Pediatras – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 17 May 2024 13:23:37 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Pediatras – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Dia Mundial da Hipertensão Arterial https://spsp.org.br/dia-mundial-da-hipertensao-arterial/ Fri, 17 May 2024 10:00:04 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=46100 Hoje, 17 de maio, é o Dia Mundial da Hipertensão Arterial, e este tema voltado para a pediatria é algo pouco abordado e conhecido, porém é necessário que pais, cuidadores e sociedade saibam que crianças podem ter pressão alta, e que um estilo de vida saudável é necessário desde a infância. A hipertensão na faixa etária pediátrica pode estar relacionada com algumas cardiopatias congênitas; portanto, se seu filho estiver hipertenso é necessário que se exclua essa possibilidade. No entanto, a falta de atividade física associada a uma alimentação rica em sal, açúcar e excesso de peso são responsáveis pela maior parte dos casos de pressão alta em crianças e adolescentes. Nitidamente há uma piora alimentar muito grande nos últimos anos, e por isso os níveis de obesidade estão crescendo absurdamente, e consequentemente os níveis de pressão arterial também. A prevalência de hipertensão infantil aumentou de 75% a 79% nas últimas duas décadas, sendo um alerta aos pais e pediatras, pois a hipertensão e a obesidade são fatores de risco para as doenças do coração. Uma dúvida recorrente dos pais e cuidadores é quando a pressão arterial deve ser aferida nas crianças. De acordo com o manual de orientação sobre hipertensão arterial na infância e adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria, a pressão arterial deve ser verificada: – Em todas as crianças maiores de 3 anos pelo menos uma vez por ano; – Para crianças menores de 3 anos, a avaliação da pressão arterial está indicada em condições especiais, como: – Doenças cardíacas; – Doenças renais; – Transplante; – Uso de medicações que alteram a pressão arterial; – Prematuros < 32 semanas; – Muito baixo peso ao nascer; – Crianças que fizeram uso de cateter umbilical; – Crianças que tiveram outras complicações no período neonatal necessitando de internação em UTI; – Crianças que tiveram aumento da pressão intracraniana; – Outras doenças associadas à hipertensão (neurofibromatose, esclerose tuberosa, anemia falciforme, etc.). É importante reforçar que para aferir a pressão arterial em pediatria deve-se possuir o manguito adequado para o braço; além disso, o parâmetro de normalidade muda de acordo com a faixa etária; portanto, manter a consulta em dia com o pediatra é algo fundamental para a manutenção da saúde das crianças. Frente a esta problemática muito atual, a principal orientação e o pilar da prevenção de hipertensão arterial na infância é a mudança de hábitos de toda a família, pois a criança sedentária, obesa ou hipertensa, normalmente é um reflexo dos hábitos familiares. As principais recomendações são Ao menos uma hora de atividade física moderada a intensa por dia; Dieta rica em vegetais, frutas e alimentos ricos em fibra; Limitar a ingestão de sal; Evitar o consumo de açúcar e gordura saturada. Relator: Gustavo Foronda Presidente do Departamento Científico de Cardiologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo]]>

Hoje, 17 de maio, é o Dia Mundial da Hipertensão Arterial, e este tema voltado para a pediatria é algo pouco abordado e conhecido, porém é necessário que pais, cuidadores e sociedade saibam que crianças podem ter pressão alta, e que um estilo de vida saudável é necessário desde a infância.

A hipertensão na faixa etária pediátrica pode estar relacionada com algumas cardiopatias congênitas; portanto, se seu filho estiver hipertenso é necessário que se exclua essa possibilidade.

No entanto, a falta de atividade física associada a uma alimentação rica em sal, açúcar e excesso de peso são responsáveis pela maior parte dos casos de pressão alta em crianças e adolescentes.

Nitidamente há uma piora alimentar muito grande nos últimos anos, e por isso os níveis de obesidade estão crescendo absurdamente, e consequentemente os níveis de pressão arterial também. A prevalência de hipertensão infantil aumentou de 75% a 79% nas últimas duas décadas, sendo um alerta aos pais e pediatras, pois a hipertensão e a obesidade são fatores de risco para as doenças do coração.

Uma dúvida recorrente dos pais e cuidadores é quando a pressão arterial deve ser aferida nas crianças. De acordo com o manual de orientação sobre hipertensão arterial na infância e adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria, a pressão arterial deve ser verificada:

– Em todas as crianças maiores de 3 anos pelo menos uma vez por ano;

– Para crianças menores de 3 anos, a avaliação da pressão arterial está indicada em condições especiais, como:

– Doenças cardíacas;

– Doenças renais;

– Transplante;

– Uso de medicações que alteram a pressão arterial;

– Prematuros < 32 semanas;

– Muito baixo peso ao nascer;

– Crianças que fizeram uso de cateter umbilical;

– Crianças que tiveram outras complicações no período neonatal necessitando de internação em UTI;

– Crianças que tiveram aumento da pressão intracraniana;

– Outras doenças associadas à hipertensão (neurofibromatose, esclerose tuberosa, anemia falciforme, etc.).

É importante reforçar que para aferir a pressão arterial em pediatria deve-se possuir o manguito adequado para o braço; além disso, o parâmetro de normalidade muda de acordo com a faixa etária; portanto, manter a consulta em dia com o pediatra é algo fundamental para a manutenção da saúde das crianças.

Frente a esta problemática muito atual, a principal orientação e o pilar da prevenção de hipertensão arterial na infância é a mudança de hábitos de toda a família, pois a criança sedentária, obesa ou hipertensa, normalmente é um reflexo dos hábitos familiares.

As principais recomendações são

  • Ao menos uma hora de atividade física moderada a intensa por dia;
  • Dieta rica em vegetais, frutas e alimentos ricos em fibra;
  • Limitar a ingestão de sal;
  • Evitar o consumo de açúcar e gordura saturada.

