Pais – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Mon, 01 Jun 2026 19:52:00 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Pais – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Vamos falar de cigarro? De novo? https://spsp.org.br/vamos-falar-de-cigarro-de-novo/ Mon, 01 Jun 2026 19:43:24 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57270 ]]>

Mãe de adolescente sabe bem: a rotina nunca é fácil. Naquela manhã, ela acordou com pressa e com a sensação de que o tempo voava. Ao entrar no quarto da filha – que acabara de sair para a escola –, tentou apenas minimizar a bagunça diária. Como de costume, entrar ali parecia uma visita a uma loja de departamentos (não faltam piadas sobre isso): saía sempre carregando duas canecas, um copo, uma calça e três moletons espalhados. Ao recolher a bolsa usada na festa do fim de semana, que estava aberta em um canto, veio a surpresa: no fundo, encontrava-se um maço de cigarros aberto. Era daquela marca antiga, que ela mesma usava para fazer piada, lembrando dos tios fumando na sua infância. Que situação inesperada! O que fazer? A primeira reação, movida pelo impulso, era a de buscar a filha na escola naquele exato momento para confrontá-la (na verdade, queria tomar uma atitude bem brusca!).

Embora essa seja uma cena fictícia, ela ilustra uma realidade enfrentada por algumas famílias. O tabaco continua sendo uma das substâncias de abuso mais frequentes em nosso meio. Estatísticas brasileiras apontam para um aumento explosivo no consumo de nicotina por meio de dispositivos eletrônicos, os famosos vapes. No entanto, muitos adolescentes ainda recorrem aos cigarros convencionais e a alternativas que ganharam espaço, como os cigarros de palha (na moda em algumas festas da moçada).

Esse consumo tende a crescer conforme a idade avança e, como já destacado em publicações anteriores do nosso departamento, é fortemente influenciado pelo grupo social em que o jovem se insere. O desejo de pertencimento muitas vezes diminui o julgamento crítico.

A partir do momento da descoberta, o que fazer?

Não existe uma receita mágica, mas algumas estratégias podem ajudar os pais:

  1. manter um diálogo aberto – a proibição isolada ou a punição raramente mudam o comportamento; pelo contrário, podem afastar o jovem e criar uma cultura de segredos);
  2. conhecer o entorno do seu filho – saiba quem são os amigos, quais são os seus espaços de convivência e participe ativamente da sua rotina),
  3. apoiar em vez de punir – pais acolhedores e que compreendam a raiz do problema, deixando os julgamentos de lado;
  4. monitorar o universo digital – o adolescente de hoje é hiperconectado. A publicidade do tabaco não está mais na TV aberta, mas camuflada em plataformas de streaming, redes sociais e influenciadores digitais;
  5. conversar abertamente sobre o que eles consomem na internet.

 

Além disso, fortaleça a parceria com a escola: as instituições de ensino podem adotar o conceito de “campus saudável”, fiscalizando o uso de substâncias em seus perímetros, e capacitando professores para identificar sinais de vulnerabilidade. Pais e escolas devem formar uma rede única de apoio. Cada um fazendo a sua parte.

Descobrir que um filho adolescente está fumando pode evocar sentimentos de falha, medo e frustração. Contudo, esse momento crítico deve ser transformado em uma oportunidade de aproximação e não de ruptura. O combate ao tabagismo jovem não se faz na força da autoridade, mas sim no vínculo familiar. Ao substituir o confronto pelo acolhimento e a punição pela informação, os pais conseguem desarmar o adolescente. Proteger essa geração exige presença ativa, escuta atenta e a construção de uma rede de cuidado que envolva a família, a escola e a sociedade. Afinal, educar dá trabalho, mas é sinônimo de afeto.

 

Relatora:
Ana Paula Pascalicchio Bertozzi
Membro do Núcleo de Estudos do Combate ao Uso de Drogas da SPSP

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Crianças desaparecidas: histórias interrompidas e famílias na espera https://spsp.org.br/criancas-desaparecidas-historias-interrompidas-e-familias-na-espera/ Mon, 25 May 2026 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57157 ]]>

O Dia Internacional de Crianças Desaparecidas, em 25 de maio, deve ser lembrado constantemente: desaparecimento de crianças não pode ser invisível. Estima-se que mais de 1 milhão de crianças e adolescentes desapareçam anualmente no mundo e cerca de 10% jamais serão encontrados, embora a subnotificação e a ausência de sistemas integrados de registro dificultem a precisão desses dados.

