de toneladas de plástico são produzidas a cada ano em todo o mundo e metade desse plástico é projetada para ser usada apenas uma vez. Da produção total, menos de 10% é reciclado.

Estima-se que 19 a 23 milhões de toneladas acabem anualmente em lagos, rios e mares. Se as tendências históricas de crescimento continuarem, a produção global de plástico primário deverá atingir 1.100 milhões de toneladas até 2050. Estima-se que o processo de degradação do plástico pode levar até 450 anos. Neste tempo, ele espalha-se pelo meio ambiente, podendo ser inalado ou ingerido pelos seres humanos. As consequências disto para a saúde humana ainda não foram totalmente esclarecidas.

A maioria dos itens de plástico nunca desaparece totalmente, apenas se quebra em pedaços cada vez menores. Os microplásticos – pequenas partículas de plástico de até 5 mm de diâmetro – podem ser encontrados em alimentos, água e ar e agora são onipresentes em nosso ambiente natural. Eles estão se tornando parte do registro fóssil da Terra e um marcador do Antropoceno, nossa atual era geológica. Por este motivo, até deram seu nome a um novo habitat microbiano marinho, chamado “plastisfera”.

Estima-se que em 2015 os custos relacionados à saúde da produção de plástico ultrapassaram US$ 250 bilhões globalmente e que, somente nos EUA, os custos de saúde de doenças, incapacidades e mortes prematuras, causadas apenas por três produtos químicos plásticos – PBDE (éteres difenílicos polibromados), BPA (bisfenol A) e DEHP [di (2etilhexil) ftalato], ultrapassaram US$ 920 bilhões.

O custo das emissões de gases de efeito estufa (GEE) do plástico causa danos econômicos avaliados em US$ 341 bilhões anualmente.

A Assembleia Ambiental das Nações Unidas do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) adotou uma resolução histórica em março de 2022, sobre a poluição plástica e o ciclo de vida dos plásticos.

Alguns itens merecem destaque:

–  produtos químicos são parte integrante dos plásticos. Até agora, há mais de 13.000 substâncias, como certos monômeros, por exemplo: ftalatos e bisfenóis;

–  produtos químicos preocupantes podem ser liberados do plástico ao longo de todo o seu ciclo de vida, durante a extração de matérias-primas, produção de polímeros e fabricação de produtos plásticos, mas também na reciclagem de plásticos e circularidade de materiais (por exemplo, através da  contaminação de novos produtos feitos de plásticos reciclados);

– produtos químicos preocupantes foram encontrados em plásticos de vários produtos, como brinquedos e outros produtos infantis, embalagens, equipamentos elétricos e eletrônicos, veículos, têxteis sintéticos, móveis, materiais de construção, dispositivos médicos, de cuidados pessoais, produtos domésticos, agricultura, aquicultura e pesca;

Ampla pesquisa científica com dados sobre os potenciais impactos adversos de cerca de 7.000 substâncias mostrou que mais de 3.200 delas têm produtos químicos que são persistentes e móveis no ambiente, acumulam-se no corpo, podem imitar, bloquear ou alterar as ações dos hormônios, reduzir a fertilidade, danificar o sistema nervoso e câncer.

Mulheres e crianças são particularmente suscetíveis a esses produtos químicos tóxicos, sendo que a exposição pode afetar próximas gerações. Exposições durante o desenvolvimento fetal e em crianças podem causar transtornos relacionados ao neurodesenvolvimento/neurocomportamentais, prematuridade, doenças pulmonares e até câncer. Nos homens, pode ocorrer queda da fertilidade.

 

As principais medidas para prevenir a exposição aos plásticos são:

– Evitar o uso de produtos químicos preocupantes em plásticos;

– Ter acesso à informação e aumentar a conscientização sobre produtos químicos em plásticos ao longo da cadeia de produção;

– Aumentar a disponibilidade e acessibilidade de alternativas mais seguras e sustentáveis.

A poluição plástica e seus impactos prejudiciais à saúde, economia e meio ambiente não podem ser ignorados. Chamar atenção em relação à exposição das crianças diante desta “nova pandemia” exige uma ação global e urgente para lidar contra a poluição plástica, proteger a saúde humana, o meio ambiente e promover a transição para uma economia circular, livre de tóxicos e sustentável.