Relator:
Gustavo Foronda
Presidente do Departamento Científico de Cardiologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio https://spsp.org.br/dia-mundial-de-prevencao-ao-suicidio-2/ Mon, 11 Sep 2023 18:40:41 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=39255 O dia 10 de setembro é destinado mundialmente à prevenção do suicídio. Conscientizar a população e os profissionais de saúde é importante pois, segundo dados da OMS – Organização]]>

O dia 10 de setembro é destinado mundialmente à prevenção do suicídio. Conscientizar a população e os profissionais de saúde é importante pois, segundo dados da OMS – Organização Mundial da Saúde, em 2018, o suicídio foi a causa de 56% das mortes violentas no mundo, sendo que, no Brasil, entre jovens de 15 a 29 anos, o suicídio figura como segunda maior causa de morte. Outro recorte, pertinente ao Município de São Paulo, recentemente publicado no jornal Folha de S. Paulo, na edição de 25/8/2023, dá conta de que, no primeiro semestre deste ano, o número de tentativas de suicídio e casos de autoagressão foi 82% maior se comparado ao mesmo período no ano de 2019. Essas transformações tornaram o dia a dia dos profissionais de saúde mais desafiador, tornando o suicídio uma questão de saúde pública.

O suicídio é um acontecimento de extrema complexidade e de causa multifatorial. O que observamos no dia a dia da clínica em saúde mental é que é um tema que não admite respostas óbvias e uniformes. Atribuir o suicídio a um evento único na vida da pessoa, como, por exemplo, ao término de um relacionamento, é uma leitura ingênua. Podemos elencar alguns fatores correlacionados a maior risco de suicídio: tentativas anteriores, dependência química, transtornos mentais, histórico de abusos e traumas.  

Não é possível antever um suicídio, mas podemos auxiliar a todos que estão envolvidos na vida das crianças e adolescentes a cuidarem, desde o início da infância, preventivamente, de situações que levem a pessoa a um momento de tamanha dor, a ponto de ela sentir que está “sem saída”, enxergando no suicídio a única opção para lidar com suas angústias. O Estado, a escola, as famílias, pediatras e os profissionais de saúde mental se tornam, nesse sentido, as redes de proteção e auxílio aos jovens, contribuindo para que eles lidem melhor com as adversidades inerentes ao seu desenvolvimento.

Pensando nos aspectos de prevenção, famílias e pediatras podem observar com atenção situações durante a infância indicativas de um maior sofrimento mental, que podem ganhar expressão em sintomas tais como as compulsões (por comida, jogos, uso de telas, uso de álcool, cigarro e outras drogas), comportamentos autolesivos, transtornos alimentares e de ansiedade, desinvestimento e isolamento excessivo da própria família e de amigos, envolvimento em bullying, tanto como autor, quanto como vítima. Esses sinais podem ganhar colorido mais intenso na adolescência, período que envolve uma série de transformações de ordem física e mental. Aumento da impulsividade de forma geral, somado a maior exigência em demandas acadêmicas (vestibular, escolha da futura profissão), bem como as descobertas e vivências sexuais, todas situações que, concomitantes, demandam, em um curto espaço de tempo, uma transformação e maturidade enormes.

Todos os sintomas elencados acima podem ser interpretados como dificuldade de elaboração de sentimentos, os quais indicam a ocorrência de um sofrimento maior. Uma importante orientação aos pais, em relação à prevenção das situações-limite em saúde mental, é que não deixem para depois esse tipo de cuidado: não esperem até que uma situação se agrave para contarem com ajuda de profissionais de saúde mental. Não é possível, a nenhuma família, impedir um filho de viver as adversidades inerentes e que surgem na vida de qualquer criança, porém é possível ajudá-lo a construir recursos para lidar com suas angústias de uma maneira mais saudável.

É importante ressaltar que uma tentativa de suicídio pode representar não apenas a vontade de colocar fim a um sofrimento extremo, como também a comunicação de um sofrimento, um pedido urgente de ajuda. A todos os envolvidos em situações-limite como essas, sejam famílias, pediatras ou escola, é fundamental cuidar para também não se moverem por angústia, não fazerem movimentos bruscos e impulsivos, algo que esse tipo de situação grave inevitavelmente mobiliza.

É também necessário cuidar para que um jovem que passou por tal situação não seja estigmatizado, pois isso pode contribuir para uma maior dificuldade em se conectar com aqueles que estão lhe oferecendo ajuda, aumentando seu isolamento e desespero. O maior fator de contribuição nesses casos é cuidar inicialmente para que essa pessoa seja amparada e esteja fora de risco, para que então, estabilizada a situação, seu sofrimento seja devidamente escutado.

Quem passa por tal experiência deve ter a oportunidade de se conectar a profissionais de saúde que o auxiliem, construindo novas possibilidades de enfrentamento de suas dores, transtornos mentais e sintomas. É fundamental que a família da pessoa que tentou suicídio seja incluída no tratamento pós-evento, pois os familiares também precisarão construir outros caminhos, novas formas de ajudar e reconhecer os sinais de sofrimento de seus filhos, além de lidar com a própria angústia e sofrimento que tais situações geram neles.

 

Relatora:
Flavia Schimith Escrivão
Psicóloga Especialista em Psicologia Clínica e Psicanalista.
Membro dos Núcleos de Estudos de Saúde Mental e de Depressão entre Crianças e Adolescentes da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Internacional da Mulher – 8 de março https://spsp.org.br/dia-internacional-da-mulher-8-de-marco/ Wed, 08 Mar 2023 18:02:47 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=36445 Este não é um artigo escrito de “mulher para mulher”. Não precisei também resgatar meu lado anima para escrevê-lo. Como homem e pediatra, registro]]>

Este não é um artigo escrito de “mulher para mulher”. Não precisei também resgatar meu lado anima para escrevê-lo. Como homem e pediatra, registro aqui algumas palavras sobre esta data…

As origens do Dia Internacional da Mulher remontam ao início do século passado. Movimentos reivindicatórios surgiram tanto nos EUA (fevereiro de 1909), quanto na Rússia (8 de março de 1917) e em outros lugares da Europa (Alemanha, 1910), solicitando remuneração mais justa, diminuição da jornada de trabalho (16 horas na época), férias. Na sequência, surgiu o pedido de direito ao voto. Enfim, os movimentos civis por direitos sempre nascem de uma discriminação, de uma marginalização. Pressupõem uma partilha de poder desigual (há sempre um agente opressor) e uma visão que classifica as pessoas diferentes em desiguais, algumas têm privilégios que outras não devem ter.