No Brasil, o problema também é expressivo: cerca de 20 a 25 mil ocorrências anuais envolvem crianças e adolescentes, o que corresponde a aproximadamente um terço dos desaparecimentos no país.

Os principais fatores relacionados aos desaparecimentos são: o sequestro parental, as fugas de casa, o tráfico de pessoas e os conflitos, sendo a maioria dos casos por disputas familiares ou fugas de casa.

Dentre os fatores de risco estão vulnerabilidade social, violência doméstica, negligência, uso de substâncias na família, histórico de evasão escolar e exposição a ambientes digitais sem supervisão. Nas crianças menores predominam episódios de perda/desorientação ou falhas na supervisão; nos adolescentes, as “fugas” podem estar associadas a conflitos familiares ou situações de violência.

As crianças desaparecidas podem ser categorizadas em sete situações:
– as que fogem e que estão em situação de risco (nacionais ou internacionais);

– as que são sequestradas por familiar(es) – por um dos pais ou familiar sem o consentimento de todos os seus responsáveis legais;

– as sequestradas por parente para o exterior (por um de seus pais ou responsáveis legais, contra a vontade do outro pai ou responsável legal);

– crianças que se perdem, que se ferem ou que desaparecem por razões desconhecidas ou indeterminadas;

– menores que são abandonados – sem um adulto legalmente responsável por elas;

– as que são sequestradas por terceiros (sequestro não familiar) – por indivíduos que não os pais ou responsáveis legais e

– menores migrantes desacompanhados desaparecidos – de um país sem livre circulação de pessoas, que foram separadas de ambos os pais e não têm os cuidados de um adulto responsável.

Uma parcela significativa é localizada, especialmente quando a notificação é imediata – o que reforça a importância da resposta rápida.

No Brasil, não é necessário aguardar 24 horas para registrar ocorrência; a comunicação precoce às autoridades aumenta significativamente as chances de localização. Deve-se fornecer informações atualizadas (descrição física, roupas, locais frequentados, contatos) e mobilizar redes formais e comunitárias. Sistemas de alerta, integração entre bancos de dados e capacitação das equipes são estratégias reconhecidas para otimizar a busca.

A prevenção, por sua vez, depende de ações contínuas e coordenadas. No âmbito familiar, inclui supervisão adequada, fortalecimento de vínculos, educação para segurança (inclusive digital), orientação sobre riscos e estímulo ao diálogo. Nas escolas e serviços de saúde, é fundamental identificar precocemente sinais de vulnerabilidade e violência, com encaminhamento oportuno. Em nível estrutural, políticas públicas devem priorizar proteção social, combate à violência, rastreabilidade de casos, interoperabilidade de sistemas e campanhas de conscientização.

Propostas não faltam: um projeto de lei do senador Flávio Arns (PSB-PR) sugere medidas para aperfeiçoar as buscas por pessoas desaparecidas, entre elas, a criação de delegacias especializadas (PL 5952/2025). Outro projeto é o da criação do “Alerta Pri” (criado para lembrar a história de Priscila Belfort, irmã do lutador Vitor Belfort), para que empresas de telefonia enviem alertas imediatos para celulares da região sobre o desaparecimento de criança, adolescente, idoso ou pessoa com deficiência (PL 3543/2025).

Mais do que uma data, este dia é um chamado à responsabilidade coletiva: prevenir, proteger e agir. Que nunca nos falte vigilância, empatia e compromisso para garantir que toda criança tenha seu direito fundamental à segurança e ao cuidado preservado.

 

Relatora:

Renata D Waksman
Vice-Presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Presidente do Núcleo de Estudos da Violência contra a Criança e o Adolescente da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Reflexões para uma formação integral https://spsp.org.br/reflexoes-para-uma-formacao-integral/ Tue, 28 Apr 2026 19:15:03 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=56689 ]]>

No Dia Mundial da Educação, celebrado em 28 de abril, é essencial repensar o papel da família e da escola na formação das crianças.