 

Saiba mais:

– UNEA Resolution 5/14 entitled “End plastic pollution: Towards an international legally binding instrument”. Chemicals in Plastics – A Technical Report.

Disponível em: https://wedocs.unep.org/bitstream/handle/20.500.11822/39812/OEWG_PP_1_INF_1_UNEA%20resolution.pdf

– UN environment programme. Our planet is choking on plastic. Disponível em: https://www.unep.org/interactives/beat-plastic-pollution/?lang=EN

– Kortenkamp et al. Combined exposures to bisphenols, polychlorinated dioxins, paracetamol, and phthalates as drivers of deteriorating semen quality. Environment International, 2022;165:107322. Disponível em:

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35691715/

– Christopher, J. Plastic pollution and potential solutions. 2018;101:207-260. Science Progress. London Vol. 101, Ed. 3, DOI:10.3184/003685018X15294876706211

 

Relatora:
Kristine Fahl Cahali
Mentora do Programa de Embaixadores Saúde Planetária – PESP
Departamento Científico de Alergia e Imunologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia de Combate à Poluição por Agrotóxicos – 11 de janeiro https://spsp.org.br/dia-de-combate-a-poluicao-por-agrotoxicos-11-de-janeiro/ Wed, 11 Jan 2023 11:30:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=35923 Tema polêmico. Há vantagens e desvantagens. Riscos e benefícios. Há, certamente, necessidade de controle e monitoramento do uso desses produtos]]>

Tema polêmico. Há vantagens e desvantagens. Riscos e benefícios. Há, certamente, necessidade de controle e monitoramento do uso desses produtos. A tragédia ocorrida em 1984 em Bhopal, na Índia, quando do vazamento de uma fábrica de agrotóxicos da Carbide Union, atual Dow Chemical, que provocou a morte de cerca de 10 mil pessoas, nos convida a refletir.

A população humana até o 1º século da era cristã crescia em torno de 2% a cada 1.000 anos. Esse período de baixo crescimento demográfico logo foi alterado. Em 1804, a população era de 1 bilhão, em novembro de 2022, de 8 bilhões. Atualmente, a população mundial está crescendo a uma taxa de 2% ao ano e precisa de apenas 35 anos para dobrar.

A teoria demográfica desenvolvida pelo economista inglês e sacerdote anglicano Thomas Robert Malthus (1766-1834), no final do século XVIII, em plena Revolução Industrial, sustenta que a população cresce mais rápido (em progressão geométrica) do que a produção de alimentos (em progressão aritmética), sinalizando, assim, a inevitável falta de alimentos para todos.

Malthus foi contemporâneo de vários pensadores iluministas, como David Hume e Jean-Jacques Rousseau. Os iluministas defendiam que a humanidade estava destinada à evolução permanente e poderia alcançar a felicidade plena através da ciência e que esta seria capaz de resolver qualquer problema humano, inclusive esse da alimentação para todos os habitantes da Terra. Foi entre o pessimismo malthusiano e o otimismo iluminista que a ciência propiciou o aparecimento, entre tantos avanços, dos agrotóxicos.

Os agrotóxicos são produtos químicos largamente utilizados no setor de produção agrícola, garantindo a produtividade das lavouras, pois seu uso preserva as espécies cultivadas, ao combater pragas e doenças que atacam as lavouras. São também conhecidos como pesticidas ou defensivos agrícolas, intervindo na atividade biológica dos seres vivos.

Os agrotóxicos podem ser classificados segundo a natureza da praga que irão combater: Fungicidas: combatem os fungos; Inseticidas: combatem os insetos; Herbicidas: combatem as plantas; Rodenticidas: combatem os roedores; Acaricidas: combatem os ácaros; Formicidas: combatem as formigas e Fumigantes: combatem as bactérias.