Um pouco da história das lutas das mulheres no Brasil:

  • 1827: meninas são liberadas para que frequentassem colégios, enfim, estudassem além da alfabetização.
  • 1879: mulheres podem ser aceitas em faculdades, no ensino superior.
  • 1887: surge a primeira médica brasileira – Rita Lobato Freitas, formada pela Faculdade de Medicina da Bahia. Ela foi a segunda na América Latina.
  • 1919: resolução de salários iguais para homens e mulheres é aprovada.
  • 1923: a enfermagem começa no Brasil através da Escola de Enfermagem Ana Nery.
  • 1934: mulheres conquistam o direito de votar. O voto feminino passa a ser regulamentado no país, para mulheres de todas as rendas, origens ou estado civil.
  • 1962: é criado o Estatuto da Mulher Casada. Em 27 de agosto, a Lei nº 4.212/1962 permitiu que mulheres casadas não precisassem mais da autorização do marido para trabalhar.
  • 1977: a Lei do Divórcio é aprovada no dia 26 de dezembro, a Lei nº 6.515 foi sancionada.
  • 1980: as Forças Armadas passam a aceitar também mulheres na carreira militar.
  • 1985: surge a primeira Delegacia da Mulher. A DEAM (Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher) surge em São Paulo e, logo depois, outras unidades começam a ser implantadas em outros Estados.
  • 2002: “Falta de virgindade” deixa de ser crime. O Código Civil retirou o artigo que dizia que um homem podia pedir a anulação do casamento caso descobrisse que a esposa não era virgem.
  • 2006: é criada a Lei Maria da Penha. A Lei nº 11.340 foi sancionada para combater a violência contra a mulher.

As mulheres, ao longo da história, tiveram que lutar para que fossem vistas de modo diferente e pudessem se inserir na sociedade, desempenhando diversos papéis sociais jamais imaginados. Qual é o perfil de mulher que o século XXI, que mal começou, necessita? Certamente não é aquele das “Mulheres de Atenas”, de Chico Buarque; nem tampouco da “Amélia – a mulher de verdade”, de Ataulfo Alves, ou da “mulher virtuosa”, do texto de Salomão no livro de Provérbios. Estas descrevem facetas do feminino para um tempo específico. Cada época haverá de ajudar a configurar o perfil de mulher adequado ao seu universo.

Somos todos – homens e mulheres – metamorfoses ambulantes, já disse o “Maluco Beleza”. O mundo atual, complexo, veloz e cambiante, exige esse comportamento de lagarta. Portanto, é importante que se assegure:

  1. total liberdade para que a mulher se insira no mercado de trabalho;
  2. que tenha garantido o direito de ser cidadã, na pólis, como qualquer outro indivíduo dessa mesma sociedade;
  3. que lhe sejam oferecidas oportunidades iguais para o seu desenvolvimento como pessoa.

Lembro, ainda, uma lista de direitos defendidos enfaticamente pela SPSP:

  1. um período de amamentação estendido pós-parto, assegurando-se o posto de trabalho ocupado pela mulher;
  2. a garantia de que no período crucial dos 1.000 dias de cada filho, sejam-lhe garantidos, de maneira adequada: pré-natal e atenção ao parto; cuidados ao recém-nascido e seguimento de puericultura; creche para os filhos, para que possa trabalhar em paz e produtivamente.

Quero homenagear as pediatras. Nossas colegas de profissão, brilhantes e dedicadas, que fazem malabarismos para conciliar uma atividade exigente e cansativa, com a dupla jornada do lar e da maternidade. Saúdo aquelas que se dedicam ao estudo acadêmico e contribuem com a sua inteligência para a riqueza acumulada do conhecimento e desenvolvimento da medicina e, em especial, da pediatria. Ao saudá-las, quero homenagear todas as mulheres. Finalizo resgatando da memória uma história singular e real: “a mulher, em sua singeleza de coração, em sua gratidão incontida e sincera, trouxe um bolo em agradecimento à equipe do hospital onde seu filho foi bem acolhido e tratado. Ao final da degustação, com o sorriso largo, de “canto a canto do rosto”, aquela mulher, orgulhosíssima, disse: “eu que fiz”, e acrescentou, amparando e elevando os seios para cima, “com este leite aqui”. E aí deu o produto mais sublime que era capaz de produzir.

As mulheres são capazes de nos surpreender, sempre e de muitas maneiras. “Benditos somos nós, homens, entre as mulheres”. Amém.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Dia Mundial das Doenças Raras https://spsp.org.br/dia-mundial-das-doencas-raras/ Tue, 28 Feb 2023 18:55:32 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=36314 ]]>

No dia 28 de fevereiro o mundo celebra o Dia Mundial das Doenças Raras, data criada em 2008 pela Organização Europeia de Doenças Raras (Eurordis), no intuito de conscientizar a sociedade acerca da existência e dos direitos das crianças que vivem com uma doença rara e suas famílias. No Brasil, a data foi instituída pela Lei nº 13.693/2018.

Não existe uma definição única, amplamente aceita, para as doenças raras. Considera-se doença rara aquela que afeta até 65 pessoas em cada 100.000 indivíduos, ou seja, 1,3 pessoas para cada 2.000 indivíduos. Na Europa, a estimativa é de 1 pessoa a cada 2.000 indivíduos. Apesar das doenças raras serem individualmente únicas e específicas, em conjunto são aproximadamente 8.000 tipos de doenças raras reconhecidas no mundo e cumulativamente chegamos a quase 10% de população global com alguma doença rara. Em 75% dessas condições clínicas elas são decorrentes de fatores genéticos e os demais 25%, secundárias a causas ambientais, imunológicas, infecciosas, entre outras.

Vale ressaltar que 70% dessas condições raras começam na infância; portanto, estão no dia a dia dos pediatras, apesar de ainda serem subdiagnosticadas.

Na grande maioria das vezes trata-se de doenças complexas, crônicas, progressivas, incapacitantes, e que não têm cura. Têm grande impacto nas famílias, já que 30% dessas crianças falecem antes dos 5 anos de idade, e em alguns estudos temos as anomalias congênitas (muitas são doenças raras) como a segunda principal causa de mortalidade infantil até 5 anos de idade (em primeiro lugar temos a prematuridade no Brasil), o que torna o tema tão relevante para os pediatras.