  • Primeiro, a terceirização da educação dos filhos para as escolas sobrecarrega essas instituições, transferindo responsabilidades primordiais dos pais. Famílias devem retomar o protagonismo, complementando o aprendizado escolar com diálogos diários e valores éticos, promovendo uma educação holística. O envolvimento familiar na educação é fundamental.
  • Segundo, o uso excessivo de telas e dispositivos eletrônicos deteriora o padrão de atenção infantil. Estudos mostram que exposições prolongadas reduzem a capacidade de foco sustentado, aumentando riscos de TDAH e ansiedade. Pais e educadores precisam limitar o tempo de tela, incentivando brincadeiras ao ar livre e interações presenciais para restaurar a atenção plena. O contato com a natureza deve também ser estimulado nas escolas e nas residências.
  • Terceiro, a Inteligência Artificial (IA) revoluciona o ensino-aprendizagem, personalizando conteúdos e auxiliando diagnósticos pedagógicos. No entanto, exige regulação para evitar dependência excessiva, desigualdades digitais e perda de criatividade humana. Como pediatras e educadores, devemos buscar integrar a IA de forma ética, equilibrando inovação com desenvolvimento emocional, tarefa bem complexa e que exige a contribuição de todos (pais, professores e responsáveis).

Que este dia inspire ações coletivas por uma educação equilibrada e humanizada!

 

Relator:
Fausto Flor Carvalho
Vice-Presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da SPSP
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Evolução nos cuidados e tratamentos da hemofilia https://spsp.org.br/evolucao-nos-cuidados-e-tratamentos-da-hemofilia/ Fri, 17 Apr 2026 18:53:37 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=56476 ]]>

Aproveitamos o Dia Internacional da Hemofilia, que acontece no dia 17 de abril, para falar um pouco sobre essa doença, como identificá-la e dar algumas dicas aos pais e cuidadores de crianças e adolescentes.

A hemofilia é uma doença genética que afeta a capacidade do sangue de coagular corretamente. Isso acontece porque a pessoa nasce com falta ou deficiência de algumas proteínas, chamadas “fatores de coagulação”, que são essenciais para estancar sangramentos. Quando há falta do fator VIII, chamamos de hemofilia A, e do fator IX, de hemofilia B. Por causa dessa deficiência de fator, pequenos machucados podem sangrar por mais tempo que o normal e podem ocorrer sangramentos internos e espontâneos, especialmente nas articulações e músculos, mesmo sem trauma evidente.

Para quem convive com a hemofilia, alguns cuidados no dia a dia ajudam a prevenir complicações e dar mais segurança ao paciente. É importante manter acompanhamento regular com um serviço especializado e seguir corretamente o tratamento prescrito.

Em casa, vale adaptar o ambiente para reduzir riscos de quedas e traumas, principalmente para crianças pequenas, como a colocação de tapetes antiderrapantes e criar proteção em cantos, além de incentivar o uso de equipamentos de proteção em atividades físicas, como capacete, joelheira e cotoveleira, entre outros.

Pais e cuidadores devem estar sempre atentos a sinais de sangramento. Deve-se seguir o plano previamente combinado com seu hematologista e procurar atendimento precoce em casos de inchaço, dor ou limitação de movimento nas articulações. Em casos de traumas mais graves ou na cabeça, sempre é necessário ser avaliado por um médico.

É fundamental informar a escola e outros responsáveis sobre a condição da criança e como agir em caso de sangramento, tendo um plano de ação para emergências e acesso rápido ao fator de coagulação.

Deve-se evitar medicamentos que aumentam o risco de sangramento, como anti-inflamatórios (por exemplo, o ibuprofeno) e antiagregantes (como o AAS), e manter as vacinas em dia (realizar preferencialmente por via subcutânea em centro de referência).

Ao longo dos últimos 100 anos, o tratamento da hemofilia evoluiu de forma extraordinária, transformando uma condição frequentemente fatal na infância em uma doença crônica com boa qualidade de vida.

No Brasil, desde o início e até hoje, todos os cuidados e tratamentos necessários são fornecidos pelo SUS. No início do século XX, as opções eram limitadas a transfusões de sangue total ou plasma, com eficácia restrita e muitas complicações. A partir da década de 1960, a introdução dos concentrados de fator de coagulação revolucionou o manejo, permitindo tratamento mais direcionado, embora tenha sido marcada, nas décadas seguintes, por complicações graves, como a transmissão de vírus (principalmente HIV e hepatites) através dos hemoderivados. Com o avanço das técnicas de purificação e o desenvolvimento de fatores recombinantes nas décadas de 1980 e 1990, a segurança aumentou significativamente.

