Pediátrica – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 24 Mar 2026 14:20:26 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Pediátrica – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Sedentarismo: um problema de saúde pública que começa na infância https://spsp.org.br/sedentarismo-um-problema-de-saude-publica-que-comeca-na-infancia/ Tue, 10 Mar 2026 13:40:01 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=55376 O sedentarismo já é uma das principais causas de adoecimento e morte no mundo e começa cada vez mais cedo. Segundo a Organização Mundial]]>

O sedentarismo já é uma das principais causas de adoecimento e morte no mundo e começa cada vez mais cedo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente um terço da população adulta mundial é fisicamente inativa e cerca de 5 milhões de mortes por ano estão associadas à inatividade física. Estima-se ainda que, entre 2020 e 2030, quase 500 milhões de pessoas poderão desenvolver doenças cardiovasculares, obesidade ou outras condições relacionadas à inatividade física, caso não haja mudanças estruturais nas políticas públicas globais.

No Brasil, o cenário também preocupa: cerca de 47% dos adultos são sedentários, e aproximadamente 300 mil mortes anuais estão associadas a doenças relacionadas à inatividade física. O dado mais alarmante, porém, está entre os jovens: aproximadamente 84% não atingem níveis adequados de atividade física.

O problema começa cedo

A recomendação é clara: crianças e adolescentes devem acumular pelo menos 60 minutos diários de atividade física de intensidade moderada a vigorosa. Entretanto, análise global publicada no The Lancet Child & Adolescent Health, envolvendo 1,6 milhão de adolescentes de 146 países, demonstrou que 81% dos jovens entre 11 e 17 anos são insuficientemente ativos. Entre meninas, esse percentual chega a 84,7%, sem melhora significativa ao longo dos anos.

Além da baixa prática de atividade física, observa-se aumento progressivo do tempo em comportamento sedentário, especialmente diante de telas. É importante destacar que comportamento sedentário e atividade física não são opostos absolutos: longos períodos sentados representam fator de risco independente para doenças crônicas, mesmo entre pessoas que praticam exercício regularmente. Ou seja, não basta “fazer exercício” algumas vezes por semana; é necessário reduzir o tempo total de inatividade ao longo do dia.

Muito além das doenças no futuro

Quando falamos em sedentarismo, muitas vezes pensamos apenas nas doenças crônicas da vida adulta. No entanto, seus efeitos já são observados na infância e adolescência.

A prática regular de atividade física está associada a melhor aptidão cardiorrespiratória, maior força e resistência muscular, melhor mineralização óssea, melhora do perfil metabólico, redução da pressão arterial, melhor desempenho cognitivo e maior autoestima.

Por outro lado, a prática insuficiente de atividade física está relacionada ao aumento do sobrepeso e obesidade, prejuízo funcional musculoesquelético, piora da qualidade do sono, maior vulnerabilidade emocional e redução da competência motora. São impactos que já se manifestam no presente e podem se perpetuar ao longo da vida.

Não é só sedentarismo

O problema não é apenas “não praticar esporte”, mas as consequências desse padrão de comportamento. Nos últimos anos, o conceito de Tríade da Inatividade Pediátrica tem ampliado a compreensão sobre os impactos do sedentarismo na infância. Essa tríade é composta por três elementos inter-relacionados:

  1. Transtorno do Déficit de Exercício – níveis de atividade física abaixo do recomendado, configurando condição pré-mórbida;
  2. Dinapenia Pediátrica – baixos níveis de força e potência muscular;
  3. Analfabetismo físico (ou motor) – falta de competência, confiança e motivação para se engajar em atividades físicas.

Essa abordagem mostra que não estamos falando apenas de ausência de movimento, mas de um comprometimento progressivo do desenvolvimento motor, musculoesquelético, cardiometabólico e psicossocial. Crianças com baixa competência motora tendem a evitar atividades físicas, e ao evitar o movimento desenvolvem menor força, menor desempenho e maior frustração, entrando em um ciclo de inatividade que se retroalimenta.

O papel do pediatra

Diante desse cenário, o pediatra ocupa posição estratégica. Assim como avaliamos peso, estatura e pressão arterial, o nível de atividade física deve ser considerado um indicador essencial da saúde pediátrica. A avaliação da prática de atividade física precisa fazer parte da anamnese de rotina, incluindo investigação do tempo de tela e do padrão de movimento da criança e da família. Mais do que identificar “sedentarismo”, é fundamental reconhecer o Transtorno do Déficit de Exercício como condição prevenível.