Existem grandes desafios ao redor desse tema:

– muitas dessas crianças levam anos para chegar ao diagnóstico correto;

– necessitam de tratamentos e acompanhamentos específicos, com alto custo financeiro para governo e emocional para os familiares;

– elaboração e divulgação de mais diretrizes, protocolos e políticas públicas direcionando o seguimento dessa população com uma doença rara;

– acesso às redes especializadas ambulatoriais e hospitalares, como os Centros Especializados em Reabilitação (CER), atendimento domiciliar, criação de centros especializados e protocolos de seguimento do indivíduo com doença rara – otimizam tempo de atendimento, facilitam a rotina de exames e avaliações, humanizam o ambiente, direcionam o seguimento, prevenindo as comorbidades mais prevalentes, entre outros;

– acesso ao aconselhamento genético adequado;

– a maioria não tem cura e precisa de acompanhamento especializado para melhor qualidade de vida;

– se faz necessária a incorporação de novas tecnologias e medicamentos ao SUS, direcionados à população com doença rara, entre outras.

Essa população única requer cuidados multidisciplinares, representando grande desafio para família, cuidadores, médicos, equipe transdisciplinar, educadores, saúde pública e sociedade.

Para que esses indivíduos possam viver uma vida plena e autônoma, ainda temos, como agentes da saúde, muito a aprender, mas o intuito principal nesta data é: divulgar e capacitar os pediatras acerca do que já se conhece sobre as doenças raras.

Ainda, queremos conscientizar a sociedade de que o mundo das doenças raras na infância é composto não apenas por crianças com a rara condição, mas também por familiares, amigos, cuidadores, comunidade médica, grupos de defesa e órgãos governamentais, com suas próprias perspectivas, necessidades e seus órgãos representativos.

O acesso ao acompanhamento médico, à puericultura, à estimulação precoce com as diversas terapias, à educação, não pode estar direta ou exclusivamente vinculado ao diagnóstico definitivo da doença rara, uma vez que o direito a esse seguimento clínico também se estende às doenças raras não diagnosticadas. Ressaltando que existem recomendações internacionais para atender às necessidades específicas de pessoas não diagnosticadas.
No Brasil, o Ministério da Saúde está revisando a elaboração de Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para doenças raras, buscando unificar procedimentos em documentos já existentes (Atualmente existem 36 PCDT de doenças raras).

Por fim, o capítulo de doenças raras no Brasil é imenso, e nós, como Sociedade de Pediatria de São Paulo, queremos colaborar e multiplicar informações tão valiosas a essa população vulnerável, que é a dos direitos das crianças e adolescentes com uma doença rara.

 

Saiba mais:

. UN General Assembly. Convention on the rights of the child. In: United Nations treaty series. New York: United Nations. 1989. https://treaties.un. org/doc/Publication/UNTS/Volume%201577/v1577.pdf. Accessed 4 Nov 2018.

. Forman J, Taruscio D, Llera VA, Barrera LA, Coté TR, Edfäll C, et al. The need for worldwide policy and action plans for rare diseases. Acta Paediatr. 2012;101(8):805–7. https://doi.org/10.1111/j.1651-2227.2012.02705.x.

. Knight AW, Senior TP. The common problem of rare disease in general practice. Med J Aust. 2006;185(2):82–3.

. Schieppati A, Henter JI, Daina E, Aperia A. Why rare diseases are an important medical and social issue. Lancet. 2008;371(9629):2039–41.

. Zurynski Y, Frith K, Leonard H, Elliott E. Rare childhood diseases: how should we respond? Arch Dis Child. 2008;93(12):1071–4. https://doi.org/ 10.1136/adc.2007.134940.

. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/doencas-raras

. SWAN UK, Wilhelm Foundation, Rare Diseases Europe, Rare Voices Australia, Canadian Organization for Rare Disorders, Advocacy Service for Rare and Intractable Diseases’ stakeholders in Japan, National Organization for Rare Disorders: International Joint Recommendations to Address Specifc Needs of Undiagnosed Rare Disease Patients. 2016. http://downl oad2.eurordis.org.s3.amazonaws.com/documents/pdf/UndiagnosedInternational-Joint-Recommendations.pdf. Accessed 27 Aug 2021.

. Rare Voices Australia: Call for a National Rare Disease Framework. 2017. https://rarevoices.org.au/wp-content/uploads/2020/09/NationalRareDiseaseFramework.pdf. Accessed 23 Jul 2020.

 

Relatora:
Patrícia Salmona
Pediatra e Geneticista Clínica
Secretária do Departamento Científico de Genética da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Como funcionam e o que esperar das vacinas de gripe em crianças? https://spsp.org.br/como-funcionam-e-o-que-esperar-das-vacinas-de-gripe-em-criancas/ Fri, 03 Apr 2020 16:44:11 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3104 A gripe é uma infecção respiratória causada pelo vírus influenza. Ela é muito mais perigosa que o resfriado comum: a cada ano, milhões de crianças ficam doentes com gripe sazonal e, desses, milhares são hospitalizadas por pneumonia e desidratação, além de centenas de mortes. A melhor forma de se prevenir é através da vacinação – ela é segura para qualquer pessoa com seis meses de idade ou mais e protege a criança e as pessoas ao redor dela da infecção e de suas complicações.

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Por que as crianças devem receber a vacina contra a gripe?

As sociedades médicas de todo o mundo recomendam vacinação universal anual contra influenza para todos as crianças com seis meses de idade ou mais, adolescentes, adultos e idosos. O foco especial em crianças existe, pois aquelas com menos de cinco anos de idade – especialmente as menores de dois anos – correm alto risco de desenvolver complicações graves relacionadas à gripe. Além disso, são capazes de transmitir o vírus influenza de forma muito eficiente para indivíduos com alto risco de complicações relacionadas à infecção.

Como funcionam as vacinas contra a gripe?

As vacinas contra gripe são produzidas usando pequenos fragmentos de vírus inativados (denominadas fragmentadas inativadas) ou usando partículas projetadas para parecer com um vírus da gripe no sistema imunológico (chamadas subunitárias). Dessa forma, não são capazes de causar gripe no indivíduo vacinado, mas estimulam o sistema imunológico a produzir anticorpos cerca de duas semanas após a vacinação. Esses anticorpos fornecerão proteção unicamente contra os vírus que estão na vacina.