Atualmente, seu tratamento é feito principalmente com a reposição do fator de coagulação que falta, aplicado na veia, seja para tratar sangramentos ou para preveni-los de forma regular – a profilaxia regular tornou-se padrão de cuidado, prevenindo sangramentos e sequelas articulares.

Mais recentemente, no início de 2026, uma nova medicação foi incorporada para uso em crianças abaixo de seis anos com hemofilia A grave: o emicizumabe, que é um medicamento aplicado de forma subcutânea, com menor frequência e que ajuda a “substituir” a função do fator VIII. Ele tem se mostrado muito eficaz na prevenção de sangramentos, inclusive em pacientes com formas mais complexas da doença, tornando o tratamento mais prático e melhorando a qualidade de vida dessas crianças.

Ainda há espaço para avanços no tratamento, principalmente para os pacientes com hemofilia B. A área continua evoluindo rapidamente, com perspectivas promissoras de novos tratamentos, como as terapias de reequilíbrio da coagulação e a terapia gênica, que podem transformar ainda mais o tratamento no futuro.

Relatora:

Julia L. Sion
Hematologista Pediátrica do Hospital Infantil Sabará e do Hemocentro do Hospital das Clínicas da FMUSP-SP
Membro do Departamento Científico de Hematologia e Hemoterapia da SPSP

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Alerta aos pais, familiares e adolescentes: cigarros eletrônicos (vapes e pods) não são inofensivos https://spsp.org.br/alerta-aos-pais-familiares-e-adolescentes-cigarros-eletronicos-vapes-e-pods-nao-sao-inofensivos/ Wed, 11 Mar 2026 18:52:51 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=55414 Hoje, com o uso cada vez mais comum dos cigarros eletrônicos, muitos jovens – e também seus pais – estão começando a perceber algo]]>

Hoje, com o uso cada vez mais comum dos cigarros eletrônicos, muitos jovens – e também seus pais – estão começando a perceber algo preocupante: a forte dependência de nicotina que esses dispositivos causam. Há adolescentes que já não conseguem assistir a uma aula inteira sem sair da sala para “vaporizar”, ou que usam escondido no fundo da classe, já que a fumaça quase não tem cheiro. Muitos dizem que não fumam – apenas “vaporizam”. Mas o efeito no corpo é real e perigoso.

Esses aparelhos contêm altas doses de nicotina, uma substância que causa vício rapidamente, além de diversos produtos químicos tóxicos que prejudicam os pulmões, o coração e o cérebro – especialmente em crianças e adolescentes, que ainda estão em desenvolvimento.

Quem usa vape pode ter de cinco a seis vezes mais nicotina no sangue do que quem fuma o cigarro tradicional. Com isso, a dependência é maior e parar se torna muito mais difícil.

Esse fenômeno não é por acaso. Existe um marketing bem planejado de uma indústria que aumentou a concentração de nicotina e criou sabores doces e agradáveis para atrair cada vez mais jovens, formando consumidores por muitos anos. Os sabores de frutas, menta e doces facilitam o início do uso e passam a falsa ideia de algo inofensivo. É importante reforçar: vape não é vapor de água! É um aerossol cheio de substâncias prejudiciais, incluindo metais pesados, produtos cancerígenos e compostos que podem causar inflamações graves nos pulmões.

Esses dispositivos foram divulgados como uma alternativa “menos prejudicial”, mas já se sabe que podem causar doenças pulmonares graves e precoces, tão sérias quanto problemas conhecidos, como o enfisema. Além disso, muitas informações falsas circulam nas redes sociais, minimizando os riscos e incentivando o uso entre adolescentes.

Outro ponto preocupante é quando adultos acabam normalizando o consumo – seja usando vape junto com os filhos ou tratando isso como algo sem perigo. O exemplo dentro de casa tem enorme influência.

Estudos mostram que:
 • Quando os pais fumam, cerca de metade dos filhos tende a repetir o hábito
 • Quando os pais não fumam, esse número cai muito
 O mesmo acontece com o consumo de álcool.

Ou seja, o comportamento da família faz grande diferença.

É verdade que nem todas as pessoas que fumam terão doenças graves, mas o risco existe – e aumenta muito quando há histórico familiar de câncer ou problemas respiratórios. O tabagismo pode multiplicar essas chances.

Muitos jovens começam por curiosidade com amigos, às vezes aos 12 ou 13 anos, e quando os pais percebem, o uso já se tornou diário.