Em relação aos danos à saúde humana, os agrotóxicos são classificados segundo a sua toxicidade. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classifica-os em quatro classes, diferenciadas por cores e pelo grau de letalidade de cada um. No Brasil, os agrotóxicos apresentam em seus rótulos a classificação toxicológica, que aponta o potencial de risco à saúde. Confira:

– Classe I – extremamente tóxicos, podem ser fatais ao contato, ingestão ou inalação (em vermelho);

– Classe II – altamente tóxicos, podem causar intoxicações e doenças crônicas caso haja contato, ingestão ou inalação (em amarelo);

– Classe III – medianamente tóxicos, podem vir a ser nocivos caso haja contato, ingestão ou inalação (em azul) e

– Classe IV – pouco tóxicos, não apresentam risco e nem recomendações (em verde).

Para combater a fome decorrente da II Guerra Mundial surgiu a chamada Revolução Verde, que alavancou o incremento de novas tecnologias nas práticas agrícolas e o uso dos agrotóxicos, visando ao aumento da produtividade e à expansão do setor agroindustrial. A modernização da agricultura, associada aos latifúndios e às monoculturas (soja, cana-de-açúcar, milho, algodão), fez com que os agrotóxicos passassem a ser intensamente utilizados nas lavouras. O plantio de uma única espécie favorece o ciclo de pragas e doenças.

No Brasil, o clima é outro fator contribuinte para o uso em larga escala de agrotóxicos. Em boa parte de nosso território não há períodos de baixa temperatura, o que favorece o ciclo de pragas e doenças na lavoura.

Certamente os agrotóxicos possuem papel fundamental na expansão do agronegócio e, consequentemente, no favorecimento da economia e também na oferta de alimentos no mundo. Contudo, o uso excessivo ou incorreto desses produtos químicos pode trazer diversos prejuízos ao meio ambiente, como, por exemplo, a contaminação do solo e dos recursos hídricos, a intoxicação de animais, bem como o desaparecimento de espécies de insetos, que contribuem para o equilíbrio do ecossistema e a contaminação dos alimentos consumidos pela população. Outro problema relacionado com o mau uso dos agrotóxicos relaciona-se a agravos à saúde humana.

O Brasil é o país que mais utiliza agrotóxicos no mundo, desde 2016, segundo dados divulgados pela Anvisa. Foram usados, no Brasil, em 2017, aproximadamente 540 mil toneladas de agrotóxicos, o dobro do que foi usado em 2010, segundo pesquisas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

O uso de agrotóxicos é regulado pela Lei de Agrotóxicos nº 7.802, de 1989, regulamentada pelo Decreto nº 4.074, de 2002. Essa lei contém restrições a esse uso, bem como define quais, quanto e por quem ele pode ser feito. No início de 2019, essa lei sofreu alterações e prevê a liberação de agrotóxicos pelo Ministério da Agricultura, impedindo que órgãos como Ibama e Anvisa interfiram. Houve, então, uma flexibilização das regras de produção, comercialização e distribuição de agrotóxicos. Nesse mesmo ano, o Ministério da Agricultura aprovou o registro de agrotóxicos de elevada toxicidade no país. Alguns — que foram banidos de países como China, Estados Unidos e países da União Europeia —, têm sido utilizados em território nacional.

Vantagens e desvantagens do uso de agrotóxicos:

  1. Vantagens: A utilização correta e em dosagens recomendadas de agrotóxicos garante o controle de pragas e doenças que prejudicam as plantações. O controle de pragas e doenças garante a produtividade das lavouras. O uso de agrotóxicos melhora a qualidade visual dos produtos cultivados. Geralmente, os preços dos produtos nos quais foram utilizados agrotóxicos são menores em relação aos preços de produtos orgânicos.
  2. Desvantagens: Agrotóxicos armazenados em ambientes inadequados podem oferecer riscos à saúde, incluindo mortes. O uso incorreto e em doses não recomendadas de agrotóxicos está associado a diversos problemas de saúde, que podem ser agudos, como: irritação na pele, tosse, coriza, ardências, desidratação, vômitos, diarreia, náuseas, alergias, dores no peito, falta de ar, e dores estomacais; ou crônicos, como: insônia, esquecimento, impotência, dificuldade em gerar filhos, abortos, convulsões, depressão, malformações no feto e potencial desenvolvimento de cânceres e tumores. O uso incorreto dos agrotóxicos também está associado a problemas ambientais, como contaminação do solo, dos recursos hídricos e também da fauna e flora, contaminação de alimentos, desequilíbrio ambiental, empobrecimento de nutrientes no solo, com consequente infertilidade, desenvolvimento de resistência das pragas aos produtos e extermínio dos predadores naturais.