Os tipos de vírus contidos nas vacinas podem variar conforme o país e os produtos disponíveis em um determinado ano. Algumas das vacinas protegem contra quatro vírus da gripe diferentes, sendo chamadas quadrivalentes ou tetravalentes: dois vírus influenza A (um H1N1 e um H3N2) e dois vírus influenza B. Existem também algumas vacinas contra gripe que protegem contra três vírus diferentes, sendo chamadas trivalentes: dois vírus influenza A (um H1N1 e um H3N2) e um vírus influenza B. Na rede pública, este é o único tipo de vacina disponível até o momento.

Por que, diferentemente das outras vacinas do calendário de imunizações, devo vacinar contra gripe todos os anos?

Crianças entre seis meses e nove anos que tomam a vacina da gripe pela primeira vez devem receber duas doses com intervalo de, pelo menos, 30 dias entre elas. A partir dos anos seguintes, uma dose da vacina contra a gripe é necessária a cada ano por dois motivos. Primeiro porque, apesar da proteção imunológica de uma pessoa pela vacinação ser mais robusta nos 3-4 meses após a vacinação, ela diminui consideravelmente ao longo do tempo. Isso significa que, se a criança for vacinada em março/abril, a proteção será significativamente menor a partir de setembro/outubro do mesmo ano. Portanto, é necessária uma dose anual antes do período de circulação do vírus (preferencialmente em março) para uma proteção ideal em cada temporada de gripe. Segundo: como os vírus da gripe mudam constantemente, as vacinas contra influenza costumam sofrer atualizações de uma estação para a outra, de acordo com os vírus que circularam com maior frequência na temporada anterior. Assim, embora alguns indivíduos vacinados contra a gripe retenham a imunidade protetora de uma estação para a outra, isso é menos provável quando o tipo de vírus circulante muda.

Quais são os grupos considerados de risco para evoluírem com infecção grave por influenza e suas complicações?

Crianças menores de cinco anos de idade e idosos (acima de 65 anos) ocupam posição de destaque entre os indivíduos de risco aumentado. Gestantes e puérperas, trabalhadores em área de saúde, indígenas e professores também são grupos prioritários. Além disso, as seguintes condições clínicas se aplicam a todas as faixas etárias: doença respiratória crônica (incluindo asma), doença cardíaca crônica (incluindo cardiopatias congênitas), diabetes, doença neurológica crônica, imunossupressão (de qualquer tipo e causa), obesidade, doença renal crônica, doença hepática crônica, trissomias (alterações genéticas dos cromossomos) e transplantados.

O que posso esperar das vacinas contra a gripe nas crianças?

As vacinas contra gripe têm um excelente histórico de segurança. Centenas de milhões de brasileiros receberam vacinas contra a gripe com segurança nos últimos 40 anos, além de extensas pesquisas reforçando o seu perfil de segurança. Os efeitos colaterais comuns da vacina contra a gripe são geralmente leves e autolimitados (<72h) e incluem:
• Dor, vermelhidão e/ou inchaço no local da injeção
• Dor de cabeça
• Febre (em geral baixa)
• Náusea
• Dores musculares

Como outras injeções, pode ocasionalmente causar desmaios, especialmente em crianças maiores e adolescentes. Assim como em qualquer vacina, fique atento para condições incomuns como febre alta, alterações de comportamento ou sinais de reação alérgica grave após a vacinação. Reações alérgicas potencialmente fatais são extremamente raras e provavelmente aconteceriam de alguns minutos a algumas horas após a administração da vacina.

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Relator:
Dr. Daniel Jarovsky
Departamento Científico de Imunizações da Sociedade de Pediatria de São Paulo

abril azul - confianca nas vacinas


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Vocês sabem o que é “racha crânio, quebra crânio ou roleta humana”? https://spsp.org.br/voces-sabem-o-que-e-racha-cranio-quebra-cranio-ou-roleta-humana/ Thu, 20 Feb 2020 14:59:20 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3021 Considerada “brincadeira”, o racha crânio, quebra crânio ou roleta humana nada mais é do que um ato violento muito grave, onde a criança ou adolescente é imobilizado, não sabe o que vai acontecer com ele e é empurrado para trás (ou para frente), sem nenhuma proteção.

O que acontece: o corpo vai para o chão, a cabeça e a coluna sofrem um grande impacto com a ocorrência de traumas na cabeça e coluna, que variam de leves a graves – fraturas, sangramentos no couro cabeludo, na face, no cérebro, coma, convulsões, paralisias e até incapacitações permanentes.

O horror e o absurdo dessa situação é tal que, crianças e adolescentes são estimulados ou estimulam seus iguais a praticar uma forma de violência, muitas vezes filmada e divulgada nas redes sociais, que pode causar lesões gravíssimas e sequelas, quando não a morte!

krakenimages | depositphotos.com

Como crianças e adolescentes podem crer que causar dano e dor ao outro é divertido? E como estes atos cruéis, covardes e agressivos se propagam com tanta rapidez?


Essa tragédia não pode ser considerada uma forma de brincar, uma vez que nela está embutida uma agressão muito séria e, se ocorrerem lesões graves e morte, isso é considerado homicídio, com consequente responsabilização civil e criminal. Se os agressores forem menores de idade, seus responsáveis também terão de responder na Justiça.

É preciso que toda a sociedade, URGENTEMENTE, adote medidas para coibir essa violência e impeça que continue a acontecer!

Leia a nota de alerta, divulgada pela Sociedade Brasileira de Pediatria: Alerta Urgente! Roleta Humana ou Quebra Crânio.

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Relatora:
Dra. Renata Waksman
Vice-presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Coordenadora do blog Pediatra Orienta da SPSP para a Voz do Blog



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Síndrome respiratória pelo novo Coronavírus (2019n-CoV): o que precisamos saber? https://spsp.org.br/sindrome-respiratoria-pelo-novo-coronavirus-2019n-cov-o-que-precisamos-saber-2/ Fri, 07 Feb 2020 17:59:27 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3002 Os coronavírus (CoVs) são conhecidos desde a década de 60 e têm esse nome porque lembram uma coroa (corona, em latim). Acometem principalmente crianças na sua forma mais habitual e são associados a quadros variados, mais comumente infecções do trato respiratório superior (resfriado comum), mas também do trato respiratório inferior (bronquiolite, pneumonia).