O consumo começa cada vez mais cedo e traz riscos reais à saúde.

Vale a pena correr esse risco?

Cuidar hoje é proteger o futuro.

 

Relatores:

Marina Buarque de Almeida
João Paulo Lotufo
Núcleo de Estudos do Combate ao Uso de Drogas da SPSP

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Como dizer não sem passar vergonha https://spsp.org.br/como-dizer-nao-sem-passar-vergonha/ Thu, 19 Feb 2026 18:20:04 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=55129 Você já fez algo só pra não ficar de fora? Entendo… Medo de ser zoado, de parecer fraco, de perder amigos… A pressão do grupo é comum, mas ceder não é obrigatório. Se você não]]>

Você já fez algo só pra não ficar de fora?

Entendo… Medo de ser zoado, de parecer fraco, de perder amigos…

A pressão do grupo é comum, mas ceder não é obrigatório. Se você não concorda com o que é proposto, não faça. Vergonha não é dizer não: é falar ou fazer algo só para agradar aos outros.

Dizer “não” é habilidade – e pode ser treinada. Vamos lá, então, para algumas dicas de como fazer sem “passar vergonha”!

Primeiro: você não precisa se explicar. Quanto menos justificativas, menos pressão. Responda diretamente:

“Tô fora.”

“Não curto.”

“Hoje não.”

“Vou passar.”

Se houver insistência, use a técnica do disco quebrado:

“Valeu, mas não quero.”
“Sério, não quero.”
“Já falei que não.”

Você pode usar saídas estratégicas, como colocar a culpa nos pais! Funciona bem!!!

“Meus pais são surtados com isso.”

“Se eu chegar com cheiro, tô morto.”

“Minha mãe rastreia meu celular.”

Isso vale também para mudanças de decisões. Se você topou fazer algo e percebe que está errado, que poderá causar problemas para você ou para outras pessoas, recue!

Não é pagar mico ou ser fraco. Pior do que mudar de ideia é fazer algo que você não queira ou não ache certo. Ser forte, ter personalidade, é saber sair de uma situação que não combina com você.

Lembre-se que você tem uma vida inteira pela frente. Dizer não, não afasta amigos: afasta problemas! Muitas coisas não serão proibidas pra sempre.
São arriscadas agora. Calma! Divirta-se sem “se fazer mal” e sem fazer mal aos outros!

De olho no vício

 

Relatora:

Tania Zamataro
Presidente do Núcleo de Estudos do Combate ao Uso de Drogas da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Bem-estar mental da criança: um modo de existir, compreender e transformar a realidade https://spsp.org.br/bem-estar-mental-da-crianca-um-modo-de-existir-compreender-e-transformar-a-realidade/ Fri, 10 Oct 2025 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53484 A Organização Mundial da Saúde define saúde mental como um estado de “bem-estar mental que permite à pessoa lidar com o estresse da ]]>

A Organização Mundial da Saúde define saúde mental como um estado de “bem-estar mental que permite à pessoa lidar com o estresse da vida, realizar as suas capacidades, aprender bem e trabalhar bem, e contribuir para a sua comunidade”.* Definir saúde mental, no entanto, não é tarefa fácil, pois para além do resultado produtivo (aprender bem, trabalhar bem e contribuir para a comunidade), ela se relaciona à maneira como as pessoas reagem às adversidades e a sua sensação de bem-estar no mundo.

Quando olhamos para a infância, esse conceito ganha novas nuances, referindo-se ao bem-estar emocional e social, que pode ser observado na maneira como a criança se desenvolve, aprende, relaciona-se com seus pares e familiares e lida com os problemas. A saúde mental da criança não se mede por desempenho ou obediência, mas pela sua capacidade de imaginar, de se expressar e brincar.

O brincar é, para ela, um modo de existir, compreender e transformar a realidade. A criança emocionalmente saudável sente-se segura para explorar o mundo e confia nos adultos que ama. Sabe que será acolhida quando os problemas aparecerem ou quando se sentir triste, com medo ou mesmo com raiva.

Ao nascer, embora já tenhamos uma série de experiências da nossa vida no útero materno, somos seres extremamente frágeis, totalmente dependentes dos cuidados de quem nos acolhe. Nascemos inacabados – e também assim partimos, pois nunca estamos prontos –, e será por meio das interações que vivenciamos que nos constituiremos.