A consulta pediátrica é um espaço privilegiado para:

  • Detectar precocemente fatores de risco cardiometabólicos;
    • Estabelecer metas progressivas e realistas;
    • Engajar pais como modelos ativos;
    • Identificar e trabalhar barreiras familiares e sociais;
    • Incentivar experiências motoras positivas desde a primeira infância.

Promover atividade física não é recomendação acessória. É intervenção clínica estruturante.

Um compromisso coletivo

Se mantido o ritmo atual, a meta global de redução da inatividade física até 2030 dificilmente será alcançada. O enfrentamento do sedentarismo pediátrico exige integração entre saúde, escola e família; ampliação de espaços seguros; educação motora desde os primeiros anos de vida; redução do tempo de tela; e fortalecimento de políticas públicas intersetoriais.

Neste 10 de março, o Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo nos convida à reflexão. Combater o sedentarismo não é apenas prevenir doenças futuras. É proteger o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional de uma geração. E o pediatra tem papel fundamental nessa transformação.

 

Relatora:

Brizza Valeria Foianini Biassi
Membro do Núcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes na Infância e Adolescência da SPSP 

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23º CONGRESSO BRASILEIRO DE INFECTOLOGIA PEDIÁTRICA E 18º SIMPÓSIO BRASILEIRO DE VACINAS – 2025 https://spsp.org.br/23o-congresso-brasileiro-de-infectologia-pediatrica-e-18o-simposio-brasileiro-de-vacinas/ Wed, 30 Apr 2025 11:17:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48876 Realizado: 30 de abril a 3 de maio de 2025 Local: Novotel São Paulo Center Norte – Avenida Zaki Narchi, 500 – São Paulo – SP Promoção e Realização:  Sociedade Brasileira de Pediatria e Sociedade de Pediatria de São Paulo Mais Informações: https://www.sbp.com.br/especiais/eventos/23-congresso-brasileiro-de-infectologia-pediatrica/]]>

Realizado: 30 de abril a 3 de maio de 2025

Local: Novotel São Paulo Center Norte – Avenida Zaki Narchi, 500 – São Paulo – SP

Promoção e Realização:  Sociedade Brasileira de Pediatria e Sociedade de Pediatria de São Paulo

Mais Informações: https://www.sbp.com.br/especiais/eventos/23-congresso-brasileiro-de-infectologia-pediatrica/

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17º CONGRESSO BRASILEIRO DE ALERGIA E IMUNOLOGIA PEDIÁTRICA – 2025 https://spsp.org.br/17o-congresso-brasileiro-alergia-e-imunologia-pediatrica/ Wed, 26 Mar 2025 11:08:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48871 ]]>

 

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) promoveram, entre os dias 26 e 28 de março, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo, SP, o 17º Congresso Brasileiro de Alergia e Imunologia Pediátrica (Alergoped), que contou com uma programação de elevadíssimo nível e interesse prático nesta área de atuação da Pediatria.

O evento, que reuniu mais de 750 congressistas, sendo presidido por Antonio Condino Neto, presidente do Departamento Científico de Imunologia Clínica da SBP, apresentou temas pioneiros e de grande relevância para a comunidade médica, no qual os participantes tiveram uma oportunidade única de compartilhar conhecimentos, estratégias e avanços que definirão o futuro da especialidade,  marcando um encontro significativo para profissionais, pesquisadores e acadêmicos que estão na vanguarda do tratamento e estudo das imunodeficiências e doenças alérgicas.

A programação científica, visando atender aos profissionais que atuam em ambulatório, consultório, emergência e terapia intensiva, na busca da melhor assistência, foi bastante abrangente, incluindo temas como a triagem neonatal de imunodeficiências e seu tratamento, asma grave na infância e adolescência, esofagite eosinofílica, dermatite atópica e urticária crônica de difícil controle. Foram abordados, ainda, temas inovadores como o impacto na saúde dos cigarros eletrônicos, assim como TEA e a especialidade Alergia e Imunologia. A nova classificação das doenças alérgicas sistêmicas foi também alvo importante de conferência, bem como atuais debates sobre meio ambiente e doenças alérgicas.

A Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), através de sua presidente, Renata Dejtiar Waksman, agradeceu a todos os interessados na atualização de conhecimentos, de novas técnicas e investigações, sempre baseados em evidências, pela participação da construção de mais um congresso de referência para a Pediatria Brasileira.

 

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