Alguns CoVs originam-se de infecções em animais e, quando transmitidos ao ser humano, causam epidemias e pandemias, com infecções potencialmente muito graves e altas taxas de letalidade.

O primeiro CoV sobre o qual temos conhecimento, e que determinou grande epidemia, ocorreu entre 2002 e 2003, com origem na China (província de Guangdong) e foi conhecido como SARS-CoV por causar uma síndrome respiratória aguda grave, apresentando quadro similar ao Influenza grave, com insuficiência respiratória aguda e progressiva. Nessa época, foram confirmados 8.096 casos em 29 países, com letalidade próxima a 10%. A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o fim da epidemia em julho de 2003.

Em 2012, outro CoV causou nova epidemia, o MERS-CoV ou síndrome respiratória do Oriente Médio, com identificação inicial na península Arábica, atingindo África e Ásia, e teve o Dromedário como hospedeiro intermediário entre o ser humano e o morcego. Ocorreram 2.494 casos, com 858 mortes (letalidade de 35%) em 27 países.

Em 31 de dezembro de 2019, a China fez um alerta para OMS quanto a casos de pneumonia de etiologia desconhecida na cidade de Wuhan, província de Hubei. Em 7 de janeiro de 2020, autoridades chinesas identificaram um novo tipo de CoV. A partir daí, convivemos com nova epidemia de um novo vírus: o 2019-nCoV. Estudos mostram que, muito provavelmente, esse vírus é proveniente dos morcegos e se iniciou em um mercado de animais silvestres em Wuhan, na China. A transmissão ocorreu pela aspiração das partículas virais provenientes das fezes de morcego no mercado, com casos iniciais em frequentadores do mercado. Rapidamente o vírus disseminou-se em Wuhan, em seguida por outras cidades chinesas, Tailândia, Japão, chegando a 24 países em um mês, mostrando a transmissão interpessoal.

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Situação atual

Até 4 de fevereiro de 2020, a OMS registrou 20.647 casos confirmados de infecção pelo 2019-nCoV, com 426 óbitos (425 na China e um nas Filipinas), em 25 países (2,07% de letalidade). Importante ressaltar que essa é a letalidade dos casos diagnosticados, que são aqueles sintomáticos. Possivelmente, muitos casos podem ser assintomáticos ou ter apenas sintomas leves, o que diminuiria a letalidade. Apesar de menor mortalidade que as outras epidemias por CoV, percebe-se uma capacidade maior de transmissibilidade, ou seja, contágio de transmissão entre seres humanos aparentemente mais consistente. Ainda não observamos transmissão sustentada fora da China (entre seres humanos), mas esta parece ser possível, já tendo ocorrido no Vietnã e na Alemanha.

Características importantes

  1. 70% dos casos de 2019-nCoV ocorreram no sexo masculino;
  2. Não há casos de pneumonia relatados em menores de 15 anos;
  3. Até o presente momento, todos os casos diagnosticados têm relação com viagem à China ou com contato de alguém que esteve na China.

O Ministério da Saúde, no Brasil, tem realizado monitoramento diário da situação do 2019-nCoV junto à Organização Mundial da Saúde, que acompanha o assunto desde as primeiras notificações, em 31 de dezembro de 2019. Já foram notificados alguns casos suspeitos, mas nenhum confirmado até o momento.

Manifestações clínicas

As manifestações clínicas observadas são muito semelhantes às das epidemias anteriores e compreendem: febre, tosse, mialgia (dor muscular), fadiga, com uma parte dos casos evoluindo com pneumonia e insuficiência respiratória. É fundamental lembrarmos que casos leves e até assintomáticos podem ocorrer, como observamos com os demais vírus respiratórios.

Os indivíduos com idade nos extremos da vida, predominantemente acima de 60 anos, comorbidades, tratamento imunossupressor ou doenças pulmonares são os mais propensos a desenvolverem o quadro grave.

O tempo entre a exposição ao vírus e o início da doença (período de incubação) ainda é incerto, mas estima-se de 2 a 14 dias – segundo a agência americana CDC (Centers for Disease Control and Prevention) – e 2 a 10 dias, de acordo com a OMS. Alguns estudos já demonstraram que a transmissão do vírus ocorre antes do início dos sintomas. Também não se sabe até o momento se um indivíduo pode ser infectado mais de uma vez.

Diagnóstico

O diagnóstico do 2019-nCoV é feito com a coleta de materiais respiratórios. É necessária a coleta de duas amostras na suspeita do Cov. As duas amostras serão encaminhadas com urgência para o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen).

É importante considerar a possibilidade do quadro respiratório febril ser causado por outro vírus respiratório e, sempre que possível, deve-se incluir na avaliação diagnóstica a pesquisa desses vírus, principalmente Influenza e Vírus Sincicial Respiratório (VSR).

Definição de caso suspeito

Com a amplitude da região de risco – toda a China – pessoas vindas dessa localidade nos últimos 14 dias e que apresentem febre e sintomas respiratórios podem ser consideradas como casos suspeitos.

Neste momento, segundo o Ministério da Saúde (MS), três situações definem um caso suspeito. Veja no quadro abaixo:

Situação 1 Situação 2 Situação 3
Febre E pelo menos um sinal ou sintoma respiratório (tosse, dificuldade para respirar) histórico de viagem para área com transmissão local, de acordo com a OMS, nos últimos 14 dias anteriores ao aparecimento dos sinais ou sintomas; OU Febre E pelo menos um sinal ou sintoma respiratório (tosse, dificuldade para respirar) histórico de contato próximo de caso suspeito para o coronavírus nos últimos 14 dias anteriores ao aparecimento dos sinais ou sintomas; OU Febre OU pelo menos um sinal ou sintoma respiratório (tosse, dificuldade para respirar) E contato próximo de caso confirmado de coronavírus em laboratório nos últimos 14 dias anteriores ao aparecimento dos sinais ou sintomas.

Os casos suspeitos devem ser mantidos em isolamento enquanto houver sinais e sintomas clínicos. Casos descartados laboratorialmente, independente dos sintomas, podem ser retirados do isolamento.