Na nossa fragilidade inicial, entretanto, está nossa potência: nossa diversidade. Nascemos para todas as línguas, para todas as culturas, para todos os ambientes. As interações que experienciamos nos primeiros anos de vida formam caminhos que deixam uma assinatura única no nosso cérebro. Somos seres plurais, mas totalmente singulares – fruto da experiência dos que nos antecederam e do nosso tempo, porém completamente únicos. Nunca, em nenhum outro momento, existirá alguém igual a nós.

Somos seres geneticamente sociais, já dizia Wallon; a interdependência, portanto, não é uma característica apenas da criança. É um pressuposto do humano, aliás do universo.

No dia 10 de outubro, em que se comemora o Dia Mundial da Saúde Mental – no mesmo mês do Dia das Crianças -, desejamos que não falemos sobre doenças mentais, diagnósticos ou riscos. Desejamos que todas as mães e pais confiem na sua potencialidade e menos nas milhares de receitas sobre como criar as crianças, das quais eles, pais, são os maiores conhecedores. Desejamos que todos nós aceitemos que, algumas vezes, as coisas podem não dar certo – e que os erros também são importantes para a saúde mental humana. Desejamos que celebremos as pequenas alegrias, as conexões reais, a beleza da vida.

Que possamos nos encantar com os instantes do cotidiano sem que precisemos fotografá-los e que tenhamos uma imensa gratidão por termos a oportunidade de cuidar das crianças e, pelo menos em alguns momentos, olharmos o mundo com os olhares delas. Que possamos, enfim, “transver” o mundo!

 

Saiba mais:

* OMS, 2022: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/mental-health-strengthening-our-response.

 

Relatora:
Rosa Resegue
Membro do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da SPSP

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Um gesto que transforma a vida! https://spsp.org.br/um-gesto-que-transforma-a-vida/ Sat, 27 Sep 2025 10:45:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53317 ]]>

No dia 27 de setembro celebramos o Dia Nacional da Doação de Órgãos, uma data criada para reforçar a importância desse ato de solidariedade e amor ao próximo. Quando falamos em transplante, pensamos com frequência em adultos, mas é fundamental lembrar que crianças e adolescentes também podem ser doadores e receptores. Para muitos deles, o transplante representa a única chance de viver, crescer e se desenvolver plenamente.

A lista de espera por órgãos no Brasil é longa, e, entre os milhares de pacientes cadastrados, há meninos e meninas em idade escolar, bebês e adolescentes que convivem diariamente com doenças graves do coração, fígado, pulmões ou rins. No caso da nefrologia pediátrica, por exemplo, o transplante renal é o tratamento de escolha para crianças com doença renal crônica em estágio terminal, permitindo uma vida mais próxima do normal do que a terapia dialítica poderia oferecer.

Ao contrário do que muitos pensam, no Brasil a doação de órgãos por crianças e adolescentes de qualquer idade é possível, com a autorização da família após a morte do menor. Isso significa que não basta expressar em vida o desejo de ser doador, mas que também é fundamental conversar abertamente sobre o assunto com os familiares. Esse diálogo pode ser transformador, especialmente quando envolve pais e filhos. Crianças e adolescentes aprendem desde cedo sobre empatia, solidariedade e cidadania quando presenciam seus responsáveis tratando desse tema com clareza e sensibilidade.

No contexto pediátrico, há uma particularidade: pais podem autorizar a doação de órgãos dos filhos menores em situações de morte encefálica confirmada. Trata-se de uma decisão extremamente delicada, mas que pode significar esperança para várias outras crianças e adolescentes. Muitas famílias que aceitaram a doação relatam que esse gesto trouxe conforto diante da dor da perda, por saberem que parte de seu filho continua vivendo em outra criança.

O transplante de órgãos na infância não significa apenas salvar uma vida. Ele representa a possibilidade de ir à escola, brincar, praticar esportes, fazer planos para o futuro. É devolver à infância aquilo que a doença havia limitado. Para os adolescentes, significa retomar o caminho para a vida adulta com maior independência e qualidade de vida. Na nefrologia pediátrica, acompanhamos de perto histórias de crianças que dependiam de sessões frequentes de diálise, com restrições severas na alimentação e no cotidiano. Após o transplante, essas mesmas crianças conseguem brincar, viajar com a família e planejar uma vida mais livre. É difícil imaginar um contraste mais nítido entre a limitação e a possibilidade.