Os trabalhadores rurais são grupo de risco para esse tipo de intoxicação, quer pelo contato direto com os produtos, quer pela desinformação sobre os riscos, ou, ainda, pelo uso inadequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Outros sinais de alerta: em vários alimentos de uso cotidiano foram detectados níveis importantes de contaminação com agrotóxicos, em pesquisas feitas pela Anvisa. Por exemplo: laranja, abacaxi, couve, uva, morango, pimentão, cenoura, em alimentos de origem animal, como os ovos, as carnes, o leite – incluindo, até mesmo, o leite materno.

É recomendável que se lave pelo menos duas vezes o alimento e se remova a casca; que se compre hortaliças, frutas e legumes em locais confiáveis, onde é mais certo ter fiscalização e não haver fraudes em relação à certificação da qualidade do produto orgânico.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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14 de agosto é o Dia do Combate à Poluição. Poluição ambiental e infância https://spsp.org.br/14-de-agosto-e-o-dia-do-combate-a-poluicao-poluicao-ambiental-e-infancia/ Fri, 12 Aug 2022 19:50:47 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=33784 A vulnerabilidade das crianças à exposição ambiental é muito grande, e pode começar antes mesmo do nascimento. Estudos mostram associação da poluição com]]>

 A vulnerabilidade das crianças à exposição ambiental é muito grande, e pode começar antes mesmo do nascimento. Estudos mostram associação da poluição com prematuridade, restrição de crescimento intrauterino e baixo peso ao nascer.

As crianças em crescimento requerem proporcionalmente mais ar, mais água e mais comida do que os adultos. Além disso, as crianças interagem mais com o meio ambiente que os adultos, passam mais tempo no chão, onde a concentração de poluentes pode ser maior. Até mesmo o leite materno, que é o alimento ideal para os bebês, pode ser fonte de exposição inadequada, por isso é importante que a mãe que amamenta também evite exposição aos poluentes.

O impacto da poluição ambiental na infância traz à tona uma questão não só de saúde pública, mas também de iniquidade socioeconômica, já que pobreza e má nutrição irão magnificar os efeitos deletérios da exposição ambiental. Além de uma preocupação universal, já que poluição atmosférica e aquecimento global são coisas intimamente relacionadas, por aumento dos incêndios florestais, aumento de gases tóxicos atmosféricos como ozônio, influência na distribuição, quantidade e qualidade dos aeroalérgenos, determinando piora do controle dos pacientes com condições crônicas como alergias e asma.

Inúmeros estudos apontam para a íntima relação entre piora da qualidade do ar e aumento da morbidade respiratória, com impacto negativo em várias doenças prevalentes na infância, como bronquiolite, asma e pneumonias.

Um relato que ganhou grande divulgação na imprensa foi o da pequena Ella, paciente que tinha asma. Em outubro de 2021, a mãe de Ella, a sra. Rosamund Adoo-Kissi-Debrah falou no TED Talk sobre a tragédia que ocorreu em sua vida, relatando a morte de sua filha por crise de asma, e que a morte de Ella foi por insuficiência respiratória aguda, asma e exposição à poluição do ar. O caso de Ella foi revisado por cientistas experientes e foi o primeiro caso no mundo em que o diagnóstico de poluição do ar esteve listado entre as causas de morte no atestado de óbito.

Como sociedade é importante estarmos atentos aos fatores potencialmente modificáveis, auxiliar os órgãos governamentais na dura e árdua empreitada da redução da poluição atmosférica, mas é também essencial minimizarmos sempre que possível a exposição dentro dos lares, desde evitar o uso de lenha e carvão para cocção de alimentos, assim como evitar toda e qualquer forma de tabagismo intradomiciliar, incluindo os novos dispositivos de cigarro eletrônico tipo vappers, jull e pods.

Saiba mais:

https://www.ted.com/talks/rosamund_adoo_kissi_debrah_the_tragedy_of_air_pollution_and_an_urgent_demand_for_clean_air/transcript)

 

Relatora:
Marina Buarque de Almeida
Departamento de Pneumologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo


Foto:
AndrewLozovyi I depositphotos

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