Tratamento

Ainda não existem medicamentos para o tratamento da infecção pelo CoV e antibióticos não são efetivos. E ainda não há vacina desenvolvida para o 2019 n-CoV. As medidas de suporte, como hidratação, alimentação adequada, oxigenação e suporte ventilatório, além de repouso, são, até o momento, as únicas eficazes para o tratamento.

Medidas de prevenção

O Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o 2019 n-CoV. Entre as medidas estão: 

  • evitar contato próximo com pessoas que sofrem de infecções respiratórias agudas;
  • realizar lavagem frequente das mãos, especialmente após contato direto com pessoas doentes ou com o meio ambiente;
  • utilizar lenço descartável para higiene nasal;
  • cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir;
  • evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca;
  • higienizar as mãos após tossir ou espirrar;
  • não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;
  • manter os ambientes bem ventilados;
  • evitar contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas da doença;
  • evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações;
  • viagens para a China devem ser realizadas apenas em casos de extrema necessidade; 
  • um importante lembrete: surtos epidêmicos apresentam um número razoável de infecções em pessoas, portanto os cuidados de proteção são imprescindíveis.

Profissionais de saúde devem utilizar medidas de precaução padrão, de contato e de gotículas (máscara cirúrgica, luvas, avental não estéril e óculos de proteção).

Todos os casos devem ser notificados imediatamente.

Relatores:
Dra. Flavia J. de Almeida
Dra. Marcelo Otsuka
Dr. Eitan N. Berezin
Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo.



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Fevereiro Safira: pelo futuro das crianças https://spsp.org.br/fevereiro-safira-pelo-futuro-das-criancas/ Mon, 03 Feb 2020 18:44:23 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=2997 A campanha Fevereiro Safira – Primeiros mil dias: pelo futuro das crianças tem o objetivo de conscientizar a população em geral e a comunidade médica sobre a importância dos cuidados com a criança na fase que tem implicações para a vida toda. O termo ‘mil dias’ faz referência às 40 semanas de gestação (270 dias) somadas aos dois primeiros anos de vida (730 dias), período fundamental para que a criança possa atingir o seu potencial máximo de crescimento e desenvolvimento.

Nos mil dias, ocorre um crescimento acelerado, tanto físico quanto do sistema nervoso (cerca de 80% do cérebro se desenvolve nesse período), por isso a importância dos nutrientes e estímulos adequados para o favorecimento da saúde e desenvolvimento cognitivo/emocional da criança para a vida adulta.

Após o nascimento, é fundamental levar o bebê a um pediatra para acompanhar o crescimento e estimular a amamentação – exclusiva até o sexto mês de vida e somada à alimentação complementar até os dois anos. O leite materno é fundamental para assegurar a boa nutrição da criança, uma vez que se trata do alimento que melhor atende às suas necessidades nutricionais.

Além disso, os cuidados durante o pré-natal são imprescindíveis. Nessa fase, é necessário assegurar à mulher o controle de saúde e nutrição adequada durante a gestação e lactação.

Confira abaixo, a transmissão ao vivo via Facebook realizada pela Sociedade de Pediatria de São Paulo com o tema A importância dos primeiros mil dias na vida da criança: a janela de oportunidades na construção da saúde futura e capital humano.

https://www.facebook.com/sociedadespsp/videos/2629901013912508/
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Dezembro Vermelho: prevenção de acidentes na infância e adolescência https://spsp.org.br/dezembro-vermelho-prevencao-de-acidentes-na-infancia-e-adolescencia-3/ Mon, 02 Dec 2019 13:31:51 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=2985 “Temos a tendência de achar que acidente é todo aquele fato inesperado e inevitável. No entanto, muitos acidentes podem ser evitados, especialmente porque algumas situações que aumentam exponencialmente o risco dessas ocorrências são conhecidas”. A declaração do coordenador de Campanhas da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), Claudio Barsanti, nos faz refletir sobre a necessidade de estarmos atentos e adotarmos medidas eficazes no sentido de proteger crianças e adolescentes. A SPSP incluiu essa temática em seu calendário de campanhas justamente por entender que o pediatra é imprescindível no papel de alertar pais, familiares e responsáveis sobre situações de risco para bebês, crianças e adolescentes e, dessa forma, orientá-los para que possam evitar situações perigosas. “Um exemplo muito bom é a importância do adequado armazenamento de medicamentos, produtos de limpeza ou tóxicos, que devem ser guardados em locais seguros, onde a criança não tenha acesso. Assim, será possível evitar uma ingestão indevida que pode ocasionar um grave dano”, adverte Barsanti. A coordenadora da campanha Dezembro Vermelho: prevenção de acidentes na infância e adolescência, Tânia Zamataro, lembra que acidentes estão entre as principais causas de morbidade e mortalidade na infância e adolescência no mundo. “No Brasil, os acidentes são a principal causa de morte de crianças entre 1 e 14 anos. Dados do Ministério da Saúde de 2017 (DATASUS) apontam quase 3.700 mortes nessa faixa etária e aproximadamente 115.000 internações, além de sequelas nos sobreviventes (a cada morte, quatro crianças apresentarão sequelas). Esses dados corroboram o imenso impacto econômico que esses acidentes causam ao País, além de seu efeito devastador sobre as famílias”, ressalta Tânia. A coordenadora acrescenta ainda que o termo “lesões não intencionais”, no lugar de “acidentes”, fornece uma ideia melhor do quanto a prevenção é determinante para diminuir as ocorrências. “Acidentes de trânsito, afogamento, sufocação, queimaduras, quedas e intoxicações lideram as causas de lesões não intencionais. As intervenções preventivas são as medidas mais eficazes para evitar, ou ao menos diminuir, os riscos de lesões”, diz a pediatra, que pontua também atitudes que podem fazer toda a diferença, mesmo após a ocorrência. Prevenção primária: Evitar a ocorrência da lesão, tornando inacessível tudo o que pode oferecer algum risco ou perigo. Exemplos: eliminar pequenas partes dos brinquedos de bebês; guardar venenos, inseticidas e outros produtos perigosos em locais seguros e altos, fora do alcance das crianças. Prevenção secundária: Reduzir ou eliminar o perigo potencial reduz a severidade na ocorrência da lesão. Exemplos: uso de capacetes ao andar de bicicleta e patins, uso da cadeirinha e cintos de segurança em veículos. Prevenção terciária: Após a ocorrência da lesão, buscar tratamento médico efetivo. Exemplo: levar ao pronto-socorro imediatamente para receber atendimento médico e reabilitação apropriada.]]>

“Temos a tendência de achar que acidente é todo aquele fato inesperado e inevitável. No entanto, muitos acidentes podem ser evitados, especialmente porque algumas situações que aumentam exponencialmente o risco dessas ocorrências são conhecidas”. A declaração do coordenador de Campanhas da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), Claudio Barsanti, nos faz refletir sobre a necessidade de estarmos atentos e adotarmos medidas eficazes no sentido de proteger crianças e adolescentes.