O pediatra, que acompanha a criança desde os primeiros dias de vida, tem um papel fundamental na educação em saúde sobre doação de órgãos. Ele pode orientar pais e responsáveis, esclarecer dúvidas, desmistificar medos e reforçar que a doação é um ato seguro, ético e cercado de critérios médicos rigorosos. Além disso, o pediatra pode ser um elo entre famílias e equipes de transplante, ajudando na identificação precoce de doenças graves que podem evoluir para necessidade de transplante.

Como falar sobre doação de órgãos com crianças e adolescentes? A maneira de abordar o tema deve respeitar a idade e o grau de compreensão da criança: Para os pequenos, podemos falar em linguagem simples, destacando a ideia de que doar é ajudar outra pessoa a ficar bem. Já com os adolescentes, é possível discutir de forma mais direta, incluindo informações sobre cidadania, empatia e responsabilidade social. Essas conversas abrem espaço para formar uma geração mais consciente e solidária.

O Dia Nacional da Doação de Órgãos é uma oportunidade para refletirmos sobre como cada um de nós pode fazer a diferença. Declarar-se doador é um gesto simples, mas com impacto imensurável. No caso das crianças e adolescentes que aguardam na fila, cada doação significa a chance de uma vida inteira pela frente.

Como médicos e cidadãos, temos a responsabilidade de difundir essa mensagem. A doação de órgãos não é apenas um ato de generosidade: é a concretização da esperança. Que possamos, juntos, transformar essa esperança em realidade para milhares de crianças e adolescentes.

 

Relator:

Flavio de Oliveira Ihara
Secretário do Departamento Científico de Nefrologia da SPSP

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O Dia dos Filhos em quatro palavras https://spsp.org.br/o-dia-dos-filhos-em-quatro-palavras/ Tue, 23 Sep 2025 16:14:53 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53283 ]]>

O Dia dos Filhos é celebrado todo dia 23 de setembro. Essa data comemorativa parece um tanto estranha; afinal, todo ser humano é filho (ou filha). Já nasce nessa condição, uma vez que não há vida humana fruto de geração espontânea. Nesse sentido, essa data poderia ser nomeada de ‘Dia do Ser Humano’.

Então, qual é o objetivo dessa comemoração?

A ciência, hoje, nos possibilita gerar descendentes sem que saibamos de que matriz genética o novo ser tenha vindo. As atuais técnicas de inseminação e fertilização garantem o sucesso dessa empreitada. Então, podemos ter filhos (ou filhas) que não sabem quem são seus pais biológicos. Hoje, ainda, necessitamos de um útero de mulher para gerar um novo ser humano. Em teoria e na ficção científica, entretanto, existe a possibilidade de que essa gestação se dê em úteros artificiais. Com o cenário descrito, a figura do(a) genitor(a) pode se tornar confusa e despersonalizada, esmaecendo o protagonismo e o glamour dessa função.

Todos somos filhos(as), porém, nem todos os filhos(as) são pais ou mães.

Uma palavra emerge da ‘desconstrução’ feita acima, neste texto – a palavra CUIDADO. Nossa espécie, diferentemente das outras, não produz descendentes aptos para a vida, plenos para o exercício da sua autonomia. Eles necessitam de cuidados por um período longo até ganharem a sua independência. Outra palavra aflora – DEPENDÊNCIA.

Que ensino, então, deve ser resgatado na data que estamos comemorando?

O que nasce frágil e despreparado necessita de cuidados que devem lhe ser prestados necessariamente, sob o risco de que, em faltando, a vida desse novo ser corre perigo. Há uma relação a ser desenvolvida entre um e outro – o que carece de cuidados e aqueles que os oferecem. Outra palavra surge – RELACIONAMENTO.

Esse relacionamento, entretanto, é um processo peculiar, que deve ser urdido e fundamentado num elemento essencial – AFETO. Essa é mais uma palavra a chamar nossa atenção.

Parece que estas quatro palavras salientadas dão sentido à comemoração deste dia: CUIDADO DEPENDÊNCIA – RELACIONAMENTO – AFETO.

Os filhos são um dom da vida e não uma posse, como bem lembrou o poeta:

“Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas do anelo da Vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora estejam convosco, a vós não pertencem.”¹

Filhos nos constrangem a amar e cuidar, educar sem aprisionar. Eles nos convidam a viver o amor de modo inteiro, mesmo nos gestos pequenos – um abraço, uma conversa, uma presença. Outro poeta já nos havia alertado:

“Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive”²

O Dia dos Filhos tem como objetivo: Valorizar o papel dos filhos na vida familiar; Fortalecer vínculos afetivos entre pais, mães e filhos; Promover momentos de convivência e diálogo dentro da família; Ressaltar a importância do cuidado, da educação e do afeto na relação entre gerações. É, também, uma maneira de incentivar a reflexão sobre os direitos das crianças e adolescentes, aproximando o sentido da comemoração do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

 

Saiba mais:

  1. O profeta. Khalil Gibran, 1923.
  2. Odes (reunidas na edição de Poemas de Ricardo Reis, 1946. (Fernando Pessoa utilizou nessa obra um de seus heterônimos.)

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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O paradoxo das redes sociais x solidão https://spsp.org.br/o-paradoxo-das-redes-sociais-x-solidao/ Mon, 30 Jun 2025 16:38:02 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52035 Os novos meios digitais – como smartphones, tablets, notebooks, consoles de jogos eletrônicos, entre outros – ocupam um espaço cada vez maior na vida de crianças]]>

Os novos meios digitais – como smartphones, tablets, notebooks, consoles de jogos eletrônicos, entre outros – ocupam um espaço cada vez maior na vida de crianças e adolescentes. Paralelamente, pais e educadores têm observado uma crescente sobrecarga imposta por essas tecnologias, cujos impactos vão muito além do entretenimento.

Diversos estudos científicos e observações de especialistas apontam que o contato saudável com as novas mídias depende do respeito aos estágios do desenvolvimento biológico, psicológico e social dos jovens. Isso significa que a introdução e o uso das tecnologias devem acompanhar, de forma responsável, a maturidade de cada faixa etária.

É fundamental, portanto, oferecer orientações claras sobre os riscos associados às mídias digitais. Isso inclui cuidados com o comportamento nas redes, prevenção à dependência tecnológica, proteção da privacidade, conscientização sobre conteúdos inadequados e perigos on-line, além das implicações legais e dos impactos à saúde causados pela exposição excessiva às telas. É necessário também revisar medidas de proteção e estabelecer protocolos preventivos para lidar com possíveis ameaças de forma eficaz.

Devemos buscar um equilíbrio entre, de um lado, as necessidades e interesses dos jovens e, de outro, as restrições necessárias para protegê-los, incluindo o uso criterioso de softwares de segurança. Para isso, torna-se indispensável uma educação midiática preventiva, conduzida por pais e educadores, que considere o estágio de desenvolvimento da criança e reforce experiências no mundo real, promovendo o contato com a natureza, os vínculos afetivos e a socialização.

Mais do que nunca, precisamos cuidar dos pilares essenciais da saúde infantil: alimentação equilibrada, prática de atividades físicas, brincadeiras lúdicas, convívio social, sono de qualidade, hidratação, exposição ao sol, espiritualidade e contato com a natureza.

Reconhecemos os avanços positivos que a tecnologia proporcionou, especialmente durante a pandemia. No entanto, não podemos negligenciar nossa responsabilidade – como pais, educadores e profissionais de saúde – de proteger crianças e adolescentes dos danos associados ao uso excessivo e inadequado das telas.

Essa é uma responsabilidade compartilhada por todos: professores, pediatras e especialistas devem orientar famílias e comunidades para enfrentarmos juntos os desafios impostos pelas mídias digitais e redes sociais.

No dia 30 de junho, celebramos o Dia Mundial das Redes Sociais. Para que essa data possa, de fato, ser comemorada com sentido, precisamos garantir que nossas crianças e adolescentes não percam seus vínculos essenciais: com a realidade, com a família, com a sociedade e com a natureza. Afinal, sem esses laços, corremos o risco de formar uma geração órfã de experiências fundamentais ao seu pleno desenvolvimento – físico, emocional, social e espiritual.

Unamo-nos por essa causa. Que o ser humano não se transforme em objeto ou mercadoria, nem se isole a ponto de adoecer na solidão. É nosso dever coletivo preservar o que nos torna verdadeiramente humanos.

 

Relatora:
Silvia Guiguer Chaim
Vice-Presidente da Regional do Grande ABC da Sociedade de Pediatria de São Paulo 

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