A SPSP incluiu essa temática em seu calendário de campanhas justamente por entender que o pediatra é imprescindível no papel de alertar pais, familiares e responsáveis sobre situações de risco para bebês, crianças e adolescentes e, dessa forma, orientá-los para que possam evitar situações perigosas. “Um exemplo muito bom é a importância do adequado armazenamento de medicamentos, produtos de limpeza ou tóxicos, que devem ser guardados em locais seguros, onde a criança não tenha acesso. Assim, será possível evitar uma ingestão indevida que pode ocasionar um grave dano”, adverte Barsanti.

dezembro vermelho

A coordenadora da campanha Dezembro Vermelho: prevenção de acidentes na infância e adolescência, Tânia Zamataro, lembra que acidentes estão entre as principais causas de morbidade e mortalidade na infância e adolescência no mundo. “No Brasil, os acidentes são a principal causa de morte de crianças entre 1 e 14 anos. Dados do Ministério da Saúde de 2017 (DATASUS) apontam quase 3.700 mortes nessa faixa etária e aproximadamente 115.000 internações, além de sequelas nos sobreviventes (a cada morte, quatro crianças apresentarão sequelas). Esses dados corroboram o imenso impacto econômico que esses acidentes causam ao País, além de seu efeito devastador sobre as famílias”, ressalta Tânia.

A coordenadora acrescenta ainda que o termo “lesões não intencionais”, no lugar de “acidentes”, fornece uma ideia melhor do quanto a prevenção é determinante para diminuir as ocorrências. “Acidentes de trânsito, afogamento, sufocação, queimaduras, quedas e intoxicações lideram as causas de lesões não intencionais. As intervenções preventivas são as medidas mais eficazes para evitar, ou ao menos diminuir, os riscos de lesões”, diz a pediatra, que pontua também atitudes que podem fazer toda a diferença, mesmo após a ocorrência.

Prevenção primária: Evitar a ocorrência da lesão, tornando inacessível tudo o que pode oferecer algum risco ou perigo. Exemplos: eliminar pequenas partes dos brinquedos de bebês; guardar venenos, inseticidas e outros produtos perigosos em locais seguros e altos, fora do alcance das crianças.

Prevenção secundária: Reduzir ou eliminar o perigo potencial reduz a severidade na ocorrência da lesão. Exemplos: uso de capacetes ao andar de bicicleta e patins, uso da cadeirinha e cintos de segurança em veículos.

Prevenção terciária: Após a ocorrência da lesão, buscar tratamento médico efetivo. Exemplo: levar ao pronto-socorro imediatamente para receber atendimento médico e reabilitação apropriada.

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Campanha Novembro Prateado – Direitos das crianças e adolescentes: somos todos iguais! https://spsp.org.br/campanha-novembro-prateado-direitos-das-criancas-e-adolescentes-somos-todos-iguais-2/ Fri, 01 Nov 2019 18:21:12 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2967 A Campanha Novembro Prateado – Direitos das crianças e adolescentes: somos todos iguais! da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) tem o compromisso de proteger e zelar pelos direitos dos nascituros, crianças e adolescentes, muitas vezes esquecidos e desrespeitados.

Segundo Claudio Barsanti, coordenador da campanha, mesmo tendo alguém que responda por seus direitos e deveres, crianças e adolescentes podem ser expostos a situações de risco. “Embora estejam sob a tutela de um adulto responsável, esses direitos não pertencem aos pais, mas aos filhos. Por isso é muito importante que não só a SPSP, mas a comunidade em geral e também o Estado, atentem para situações nas quais os responsáveis possam, de alguma forma, trazer prejuízo à criança ou adolescente”.

Um exemplo bastante atual é o problema da recusa vacinal – quando os pais ou responsáveis, seja por uma questão ideológica, religiosa ou qualquer outro motivo, deixam de vacinar seus filhos. “Essa criança não opinou se ela quer ser ou não vacinada, até porque não tem discernimento e não conhece os benefícios da vacinação. Mas, pela falta das vacinas, ela fica exposta ao risco de contrair alguma doença que pode ocasionar sequelas graves e até morte. É só observarmos o atual aumento expressivo nos casos de sarampo”, alerta Barsanti.

Nesse sentido, o pediatra ressalta a importância de órgãos e instituições dispostos a lutar pelos direitos das crianças e adolescentes a fim de protegê-los. “Mediante certas situações, não podemos deixar de atuar em benefício dessa faixa etária no sentido de evitar um risco ao qual muitas vezes esse grupo está exposto”, completa.

Objetivos e ações

O objetivo da campanha Novembro Prateado não é apenas chamar a atenção da população para a preservação dos direitos das crianças e adolescentes, mas também de criar mecanismos de defesa que garantam esses direitos desde o nascimento até a entrada na vida adulta. “É fundamental que os pediatras tenham conhecimento básico de algumas leis, uma vez que é obrigatório no exercício da profissão notificar qualquer suspeita de maus tratos, abuso ou agressão”, afirma Barsanti.

Aliás, esse não é um dever apenas do médico. “Qualquer pessoa que desconfie de maus tratos e violência deve denunciar. Por isso a campanha é direcionada a todos os profissionais que atuam com essa faixa etária e também à população em geral, porque zelar pelo bem de crianças e adolescentes é dever de todos”, destaca o pediatra.

A SPSP fará reuniões multiprofissionais e multidisciplinares, com a presença de pediatras, juristas, representantes do Ministério Público, do Legislativo, além de outros profissionais, para discutir a manutenção dos direitos das crianças e adolescentes e as dificuldades relacionadas a essa questão, no intuito de encontrar soluções e propor atuações conjuntas.

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